CARACTERÍSTICAS BÁSICAS DO ESPÍRITA: PACIÊNCIA, INDULGENCIA, FÉ, HUMILDADE, DIGNIDADE E CARIDADE.

terça-feira, 7 de abril de 2026

4a Aula Parte A - CURSO DE EDUCAÇÃO MEDIÚNICA 1º ANO FEESP

PERISPÍRITO, PROPRIEDADES E MEDIUNIDADE

O perispírito como princípio das manifestações

- O homem é constituído por Espírito ou alma, perispírito e corpo físico.

- O Espírito é o ser inteligente e sensível, o perispírito o intermediário entre o Espírito e o corpo físico.

Perispírito (do grego peri, em torno, e do latim spiritus, alma, espírito) é o envoltório fluídico e perene do Espírito, que possibilita sua interação com os meios espiritual e físico. Seus elementos constituintes provêm dos fluidos do meio onde o Espírito se encontra; fluidos esses que o formam e o alimentam, do mesmo modo que o ar forma e alimenta o corpo material do ser humano. O perispírito é mais ou menos etéreo, conforme os mundos e purificação do Espírito. É Parte integrante desse, como o corpo é Parte integrante do homem. É o órgão de transmissão de todas as sensações.

Praticamente todas as civilizações humanas do passado falaram no perispírito. Os egípcios conheciam-no como o “kha”. Na Índia, fala-se em “Língua-Sharira”, enquanto que no esoterismo judeu é o “Nephesh”.

Paracelso o chamou de “corpo astral” ou “Evestrum” e Paulo de Tarso o denominou como “Corpo Espiritual” ou “Corpo Incorruptível”.

Kardec nos ensina que o perispírito, por meio de sua expansão do meio, une-se ao ser humano desde o momento da fecundação do óvulo pelo espermatozoide, unindo-se molécula a molécula. Essa união permanece por toda a vida física do indivíduo e só por ocasião da morte do corpo físico é que ocorre a desunião do perispírito, quando ele retoma ao mundo espiritual, que é seu local de origem.

Propriedades e qualidades

Plasticidade, densidade, ponderabilidade, luminosidade, penetrabilidade, visibilidade, tangibilidade, sensibilidade global, sensibilidade magnética, expansibilidade, bicorporeidade, unicidade, perenidade, capacidade refletora, odor, temperatura, mutabilidade.

Plasticidade - O perispírito sendo o espelho da alma e etérea extensão da mente, molda-se de acordo com seu comando plasticizante, pois é formado tanto por fluídos eterizados como por fluídos materiais. Tem um extremo poder plástico, adaptando-se as ordens mentais da alma. Assume as formas que o Espírito desejar.

Densidade - O perispírito não deixando de ser matéria, ainda que quintessenciada, apresenta em si uma densidade que se relaciona com o grau de evolução da alma.

Ponderabilidade - Sob os aspectos físicos, a matéria sutil ou o corpo espiritual em si não apresentaria um peso possível de ser detectado por meio de qualquer instrumentação até agora conhecida. Na união espiritual, cada organização perispirítica tem seu peso específico, que varia de acordo com sua densidade, pelo estado de moralidade do Espírito.

Luminosidade - Também desponta como característica particular de cada Espírito e seus condicionamentos morais evolutivos. A intensidade da luz esta na razão da pureza do Espírito.

Penetrabilidade - A natureza etérea do perispírito permite ao Espírito, caso apresente as necessárias condições mentais, atravessar qualquer barreira física, pois matéria alguma lhe opõe obstáculo. E ele atravessa todos, assim como a luz atravessa os corpos transparentes.

Visibilidade - Aos olhos físicos o perispírito é totalmente invisível, todavia não o é para os Espíritos. No caso dos menos evoluídos, esses só percebem os seus pares, captando-lhes o aspecto geral.

Tangibilidade - Sendo o perispírito também matéria, poderá como devido apoio ectoplásmico, tomar-se materialmente tangível, no todo ou em parte.

Sensibilidade Global - A sensibilidade do perispírito é global. Tendo a capacidade de penetrar o meio externo, isso pode acontecer em qualquer ponto do organismo.

Sensibilidade Magnética - O perispírito é particularmente sensível a ação magnética, pois sustenta uma estrutura semimaterial.

Expansibilidade - O perispírito pode, conforme suas condições, expandir-se, aumentando, inclusive, o campo de percepção sensorial.

Bicorporeidade - Este termo, criado por Kardec, é um dos fenômenos de desdobramento, embora seja uma forma mais adiantada da expansibilidade. Define-se como notável faculdade do perispírito, que possibilita, em condições especiais, o seu desdobramento, dando a impressão de “fazer-se em dois”, no mesmo lugar ou em lugares diferentes.

Unicidade - A estrutura perispirítica, como reflexo da alma, é única.

Perenidade - O perispírito é perene, está ligado à alma e como esta, não pode ser destruído. Porém, possui característica de mutabilidade.

Capacidade Refletora - O corpo espiritual, extensão da alma que é, reflete continua e instantaneamente os estados mentais.

Odor - O perispírito possui odores particulares que são perceptíveis por Espíritos, mas não devemos nos confundir com as manipulações ectoplásmaticas (odores criados por Espíritos).

Temperatura - Durante certas atividades mediúnicas, alguns médiuns registram, por exemplo, uma espécie de gélido torpor, com a aproximação de determinadas categorias de Espíritos ou, ao contrário, uma cálida sensação de bem-estar, quando da aproximação de um Espírito Superior.

Mutabilidade - A mutabilidade do perispírito ocorre constantemente: quando reencarna, quando decai, quando se eleva, quando muda para outra "morada da casa do Pai"... Por exemplo, o espírito progride, sua densidade e peso diminuem, sua luminosidade aumenta, marcas perispirituais que trazia de experiências infelizes somem, etc..
Mediunidade

“O desenvolvimento da faculdade mediúnica depende da natureza mais ou menos expansível do perispírito do médium e da sua maior ou menor assimilação pelo perispírito dos Espíritos”. (Obras Póstumas Manifestações dos Espíritos).

O perispírito é o princípio de todas as manifestações. O seu conhecimento foi a chave da explicação de uma imensidade de fenômenos.

Para que aconteça o fenômeno mediúnico, é preciso que o perispírito se expanda e se exteriorize para além do corpo físico.

Kardec ressaltou a importância do perispírito para o estudo, a analise, e tratamento de vários fenômenos da alma, englobando a vista dupla, visão a distancia, sonambulismo natural e artificial, catalepsia, letargia, presciência, pressentimentos, transfigurações, transmissão de pensamento, etc. (A Gênese, capítulo I, item 40).

O ato mediúnico é o momento em que o Espírito aproxima-se do médium e o envolve nas suas Vibrações espirituais. Essas vibrações irradiam-se do seu corpo espiritual atingindo o corpo espiritual do médium. A esse toque vibratório, semelhante ao de um brando choque elétrico, reage o perispírito do médium. Realiza-se a fusão fluídica. Ali estão fundidos e distintos. O que se da não é uma incorporação, mas uma interpenetração psíquica, como a da luz atravessando uma vidraça. (José Herculano Pires - “Mediunidade”)

Bibliografia:

KARDEC, Allan. Obras Póstumas: Capitulo Manifestações dos Espíritos
KARDEC, Allan. Livro dos Médiuns primeira Parte capitulo I, segunda Parte capitulo IV, VI
KARDEC, Allan. A Gênese: Capitulo I, item 40
PIRES, J. Herculano. Mediunidade: Capitulo V

A imagem acima é meramente ilustrativa. Fonte: Internet Google.
 

quinta-feira, 2 de abril de 2026

3a Aula Parte B - CURSO DE EDUCAÇÃO MEDIÚNICA 1º ANO FEESP

EVANGELIZAÇÃO DO MÉDIUM

A Moral é o conjunto de regras que constituem os bons costumes e consubstancia os princípios salutares de comportamento de que resultam o respeito ao próximo e a si mesmo. Decorrência natural da evolução estabelece as diretrizes seguras em que se fundam os alicerces da civilização, produzindo matrizes de caráter que vitalizam as relações humanas, sem as quais o homem, por mais avançado nos esquemas técnicos, poucos passos teria conseguido desde os estados primários do sentimento.

