CARACTERÍSTICAS BÁSICAS DO ESPÍRITA: PACIÊNCIA, INDULGENCIA, FÉ, HUMILDADE, DIGNIDADE E CARIDADE.

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

16ª Aula Parte A – CURSO APRENDIZES DO EVANGELHO 2º ANO – FEESP

As Epístolas Do Novo Testamento

Introdução

O Novo Testamento é composto pelos quatro Evangelhos, pelo livro profético do Apocalipse e pelo conjunto das epístolas.

Epístolas são cartas que foram escritas por alguns dos apóstolos e seguidores de Jesus, destinadas aos cristãos. São 21 cartas no total: 14 de Paulo, 2 de Pedro, 3 de João, 1 de Judas e 1 de Tiago.

Das 14 cartas de Paulo, 1 foi dirigida às comunidades específicas por ele fundadas; 3 epístolas, chamadas pastorais, foram escritas a Timóteo (2) e a Tito (1); e há, ainda, 1 carta pessoal endereçada a Filêmon.

Muitas cartas que circulavam pela cristandade, e eram atribuídas aos apóstolos, foram catalogadas como apócrifas, ou seja, não foram consideradas autênticas pelos concílios. Exemplos: carta de Paulo aos Laodicenses, correspondência entre Paulo e Sêneca, epístola de Barnabé, carta de Pedro a Tiago.

AS CARTAS DE PAULO

Noticias da Espiritualidade

Paulo, o grande apóstolo dos gentios, tinha uma terna solicitude por todos os núcleos cristãos. Em seu ardor missionário, o intrépido trabalhador, após verificar que as sementes do Evangelho já haviam germinado em terra fértil, partia em demanda de outras terras, como dizia ele, para desbravar caminhos e ensolarar corações com as benesses da Boa Nova.

No entanto, inúmeras solicitações chegavam de suas igrejas amadas, pedindo a sua presença, as suas orientações, os seus conselhos. Importante é ressaltar que Paulo, em seus escritos, refere-se constantemente as igrejas cristãs. Quando usava esse termo “igreja”, em verdade, estava designando as diversas comunidades cristãs que haviam se formado.

Conta-nos Emmanuel, em “Paulo e Estevão”, capitulo VII, 2ª parte, que os assuntos eram urgentes e variados. Os irmãos carinhosos e confiantes contavam com a sua dedicação.

Como atender a todos? Buscava na luz da oração a inspiração necessária... E uma Voz fazia-se ouvir, trazendo-lhe a solução almejada: “Poderás resolver problema escrevendo a todos os irmãos em meu nome; os de boa-vontade saberão compreender porque o valor da tarefa não está na presença pessoal do missionário, mas no conteúdo espiritual do seu verbo, da sua exemplificação e da sua vida. Doravante, Estevão permanecerá mais conchegado a ti, transmitindo-te meus pensamentos, e o trabalho de evangelização poderá ampliar-se em benefício dos sofrimentos e das necessidades do mundo”.

Assim, prossegue Emmanuel, começou o movimento dessas cartas imortais, cuja essência espiritual provinha da esfera do Cristo, através da contribuição amorosa de Estevão.

Embora destinadas às igrejas específicas, seu conteúdo dirige-se aos cristãos de todos os tempos. As epístolas não constituem tratados teológicos; na realidade, são escritos que respondem a situações concretas, fruto das solicitações ou necessidades das igrejas.

No entanto, ao lado das respostas as situações específicas, em todas Paulo abordava os seguintes temas fundamentais:

- a imortalidade da alma, comprovada pela “ressurreição” de Jesus,

- a Lei do Amor, revelada pelo Mestre como caminho para Deus,

- a necessidade da renovação interior como condição essencial para seguir os passos de Jesus.

Do conjunto de 14 epístolas, 9 serão abordadas com mais profundidade, em função da abrangência do programa. Quanto às demais, faremos a seguir uma breve apresentação.

EPÍSTOLA AOS TESSALONICENSES

Paulo escreveu duas epístolas aos Tessalonicenses. Escritas em Corinto, por volta de 51 d.C., foram as primeiras epístolas escritas por Paulo e são, provavelmente, os documentos cristãos mais antigos.

Cartas de Paulo às comunidades pastorais e pessoal:

Tessalonicences 1 e 2

Colossenses

Coríntios 1 e 2

Romanos

Efésios

Gálatas

Hebreus

Filipenses

Timóteo 1 e 2

Tito

Filêmon

Paulo, Silas, Lucas e Timóteo deram os primeiros passos para instituir uma comunidade Crista em Tessalônica, durante a 2ª viagem missionária. Tessalônica era a cidade mais populosa da Macedônia, até o século III d.C.

O tema central das duas cartas decorre de questões levantadas pela comunidade sobre a ‘segunda vinda’ do Cristo e o consequente dia do ‘juízo final’.

Neste ponto, precisamos observar que, especialmente no primeiro século, era corrente a crença que o Cristo retomaria em breve (segunda vinda).

Em ambas as cartas, o conteúdo da resposta de Paulo está em conformidade com o Sermão Profético proferido por Jesus, contido no capitulo 24 do Evangelho de Mateus.

Nestas epístolas, Paulo enaltece a fé que havia entre eles e procura encorajá-los a perseverarem, apesar das tribulações; exorta-os, ainda, a prática do bem e, cada vez mais, a busca do progresso espiritual.

A Primeira Carta

Na comunidade de Tessalônica, o destino daqueles que haviam morrido antes da esperada volta de Jesus havia se tornado uma grande preocupação. Então, nesta 1ª Carta, Paulo procura dissipar essa inquietação.

Primeiramente, Paulo reafirma que a “ressurreição” dos mortos é uma realidade, e, que por ocasião da segunda vinda de Jesus, tanto os que morreram após se renovarem com a mensagem do Cristo, assim como os que estavam vivos e praticando os seus ensinamentos, todos eles se encontrariam com o Mestre e: “assim, estaremos para sempre com Senhor. Consolai-vos, pois, uns aos outros com estas palavras” (I Ts 4:17-18).

Não sabemos quando se dará a vinda de Jesus, diz Paulo: “Portanto, não durmamos, a exemplo dos outros; mas vigiemos e sejamos sóbrios. Quem dorme, dorme de noite; quem se embriaga, embriaga-se de noite. Nós, pelo contrário, que somos do dia, sejamos sóbrios. Revestidos da couraça da fé e da caridade e do capacete da esperança da salvação.” (I Ts 5:6-8).

A Segunda Carta

Após a 1ª epístola, ainda havia certa ansiedade quanto à data em que Jesus viria, a qual se acreditava ser iminente. Este será tema central da 2ª epístola.

“Quanta a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, e à nossa reunião com ele, rogamo-vos, irmãos, que não percais tão depressa a serenidade de espírito, e não vos perturbeis nem por palavra profética, nem por carta que se diga vir de nós, como se o Dia do Senhor já estivesse próximo.” (II Ts 2:1-2).

Importante destacar a recomendação de Paulo quanto à necessidade de analisar o conteúdo das comunicações espirituais à luz dos ensinamentos que ele ministrava (concordes com as revelações de Jesus) e de rejeitar as comunicações espirituais, cujo teor se apresentasse divergente destes ensinamentos.

Quando se daria a vinda do Senhor?

Paulo afirma que a vinda de Jesus será precedida de muitos sinais: ocorrerá o esfriamento da fé e, então, Homem tornar-se-á ímpio, ou seja, descrente e impiedoso. E todos os que se deixarem seduzir pelo ímpio e praticarem a injustiça serão condenados.

