CARACTERÍSTICAS BÁSICAS DO ESPÍRITA: PACIÊNCIA, INDULGENCIA, FÉ, HUMILDADE, DIGNIDADE E CARIDADE.

terça-feira, 22 de abril de 2025

6ª Aula Parte B – CURSO APRENDIZES DO EVANGELHO 2º ANO – FEESP

Não Se Pode Servir a Dois Senhores

MERCADORES DO TEMPLO

“E entrando no Templo, começou a expulsar os vendedores, dizendo-lhes: ‘Está escrito: Minha casa será uma casa de oração. Vós, porém, fizestes dela um covil de ladrões!’." (Lc 19:45-46).

Os homens, em todos os tempos, buscaram adorar a Deus de diferentes formas. Para isso, pensaram ser necessário construir uma casa de oração onde pudessem reunir-se e se aproximar mais da Divindade. O povo hebreu tinha no Templo de Jerusalém a sua casa de adoração, e era da lei judaica a obrigatoriedade de comparecimento, em determinadas ocasiões, onde eram celebradas datas importantes para os hebreus, relacionadas à sua vida religiosa.

Na vida religiosa dos judeus, destacavam-se rituais com sacrifícios de bois, cordeiros, pombas, rolinhas, que eram obrigatórios de acordo com o acontecimento da vida do indivíduo ou da festividade a ser comemorada. Por exemplo, na purificação da mulher após o parto, na circuncisão, na festa da Páscoa.

Esses sacrifícios eram intermediados pelos sacerdotes, que praticavam o holocausto do animal, ou seja, a queima do animal sobre o altar, ofertando-a a Deus. Os animais eram geralmente adquiridos dentro do próprio Templo, onde eram vendidos por um preço estipulado pelos sacerdotes, podendo aumentar conforme a ocasião.

Jesus nasceu no seio do povo hebreu e foi criado dentro das tradições judaicas; com certeza conhecia e respeitava sobremaneira a religiosidade do povo e a sua maneira de exteriorizá-la. Mais do que ninguém, sabia que tanto o indivíduo quanto a coletividade expressam sua religiosidade de acordo com seu nível evolutivo.

Portanto, a sua severa reprimenda, à condenação que nos chega através do relato evangélico, relaciona-se ao abuso, ao excesso de mercantilismo, de comercialização que existia no Templo, e que desviava do verdadeiro sentimento religioso.

A busca da espiritualização, a necessidade da ligação do indivíduo a Deus estava sendo ofuscada pela materialidade que regia as relações comerciais no Templo, e Jesus chamou a atenção para o fato a fim de que isto não mais passasse despercebido, nem naquele momento, nem em nenhum outro.

Jesus demonstrava, assim, a necessidade de nos mantermos atentos com a comercialização das coisas sagradas, pois a nossa relação com Deus deve ser uma relação essencialmente espiritual, íntima, sem a necessidade de intermediários, como nos ensina a Doutrina dos Espíritos.

Devemos precaver-nos para não nos deixarmos contaminar por preceitos materiais, que jamais serão capazes de substituir a veracidade e a beleza da nossa ligação com Deus.

Conforme ensinou Jesus à mulher samaritana: “Mas vem a hora - e é agora - em que as verdadeiros adoradores adorando o Pai em espírito e verdade, pois tais são os adoradores que o Pai procura.” (Jo 4:23), ou seja, o verdadeiro templo de adoração ao Pai é no interior de cada um de nós.

O TRIBUTO A CESAR

“Então os fariseus foram reunir-se para tramar como apanhá-lo por alguma palavra. E lhe enviaram as seus discípulos, juntamente com os herodianos, para lhe dizerem: ‘Mestre, sabemos que és verdadeiro e que, de fato, ensinas o caminho de Deus. Não dás preferência a ninguém, pois não consideras um homem pela aparência. Dize-nos, pois, que te parece: é lícito pagar imposto a Cesar ou não? ’Jesus, porém, percebendo a sua malicia, disse: ‘Hipócritas! Por que me pondes a prova? Mostrai-me a moeda do imposto. ’Apresentaram-lhe um denário. Disse ele: ‘De quem é esta imagem e a inscrição? ’Responderam.' ‘De César". Então lhes disse: ‘Dai, pois, o que é de César a César; e o que é de Deus, a Deus’. Ao ouvirem isso, ficaram surpresos e, deixando-o, foram-se embora”. (Mt 22:15-22).

