CARACTERÍSTICAS BÁSICAS DO ESPÍRITA: PACIÊNCIA, INDULGENCIA, FÉ, HUMILDADE, DIGNIDADE E CARIDADE.

terça-feira, 17 de março de 2026

1a Aula Parte A - CURSO DE EDUCAÇÃO MEDIÚNICA 1º ANO FEESP

MEDIUNIDADE

Mediunidade - qualidade de médium (dicionário Aurélio)

Médium - substantivo de dois gêneros:

- Segundo o Espiritismo, o intermediário entre os vivos e a alma dos mortos;

- Meio para a transmissão de uma mensagem. (dicionário Aurélio)

Médium - suposto intermediário entre os vivos e a alma dos mortos - pessoa a que se atribui o poder de comunicar-se com a alma dos mortos. (Koogan Larousse - Pequeno Dicionário Enciclopédico).

Na visão espírita

“A mediunidade é atributo do Espírito, patrimônio da alma imortal, elemento renovador da posição moral da criatura terrena, enriquecendo todos os seus Valores no capitulo da virtude e inteligência, sempre que se encontre ligada aos princípios evangélicos na sua trajetória pela face do mundo.” (O Consolador - perg. 382)

“Digamos, de início, que a mediunidade é inerente a uma disposição orgânica, de que todos podem ser dotados, como o de ver, ouvir e falar. A mediunidade não implica necessariamente as relações habituais com os Espíritos superiores. É simplesmente uma aptidão, para servir de instrumento, mais ou menos dócil, aos Espíritos em geral. O bom médium não é, portanto, aquele que tem facilidade de comunicação, mas o que é simpático aos bons Espíritos e só por eles é assistido. É neste sentido, unicamente, que a excelência das qualidades morais é de importância absoluta para a mediunidade.” (E.S.E., cap. XXIV, item 12).

“O dom da mediunidade é tão antigo quanto o mundo. Os profetas eram médiuns. Os mistérios de Eleusis foram fundados sobre a mediunidade. Os caldeus, os assírios, possuíam médiuns. Sócrates era dirigido por um Espírito que lhe inspirava os princípios de sua filosofia. Todos os povos tiveram seus médiuns. E as inspirações de Joana D’Arc nada mais eram que a voz dos Espíritos benfeitores que a orientavam”. (LM, cap. XXXI, item 11).

Portanto todos os homens são médiuns. Todos têm um Espírito que os dirige para o bem, quando eles sabem escutá-lo. Todos a possuem em graus que diferem de acordo com o indivíduo, porém o termo propriamente dito se aplica as pessoas dotadas de mediunidade ostensiva no campo dos fenômenos físicos e intelectuais.

Kardec nos diz em O Livro dos Médiuns que: “toda pessoa que sente a influência dos Espíritos em qualquer grau de intensidade é médium. Por isso mesmo não constitui privilégio e são raras as pessoas que não a possuem pelo menos em estado rudimentar. Pode-se dizer, pois, que todos são mais ou menos médiuns.” (LM, cap. XIV, item 159).

Portanto, como nos ensina Hermínio C. Miranda, na obra ‘Diversidade dos Carismas’:

1- o médium é uma pessoa, ou seja, um ser humano dotado de certas faculdades especiais de sensibilidade;

2- pode servir, mas nem sempre quer e nem sempre tem tarefas a exercer no campo específico da mediunidade, ou, no âmbito mais limitado desta, poderá ter tarefas em determinado tipo de mediunidade e não em outros;

3- é um instrumento para que a comunicação se faça, mas não a fonte geradora da mensagem, seja ela visual, auditiva, olfativa ou qualquer outra;

4- opera entre Espíritos desencarnados, de um lado, e Espíritos Encarnados, de outro. Podemos acrescentar um quinto elemento na análise da definição, “é um servidor, cabe-lhe fazê-lo com dignidade, fidelidade e honestidade.” (II volume, pag. 12).

Oportuna a lição do médium Francisco Cândido Xavier, na qual dizia: “O telefone da mediunidade só toca de lá para cá e não daqui para lá, eu não tenho o poder de trazer nenhum Espírito aqui. O que Deus me deu foi à capacidade de perceber quando há, perto de mim, um Espírito que deseje se comunicar”.

André Luiz e Emmanuel, no livro ‘Opinião Espírita’, psicografado por Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira, sabendo que alguns médiuns têm medo, os aconselham, nos seguintes termos:

“Médiuns, se o medo é o teu problema individual, no que respeita a prática medianímica, situa na construção da fé raciocinada a melhoria que aspiras”.

“A coerência com os princípios que esposamos ensina-nos que a criatura de fé verdadeira nada teme, senão a si própria, atenta que vive as fraquezas pessoais. Em razão disso, é correto receares simplesmente a ti mesmo, em todos os sentimentos que ainda não conseguiste disciplinar”.

“Se não te amedrontas face à condição de intérprete na troca verbal entre criaturas que versam idiomas diferentes por que temer a posição de instrumento entre pessoas domiciliadas em esferas diferentes, carecidas da cooperação mediúnica?”

“Por que motivo te assustares diante dos desencarnados, que são, na essência, personalidades iguais a ti mesmo?”

“Medo é inexperiência”

Atuação do Médium

O intercâmbio mediúnico ocorre através do pensamento, é uma ligação mental estabelecida entre o Espírito comunicante e o Espírito do médium receptor.

Como os Espíritos se comunicam por pensamentos e não por palavras, e a sintonia se estabelece através da semelhança de propósitos, são ideias ou imagens que o Espírito emite em ligação com o médium, e que esse capta conforme sua capacidade.

“Nessa ligação mental, o perispírito apresenta um papel muito importante, pois ele é o elo material entre o Espírito e a matéria. Pela sua união íntima com o corpo, o perispírito desempenha um papel preponderante no organismo; pela sua expansão, coloca o Espírito encarnado em relação mais direta com os Espíritos livres, e também com os encarnados.” (GE., cap. XIV, item 17)

Por intermédio do Espírito André Luiz, podemos compreender melhor o aspecto específico da relação entre o perispírito e o corpo físico no fenômeno mediúnico, quando se refere à mediunidade espontânea que começa a aflorar no homem primitivo: “Os encarnados que demonstrassem capacidade mediúnica mais evidente, pela comunhão menos estreita entre as células do corpo físico e do corpo espiritual, em certas regiões do campo somático, passaram das observações, durante o sono, às observações da vigília. Quanto menos densos os elos entre os implementos físicos e espirituais, nos órgãos da visão, mais amplas as possibilidades na clarividência, prevalecendo as mesmas normas para a clariaudiência e para modalidades outras...” (Evolução em Dois Mundos, cap. 17, pg. 134).

A mediunidade surge como veículo utilizado pelos Espíritos para nos trazerem a terceira revelação. “O espiritismo é a terceira revelação da lei de Deus, mas não está personificado em ninguém, porque ele é o produto do ensinamento dado, não por um homem, mas pelos Espíritos, que são as vozes do céu, em todas as partes da terra e por inumerável multidão de intermediários.” (E.S.E., cap. 1, item 6).

Mediunidade na Bíblia

“Muitas passagens do Evangelho, da Bíblia, e dos autores sagrados em geral são ininteligíveis, e muitas mesmo parecem absurdas, por falta de uma chave que nos dê o seu verdadeiro sentido. Essa chave está inteirinha no Espiritismo, como já se convenceram os que estudaram seriamente a doutrina, e como ainda melhor se reconhecerá mais tarde. O Espiritismo se encontra por toda a parte, na antiguidade, e em toda época da Humanidade. Em tudo encontramos os seus tragos, nos escritos, nas crenças e nos monumentos, e é por isso que, se ele abre novos horizontes para o futuro, lança também uma viva luz sobre os mistérios do passado.” (E.S.E. - introdução, n° 1)

Por oportuno, convém observamos que na própria história bíblica, no Antigo Testamento, encontramos, entre outros termos, o vidente para designar o indivíduo portador de mediunidade. Mais tarde, aqueles que tiveram contato com o mundo espiritual, foram chamados de profetas.

Vejamos texto seguinte, extraído do livro primeiro de Samuel:
“Saul se encontra com Samuel - subindo a ladeira da cidade, cruzaram com duas jovens que saiam para buscar água e lhe perguntaram: ‘o vidente está na cidade?’ - antigamente, em Israel, quando alguém ia consultar a Deus, dizia: ‘vamos ao vidente’, porque, em vez de ‘profeta’, como hoje, dizia-se: ‘vidente’...” (I Samuel, 9:11).

