CARACTERÍSTICAS BÁSICAS DO ESPÍRITA: PACIÊNCIA, INDULGENCIA, FÉ, HUMILDADE, DIGNIDADE E CARIDADE.

quinta-feira, 23 de abril de 2020

7ª Aula Parte A - CURSO O QUE É O ESPIRITISMO FEESP


COMPROMISSO AFETIVO - CASAMENTO E DIVÓRCIO

Espíritos imortais, já tendo passado por inúmeras encarnações e adquirido compromissos perante outras criaturas, é mister analisarmos, em primeiro lugar, o dever quando falamos em compromisso afetivo.

Diz-nos o Espírito Lazaro que “o dever começa precisamente no ponto em que ameaçais a felicidade ou a tranquilidade do vosso próximo, e termina no limite que não desejaríeis ver transposto em relação a vós mesmos”.

De acordo com o preceito de Jesus que nos recomenda amar ao nosso próximo, certamente, toda vez que infligimos a Lei de Amor, sentimos a repercussão do abuso em nossa consciência. Respeitar o sentimento do outro, portanto, é fundamental para o nosso próprio equilíbrio emocional.

E o mais importante compromisso afetivo que experimentamos é o casamento.

O casamento é uma instituição Divina, inserida na Lei de Reprodução e fundada na união conjugal, para que se opere a renovação e a espiritualização dos seres. Implica no “regime de vivência pelo qual duas criaturas se confiam uma à outra, no Campo da assistência mútua", como bem define o Espírito Emmanuel.

Segundo Kardec, na questão 696 do L.E, “o casamento é um dos primeiros atos de progresso nas sociedades humanas porque estabelece a solidariedade fraterna e se encontra entre todos os povos, embora nas mais diversas condições”.

A despeito da chamada “crise do casamento” moderna, abolir o casamento significaria um retrocesso, pois até mesmo entre os animais encontramos uniões que são duradouras e estáveis. A união sexual livre e casual reflete o estado primitivo da natureza e, quando a praticamos, é como se vivêssemos ainda no estado de barbárie.

O aspecto da lei

A união pelo casamento pertence às Leis Divinas, imutáveis e perfeitas, que estabelecem a perpetuação da espécie pela reprodução e evolução dos seres. No verdadeiro casamento predomina a Lei do Amor, exclusivamente de caráter moral, que paira acima das condições eminentemente físicas do casamento.

Em relação à lei humana, ou civil, “não há em todo o mundo, e mesmo na cristandade, dois países em que elas sejam absolutamente iguais, e não há mesmo um só em que elas não tenham sofrido modificações através dos tempos. Resulta desse fato que, perante a lei civil o que é legítimo num país em certa época, torna-se adultério noutro pais e noutro tempo.”

Pela Lei Divina, as criaturas não se unem apenas pelos laços materiais, mas também pelos da alma, a fim de que essa afeição facilite a missão de educar os filhos, fazendo-os progredir. “Imperioso, porém”, diz Emmanuel, “que a ligação se baseie na responsabilidade recíproca, de vez que na comunhão sexual um ser humano se entrega a outro ser humano e, por isso mesmo, não deve haver qualquer desconsideração entre si”.

Laço importante que nos impulsiona para a evolução, o casamento, quando mal direcionado, pode realizar-se por conta de interesses materiais; mas também, quando feliz, pode ser por afinidade, seja ela de natureza espiritual, intelectual ou cultural. Na maioria dos casamentos terrenos, porém, ainda predominam as uniões de resgates e de oportunidades de evolução, precedidos de cuidadosa programação para que a união seja bem sucedida, seja em relação aos cônjuges, aos filhos ou a parentela.

Entre os aspectos fundamentais do casamento, há que se considerar:

a) a família, em que cada individualidade devera exercitar com dedicação a paternidade e a maternidade;

b) o namoro, época do “suave encantamento” a que refere-se Emmanuel, em que tudo é tolerado;

c) o ambiente doméstico, escola viva da alma, onde as criaturas matriculam-se para o aprendizado comum, para os reajustes e o crescimento;

d) a energia sexual, que se apresenta como recurso da lei de atração, para unir os Espíritos em torno da oportunidade de autodescobrimento e de reajuste;

e) a necessidade do reencontro, para o acerto perante as Leis Divinas, devido às responsabilidades esposadas em comum.

Por tudo isso, observa-se que os cultos religiosos não são senão exterioridades, elementos transitórios da vida em comum, compreensíveis em épocas mais recuadas, porém sem nenhuma utilidade prática para a vida espiritual.

Na doutrina espírita não se realizam casamentos, da mesma forma que não se ministram batismos ou quaisquer sacramentos, pois no Espiritismo não há ritual de nenhuma espécie.

Divórcio

Quando Kardec perguntou aos Espíritos acerca da indissolubilidade absoluta do casamento, eles responderam que segundo o ponto de vista material, “é uma lei humana muito contraria a lei natural” (LE Questão 697). Em outra questão, complementando tal entendimento, sentenciaram: “em primeiro lugar as vossas leis são erradas, pois acreditais que Deus vos obriga a viver com aqueles que vos desagradam?” (LE questão 940).

Jesus também não condenava objetivamente o divórcio, mas enfatizava que muitas coisas ocorriam devido à dureza dos nossos corações. Embora não seja contrário as Leis de Deus, o divórcio não deve ser estimulado – ele interrompe o processo de harmonização entre as criaturas, transferindo o compromisso e a solução dos problemas comuns para reencarnações posteriores. Trata-se de uma dolorosa cirurgia psíquica, somente admissível em casos extremos, quando se constituir em um mal menor.

FIXAÇÃO DO APRENDIZADO:

1) Qual a importância do compromisso afetivo Segundo o Espiritismo?

2) Por que o casamento se insere na Lei Divina?

3) Como entender o divórcio?

Fonte da imagem: Internet Google.

quinta-feira, 16 de abril de 2020

6ª Aula Parte Única - CURSO O QUE É O ESPIRITISMO FEESP


O LIVRO DOS ESPÍRITOS

Primeiro livro da codificação, publicado em sua primeira edição em 18 de abril de 1857, O Livro dos Espíritos é fruto de um trabalho monumental, pois “foi escrito por ordem e sob ditado dos Espíritos Superiores para estabelecer os fundamentos de uma filosofia racional, livre dos prejuízos do espírito de sistema”. Ainda sobre o trabalho desempenhado por Allan Kardec, o seu discípulo Léon Denis, assim comenta: “Esse livro é o resultado de um trabalho imenso de classificação, coordenação e eliminação, que teve por base milhões de comunicações, de mensagens, provenientes de origens diversas, desconhecidas umas das outras, mensagens obtidas em todos os pontos do mundo e que o eminente compilador reuniu depois de se ter certificado da sua autenticidade.