Paulo alertava para a necessidade da vigilância em relação àqueles que mesmo produzindo prodígios eram em verdade, falsos profetas.

É importante ressaltar que a linguagem utilizada para descrever a segunda vinda do Cristo e o juízo final é simbólica. Daí o imperativo de tirar véu da letra para interpretar segundo espírito que vivifica, ou seja, buscando a essência espiritual.

O segundo advento do Cristo e juízo final, temas que estão interligados, foram objeto de analise de Kardec em “A Gênese”, capitulo XVII, item 45:

“Jesus anuncia Seu segundo advento, mas não diz que voltará a Terra com um corpo carnal, nem que o Consolador será personificado n’Ele. Ele se apresenta como devendo vir em Espírito, na glória de Seu Pai, julgar mérito e demérito, e recompensar a cada um segundo suas obras, quando os tempos se completarem... ”

E no item 67 afirma:

“A qualificação de juízo final não é exata, já que os Espíritos passam por semelhante tribunal a cada renovação dos mundos que habitam, até que tenham atingido certo grau de perfeição. Não existe, portanto, para falar propriamente, juízo final, mas Existem juízos gerais em todas as épocas de renovação parcial ou total da população dos mundos, em consequência das quais se operam as grandes emigrações ou imigrações de Espíritos”.

EPÍSTOLA AOS GÁLATAS

Logo depois que Paulo fundou as igrejas da Galácia, os chamados “judaizantes” começaram a pregar um evangelho diferente dos ensinamentos de Jesus, semeando confusão e divisão nas comunidades. Os “judaizantes” eram judeus convertidos ao Cristianismo, que preconizavam a necessidade de submeter os gentios a circuncisão e a observância da Lei Mosaica.

Em função disto, Paulo escreveu a epístola aos Gálatas. É uma carta de repreensão, pois parte dos gálatas estavam sendo desleais ao Evangelho ministrado por ele. Nesta Carta, Paulo reafirma sua autoridade apostólica, esclarece uma vez mais os pontos fundamentais do Evangelho e solicita a eles que retomem os seus ensinamentos.

A divisão que vinha ocorrendo não se justificava, pois Jesus abolira a separação que existia entre os homens:

“Não há judeu nem grego, não há escravo nem livre, não há homem, nem mulher; pois todos vós sóis um só em Cristo Jesus.” ( Gl 3:28).

Jesus revelou que o plano da redenção, da “salvação” é para todos, pois Deus não faz distinção entre as pessoas. Com Jesus, compreendemos que se faz necessário libertarmo-nos de crenças antigas, sobretudo a crença de que simplesmente o cumprimento de rituais exteriores pode conduzir Homem a Deus: “Pois, em Cristo Jesus, nem a circuncisão tem valor; nem a incircuncisão, mas apenas a fé agindo pela caridade”. (Gl 5:6; grifo nosso).

Paulo conclama os cristãos a edificação do homem novo pela prática da caridade: “Pois toda a Lei está contida numa só palavra: “Amarás a teu próximo como a ti mesmo.” (Gl 5:14).

EPÍSTOLA AOS COLOSSENSES

Esta epístola foi escrita a igreja de Colossas, no vale do Lico, província da Ásia Menor. Foi escrita de Roma, por volta do ano 61 d.C. Esta comunidade não foi fundada por Paulo, mas graças aos esforços de Epafras, um de seus colaboradores que, visitando Paulo, trouxe-lhe noticias do progresso do Evangelho no vale do Lico. Entretanto, a igreja também sofria a influência de elementos perturbadores, que poderiam subverter Evangelho.

A carta foi escrita em resposta a esta necessidade urgente de orientá-los. A perturbação provinha, uma vez mais, de falsos doutores que, neste caso, estavam misturando a Lei Mosaica e ao Evangelho uma série de crenças originárias do Paganismo, como culto aos anjos e as forças cósmicas, a observância concernente ao calendário com relação às datas de festas, de luas novas, e também sobre regras alimentares, etc.

Esses doutores, assim, referendavam a autoridade dos seus ensinamentos nessas tradições. Eles alegavam que o Homem alcançaria a salvação através da observância a esses preceitos e práticas litúrgicas e místicas.

Paulo afirma que Jesus trouxe a reconciliação entre os homens, ensinando que Amor conduz a Deus:

“Portanto, assim como recebestes a Cristo Jesus Senhor assim nele andai...” (Cl 2:6).

Em relação àqueles que prosseguiam insistindo na necessidade do cumprimento de regras exteriores, Paulo adverte: “Tomai cuidado para que ninguém vos escravize por vãs e enganosas especulações da ‘filosofia’, segundo a tradição dos homens, segundo os elementos do mundo, e não segundo Cristo.” (Cl 2:8).

“Tudo isso está fadado ao desaparecimento por desgaste como preceitos e ensinamentos dos homens.” (Cl 2:22).

Quanto às palavras de Jesus, são palavras de vida eterna. Portanto, que: “A Palavra de Cristo habite em vós ricamente...” (Cl 3:16).

EPÍSTOLA A FILÊMON

A carta foi escrita entre 58 a 61 d.C, em Roma, onde Paulo encontrava-se preso e foi endereçado a Filêmon, abastado cristão de Colossas, Nesta carta, Paulo intercede por Onésimo, escravo de Filêmon, que havia de algum modo lhe causado dano.

De acordo com as leis que regiam a escravidão, Paulo sabia que Onésimo precisava ser devolvido ao seu senhor. Na carta, Paulo implora a Filêmon, que perdoe Onésimo, reconhecendo-o como um irmão na fé e pede que o liberte para que ele pudesse continuar a servir com ele. A pedido de Paulo, a reconciliação entre Filêmon e Onésimo deu-se nos princípios do amor e do perdão.

QUESTÃO REFLEXIVA:

Comente a importância que tiveram as Cartas de Paulo.


Fonte da imagem: Internet Google.

terça-feira, 12 de setembro de 2017

15ª Aula Parte B – CURSO APRENDIZES DO EVANGELHO 2º ANO – FEESP

Paulo, O Apóstolo Dos Gentios

Paulo é uma das figuras mais extraordinárias do Cristianismo nascente. Seu trabalho foi monumental. Após sua conversão ele empenharia todo seu Ser na causa abraçada.

Propagar o Evangelho entre os povos pagãos do ocidente e do oriente seria seu ideal, e para isso Paulo realizará três grandes missões; sairá em jornadas para alcançar terras longínquas, enfrentaria povos bárbaros, populações hostis, autoridades impiedosas e cruéis... Mas não se abateria jamais...

PRIMEIRA VIAGEM MISSIONÁRIA (At 13 e 14)

“Havia em Antioquia, na Igreja local, profetas e doutores: Barnabé, Simeão cognominado Níger; Lúcio de Cirene, e ainda Manaém, companheiro de infância do tetrarca Herodes, e Saulo. Celebrando eles culto em honra do Senhor e jejuando, disse-lhes o Espírito Santo: ‘Separai para mim Barnabé e Saulo, para a obra a qual os destinei ’. Então, depois de terem jejuado e orado, impuseram-lhes as mãos e despediram-nos.” (At 13:1-3).

Por Volta do ano 40 d.C., Paulo, que ainda se chamava Saulo, encontrava-se na igreja (comunidade) de Antioquia, celebrando o culto e jejuando, conforme costume da época.

Durante o culto, ocorre uma manifestação mediúnica, e, então, ouve-se: “Separai para mim Barnabé e Saulo, para a obra à qual os destinei”.