Em Jesus a Moral assume relevante proposição, que modifica a estrutura do pensamento humano e social, abrindo o campo a experiências vigorosas, em que medram as legitimas aspirações humanas, que transitam do poder da forca para a forca do amor. Jesus se preocupa com a perfeição intima, ética, intransferível, dos homens, conclamando-os a realizarem, interiormente, o “Reino de Deus”.

Certamente a moral cristã ainda não alcançou os seus objetivos elevados. A vigência do postulado Máximo do Cristo, sempre sábio e atual: “Fazer ao próximo o que desejar que este lhe faca” leva o médium ao encontro da felicidade espiritual.

A virtude, no mais alto grau, é o conjunto de todas as qualidades essenciais que constituem o homem de bem.

Ser bom, caritativo, laborioso, sóbrio, modesto são qualidades do homem virtuoso. Infelizmente, quase sempre as acompanham pequenas enfermidades morais que as atenuam. Não é virtuoso aquele que faz ostentação da sua virtude, pois que lhe falta a qualidade principal: a modéstia; e tem o vício que mais se lhe opõe: o orgulho.

O benfeitor espiritual é o mensageiro da perfeição e beleza. O homem é o veiculo de sua presença e intervenção. Todavia, se o homem esta mergulhado no desespero ou no desalento, na indisciplina ou no abuso, como desempenhar a função de refletor dos emissários Divinos?

Como ensina-nos Emmanuel no item 18 do livro Caminho Verdade e Vida, pelo médium F. C. Xavier, cada homem tem a vida exterior, conhecida e analisada pelos que o rodeiam, e a vida intima da qual somente ele próprio poderá fornecer o testemunho. O mundo interior é a fonte de todos os princípios bons ou maus e todas as expressões exteriores guardam ai os seus fundamentos. Em regra geral, todos somos portadores de graves deficiências intimas, necessitado de retificação. Será muito fácil ao homem confessar a aceitação de verdades religiosas, operar adesão verbal a ideologias edificantes. Porém, outra coisa é realizar a obra da elevação de si mesmo, valendo-se da autodisciplina, da compreensão fraternal e do Espírito de sacrifício, efetuando-se assim a purificação do sentimento, no recinto sagrado da consciência, apenas conhecido pelo aprendiz, na soledade indevassável de seus pensamentos. Isso requer trabalho de duplo ânimo, porque semelhante renovação jamais se fará tão somente a custa de palavras brilhantes.

Percebemos desse modo, que a evangelização do médium é o primeiro passo para o desenvolvimento de suas sagradas tarefas. 

Como cumpri-las, santamente e religiosamente sem render culto ao dever, trabalhar espontaneamente, não esperar recompensas no mundo? Como exercer a mediunidade sem irritação, desculpando incessantemente e sem medo dos perseguidores? 

Todos são chamados a cooperar, no conjunto das boas obras, a fim de que se elejam a posição de escolhidos para tarefas mais altas.

O Evangelho é clima de paz em permanente efusão de esperança. O mundo é só oportunidade. O que não conseguimos hoje, conseguiremos depois. A caminhada na Terra tem como objetivo a aprendizagem e a renovação. Voltaremos à vida verdadeira concluindo o nosso curso. Não podemos gastar energias desnecessariamente diante dos problemas naturais, o que importa é a nossa filiação ao Evangelho lembrando-nos sempre das palavras de Jesus que se encontram em Mateus, 4-19: “Segui-me e eu vos farei pescadores de homens.” Sábio é o homem que tem discernimento, fazendo opções elevadas; trocando o transitório de agora pelo permanente de sempre.

Nos tempos atuais de renovação social, cabe aos médiuns uma missão especialíssima: são arvores destinadas a fornecer alimento espiritual aos seus semelhantes. Não podem representar à figueira que secou e que é o símbolo daqueles que apenas aparentam propensão ao bem, mas que na realidade nada de bom produzem.

Médiuns existem em todos os pontos do globo terrestre. Seja na administração ou na colaboração, na beneficência ou no estudo, na tribuna ou na imprensa, no consolo ou na cura, no trabalho informativo ou na operação de fenômenos, todos são convocados a servir com sinceridade e desinteresse, na construção do bem, com base no burilamento de si próprios. No campo da vida, cada inteligência se caracteriza pelas atribuições que lhe são próprias. Seja nos recintos da lei, nos laboratórios da ciência, no tanque de limpeza ou a cabeceira de um doente, toda pessoa tem o lugar de revelar-se. Com o evangelho como sustentação não podemos dizer que somos inúteis ou desprezíveis.

Se nos movimentarmos ao Sol do Evangelho, saberemos identificar o infortúnio, onde cremos encontrar simplesmente rebeldia e desespero, a ferida da ignorância, onde supomos existir apenas maldade e crime.

Perceberemos que o erro de muitos se deve a circunstancia de não haverem colhido as oportunidades que nos felicitam a existência.

A verdade é que todos estão interligados, em ministério mediúnico ativo, incessante, graças aos múltiplos dons de que nos achamos investidos. Assim sendo, meditemos nas possibilidades mediúnicas de que já estamos exercendo e procuremos elevar-nos pelo exercício das ações nobilitantes que o roteiro do Evangelho nos indica. 

Certamente que uns estão mais aquinhoados pelas faculdades mediúnicas que lhe São concedidas para a própria edificação. Se, todavia, não temos ainda os sintomas mais evidentes da mediunidade, na psicografia, na psicofonia ou na vidência, com certeza todos nós podemos ser os médiuns do amor e acender a lâmpada do auxilio fraterno, a fim de que a caridade nos transforme em médiuns da esperança entre os que aspiram a mundo melhor.

Bibliografia:

KARDEC, Allan. Evangelho Segundo o Espiritismo: Caps. XVII, item 8 cap. XXVI, item 10
XAVIER, Francisco Cândido (Emmanuel). Livro da Esperança: Itens 56 e 64
XAVIER, Francisco Cândido (Emmanuel). Palavras de Vida Eterna: Item 41
XAVIER, Francisco Cândido (Emmanuel). Caminho Verdade e Vida: Itens 20 e 30
XAVIER, Francisco Cândido (Emmanuel). Emmanuel: item 15
XAVIER, Francisco Cândido; VIEIRA, Waldo (Autores Espirituais Diversos). O Espírito da Verdade: item 5
FRANCO, Divaldo P. (Joanna de Angelis). Estudos Espíritas: Item 22

Questões para reflexão:

1) Descreva os cuidados que o médium dever ter para melhor exercitar a sua mediunidade.

2) Descreva as sensações mais comuns ao médium.

3) Comente a importância da evangelização do médium.

4) Analise o pensamento de Emmanuel “O mundo interior é a fonte de todos os princípios bons ou maus e todas as expressões exteriores guardam em si os seus fundamentos”.

A imagem acima é meramente ilustrativa. Fonte: Internet Google.
 

terça-feira, 31 de março de 2026

3a Aula Parte A - CURSO DE EDUCAÇÃO MEDIÚNICA 1º ANO FEESP

MÉDIUM, SENSIBILIDADE E COMUNICAÇÃO COM OS ESPÍRITOS

“Limpai as mãos, pecadores; e, vós de duplo ânimo, purificai os corações.” - Tiago (4:8).

Mediunidade é a faculdade orgânica de pôr-se em comunicação com Espíritos, desencarnados ou encarnados, captar-lhes o pensamento, ou sofrer-lhes a influência, ou ainda, a faculdade específica de servir de medianeiro (instrumento) as comunicações espíritas.

Médium é a pessoa que pode servir de intermediária entre os Espíritos e os homens. Todo aquele que sente num grau qualquer, a influência dos Espíritos é, por esse fato, médium. Essa faculdade é inerente ao homem.

Não constitui, portanto, um privilégio exclusivo. Por isso, raras são as pessoas que dela não possuam alguns sintomas. Pode, pois, dizer-se que todos são mais ou menos médiuns. Todavia, usualmente, assim só se qualificam aqueles em quem a faculdade mediúnica se mostra bem caracterizada e se traduz por efeitos patentes, de certa intensidade, o que então depende de uma organização mais ou menos sensitiva. É de notar-se, além disso, que essa faculdade não se revela, da mesma maneira, em todos. Geralmente, os médiuns têm uma aptidão especial para os fenômenos desta, ou daquela ordem, donde resulta que formam variedades, quantas são as espécies de manifestações.