Tendo o cuidado de pôr à parte as opiniões isoladas, os testemunhos suspeitos, conservou somente os pontos em que as afirmações eram concordes”.

Com O Livro dos Espíritos, nova luz surge para a humanidade, pois ele esclarece os pontos obscuros que os homens de ciência não podiam descrever. Surge uma nova doutrina, o Espiritismo, que tem como base o Espiritualismo, doutrina oposta ao Materialismo. Na sua parte “Introdução ao Estudo da Doutrina Espírita”, Allan Kardec comenta que para diferenciar o Espiritismo do Espiritualismo nova palavra deve ser criada, pois a partir deste momento todo aquele que se disser adepto da doutrina espírita será designado Espírita. Nesse sentido, como especialidade O Livro dos Espíritos contém a doutrina espírita, e como generalidade, vincula-se ao Espiritualismo.

A Divisão

Dividido em quatro Livros, O Livro dos Espíritos assim encontra-se estruturado:

Livro Primeiro: As Causas Primárias

Livro Segundo: Mundo Espírita ou dos Espíritos

Livro Terceiro: As Leis Morais

Livro Quarto: Esperanças e Consolações

Segundo J. Herculano Pires, a Codificação Espírita tem sua fundamentação em o Livro dos Espíritos, pois a partir dele é que as demais obras, que compõem os cinco livros da Codificação Espírita foram desdobradas. Ele é o núcleo central da Doutrina Espírita. Neste sentido, Herculano Pires coloca de forma estruturada e lógica toda à sequência da obra kardequiana, conforme esquema:

O LIVRO DOS ESPÍRITOS “Podemos encontrar uma parte que se refere a ele mesmo, ao seu próprio conteúdo: é o constante dos Livros I e II até o capítulo quinto.”

O LIVRO DOS MÉDIUNS “Sequência natural deste livro que trata especialmente da parte experimental da Doutrina, tem a sua fonte no Livro II, a partir do capitulo sexto até o final. Toda a matéria contida nessa parte é reorganizada e ampliada daquele livro”.

O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO

“É uma decorrência natural do Livro III, em que são estudadas as leis morais, tratando-se especialmente da aplicação dos princípios da moral evangélica, bem como dos problemas religiosos da adoração, da prece e da prática da caridade.”

O CÉU E O INFERNO “Decorre do Livro IV “Esperanças e Consolações” em que são estudados os problemas referentes às penas e aos gozos terrenos e futuros, inclusive com a discussão do dogma das penas eternas e a análise de outros dogmas, como o da ressurreição da carne, e os do paraíso, inferno e purgatório.”

A GÊNESE, OS MILAGRES E AS PREDIÇÕES SEGUNDO O ESPIRITISMO

“Relaciona-se aos capítulos II, III e IV do Livro I, e capitulo IX, X e XI do Livro II, assim como a parte dos capítulos do Livro III que tratam dos problemas genésicos e da evolução física da Terra.” (Fonte: O Livro dos Espíritos, Introdução a “O Livro dos Espíritos", Ed. Lake)

Tendo como início a observação dos fenômenos das mesas girantes e o estudo profundo com auxílio dos médiuns, que foram os intermediários da espiritualidade superior que presidiu a elaboração desta obra, Allan Kardec nos esclarece a respeito do verdadeiro fundamento do livro: “Seria fazer uma ideia bem falsa do Espiritismo acreditar que a sua força decorre da prática das manifestações materiais e que, portanto, entravando-se essas manifestações, pode-se minar-lhes as bases. Sua força está na sua filosofia, no apelo que faz à razão e ao bom senso”.

Diante dessas palavras, pode-se entender claramente o processo ideológico pelo qual surgiu a doutrina espírita, tendo como pedra filosofal O Livro dos Espíritos. Foi a partir das observações dos fatos que se buscou compreender a sua causa real.

Causa essa que originou-se no que Kardec explica no item 17 da Introdução ao Estudo da Doutrina Espírita: “A verdadeira Doutrina Espírita está no ensinamento dado pelos Espíritos”.

FIXAÇÃO DO APRENDIZADO:

1) Qual foi o método empregado por Kardec na compilação de O Livro dos Espíritos?

2) Em quantas partes está dividido O Livro dos Espíritos? De que modo elas se relacionam com as demais obras da codificação?

3) Onde está a verdadeira força do Espiritismo, Segundo Allan Kardec?

BIBLIOGRAFIA
- Kardec, Allan - O Livro dos Espíritos - Ed. FEESP.

Fonte da imagem: Internet Google.

quinta-feira, 9 de abril de 2020

5ª Aula Parte B - CURSO O QUE É O ESPIRITISMO FEESP


PARÁBOLA DOS TRABALHADORES DA ÚLTIMA HORA

“O Reino dos Céus é semelhante a um homem pai de família, que ao romper da manhã saiu a assalariar trabalhadores para a sua vinha. E feito com os trabalhadores o ajuste de um dinheiro por dia, mandou-os para a sua vinha. E tendo saído junto da terceira hora (nove horas), viu estarem outros na praça, ociosos. E disse-lhes:

Ide vós também para a minha vinha, e dar-vos-ei o que for justo. E eles foram. Saiu, porém, outra vez, junto da hora sexta (meio dia), e junto da hora nona (quinze horas), e fez o mesmo. E junto da undécima hora (dezessete horas) tornou a sair e, achou outros que lá estavam, e disse: por que estais vós aqui todo o dia, ociosos?

Responderam-lhe eles: Porque ninguém nos assalariou. Ele disse: Ide vós também para a minha vinha. Porém no fim da tarde, disse o senhor da vinha ao seu mordomo: Chama os trabalhadores e paga-lhes o jornal, começando pelos últimos e acabando nos primeiros. Tendo chegado, pois os que foram juntos da hora undécima, recebeu cada um seu dinheiro. E chegando também os que tinham ido primeiro, julgaram que haviam de receber mais; porém, também estes não receberam mais do que um dinheiro cada um. E ao recebê-lo, murmuravam contra o pai de família, dizendo: Estes que vieram por último não trabalharam senão uma hora, e tu os igualaste conosco, que aturamos o peso do dia e da calma. Porém ele, respondendo a um deles, lhe disse: Amigo, eu não te faço agravo; não convieste tu comigo num dinheiro? Toma o que te pertence, e vai-te, que eu de mim quero dar também, a este último, tanto quanto a ti. Visto isso, não me é licito fazer o que quero? Acaso teu olho é mau, porque eu sou bom? Assim serão últimos os primeiros e primeiros os últimos, porque são muitos os chamados e poucos os escolhidos.” (Mateus, 20: 1-16)

Jesus disse: “O meu reino não é deste mundo.” (Jo 18-36). Por isso, os ensinamentos de Jesus partiam sempre de algo concreto, do dia-a-dia vivenciado pelos ouvintes, para que através do raciocínio, eles pudessem compreender a abrangência do conceito abstrato do reino de Deus. Assim, utilizou-se de muitas parábolas para ensinar. E a parábola nada mais é do que uma narrativa alegórica na qual o conjunto de elementos evoca, por comparação, outras realidades de ordem superior. Pode ser considerada uma narração alegórica que encerra uma doutrina moral.