O chamado fora feito. Não havia equívoco. Ali, Paulo recebera sua incumbência: deveriam, ele e Barnabé, seguir para anunciar a Boa Nova a outros povos. João Marcos, o jovem sobrinho de Barnabé, seria seu acompanhante.

Inspirados, felizes por serem convocados a servir o Mestre, iniciariam a primeira viagem apostólica. Seriam momentos marcados pela coragem, pela fé inabalável, pelo exemplo de plena devoção...

O ponto inicial foi à cidade de Antioquia da Síria. Foi nesta cidade, que segundo Emmanuel, Paulo abraçou Tito pela primeira vez. Dali partiriam e percorreriam inúmeras localidades, como: ilha de Chipre, Pafos, Panfília, Antioquia de Pisídia, Listra, e outras.

Em seu itinerário, alguns momentos seriam marcantes. Vejamos alguns deles:

A cura e a conversão do Procônsul Sérgio Paulo

Morava em Pafos o Procônsul Sérgio Paulo. Providencialmente, era o mesmo que havia conhecido Estevão, quando este era um prisioneiro nas Galeras.

Sérgio Paulo há quase um ano, encontrava-se novamente enfermo. Havia um mago judeu, chamado de Barjesus ou Elimas, que vinha lhe assistindo. Era, no entanto, um falso profeta.

Naquele cenário, Paulo e Barnabé, compareceram no palácio, a pedido do Procônsul, e o curaram. Agradecido, Sérgio Paulo converteu-se ao Cristianismo. Foi a partir desse episódio que Saulo adotou o nome romano de Paulo.

A desistência de João Marcos

A certa altura, quando Paulo e Barnabé decidiram dirigir-se para Antioquia de Pisídia, João Marcos desistiu de acompanhá-los e retomou a Jerusalém.

De fato, o caminho dos missionários é cheio de pedras e espinhos. O jovem sobrinho de Barnabé não suportou a aspereza da jornada. Seu momento ainda não havia chegado.

A cura de um coxo

Em Listra, ao encontrar um homem que era coxo de nascença, Paulo, movido por compaixão, e apercebendo-lhe a fé viva, dirigiu-lhe o olhar e lhe disse: “Levanta-te direito sobre teus pés!” (At 14:10); e no mesmo instante, num salto, curado, ele andou.

Aquele mesmo local seria palco de injúrias e agressões ao grande apóstolo. Ele seria apedrejado e expulso da cidade. Mas, pela sua determinação, pela sua fé, isso não o faria desistir de sua missão. Ele iria até o final.

CONCÍLIO DE JERUSALÉM (At 15:1-34)

“Entretanto, haviam descido alguns da Judéia e começaram a ensinar os irmãos: Se não vos circuncidardes segundo a norma de Moisés, não podereis salvar-vos”. Surgindo daí uma agitação e tornando-se veemente a discussão de Paulo e Barnabé com eles, decidiu-se que Paulo e Barnabé e alguns outros dos seus, subiriam a Jerusalém, aos apóstolos e anciãos, para tratar da questão.

Tornando-se acesa a discussão, levantou-se Pedro e disse: ‘Irmãos, vos sabeis que, desde os primeiros dias, aprouve a Deus, entre vós, que por minha boca ouvissem os gentios a palavra da Boa Nova e abraçassem a fé. Ora, o conhecedor dos corações, que é Deus, deu testemunho em favor deles, concedendo-lhes o Espírito Santo assim como a nós. Não fez distinção alguma entre nós e eles, purificando seus corações pela fé. Agora, pois, porque tentais a Deus, impondo ao pescoço dos discípulos um jugo que nem nossos pais nem mesmo nós podemos suportar? Ao contrário é pela graça do Senhor Jesus que nós cremos ser salvos, da mesma forma que eles.

Quando cessaram de falar Tiago tomou a palavra, dizendo: ‘... Eis porque, pessoalmente, julgo que não se devam molestar aqueles que dentre os gentios, se convertem a Deus. Mas se lhes escreva que se abstenham do que está contaminado pelos ídolos, das uniões ilegítimas, das carnes sufocadas e do sangue’. (At 15: 1-20).

Concílio é uma assembleia, uma reunião, convocada para se decidir sobre uma questão doutrinária, sobre um dogma, sobre uma regra que esteja em vigor, sobre um princípio teológico. Ao final dos debates chega-se, então, a um consenso sobre certo assunto, ao qual, de regra, as partes aceitam e se resignam.

Esse Concílio de Jerusalém tinha por objetivo principal a decisão sobre a imposição ou não de costumes judaicos aos recém-convertidos, muitos deles não judeus. Entre esses costumes destacava-se a circuncisão.

A circuncisão é um ritual previsto no Antigo Testamento (Lv 12:3), que devia ser realizado em todas as crianças do sexo masculino, no oitavo dia de vida, e consistia em retirar parte da pele que cobre a glande do órgão genital. Simbolizava a aliança de Deus com Abraão, sendo perpetuada por seus descendentes.

Na época do Cristianismo nascente, duas correntes polarizavam-se. Uma pela manutenção, outra pela não exigência da imposição de tal costume aos novos convertidos.

Neste Concilio, destaca-se a presença ponderada e conciliadora do apóstolo Pedro. Pedro, por certo, ainda trazia consigo a imagem amorosa do Mestre. A inquirição direta, sem subterfúgios: “Pedro, filho de João, tu me amas mais do que estes?” Segue a sua resposta clara e firme: “Sim, Senhor sabes que te amo”. O doce apelo do Mestre chega-lhe aos ouvidos: “Apascenta meus cordeiros”.

E assim, Pedro o fez. Não havia sido nada fácil, desde os primeiros tempos, manter os companheiros unidos diante das cruéis perseguições sofridas. Porém, agora, uma nova tormenta formava-se no horizonte: posições extremadas de amigos tão próximos, tão dedicados a Causa do Mestre. O que fazer?

Paulo havia trazido um novo dinamismo ao Cristianismo; seu verbo enérgico, sua presença magnética, havia vitalizado a Doutrina Redentora. Atraíra um sem numero de pessoas à pregação do Evangelho; vários núcleos cristãos desabrochavam sob seu forte impulso. Mas muitos dos novos cristãos eram gentios, ou seja, não judeus, e não compreendiam, nem aceitavam os costumes judaicos. Paulo defendia o direito dos gentios de não serem obrigados a aceitar costumes, como a circuncisão.

Tiago, por outro lado, era companheiro da primeira hora. Estivera com ele e João desde o inicio, e sua presença, por várias vezes, havia salvado do fechamento a Casa do Caminho. Os judeus simpatizavam com sua postura frente à Lei Mosaica.

Entre os dois amigos, o que fazer? O que o Mestre faria? As palavras de Jesus ressoavam lhe profundamente: ‘Apascenta meus cordeiros’. E desse modo, quando a discussão fazia-se mais acalorada, veio-lhe a inspiração.

Tomando a palavra, ponderou com equilíbrio e moderação: não eram os atos exteriores que determinavam os seguidores do Cristo, mas, sim, o interior purificado, inundado de fé verdadeira que permitia a aceitação pura e simples dos ensinamentos do Mestre! Era por aquilo que ia no coração de cada um deles que seriam reconhecidos como cristãos.

Uma aragem diferente inundou o ambiente. Os ânimos foram apaziguados. Tiago, ao reconhecer no verbo do amigo a inspiração divina, acatou-lhe a sabedoria. Suas condições foram facilmente aceitas: abster-se da adoração a ídolos, de uniões ilegítimas e de se alimentar de animais sufocados.