A Bíblia de Jerusalém (Paulus Editora, 1985) traz-nos a seguinte explicação sobre os termos profeta:

“A bíblia hebraica agrupa os livros de Isaías, Jeremias, Ezequiel e dos doze profetas sob o título de “profetas posteriores e os coloca após o conjunto Josué-Reis, ao qual da o nome de profetas anteriores”. (pg.1331).

“Destaca, ainda, que não é de estranhar que a bíblia coloque Moisés no inicio da linhagem dos profetas (Dt 18,15. 18) e o considere como o maior de todos (Nn 12,6-8; Dt 34,10-12)” (pg. 1333).

Relata ainda que “em graus diversos e sob formas variadas, as grandes religiões da antiguidade tiveram pessoas inspiradas que pretendiam falar em nome de seu Deus. Em especial entre os povos vizinhos de Israel”.

Mediunidade no Novo Testamento

Com a vinda de Jesus, trazendo a segunda revelação, a mediunidade passou a ser vista com uma visão mais realista, porém, se fez necessário o seu desencarne, o retomo a pátria espiritual, para demonstrar a inexistência da morte do Espírito, culminando com o acontecimento no dia de Pentecostes. Pode-se afirmar que o Evangelho de Jesus e a sua epopeia terrestre é o triunfo da vida sobre a morte.

Em Mateus encontramos o seguinte relato mediúnico denominado transfiguração:

“Seis dias depois, Jesus tomou Pedro, Tiago e seu irmão João, e os levou para lugar a parte, sobre uma alta montanha. E ali foi transfigurado diante deles. O seu rosto resplandeceu como o sol e as suas vestes tornaram-se alvas como a luz. E eis que lhes aparecem Moisés e Elias conversando com ele. Então Pedro, tomando a palavra, disse a Jesus: “Senhor, é bom estarmos aqui. Se queres, levantarei aqui três tendas: uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias”. 

Ainda falava, quando uma nuvem luminosa os cobriu com a sua sombra e uma Voz, que saia da nuvem, disse: “este é meu filho amado, em quem me comprazo: ouvi-o!” Os discípulos, ouvindo a voz, muito assustados, caíram com o rosto no chão. Jesus chegou perto deles e, tocando-os, disse: “levantai-vos e não tenhais medo”. “Erguendo os olhos, não viram ninguém: Jesus estava sozinho” (Mateus, 17: 1-8)

Fato semelhante aconteceu mais tarde, quando Pedro prepara o batismo dos primeiros gentios:

“Pedro estava falando estas coisas, quando o Espírito santo caiu sobre todos os que ouviam a palavra. E os fiéis que eram da circuncisão, que tinham vindo com Pedro, ficaram estupefatos de verem que também sobre os gentios se derramara o dom do Espírito Santo, pois ouviam-nos falar em línguas e engrandecer a Deus. Então disse Pedro: “poderia alguém recusar a água do batismo para estes que receberam o Espírito Santo como nos?” E determinou que fossem batizados em nome de Jesus Cristo” (Atos, 10-44,47).

Com a propagação do Cristianismo, as diversas manifestações mediúnicas também cresceram, motivo pelo qual vamos encontrar algumas recomendações sobre esses fatos. João, em sua primeira epístola, ao nos ensinar a viver como filho de Deus, nos recomenda:

“Caríssimos, não acrediteis em qualquer Espírito, mas examinai os Espíritos para ver se são de Deus, pois muitos falsos profetas vieram ao mundo...” (4-1).

Nos diz ainda que “ninguém jamais viu a Deus; quem nos revelou Deus foi o filho único, que esta junto do pai” (1-18).

Paulo, também adverte aos coríntios, na primeira epístola:

“Procurai a caridade. Entretanto, aspirai aos dons do Espírito, principalmente a profecia. Pois aquele que fala em línguas, não fala aos homens, mas a Deus. Ninguém o entende, pois ele, em Espírito, enuncia coisas misteriosas. Mas aquele que profetiza fala aos homens: edifica, exorta, consola. Aquele que fala em línguas edifica a si mesmo, ao passo que aquele que profetiza edifica a assembleia. Desejo que todos falem em línguas, mas prefiro que profetizem. Aquele que profetiza é maior do que aquele que fala em línguas, a menos que este mesmo as interprete, para que a assembleia seja edificada...” (14- 1,25).

Existem diversas outras passagens demonstrando o mediunismo, tanto no Antigo como no Novo Testamento, porém, as citadas dão uma ideia da importância e da responsabilidade do médium no trabalho na seara de Jesus.

Bibliografia

A Bíblia de Jerusalém - Antigo Testamento e Novo Testamento
XAVIER, Francisco Cândido; VIEIRA, Waldo (Espíritos André Luiz e Emmanuel). Opinião Espírita: lição 41
KARDEC, Allan. Livro dos Médiuns: 2ª Parte - Cap. XXXI, item ll - Cap. XIX, item 225 - Cap. XIV item 159 - Cap. XVII, item 209 - Cap. XVI,
item 187
KARDEC, Allan. A Gênese: Cap. XIV, item 17
XAVIER, Francisco Cândido (Emmanuel). O Consolador: perg. 382
GIMENEZ, Henrique Ney de. A Mediunidade na Bíblia.
KARDEC, Allan. Evangelho Segundo Espiritismo: Cap. I, item 6 e introdução -item 1
KARDEC, Allan. Livro dos Espíritos.
XAVIER, Francisco Cândido; VIEIRA, Waldo (Espírito André Luiz). Evolução em Dois Mundos: Cap. 17
XAVIER, Francisco Cândido (Emmanuel). Roteiro: Lição 27
MIRANDA, Hermínio C. Diversidade dos Carismas: Vol. I e II
XAVIER, Francisco Cândido; VIEIRA, Waldo (Autores Espirituais Diversos). O Espírito da Verdade: lição no. 67

A imagem acima é meramente ilustrativa. Fonte: Internet Google.
 

quinta-feira, 12 de março de 2026

CURSO DE EDUCAÇÃO MEDIÚNICA – 1º. ANO - FEESP

Conteúdo

1a Aula - Parte A – MEDIUNIDADE
              Parte B - MEDIUNIDADE E FIDELIDADE

2ª Aula - Parte A - INTERCÂMBIO MEDIÚNICO
              Parte B - MURALHA DO TEMPO - GUARDA-TE EM DEUS

3ª Aula - Parte A - MÉDIUM, SENSIBILIDADE E COMUNICAÇÃO COM OS ESPÍRITOS
              Parte B - EVANGELIZAÇÃO DO MÉDIUM

4ª Aula - Parte A - PERISPÍRITO, PROPRIEDADES E MEDIUNIDADE
              Parte B - O LABOR DAS ALMAS

5ª Aula - Parte A - CENTROS DE FORCA OU CENTROS VITAIS
              Parte B - DIRETRIZES DO EVANGELHO

6ª Aula - Parte A - A EPÍFISE
              Parte B - FORÇA MEDIÚNICA

7ª Aula - Parte A – AÇÃO DOS ESPÍRITOS SOBRE A MATÉRIA
              Parte B - PENSAMENTO COM ENERGIA MENTAL

8ª Aula - Parte A - O PAPEL DOS MÉDIUNS NAS COMUNICAÇÕES
              Parte B - SERVIÇO MEDIÚNICO E A INFLUÊNCIA MORAL DO MÉDIUM

9a Aula - Parte A – MANIFESTAÇÕES ESPÍRITAS
              Parte B - AS COMUNICAÇÕES ESPÍRITAS

10a Aula - Parte A - MEDIUNIDADE: FACULDADE HUMANA - PERCEPÇÃO DOS ANIMAIS
                Parte B - ÊXITO MEDIÚNICO

11a Aula - Parte A - ANIMISMO E MISTIFICAÇÃO
                Parte B - PARÁBOLA DA OVELHA PERDIDA

12ª Aula - Parte A - FIXAÇÃO MENTAL
                Parte B - NECESSIDADE DA REENCARNAÇÃO - VIAGEM DA VIDA

13ª Aula - Parte A - TRANSTORNOS MENTAIS - DOENÇAS PSÍQUICAS – INFLUENCIAÇÕES
                Parte B - RESPONSABILIDADE E DESTINO - MENTE SÃ EM CORPO SÃO

14ª Aula - Parte A - ONDAS E PERCEPÇÕES
                Parte B - MAGNETISMO PESSOAL

15ª Aula - Parte A - VIBRAÇÃO, RADIAÇÃO, DOAÇÃO E MEDITAÇÃO
                Parte B - FAZER O BEM SEM OSTENTAÇÃO NA ESCOLA DO MESTRE