Todos fomos chamados para uma nova encarnação, objetivando a perfeição relativa.

Qual o ensinamento da Parábola dos Trabalhadores da Última Hora? No primeiro chamado, fomos convidados a desenvolver os germens das virtudes com a primeira revelação de Moises, com os Dez Mandamentos. Porém nessa época ainda enxergávamos Deus com características humanas, poderoso e guerreiro.

No segundo chamado, com Jesus, o convite era para que ampliássemos a compreensão do Decálogo, deixando de praticar a lei do “olho por olho e dente por dente” e aprendermos o amor universal através do “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”.

No terceiro chamado, somos convidados a estabelecer os alicerces da prática do amor, quando começamos a compreender que existem condições para que o trabalho seja bem realizado, como: a assiduidade, o desprendimento, a boa vontade e esforço com que o realizamos; condições essas essenciais para que o salário faça jus ao esforço de cada um.

Quando o senhor da vinha diz: "Porque são muitos os chamados e poucos os escolhidos”, enfatiza as oportunidades que temos para o aprimoramento; porém poucos são os que se dispõem a aceitar o convite.

A misericórdia Divina remunera todos os trabalhadores. O salário irá depender da maneira como cada um desempenha suas funções. Jesus nos ensina que sempre é tempo para cuidarmos de nosso aperfeiçoamento; não importa a idade, desde que aceitemos com boa vontade o convite para o trabalho.

Deus não espera que todos trabalhem da mesma forma. A meta é colaborarmos cada vez mais em sua obra. Por isso, estejamos sempre dispostos para o trabalho e confiantes no Senhor, ajudando e compreendendo, perdoando e servindo, porque o verdadeiro cristão será reconhecido pelas suas obras e não por suas palavras.

Já estamos na última hora: empreguemos bem este tempo que nos resta para recebermos o salário, pois, por mais longa que nos pareça a presente encarnação, ela não passa de um breve momento em relação a imortalidade do Espírito.

FIXAÇÃO DO APRENDIZADO:

1) Quais são os trabalhadores da última hora?

2) O salário é o mesmo para todos os trabalhadores?

3) Como será reconhecido o trabalhador da última hora?

BIBLIOGRAFIA
- Calligaris, Rodolfo - Parábolas Evangélicas- Ed.FEB.
- Kardec, Allan - O Livro dos Espíritos - Ed. FEESP.
- Kardec, Allan - O Que é o Espiritismo - Ed. FEB.
- Kardec, Allan - O Evangelho Segundo o Espiritismo - Ed. FEESP
- Schutel, Caibar - Parábolas e Ensinos de Jesus - Ed. O Clarim

Fonte da imagem: Internet Google.

quinta-feira, 2 de abril de 2020

5ª Aula Parte A - CURSO O QUE É O ESPIRITISMO FEESP


O ESPIRITISMO EM SEU TRÍPLICE ASPECTO

O Espiritismo surgiu oficialmente em 18 de abril de 1857, com a primeira edição de O Livro dos Espíritos, que viria a alterar muitos dos conceitos até então vigentes, com relação a Deus, a imortalidade da alma; a reencarnação, a comunicação com os mortos e, principalmente, ao mundo dos Espíritos.

“Escrito na forma dialogada da Filosofia Clássica, em linguagem clara e simples, para divulgação popular este livro é um verdadeiro tratado filosófico que começa pela Metafísica, desenvolvendo em novas perspectivas a Ontologia, a Sociologia, a Psicologia, a Ética e, estabelecendo as ligações históricas de todas as fases da evolução humana em seus aspectos biológico, psíquico, social e espiritual. Um livro para ser estudado e meditado, com o auxílio dos demais volumes da Codificação”, escreveu José Herculano Pires, o mais celebrado dos seus tradutores.

Como síntese de todo o conhecimento humano, a Doutrina dos Espíritos é estruturada em O Livro dos Espíritos para a análise da razão sob a forma de ciência, filosofia e religião. Esses três aspectos foram convenientemente distribuídos no conjunto de perguntas e respostas do notável Livro. Ademais, no encerramento dos “Prolegômenos” podemos ver o nome de Espíritos Veneráveis que ditaram as respostas e comandaram a realização do livro e, enquanto encamados na Terra, foram expoentes da filosofia, da ciência e da religião.

Em seus princípios, o Espiritismo é filosofia, com raízes na própria tradição filosófica (a partir das escolas gregas).

Essa é a razão pela qual Sócrates e Platão figuram na Codificação como precursores do Cristianismo e, por conseguinte, do Espiritismo. O Livro dos Espíritos fora até mesmo escrito na forma dos diálogos de Platão: perguntas e respostas. E, ao final da obra, nas suas “Conclusões”, Kardec analisa a doutrina e afirma: “Sua força está na sua filosofia, no apelo que faz a razão e ao bom senso.” (Item VI). Contudo, o Espiritismo não é só filosofia.

No “Preâmbulo” do livro “O que é o Espiritismo”, Kardec afirma: “O Espiritismo é, ao mesmo tempo, uma ciência de observação e uma doutrina filosófica. Como ciência prática, ele consiste nas relações que se estabelecem entre nós e os Espíritos; como filosofia, compreende todas as consequências morais que dimanam dessas mesmas relações.” E conclui, definindo com precisão: “O Espiritismo é uma ciência que trata da natureza, origem e destino dos Espíritos, bem como de suas relações com o mundo corporal.”

Devemos recordar que o Espiritismo surgiu primeiro como ciência, que é o seu outro aspecto. Contudo, a ciência espírita difere da ciência materialista, rompendo definitivamente com a barreira de pressupostos para firmar em bases lógicas e experimentais seus princípios.

Princípios esses revelados aos homens por meio de provas irrecusáveis: a existência e a natureza do mundo espiritual e suas relações com o mundo corpóreo.

A ciência espírita compreende duas partes: uma experimental, sobre as manifestações em geral; outra, filosófica, sobre as manifestações inteligentes (LE, “Introdução”, item XVII). Ambos os casos apresentam como base do conhecimento a fenomenologia mediúnica, coroada pelo ensinamento dado pelos Espíritos, que nos revelam as leis naturais. É representada, no Espiritismo, por O Livro dos Médiuns e A Gênese.