Nova atmosfera de alegria e fraternidade podia ser sentida. Paulo e Barnabé regozijaram-se: levariam boas notícias aos companheiros! Mais uma vez, Pedro sentiu intensamente a presença do Senhor. Respirou aliviado. A pedido do Mestre continuaria a apascentar os cordeiros...

SEGUNDA VIAGEM MISSIONÁRIA (At 15:36-41;16; 17; 18:1-23)

“Depois de alguns dias, disse Paulo a Barnabé: ‘Voltemos agora a visitar os irmãos por todas as cidades onde anunciamos a palavra do Senhor para ver como estão’. Mas Barnabé queria levar consigo também João, cognominado Marcos, enquanto Paulo exigia que não se levasse aquele que os deixara desde a Panfília e não os acompanhara no trabalho. A irritação tornou-se tal que eles se separam um do outro, Barnabé, pois, tomando Marcos consigo, embarcou para Chipre. Quanto a Paulo, escolheu Silas e partiu, recomendado a graça de Deus pelos irmãos.” (At 15:36-40).

Após o Concílio de Jerusalém, por volta de 47-51 d.C., Paulo e Barnabé dariam inicio a sua 2ª viagem missionária, considerada a sua viagem mais importante. Já havia decorrido algum tempo desde a primeira jornada, quando haviam fundado diversos núcleos cristãos pelos locais por onde passaram. Era preciso retornar para avaliar o progresso daquelas comunidades.

Ao planejarem essa nova viagem, no entanto, ocorre uma divergência de intenções: Barnabé queria, novamente, levar seu sobrinho João Marcos; Paulo discordava, pois não o achava preparado, eis que já havia desistido na primeira viagem. Sendo assim, acabaram tomando rumos diferentes. Contudo, seus objetivos permaneceram os mesmos: anunciar a Boa Nova.

Nessa nova jornada, Paulo, tendo Silas como fiel companheiro, cruzou várias cidades, alcançando, nos extremos, a região da Macedônia. Timóteo e Lucas também participaram desta viagem; percorreram várias cidades até se encontrarem com Paulo e Silas em Tessalônica. Alguns dos episódios mais relevantes são:

• Encontro com Timóteo em Listra

Em Listra, Paulo, segundo Emmanuel na obra já citada, reencontra Timóteo. Instantaneamente, Paulo reconhecera naquele jovem um fervoroso cristão, um futuro e valoroso servidor. Timóteo o acompanharia por toda a jornada e se tornaria um de seus fiéis companheiros por toda a sua vida'.

• A Visão sobre a Macedônia

Quando estava em Trôade, Paulo, durante a noite, tem uma visão: um macedônio, de pé diante dele, pediu-lhe que fosse a Macedônia e os ajudasse. Prontamente, partiram para lá. Neste fato, podemos, claramente, ver a atuação da Providência Divina. Eles, então inspirados, atenderam o chamado.

• Paulo em Atenas

Paulo era um admirador da cultura grega. Sonhava em divulgar o Evangelho naquela magna cidade, um dos berços culturais da Humanidade. Acreditava que entre aqueles homens cultos o Evangelho de Jesus, por sua elevação, seria plenamente aceito. Grande decepção!

Foi rejeitado, tratado com indiferença por uns, zombado por outros. A velha cidade, embora tivesse atingido seu apogeu intelectual, ressentia pela frieza de seus habitantes.

• Paulo em Corinto

Paulo reencontrou em Corinto dois grandes amigos: Priscila e Áquila, que foram seus companheiros atuantes nos três anos em que ele permaneceu trabalhando e meditando no deserto, antes de iniciar a sua missão. Foi em Corinto que Paulo fundou a mais importante de todas as comunidades cristãs por ele estabelecidas; lá permaneceu durante dezoito meses.

Concluindo sua viagem, ele retornou a Antioquia da Síria, passando, entre outras cidades, por Éfeso, Cesaréia e Jerusalém. O grande apóstolo havia trazido contribuições monetárias a Casa do Caminho que se encontrava em sérias dificuldades; entregou-as a Simão Pedro, que as recebeu emocionado. Paulo relatou sua jornada aos apóstolos, que ficaram exultantes: a Doutrina do Cristo florescia!

TERCEIRA VIAGEM MISSIONÁRIA (At 18:23-28; 19; 2; 21:1-19)

“Passado algum tempo, partiu de novo e percorreu sucessivamente a região da Galácia e da Frigia, confirmando todos os discípulos.” (At 18:23)

Era o ano de 52, Roma prosseguia soberana, o Imperador era Cláudio, e Israel continuava subjugada ao seu domínio. As perseguições contra os cristãos aumentavam. A vertiginosa expansão do Cristianismo assustava as autoridades políticas e religiosas.

Paulo havia recebido muitas mensagens; as comunidades que ele fundara solicitavam sua presença.

Impossível ser-lhe-ia atender, pessoalmente, todas elas. Exatamente com o fim de falar a essas comunidades, levar-lhes esclarecimento, motivação, incentivar lhes a fé, ele redigia suas epístolas. Nesse período, ele já havia escrito suas primeiras cartas dirigidas aos núcleos cristãos.

Mas era preciso voltar à estrada. Partiu, tendo Lucas como seu valoroso companheiro.

• Em Éfeso

O apostolo João aguardava-o em Éfeso. A comunidade cristã, nesta cidade, vivia momentos difíceis, sofrendo fortes perseguições dos judeus ortodoxos. Ali, Paulo permaneceria por três anos.

Nessa estadia, muitos foram os episódios marcantes. A mensagem de Jesus continuava atingindo os corações. Porém, as exposições de Paulo, que despertavam até mesmo os pagãos, culminaram por gerar certo desprezo, por exemplo, pelo culto a divindade considerada protetora da cidade: a deusa Diana, criando embates entre os negociantes de ouro e a comunidade Cristã.

Muitas outras comoções ocorreram. Esse foi um período decisivo para aquele núcleo. Com a vigorosa atuação de Paulo e sua oratória inflamada, reacendeu a fé; com seu grande magnetismo, realizou inúmeras curas; com sua personalidade única, com sua liderança e conduta moral irrepreensível, a comunidade foi restabelecida.

• Ágabo, o profeta

Prosseguindo em sua jornada, visitando várias cidades, a certa altura, chega a Cesaréia. Permanecendo ali alguns dias, encontrou-se com um profeta chamado Ágabo que o advertiu a não retornar a Jerusalém, pois lá ele seria preso. Paulo, decidido, responde: “Pois estou pronto, não somente a ser preso, mas até a morrer em Jerusalém pelo nome do Senhor Jesus.” (At 21:13).

Como havia afirmado, convicto, seguiu para Jerusalém. Ali se cumpriu a predição de Ágabo: Paulo foi maltratado, flagelado e preso. Mas sua fé não se abalou!

EPÍLOGO DA MISSÃO DE PAULO (At 21:20-40 e 22 a 28)

Paulo tinha sido condenado injustamente pelo Sinédrio. Por ter a cidadania romana, foi conduzido a Cesaréia aos cuidados do governador Félix, onde permaneceria encarcerado durante dois anos.

Seu processo encontrava-se estacionado. Embora as autoridades judaicas pleiteassem a transferência de Paulo para a jurisdição do Sinédrio, o governador não cedeu. Durante esse período, ele foi tratado com relativa liberdade: recebia visitas, escrevia cartas às comunidades cristãs, e divulgava o Evangelho dentro da prisão e para o próprio governador.