O desejo natural de todo aspirante a médium é o de poder contatar os Espíritos que lhe são caros: familiares, parentes ou amigos, porém, deve-se moderar a sua impaciência ou ansiedade, porquanto a comunicação com determinado Espírito apresenta muitas vezes dificuldades que tornam impossível a comunicação ao principiante. 

Para que um Espírito possa comunicar-se, preciso é que haja entre ele e o médium relações fluídicas, que nem sempre se estabelecem instantaneamente. Só à medida que a faculdade se desenvolve, é que o médium adquire pouco a pouco a aptidão necessária para pôr-se em comunicação com o Espírito que se apresente. Antes, pois, de pensar em obter Comunicações de tal ou tal Espírito, importa que o aspirante leve a efeito o desenvolvimento de sua faculdade, para o que deve fazer um apelo geral e dirigir-se principalmente ao seu Espírito protetor.

A mediunidade é uma faculdade psíquica que se radica no organismo e, por isso, o seu desenvolvimento independe da moral do médium. É outorgada tanto aos homens de bem, quanto as pessoas indignas.

Perguntar-se-ia se não seria mais justo que Deus concedesse a mediunidade tão somente aos homens de bem, que dela fizessem bom uso. Os Espíritos esclarecem que Deus não recusa meios de salvação aos culpados.

Se Deus desse a palavra somente às pessoas que falassem coisas úteis, a maioria seria muda. Se há pessoas indignas que possuem a atividade mediúnica, é que disso precisam mais do que as outras, para se melhorarem.

Por isso o médium deve precaver-se contra a vaidade e o orgulho. Estar sempre vigilante, não vendo na mediunidade um mérito pessoal, mas uma outorga divina, que implica numa grande responsabilidade de empregá-la a serviço dos bons Espíritos e dos encarnados que precisam ser por ela favorecidos. Deve refugiar-se na prece, pedindo ao Pai Celestial que o livre do assédio das forças do mal e não o deixe cair em tentação.

Pode surgir como impositivo provacional que permite mais ampla libertação do próprio médium, que, em dilatando o exercício da nobilitação a que se dedica, granjeia consideração e títulos de benemerência que lhe conferem paz. Sem duvida, esse poderoso instrumento de evolução espiritual, pode converter-se em lamentável fator de perturbação, tendo em vista o nível espiritual e moral daquele que se encontra investido de tal recurso.

Os médiuns não têm um perfil especifico. Em geral são pessoas mais sensíveis que as outras, mas isso não é regra. Podem descobrir-se médiuns em qualquer idade. Os sinais mais comuns dessa condição são:

- Desmaios e convulsões cuja causa os médicos não conseguem diagnosticar com exames físicos;

- Mudanças radicais na Voz e na fisionomia, perceptíveis, sobretudo pelas outras pessoas;

- Ter premonições comprovadas;

- Ter pensamentos recorrentes;

- Sensações de formigamento nas mãos, na cabeça e na nuca;

- Ondas alternadas de frio e calor nas mãos, braços ou no corpo;

- Escrita automática e compulsiva de textos de conteúdo estranho a experiência do autor;

- Recomenda-se manter o bom senso e o juízo critico apesar de todas essas experiências.

Não há bom médium, sem homem bom. Não há manifestação de grandeza do Plano Espiritual, no mundo, sem grandes almas encamadas na Terra. Em razão disso, diz o Espírito Emmanuel, no item 36 do livro Roteiro: “Só existe verdadeiro e proveitoso desenvolvimento mediúnico, se estamos aprendendo a estudar e servir. A bondade e o entendimento para com todos representam o roteiro único para crescermos em aprimoramento dos dons psíquicos de que somos portadores, de modo a assimilarmos as correntes santificantes dos planos superiores, em marcha para a consciência cósmica”.

“No exercício da mediunidade com Jesus, isto é, na perfeita aplicação dos seus Valores a benefício da criatura, em nome da Caridade, é que o ser atinge a plenitude das suas funções e faculdades, convertendo-se em celeiro de bênçãos, semeador da saúde espiritual e da paz nos diversos terrenos da vida humana, na Terra.” (Joanna de Angelis Divaldo P. Franco, Livro Estudos Espíritas - item 18).

Como ilustração de um tema tão complexo como este recomendamos a leitura e reflexão de “História de Médium”, no livro Novas Mensagens item 3, pelo Espírito de Humberto de Campos, psicografia de Francisco Cândido Xavier.

Bibliografia:

KARDEC,Allan. Livro dos Médiuns: 2ª Parte - Caps. XIV,XV, XVII, XX, XXIV
XAVIER, Francisco Cândido (Emmanuel). Roteiro: Item 36
XAVIER, Francisco Cândido (André Luiz). Missionários da Luz: cap. 3
XAVIER, Francisco Cândido (André Luiz). Mecanismos da Mediunidade: cap. XVIII
MIRANDA, H. C. Diversidades de Carismas: Vol. I e II
FRANCO, Divaldo P. (Joanna de Angelis). Estudos Espíritas: Item 18

A imagem acima é meramente ilustrativa. Fonte: Internet Google.
 

quinta-feira, 26 de março de 2026

2a Aula Parte B - CURSO DE EDUCAÇÃO MEDIÚNICA 1º ANO FEESP

MURALHA DO TEMPO - GUARDA-TE EM DEUS

“Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta que conduz a perdição”- Jesus (Mt 7:38)

Em nos referindo à semelhante afirmativa do Mestre, não nos esqueçamos de que toda porta constitui passagem disponível em qualquer construção, a separar dois lugares, facultando livre acesso entre eles.

Reportamo-nos aos médiuns que são os intermediários, entre o mundo dos Espíritos e o plano físico. Todo médium que desejar realizar um bom intercâmbio deve, sobretudo, saber escolher qual porta deve ser sua escolha. Jesus afirmou que a porta larga é a que conduz a perdição e vamos reservar que os vícios, de toda natureza, vão estar lá.

“A porta larga para muitos é a que produz facilidades, irresponsabilidades. Aquém, da muralha, o passado e o presente”. A travessia de uma das portas é ação compulsória, para todas as criaturas.

A porta estreita é o começo da conscientização, é a retomada no caminho do bem e a busca de novas atitudes: “lembra-te de Deus para que saibas agradecer os talentos da vida”.
“Se fatigado, pensa Nele, o Eterno Pai que jamais desfalece na Criação. Se triste, eleva-Lhe os sentimentos, meditando na alegria solar com que, toda manhã, Sua infinita Bondade dissolve as trevas”.

Quem traz Deus para sua vida não se preocupa. Como nos diz Emmanuel “é preciso trazer Deus para a vida íntima, renovar os pensamentos para que, o que não esta de acordo com os sentimentos e virtudes que aprimoram a alma, possa ficar mais perto da porta estreita”.

“Seja qual for a dificuldade, recorda o Todo-Misericordioso que não esquece”. E, abraçando o próprio dever como Sendo a expressão de sua Divina Vontade para os teus passos de cada dia, encontraras na oração a força verdadeira de tua fé, a erguer-te das obscuridades e problemas da terra para a rota de luz que te apontar as sendas do céu.

Bibliografia:

VIEIRA, Waldo (André Luiz). Sol nas Almas: Lição 67
XAVIER, Francisco Cândido; VIEIRA, Waldo (Autores Espirituais Diversos). O Espírito da Verdade: lições n° 05, 14, 19, 29 e 70
KARDEC, Allan - Evangelho Segundo Espiritismo: Cap. VI, item 8; cap. XVIII, item 3; cap. XXIV itens 4, 11 e 12; e, cap. XXVI, item 7.

Questões para reflexão

1) Descrever o que você entendeu por afinidade e aproximação.

2) Explique o que você entendeu por “incorporação”

3) Faca a diferença entre a porta estreita e a porta larga.

4) Comente a expressão de Emmanuel: “É preciso trazer Deus para a vida íntima”.