Finalmente, como terceiro aspecto da Doutrina, fechando o Triangulo de Forças Espirituais a que se referiu Emmanuel em O Consolador (Definição), surge o aspecto religioso que Kardec deixou para o final de sua missão.

E representado no Espiritismo por O Evangelho Segundo o Espiritismo.

Nesse aspecto, porém, o Espiritismo é muito diferente das religiões tradicionais, visto ser desprovido de rituais, sacramentos, idolatria, paramentos, mitos e quaisquer cultos exteriores. A doutrina espírita, por isso, como religião que efetivamente é, surge do exercício da razão; daí a ideia da fé raciocinada, “que se apoia nos fatos e na lógica e não deixa nenhuma obscuridade: crê-se porque se tem a certeza, e só se está certo quando se compreendeu.” Não se trata de uma religião, com uma série de rituais, mas que “repousa a sua grandeza divina por constituir a restauração do Evangelho de Jesus Cristo, estabelecendo a renovação definitiva do homem, para a grandeza de seu imenso futuro espiritual”, nas sábias palavras do Espírito Emmanuel.

FIXAÇÃO DO APRENDIZADO:

l) Onde encontrar as raízes da Filosofia Espírita?

2) Quais são as partes da Ciência Espírita?

3) Como se caracteriza a fé na Religião Espírita?

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quinta-feira, 26 de março de 2020

4ª Aula Parte B - CURSO O QUE É O ESPIRITISMO FEESP


A REFORMA ÍNTIMA

Deus criou todos os Espíritos simples e ignorantes, ou seja, sem conhecimento. Deu a cada um deles uma missão, com o fim de esclarecê-los e progressivamente conduzi-los à perfeição, pelo conhecimento da verdade e para que se aproximassem Dele. Chegando à perfeição, encontram a felicidade suprema.

Kardec pergunta aos Espíritos na questão 967 de O Livro dos Espíritos, no que consiste a felicidade dos bons Espíritos e a resposta é objetiva: “Em conhecer todas as coisas; não ter ódio, nem ciúme, nem inveja, nem ambição, nem qualquer das paixões que fazem a infelicidade dos homens”. Pelo livre-arbítrio, cada um de nós segue o caminho do bem ou do mal, instruindo-nos através das lutas e tribulações da vida corporal. Em nossas muitas encarnações temos a oportunidade de melhoria progressiva.

Seguindo a lei natural - a lei de Deus - o homem torna-se feliz. Quando desejamos saber qual é a verdadeira Lei de Deus, os Espíritos dizem-nos que ela está escrita em nossa consciência (L.E, questão 621). E, quando queremos acertar, Deus ofereceu-nos o modelo mais perfeito para nos servir de guia: Jesus.

Jesus ensinou-nos pelo seu exemplo e pelas suas máximas; os Espíritos, por sua vez, vieram esclarecer os ensinamentos de Jesus necessários para o nosso aprimoramento.

O Espírito da Verdade diz-nos: “Espíritas: amai-vos, eis o primeiro mandamento; instrui-vos, eis o segundo. Todas as verdades se encontram no Cristianismo”.

Para que possamos atingir tal objetivo, é preciso educar o Espírito a luz dos ensinamentos do Cristo - transformarmo-nos no “homem novo” em substituição ao “homem velho” do passado. Conseguimos isso vencendo nossos defeitos e vícios, e ganhando qualidades e virtudes. Aos poucos, sentiremos os efeitos dessa transformação em nossos sentimentos, pensamentos e atos.

Jesus ofereceu-nos inúmeras lições. No Sermão do Monte dá-nos uma lição de amor por meio das bem-aventuranças, para que nos aproximemos de Deus e sejamos consolados. Aprendemos que necessitamos conquistar virtudes, como a mansuetude, a caridade, a benevolência e o pacifismo; e que devemos buscar a paz interior, conquista do Espírito, através da oração e da vigilância dos nossos pensamentos.

Em virtude de nosso atraso moral afastamo-nos gradativamente das Leis Divinas, que deveriam nortear as nossas vidas. É importante sabermos, a partir do momento em que iniciamos a nossa Reforma Íntima, que a nossa felicidade de hoje será sempre proporcional ao nosso esforço de renovação - e pelo bem que semearmos como consequência das virtudes adquiridas.

Não se pode entender o termo Reforma Íntima separado de sua verdadeira significação, da qual não podemos fugir: a da transformação moral. Como nos disse Jesus: "Ninguém põe remendo de pano novo em vestido velho, porque o remendo tira parte do vestido e fica maior a rotura.” (Mateus, 9:16). Não remendamos o que está velho; buscamos o tecido novo, mais resistente e duradouro.

Devemos buscar os valores espirituais, a progressão espiritual, única finalidade dos seres em todos os níveis e em todos os mundos.

Espiritualização é a exteriorização, o vir a tona da centelha Divina, do nosso Eu interior no esforço de sintonizarmo-nos com a vibração Divina universal, que é a harmonia, luz, amor, equilíbrio; é sobrepormo-nos ao homem material e aos valores materiais.

Diz-nos o Espírito Emmanuel: “Todos somos doentes pedindo alta”; a caminhada é longa, muitas vezes encontraremos obstáculos, porém, Jesus é claro quanto ao convite para a renovação: “Ninguém que, tendo posto a mão no arado, olha para trás, é apto para o reino de Deus.” (Lucas, 9:62)

É um esforço de milênios, foram inúmeras as encarnações em que não atingimos tal objetivo; mas o Evangelho sempre nos oferece um poderoso auxilio para a espiritualização, desde que seja compreendido, interpretado e vivido na essência de sua significação e do seu poder redentor.

FIXAÇÃO DO APRENDIZADO:

1) Que é Reforma Íntima?

2) O que significa a transformação moral? Quais virtudes devemos conquistar?

3) Qual a contribuição do Evangelho de Jesus para que vençamos os nossos defeitos morais?

BIBLIOGRAFIA
- Kardec, Allan - A Gênese - Ed. FEESP.
- Kardec, Allan - O Livro dos Espíritos - Ed. FEESP.
- Kardec, Allan - O Evangelho Segundo o Espiritismo - Ed. FEESP.

Fonte da imagem: Internet Google.

terça-feira, 24 de março de 2020

4ª Aula Parte A - CURSO O QUE É O ESPIRITISMO FEESP


ESPÍRITO E MATÉRIA

Desde a Antiguidade, quando o homem começou a formar a base de seu conhecimento, uma das coisas que mais o fascina é saber o princípio das coisas. Assim foi, por exemplo, com os primeiros filósofos gregos como Tales de Mileto, Heráclito de Êfeso, Demócrito de Abdera, entre outros. Eles procuravam saber como as coisas eram formadas e cada um deu a sua explicação, limitada a sua época, ao entendimento das pessoas e a inexistência de uma ciência organizada.