Ocorreu então, que o governador Felix foi transferido e substituído por Pórcio Festo. Ao saberem da mudança, os judeus voltam a pleitear a transferência de Paulo para Jerusalém.

Na obra “Paulo e Estevão”, Emmanuel, em acréscimo ao relato bíblico, apresenta novos detalhes. Afirma o Benfeitor que Paulo, ao saber, por intermédio de Lucas, que os judeus tramavam para conseguir sua condenação à crucificação, usa a prerrogativa de cidadão romano e ‘apela a César’.

Em sua trama ignominiosa, pretendiam as autoridades judaicas que na execução de Paulo fosse repetido o episódio do Gólgota. Seria no mesmo lugar e ao lado de dois ladrões.

Isso seria ultrajante! Pensava o grande apóstolo. Ele não se achava digno de protagonizar o mesmo martírio infligido a Jesus. Poderia aceitar todas as condenações, mesmo a morte; não, porém, esta, que objetivava a banalização do exemplo inigualável do Cristo. Por isso, ele apelou para ir a Roma, frustrando assim, o pérfido plano dos judeus.

Paulo, comovido, despediu-se dos companheiros, e navegou em direção a Roma. Em Roma, obteve o benefício de cumprir prisão domiciliar. Assim permaneceu por mais dois anos. Nesse período, ele participou ativamente da propagação da mensagem cristã na capital do Império.

Desta forma, encerra-se a narrativa contida em “Atos dos Apóstolos”. Emmanuel, porém, na obra já citada, narra sua saga até o momento final. Quando a perseguição aos cristãos fez-se mais sentida, certa feita, enquanto pregava nas catacumbas, foi preso pelas autoridades romanas, e condenado a morte.

Como fiel discípulo, de Jesus, recebia agora a pena capital. Ele não resistiu. Como o Mestre havia exemplificado, ele aceitou pacificamente o seu fim. Sua missão estava completa! Também o seu exemplo ficará imortalizado na História do Cristianismo.

Em memória de sua coragem inigualável, de sua entrega sem limites, de sua perseverança até o final, lembremos de seu clamor:

“Muitas vezes, vi-me em perigo de morte. Dos judeus recebi cinco vezes quarenta golpes menos um. Três vezes fui flagelado. Uma vez, apedrejado. Três vezes naufraguei. Passei um dia e uma noite em alto mar. Fiz numerosas viagens. Foram perigo nos rios, perigos dos ladrões, perigos por parte dos meus irmãos de estirpe, perigos dos gentios, perigos na cidade, perigos no deserto, perigos no mar; perigos dos falsos irmãos! Quem fraqueja, sem que eu também me sinta fraco? Quem tropeça, sem que eu também fique febril? Se é preciso gloriar-se, de minha fraqueza é que me gloriarei” (2 Co 11:23-30).

Que exemplo de Paulo possa inspirar-nos sempre!

QUESTÃO REFLEXIVA:

Comente a contribuição do apóstolo Paulo para a expansão do Cristianismo.

Bibliografia
- A Bíblia de Jerusalém.
- Kardec, Allan - O Evangelho Segundo o Espiritismo - Ed. FEESP.
- Xavier, Francisco C./Emmanuel - Paulo e Estevão.
- Corbin, Alain - Historia do Cristianismo.
- Atlas Bíblico Interdisciplinar - Escritura - Historia - Geografia - Arqueologia - Teologia - Ed. Paulus.


Fonte da imagem: Internet Google.

terça-feira, 5 de setembro de 2017

15ª Aula Parte A – CURSO APRENDIZES DO EVANGELHO 2º ANO – FEESP

Ato Dos Apóstolos

Saulo e Estevão

SAULO, O DOUTOR DA LEI

A sociedade judaica, à época de Jesus, era composta por diversas classes que se dividiam, especialmente, por convicções religiosas ou políticas.

Kardec, na introdução de “O Evangelho Segundo Espiritismo”, afirma que a mais influente seita era a dos fariseus, que eram defensores severos da Lei Mosaica. Suas convicções levavam a discussões intermináveis pela interpretação das Escrituras.

Em Israel, aqueles que se dedicavam ao rigoroso estudo da Lei, detendo-se em cada particularidade, eram chamados “Doutores da Lei”. Saulo era um deles.

Nascido em Tarso, na Cilícia (atual Turquia), entre 1 a 5 d.C. (cf. Bíblia de Jerusalém), era filho de Isaac, pertencente à tribo de Benjamin. Como era costume à época, seu pai, que era um mercador de tecidos e fabricante de tendas, ensinou-lhe ofício de tecelão.

Ainda jovem, foi levado por seu pai a Escola do Templo de Jerusalém, tomando-se discípulo de Gamaliel. Notavelmente brilhante, era um de seus alunos mais fervorosos e devotados.

ESTEVÃO, PRIMEIRO MÁRTIR (At 6:8-15/At 7)

“Estevão, cheio de graça e de poder operava prodígios e grandes sinais entre o povo. Intervieram então alguns da sinagoga chamado dos libertos, dos cireneus e alexandrinos, dos da Cilícia e da Ásia, e puseram-se a discutir com Estevão. Mas não podiam resistir à sabedoria e ao Espírito com qual ele falava. Subornaram então alguns para dizerem: ‘Ouvimo-lo pronunciar palavras blasfemas contra Moisés e contra Deus’. Amotinaram assim a povo, os anciões e os escribas e, chegando de improviso, prenderam-no e o levaram à presença do Sinédrio. Lá apresentaram testemunhas falsas que depuseram: ‘Este homem não cessa de falar contra este lugar santo e contra a Lei. Pois ouvimo-lo dizer repetidamente que esse Jesus, o Nazareu, destruirá este lugar e modificará as costumes que Moisés nos transmitiu’. ‘Todos as membros da Sinédrio, com os olhos fixos nele, tiveram a impressão de ver em seu rosto o rosto de um anjo.” (At 6: 8-15).

“Estevão, porém, repleto do Espírito Santo, fitou os olhos no céu e viu a glória de Deus, e Jesus, de pé, a direita de Deus. E disse: ‘Eu vejo os céus abertos, e o Filho do Homem, de pé, à direita de Deus. Eles, porém, dando grandes gritos, taparam os ouvidos e precipitaram-se sobre ele. E, arrastando-o para fora da cidade, começaram a apedrejá-lo. As testemunhas depuseram seus mantos aos pés de um jovem chamado Saulo. E apedrejaram Estevão, enquanto ele dizia esta invocação: ‘Senhor Jesus, recebe meu espírito ’. Depois, caindo de joelhos, gritou em voz alta. ‘Senhor não lhes leves em conta este pecado’. E, dizendo isto, adormeceu.” (At 7: 55-60).

Nesta impressionante passagem, encontramos a grandiosa figura de Estevão, o primeiro mártir do Cristianismo.

Embora não haja, no Novo Testamento, muitas referências sobre a sua trajetória, os pequenos trechos que encontramos mostram-nos toda a intensidade de sua devoção, todo seu empenho, todo seu esforço e sacrifício para a divulgação do Cristianismo nascente.

Na obra “Paulo e Estevão”, psicografada por Francisco C. Xavier, pelo Espírito Emmanuel, conhecemos sua epopeia.

Especialmente, vale relembrar que Estevão, antes de abraçar o Cristianismo, assim como sua irmã Abigail, era fervoroso adepto da religião judaica.

Em certo momento de sua vida, ao proteger seu pai em defesa de suas terras, foi preso e condenado às galeras.

