CARACTERÍSTICAS BÁSICAS DO ESPÍRITA: PACIÊNCIA, INDULGENCIA, FÉ, HUMILDADE, DIGNIDADE E CARIDADE.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

13ª AULA PARTE B CURSO PREPARATÓRIO DE ESPIRITISMO - FEESP

A Fé que Transporta Montanhas

“Quando voltou para onde estava o povo, chegou-se a ele um homem que, ajoelhando-se a seus pés, lhe disse: Senhor; tem piedade de meu filho que é lunático e sofre cruelmente; muitas vezes cai, ora no fogo, ora na água. Já o apresentei aos teus discípulos, mas eles não o puderam curar.” Jesus respondeu: Ó geração incrédula e perversa, até quando estarei entre vós? Até quando vos sofrerei? Trazei-me aqui o menino.

E tendo Jesus ameaçado o demônio, este saiu do menino que ficou no mesmo instante curado.

Então os discípulos vieram ter com Jesus em particular e lhe perguntaram: Por que não pudemos nós expulsar esse demônio?

Jesus lhes disse: Por causa da vossa pouca fé; pois, em verdade vos digo que, se tivésseis a fé do tamanho de um grão de mostarda, diríeis àquela montanha: Passa daqui para ali, e ela passaria; nada seria impossível. Não se expulsam os demônios desta espécie senão por meio da prece e do jejum. (Mateus, XVII, 14 a 20).

Com pequenas variantes, esta passagem também é narrada por outros dois evangelistas, Marcos, no capítulo IX, versículos 14 a 28, e Lucas no capítulo IX, versículos 37 a 43. Da narrativa de Marcos consta o diálogo entre Jesus e o pai do menino que achamos interessante reproduzir: Há quanto tempo isto lhe sucede? O pai respondeu: Desde a infância; e o Espírito o tem muitas vezes lançado ora à água, ora ao fogo, para fazê-lo perecer. Se puderes alguma coisa, tem piedade de nós e socorre-nos. Jesus lhe disse: Se puderes crer, tudo é possível àquele que crê. Logo o pai do menino exclamou banhado em lágrimas, Senhor, eu creio, ajuda a minha pouca fé.

Muitas vezes, podemos encontrar nos Evangelhos referências claras e precisas de Jesus ao poder da fé, sendo comum depararmos com expressões semelhantes a esta: “A tua fé te curou”. Parece-nos que o Mestre dava, por essa forma, ensino e lições que deveriam ficar gravados na memória de todos os que presenciavam os fatos, além de séria advertência aos seus futuros seguidores.

Recordemos ainda que Jesus afirmou aos Apóstolos: “Quem crer em mim, fará o que eu faço e ainda fará mais”. (João, XIV,12). Da mesma forma, guardemos a observação feita por Jesus aos 12 discípulos, que, ao regressarem pela primeira vez da missão que lhes fora atribuída, cheios de alegria, diziam: Senhor, até os demônios se nos submetiam em teu nome; recomendou-lhes então o Senhor que não se regozijassem por lhes estarem os espíritos submetidos, mas antes por estarem os seus nomes escritos nos céus. (Lucas X, 20).

De tudo se depreende os amorosos cuidados do Mestre para com os seus seguidores, alertando-os sempre contra as tentações do orgulho, para que não se envaidecessem diante dos resultados que fossem obtendo no desempenho de suas missões, na cura e alívio dos sofrimentos.

Invariavelmente, todas as vezes que realizava as curas, Jesus salientava a fé e a confiança daquele que recebia o benefício e, a respeito das poucas curas levadas a efeito, em sua Terra, onde “apenas curou alguns poucos doentes”, Jesus “admirou-se da incredulidade deles”. (Marcos, VI, 5 e 6).

Assim, para ser obtida a cura, torna-se evidente a necessidade da colaboração do doente, isto é, o desejo sincero de ser curado, conjugado com a fé, confiança e vontade potente de quem vai operar em nome do Senhor, tudo isso aliado ainda à possibilidade cármica, em face da lei.

Todas as doenças podem ser aliviadas, mas nem todas podem ser curadas.

A confiança nas próprias forças nos torna capazes de executar grandes coisas, mesmo materiais, que não obteríamos, se não confiássemos em nós mesmos.

As montanhas a serem removidas pela fé, referidas no Evangelho, devem ser, antes de mais nada, as montanhas de nossas imperfeições e inferioridades constituídas de má vontade, resistência, preconceitos, interesses materiais, egoísmo, fanatismo, paixões orgulhosas, etc...

A fé sincera e verdadeira é sempre calma, paciente e humilde. Deve ser cultivada pela moralização de nossos costumes; pela pureza de pensamentos, palavras e atos; pela crescente confiança na ilimitada bondade divina, para desenvolver dentro de nós a força magnética que nos possibilitará agir sobre o fluído universal e que, usada convenientemente, pela nossa vontade, é capaz de operar prodígios, sempre que é utilizada em benefício do nosso próximo.

Jesus disse aos discípulos que aquela espécie de espírito obsessor só sairia pela oração e pelo jejum. Devemos entender, então, que, através de uma fé fervorosa, vertida em sentida prece, que é pensamento puro, surto do amor, poderemos expeli-los, desde que estejamos em jejum, isto é, em condições morais satisfatórias de abstinência de pensamentos culposos, de sobriedade na satisfação de nossas necessidades e austeridade de proceder.