Os Espíritos revelaram que ao homem não é dado conhecer todas as coisas aqui na Terra (L.E, questão 17). Falta-nos desenvolver faculdades que ainda desconhecemos, assim como a condição moral necessária. Os nossos sentidos, da mesma forma, permitem-nos apenas o conhecimento do mundo material e da realidade em que nos encontramos. A nossa inteligência, ainda limitada, só alcança uma ínfima parcela do conhecimento do Universo. Quando dominarmos o conhecimento por completo, teremos chegado à perfeição (L.E, questão 898).

Porém, na medida em que aperfeiçoamo-nos em amor e sabedoria, iremos paulatinamente conhecendo os mistérios da Natureza. O que o homem não consegue aprender, Deus permite que lhe seja revelado, para ajudá-lo na marcha do progresso.

A ciência humana trouxe-nos, a partir das civilizações mesopotâmica, egípcia, hebraica e, principalmente, grega, o conhecimento do Universo, mesmo que de forma rudimentar. A partir do século XVII, com o grande desenvolvimento da Ciência, as leis físicas, ou materiais, foram descobertas graças aos estudos de Newton e de Lavoisier. Todavia, o Universo não engloba só a matéria, de sorte que o conhecimento humano necessitava ser ampliado. O Universo até então conhecido era estreito demais, limitado pelos sentidos humanos e chegando até os instrumentos científicos podiam alcançar, o que era pouco. Vez por outra, filósofos e homens de ciência, como Kant, Galileu Galilei e tantos outros, alargavam esses limites.

Somente na Segunda metade do século XIX, com o advento do Espiritismo - codificado por Allan Kardec em seu tríplice aspecto: Ciência, Filosofia e Religião - o mundo espiritual abriu-se ao homem, mostrando-lhe um Universo infinito, formado por dois elementos gerais: a matéria e o espírito. Deus, a Inteligência Suprema e causa primária de todas as coisas, é o Criador, presidindo a tudo.

A matéria

A matéria já foi definida pela ciência como aquilo que tem extensão, que pode impressionar os sentidos e é impenetrável. O homem, no esforço de compreender o que é visível, palpável e mensurável, sempre tentou classificá-la desde o começo dos tempos. Por isso, no passado distante, o homem falava de quatro elementos formadores de todas as coisas: água, fogo, terra e ar; as quatro essências conhecidas na Antiguidade. Com a estruturação da química orgânica, surge a Tabela periódica, inicialmente com pouco mais de cinquenta elementos, depois ampliada para noventa e dois (do hidrogênio ao urânio) e, hoje, contando com mais de cem elementos. Esses mesmos elementos, que consideramos simples, não são mais que modificações de uma substância primitiva, o fluido cósmico universal, definido como matéria elementar primitiva (L.E, questão 27).

A matéria também existe em estados que desconhecemos, podendo ser tão etérea e sutil que não produza nenhuma impressão aos nossos sentidos. Das modificações e transformações do fluido universal, encontramos a variedade inumerável dos corpos da Natureza. Esse fluido, imponderável e inabordável pelos instrumentos humanos, é o que podemos chamar de matéria quintessênciada, matéria essa manipulada pelo mundo espiritual.

Começando pelo átomo, a matéria encontra-se no Universo em dois estados distintos: eterização ou imponderabilidade e materialização ou ponderabilidade. No primeiro temos os fenômenos do mundo invisível, constituindo os fenômenos espirituais e que são atribuição do Espiritismo. No segundo encontramos os fenômenos materiais, do mundo visível e que são da alçada da ciência.

“O ponto de partida do fluido universal é o grau de pureza absoluta, do qual nada pode dar uma ideia; o ponto oposto é sua transformação em matéria tangível".

Em nosso mundo físico, a matéria divide-se em orgânica, formando os corpos dos seres vivos (homens, animais e plantas) e inorgânica, encontrada nos minerais, água, ar etc.

O Espírito

“Que é espírito?”, perguntou Kardec aos Espíritos (L.E, questão 23).

A resposta foi objetiva e precisa: “O princípio inteligente do Universo”. Elemento espiritual, não se confunde com a matéria, pois que não está sujeito as suas mesmas vicissitudes, mas tem sim atributos, entre os quais a inteligência, seu atributo essencial (L.E, questão 24).

“O elemento espiritual individualizado constitui os seres chamados Espíritos, como o elemento material individualizado constitui os diferentes corpos da Natureza, orgânicos e inorgânicos”.

Os Espíritos, seres inteligentes da Criação tem, portanto, como ponto de partida o princípio espiritual e são permanentemente regidos pela Lei do progresso. Partindo da condição de simples e ignorantes, dotados de infinitas potencialidades, todos os Espíritos estão destinados a perfeição, o que implica no conhecimento de todas as coisas. A cada uma das encarnações, o que corresponde à ideia da justiça de Deus, podemos recomeçar sempre e, assim, dar um passo a mais na senda do progresso, através de nossa consciência, razão, vontade, inteligência e livre-arbítrio.

FIXAÇÃO DO APRENDIZADO:

1) O homem sempre teve explicação para a existência do Universo? Como o Espiritismo auxiliou em sua compreensão?

2) Quais são os elementos gerais do Universo? O que é o Fluido Cósmico Universal?

3) Qual o principal atributo do elemento espiritual?

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quinta-feira, 19 de março de 2020

3ª Aula Parte B - CURSO O QUE É O ESPIRITISMO FEESP


O VALOR DA PRECE

Relata-nos o Espírito Humberto de Campos, no livro “Boa Nova” (psicografia de Francisco Candido Xavier) que, certa feita, Pedro perguntou a Jesus como deveríamos interpretar a oração, ao que o Mestre respondeu: “Em tudo deve a oração constituir o nosso recurso permanente de comunhão ininterrupta com Deus."

Kardec, em O Evangelho Segundo o Espiritismo, esclarece que as condições da prece foram definidas por Jesus nas seguintes passagens:

“E quando orais, não haveis de ser como os hipócritas, que gostam de orar em pé nas sinagogas, e nos cantos das ruas, para serem vistos dos homens; em verdade vos digo, que eles já receberam a sua recompensa. Mas vós, quando orardes, entrai em vosso aposento, e, fechada a porta, orai a Vosso Pai em secreto; e Vosso Pai, que vê o que se passa em secreto, vos dará a paga. E quando orais não faleis muito, como os gentios; pois cuidam que pelo seu muito falar serão ouvidos. Não queirais, portanto, parecer-vos com eles; porque vosso Pai sabe o que vos é necessário, primeiro que vos lho peçais.” (Mateus, VI:5-8).