Para que possamos melhor compreender esta passagem evangélica, devemos lembrar-nos que a Palestina, na época de Jesus, encontrava-se sob o domínio do Império Romano. Devido a esse domínio, o povo judeu era obrigado a pagar uma serie de impostos a Roma, o que desagradava profundamente a todo o povo.

A classe sacerdotal judaica, uma vez mais, questionava Jesus de modo a colocá-lo em posição difícil. Caso Jesus dissesse algo contra o pagamento do tributo, o imposto a César, seria tachado de subversivo, de rebelde, e poderia ser indiciado junto às autoridades romanas; caso dissesse algo a favor, estaria afrontando a tradição judaica que repudiava o pagamento de impostos a povos invasores.

Jesus, porém, conhecia bem o que ia nos corações daqueles que buscavam apanhá-lo nessa cilada. Utilizando-se da sabedoria que lhe era peculiar, perguntou aos fariseus de quem era a imagem e a inscrição na moeda. Aos responderem que era de César, deram a Jesus a oportunidade de ensinar o respeito devido as Leis da sociedade humana e as Leis de Deus, colocando as coisas em seu devido lugar.

Como nos adverte Kardec em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, cap. XI, item 7: “Esta máxima: ‘Dai a César o que é de César’ não deve ser entendida de maneira restritiva e absoluta.” (...) “Condena todo prejuízo moral e material causado aos outros, toda a violação dos seus interesses, e prescreve o respeito aos direitos de cada um, como cada um deseja ver os seus respeitados. Estende-se ao cumprimento dos deveres contraídos para com a família, a sociedade, a autoridade, bem como para todos os indivíduos.”

Temos, como cidadãos do mundo material, o compromisso de cumprirmos as nossas obrigações perante as Leis que nos regem neste mundo, mesmo que as Leis ainda sejam imperfeitas.

Como nos ensina Emmanuel, em sua obra ‘Pão Nosso’, lição n° 102: “Se há erros nas leis, lembremos a extensão de nossos débitos para com a Previdência Divina e colaboremos com a governança humana, oferecendo-lhe o nosso concurso em trabalho e boa-vontade, conscientes de que desatenção ou revolta não nos resolvem os problemas”.

O respeito às Leis Divinas inicia-se com o respeito que temos pelo nosso próximo. As virtudes da obediência e da resignação são fundamentais para que possamos, através do consentimento da razão e do coração, submetendo-nos a Vontade do Pai Criador e buscarmos viver de acordo com os preceitos que regem todas as criaturas e toda a Criação.

A regra básica para que possamos nos relacionar uns com os outros, dentro dos ensinamentos evangélicos, foi-nos dada pelo Mestre, quando nos orientou que procurássemos fazer aos outros o que gostaríamos que nos fizessem. Dessa maneira, colocando-nos no lugar do outro, vamos aprendendo a nos respeitar e a nos amar, de acordo com o Maior Mandamento.

NÃO SE PODE SERVIR A DOIS SENHORES

“Ninguém pode servir a dois senhores. Com efeito, ou odiará um e amará o outro, ou se apegará ao primeiro e desprezará o segundo. Não podeis servir a Deus e ao Dinheiro.” (Mt 6:24).

Quando buscamos um novo rumo para nossa vida, sempre precisamos fazer muitas escolhas. Quando, em especial, buscamos as lições de Jesus e procuramos segui-las, muitas são as mudanças que devemos implementar.

Dessa forma, quando desejamos buscar a transformação interior, precisamos abandonar muitos hábitos antigos. Mais que isso, precisamos renunciar a determinadas coisas, determinadas posições, que não nos são mais adequadas.

A perseverança e a dedicação em se renovar, não obstante todo o esforço empreendido conduz a satisfação daquele que pauta sua vida nos valores morais.

Nesta passagem, Jesus adverte-nos sobre a importância de escolhermos a quem devotamos a nossa fidelidade, a nossa prioridade enquanto seres imortais que caminham rumo à perfeição relativa. Isso porque há uma impossibilidade em seguir caminhos cujos objetivos são diversos.

Para servir a Deus são necessárias as virtudes da abnegação, da humildade, da compaixão que nos permitem sentir a dor de nosso semelhante e despertam a nossa vontade de auxiliar, de aliviar, de consolar; por outro lado, quando se opta em servir exclusivamente ao dinheiro, o indivíduo acaba por se tomar egoísta e ganancioso, não se importando com seus semelhantes.