16ª Aula - Parte A - DEPENDÊNCIA QUÍMICA
                Parte B - ATIRE A PRIMEIRA PEDRA

17ª Aula - Parte A – AURA
                Parte B - A CANDEIA DO CORPO

18ª Aula - Parte A - MANIFESTAÇÕES VISUAIS
                Parte B - ENTRE AS FORÇAS COMUNS

19ª Aula - Parte A – SONAMBULISMO
                Parte B - ATIVIDADE ESPIRITUAL - AQUI E ALÉM

20ª Aula - Parte A - LABORATÓRIO DO MUND0 INVISÍVEL
                Parte B – ESPIRITISMO E VOCÊ

21ª Aula - Parte A – PSICOGRAFIA – PNEUMATOGRAFIA – PNEUMATOFONIA
                Parte B – COMUNICAÇÕES PREMATURAS

22ª Aula - Parte A - LOCAIS ASSOMBRADOS
                Parte B - PODERES PSÍQUICOS

23ª Aula - Parte A - MEDIUNIDADE DOS APÓSTOLOS
                Parte B - A CURA DE UM COXO E O DISCURSO DE PEDRO

24ª Aula - Parte A - INSUCESSOS MEDIÚNICOS - DESASTRE ESPIRITUAL
                Parte B - CONHECEREIS A VERDADE E A VERDADE VOS LIBERTARÁ

25ª Aula - Parte A - RENOVAÇÃO NECESSÁRIA
                Parte B - NA EXALTAÇÃO DO AMOR
 

terça-feira, 10 de março de 2026

CRONOGRAMA DO CURSO DE EDUCAÇÃO MEDIÚNICA 1º ANO FEESP EM 2026

As aulas serão postadas sempre às 9 horas do horário de Brasília

Março – Dias: 10, 12, 17, 19, 24, 26 e 31

Abril – Dias: 2, 7, 9, 14, 16, 23, 28, e 30

Maio – Dias: 5, 7, 12, 14, 19, 21, 26 e 28 

Junho – Dias: 2, 9, 11, 16, 18, 23, 25 e 30

Julho: Não haverá postagens

Agosto – Dias: 4, 6, 11, 13, 18, 20, 25 e 27

Setembro – Dias: 1, 3, 8, 10, 15, 17 e 24

Outubro – Dias: 1, 8, 15, 22 e 29

Novembro – Dias: 5, 12 e 19
 

sexta-feira, 28 de novembro de 2025

Prezados amigos, amigas e seguidores deste blog

Com esta aula: Missão Do Espiritismo, concluímos o CURSO APRENDIZES DO EVANGELHO 2º ANO.

Com as bênçãos de Jesus eu voltarei em março de 2026 com o CURSO DE EDUCAÇÃO MEDIÚNICA 1º ANO FEESP.
 

quinta-feira, 27 de novembro de 2025

24ª Aula Parte B – CURSO APRENDIZES DO EVANGELHO 2º ANO – FEESP

Missão Do Espiritismo

Ao longo da História, como sabemos, muitos foram os servidores de Jesus que reencarnaram na Terra, para trazer, pelo exemplo, um apelo às consciências adormecidas.

Entre os diversos momentos especialmente marcantes para a Humanidade, destaca-se o século XIX, que chegou derramando claridades na face do mundo.

CONTEXTO HISTÓRICO

A Europa, em especial, podemos recordar, que pelos vários séculos da Idade Media ficou envolta em um “véu” sombrio - a chamada Época das Trevas - acolhia, neste novo período, uma verdadeira caravana de Espíritos mais evoluídos.

Assim, em todos os departamentos da atividade humana, notáveis conquistas foram assinaladas nos campos: político, cultural, filosófico, religioso, científico...

Era a época do Positivismo, e a razão ressurgia vigorosa!

O CODIFICADOR

Um dos mais lúcidos discípulos de Jesus havia reencarnado. Allan Kardec, na sua missão de esclarecimento, fazia-se acompanhar de muitos colaboradores, cuja ação renovadora seria sentida sobre a Terra.

A missão de Kardec era árdua, pois cabia a ele reorganizar o edifício desmoronado da crença e da fé, reconduzindo a civilização a revivência do Cristianismo.

O CONSOLADOR PROMETIDO

A dádiva do intercâmbio entre o mundo visível e invisível derramaria consolações e esclarecimentos.

Havia, pois, chegado o tempo do advento do Consolador Prometido por Jesus no Sermão do Cenáculo:

“Mas o Paráclito, o Espírito Santo que o Pai enviará em meu nome, vos ensinará tudo e vos recordará tudo o que vos disse”. (Jo 14:26).

“Tenho ainda muito que vos dizer, mas não podeis agora suportar. Quando vier o Espírito da Verdade, ele vos guiará na verdade plena, pois não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará as coisas futuras. Ele me glorificará porque receberá do que é meu e vos anunciará”. (Jo 16:12-14).

Das palavras de Jesus, depreende-se que muitos dos seus ensinamentos seriam esquecidos; muito do que ele havia ensinado de forma velada seria esclarecido pelo Espírito da verdade, para nos conduzir a verdade plena.

Depreende-se, também, que o conhecimento da verdade traria consolação, possibilitaria a libertação de todas as falsas concepções e crenças, e dos falsos valores.

A Terceira Revelação

Relembremos:

- a 1ª revelação veio por intermédio de Moises, é o Decálogo que está no velho Testamento;

- a 2ª revelação foi trazida por Jesus, e a encontramos nos Evangelhos do Novo Testamento, e,

- a 3ª revelação é a Doutrina dos Espíritos.

A revelação, podemos destacar, é o sustentáculo das estruturas cristãs mais diversas. Assinala Kardec, em A Gênese, capitulo I, item 10, que: “O caráter essencial da revelação divina é o da eterna verdade. Toda revelação eivada de erros ou sujeita a mudança não pode emanar de Deus”.

A 3ª revelação provém dos Espíritos Superiores e foi transmitida por intermédio da mediunidade. Afirma Kardec, em “A Gênese”, capítulo I, item 13:

“Em suma, o que caracteriza a revelação espírita é que a fonte dela é divina, a iniciativa pertence aos Espíritos, e a elaboração é a ação do trabalho do homem.”

A Invasão Organizada

Anteriormente, verificamos como a mensagem de Jesus foi paulatinamente esquecida e como se erigiram dogmas a partir de falsas interpretações de Suas palavras. A restauração da verdade viria por intermédio dos Espíritos Superiores.

Em relação à revelação espírita, é bem apropriado o termo empregado pelo escritor Conan Doyle: “Invasão Organizada”. Eis que, com efeito, por todo o mundo, num período bem definido no tempo, houve uma verdadeira invasão orquestrada pela Espiritualidade Superior, e, pelos “quatro cantos do mundo”, incontáveis eram as aparições, os fenômenos, as comunicações...

Notava-se, ainda, como sempre alerta Kardec, um caráter de universalidade dos ensinamentos, o que comprovava, inapelavelmente, a Ação Providencial.

Nada exprime melhor essa “invasão organizada”, e também os desígnios de Jesus em relação à chegada do Consolador ao mundo, do que a mensagem assinada pelo Espírito de verdade colocada no prefácio de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”:

“Os Espíritos do Senhor que são as virtudes dos céus, como um imenso exército que se movimenta, ao receber a ordem de comando, espalham-se sobre toda a face da Terra. Semelhantes a estrelas cadentes, vêm iluminar o caminho e abrir os olhos aos cegos”.

“Eu vos digo, em verdade, que são chegados os tempos em que todas as coisas devem ser restabelecidas no seu verdadeiro sentido, para dissolver as trevas, confundir os orgulhosos e glorificar os justos”.

“As grandes vozes do céu ressoam com o toque da trombeta, e os coros dos anjos se reúnem. Homens, nós vos convidamos ao divino concerto: que vossas mãos tomem a lira, que vossas vozes se unam, e, num hino sagrado, se estendam e vibrem, de um extremo do Universo ao outro”.

“Homens, irmãos amados, estamos junto de vós. Amai-vos também uns aos outros, e dizei, do fundo de vosso coração, fazendo a vontade do Pai que está no Céu: ‘Senhor! Senhor! e podereis entrar no Reino dos Céus”.

A MISSÃO DO ESPIRITISMO

Com a chegada do Espiritismo, as grandes verdades reluzem cristalinas: a imortalidade da alma, a comunicação entre o mundo visível e invisível, e a pluralidade das existências.