“E propôs também esta parábola a uns que confiavam em si mesmos, como se fossem justos, e desprezavam os outros: Subiram dois homens ao templo, para fazer oração: um fariseu e outro publicano. O fariseu, posto em pé, orava lá no seu interior desta forma: Graças te dou, meu Deus, porque não sou como os demais homens, que são uns ladrões, uns injustos, uns adúlteros, como é também este publicano; jejuo duas vezes por semana, pago o dízimo de tudo o que tenho. O publicano, pelo contrário, posto Lá longe, não ousava nem ainda levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Meu Deus, sê propício a mim, que sou pecador. Digo-vos que este voltou justificado para a sua casa, e não o outro; porque todo o que se exalta será humilhado, e todo o que se humilha será exaltado”. (Lucas, XVIII: 9-14)

O que podemos tirar de lição dessas duas passagens? Que a prece não deve ser motivo de exibição, mas sim que a façamos sem afetação e em segredo. Deve ser feita com simplicidade e sem muitas palavras, pois não será pelo palavreado que seremos ouvidos, mas sim pela sinceridade com que é realizada. Não devemos também orar com o coração cheio de ressentimento contra alguém; devemos perdoar todo o mal que por ventura alguém tenha nos feito, pois, como poderemos pedirmos perdão a Deus pelos nossos erros se ainda não perdoamos o nosso próximo? A prece agradável a Deus é aquela que é sincera, fervorosa, proferida com fé, humildade e sempre caridosa com o próximo.

Por que devemos orar, se Deus conhece todas as nossas necessidades? Será que podemos modificar o andamento dos fatos com a oração, já que Deus a tudo provê?

Kardec explica em O Evangelho Segundo o Espiritismo que, mesmo que o Universo seja regido por leis naturais e imutáveis e que Deus não as muda segundo os nossos desejos, “(...) daí a acreditar que todas as circunstâncias da vida estejam submetidas à fatalidade, a distância é grande”. Somos senhores de um livre-arbítrio relativo para dele fazermos uso e tomarmos iniciativa; se Deus dotou-nos de raciocínio e inteligência foi para que deles nos servíssemos, assim como da vontade para querermos e da atividade para a ação. De nossa iniciativa originam-se acontecimentos que escapam forçosamente a fatalidade e que nem por isso destroem a harmonia das leis universais. Deus pode conceder certos pedidos sem violar a imutabilidade das leis que regem o conjunto, isso sempre dependendo do Seu consentimento.

Mas basta pedirmos para que nosso desejo seja realizado? Certamente que não. Invariavelmente, obteremos respostas para as nossas suplicas, porém, a concessão nem sempre vem de acordo com o que almejamos – ou melhor, é a imperfeita compreensão que temos de nossas verdadeiras necessidades que nos leva a concluir, erradamente, sobre a não satisfação dos nossos pedidos.

“A prece é um ato de adoração. Fazer preces a Deus é pensar Nele, aproximar-se Dele, pôr-se em comunicação com Ele. Pela prece podemos fazer três coisas: louvar, pedir e agradecer.” (LE, questão 659).

Devemos orar no começo e no fim de cada trabalho; no começo para elevarmos nossas almas e atrairmos os Espíritos esclarecidos e bons, e no fim, para agradecermos os benefícios e ensinamentos que houvermos recebido.

Seja a nossa prece singela, curta e realizada em silêncio, muito mais um transporte do nosso coração do que uma formula decorada. O que importa é o nosso pensamento firme e, para ser eficaz, não deve ser uma recitação, proferida de maneira mecânica, mas sim um ato de vontade capaz de atrair as boas vibrações do Plano Espiritual e as irradiações do Divino Foco.

A prece deve ser improvisada de preferência, porque assim a preocupação com o que estamos dizendo, prende a nossa atenção e favorece nossa ligação com o Alto.

A prece não nos livrará das provas que devem ser o meio da cura de nossos males morais, mas nos fortalecerá o ânimo, como uma preparação para enfrentarmos as dificuldades.

Jesus deixou-nos o modelo de prece concisa, que resume todos os nossos deveres para com Deus: a Oração Dominical, ou o Pai Nosso. Como nos diz Kardec: “Encerra ainda uma profissão de fé, um ato de adoração e submissão, o pedido de coisas necessárias a vida terrena e ao princípio de caridade”.

Meditemos em torno dessas palavras: “Pai Nosso que estais no Céu, santificado seja o vosso nome. Venha a nós o vosso Reino, seja feita a sua vontade, assim na Terra como no Céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje.

Perdoais as nossas dividas, assim como nós perdoamos os nossos devedores. Não nos deixei cair em tentação, mas livrai-nos do mal. Assim seja.” (Mateus, VI:9-13).

Em Lucas, acrescenta-se: “Pais vossos são o reino, o poder e a glória para sempre”.

FIXAÇÃO DO APRENDIZADO:

1) O que é a prece?

2) Qual a prece mais agradável a Deus?

3) Na sua opinião, qual é o valor da prece?

BIBLIOGRAFIA

- Compri, Maria T. - Experiências a Luz do Evangelho no Lar - Ed. FEESP.
- Kardec, Allan - O Evangelho Segundo o Espiritismo - Ed. FEESP.

Fonte da imagem: Internet Google.

terça-feira, 17 de março de 2020

3ª Aula Parte A - CURSO O QUE É O ESPIRITISMO FEESP


O EVANGELHO NO LAR

Conta-nos o Espírito Néio Lucio, no livro “Jesus no Lar” (psicografia de Francisco Candido Xavier), que Jesus fez o primeiro Evangelho no Lar na casa de Simão Pedro, reunindo ali corações ávidos de esclarecimento. Com isso, o Mestre ensinou-nos que a harmonia e a paz tão desejada para o mundo começam dentro da nossa casa, onde devemos exercer primeiramente nossos deveres como cristãos.

Néio Lucio narra assim as palavras de Jesus a respeito do lar: “O berço doméstico é a primeira escola e o primeiro templo da alma. A casa do homem é a legitima exportadora de caracteres para a vida comum. Se o negociante seleciona a mercadoria, se o marceneiro não consegue fazer um barco sem aperfeiçoar a madeira aos seus propósitos, como esperar uma comunidade segura e tranquila sem que o lar se aperfeiçoe?”

Por isso, devemos organizar o nosso ambiente doméstico a Luz do Evangelho, já que a paz do mundo começa ali.