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terça-feira, 24 de março de 2026

2a Aula Parte A - CURSO DE EDUCAÇÃO MEDIÚNICA 1º ANO FEESP

INTERCÂMBIO MEDIÚNICO

Afinidade - Aproximação - Aceitabilidade

Incorporação Mecanismo das Comunicações

A afinidade é obtida pelo sintonia do Espírito com os pensamentos, comportamentos, emoções e palavras emitidas pelo médium costumeiramente. Dai, inferimos a importância do conhecimento evangélico doutrinário do médium, da sua sinceridade de propósitos, dos tipos de pensamentos que emite no dia a dia, do seu interesse pelo desenvolvimento das virtudes. E pela eliminação dos defeitos e vícios. Nossos pensamentos e emoções são energias que nós emitimos que atraem outros fluídos semelhantes, permitindo um maior ou menor equilíbrio do médium.

A semelhança de pensamentos e propósitos (ou intenções) é muito importante para o médium captar os fluidos da espiritualidade. Como os Espíritos se comunicam por pensamentos e não por palavras, são ideias ou imagens que os Espíritos emitem em ligação com o médium e que esse capta conforme sua capacidade. Pode ocorrer que haja maior afinidade entre Espíritos e que haja envolvimento emocional (outras existências, amizade, simpatia, etc.,), mas esse tipo de envolvimento não é essencial para que ocorra a ligação mental.

Sendo assim, o médium iniciante deve evitar buscar estabelecer comunicações com um Espírito determinado, pois “... ocorre frequentemente que não seja com este que as relações fluídicas se estabeleçam com mais facilidade, por maior simpatia que lhe vote.” (L.M, 2ª Parte, Cap. XVII, item 203).

Também é necessário na ligação mediúnica, condições favoráveis a aproximação da entidade comunicante com o médium “interlocutor”. Para o intercâmbio mediúnico é necessário sem sombra de dúvidas a presença do Espírito comunicante e, para que tudo ocorra favoravelmente, é necessário que o ambiente esteja preparado. (L.M. 2a parte, Cap. XXIX, item 324).

Também influi o caráter da reunião: reunião para assuntos frívolos atrairão Espíritos frívolos; reuniões com objetivos sérios atrairão Espíritos sérios.

Para que ocorra uma boa reunião, com comunicações sérias de cunho moral, o padrão vibratório do médium também é importante no auxilio da aproximação. Para que o padrão vibratório seja compatível com a espiritualidade superior, o médium deve resguardar-se de pensamentos desequilibrados como preocupações cotidianas, envolvimento com discussões, etc. É necessário que durante o dia, principalmente algumas horas que antecedem a assistência, que os médiuns se coloquem em posição de vigilância e oração, buscando a renovação interior para que os Espíritos comunicantes já consigam realizar a ligação fluídica. O médium deve preparar-se com leituras, preces e, se possível, recolhimento.

O médium deve ter disposição em servir de intermediário, sua aceitabilidade facilita, enquanto o medo e insegurança dificultam o intercâmbio mediúnico.

Os médiuns devem ter em mente que a preparação do ambiente antecede até mesmo a sua presença no local de trabalho. Tudo é preparado pela espiritualidade superior que é ordeira e organizada. Cabe aos médiuns o direcionamento dos pensamentos em coisas boas, iluminadas, e se deixarem envolver pelos fluídos das entidades comunicantes, pela sintonia do pensamento, elevarem-se através da prece, da humildade e sinceridade. Calarem-se mentalmente para que o Espírito possa manifestar-se através dele.

Numa assistência espiritual, a comunicação se dá de acordo com as necessidades dos assistidos. Deve-se contar médiuns com certo aprimoramento e educação mediúnica. Educação que será conquistada por intermédio da reformulação interior, das atitudes, do comportamento e pensamento. “A dificuldade encontrada pela maioria dos médiuns iniciantes é a de ter que tratar com Espíritos inferiores” (L.M 2a parte, cap. XVII, item 211). 

Todas essas predisposições são necessárias à incorporação. A partir desses pré-requisitos, o circuito mediúnico poderá se completar e o médium poderá transmitir a mensagem do plano espiritual como um verdadeiro intermediário. Podemos concluir lembrando-nos novamente de Kardec, que afirma “Para que uma comunicação seja boa é necessário que provenha de um Espírito bom; para que esse Espírito bom possa transmiti-la, precisa dispor de um bom instrumento. Para que queira transmiti-la, é necessário que o objetivo lhe convenha.” (L.M, 2a parte, cap. XVI, item 186).

Bibliografia:

KARDEC, Allan. Livro dos Médiuns: 2ª Parte - Cap. XXXI, item II - Cap. XIX, item 225 - Cap. XIV item 159 - Cap. XVII, item 203, 209 e 211 - Cap. XVI, item 185, 186 e 187
KARDEC, Allan. Livro dos Espíritos: perg. 484
KARDEC, Allan. A Gênese: Cap. XIV item 17
KARDEC, Allan. Evangelho Segundo Espiritismo: Cap. I, item 6
XAVIER, Francisco Cândido (Emmanuel). O Consolador: pergs. 173 e 382
Bíblia - Velho Testamento e Novo Testamento

A imagem acima é meramente ilustrativa. Fonte: Internet Google.
 

quinta-feira, 19 de março de 2026

1a Aula Parte B - CURSO DE EDUCAÇÃO MEDIÚNICA 1º ANO FEESP

MEDIUNIDADE E FIDELIDADE

Ao longo de sua trajetória evolutiva, o homem, ao receber por acréscimo da misericórdia divina a ferramenta de trabalho espiritual denominada mediunidade, dela serviu-se em busca do seu aprimoramento, porém nem sempre a utilizou com fidelidade e responsabilidade, gerando comprometimentos para o seu futuro.

E fidelidade se conquista com o exercício da mediunidade com amor, humildade e discrição.

Kardec deu-nos o exemplo disso, quando nunca ressaltou nenhum médium que o auxiliou na Codificação.

Em “Roteiro”, o autor espiritual Emmanuel nos diz: “... E ainda em todos os acontecimentos religiosos que precederam a vinda do Cristo, a manifestação dos desencarnados ou o fenômeno espírita comparece por vívido clarão da verdade, orientando os sucessos e guiando as supremas realizações do esforço coletivo...”, concluímos que a alegria ou tristeza, fé ou descrença, saúde ou doença e tantos outros estados da alma, dependem unicamente de como nos conduzimos, agindo e interagindo com o próximo, haja vista que para o serviço mediúnico com Jesus, há a exigência de estudo constante, disponibilidade, disciplina, renúncia e, sobretudo vigilância.

O Espírito André Luiz na obra “Sol nas Almas” psicografado por Waldo Vieira, lição n° 67 se reporta à responsabilidade: “... Necessário saiba o médium que aptidões estabelecem responsabilidades e que estas, honorificadas pelo trabalho construtivo e menosprezadas por atividades menos dignas gera, respectivamente, o auxilio dos poderes que elevam a vida ou a Companhia dos agentes que a rebaixam...”, isso nos traz a realidade atual, a necessidade de auto iluminação do médium para que ele possa sempre ser um instrumento fiel e consciente do seu compromisso junto ao próximo, como recurso de inolvidável sintonia com o Bem Maior.

Do mesmo autor espiritual, o livro “O Espírito da Verdade”, lição nº70, “... lembre-se de que, na tarefa de ajudar, o bem maior é sempre aquele que ainda está por fazer, a espera da nossa disposição...”, ou seja, este é o médium fiel, o que auxilia, que coopera, distribui, empresta, organiza e exemplifica em todas as circunstâncias com naturalidade, discrição e caridade nas suas menores atitudes.

No Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XXIV, item 11, “Os sãos não precisam de médico”, temos: “... que a mediunidade é inerente a uma condição orgânica, de que todos podem ser dotados, como a de ver, ouvir ou falar. Não há nenhuma de que o homem, em consequência do seu livre-arbítrio, não possa abusar...”, isso denota que a cada um será pedido contas do uso da faculdade recebida, por ser esta, o Auxilio Divino que o Pai Criador em sua infinita bondade, através de seus mensageiros, nos permite levar a luz a todos, dissipando as trevas da ignorância e da má vontade; o fortalecimento no bem a todos os virtuosos; a orientação com extremado amor aos viciosos, para que estes possam se conduzir a Jesus, arrependidos e dispostos ao trabalho com os amigos espirituais em busca da ascensão espiritual.