Sem renascer múltiplas vezes como se pode progredir; desenvolver as potencialidades do Espírito, depurar-se a alma? Desta realidade compreendemos a justiça das aflições, a desigualdade de condições morais e intelectuais das criaturas, a progressão dos Espíritos que, criados simples e ignorantes, estão destinados à perfeição relativa.

Mas, desde o momento em que Jesus determinou que os Espíritos se fizessem ouvir na Terra, instruindo os homens de forma ampla e generalizada, a luz do Alto tem jorrado abundantemente para dissipar as sombras do mundo.

Quantos seres que colaboraram com Jesus na disseminação da Boa Nova, que foram curados por ele, que tiveram a felicidade de ouvir as suas palavras de luz, que deram suas vidas por amor a ele, prosseguem empenhados na restauração do Cristianismo! Quantos orientaram Kardec e deixaram suas lúcidas considerações gravadas nas obras da codificação!

Assim, coube ao Espiritismo, retomar a realidade espiritual que fora declamada e demonstrada por Jesus, o conceito de que o Homem é Espírito pré-existente, sobrevivente, imortal, perfectível, responsável por sua própria evolução.

Coube a Doutrina Espírita desconstituir mitos, derrubar dogmas, desvendar o que era obscuro pelo véu da letra e convidar o Homem a reconhecer a grandeza de Deus através do Evangelho de Jesus.

O objetivo fundamental era, e continua sendo, o de restaurar o Cristianismo em sua pureza, para promover a transformação moral do Homem, convidando-os a compreender que o Amor é mais alta expressão da adoração a Deus.

Coube ao Espiritismo esclarecer o significado das lições de Jesus, destacar os ensinos morais e convidar os Homens a construção do Reino de Deus: “O reino de Deus está em vós”, asseverou o Mestre.

O tempo de sua realização depende dos esforços que fizermos, do aproveitamento das oportunidades que Deus concede-nos, das batalhas travadas no interior de nossos corações para efetuarmos a necessária renovação interior, pelo desabrochar do Amor em nós.

Assevera Kardec em “A Gênese”, cap. 1, item 62:

“Tais são, em resumo, os resultados da nova revelação; ela veio preencher o vazio cavado pela incredulidade, levantar as coragens abatidas pela dúvida ou pela perspectiva do nada, e dar a todas as coisas sua razão de ser. Contudo, os frutos que o homem deve disso retirar não são somente para a vida futura; ele os desfrutará na Terra pela transformação que essas novas crenças necessariamente devem operar sobre seu caráter seus gostos, suas tendências e, por consequência, sobre os hábitos e as relações sociais. Pondo fim ao reino do egoísmo, do orgulho e da incredulidade, elas preparam o do bem, que é o reino de Deus anunciado pelo Cristo”.

MISSÃO DOS ESPÍRITAS

E qual o papel que cabe aos espíritas?

Para refletirmos sobre esta questão, inserimos nestas considerações finais, o prefácio de Emmanuel na obra “Ave Cristo”, psicografada por Francisco C. Xavier, de vez que tal como outrora, os cristãos são chamados a ser a luz do mundo, instrumentos de paz e amor entre os Homens.

“Hoje, como outrora, na organização social em decadência, Jesus avança no mundo, restaurando a esperança e a fraternidade, para que o santuário do amor seja reconstituído em seus legítimos fundamentos”.

“Por mais se desenfreie a tormenta, Cristo pacifica”.

“Por mais negreje a sombra, Cristo ilumina”.

“Por mais se desmande a força, Cristo reina”.

“... O Espiritismo, que atualmente revive o apostolado redentor do Evangelho, em suas tarefas de reconstrução, clama por almas valorosas no sacrifício de si mesmas para estender-se, vitorioso”.

“... O Excelso Benfeitor acima de tudo, espera de nossa vida o coração, o caráter; a conduta, a atitude, o exemplo e o serviço pessoal incessante, únicos recursos com que poderemos garantir a eficiência de nossa cooperação, em companhia D’ele, na edificação do reino de Deus”.

E em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, no cap. XX, item 4, “Missão dos Espíritas”, encontramos:

“Ó verdadeiros adeptos do Espiritismo, vós sóis os eleitos de Deus! Ide e pregai a palavra divina. É chegada a hora em que deveis sacrificar os vossos hábitos, os vossos trabalhos, as vossas futilidades, a sua propagação. Ide e pregai. Os Espíritos elevados estão convosco”.

“... É necessário regar com o vosso suor o terreno em que deveis semeai; porque ele não frutificará, não produzirá, senão sob os esforços incessantes da enxada e da charrua evangélicas. Ide e pregai!”

“... Marcha, pois, para a frente, grandiosa falange da fé! e os pesados batalhões dos incrédulos se desvanecerão diante de ti, como as névoas da manhã aos primeiros raios do sol”.

“... Ide e agradecei a Deus a gloriosa tarefa que vos concedeu”.

Sim. É chegada a hora! Em plena Seara Espírita, busquemos a nossa emancipação espiritual, cuidando de nossa renovação mental, que implica renovação no plano das crenças, dos sentimentos, valores, pensamentos e atitudes...

O convite é único e precioso!

Nós, espíritas, lembremos: Quanto ensinamento, quanto amparo do Plano Superior temos recebido!

Arregacemos as mangas! Partamos para o “Bom Combate”! Que nossos atos sejam todos baseados nos ensinamentos inesquecíveis de Jesus, o Mestre Maior.

Tenhamos por lema a prática constante da caridade. Sejamos compassivos, fraternos, solidários, e, especialmente, servidores incansáveis do Cristo.

Sim. Ingressemos para a gloriosa “Fraternidade dos Discípulos de Jesus”!

QUESTÃO REFLEXIVA:

Estamos dispostos aos “esforços incessantes da enxada e da charrua evangélicas” e assumir a missão dos espíritas, integrando a legião dos incontáveis trabalhadores de Jesus?

Bibliografia

- A Bíblia de Jerusalém.
- Kardec, Allan - A Gênese - Ed. FEESP.
- Kardec, Allan - O Livro dos Espíritos - Ed. FEESP.
- Kardec, Allan - O Evangelho Segundo o Espiritismo - Ed. FEESP.
- Xavier, Francisco C./ Emmanuel - Paulo e Estevão.
- Xavier, Francisco C./Emmanuel - Ave Cristo.
- Xavier, Francisco C./Emmanuel - A Caminho da Luz.
- Xavier, Francisco C./Emmanuel - Emmanuel
- Cechinato, Luiz - Os 20 Séculos de Caminhada da Igreja.

A imagem acima é meramente ilustrativa. Fonte: Internet Google.
 

quarta-feira, 19 de novembro de 2025

24ª Aula Parte A – CURSO APRENDIZES DO EVANGELHO 2º ANO – FEESP

O Espiritismo

Do Cristianismo Ao Espiritismo

Os primeiros séculos do Cristianismo, como vimos anteriormente, foram assinalados pelos mais notáveis testemunhos de fé, pois eram incontáveis as perseguições.

Os primeiros cristãos, renovados pela palavra amorosa do Cristo, buscando seguir seus ensinamentos, exercitando a fraternidade legitima, deixaram-nos exemplos admiráveis de resignação, renúncia e coragem.

A expansão inicial do Cristianismo - fato digno de recordar - foi marcada pela perseguição implacável, especialmente, pelos próprios judeus oposicionistas, muito mais do que pelos conquistadores romanos.

Com efeito, embora Jesus tenha vindo dar cumprimento a Lei e aos profetas, encontrara, no Judaísmo, uma religião institucionalizada, dogmática, prescrevendo rituais exteriores como prática devocional, em detrimento da prática do Bem.

A manifestação da adoração a Deus constituía-se de oferendas, sacrifícios e do cumprimento rigoroso dos rituais exteriores. Deus era concebido a imagem e a semelhança do Homem, ou seja, portador de predicados humanos, que antes deveria ser temido ao invés de amado.

Jesus chega, então, na qualidade de embaixador celestial, apresentando Deus como Pai de todos os Homens, cujo Infinito Amor, Bondade e Misericórdia derramam-se sobre todas as criaturas, conclamando o Homem à edificação do Reino de Deus em seu próprio coração.

Na demonstração viva da vontade Divina, ama e serve indistintamente. O Mestre proclama no “amar a Deus sobre todas as coisas” e no “amar ao próximo como a si mesmo”, o caminho que conduz a Deus.

No tocante às práticas exteriores, convida os Homens, através de parábolas, sermões, questionamentos e, sobretudo pela sua exemplificação, a refletirem sobre a ineficácia desses ritualismos, se não são capazes de torná-los melhores.