Essa pena, onde muitos encontravam a morte, consistia no aprisionamento em porões de navios, onde o ambiente era insalubre, sendo obrigados, de forma impiedosa, a remar, com um mínimo de repouso e alimentação escassa.

Após uma série de momentos de tribulação, foi acolhido na Casa do Caminho por Pedro que, então, passou a ser o seu orientador.

A partir desse momento, ele se toma um grande divulgador da Boa Nova. Dotado de grande magnetismo, tocava os corações com seu verbo inflamado, e, através de suas faculdades mediúnicas, tornara-se um valioso instrumento da Espiritualidade.

Sua dedicação, sua fé, sua presença acolhedora e caridosa arrebanhava multidões... Muitos abandonavam o Templo para ouvi-lo pregar o Evangelho de Jesus

Os sacerdotes, os Doutores da Lei, todos aqueles que queriam manter a hegemonia e o poder sobre a nação, por meio de uma religião formal, estavam enfurecidos e obstinados a perseguir os “caminheiros”.

Saulo de Tarso, o Doutor da Lei, tornou-se, nesse momento, seu principal perseguidor. Em determinado momento, então, condenou Estevão a morte por apedrejamento.

Nesse instante culminante, Estevão, que verdadeiramente havia se inspirado pelas lições do Mestre, que com grande renúncia havia se entregado a propagação do Evangelho... Nesse momento final, exemplificou a verdadeira força, a verdadeira coragem, a verdadeira grandeza... Como havia ensinado Jesus, sem resistir, pacificamente, demonstrou sua capacidade plena de amar e, por seus verdugos, orou a Deus pedindo que fossem perdoados...

Seu exemplo, inesquecível e comovente, jamais será esquecido por todos os verdadeiros cristãos!

Diante da conduta irreprovável de Estevão, esse episódio marcou para sempre a vida e a trajetória de Saulo. Ele nunca mais seria o mesmo!

Afirma Emmanuel, no prefácio de sua incomparável obra “Paulo e Estevão”:

“Sem Estevão, não teríamos Paulo de Tarso. O grande mártir do Cristianismo nascente alcançou influência muito mais vasta na experiência paulina, do que poderíamos imaginar tão só pelos textos conhecidos nos estudos terrestres.”

CONVERSÃO DE SAULO - (At 9:1-19)

Saulo respirando ainda ameaças de morte contra os discípulos do Senhor dirigiu-se ao sumo sacerdote. Foi pedir-lhe cartas para as sinagogas de Damasco, a fim de poder trazer para Jerusalém, presos, os que lá encontrassem pertencendo ao Caminho, quer homens, quer mulheres.

Estando ele em viagem e aproximando-se de Damasco, subitamente uma luz vinda do céu envolveu de claridade. Caindo por terra, ouviu uma voz que lhe dizia: ‘Saulo, Saulo, por que me persegues? Ele perguntou: ‘Quem és; Senhor?’ E a resposta: ‘Eu sou Jesus, a quem tu persegues. Mas levanta-te, entra na cidade, e te dirão que deves fazer ’ Os homens que com ele viajavam detiveram-se, emudecidos de espanto, ouvindo a voz, mas não vendo ninguém. Saulo ergueu-se do chão. Mas, embora tivesse os olhos abertos, não via nada. Conduzindo-o, então, pela mão, fizeram-no entrar em Damasco. Esteve três dias sem ver; e nada comeu, nem bebeu.

Ora, vivia em Damasco um discípulo, chamado Ananias. O Senhor lhe disse em visão: Ananias! Ele respondeu: ‘Estou aqui, Senhor!’ E o Senhor prosseguiu: levanta-te, vai pela rua chamada Direita e procura, na casa de Judas, por alguém de nome Saulo, de Tarso. Ananias partiu. Entrou na casa, impôs sobre ele as mãos e disse: ‘Saulo, meu irmão, o Senhor Jesus, me enviou, o mesmo que te apareceu no caminho por onde vinhas. E para que recuperes a vista e fiques repleto do Espírito Santo. Logo caíram-lhe dos olhos, umas como escamas, e recuperou a vista. Recebeu, então, o batismo e, tendo tornado alimento, sentiu-se reconfortado.” (Atos 9;1-19).

Poucos momentos são tão decisivos na vida de alguém. Dentre as diversas conversões que temos relatos, a de Saulo é uma das mais impressionantes, e, ainda hoje, emociona a todos aqueles que ouvem a sua história.

Ele havia saído à captura dos cristãos; seu coração estava cheio de ódio daqueles “caminheiros” que, segundo acreditava, eram blasfemadores, violadores da Lei. Não haveria trégua: ele os perseguiria até o fim! Mas... Então... Às portas de Damasco...

Tal episódio, surpreendente e intrigante, faz-nos refletir: Como é possível que alguém tão convicto de suas posições, tão arraigado as suas tradições, judeu ortodoxo, defensor rigoroso da Lei Mosaica, possa, em um átimo de segundo, sofrer uma transformação tão intensa, de tal magnitude?

É que Saulo havia encontrado Jesus. A mensagem sublime do Mestre havia inundado sua alma, conduzindo-o a nova compreensão da Lei Divina.

Saulo, lembremos, embora fosse defensor da Lei Mosaica, fazia-o com verdadeira devoção, e desejava, dentro do seu entendimento, o Bem.

Jesus, que podia sondar as almas, reconhecendo-lhe o potencial, veio, em pessoa, convocá-lo à sua Seara.

Saulo, que até então negava Jesus, reconhece: então era verdade! Ele estava em choque. Suas crenças desmoronaram, alicerce de suas convicções tinha afundado.

A partir daquele dia, ele estaria a serviço do Mestre para toda e qualquer tarefa. Ele era “Vaso Escolhido”.

PREGAÇÃO EM DAMASCO E ENCONTRO COM BARNABÉ (At 9:19-3)

“Saulo esteve alguns dias com os discípulos em Damasco e, imediatamente, nas sinagogas, começou a proclamar Jesus, afirmando que é o Filho de Deus. Todos os que ouviam ficavam estupefatos e diziam: ‘Mas não é este que devastava em Jerusalém os que invocavam esse nome, e veio para cá expressamente com fim de prendê-los e conduzi-los aos chefes dos sacerdotes?’

Decorridos muitos dias, os judeus deliberaram entre si como matá-lo. Mas Saulo teve conhecimento dessa trama. Vigiavam até as portas da cidade, de dia e de noite, para o matarem. Então os discípulos, uma noite, fizeram-no descer pela muralha, oculto num cesto.

Tendo chegado a Jerusalém, tentava associar-se aos discípulos; mas todos tinham medo dele, não acreditando que fosse, de fato, discípulo. Então Barnabé tomou-o consigo, levou-o aos apóstolos e contou-lhes como, no caminho, Saulo vira o Senhor qual lhe dirigiu a palavra; e com que intrepidez, em Damasco, falara no nome de Jesus. “Daí por diante, ia e vinha entre eles, em Jerusalém, falando com intrepidez no nome do Senhor.” (At 9:19-28).

Aqueles que conheciam Saulo não podiam compreender o que poderia ter-lhe ocorrido para apresentar tão súbita transformação.

Muitos achavam que era loucura, que o sol do deserto tinha-lhe afetado o discernimento.

E se não estivesse louco - deviam pensar: Como poderia ter se tornado um seguidor do “carpinteiro”?

Ninguém compreendia. Os próprios apóstolos de Jesus ficaram surpresos com essa transformação.

Foi Barnabé, também um integrante da Casa do Caminho, que intercedeu por Saulo junto aos demais apóstolos, e, então, movidos pelo amor cristão, os discípulos aceitaram-no como um deles. Desse episódio, nasceria a fraterna amizade de Saulo e Barnabé.