Bibliografia:

VIEIRA, Waldo (André Luiz). Sol nas Almas: Lição 67
XAVIER, Francisco Cândido; VIEIRA, Waldo (Autores Espirituais Diversos). O Espírito da Verdade: lições 05, 14, 19, 29 e 70
KARDEC, Allan. Evangelho Segundo Espiritismo: Cap. VI, item 8; cap. XVIII, item 3; cap. XXIV itens 4, 11 e 12; e, cap. XXVI, item 7.
XAVIER, Francisco Cândido (Emmanuel). Roteiro
MIRANDA, Hermínio C. Diversidade de Carismas, vol. II

Questões para reflexão:

1) Explique o que é mediunidade e por que todos os homens são médiuns?

2) Comente sobre o medo do médium de ter contato com os Espíritos.

3) Faça um breve relato da fidelidade do médium em suas tarefas mediúnicas.

4) Analise os ensinamentos de Jesus: “os sãos não precisam de médico”.

A imagem acima é meramente ilustrativa. Fonte: Internet Google.
 

terça-feira, 17 de março de 2026

1a Aula Parte A - CURSO DE EDUCAÇÃO MEDIÚNICA 1º ANO FEESP

MEDIUNIDADE

Mediunidade - qualidade de médium (dicionário Aurélio)

Médium - substantivo de dois gêneros:

- Segundo o Espiritismo, o intermediário entre os vivos e a alma dos mortos;

- Meio para a transmissão de uma mensagem. (dicionário Aurélio)

Médium - suposto intermediário entre os vivos e a alma dos mortos - pessoa a que se atribui o poder de comunicar-se com a alma dos mortos. (Koogan Larousse - Pequeno Dicionário Enciclopédico).

Na visão espírita

“A mediunidade é atributo do Espírito, patrimônio da alma imortal, elemento renovador da posição moral da criatura terrena, enriquecendo todos os seus Valores no capitulo da virtude e inteligência, sempre que se encontre ligada aos princípios evangélicos na sua trajetória pela face do mundo.” (O Consolador - perg. 382)

“Digamos, de início, que a mediunidade é inerente a uma disposição orgânica, de que todos podem ser dotados, como o de ver, ouvir e falar. A mediunidade não implica necessariamente as relações habituais com os Espíritos superiores. É simplesmente uma aptidão, para servir de instrumento, mais ou menos dócil, aos Espíritos em geral. O bom médium não é, portanto, aquele que tem facilidade de comunicação, mas o que é simpático aos bons Espíritos e só por eles é assistido. É neste sentido, unicamente, que a excelência das qualidades morais é de importância absoluta para a mediunidade.” (E.S.E., cap. XXIV, item 12).

“O dom da mediunidade é tão antigo quanto o mundo. Os profetas eram médiuns. Os mistérios de Eleusis foram fundados sobre a mediunidade. Os caldeus, os assírios, possuíam médiuns. Sócrates era dirigido por um Espírito que lhe inspirava os princípios de sua filosofia. Todos os povos tiveram seus médiuns. E as inspirações de Joana D’Arc nada mais eram que a voz dos Espíritos benfeitores que a orientavam”. (LM, cap. XXXI, item 11).

Portanto todos os homens são médiuns. Todos têm um Espírito que os dirige para o bem, quando eles sabem escutá-lo. Todos a possuem em graus que diferem de acordo com o indivíduo, porém o termo propriamente dito se aplica as pessoas dotadas de mediunidade ostensiva no campo dos fenômenos físicos e intelectuais.

Kardec nos diz em O Livro dos Médiuns que: “toda pessoa que sente a influência dos Espíritos em qualquer grau de intensidade é médium. Por isso mesmo não constitui privilégio e são raras as pessoas que não a possuem pelo menos em estado rudimentar. Pode-se dizer, pois, que todos são mais ou menos médiuns.” (LM, cap. XIV, item 159).

Portanto, como nos ensina Hermínio C. Miranda, na obra ‘Diversidade dos Carismas’:

1- o médium é uma pessoa, ou seja, um ser humano dotado de certas faculdades especiais de sensibilidade;

2- pode servir, mas nem sempre quer e nem sempre tem tarefas a exercer no campo específico da mediunidade, ou, no âmbito mais limitado desta, poderá ter tarefas em determinado tipo de mediunidade e não em outros;

3- é um instrumento para que a comunicação se faça, mas não a fonte geradora da mensagem, seja ela visual, auditiva, olfativa ou qualquer outra;

4- opera entre Espíritos desencarnados, de um lado, e Espíritos Encarnados, de outro. Podemos acrescentar um quinto elemento na análise da definição, “é um servidor, cabe-lhe fazê-lo com dignidade, fidelidade e honestidade.” (II volume, pag. 12).

Oportuna a lição do médium Francisco Cândido Xavier, na qual dizia: “O telefone da mediunidade só toca de lá para cá e não daqui para lá, eu não tenho o poder de trazer nenhum Espírito aqui. O que Deus me deu foi à capacidade de perceber quando há, perto de mim, um Espírito que deseje se comunicar”.

André Luiz e Emmanuel, no livro ‘Opinião Espírita’, psicografado por Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira, sabendo que alguns médiuns têm medo, os aconselham, nos seguintes termos:

“Médiuns, se o medo é o teu problema individual, no que respeita a prática medianímica, situa na construção da fé raciocinada a melhoria que aspiras”.

“A coerência com os princípios que esposamos ensina-nos que a criatura de fé verdadeira nada teme, senão a si própria, atenta que vive as fraquezas pessoais. Em razão disso, é correto receares simplesmente a ti mesmo, em todos os sentimentos que ainda não conseguiste disciplinar”.

“Se não te amedrontas face à condição de intérprete na troca verbal entre criaturas que versam idiomas diferentes por que temer a posição de instrumento entre pessoas domiciliadas em esferas diferentes, carecidas da cooperação mediúnica?”

“Por que motivo te assustares diante dos desencarnados, que são, na essência, personalidades iguais a ti mesmo?”

“Medo é inexperiência”

Atuação do Médium

O intercâmbio mediúnico ocorre através do pensamento, é uma ligação mental estabelecida entre o Espírito comunicante e o Espírito do médium receptor.

Como os Espíritos se comunicam por pensamentos e não por palavras, e a sintonia se estabelece através da semelhança de propósitos, são ideias ou imagens que o Espírito emite em ligação com o médium, e que esse capta conforme sua capacidade.

“Nessa ligação mental, o perispírito apresenta um papel muito importante, pois ele é o elo material entre o Espírito e a matéria. Pela sua união íntima com o corpo, o perispírito desempenha um papel preponderante no organismo; pela sua expansão, coloca o Espírito encarnado em relação mais direta com os Espíritos livres, e também com os encarnados.” (GE., cap. XIV, item 17)

Por intermédio do Espírito André Luiz, podemos compreender melhor o aspecto específico da relação entre o perispírito e o corpo físico no fenômeno mediúnico, quando se refere à mediunidade espontânea que começa a aflorar no homem primitivo: “Os encarnados que demonstrassem capacidade mediúnica mais evidente, pela comunhão menos estreita entre as células do corpo físico e do corpo espiritual, em certas regiões do campo somático, passaram das observações, durante o sono, às observações da vigília. Quanto menos densos os elos entre os implementos físicos e espirituais, nos órgãos da visão, mais amplas as possibilidades na clarividência, prevalecendo as mesmas normas para a clariaudiência e para modalidades outras...” (Evolução em Dois Mundos, cap. 17, pg. 134).

A mediunidade surge como veículo utilizado pelos Espíritos para nos trazerem a terceira revelação. “O espiritismo é a terceira revelação da lei de Deus, mas não está personificado em ninguém, porque ele é o produto do ensinamento dado, não por um homem, mas pelos Espíritos, que são as vozes do céu, em todas as partes da terra e por inumerável multidão de intermediários.” (E.S.E., cap. 1, item 6).