Por essa postura, Jesus foi visto como um inimigo das tradições, como um herético, por não dar importância aos preceitos exteriores, e considerado um blasfemo, por se dizer Filho de Deus.

A despeito de toda perseguição desencadeada contra Jesus, que culminou com o martírio na cruz, a palavra dele triunfou, seus exemplos fecundaram o solo da terra, como sementes de luz, destinadas a germinação incessante nos caminhos humanos. Sob a forca poderosa do Amor, o Evangelho expandiu-se.

Os primeiros cristãos eram a terra fértil simbolizada na Parábola do Semeador, produzindo frutos de fraternidade, amor, fé e esperança. Perseguidos primeiramente pelos judeus e depois pelos romanos vivenciavam os mais aflitivos tormentos, de forma serena, pois a imortalidade da alma e o amor a Deus era o fundamento da fé que abraçavam. Durante quase três séculos, foram inumeráveis os mártires que, profundamente inspirados pelas sublimes palavras do Mestre, deram a própria vida a serviço do Cristo.

Nesse panorama, um ponto importante que podemos destacar foi, no tocante aos ensinamentos de Jesus, e ao esforço para manter sua integridade, as lutas imensas no combate às influências de muitos convertidos -judeus ou gentios - que não obstante terem aderido ao Evangelho, buscavam incorporar suas práticas e crenças milenares ao Cristianismo.

As lutas foram intensas e incessantes pela preservação da pureza do Evangelho. No entanto, gradativamente, a partir do século IV o Cristianismo, desfigurado pelos seus próprios adeptos, foi afastando-se cada vez mais do pensamento do Mestre.

Aconteceu, então, a construção da mistificação de Jesus e a institucionalização do Cristianismo.

A mistificação, ou seja, a criação de um mito, pois, esquecendo as próprias palavras do Mestre, que sempre afirmou sua condição humana, ainda assim, muitos o elevaram a condição de Divindade e, dessa forma, Jesus seria a própria encarnação de Deus na Terra. Tal interpretação, no entanto, é claramente rejeitada pelas próprias palavras de Jesus que sempre afirmou, expressamente, que fora enviado pelo Pai.

A institucionalização, ou seja, a transformação em uma instituição humana, pois se tornou uma organização estruturada por forte hierarquização de seus membros, regida por austero regimento interno, e com grande poder e hegemonia exclusivista, influindo, até mesmo, na esfera administrativa, governamental e jurídica da sociedade. Tal condição faz-nos refletir:

Quanta diferença da “Casa do Caminho” onde a preocupação principal era o atendimento aos aflitos! Quanta diferença de tudo que foi ensinado pelo “Rabi da Galiléia” que sempre se esforçou em demonstrar que a grande ação era a renovação interior, e a grande tarefa era a divulgação do “Reino de Deus”, exemplificando a simplicidade, a humildade, a pureza de intenções... não poderia, assim, haver imposições, haver disputa de poder com as Instituições do mundo..., por isso Jesus havia afirmado: “Meu Reino não é deste mundo.”

Em todo esse processo que citamos, não poderíamos jamais esquecer do livre arbítrio dos Homens.

Certo é que, em todos esses séculos, imensurável foi a ajuda da Espiritualidade Superior para inspirar os Homens ao caminho do Bem..., mas, como citamos, em regra, o livre arbítrio é inviolável. Cabe, pois, a cada Ser, a cada grupo, a cada sociedade buscar a implantação do Evangelho da forma que Jesus ensinou.

Nosso avanço é sempre contínuo, construído a partir do ensino que podemos tirar das gerações anteriores. Caso contrário, estaríamos sempre a recomeçar.

Revendo a História, portanto, podemos aprender com aqueles que nos antecederam e, em decorrência, esforçarmos para não cometer os mesmos enganos.

Vejamos, então, de forma sucinta, alguns fatos marcantes que determinaram essa mistificação do Cristo e a institucionalização do Cristianismo.

A INSTITUCIONALIZAÇÃO D0 CRISTIANISMO

Em 312, Constantino, imperador de Roma, converte-se ao Cristianismo. Publica, então, o Édito de Milão, dando liberdade de culto aos cristãos.

A Igreja, a partir dai, começa a sofrer muitas mudanças, pois o Estado que até então confiscava bens dos cristãos, passa a doá-los à Igreja, enriquecendo-a de bens materiais.

Foi assim que, em 325, Constantino solicitou as autoridades da Igreja, a convocação de um concílio para se decidir se Jesus era Deus ou se Jesus era filho de Deus, conforme apregoava Ário, sacerdote de Alexandria.

Os Concílios

Os concílios eram reuniões de autoridades religiosas, onde se debatiam todos os problemas que interessavam ao movimento cristão. Dessas reuniões decorreram as inovações desfiguradoras da beleza simples do Evangelho.

Ocorreu, então, em 325, o 1° Concilio de Nicéia, onde se reafirmou que Jesus é Deus.

Em 381, no 1° Concilio de Constantinopla, reafirmou-se que o Espírito Santo é Deus e os que afirmavam o contrário foram considerados hereges.

Em 391, o imperador Teodósio proibiu o culto pagão e elevou o Cristianismo a condição de religião oficial do Império. O Cristianismo foi institucionalizado: nascia a Igreja Católica Apostólica Romana.

No entanto, conforme assinala Emmanuel em “A Caminho da Luz”:

“O Cristianismo, porém, já não aparecia mais com aquela humildade de outros tempos. Suas cruzes e cálices deixavam entrever a cooperação do ouro e das pedrarias, mal lembrando a madeira tosca da época gloriosa das virtudes apostólicas... A união com o Estado era motivo para grandes espetáculos de riqueza e vaidade orgulhosa... Herdando os costumes romanos e suas disposições multisseculares, procurou um acordo com as doutrinas consideradas pagãs, pela posteridade, modificando as tradições puramente cristãs, adaptando textos, improvisando novidades injustificáveis... É assim que aparecem novos dogmas, novas modalidades doutrinárias, o culto dos ídolos...”

Em 607, o imperador Focas, nomeia Bonifácio III como bispo universal, criando a instituição do papado.

Os séculos transcorriam e a Igreja solidificava-se como Instituição religiosa hegemônica e pretensa detentora da “verdade”.

Aqueles que, então, não aceitavam a “verdade” propagada pela Igreja eram considerados hereges. Nesse embate, alguns chefes da Igreja consideraram a oportunidade da fundação de um tribunal de penitência.

Em 1231, o tribunal da Inquisição é consolidado pelo papa Gregório IX, engendrando um capítulo de perseguições acerbas aos chamados heréticos.

Antecipando essa era sombria, muitos missionários do Cristo reencarnam em tarefa evangelizadora, empenhando-se na restauração do Cristianismo em sua essência.

Um dos maiores missionários desse período foi Francisco de Assis, que reencarnou em 1182. Francisco de Assis exercitava o amor, a caridade, a fé e a humildade. Seus exemplos de total compreensão do Evangelho eram um sopro de revelação divina, ministrando lições preciosas a Igreja acomodada à opulência e a exterioridade.

Francisco deu a sua colaboração à reforma espiritual de que a Igreja tanto necessitava. No entanto, o seu exemplo não foi compreendido.

Mas, o olhar misericordioso de Jesus prosseguia velando..., e o movimento de renascimento cultural propiciaria também um movimento de renovação religiosa. Inúmeros cooperadores de Jesus reencarnaram: Lutero, Erasmo, Melanchthon, John Huss e outros.

Lutero encabeçou o movimento de protesto contra a Igreja, originando o Protestantismo, quando, em 1520, ele rompeu com a Igreja. O seu esforço coroou-se de notável importância para os caminhos do porvir.

Em 1870, o Concilio vaticano I decretou o dogma da infalibilidade papal, instituindo que o papa, quando se manifesta, oficialmente, em matéria de fé e moral, não pode errar, pois é assistido pelo Espírito Santo.

Esses são; como ressalvamos, apenas alguns dos fatos que marcaram a história da Cristandade.

Ao fazermos esta ligeira incursão, jamais podemos deixar também de ressalvar que nossa postura perante as religiões deve ser de respeito, e, assim, não tivemos quaisquer intenções de lançar críticas as Instituições, a quem muito devemos, pois temos plena consciência de que esta História foi construída por muitos de nos, Espíritos imortais que somos.

Quando a analisamos em seu conjunto, surpreendemo-nos com a riqueza de tantas manifestações humanas: quanto trabalho, quanto esforço, quantas lágrimas...

O estudo dos livros da Bíblia, o estudo da História dos grandes patriarcas tem-nos sido uma jornada reveladora.