A riqueza material, por si só, temos que frisar, não é obstáculo absoluto a salvação dos que a possuem, eis que ela é um dos instrumentos de que se serve a Previdência Divina para impulsionar o progresso humano. Contudo, o excesso de apego às riquezas pode conduzir a avareza, a insensibilidade e ao orgulho.

O apóstolo Paulo, em sua Primeira Carta a Timóteo, cap. 6, versículo 10, esclarece: “Porque a raiz de todos os males é o amor ao dinheiro, por cujo desenfreado desejo alguns se afastaram da fé, e a si mesmos se afligem com múltiplos tormentos”.

A cobiça, tal é sua reprovação perante as Leis de Deus, que sua prática já é condenada no Decálogo: “Não cobiçarás...”.

Podemos lembrar também que, dentre todos os ensinamentos dos antigos profetas hebreus, a ganância sempre foi considerada reprovável diante de Deus.

Sendo assim, compreendemos que para realmente servirmos a Deus temos que cultivar o desapego e praticar a caridade desinteressada.

Especialmente a nós, Aprendizes do Evangelho, cabe-nos a busca do aprimoramento para nos tornarmos bons servidores.

“Servir é a honra que nos compete.” - Emmanuel.

QUESTÃO REFLEXIVA:

Como podemos nos tornar melhores servidores da causa do Mestre?

Bibliografia
- A Bíblia de Jerusalém.
- Kardec, Allan - A Gênese - Ed. FEESP.
- Kardec, Allan - O Livro dos Espíritos - Ed. FEESP.
- Kardec, Allan - O Evangelho Segundo o Espiritismo - Ed. FEESP.
- Xavier, Francisco C./Emmanuel - Pão Nosso.

A imagem acima é meramente ilustrativa. Fonte: Internet Google.
 

quinta-feira, 17 de abril de 2025

6ª Aula Parte A – CURSO APRENDIZES DO EVANGELHO 2º ANO – FEESP

Jesus, A Lei e os Profetas

Jesus e a Tradição dos Antigos

OS SÃOS NÃO PRECISAM DE MÉDICO

“Aconteceu que estando ele a mesa em casa, vieram muitos publicanos e pecadores e se assentaram à mesa com Jesus e seus discípulos. Os fariseus, vendo isso, perguntaram aos discípulos: ‘Por que come o vosso Mestre com os publicanos e os pecadores?’ Ele, ao ouvir o que diziam, respondeu: ‘Não são os que tem saúde que precisam de médico, e sim os doentes. Ide, pois, e aprendei o que significa. Misericórdia quero, e não o sacrifício. Com efeito, eu não vim chamar justos, mas pecadores’.” (Mt 9:10-13).

Os fariseus, como sabemos, sempre buscavam encontrar um meio de acusar Jesus. Assim, procuravam fazê-lo cair em alguma contradição em relação à Lei Mosaica.

Nesta passagem vemos os fariseus questionarem aos discípulos por que Jesus comia com os pecadores.

Mas quem seriam estes supostos pecadores?

Inicialmente, podemos lembrar que Moisés, que nos trouxe os Dez Mandamentos, inaugurando uma nova era espiritual para a Humanidade, chamava de infiéis a todos aqueles que não observavam as Leis de Deus.

Esse conceito, porém, deturpou-se com o passar do tempo, e os Doutores da Lei, na época de Jesus, negligenciaram as Leis Divinas e se apegando as regras exteriores e aos ritualismos religiosos, acabaram por designar como pecadores aqueles que não cumpriam essas regras e não praticavam esses rituais.

Em consequência dessas convicções, ou seja, de considerar como pecado as violações as regras exteriores, chamavam de pecadores a muitas pessoas, como os publicanos, que eram os cobradores de impostos; os samaritanos, eis que tinham regras próprias em relação a religião; e muitos outros que viviam a margem da sociedade.

Devemos esclarecer a esta altura que o termo “pecado” não é acolhido pela Doutrina dos Espíritos, pois é um conceito das doutrinas dogmáticas, que pregam as penas eternas.

O Espiritismo, no entanto, vê cada uma das imperfeições humanas como decorrentes da ignorância espiritual. Essas faltas, portanto, não resultam em condenação eterna, pois a cada nova existência o Espírito vai se depurando e se aperfeiçoando.

Ressalvamos que o conceito de pecado trazido pelas doutrinas dogmáticas modernas é, em certo aspecto, diferente das crenças dos judeus à época de Jesus, assim como outros conceitos que eram um tanto obscuros, como a reencarnação então chamada de ressurreição.