Seremos fora, no grande campo da sociedade, aquilo que aprendermos no lar. Portanto, os pais não devem falhar com os filhos, do contrário, esses falharão com a sociedade, com o próximo e com eles mesmos; serão como a casa edificada na areia movediça - vindo os rios da mudança, os ventos da renovação, haverá grande ruína.

Devemos conservar entre nossos familiares a esperança, estudando em casa a Boa Nova de Jesus, praticando a fraternidade e crescendo em amor e sabedoria.

A respeito da oração, ensinou-nos Jesus: “Onde estiverem duas ou mais criaturas reunidas em meu nome, eu entre elas estarei.” (Mateus, 18:20).

Como começar?

Convidaremos nossos familiares para o estudo do Evangelho, marcando dia e hora apropriados para todos, que deve ser seguido sempre. Esse dia será especial e o horário nobre, pois receberemos a visita de Jesus, através de seus mensageiros. A partir de então, a Luz adentrará o nosso lar e as trevas baterão em retirada.

Preparação para o Evangelho no Lar:

No dia do Evangelho, desde a manhã, buscaremos ter pensamentos elevados, conversação edificante e trabalho normal.

Aproximando-se a hora do Evangelho, podemos colocar música clássica ou música a luz da oração (opcional), assim como a água para ser fluidificada. Se houver alguém doente, pode-se colocar um copo com água em nome da pessoa.

Se o telefone tocar, atenderemos e diremos que estamos fazendo o Evangelho e, quando terminarmos, retornaremos a ligação.

Se for a campainha, iremos à porta e convidaremos a pessoa para entrar. Explicaremos em rápidas palavras a reunião, convidando a visita a participar dela. Na hora das vibrações, envolver os visitantes em muita paz, saúde e agradecer-lhes a presença.

Roteiro para realização:

Em primeiro lugar, designaremos uma pessoa para conduzir o Evangelho e as restantes para todos os itens. Em seguida, prosseguiremos dessa maneira:

1 - Início da reunião. Iniciar com uma prece simples e espontânea, recepcionando carinhosamente o Mentor Espiritual e todos aqueles, dos dois planos, que estão presentes. Buscaremos o silêncio interior, para sentirmos a presença de Jesus e pedir-lhe a inspiração para a leitura mais apropriada do Evangelho, além de podermos assimilar seus ensinamentos e colocá-los em pratica no nosso dia a dia.

2 - Leitura do Evangelho. Ler, a cada reunião, um trecho pequeno de O Evangelho segundo o Espiritismo, começando da pelo Prefácio, pulando a introdução, ir para o Cap. I, com Voz audível, calmamente, para que todos possam entender. A leitura deve ser metódica e na sequência, tendo o caráter de aula. Dessa maneira, o nosso lar será a escola de Jesus, onde a matéria estudada é o Evangelho, os alunos carentes somos nós e o Mestre é Jesus.

3 - Comentários sobre o texto lido. Os comentários são breves, feitos por todos e cada um expõe o que entendeu da leitura. Se tivermos dificuldade, leiamos de novo. Certamente, os mentores espirituais estarão nos ajudando a compreender a lição, para que a assimilemos com facilidade. Importante frisarmos que não é comunicação mediúnica, mas sim a inspiração divina de Amigos abnegados que nos trazem amorosamente as orientações necessárias não só da leitura, como também sobre os problemas atuais que podem e devem ser comentados a luz do Evangelho. Cuidado para não trazer a tona fatos desagradáveis e que possam ser motivo de discussão. A hora do Evangelho é sagrada e momento de paz.

4 - Vibrações. É o momento mais importante da reunião. Lembremo-nos das palavras de Jesus: “Vós sois a luz do mundo, podeis fazer o que eu faço e muito mais” (Mateus, 5:14). Jesus referia-se a potencialidade do Espírito, ao poder da mente quando canalizada para o bem, quando passamos à condição de doadores. Todos temos algo de bom para dar ao próximo, em benefício da humanidade. Destacaremos um membro da reunião para dirigir as vibrações (com Voz moderada) e os demais acompanharão com o pensamento, procurando doar paz, amor, saúde, equilíbrio. O valor da vibração está no impulso mental que é dado, na vontade firme e sincera de querer ajudar, na dedicação e amor aos semelhantes, acreditando no poder da fé raciocinada.

5 - Prece de encerramento. Aprece será simples e espontânea, um agradecimento ao Senhor da Vida e ao plano espiritual, que nos deram a sustentação para o nosso Evangelho.

A reunião tem duração de quinze a trinta minutos; podemos fazer o Evangelho sozinhos, seguindo todas as etapas acima descritas e em Voz alta.

Se houver crianças, podemos introduzir livros infantis específicos, como o “O Evangelho Segundo o Espiritismo para a Infância” (Edições Feesp).

A conversação no lar, após o Evangelho, deve ser edificante, iluminada pelo amor e pela pratica da compreensão mútua, sem o que o objetivo da reunião não terá sido atingido. Procuremos estender tal comportamento para todos os dias, sempre permanecendo nessa calma, Vivenciando as lições aprendidas durante a reunião – o Evangelho no Lar serve para harmonizar a nossa casa e nossas relações com os familiares.

A prática das orientações é imprescindível; nossa conduta, em todas as situações, deve se pautar pelas vibrações radiantes do Evangelho, para que nos tornemos seu exemplo Vivo. Recordemos o ensinamento de Tiago (2:14): “Meus irmãos, que aproveita se alguém disser que tem fé e não tiver obras? Porventura, a fé pode salvá-lo?”.

FIXAÇÃO DO APRENDIZADO

1) Qual a finalidade do Evangelho no Lar?

2) Quais os itens que compõem o roteiro da reunião?

3) Na sua opinião, qual a maior motivação para a pratica do Evangelho no Lar?

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quinta-feira, 12 de março de 2020

2ª Aula Parte B - CURSO O QUE É O ESPIRITISMO FEESP


O MAIOR MANDAMENTO

“Mas os fariseus, tendo sabido que Ele fizera calar os saduceus, se reuniram em conselho. E um deles, que era doutor da Lei, para o tentar fez esta pergunta: Mestre, qual é o grande mandamento da lei? Respondeu Jesus:

Amarás o Senhor teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o maior e o primeiro mandamento. E o Segundo, semelhante ao primeiro é: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. Estes dois mandamentos contém toda a lei e os profetas.” (Mateus, 22:34-40).

Verdadeiramente, Jesus proclamou que ao cumprirmos esses dois mandamentos - “Amar a Deus e ao próximo” - vale muito mais que seguir todas as formulas e todos os cultos, ou fazer todos os sacrifícios, porque no amor a Deus e ao próximo encontramos a única e universal religião. Se o gênero humano praticar esses ensinamentos, chegará à unidade e a realização de seus destinos, pela solidariedade e a fraternidade.