Quantos exemplos de fidelidade à palavra divina, quantos exemplos inesquecíveis de fé, de esperança... Não obstante todos os atos humanos de desvio do “Caminho”, pelas paisagens memoráveis da Palestina, nos campos e nas montanhas, entre as oliveiras, nos caminhos inolvidáveis da Galiléia, ressoara sempre a mensagem do Mestre, convidando os Homens ao exercício da verdadeira religiosidade.

Como assinala Emmanuel no livro intitulado “Emmanuel”:

“O que se faz preciso, em vossa época, é estabelecer a diferença entre religião e religiões. A religião é o sentimento divino que prende o homem ao Criador. As religiões são organizações dos homens, falíveis e imperfeitas como eles próprios; dignas de todo o acatamento pelo sopro de inspiração superior que as faz surgir; são como gotas de orvalho Celeste, misturadas com os elementos da terra em que caíram. Muitas delas, porém, estão desviadas do bom caminho pelo interesse criminoso e pela ambição lamentável de seus expositores; mas a verdade um dia brilhará para todos, sem necessitar da cooperação de nenhum homem”.

A Mensagem de Jesus é um canto de amor, de fraternidade, de luz, de libertação que nos conduz a tantas inspirações. Que ela possa despertar-nos para a verdadeira religiosidade!

QUESTÃO REFLEXIVA:

Por que os homens, por vezes, mesmo professando uma religião que prega o Amor, podem se desviar do caminho do Bem?

A imagem acima é meramente ilustrativa. Fonte: Internet Google.
 

quinta-feira, 13 de novembro de 2025

23ª Aula Parte B – CURSO APRENDIZES DO EVANGELHO 2º ANO – FEESP

Regeneração Da Humanidade

Em “O Livro dos Espíritos”, terceira parte, cap. VIII, encontramos detalhadamente, a explicação da Lei do Progresso que, inexoravelmente, impulsiona a Humanidade e todas as coisas do universo no caminho da evolução.

O progresso da Humanidade, portanto, efetua-se em virtude de leis naturais e, como todas as leis da natureza, estas também são obras de Deus. Logo, podemos dizer que quando a Humanidade está madura para transpor um degrau, os “tempos marcados” por Deus chegaram.

Chegado o momento certo, a transição efetuar-se-á.

As mudanças, no entanto, são paulatinas, sem grandes convulsões.

Nesse sentido, em “Obras Póstumas”, no item “Regeneração da Humanidade” encontramos a seguinte comunicação:

“Não percebeis que sopra um vento pela superfície da Terra, o qual agita os Espíritos? O mundo espera alguma coisa e sente-se dominado de um vago pressentimento da próxima tempestade.
Não acrediteis, entretanto que o mundo acabe materialmente. Ele progrediu desde o primeiro dia e deve progredir indefinidamente.
A humanidade é que atingiu um dos seus períodos de transformação e a terra vai elevar-se na hierarquia dos mundos”.

Esses períodos de transformações são caracterizados por instabilidades, em que os valores, no tumulto dos acontecimentos, são renovados, culminando em profundas modificações na vida, nos costumes e na própria natureza humana.

Não há, no entanto, sobressaltos. Tudo transcorre como um longo processo e, gradativamente, a Humanidade vai renovando seus valores.

Temos, então, que não há nada de místico ou sobrenatural em dizer que a Humanidade chegou a um período de transformação e que a Terra deve se elevar na hierarquia dos mundos. Trata-se do cumprimento de uma das grandes leis inevitáveis do Universo.

A HIERARQUIA DOS MUNDOS

Em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, cap. III, item 3, Kardec, compilando as diversas comunicações dos Espíritos Superiores, explica que os diversos mundos possuem condições muito diferentes uns dos outros em relação ao atraso ou adiantamento de seus habitantes. Há desse modo, alguns que são ainda inferiores à Terra, física e moralmente, outros estão no mesmo grau, e há outros que lhe são superiores.

Em seguida, apresenta a classificação dos mundos em cinco categorias, vejamos:

- Mundos Primitivos - onde se verificam as primeiras encarnações da alma humana;

- Mundos de Expiações e de Provas - onde o mal predomina;

- Mundos Regeneradores - onde as almas que ainda têm o que expiar adquirem novas forças, repousando das fadigas da luta;

- Mundos Felizes - onde o bem supera o mal, e;

- Mundos Celestes ou Divinos - morada dos Espíritos purificados, onde o bem reina sem mistura.

Esta classificação - ensina Kardec - é antes relativa que absoluta, então, é apenas uma divisão geral.

Conclui o codificador que: “A Terra pertence à categoria dos mundos de expiações e de provas, e é por isso que nela o homem está exposto a tantas misérias”.

No item 13, do mesmo capítulo acima citado, encontramos uma mensagem de Santo Agostinho, com a seguinte síntese sobre os mundos de expiação e de provas, e especialmente sobre a Terra:

“A superioridade da inteligência, num grande número de seus habitantes, indica que ela não é um mundo primitivo, destinado à encarnação de Espíritos ainda mal saídos das mãos do Criador. Suas qualidades inatas são prova de que já viveram e realizaram um certo progresso, mas também os numerosos vícios a que se inclinam são o indício de uma grande imperfeição moral. Eis porque Deus os colocou num mundo ingrato, para expiarem suas faltas através de um trabalho penoso e das misérias da vida...”

E, mais adiante, discorrendo sobre a progressão dos mundos, no item 19, anuncia que a Terra:

“... chegou a um de seus períodos de transformação, e vai passar de mundo expiatório a mundo regenerador. Então os homens encontrarão a felicidade, porque a lei de Deus governará”.

Como ocorrerá a regeneração?

No item 31, do cap. XVIII, de “A Gênese”, Kardec ilustra, através de um exemplo claro como podemos entender a transição. A maneira pela qual se opera a transformação pode ser compreendida por uma comparação comum; e, como poderemos notar, ela é toda moral e não se afasta em absoluto, das leis da natureza:

“Suponhamos um regimento composto na grande maioria de homens turbulentos e indisciplinados; estes contribuindo sem cessar para a desordem, que a severidade da lei penal terá, frequentemente, dificuldade para reprimir. Esses homens são os mais fortes, porque são os mais numerosos; eles se apoiam, encorajam-se e se estimulam por meio do exemplo. Os poucos bons são sem influência; seus conselhos são desprezados; eles são ridicularizados, maltratados pelos outros, e sofrem com este contato. Não está ai a imagem da sociedade atual?”

“Suponhamos que se retirem esses homens do regimento, um por um, dez a dez, cem a cem; e sejam substituídos pouco a pouco por um numero igual de bons soldados, até por aqueles que foram expulsos, mas que se hajam seriamente corrigido: no fim de algum tempo teremos sempre o mesmo regimento, mas transformado; a boa ordem terá sucedido a desordem. Assim será a Humanidade regenerada.”

Apesar de todo conforto que o progresso tecnológico trouxe-nos, somente o progresso moral pode assegurar a felicidade colocando um freio às más paixões, rompendo as barreiras dos povos, derrubando os preconceitos de casta, calando o antagonismo das seitas, ensinando os homens a se olharem como irmãos convidados a se ajudarem mutuamente. (A Gênese, cap. XVIII, item 19).

A NOVA GERAÇÃO

Conforme vimos, Kardec explica que a geração atual desaparecerá gradualmente, e a nova lhe sucederá do mesmo modo, sem que nada seja mudado na ordem natural das coisas.

Temos, então, que a época atual é de transição; os elementos das duas gerações mesclam-se. Colocados no ponto intermediário, assistimos à partida de uma e a chegada da outra, e cada uma já se assinala no mundo por caracteres que lhes são próprios, uma mais materialista, outra mais espiritualizada.

A nova Terra devera ser um lugar onde os Homens sejam mais felizes. Por conseguinte, é necessário que ela seja povoada em sua maioria por bons Espíritos encarnados e desencarnados. Kardec esclarece em “A Gênese”, no item 27 do mesmo capítulo acima citado, que:

“Esse tempo tendo chegado, uma grande emigração se realiza neste momento entre os que a habitam; aqueles que fazem o mal pelo mal, e que o sentimento do bem não toca, não sendo mais dignos da Terra transformada, dela serão excluídos...”

Renovado o panorama do mundo pela presença de Espíritos mais elevados, o clima de equilíbrio será estabelecido, e tanto os planos espirituais próximos à crosta quanto à própria superfície planetária refletirão a integridade moral de seus habitantes.

E quanto ao “Julgamento Final”?