Nas palavras repassadas de sentimento daquele pai, que, banhado em lágrimas, diz: “Eu creio, Senhor, ajuda a minha pouca fé”, podemos sentir uma expansão de simplicidade e de humildade, pois certo do poder de Jesus para lhe atender à súplica, não se sentia ele próprio bastante forte na sua fé para merecer tal graça.

BIBLIOGRAFIA:

Kardec, Allan - O Evangelho Segundo o Espiritismo

QUESTIONÁRIO:

1 - Qual o poder da fé?

2 - Qual outro sentido tem a palavra "montanha"?

3 - Na sua opinião, o que "Fé"?

terça-feira, 24 de setembro de 2013

13ª AULA PARTE A CURSO PREPARATÓRIO DE ESPIRITISMO - FEESP

EUTANÁSIA (À LUZ DA DOUTRINA ESPÍRITA)

Eutanásia é o ato pelo qual subtrai-se a vida de alguém, com o pretexto de evitar-lhe sofrimentos, bem como aos seus familiares.
Desde a época de Esparta, na antiga Grécia, com seu culto ao corpo, eram condenados os inaptos, os enfermos. Gladiadores da Roma Antiga ou guerreiros na Idade Média, eram sacrificados sob pretexto de poupá-los da agonia.

Séculos se passaram e alguns esqueceram o juramento de Hipócrates (460/377 AC): “A ninguém darei, para agradar, remédio mortal, nem conselho que o conduza à destruição”.

A Medicina

A ciência médica tem a finalidade de curar, de sanar dores. Tem como dever, a preservação da vida em todos e qualquer caso.

O código de Ética Médica prescreve como dever do médico, o cuidado de preservar a vida humana e proíbe ao mesmo a utilização de meios destinados a abreviar a vida do paciente, ainda que a pedido deste ou de seu responsável legal. (Cap. V. art. 66).

Alguns defensores da Eutanásia argumentam quanto à inutilidade do enfermo e o custo de sua manutenção à sociedade. Ninguém é inútil.

Todos temos responsabilidades quanto à preservação da vida, dada por Deus.

A morte como terapia destrói a razão de ser da Medicina (manter a vida). Argumento decrépito é aquele dos que defendem a morte dos idosos. Total falta de respeito àqueles que deram a vida física a outros. E, como esse ato indigno, argumentam com a dignidade do morrer. “Se fossem dignos, viveriam defendendo a dignidade de viver”.

Como definir a morte? Nas últimas décadas mudou-se a maneira de considerar a morte. Várias interrogações de ordem médica, ética e jurídica, foram levantadas com o desenvolvimento das técnicas de transplantes e da possibilidade de subsistência artificial das funções fisiológicas fundamentais.

A antiga concepção da morte, entendida como um momento preciso de trespasse, e hoje interpretada como desintegração de um indivíduo, que se realiza em vários níveis e em várias etapas.
Daí, a dificuldade de encontrar sinais clínicos seguros de falecimento. A passagem da vida à morte envolve uma série de acontecimentos; não é uma mutação instantânea. Após discussões éticas e estudos técnicos, concluiu-se que a morte encefálica é o critério para caracterização e constatação da morte do indivíduo.

Desencarnação

Mas, a desencarnação significa o desligamento do Espírito daquele corpo em processo mortal, podendo acontecer desde momentos antes da consumação do óbito, até tempos depois, como em caso de suicidas. E a Doutrina Espírita vem nos ensinar questões de maior importância.

Assim, não é a partida do Espírito. Cada Espírito é sempre o mesmo indivíduo antes, durante e depois da encarnação, sendo esta, apenas, uma fase da sua existência. (Gênese, Cap. XI).

Em O Evangelho Segundo o Espiritismo (Cap. V, item 28), Allan Kardec recebe de São Luís, a resposta à pergunta: “Um homem agoniza, presa de cruéis sofrimentos. Sabe-se que seu estado é sem esperança. É permitido poupar-lhe alguns instantes de agonia, abreviando-lhe o fim?”.

“Mas quem vos daria o direito de prejulgar os desígnios de Deus”?

Não pode ele conduzir um homem até à beira da sepultura, para em seguida, retirá-lo, com o fim de fazê-lo examinar-se a si mesmo e modificar lhe os pensamentos? A que extremos tenha chegado um moribundo, ninguém pode dizer com certeza que chegou a sua hora final.

A ciência, por acaso, nunca se enganou em suas previsões?

“Bem sei que há casos em que se pode considerar, com razão, como desesperados, mas se não há nenhuma esperança possível de retorno definitivo à vida e à saúde, não há também inúmeros exemplos de que, no momento do último suspiro, o doente se reanima e recobra suas faculdades por alguns instantes”?

Pois bem: essa hora de graça que lhe é concedida, pode ser para ele da maior importância, pois ignorais as reflexões que seu Espírito poderia ter feito nas convulsões da agonia, e quantos tormentos podem ser poupados por um clarão de arrependimento.

“O Materialista, que só vê o corpo, não levando em consideração a existência da alma, não pode compreender estas coisas”.

Mas o Espírita, que sabe o que se passa além-túmulo, conhece o valor do último pensamento. “Aliviai os sofrimentos o mais que puderdes, mas guardai-vos de abreviar a vida, mesmo que seja em apenas um minuto porque esse minuto pode poupar muitas lágrimas no futuro”.

Emmanuel, no texto intitulado “Eutanásia e Vida”, do livro Diálogo dos Vivos, observa que “o homem comum não conhece a face psicológica dos nossos irmãos suicidas e homicidas conscientes, ou daqueles outros que conscientemente se fazem pesadelos ou flagelos de coletividades inteiras”.