Mediunidade na Bíblia

“Muitas passagens do Evangelho, da Bíblia, e dos autores sagrados em geral são ininteligíveis, e muitas mesmo parecem absurdas, por falta de uma chave que nos dê o seu verdadeiro sentido. Essa chave está inteirinha no Espiritismo, como já se convenceram os que estudaram seriamente a doutrina, e como ainda melhor se reconhecerá mais tarde. O Espiritismo se encontra por toda a parte, na antiguidade, e em toda época da Humanidade. Em tudo encontramos os seus tragos, nos escritos, nas crenças e nos monumentos, e é por isso que, se ele abre novos horizontes para o futuro, lança também uma viva luz sobre os mistérios do passado.” (E.S.E. - introdução, n° 1)

Por oportuno, convém observamos que na própria história bíblica, no Antigo Testamento, encontramos, entre outros termos, o vidente para designar o indivíduo portador de mediunidade. Mais tarde, aqueles que tiveram contato com o mundo espiritual, foram chamados de profetas.

Vejamos texto seguinte, extraído do livro primeiro de Samuel:
“Saul se encontra com Samuel - subindo a ladeira da cidade, cruzaram com duas jovens que saiam para buscar água e lhe perguntaram: ‘o vidente está na cidade?’ - antigamente, em Israel, quando alguém ia consultar a Deus, dizia: ‘vamos ao vidente’, porque, em vez de ‘profeta’, como hoje, dizia-se: ‘vidente’...” (I Samuel, 9:11).

A Bíblia de Jerusalém (Paulus Editora, 1985) traz-nos a seguinte explicação sobre os termos profeta:

“A bíblia hebraica agrupa os livros de Isaías, Jeremias, Ezequiel e dos doze profetas sob o título de “profetas posteriores e os coloca após o conjunto Josué-Reis, ao qual da o nome de profetas anteriores”. (pg.1331).

“Destaca, ainda, que não é de estranhar que a bíblia coloque Moisés no inicio da linhagem dos profetas (Dt 18,15. 18) e o considere como o maior de todos (Nn 12,6-8; Dt 34,10-12)” (pg. 1333).

Relata ainda que “em graus diversos e sob formas variadas, as grandes religiões da antiguidade tiveram pessoas inspiradas que pretendiam falar em nome de seu Deus. Em especial entre os povos vizinhos de Israel”.

Mediunidade no Novo Testamento

Com a vinda de Jesus, trazendo a segunda revelação, a mediunidade passou a ser vista com uma visão mais realista, porém, se fez necessário o seu desencarne, o retomo a pátria espiritual, para demonstrar a inexistência da morte do Espírito, culminando com o acontecimento no dia de Pentecostes. Pode-se afirmar que o Evangelho de Jesus e a sua epopeia terrestre é o triunfo da vida sobre a morte.

Em Mateus encontramos o seguinte relato mediúnico denominado transfiguração:

“Seis dias depois, Jesus tomou Pedro, Tiago e seu irmão João, e os levou para lugar a parte, sobre uma alta montanha. E ali foi transfigurado diante deles. O seu rosto resplandeceu como o sol e as suas vestes tornaram-se alvas como a luz. E eis que lhes aparecem Moisés e Elias conversando com ele. Então Pedro, tomando a palavra, disse a Jesus: “Senhor, é bom estarmos aqui. Se queres, levantarei aqui três tendas: uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias”. 

Ainda falava, quando uma nuvem luminosa os cobriu com a sua sombra e uma Voz, que saia da nuvem, disse: “este é meu filho amado, em quem me comprazo: ouvi-o!” Os discípulos, ouvindo a voz, muito assustados, caíram com o rosto no chão. Jesus chegou perto deles e, tocando-os, disse: “levantai-vos e não tenhais medo”. “Erguendo os olhos, não viram ninguém: Jesus estava sozinho” (Mateus, 17: 1-8)

Fato semelhante aconteceu mais tarde, quando Pedro prepara o batismo dos primeiros gentios:

“Pedro estava falando estas coisas, quando o Espírito santo caiu sobre todos os que ouviam a palavra. E os fiéis que eram da circuncisão, que tinham vindo com Pedro, ficaram estupefatos de verem que também sobre os gentios se derramara o dom do Espírito Santo, pois ouviam-nos falar em línguas e engrandecer a Deus. Então disse Pedro: “poderia alguém recusar a água do batismo para estes que receberam o Espírito Santo como nos?” E determinou que fossem batizados em nome de Jesus Cristo” (Atos, 10-44,47).

Com a propagação do Cristianismo, as diversas manifestações mediúnicas também cresceram, motivo pelo qual vamos encontrar algumas recomendações sobre esses fatos. João, em sua primeira epístola, ao nos ensinar a viver como filho de Deus, nos recomenda:

“Caríssimos, não acrediteis em qualquer Espírito, mas examinai os Espíritos para ver se são de Deus, pois muitos falsos profetas vieram ao mundo...” (4-1).

Nos diz ainda que “ninguém jamais viu a Deus; quem nos revelou Deus foi o filho único, que esta junto do pai” (1-18).

Paulo, também adverte aos coríntios, na primeira epístola:

“Procurai a caridade. Entretanto, aspirai aos dons do Espírito, principalmente a profecia. Pois aquele que fala em línguas, não fala aos homens, mas a Deus. Ninguém o entende, pois ele, em Espírito, enuncia coisas misteriosas. Mas aquele que profetiza fala aos homens: edifica, exorta, consola. Aquele que fala em línguas edifica a si mesmo, ao passo que aquele que profetiza edifica a assembleia. Desejo que todos falem em línguas, mas prefiro que profetizem. Aquele que profetiza é maior do que aquele que fala em línguas, a menos que este mesmo as interprete, para que a assembleia seja edificada...” (14- 1,25).

Existem diversas outras passagens demonstrando o mediunismo, tanto no Antigo como no Novo Testamento, porém, as citadas dão uma ideia da importância e da responsabilidade do médium no trabalho na seara de Jesus.

Bibliografia

A Bíblia de Jerusalém - Antigo Testamento e Novo Testamento
XAVIER, Francisco Cândido; VIEIRA, Waldo (Espíritos André Luiz e Emmanuel). Opinião Espírita: lição 41
KARDEC, Allan. Livro dos Médiuns: 2ª Parte - Cap. XXXI, item ll - Cap. XIX, item 225 - Cap. XIV item 159 - Cap. XVII, item 209 - Cap. XVI,
item 187
KARDEC, Allan. A Gênese: Cap. XIV, item 17
XAVIER, Francisco Cândido (Emmanuel). O Consolador: perg. 382
GIMENEZ, Henrique Ney de. A Mediunidade na Bíblia.
KARDEC, Allan. Evangelho Segundo Espiritismo: Cap. I, item 6 e introdução -item 1
KARDEC, Allan. Livro dos Espíritos.
XAVIER, Francisco Cândido; VIEIRA, Waldo (Espírito André Luiz). Evolução em Dois Mundos: Cap. 17
XAVIER, Francisco Cândido (Emmanuel). Roteiro: Lição 27
MIRANDA, Hermínio C. Diversidade dos Carismas: Vol. I e II
XAVIER, Francisco Cândido; VIEIRA, Waldo (Autores Espirituais Diversos). O Espírito da Verdade: lição no. 67

A imagem acima é meramente ilustrativa. Fonte: Internet Google.
 

quinta-feira, 12 de março de 2026

CURSO DE EDUCAÇÃO MEDIÚNICA – 1º. ANO - FEESP

Conteúdo

1a Aula - Parte A – MEDIUNIDADE
              Parte B - MEDIUNIDADE E FIDELIDADE

2ª Aula - Parte A - INTERCÂMBIO MEDIÚNICO
              Parte B - MURALHA DO TEMPO - GUARDA-TE EM DEUS

3ª Aula - Parte A - MÉDIUM, SENSIBILIDADE E COMUNICAÇÃO COM OS ESPÍRITOS
              Parte B - EVANGELIZAÇÃO DO MÉDIUM

4ª Aula - Parte A - PERISPÍRITO, PROPRIEDADES E MEDIUNIDADE
              Parte B - O LABOR DAS ALMAS

5ª Aula - Parte A - CENTROS DE FORCA OU CENTROS VITAIS
              Parte B - DIRETRIZES DO EVANGELHO

6ª Aula - Parte A - A EPÍFISE
              Parte B - FORÇA MEDIÚNICA

7ª Aula - Parte A – AÇÃO DOS ESPÍRITOS SOBRE A MATÉRIA
              Parte B - PENSAMENTO COM ENERGIA MENTAL

8ª Aula - Parte A - O PAPEL DOS MÉDIUNS NAS COMUNICAÇÕES
              Parte B - SERVIÇO MEDIÚNICO E A INFLUÊNCIA MORAL DO MÉDIUM