Conforme podemos encontrar em “A Gênese”, cap. IX, não faz sentido pensar num julgamento final, único e universal, que coloque fim a toda a Humanidade. Não há lógica nessa linha de raciocínio, pois isso implicaria na inatividade de Deus durante a eternidade que precedeu a criação da Terra e a eternidade que seguirá à sua destruição.

Além disso, tal julgamento é inconciliável com a Bondade Infinita do Criador, que Jesus apresentou-nos sempre como Pai Amoroso e Misericordioso. A própria expressão ‘julgamento final’ não faz sentido.

Há, sim, julgamentos gerais que ocorrem em todas as épocas de renovação dos mundos e, em consequência delas operam-se as grandes emigrações e imigrações dos Espíritos.

“Os mansos herdarão a Terra”, como disse Jesus. Porém, sabemos muito bem que Jesus não abandona nenhuma de suas ovelhas. No momento adequado, aqueles Espíritos que, apesar da sua inteligência e de seu saber, perseverarem no mal, passando a ser entrave ao progresso moral da Terra, serão enviados a mundos mais atrasados, onde terão oportunidade de aplicar sua inteligência e a intuição dos conhecimentos adquiridos, auxiliando no progresso daquele mundo a que forem chamados a viver, como vemos em “A Gênese”, cap. XI, item 43 :

“... ao mesmo tempo que expiarão, numa serie de existências penosas e por um duro trabalho, as suas faltas passadas e seu endurecimento voluntário. ”

Emmanuel, em “A Caminho da Luz”, recorda-nos acontecimento semelhante em um dos orbes chamado Capela, onde muitos Espíritos rebeldes foram exilados a Terra.

No nosso planeta começa a ocorrer esse mesmo processo.

Na obra “Espiritismo e vida”, psicografado por Divaldo Pereira Franco, o Espírito Vianna de Carvalho anuncia, no cap. 10, “A Nova Sociedade do Futuro”:

“Já se encontram, pois, na Terra, incontáveis preparadores da nova sociedade do futuro, envergando a vestimenta carnal, despertando o interesse e a atenção dos mais renitentes negadores do Espírito, de modo que, de imediato, haja lugar para a instalação do Reino de Deus nas mentes e nos corações afervorados a verdade.”

Como será a vida na Terra?

Quando as mudanças sedimentarem-se, tudo estará diferente: os costumes, o caráter das pessoas, os anseios, os objetivos, as preocupações..., a fraternidade devera ser a pedra angular tendo por base inquebrantável a fé nos “princípios fundamentais que todo o mundo pode aceitar: Deus, a alma, o futuro, o progresso individual indefinido, a perpetuidade das relações entre os seres.” (GE, cap. XVIII, item 17).

É preciso um novo homem para a nova era!

No item 3, do cap. XVII, “Sede Perfeitos”, de “O Evangelho Segundo o Espiritismo” quando é indicado como se comporta o Homem de Bem, encontramos:

“... faz o bem pelo bem, toma a defesa do fraco contra o forte e sacrifica sempre o seu interesse a justiça. Encontra sua satisfação nos benefícios que distribui, nos serviços que presta, nas venturas que promove, nas lágrimas que faz secar; nas consolações que leva aos aflitos. Seu primeiro impulso é o de pensar nos outros, antes que em si mesmo, de tratar dos interesses dos outros, antes que dos seus.
... O homem de bem, enfim, respeita nos seus semelhantes todos os direitos que lhes são assegurados pelas leis da natureza, como desejaria que os seus fossem respeitados”.

Todo espírita verdadeiro é, por definição, um Homem novo e percebe a plenitude da paz e será um candidato natural a residir na “nova morada”.

Enquanto o “leme da embarcação planetária” estiver nas mãos de Jesus, o mundo prosseguirá lenta e seguramente rumo ao fim para o qual foi criado: habitação feliz de almas em evolução, escola e oficina de trabalho para os filhos de Deus.

A Doutrina Espírita apresenta a proposta renovadora do Cristianismo redivivo, do despertar das potências adormecidas de cada Espírito, da busca da plenitude, que se dá pela prática incondicional do Bem, para com isto vir a compor o perfil desejado do Homem da Nova Era e auxiliar a Humanidade em momento tão importante de sua jornada.

Kardec indica-nos que o reino do Bem será o da paz e da fraternidade universal e será derivado do código de moral evangélica posto em prática por todos os povos (GE cap. XVII). Esse será verdadeiramente o reino de Jesus onde os homens viverão sob a sua lei.

Em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, no cap. III, encontramos este cântico de Santo Agostinho, sobre os mundos regeneradores:

“Entre essas estrelas que cintilam na abóboda azulada, quantas delas são mundos,
... Comparados à Terra, esses mundos são mais felizes, e muitos de vós gostariam de habitá-los, porque representam a calma após a tempestade, a convalescença após uma doença cruel,
... Contemplai, pois, durante a noite, na hora do repouso e da prece, essa abóboda azulada, e entre as inumeráveis esferas que brilham sobre as vossas cabeças, procurai as que levam a Deus, e pedi que um mundo regenerador vos abra o seu seio, após a expiação na Terra”.

Confiantes em Jesus..., seguindo os passos do Mestre, trabalhemos para implantar a Nova Era na Terra!

QUESTÃO REFLEXIVA:

Neste período de renovação da Terra, como podemos contribuir para a regeneração planetária?

Bibliografia

- A Bíblia de Jerusalém.
- Kardec, Allan -A Gênese - Ed. FEESP.
- Kardec, Allan - O Livro dos Espíritos - Ed. FEESP.
- Kardec, Allan - Obras Póstumas.
- Xavier, Francisco C./Emmanuel -A Caminho da Luz.
- Xavier, Francisco C./Emmanuel - Vinha de Luz - Lição 120.
- Divaldo P. Franco/Vianna de Carvalho - Espiritismo e vida.

A imagem acima é meramente ilustrativa. Fonte: Internet Google.
 

quinta-feira, 6 de novembro de 2025

23ª Aula Parte A – CURSO APRENDIZES DO EVANGELHO 2º ANO – FEESP

Nova Era

Sinais Dos Tempos

Quando lemos a Bíblia, encontramos diversas citações, tanto no Antigo como no Novo Testamento, que fazem referência aos “Sinais dos Tempos”.

Jesus, especialmente no Sermão Profético, anunciou aos seus discípulos uma série de sinais extraordinários:

“Haveis de ouvir falar sobre guerras e rumores de guerra. Cuidado para não vos alarmardes. É preciso que essas coisas aconteçam, mas ainda não é fim. Pois se levantará nação contra nação e reino contra reino. E haverá fome e terremotos em todos os lugares. Tudo isso será o princípio das dores.
E surgirão falsos profetas em grande número e enganarão a muitos. E pelo crescimento da iniquidade, o amor de muitos esfriará.
Logo após a tribulação daqueles dias, o sol escurecerá, a lua não dará a sua claridade, as estrelas cairão do céu e os poderes dos céus serão abalados. Então aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem e todas as tribos da terra baterão no peito e verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu com poder e grande glória”. (Mt 24:6-8, 11-12 e 29-30).

Neste sermão, vemos que, se tomadas ao pé da letra, certas predições seriam assustadoras. No entanto, Kardec, no livro “A Gênese”, cap. XVII, item, 54, tranquiliza-nos afirmando que o quadro do fim dos tempos é, evidentemente, alegórico.

“As imagens que ele contém, mediante a energia destas, são de natureza a impressionar inteligências ainda rudes. Para impressionar essas imaginações pouco sutis, eram necessárias pinturas vigorosas, de cores vivas. Jesus se dirigia, sobretudo ao povo, aos homens menos esclarecidos, incapazes de compreenderem as abstrações metafísicas, e de perceberem a delicadeza das formas. Para chegar ao coração, era necessário falar aos olhos com a ajuda de sinais materiais, e aos ouvidos mediante o vigor da linguagem”.

Era, pois, o próprio costume da época utilizar-se de linguagem forte e simbólica, como vemos em diversas ocasiões nas Escrituras.

Nesse sentido, a figura do Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu, com grande majestade, rodeado de seus anjos e com o barulho das trombetas, já havia sido empregada pelo profeta Daniel, no Antigo Testamento, e, dessa forma, era bem conhecida entre os judeus à época.

Imagem imponente atendia as perspectivas judaicas de poder, glória, majestade, esplendor... Muito mais do que alguém que não tivesse autoridade material, mas apenas ascendência moral.