QUESTÃO REFLEXIVA:

“Será que nós já encontramos o nosso ‘Caminho de Damasco’, a tal ponto de nos dispormos a servir a Jesus”?


Fonte da imagem: Internet Google.

terça-feira, 29 de agosto de 2017

14ª Aula Parte B – CURSO APRENDIZES DO EVANGELHO 2º ANO – FEESP

Atividade Missionária De Pedro - 2ª Parte

Os apóstolos, em suas atividades missionárias, prosseguiam anunciando a Boa Nova. Agiam não apenas na Casa do Caminho, mas suas ações estendiam-se por toda a Palestina.

Em certa feita, Filipe desceu a cidade de Samaria e começou a anunciar Jesus à população. Então, ocorreu que muitos possessos foram libertados de seu jugo obsessivo. Foram curados também inúmeros paralíticos, sendo grande a alegria na cidade.

SIMÃO, O MAGO (At 8:4-25)

“Ora, vivia há tempo, na cidade, um homem chamado Simão, qual, praticando a magia, excitava a admiração do povo de Samaria e pretendia ser alguém importante. Todos, do menor ao maior lhe davam atenção, dizendo: ‘Este homem é Poder de Deus, que se chama o Grande’”.

Davam-lhe atenção porque ele, por muito tempo os fascinara com suas artes mágicas. Quando, porém, acreditaram em Filipe, que lhes anunciara a Boa Nova do Reino de Deus e do nome de Jesus Cristo, homens e mulheres faziam se batizar.” (At.8:9-12).

Simão, o mago, como foi descrito acima, possuía alguns pendores mediúnicos e muitos lhe davam ouvidos. Entretanto, após a pregação de Filipe, ele se tomou adepto da nova doutrina.

Os apóstolos que estavam em Jerusalém souberam que a Samaria acolhera a palavra de Deus e para lá enviaram Pedro e João que, lá chegando, impunham as mãos nos recém-convertidos, despertando-lhes a faculdade mediúnica.

Ora, Simão, que já havia observado os prodígios operados por Filipe, não conhecia esse novo dom, ficando, por isso, maravilhado e desejoso de possuí-lo. Como ele poderia fazer para alcançar seu intento?

Simão afagava a ideia de consultá-los a respeito de seus dons espirituais. Considerava ele que não poderia haver maior tesouro para triunfar na vida. .. Certamente, pensava em mercadejar nesse ministério.

Contudo, os missionários de Jesus ganhavam apenas a Misericórdia de Deus, uma vez que não seria lícito mercadejar com o que pertence ao Pai.

Provavelmente, Simão estava convicto de que traziam com eles certos talismãs e se dispunha a comprá-los por qualquer preço. Não seria crível que eles fizessem semelhantes obras sem a contribuição de sortilégios - pensava. Mas, o Apóstolo somente conhecia um “sortilégio” eficiente: o da fé em Deus com o sacrifício de si mesmo.

Para Simão, entretanto, a vida tinha suas necessidades urgentes. Era indispensável prever e amealhar recursos. Ele estava disposto a entregar aos Apóstolos o seu dinheiro em troca desse dom.

Pedro, conhecedor do coração humano, contemplou Simão cheio de comiseração por sua ignorância. Mas precisava adverti-lo com energia, para nos deixar o exemplo de que a Divindade não se subordina, e nem se deve pagar com o dinheiro da Terra, as coisas dos Céus.

“Pereça o teu dinheiro, e tu com ele, porque julgaste poder comprar com dinheiro dom de Deus! Não terás parte nem herança neste ministério, porque o teu coração não é reto diante de Deus. Arrepende-te, pois, dessa tua maldade e ora ao Senhor; para que te possa ser perdoado este pensamento do teu coração; pois eu te vejo na amargura do fel e nos lagos da iniquidade.” (At 8:2-23).

Simão, inteligente, compreendeu logo o que Pedro dissera, e lhe rogou, como a João, para que nada lhe acontecesse por aquela sua ousadia, e pediu aos Apóstolos que intercedessem por ele junto ao Senhor.

PEDRO EM LIDA E JOPE (At 9:32-43)

“Aconteceu que Pedro, que se deslocava por toda parte, desceu também para junto dos santos que moravam em Lida. Encontrou ali um homem chamado Enéias, que há oito anos estava de cama: era paralitico. Pedro então lhe disse: ‘Enéias, Jesus Cristo te cura! Levanta-te e arruma teu leito’. Ele imediatamente levantou-se”. (At 9:32-34).

“Ora, em Jope havia uma discípula, chamada Tabita, em grego Dorcas, notável pelas boas obras e esmolas que fazia. Aconteceu que naqueles dias caiu doente e morreu. Como Lida está perto de Jope, os discípulos, sabendo que Pedro lá se encontrava, enviaram-lhe dois homens com esse pedido: ‘Não te demores em vir ter conosco.’

Pedro atendeu e veio com eles. Pedro, mandando que todos saíssem, pôs-se de joelhos e orou. Voltando-se então para o corpo, disse: ‘Tabita, Levanta-te!’ Ela abriu os olhos e, vendo Pedro, sentou-se. Este, dando-lhe a mão, fê-La erguer-se.” (At 9:36-41).

Verificamos em “Atos dos Apóstolos”, nos trechos transcritos, esses dois interessantes casos de cura pelas mãos de Pedro.

Cairbar Schutel, em sua obra “Vida e Atos dos Apóstolos”, destaca que uma das principais características dos Apóstolos era a cura dos enfermos. Pedro possuía esse dom e o exercia com muita frequência.

As curas espirituais produziam grande contribuição para a conversão dos incrédulos. Não era só o enfermo curado que se convertia, mas todos os que tinham conhecimento do caso.

Dotado de faculdades magnéticas e ainda auxiliado pelos Bons Espíritos, agindo em nome de Jesus, Pedro fez inúmeras conversões, mais por meio das curas do que pelo uso da palavra.

A cura é um fato que toca logo o coração, ou o sentimento dos envolvidos. Enéias e Tabita, tendo recebido os fluidos vitalizantes de que necessitavam, ergueram-se e ficaram sãos.

Especialmente em relação à Tabita, podemos observar que suas boas obras justificavam o merecimento de receber as benesses dos Espíritos do Senhor.

Esses casos de “ressurreição” não se deram, como se vê, só no tempo em que Jesus cumpria o seu messianato, mas também no tempo dos discípulos. Em Tabita, como em outros casos, não havia o desligamento completo do Espírito do corpo físico.

Pedro não se contenta em pronunciar lindas palavras aos seus ouvidos, renovando-lhe as forças gerais: dá-lhe as mãos para que se levante. O ensinamento é dos mais simbólicos.

Observamos muitos companheiros a se erguerem para o conhecimento, para a alegria e para a virtude, banhados pela divina claridade do Mestre e que podem levantar milhares de criaturas para a Esfera Superior. Para isso, não bastara à predicação pura e simples. E imprescindível usar nossas próprias mãos na tarefa do Bem.

PEDRO E O CENTURIÃO ROMANO (At 10:1-43)

“Vivia em Cesaréia um homem chamado Cornélio, centurião da corte itálica. Era piedoso e temente a Deus, com toda a sua casa; dava muitas esmolas ao povo judeu e orava a Deus constantemente. Ele viu claramente, em visão, cerca da hora nona do dia, o Anjo do Senhor entrando em sua casa e chamando-o: ‘Cornélio!’ Fixando os olhos nele e cheio de temor perguntou-Lhe: ‘Que há, Senhor? ’E o Anjo lhe disse: ‘Tuas orações e tuas esmolas subiram até a presença de Deus e Ele se lembrou de ti. Agora, pois, envia alguns homens a Jope e manda chamar Simão, cognominado Pedro’”. (At 1:1-5).