Devidamente reencarnados, em tarefas de reajuste, não mostram senão o quadro aflitivo que criaram para si próprios, de vez que todo Espírito descende das próprias obras e revela consigo aquilo que fez de si mesmo.

“Diante das crianças em prova ou dos irmãos enfermos imaginados irrecuperáveis, medita e auxilia-os.”

“Ninguém, por agora, nas áreas do mundo físico, pode calcular a importância de alguns momentos ou de alguns dias, para o Espírito temporariamente internado num corpo doente ou disforme”.

O Livro dos Espíritos, em sua questão 944, coloca: “O homem tem direito de dispor da própria vida”?

“-Não. Somente Deus tem esse direito. O suicídio voluntário é uma transgressão dessa lei”.

Emmanuel, no livro Religião dos Espíritos, encerra o texto “Sofrimento e Eutanásia”, dizendo: “Lembra-te de que, valorizando a existência na Terra, o próprio Cristo, arrancou Lázaro às trevas do sepulcro, para que o amigo dileto conseguisse dispor de mais tempo para completar o tempo necessário à própria sublimação”.

BIBLIOGRAFIA:

Kardec, Allan - O Livro dos Espíritos

Kardec, Allan - O Evangelho Segundo o Espiritismo

Kardec, Allan - A Gênese

Cajazeiras, Francisco - Eutanásia à Luz do Espiritismo

Xavier,F. C. - Diálogo dos vivos

Xavier,F. C. - Religião dos Espíritos

QUESTIONÁRIO:

1 - Que é a Eutanásia?

2 - Por que o homem não tem o direito de dispor da própria vida?

3 - Qual a resposta de São Luis, dada no Cap. V, ítem 28, do E.S.E., referente à Eutanásia?

terça-feira, 17 de setembro de 2013

12ª AULA PARTE B CURSO PREPARATÓRIO DE ESPIRITISMO - FEESP

BEM SOFRER e MAL SOFRER

Quando o Cristo disse: “Bem-aventurados os aflitos, porque deles é o Reino dos Céus”, não se referia aos sofredores em geral, porque todos os que estão neste mundo sofrem, quer estejam num trono ou na miséria extrema, mas, ah! Poucos sofrem bem, poucos compreendem que somente as provas bem suportadas podem conduzir ao Reino de Deus.

O desânimo é uma falta; Deus vos nega consolações, se não tiverdes coragem. A prece é um sustentáculo da alma, mas não é suficiente por si só; é necessário que se apoie numa fé ardente na bondade de Deus.

Tendes ouvido frequentemente que Ele não põe um fardo pesado em ombros frágeis. O fardo é proporcional às forças, como a recompensa será proporcional à resignação e à coragem.

A recompensa será tanto mais esplendente quanto mais penosa tiver sido a aflição. Mas essa recompensa deve ser merecida, e é por isso que a vida está cheia de tribulações.

“O militar que não é enviado à frente de batalha não fica satisfeito, porque o repouso no acampamento não lhe proporciona nenhuma promoção”.

Sede como o militar, e não aspireis a um repouso que enfraqueceria o vosso corpo e entorpeceria a vossa alma. Ficai satisfeitos, quando Deus vos envia à luta.

Essa luta não é o fogo das batalhas, mas as amarguras da vida, onde muitas vezes necessitamos de mais coragem que num combate sangrento, pois aquele que enfrenta firmemente o inimigo poderá cair sob o impacto de um sofrimento moral.

O homem não recebe nenhuma recompensa por essa espécie de coragem, mas Deus lhe reserva os seus louros e um lugar glorioso.

Quando vos atingir um motivo de dor ou de contrariedade, tratai de elevar-vos acima das circunstâncias. E quando chegardes a dominar os impulsos da impaciência, da cólera ou do desespero, dizei, com justa satisfação: “Eu fui o mais forte”.

“Bem-aventurados os aflitos, pode, portanto, ser assim traduzido: Bem-aventurados os que têm a oportunidade de provar a sua fé, a sua firmeza, a sua perseverança e a sua submissão à vontade de Deus, porque eles terão centuplicadas as alegrias que lhes faltam na Terra, e após o trabalho virá o repouso”. (E.S.E. Cap. V, item 18).
A mensagem de Lacordaire, acima reproduzida, traz à tona o problema do sofrimento, que vemos hoje em dia atingir praticamente a todos, das mais variadas formas.

A maioria dos seres humanos ainda não é capaz de enfrentar a dor com resignação. Antes, o que se vê é o inconformismo, a queixa intérmina, o abatimento sem limites.

É necessário habituar-se à oração, como um canal de comunicação direta com Deus. Mas, também é indispensável uma fé ardente no Criador, pois sem ela, a prece apenas sairá dos lábios e não do coração.

É preciso entender que muitas vezes o mal, a dor, o sofrimento, são os remédios de que necessitamos para a cura dos nossos males, cuja origem encontra-se na alma. Todavia, não devemos provocar a dor, para não sofrer-lhe as consequências, nem ter motivos para queixas, pois esta é um ato de insubmissão às leis divinas.

BIBLIOGRAFIA:

Kardec, Allan - O Evangelho Segundo o Espiritismo

QUESTIONÁRIO:

1 - Quem são os aflitos bem-aventurados a que Jesus se refere nos Evangelhos?

2 - O que é a verdadeira luta, segundo a instrução de Lacordaire?

3 - Como entender a prece, em face das aflições?

terça-feira, 10 de setembro de 2013

12ª AULA PARTE A CURSO PREPARATÓRIO DE ESPIRITISMO - FEESP

O SUICÍDIO

O suicídio pode ser definido como a destruição direta da vida por impulso próprio.