Ainda no mesmo item acima citado de “A Gênese”, prossegue o codificador:

“Como consequência natural dessa disposição de espírito, o poder supremo não podia, segundo a crença de então, manifestar-se senão por atos extraordinários, sobrenaturais; quantos mais esses eram impossíveis, mais eram aceitos como prováveis.”

Com efeito, podemos constatar tal fato, por exemplo, na seguinte assertiva: “O sol escurecerá, a lua não dará a sua claridade, as estrelas cairão do céu e os poderes dos céus serão abalados.” Ora, quem nos dias de hoje, utilizando a razão, poderia acreditar que as estrelas cairiam do céu?

Esta crença, diante de todos os conhecimentos e descobertas da astronomia, é, em essência, absolutamente pueril em nossos dias.

Porém, quando ainda não havia tais conhecimentos, os homens, em sua maioria, só conseguiam conceber a Divindade atuando através de fenômenos excepcionais e extraordinários como esses.

Por outro lado, além dessas figuras alegóricas e irreais, podemos observar que há outras predições, contidas no Sermão Profético, que estão dentro das ordens naturais das coisas, como veremos adiante.

Quando começarão a ocorrer os “Sinais dos Tempos”?

Quando proferiu o Sermão Profético, Jesus indicou os vários sinais que aconteceriam, mas, também afirmou:

“Daquele dia e da hora, ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, mas só o Pai”. (Mt 2436).

Esta afirmação demonstra-nos, claramente, que não existem, em regra, fatalismos. Este é, reforcemos, um ponto capital da Doutrina Espírita: o livre arbítrio dos Homens é o que determina um maior ou menor avanço de uma dada sociedade, num espaço delimitado de tempo.

Mas embora os Seres possam caminhar mais ou menos rápido, certo é que todos estão fadados à perfeição relativa. Neste ponto temos, sim, que admitir um fatalismo. Então, embora possam, se assim o desejarem, atrasar a própria evolução, não podem fugir ao cumprimento da Lei Divina.

Lembremos, a propósito, o que disse o Mestre: “Passarão o céu e a terra. Minhas palavras, porém, não passarão”. (Mt 24:35)

Inquestionavelmente, as palavras de Jesus não passarão porque são eternas, representam a mais pura verdade. Passarão o céu e a terra, pois, pertencendo ao mundo material, estão sujeitos a leis físicas, mas as palavras de Jesus são o anúncio da vontade Divina.

Retomando as predições do Mestre, e fazendo abstração aos fatos extraordinários e impossíveis, ou seja, deixando de lado tais prodígios, e lançando nossa atenção apenas nos fatos que, como dissemos, estão dentro da ordem natural das coisas, notaremos que representam os acontecimentos históricos e atuais que temos visto.

Guerras, conflitos, fome, miséria, dores..., afinal, não fazem parte de nossa realidade atual? E não são eles sinais anunciados por Jesus?

Vemos também que, mesmo diante de todos esses fatos comoventes, muitos se mantêm insensíveis, alheios à dor do semelhante, consubstanciando, assim, a afirmação:

“E pelo crescimento da iniquidade, o amor de muitos esfriará”. (Mt 24:12).

Esclarecendo a questão dos “tempos chegados”, Kardec, em “A Gênese”, cap. XVIII, item 7, explica que nosso globo, como tudo quanto existe, está sujeito a Lei do Progresso; por isso progride fisicamente, pela transformação dos elementos que o compõem e moralmente, pela purificação dos Espíritos encarnados e desencarnados que o povoam.

Lembremos ainda que, por isso, disse o Mestre: “É preciso que essas coisas aconteçam...” (Mt 24:6).

OS SINAIS

No item 60, cap. XVII, de “A Gênese”, Kardec assevera: "Se, agora, considerando a forma alegórica de certos quadros, e analisando o sentido íntimo das palavras de Jesus, compararmos a situação atual com os tempos descritos por Ele, como devendo marcar a era da renovação, não se pode negar que várias de suas predições estão se realizando hoje; daí é necessário concluir que chegamos aos tempos anunciados, o que os Espíritos que se manifestam, confirmam em todos os pontos do globo”.

Quais são, então, outros sinais que podemos constatar?

De acordo com a apreciação de Kardec, expostas no mesmo capítulo acima citado, estes são alguns dos sinais:

• as tendências, as aspirações, os pressentimentos das massas, a decadência das velhas ideias que se debatem em vão há um século contra as ideias novas;

• o advento do Espiritismo, coincidindo com outras circunstâncias, realiza uma das mais importantes predições de Jesus, pela influência que ele deve exercer sobre as ideias;

• a disseminação das comunicações mediúnicas, concretizando a sentença: “Nos últimos tempos, disse o Senhor, espalharei meu Espírito sobre toda a carne: vossos filhos e vossas filhas profetizarão”.

São de fato - bem podemos ver - sinais inconfundíveis. E, é relevante notar, não representam cataclismos planetários, não representam estrondosas erupções vulcânicas, não são as entranhas da Terra que se abrem em colapso..., são “revoluções” de ordem intelectual e moral.

Em sendo desta natureza, mudança tão radical como a que se elabora, não poderia realizar-se sem lutas das ideias: “É, portanto da luta das ideias que surgirão os graves acontecimentos anunciados, e não de cataclismos, ou catástrofes meramente materiais. Os cataclismos gerais eram a consequência do estado de formação da Terra: hoje já não são as entranhas do globo que se agitam, são as da Humanidade”. (GE cap. XVIII, item 7).

Contemplando nossos dias...

Nos dias de hoje, temos exemplos concretos que os interesses estão renovando-se:

- preocupamo-nos com o planeta, e seus recursos naturais;

- há uma ênfase na proteção da fauna, da flora, com o superaquecimento global, com a camada de ozônio...;

- preocupamo-nos com os direitos humanos;

- a educação é cada vez mais reconhecida como um forte leme para alavancar o progresso;

- as organizações filantrópicas mobilizam-se em prol de causas nobres, preocupando-se com as nações mais necessitadas;

- ocorre o enfraquecimento do preconceito;

- a globalização e seu aspecto econômico-financeiro fizeram, e fazem com que povos aproximem-se, e;

- a tecnologia faz com que as distancias encurtem-se cada vez mais e aproxime as pessoas.

Todos esses exemplos são também sinais dos tempos, mas o mais importante que vemos no mundo contemporâneo aponta para um enorme anseio exclamado por várias pessoas notáveis, de diferentes partes do mundo, e ao mesmo tempo por populações inteiras: Que haja paz no mundo em que vivemos!

Anseiam por um mundo sem fronteiras, sem ódio, sem medo, sem guerras, sem intolerância. Falam em harmonia e união; em compreensão, tolerância e perdão, aspectos fundamentais a serem considerados para a nova perspectiva. E isto é valido não apenas para o sentimento religioso em si, como também para os aspectos científicos, filosóficos, políticos, sociais e tudo o que possa trazer avanços a Humanidade.

Não podemos deixar de notar que, também nessa direção, vemos o movimento que se opera referente às ideias espiritualistas e os princípios de repulsa contra as ideias materialistas.

Pressentem-se esses ventos vindos de diversas direções e não somente no Espiritismo. O que corrobora ainda mais para a ideia da maturidade da Humanidade, que faz dessa renovação uma necessidade.

As ideias espíritas constituem poderosa alavanca para o momento que passamos. Kardec em “A Gênese”, cap. XVIII, item 25, assevera que:

“Por seu poder moralizante, por suas tendências progressistas, pela amplitude de suas vistas, pela generalidade das questões que abarca, o Espiritismo está, mais que qualquer outra doutrina, apto a auxiliar o movimento regenerador; é por isso que ele lhe é contemporâneo. Ele veio no momento em que podia ser mais útil, porque para ele também os tempos chegaram; mas cedo, teria encontrado obstáculos intransponíveis; teria inevitavelmente sucumbido, porque os homens, satisfeitos do que tinham, não experimentavam ainda a necessidade do que ele traz.”

Vemos, pois, que se trata de um momento especial que, nas palavras do Espírito Viana de Carvalho, no cap. 10 da obra “Espiritismo e vida”, psicografado por Divaldo P. Franco:

“A grandeza deste momento está na dicotomia da destruição do mal e da construção do bem, nas ocorrências calamitosas e edificantes, das quais resultará o amanhecer da Era de paz e de felicidade relativas que serão convites estimulantes para a conquista da plenitude sem jaça e de sabor eterno ao alcance de quem a desejar”.

QUESTÃO REFLEXIVA:

À luz da Doutrina Espírita, existe motivo para temermos os “Sinais dos Tempos” e as grandes mudanças que se aproximam?

A imagem acima é meramente ilustrativa. Fonte: Internet Google.