Por onde passava, o discípulo de Jesus ia deixando um rastro de luz e esperança. Mais do que pelas palavras, deixava que as ações falassem por si, assim como o Mestre havia feito.

O trabalho prosseguia árduo, mas gratificante. Lentamente, através de muito esforço e sacrifício, o Evangelho ia sendo levado e atraía cada vez mais adeptos. Pedro sentia-se feliz. Amava sobremaneira o Mestre e cada vez que pregava ou curava em nome de Jesus, era como se o visse ao seu lado, sorrindo ternamente, encorajando-o a prosseguir. Cada desvalido que o procurava era uma nova oportunidade de estar mais próximo do Mestre.

Eis que, certo dia, em êxtase, teve uma visão:

“Viu céu aberto e um objeto que descia semelhante a um grande lençol, baixado a terra pelas quatro pontas. Dentro havia todos os quadrúpedes e répteis da terra, e aves do céu. Uma voz lhe falou: ‘Levanta-te, Pedro, imola e come! ’ Pedro, porém, replicou: De modo nenhum, Senhor, pois jamais comi coisa alguma profana e impura!’ De novo pela Segunda vez, a voz Lhe falou: ‘Ao que Deus purificou, não chames tu de profano'. Sucedeu isto por três vezes, e logo o objeto foi recolhido ao céu.” (At 10:11-16).

Esta visão preparou-o para o encontro a seguir. Cornélio, homem temente a Deus, já havia sido inspirado a procurar Pedro. Era necessário que a divulgação do Evangelho chegasse a outros povos não judeus - “os gentios” - como eram denominados. Era necessário que as barreiras de etnia fossem suplantadas, ultrapassadas, para que a Mensagem Divina chegasse a todos os corações. O apóstolo abnegado, compreendendo a orientação espiritual, profere:

“Dou-me conta, em verdade, que Deus não faz acepção de pessoas, mas que, em qualquer nação, quem o teme e pratica a justiça, Lhe é agradável. Tal é a palavra que ele enviou aos israelitas, dando-lhes a boa nova da paz por Jesus Cristo, que é o Senhor de todos.” (At 10:34-36).

As barreiras da intolerância começavam a ser rompidas. O missionário do Cristo prosseguiria exemplificando a Boa Nova a todos que encontrava.

LIBERTAÇÃO DE PEDRO (At 12:1-19)

“Nessa mesma ocasião o rei Herodes começou a tomar medidas visando a maltratar alguns membros da Igreja. Assim, mandou matar à espada Tiago, irmão de João. E, vendo que isso agrada aos judeus, mandou também prender Pedro. Mas, enquanto Pedro era mantido na prisão, a Igreja fazia ardentemente oração a Deus, em favor dele”. (At 12:1-5).

A vida dos apóstolos foi cheia de sofrimentos de um lado e de triunfos de outro. As perseguições, as calúnias, as injurias, as prisões cobriam sempre com desdouro os discípulos de Jesus; mas, por outro lado, os Espíritos operavam, por seu intermédio, maravilhas que lhes davam alegrias, felicidades íntimas e muita gratidão a Deus.

Pedro, acompanhado sempre pelo Plano Espiritual Superior, fazia prodígios, e maravilhas operavam-se aos olhos de todos. O famoso pescador de Cafarnaum foi, de fato, um dos grandes irmãos dos infelizes.

Como narrado acima, Herodes lançou-o na prisão, onde foi guardado por quatro turnos de quatro soldados, pois tinha a intenção de apresentá-lo ao povo depois da festa da Páscoa. Enquanto Pedro era mantido na prisão, a Igreja orava a Deus, continuamente, por ele.

Na noite anterior a que Herodes o faria comparecer ante o tribunal, Pedro dormia entre dois soldados, preso com duas correntes, enquanto guardas vigiavam a porta da prisão. E eis que apareceu um anjo do Senhor, e uma luz iluminou a cela. O anjo tocou o ombro de Pedro, acordou-o e disse: “Levanta-te depressa!” As correntes caíram-lhe das mãos. O anjo continuou: “Cinge-te e calça as sandálias!” Pedro obedeceu, e anjo lhe disse: “Envolve-te no manto e segue-me!” Pedro acompanhou-o, sem saber se a intervenção do anjo era realidade; pensava que era uma visão. Depois de passarem pela primeira e pela segundo guarda, chegaram ao portão de ferro que dava para a cidade. O portão abriu-se sozinho. Eles saíram, caminharam por uma rua, e logo depois o anjo o deixou. Somente, então Pedro caiu em si e disse:

“Agora sei realmente que o Senhor enviou seu Anjo, livrando-me das mãos de Herodes e de toda expectativa do povo judeu.” (At 12:11).

Tendo-se orientado, foi à casa de Maria, a mãe de João Marcos. Lá estavam muitos reunidos para orar. Bateu no portão de entrada e uma criada chamada Rosa foi atender. Ela reconheceu a voz de Pedro, mas tamanha foi a sua alegria que, em vez de abrir a porta, entrou correndo para contar que Pedro estava ali diante da porta. “Estás louca!” disseram-lhe. Mas ela insistiu. Disseram então: “Então é seu anjo”. E Pedro continuava a bater. Finalmente abriram a porta, viram que era ele e ficaram atônitos. Com a mão, Pedro fez sinal para que ficassem calados. Contou-lhes como o Senhor o fizera sair da prisão e acrescentou: “Anunciai isto a Tiago e aos irmãos” e partiu dali para outro lugar.

Ao amanhecer, houve grande confusão entre os soldados: que fim levou Pedro? Herodes o mandou procurar, mas não conseguiu localizá-lo.

A contribuição recebida por Pedro, no cárcere, representa lição para todos nos. Sob cadeias pesadíssimas, o pescador de Cafarnaum vê se aproximar anjo do Senhor, que o liberta, atravessa em sua companhia os primeiros perigos da prisão, caminha ao lado do mensageiro, ao longo da rua; contudo, o emissário afasta-se, deixando-o, novamente, entregue a própria liberdade, de maneira a não lhe desvalorizar as iniciativas.

Os auxílios do invisível são incontestáveis e jamais falham em suas múltiplas expressões, no momento oportuno; mas é imprescindível não nos viciemos com essa espécie de cooperação, aprendendo a caminhar sozinhos, usando a independência e a vontade no que é justo e útil, convictos de que nos encontramos no mundo para aprender, não nos sendo permitido reclamar dos instrutores a solução de problemas necessários a nossa condição de alunos, dentro do livre arbítrio que nos é concedido.

QUESTÃO REFLEXIVA:

Comente a importância de Pedro para o Cristianismo nascente.

Bibliografia:
- A Bíblia de Jerusalém
- Xavier, Francisco C. /Emmanuel - Pão Nosso.
- Xavier, Francisco C. /Emmanuel - Fonte Viva.
- Xavier, Francisco C. /Emmanuel - Caminho, Verdade e Vida.
- Xavier, Francisco C. /Emmanuel - Paulo e Estevão.
- Franco, Divaldo Pereira/Amélia Rodrigues - Pelos Caminhos de Jesus.
- Schutel, Cairbar -Vida e Atos dos Apóstolos


Fonte da imagem: Internet Google.