Na maravilhosa mensagem de Jesus, Deus é Pai e todos os homens são irmãos!

Com esses dois mandamentos, o Mestre substitui o Decálogo, ou seja, os Dez Mandamentos de Moises, pois quem ama a Deus sobre todas as coisas, a Ele unicamente presta culto, não adorando imagens de qualquer espécie; respeita o Seu nome e O santifica, não somente um dia, mas todos os dias da semana, todas as horas e todos os minutos. E quem ama o próximo como a si mesmo, honra seus pais, não mata, não adultera, não levanta falso testemunho, nem cobiça coisa alguma de quem quer que seja.

Quem ama o próximo, deseja ao semelhante o que quer para si. É o reconhecimento da Paternidade Divina, expandida na Fraternidade Universal. O amor ao próximo é a ponte que liga a criatura ao Criador.

Pelas palavras de Jesus, podemos entender que o único caminho da salvação, é a pratica da caridade com humildade, que é absolutamente contrária ao caminho do desajuste, do egoísmo e do orgulho.

Do amor ao próximo, como a nós mesmos, nasce o socorro que devemos prestar ao nosso semelhante pela inteligência, pelo coração, com brandura e mansuetude, para não tornar-lhe penoso receber o auxílio, seja ele material, moral ou intelectual que lhe dispensamos.

Como está implícito no amor de Deus, a pratica da caridade para com o próximo e todos os deveres do homem resumem-se na máxima: Fora da caridade não há salvação, pois tudo aquilo que se aprende em conceitos deve revelar-se, concretamente, em ações.

Então, como exigir ou esperar atitudes nobres dos semelhantes se não desenvolvemos a paciência e a benevolência para com eles? E se o homem não praticar o amor ao próximo, como pode amar a Deus?

FIXAÇÃO DO APRENDIZADO:

l) Qual o maior mandamento? E o segundo?

2) Por que esses dois mandamentos podem substituir o Decálogo trazido por Moises?

3) Como compreender a proposta “triangular” do amor a Deus, ao próximo e a si mesmo?

BIBLIOGRAFIA

Kardec, Allan - A Gênese. Ed. Feesp
Kardec, A. O Evangelho Segundo o Espiritismo. São Paulo: FEESP. 9ª ed., 1993, Introdução, Item II, p.6.
Kardec, A. O Livro dos Espíritos, 2.ed., São Paulo: FEESP, Questão l, s.d.

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terça-feira, 10 de março de 2020

2ª Aula Parte A - CURSO O QUE É O ESPIRITISMO FEESP


DEUS E AS TRÊS REVELAÇÕES

A primeira questão de “O Livro dos Espíritos” expressa um dos grandes questionamentos da humanidade: o que é Deus?

Desde sua criação o homem sente, dentro de si mesmo, que há um Criador. A frase de Léon Denis explica bem tal sentimento ao afirmar que: “Há coisas, que de tão profundas, só se sentem, não se descrevem".

Os Espíritos nos revelam que encontraremos Deus onde a ciência dos homens ainda não alcança. “Não há efeito sem causa. Procurai a causa de tudo aquilo que não é obra do homem e a vossa razão vos responderá”.

Ao observarmos a criação Divina, verificamos a grande harmonia do Universo, numa interação pensada e dirigida, produto de uma Inteligência sábia, onde tudo é elaborado de maneira minuciosa e perfeita. Kardec explica: “As obras ditas da natureza são produto de forças materiais que agem mecanicamente, como consequência das leis de atração e de repulsão, mas são empregadas, distribuídas, apropriadas para as necessidades de cada coisa, por uma inteligência que não é dos homens”.

Deus sempre será Deus, pois é Eterno. Suas leis também sempre são as mesmas, pois são naturais; o que muda, através dos tempos, é a maneira como o homem consegue concebê-Lo.

Sempre trouxemos dentro de nós o sentimento de adoração, pois trazemos a marca do Criador. Essa marca está gravada em nossa consciência o que nos traz a intuição de um Ser Superior - é uma consciência universal, pois encontramos tal crença em todos os povos.

No caminho percorrido pela humanidade na busca por essa força ou Ser Superior, vemos que a concepção de Deus muda conforme a nossa evolução. Enquanto primitivos, alguns povos entendiam que as forças da natureza eram governadas por vários deuses. Quanto a isso, explicam-nos os Espíritos: “A palavra deus tinha, entre os antigos, acepção muito ampla. Era uma qualificação genérica, que se dava a todo ser existente fora das condições da Humanidade.”

Mais tarde, incapazes ainda de compreender a essência Divina, personificamos Deus a nossa imagem e semelhança. Dessa maneira, Deus ganhou características humanas e imperfeitas, como a crueldade, vingança, ira etc.

Nesta trajetória, temos a primeira revelação com Moisés, o que representou um grande avanço para os homens da época. O Deus de Moisés é forte e poderoso e Lhe revelou os Dez Mandamentos, um código de conduta moral para um povo turbulento e indisciplinado. Contudo, o Deus revelado por Moisés ainda é duro e parcial.

Tal concepção muda com Jesus, que mostra-nos Deus não mais como o Ser vingativo, mas o Pai, o Criador que auxilia a Sua criação emanando amor, base de suas leis universais que regem a tudo.

A terceira revelação, trazida pelo Espiritismo, resgata os ensinamentos de Cristo e explicando-nos de onde viemos, para onde vamos e por que estamos na Terra.

Ao contrário das duas primeiras revelações, centralizadas em duas figuras - Moisés e Jesus - a Doutrina Espírita é fruto da comunicação de vários Espíritos, universalizando o seu ensino. “Deus quis que a nova revelação chegasse aos homens por um meio mais rápido e mais autêntico. Eis porque encarregou os Espíritos de a levarem de um polo a outro, manifestando-se por toda a parte, sem dar a ninguém o privilégio exclusivo de ouvir a sua palavra”, esclarece-nos Kardec.

Os Espíritos nos revelam que Deus é “a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas" e os seus atributos são: eterno, único, imutável, imaterial e soberanamente justo e bom. Deus, dentro de Sua misericórdia e amor, nos assiste sempre. E quanto mais desenvolvemos conquistas espirituais e libertamo-nos da matéria, mais nos aproximamos de Deus. O que nos resta, por hora, é a urgência de fazer com que Deus exista dentro de nossos corações, que se reflita em nossas atitudes, pensamentos e palavras.

FIXAÇÃO DO APRENDIZADO

1) Onde podemos encontrar Deus?

2) No que Jesus se diferencia de Moisés na apresentação de Deus?

3) Qual a definição de Deus na Doutrina Espírita?

Fonte da imagem: Internet Google.