9a Aula - Parte A – MANIFESTAÇÕES ESPÍRITAS
              Parte B - AS COMUNICAÇÕES ESPÍRITAS

10a Aula - Parte A - MEDIUNIDADE: FACULDADE HUMANA - PERCEPÇÃO DOS ANIMAIS
                Parte B - ÊXITO MEDIÚNICO

11a Aula - Parte A - ANIMISMO E MISTIFICAÇÃO
                Parte B - PARÁBOLA DA OVELHA PERDIDA

12ª Aula - Parte A - FIXAÇÃO MENTAL
                Parte B - NECESSIDADE DA REENCARNAÇÃO - VIAGEM DA VIDA

13ª Aula - Parte A - TRANSTORNOS MENTAIS - DOENÇAS PSÍQUICAS – INFLUENCIAÇÕES
                Parte B - RESPONSABILIDADE E DESTINO - MENTE SÃ EM CORPO SÃO

14ª Aula - Parte A - ONDAS E PERCEPÇÕES
                Parte B - MAGNETISMO PESSOAL

15ª Aula - Parte A - VIBRAÇÃO, RADIAÇÃO, DOAÇÃO E MEDITAÇÃO
                Parte B - FAZER O BEM SEM OSTENTAÇÃO NA ESCOLA DO MESTRE

16ª Aula - Parte A - DEPENDÊNCIA QUÍMICA
                Parte B - ATIRE A PRIMEIRA PEDRA

17ª Aula - Parte A – AURA
                Parte B - A CANDEIA DO CORPO

18ª Aula - Parte A - MANIFESTAÇÕES VISUAIS
                Parte B - ENTRE AS FORÇAS COMUNS

19ª Aula - Parte A – SONAMBULISMO
                Parte B - ATIVIDADE ESPIRITUAL - AQUI E ALÉM

20ª Aula - Parte A - LABORATÓRIO DO MUND0 INVISÍVEL
                Parte B – ESPIRITISMO E VOCÊ

21ª Aula - Parte A – PSICOGRAFIA – PNEUMATOGRAFIA – PNEUMATOFONIA
                Parte B – COMUNICAÇÕES PREMATURAS

22ª Aula - Parte A - LOCAIS ASSOMBRADOS
                Parte B - PODERES PSÍQUICOS

23ª Aula - Parte A - MEDIUNIDADE DOS APÓSTOLOS
                Parte B - A CURA DE UM COXO E O DISCURSO DE PEDRO

24ª Aula - Parte A - INSUCESSOS MEDIÚNICOS - DESASTRE ESPIRITUAL
                Parte B - CONHECEREIS A VERDADE E A VERDADE VOS LIBERTARÁ

25ª Aula - Parte A - RENOVAÇÃO NECESSÁRIA
                Parte B - NA EXALTAÇÃO DO AMOR
 

terça-feira, 10 de março de 2026

CRONOGRAMA DO CURSO DE EDUCAÇÃO MEDIÚNICA 1º ANO FEESP EM 2026

As aulas serão postadas sempre às 9 horas do horário de Brasília

Março – Dias: 10, 12, 17, 19, 24, 26 e 31

Abril – Dias: 2, 7, 9, 14, 16, 23, 28, e 30

Maio – Dias: 5, 7, 12, 14, 19, 21, 26 e 28 

Junho – Dias: 2, 9, 11, 16, 18, 23, 25 e 30

Julho: Não haverá postagens

Agosto – Dias: 4, 6, 11, 13, 18, 20, 25 e 27

Setembro – Dias: 1, 3, 8, 10, 15, 17 e 24

Outubro – Dias: 1, 8, 15, 22 e 29

Novembro – Dias: 5, 12 e 19
 

sexta-feira, 28 de novembro de 2025

Prezados amigos, amigas e seguidores deste blog

Com esta aula: Missão Do Espiritismo, concluímos o CURSO APRENDIZES DO EVANGELHO 2º ANO.

Com as bênçãos de Jesus eu voltarei em março de 2026 com o CURSO DE EDUCAÇÃO MEDIÚNICA 1º ANO FEESP.
 

quinta-feira, 27 de novembro de 2025

24ª Aula Parte B – CURSO APRENDIZES DO EVANGELHO 2º ANO – FEESP

Missão Do Espiritismo

Ao longo da História, como sabemos, muitos foram os servidores de Jesus que reencarnaram na Terra, para trazer, pelo exemplo, um apelo às consciências adormecidas.

Entre os diversos momentos especialmente marcantes para a Humanidade, destaca-se o século XIX, que chegou derramando claridades na face do mundo.

CONTEXTO HISTÓRICO

A Europa, em especial, podemos recordar, que pelos vários séculos da Idade Media ficou envolta em um “véu” sombrio - a chamada Época das Trevas - acolhia, neste novo período, uma verdadeira caravana de Espíritos mais evoluídos.

Assim, em todos os departamentos da atividade humana, notáveis conquistas foram assinaladas nos campos: político, cultural, filosófico, religioso, científico...

Era a época do Positivismo, e a razão ressurgia vigorosa!

O CODIFICADOR

Um dos mais lúcidos discípulos de Jesus havia reencarnado. Allan Kardec, na sua missão de esclarecimento, fazia-se acompanhar de muitos colaboradores, cuja ação renovadora seria sentida sobre a Terra.

A missão de Kardec era árdua, pois cabia a ele reorganizar o edifício desmoronado da crença e da fé, reconduzindo a civilização a revivência do Cristianismo.

O CONSOLADOR PROMETIDO

A dádiva do intercâmbio entre o mundo visível e invisível derramaria consolações e esclarecimentos.

Havia, pois, chegado o tempo do advento do Consolador Prometido por Jesus no Sermão do Cenáculo:

“Mas o Paráclito, o Espírito Santo que o Pai enviará em meu nome, vos ensinará tudo e vos recordará tudo o que vos disse”. (Jo 14:26).

“Tenho ainda muito que vos dizer, mas não podeis agora suportar. Quando vier o Espírito da Verdade, ele vos guiará na verdade plena, pois não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará as coisas futuras. Ele me glorificará porque receberá do que é meu e vos anunciará”. (Jo 16:12-14).

Das palavras de Jesus, depreende-se que muitos dos seus ensinamentos seriam esquecidos; muito do que ele havia ensinado de forma velada seria esclarecido pelo Espírito da verdade, para nos conduzir a verdade plena.

Depreende-se, também, que o conhecimento da verdade traria consolação, possibilitaria a libertação de todas as falsas concepções e crenças, e dos falsos valores.

A Terceira Revelação

Relembremos:

- a 1ª revelação veio por intermédio de Moises, é o Decálogo que está no velho Testamento;

- a 2ª revelação foi trazida por Jesus, e a encontramos nos Evangelhos do Novo Testamento, e,

- a 3ª revelação é a Doutrina dos Espíritos.

A revelação, podemos destacar, é o sustentáculo das estruturas cristãs mais diversas. Assinala Kardec, em A Gênese, capitulo I, item 10, que: “O caráter essencial da revelação divina é o da eterna verdade. Toda revelação eivada de erros ou sujeita a mudança não pode emanar de Deus”.

A 3ª revelação provém dos Espíritos Superiores e foi transmitida por intermédio da mediunidade. Afirma Kardec, em “A Gênese”, capítulo I, item 13:

“Em suma, o que caracteriza a revelação espírita é que a fonte dela é divina, a iniciativa pertence aos Espíritos, e a elaboração é a ação do trabalho do homem.”

A Invasão Organizada

Anteriormente, verificamos como a mensagem de Jesus foi paulatinamente esquecida e como se erigiram dogmas a partir de falsas interpretações de Suas palavras. A restauração da verdade viria por intermédio dos Espíritos Superiores.

Em relação à revelação espírita, é bem apropriado o termo empregado pelo escritor Conan Doyle: “Invasão Organizada”. Eis que, com efeito, por todo o mundo, num período bem definido no tempo, houve uma verdadeira invasão orquestrada pela Espiritualidade Superior, e, pelos “quatro cantos do mundo”, incontáveis eram as aparições, os fenômenos, as comunicações...