O suicídio voluntário é uma transgressão da lei divina. (L.E. 944).

Sua causa geral é o descontentamento.

Muitos, porém são os motivos que podem levar o indivíduo ao suicídio, tais como a ociosidade, a falta de fé, a própria sociedade, a descrença na eternidade, o pensamento de que tudo pode acabar com a vida; a simples dúvida quanto ao futuro e, principalmente, as ideias materialistas, que não oferecem ao homem nenhuma alternativa de solução para os seus problemas mais prementes; são “os maiores incentivadores do suicídio: elas produzem a frouxidão moral”.

Há, ainda, alguns outros casos, de ordem mais particular, que costumam levar seres humanos ao suicídio. O homem que se vê envolvido em escândalo trazido a público, por vergonha dos filhos e da família muitas vezes é levado ao ato extremo. Aquele que perde entes queridos, por vezes sente-se impulsionado ao suicídio. O que toma conhecimento de uma doença grave, que para a medicina terrestre não tem cura, entrevendo a “morte inevitável e terrível”, pode deixar-se tomar pela ideia de suicídio. Há também os que, por puro orgulho, sacrificam a vida para salvar a de outros, embora sem nenhuma possibilidade de sucesso.

Não se pode esquecer dos que abreviam sua vida através dos vícios, dos excessos da alimentação e do sexo, por imprudência, por imperícia, por omissão. E hoje, ainda, verifica-se a incidência de casos de suicídios em alguns grupos sociais específicos.

Embora haja muitos casos que se podem estudar de suicídio, eles podem ser classificados em dois grandes grupos: o direto (ou intencional), e o indireto.

Diversas são as consequências do ato; porém, a mais comum, “a que o suicida não pode escapar é o desapontamento” (L.E., 957), ou seja, o indivíduo chega a um resultado muito diverso daquele que imaginava atingir com o seu gesto tresloucado. Mas, “a sorte não é a mesma para todos, dependendo das circunstâncias. Alguns expiam sua falta imediatamente, outros numa nova existência, que será pior do que aquela cujo curso interromperam”.

O efeito mais grave do suicídio vem a ser o lesionamento do corpo espiritual, com a persistência mais prolongada e mais tenaz do laço que liga o Espírito ao corpo. Esse fato prolonga igualmente a perturbação espiritual, provocando a ilusão de que o Espírito ainda se encontra no número dos “vivos”. Por isso, também, alguns podem ressentir-se dos efeitos da decomposição de seu corpo, devido à sua falta de coragem e por uma espécie de apego à matéria.

Allan Kardec, em O Evangelho Segundo o Espiritismo, lembra que “o espírita tem, portanto, para opor à ideia do suicídio, muitas razões: a certeza de uma vida futura, na qual ele sabe que será tanto mais feliz quanto mais infeliz e mais resignado tiver sido na Terra; a certeza de que, abreviando sua vida, chega a um resultado inteiramente contrário ao que esperava; que foge de um mal para cair noutro ainda pior, mais demorado e mais terrível; que se engana ao pensar que, ao se matar, irá mais depressa para o céu; que o suicídio é um obstáculo à reunião, no outro mundo, com as pessoas de sua afeição, que lá espera encontrar.

De tudo isso resulta que o suicídio, só lhe oferecendo decepções, é contrário aos seus próprios interesses. (cap. V, item 17).

Há, todavia, alguns antídotos eficazes, que podem evitar esse mal terrível. Em primeiro lugar, está a prece, que restaura o bom ânimo e a vontade de realização. (Para o Espírito suicida, também, a prece funciona como um bálsamo, que o reergue e o prepara para as encarnações regenerativas).
O trabalho, em segundo lugar, que ajuda a vida escoar-se mais rapidamente, sem maiores turbulências, ajudando o homem a suportar suas vicissitudes com mais paciência e resignação, sem queixas. Deve-se observar ainda os meios possíveis da reta consciência, através de uma vida honesta, justa e acima de tudo evangelizada, isto é, à luz dos ensinamentos de Jesus, que é “o Caminho, a Verdade e a Vida”.

BIBLIOGRAFIA:

Kardec, Allan - O Livro dos Espíritos

Kardec, Allan - O Evangelho Segundo o Espiritismo

QUESTIONÁRIO:

1 - Quais são os principais casos de suicídio?

2 - Quais as principais consequências do suicídio?

3 - Quais os antídotos mais eficazes para evitar o suicídio?

terça-feira, 3 de setembro de 2013

11ª AULA PARTE B CURSO PREPARATÓRIO DE ESPIRITISMO - FEESP

PERDÃO DAS OFENSAS

Os ensinamentos de Jesus tinham um endereço certo: o coração humano. Mais do que à inteligência, o Divino Mestre falava ao sentimento. A resposta do Cristo a Pedro deve aplicar-se a cada um de nós, indistintamente: “Perdoarás, mas sem limites; perdoarás cada ofensa, tantas vezes quantas elas vos for feita; ensinarás a teus irmãos esse esquecimento de si mesmos, o qual nos torna invulneráveis às agressões, aos maus tratos e às injúrias; serás doce e humilde de coração, não medindo jamais a mansuetude; e farás, enfim, para os outros, o que desejas que o Pai celeste faça por ti.

Não tem Ele de te perdoar sempre, e acaso conta o número de vezes que o seu perdão vem apagar as tuas faltas”. (E.S.E.Cap. X, item14).

É essencial a prática do perdão irrestrito, da indulgência sem limite, da caridade desinteressada, da renúncia de si mesmo; em última análise, o exercício do amor ao máximo que pudermos, para que estejamos em condição de receber o perdão a que Jesus se refere na oração dominical.

“Ide, meus bem-amados, estudai e comentai essas palavras que vos dirijo, da parte d’Aquele que, do alto dos esplendores celestes, tem sempre os olhos voltados para vós, e continua com amor a tarefa ingrata que começou há mais dezoito séculos. Perdoai, pois, aos vossos irmãos, como tende necessidade de ser perdoados. Se os seus atos vos prejudicaram pessoalmente, eis um motivo a mais para serdes indulgentes, porque o mérito do perdão é proporcional à gravidade do mal, e não haveria nenhum em passar por alto os erros de vossos irmãos, se estes apenas vos incomodassem de leve”. (E.S.E., Cap. X, item 14).

O perdão irrestrito ensinado por Jesus não só se refere às vezes em que devemos exercitá-lo, mas também em relação a quem se deve externá-lo. De fato, o Cristo recomendou o perdão também aos nossos inimigos, o que representa uma superação das próprias imperfeições.

Se desejamos que nossas ofensas sejam perdoadas, não podemos ser intransigentes, duros, exigentes. Mesmo porque se fizermos um exame sincero de consciência, talvez cheguemos à conclusão de que fomos nós mesmos que provocamos a ofensa.
Muitas vezes, uma palavra mal empregada, uma opinião dada em momento inoportuno, uma reação mais ríspida, um gesto mal recebido, pode degenerar numa antipatia, numa inimizade, numa aversão ferrenha.

“Mas há duas maneiras bem diferentes de perdoar: há o perdão dos lábios e o perdão do coração”. Muitos dizem do adversário: “Eu lhe perdoo”, enquanto, interiormente, experimentam um secreto prazer pelo mal que lhe acontece, dizendo-se a si mesmo que foi bem merecido.

Quando dizem: “Perdoo”, e acrescentam: mas jamais me reconciliarei; não quero vê-lo pelo resto da vida!” É esse perdão segundo o Evangelho? Não.

O verdadeiro perdão, o perdão cristão, é aquele que lança um véu sobre o passado. É o único que vos será levado em conta, pois Deus não se contenta com as aparências; sonda o fundo dos corações e os mais secretos pensamentos e não se satisfaz com palavras e simples fingimentos.

O esquecimento completo e absoluto das ofensas é próprio das grandes almas; o rancor é sempre um sinal de baixeza e de inferioridade.

Não esqueçais que o verdadeiro perdão se reconhece pelos atos, muito mais do que pelas palavras”, conforme a sábia mensagem do Apóstolo Paulo (E.S.E. Cap. X, item 15).

Portanto, é preciso saber perdoar, principalmente com a sinceridade e gestos largos, para que nenhum resíduo de mágoa possa resistir ao impulso de bondade do coração.

BIBLIOGRAFIA:

Kardec, Allan - O Evangelho Segundo o Espiritismo

QUESTIONÁRIO:

1 - Quais são os limites do perdão, segundo Jesus?

2 - Como devemos ver o perdão aos nossos inimigos?

3 - De que maneira podemos perdoar?

terça-feira, 27 de agosto de 2013

11ª AULA PARTE A CURSO PREPARATÓRIO DE ESPIRITISMO - FEESP

OBSESSÃO e DESOBSESSÃO

Na primeira linha das dificuldades práticas do Espiritismo deve-se colocar necessariamente a obsessão, que é o “domínio que alguns Espíritos podem adquirir sobre certas pessoas”, como bem o conceituou Allan Kardec em O Livro dos Médiuns, Cap. XXIII, item 237.

Trata-se, portanto, de problema crucial no campo da fenomenologia espírita, no que diz respeito à influência oculta dos Espíritos sobre os nossos pensamentos e as nossas ações, produzindo um conjunto de fenômenos designado genericamente por obsessão. Ela consiste na tenacidade de um Espírito do qual não se consegue desembaraçar (idem, n. 238).

Esse domínio parte sempre de Espíritos inferiores, já que os bons nunca exercem nenhum tipo de constrangimento sobre os demais: “Os bons aconselham, combatem a influência dos maus e, se não os escutam, preferem retirar-se”. Os maus, pelo contrário, agarram-se aos que conseguem prender.

Se chegam a dominar alguém, identificam-se com o Espírito da vítima e a conduzem como se faz com uma criança. Não se trata de um problema novo, visto que a Bíblia, no Velho e no Novo Testamentos, registra casos dessa natureza em seus livros.

Em virtude do grau de constrangimento e da natureza dos efeitos que este produz, podemos classificar esse conjunto de fenômenos como: obsessão simples, fascinação e subjugação.

No primeiro caso, o Espírito malfazejo impõe-se a um encarnado ou a um médium, de forma desagradável, dificultando as comunicações com os Espíritos sérios ou com os de nossa afeição.

Na fascinação, as consequências são muito mais graves, levando a vítima a aceitar as doutrinas mais absurdas e as teorias mais falsas, como sendo as únicas expressões da verdade.

Além disso, pode arrastá-la a ações ridículas, comprometedoras e até mesmo bastante perigosas (L.M., Cap. XXIII, item 239).

Finalmente, na subjugação ocorre “um envolvimento que produz a paralisação da vontade da vítima, fazendo-a agir malgrado seu”. Está se encontra, numa palavra, sob um verdadeiro “jugo”, que pode ser moral ou corpóreo, levando a vítima a atitudes absurdas ou aos atos mais ridículos que se possa imaginar, bem como a movimentos involuntários.