Notava-se, ainda, como sempre alerta Kardec, um caráter de universalidade dos ensinamentos, o que comprovava, inapelavelmente, a Ação Providencial.

Nada exprime melhor essa “invasão organizada”, e também os desígnios de Jesus em relação à chegada do Consolador ao mundo, do que a mensagem assinada pelo Espírito de verdade colocada no prefácio de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”:

“Os Espíritos do Senhor que são as virtudes dos céus, como um imenso exército que se movimenta, ao receber a ordem de comando, espalham-se sobre toda a face da Terra. Semelhantes a estrelas cadentes, vêm iluminar o caminho e abrir os olhos aos cegos”.

“Eu vos digo, em verdade, que são chegados os tempos em que todas as coisas devem ser restabelecidas no seu verdadeiro sentido, para dissolver as trevas, confundir os orgulhosos e glorificar os justos”.

“As grandes vozes do céu ressoam com o toque da trombeta, e os coros dos anjos se reúnem. Homens, nós vos convidamos ao divino concerto: que vossas mãos tomem a lira, que vossas vozes se unam, e, num hino sagrado, se estendam e vibrem, de um extremo do Universo ao outro”.

“Homens, irmãos amados, estamos junto de vós. Amai-vos também uns aos outros, e dizei, do fundo de vosso coração, fazendo a vontade do Pai que está no Céu: ‘Senhor! Senhor! e podereis entrar no Reino dos Céus”.

A MISSÃO DO ESPIRITISMO

Com a chegada do Espiritismo, as grandes verdades reluzem cristalinas: a imortalidade da alma, a comunicação entre o mundo visível e invisível, e a pluralidade das existências.

Sem renascer múltiplas vezes como se pode progredir; desenvolver as potencialidades do Espírito, depurar-se a alma? Desta realidade compreendemos a justiça das aflições, a desigualdade de condições morais e intelectuais das criaturas, a progressão dos Espíritos que, criados simples e ignorantes, estão destinados à perfeição relativa.

Mas, desde o momento em que Jesus determinou que os Espíritos se fizessem ouvir na Terra, instruindo os homens de forma ampla e generalizada, a luz do Alto tem jorrado abundantemente para dissipar as sombras do mundo.

Quantos seres que colaboraram com Jesus na disseminação da Boa Nova, que foram curados por ele, que tiveram a felicidade de ouvir as suas palavras de luz, que deram suas vidas por amor a ele, prosseguem empenhados na restauração do Cristianismo! Quantos orientaram Kardec e deixaram suas lúcidas considerações gravadas nas obras da codificação!

Assim, coube ao Espiritismo, retomar a realidade espiritual que fora declamada e demonstrada por Jesus, o conceito de que o Homem é Espírito pré-existente, sobrevivente, imortal, perfectível, responsável por sua própria evolução.

Coube a Doutrina Espírita desconstituir mitos, derrubar dogmas, desvendar o que era obscuro pelo véu da letra e convidar o Homem a reconhecer a grandeza de Deus através do Evangelho de Jesus.

O objetivo fundamental era, e continua sendo, o de restaurar o Cristianismo em sua pureza, para promover a transformação moral do Homem, convidando-os a compreender que o Amor é mais alta expressão da adoração a Deus.

Coube ao Espiritismo esclarecer o significado das lições de Jesus, destacar os ensinos morais e convidar os Homens a construção do Reino de Deus: “O reino de Deus está em vós”, asseverou o Mestre.

O tempo de sua realização depende dos esforços que fizermos, do aproveitamento das oportunidades que Deus concede-nos, das batalhas travadas no interior de nossos corações para efetuarmos a necessária renovação interior, pelo desabrochar do Amor em nós.

Assevera Kardec em “A Gênese”, cap. 1, item 62:

“Tais são, em resumo, os resultados da nova revelação; ela veio preencher o vazio cavado pela incredulidade, levantar as coragens abatidas pela dúvida ou pela perspectiva do nada, e dar a todas as coisas sua razão de ser. Contudo, os frutos que o homem deve disso retirar não são somente para a vida futura; ele os desfrutará na Terra pela transformação que essas novas crenças necessariamente devem operar sobre seu caráter seus gostos, suas tendências e, por consequência, sobre os hábitos e as relações sociais. Pondo fim ao reino do egoísmo, do orgulho e da incredulidade, elas preparam o do bem, que é o reino de Deus anunciado pelo Cristo”.

MISSÃO DOS ESPÍRITAS

E qual o papel que cabe aos espíritas?

Para refletirmos sobre esta questão, inserimos nestas considerações finais, o prefácio de Emmanuel na obra “Ave Cristo”, psicografada por Francisco C. Xavier, de vez que tal como outrora, os cristãos são chamados a ser a luz do mundo, instrumentos de paz e amor entre os Homens.

“Hoje, como outrora, na organização social em decadência, Jesus avança no mundo, restaurando a esperança e a fraternidade, para que o santuário do amor seja reconstituído em seus legítimos fundamentos”.

“Por mais se desenfreie a tormenta, Cristo pacifica”.

“Por mais negreje a sombra, Cristo ilumina”.

“Por mais se desmande a força, Cristo reina”.

“... O Espiritismo, que atualmente revive o apostolado redentor do Evangelho, em suas tarefas de reconstrução, clama por almas valorosas no sacrifício de si mesmas para estender-se, vitorioso”.

“... O Excelso Benfeitor acima de tudo, espera de nossa vida o coração, o caráter; a conduta, a atitude, o exemplo e o serviço pessoal incessante, únicos recursos com que poderemos garantir a eficiência de nossa cooperação, em companhia D’ele, na edificação do reino de Deus”.

E em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, no cap. XX, item 4, “Missão dos Espíritas”, encontramos:

“Ó verdadeiros adeptos do Espiritismo, vós sóis os eleitos de Deus! Ide e pregai a palavra divina. É chegada a hora em que deveis sacrificar os vossos hábitos, os vossos trabalhos, as vossas futilidades, a sua propagação. Ide e pregai. Os Espíritos elevados estão convosco”.

“... É necessário regar com o vosso suor o terreno em que deveis semeai; porque ele não frutificará, não produzirá, senão sob os esforços incessantes da enxada e da charrua evangélicas. Ide e pregai!”

“... Marcha, pois, para a frente, grandiosa falange da fé! e os pesados batalhões dos incrédulos se desvanecerão diante de ti, como as névoas da manhã aos primeiros raios do sol”.

“... Ide e agradecei a Deus a gloriosa tarefa que vos concedeu”.

Sim. É chegada a hora! Em plena Seara Espírita, busquemos a nossa emancipação espiritual, cuidando de nossa renovação mental, que implica renovação no plano das crenças, dos sentimentos, valores, pensamentos e atitudes...

O convite é único e precioso!

Nós, espíritas, lembremos: Quanto ensinamento, quanto amparo do Plano Superior temos recebido!

Arregacemos as mangas! Partamos para o “Bom Combate”! Que nossos atos sejam todos baseados nos ensinamentos inesquecíveis de Jesus, o Mestre Maior.

Tenhamos por lema a prática constante da caridade. Sejamos compassivos, fraternos, solidários, e, especialmente, servidores incansáveis do Cristo.

Sim. Ingressemos para a gloriosa “Fraternidade dos Discípulos de Jesus”!

QUESTÃO REFLEXIVA:

Estamos dispostos aos “esforços incessantes da enxada e da charrua evangélicas” e assumir a missão dos espíritas, integrando a legião dos incontáveis trabalhadores de Jesus?

Bibliografia

- A Bíblia de Jerusalém.
- Kardec, Allan - A Gênese - Ed. FEESP.
- Kardec, Allan - O Livro dos Espíritos - Ed. FEESP.
- Kardec, Allan - O Evangelho Segundo o Espiritismo - Ed. FEESP.
- Xavier, Francisco C./ Emmanuel - Paulo e Estevão.
- Xavier, Francisco C./Emmanuel - Ave Cristo.
- Xavier, Francisco C./Emmanuel - A Caminho da Luz.
- Xavier, Francisco C./Emmanuel - Emmanuel
- Cechinato, Luiz - Os 20 Séculos de Caminhada da Igreja.

A imagem acima é meramente ilustrativa. Fonte: Internet Google.