Trata-se, portanto, de um dos maiores escolhos da mediunidade, e um dos mais frequentes, constituindo-se “um obstáculo absoluto à pureza e veracidade das comunicações”.
A obsessão, via de regra, tem como causas gerais: problemas reencarnatórios; tendências viciosas; egoísmo excessivo; ambições desmedidas; aversão a certas pessoas; ódio; sentimentos de vingança; discussões e irritações; futilidades; apego ao dinheiro, etc...

Apesar do perigo da obsessão, que pode ser reconhecida por várias características, Kardec observa que não há nenhum inconveniente em ser médium, de vez que o Espiritismo pode servir de controle e preservar o médium do risco incessante a que se expõe. É preciso, para tanto, estudo e observação de certos cuidados para evitá-la ou tratá-la convenientemente, conforme o caso.

Assim é que, uma vez verificado o problema, há diversos meios de combatê-lo, variando de acordo com as características de que se revista a obsessão.

Para a obsessão simples, que não passa de um fato desagradável para o médium, Kardec aponta duas medidas essenciais: provar ao Espírito que não foi enganado por ele e que será impossível deixar-se enganar.

Deve-se, além disso, “apelar fervorosamente ao seu bom anjo e aos bons Espíritos que lhes são simpáticos, suplicando-lhes assistência” (L.M., Cap. XXIII, item 249).

Na fascinação, há uma só coisa a fazer: convencer a vítima de que foi enganada e reverter a sua obsessão ao grau de obsessão simples, o que nem sempre é fácil, senão impossível, dada a própria postura do obsedado, refratário a qualquer conselho ou orientação.

Quanto à subjugação corpórea, não se trata senão mediante a intervenção de uma terceira pessoa, por meio de magnetismo ou pela força da sua própria vontade.

Em todos os casos, as imperfeições morais do obsedado é que são frequentemente um obstáculo à sua libertação. São elas que dão acesso aos Espíritos obsessores.

 “O meio mais seguro de livrar-se deles é atrair os bons espíritos pela prática do bem”. (L.M.,Cap. XXIII, item 252).

A cura da obsessão, assim revela-se uma auto cura, que implica: confiança em Deus e nas forças naturais; vigilância dos pensamentos, sentimentos e palavras; reformulação do conceito de si mesmo, mudança na maneira de encarar os semelhantes; manter a mente arejada e o pensamento sempre elevado; desenvolver a fé.

Jesus, no Evangelho, ao proceder a uma cura, advertia o beneficiado: “Vá e não peques mais, para que te não suceda coisa pior” (Lc 5:14).

Está aí a necessidade de cada um de reforma interior e de evangelização de suas atitudes. Nossas provas não podem ser suprimidas pelos Espíritos, mas, na medida das oportunidades, devemos invocar o auxílio da Espiritualidade Superior: “Buscai e achareis; pedi e obtereis; batei e abrir-vos-á”, enfatizava o Divino Mestre (Mt 7:7), sintetizando nossa absoluta necessidade de oração e de vigilância permanentes.

BIBLIOGRAFIA:

Kardec, Allan - O Livro dos Médiuns

QUESTIONÁRIO:

1 - O que é obsessão?

2 - Quais os tipos de obsessão existentes?

3 - Como fazer para combatê-la convenientemente?

terça-feira, 20 de agosto de 2013

10ª AULA PARTE B CURSO PREPARATÓRIO DE ESPIRITISMO - FEESP

DAÍ DE GRAÇA O QUE DE GRAÇA RECEBESTES

“Curai os enfermos, ressuscitai os mortos, sarai os leprosos, expeli os demônios; daí de graça o que de graça recebestes”. (Mateus, X, 8).

“Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas, porque devorais as casas das viúvas, com pretextos de longas orações; por isso sofrereis um juízo mais rigoroso”. (Mateus, XXIII, 14).

“Daí de graça o que de graça recebestes”, disse Jesus aos discípulos, recomendando-lhes, dessa forma, que não aceitassem pagamentos pela dispensa dos bens, cuja obtenção nada lhes houvesse custado, isto é, que nada cobrassem dos outros por aquilo que não pagaram.

O que eles receberam, gratuitamente, foi a faculdade de curar doentes e expulsar os demônios, ou seja, os maus espíritos. Esse dom lhes fora dado de graça, para que aliviassem os que sofriam e ajudassem a propagação da fé e, por isso, lhes prescrevera o Mestre que não o transformassem em artigo de comércio ou de especulação e, muito menos, em meio de vida.

Também disse Jesus: “Não façais pagar as vossas preces; não façais como os escribas que, a pretexto de longas orações, devoram as casas das viúvas”.

A prece é um ato de caridade, um impulso do coração, e fazer alguém pagar por esse ato de intercessão junto a Deus, em favor de outrem, é transformar-se em intermediário assalariado, tornando-se, assim, a prece uma simples fórmula, dependente da soma recebida.

Deus não vende os benefícios que concede, e seria absurdo pensar que poderia subordinar um ato de clemência, de bondade e de justiça, solicitado a Sua misericórdia, a uma quantia em dinheiro.

A razão, o bom censo e a lógica dizem que Deus, a perfeição absoluta, não pode delegar à criatura imperfeita o direito de fixar um preço para a Sua Justiça. A justiça de Deus é como o Sol: para todo o mundo, tanto para o pobre como para o rico.

Os médiuns, intermediários entre a Espiritualidade e o mundo material, verdadeiras pontes de ligação entre dois planos de vida, são os intérpretes dos Espíritos para a instrução dos homens, para lhes mostrar o caminho do bem e trazê-los à fé, mas não para vender palavras que lhes não pertencem, de vez que não são o produto de sua concepção, nem de suas pesquisas, nem de seu trabalho pessoal.

A mediunidade séria não pode ser nem será jamais uma profissão, mesmo porque e, sobretudo no seu aspecto de concessão como prova, é uma faculdade essencialmente móvel e variável.

Não é, portanto, a mesma coisa que a capacidade adquirida pelo estudo e pelo trabalho, da qual se tem o direito de usar.

Sobretudo, a mediunidade curadora é que jamais deveria ser explorada, pois, como nenhuma outra, requer, com mais rigor, a condição de desprendimento e a capacidade de renúncia santificante.

O médium curador é o veículo para a transmissão do fluido salutar dos Bons Espíritos e, nestas condições, jamais tem o direito de o vender.

BIBLIOGRAFIA:

Novo Testamento - I Epístola aos Coríntios

Kardec, Allan - O Livro dos Médiuns

Kardec, Allan - O Evangelho Segundo o Espiritismo

QUESTIONÁRIO:

1 - Explique a frase de Jesus: "Dai de graça o que de graça  recebeste".
2 - Como pode ser encarada a mediunidade séria?

3 - Na sua opinião, o que é um bom médium?

terça-feira, 13 de agosto de 2013

10ª AULA PARTE A CURSO PREPARATÓRIO DE ESPIRITISMO - FEESP

NOÇÕES SOBRE MEDIUNIDADE

Mediunidade é a faculdade, ou aptidão, que possuem certos indivíduos, denominados médiuns, de servirem de intermediários entre os mundos físico e espiritual.

A mediunidade é inerente ao organismo, como a visão, a audição e a fala, daí, qualquer um pode ser dotado dessa faculdade.

É uma conquista da alma; daí, a necessidade de oração e vigilância, de reforma íntima, isto é, da substituição de defeitos e vícios, por qualidades e virtudes, de uma conduta moral irrepreensível, para que possa sintonizar-se com espíritos de hierarquia mais elevada.

Evangelizando-se, estudando muito, dando a cota de tempo de que possas dispor e, principalmente, seguindo lições como a que se encontra no capítulo XXVI, do Evangelho Segundo o Espiritismo “Daí de graça o que de graça recebestes”.

Na I Epístola de Paulo de Tarso aos Coríntios, temos lições sobre teoria e prática mediúnica.

Em O Livro dos Médiuns, Kardec também o faz. De ambos, as lições “Os Dons Mediúnicos” demonstram a inteligência, as potencialidades, a diversidade de Espíritos que existem na Terra.

Não é bastante, por isso, estudar ou conhecer o efeito; é indispensável buscar e conhecer a causa de todos os fenômenos que se vão estudando. Toda a mediunidade a serviço de Jesus é realizada pelos Espíritos mais evoluídos que sintonizam com cada médium, conforme sua capacidade de doação.

Paulo traz ensinamentos de imenso valor doutrinário: “Quanto aos dons mediúnicos, não quero, irmãos, que estejais em ignorância”, começa ele no cap. 12. Explica a diversidade de carismas, mas o Espírito é o mesmo; diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo; diversidade de operações, mas é o mesmo Deus, que opera em todos.

Prossegue falando da mediunidade de vidência e xenoglossia, dizendo que não basta haver médiuns em sintonia, é preciso haver pessoas em estado de lucidez que orientem os trabalhos, dialoguem com os Espíritos e interpretem o que haviam dito.

Todas as formas de mediunidade são necessárias; nenhuma faculdade é superior à outra; são todos indispensáveis ao bom andamento dos trabalhos, até as mais humildes tarefas.

Não há ninguém mais importante, porque todos são importantes, mas cada um deve ter a sua tarefa específica e por vezes até certa hierarquia em favor da disciplina, pois tudo deve ser feito dentro da mais absoluta ordem.

Allan Kardec, no século XIX, e os espíritas do século XX, reexaminam incessantemente as fontes do Cristianismo primitivo, buscando ali as lições que os inspirem. Hoje ainda temos as preocupações de Paulo.

“Orar e vigiar” é a maior delas.

Cada um de nós é o único responsável pela valorização das oportunidades ofertadas por Deus.

Paulo classifica a mediunidade, discorre sobre a hierarquia das funções, fala sobre o exercício da mediunidade e escreve sobre a “excelência da caridade”, no Cap. 12. Por que o ensaio sobre o amor é inserido no contexto de uma dissertação sobre a mediunidade?

Porque Paulo compreendeu profundamente esta verdade: “Se eu falar a língua dos homens e dos anjos e não tiver caridade, sou como um metal que soa, ou como o sino que tine. E se tiver o dom da profecia e penetrar todos os mistérios, mas não tiver a caridade, nada sou”.

Entre estas três virtudes: a fé, a esperança e a caridade, a mais excelente é a caridade”. Coloca assim, a caridade acima da própria fé. O exercício da mediunidade sem o amor, é frio e inócuo.

Emmanuel, em O Consolador, respondendo a questões afirma: A maior necessidade do médium é evangelizar-se a si mesmo, antes de se entregar às grandes tarefas doutrinárias, pois, de outro modo, poderá esbarrar sempre com o fantasma do personalismo, em detrimento de sua missão. “O primeiro inimigo do médium reside nele mesmo”.

Frequentemente é o personalismo, a ambição, a ignorância ou a rebeldia no voluntário desconhecimento dos seus deveres à luz do Evangelho, fatores de inferioridade moral que, não raro, conduzem à invigilância, à leviandade e à confusão dos campos improdutivos.

Contra esse inimigo é preciso movimentar as energias íntimas pelo estudo, pelo cultivo da humildade, pela boa vontade, com o melhor esforço de autoeducação, à claridade do Evangelho.

BIBLIOGRAFIA:

Kardec, Allan - O Evangelho Segundo o Espiritismo

Xavier, F. C. - O Consolador

QUESTIONÁRIO:

1 - O que é mediunidade?

2 - Qual o principal inimigo do médium?

3 - Na sua opinião, por que o médium deve evangelizar-se?

terça-feira, 6 de agosto de 2013

9ª AULA PARTE B CURSO PREPARATÓRIO DE ESPIRITISMO - FEESP

Parábola do Bom Samaritano

E eis que se levantou um certo doutor da lei, tentando-o e dizendo: Mestre, que farei para herdar a vida eterna?

E ele lhe disse: Que está escrito na lei: Como lês? E respondendo ele, disse: Amarás o Senhor teu Deus de todo o coração, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento e ao teu próximo como a ti mesmo. E, disse-lhe: Respondeste bem; faze isto e viverás. Ele, porém, querendo justificar-se a si mesmo, disse a Jesus: E quem é o meu próximo?
E, respondendo Jesus, disse: Descia um homem de Jerusalém para Jericó, e caiu nas mãos dos salteadores, os quais o despojaram, e espancando-o, se retiraram, deixando-o meio morto.

E, ocasionalmente descia pelo mesmo caminho certo sacerdote; e, vendo-o, passou ao largo.

E de igual modo também um levita, chegando àquele lugar, e, vendo o, passou de largo. Mas um samaritano, que ia de viagem, chegou ao pé dele e, vendo-o, moveu-se de íntima compaixão.

E, aproximando-se, atou-lhe as feridas, deitando-lhes azeite e vinho; e pondo sobre sua cavalgadura, levou-o para uma estalagem e cuidou dele. Partindo no outro dia, tirou dois dinheiros, deu-os ao hospedeiro, e disse-lhe: Cuida dele; e tudo o que de mais gastares eu te pagarei quando voltar.

“Qual, pois, destes três, te parece que foi o próximo daquele que caiu nas mãos dos salteadores? E ele disse: o que usou de misericórdia para com ele. Disse, pois, Jesus: Vai, e faze da mesma maneira”. (Lucas, 10:25-37).

Indaga-se pela ortodoxia da fé? Faz-se alguma distinção entre o que crê de uma maneira e o que crê de outra? Não, pois Jesus coloca o samaritano (considerado herético), que tem amor ao próximo, sobre o ortodoxo a quem falta caridade; Jesus não faz da caridade uma das

condições da salvação, mas a única. Se ele coloca a caridade na primeira linha entre as virtudes, é porque ela encerra implicitamente todas as outras: a humildade, a mansidão, a benevolência, a justiça, etc.; e porque é ela a negação absoluta do orgulho e do egoísmo.

Amor e Sabedoria

Hoje, procuramos entender o que significam vários daqueles personagens citados por Jesus na “Parábola do Bom Samaritano”.

Cairbar Schutel, diz ser o viajante ferido, a Humanidade saqueada de seus bens espirituais e de sua liberdade, pelos poderosos do mundo; o sacerdote e o levita, aqueles que não se preocupam com os interesses da coletividade; o samaritano que se aproximou e atou as feridas, é Jesus.

O azeite, o símbolo da fé, e, o vinho, é o espírito da sua Palavra; os dois dinheiros são a caridade e a sabedoria.

Amor e Sabedoria, as duas asas simbólicas, que o Espírito, meditando e agindo no bem, pouco a pouco vai tecendo, e com que, mais tarde, desferirá venturosamente os voos sublimes e supremos, na direção da eternidade.

Mais de dois mil anos se passaram e aqui retornamos sucessivas vezes para este Planeta, que é uma escola, a fim de conquistarmos a sabedoria e o amor (as duas asas), com que nos alçaremos ao Reino de Deus, que é Liberdade e Felicidade.

A simbologia dessas asas (do Amor e Saber) conseguimos após buscarmos nos esclarecer, aprender, interpretar, ouvir e aplicar; após obtermos o Conhecimento (não “livresco”, puramente intelectual dos modismo da época em que vivemos) que, aplicado sob a forma de caridade, é o amor em ação.

Amor é o que buscamos ter hoje, não somente pelos mais próximos, mas aplicando os ensinamentos de Jesus, com a visão de quem encontra em sua Estrada de Damasco, a oportunidade de tirar dos olhos as escamas do orgulho e das vaidades desmedidas do passado, após séculos de obscurecimento do Espírito.

Muitos cresceram ao praticar o bem, com o uso do livre-arbítrio; outros, ainda hoje estão lendo as páginas belíssimas em que se afirma que Fora da Caridade não há Salvação, e há os que desejam ser os samaritanos de hoje e que sabem também, que o verdadeiro espírita e o verdadeiro cristão, são uma só pessoa.

BIBLIOGRAFIA:

Kardec, Allan - O Evangelho Segundo o Espiritismo

Schutel, Cairbar - Parábolas e Ensinos de Jesus

Xavier, F.C. - Roteiro

QUESTIONÁRIO:

1 - Por que devemos cultivar o amor e o saber?

2 - Por que Jesus narrou a "Parábola do Bom Samaritano"?

3 - Na sua opinião, qual a principal lição desta parábola?