Retomando a passagem que analisamos, que nos desperta reflexões sobre a verdadeira postura fraterna, vemos que Jesus, ao contrário dos fariseus, dirigia seus ensinamentos a todos, sem exceções. O Mestre aproveitava todas as oportunidades para ensinar e vivenciar as suas lições, e assim convivia tanto com os Doutores da Lei, bem como com aqueles que eram considerados pecadores, pois “os sãos não precisam de médico”.

Nestas palavras encontramos a essência do Cristianismo: consolar e auxiliar os mais necessitados, os que se sentem deserdados, os ignorantes, e todos aqueles que buscam o conhecimento, buscam um caminho de espiritualização, em uma palavra: buscam a Luz.

Neste simbolismo de médico e doente, podemos imaginar: o que seria se um médico, que tem a função de atender os doentes do corpo, não atendesse aqueles que o procurassem, ou ainda, se fizesse distinções entre um e outro doente, rejeitando os mais enfermos?

Da mesma forma, podemos perguntar: o que seria se um cristão, que optou por vivenciar as lições de Jesus, não acolhesse os sofredores, não amparasse os necessitados, não consolasse os aflitos e os que choram?

Esse cristão, podemos afirmar, não teria compreendido os ensinamentos do Mestre.

Jesus convida-nos, assim, a exercer a caridade verdadeira, sem qualquer discriminação, e a todos acolher, em qualquer tempo e lugar.

JESUS É O SENHOR DO SÁBADO

“Por esse tempo, Jesus passou, num sábado, pelas plantações. Os seus discípulos, que estavam conforme, puseram-se a arrancar espigas e a comê-las. Os fariseus, vendo isso disseram: ‘Olha só! Os teus discípulos a fazerem o que não é lícito fazer num sábado!' Mas ele respondeu-lhes: ‘Não lestes o que fez Davi e seus companheiros quando tiveram fome? Como entrou na Casa de Deus e como eles comeram os pães da proposição, que não era lícito comer nem a ele, nem aos que estavam com ele, mas exclusivamente aos sacerdotes? Ou não lestes na Lei que com seus deveres sabáticos os sacerdotes no Templo violam o sábado e ficam sem culpa? Digo-vos que aqui esta algo maior do que o Templo. Se soubésseis o que significa: Misericórdia é que eu quero e não sacrifício, não condenaríeis os que não têm culpa. Pois o Filho do Homem é senhor do sábado’.” (Mt 12:1-8).

A regra de observação ao dia do sábado está contida nos Dez Mandamentos. Foi instituída pela necessidade de se ter um dia para se dedicar ao culto religioso, e ainda para o descanso dos servos, assim como dos animais que precisavam de um dia de repouso.
Podemos ressaltar que, especialmente em relação à dedicação ao culto religioso, esse dia fazia-se necessário, pois os hebreus, quando deixaram o Egito, tinham incorporado muitos dos costumes daquela terra e se mostravam muito apegados aos valores materiais. Era preciso, então, estipular um dia para que, com a família reunida, fosse realizado o culto a Deus.

Essa convenção, de certa forma, foi mantida até nossos dias, pois é comum, em quase todas as sociedades, destinar-se um dia para o descanso do trabalho, bem como, em algumas religiões, estipular-se um dia especial para o culto religioso.

No entanto, tal instituto - o sábado ou outro dia que se designar - não pode ser tomado em absoluto, e ser obstáculo para o exercício da verdadeira religiosidade.

Eis, a propósito, o motivo do ensinamento de Jesus em relação ao sábado.

Em “A Gênese”, cap. XV, item 23, Kardec ressalta que: “Jesus parecia empenhar-se em operar suas curas no dia do sábado, para ter ocasião de protestar contra o rigorismo dos fariseus quanto a guardar o sábado de qualquer atividade. Queria lhes mostrar que a verdadeira piedade não consiste na observância das práticas exteriores e das coisas formais, mas está nos sentimentos do coração. Justifica-se dizendo: ‘Meu Pai não cessa de agir até o presente, e atuo também incessantemente’; isto é, ‘Deus não suspende de nenhum modo suas obras nem sua ação sobre as coisas da Natureza, no dia de sábado; Ele continua ordenando produzir o que é necessário a vossa alimentação e a vossa saúde, e sou o exemplo d’Ele.'.”

Nesta síntese do codificador, vemos que o apego a letra não representa o verdadeiro cumprimento a Lei Divina, mas a verdadeira observância reside, como asseverou Kardec, nos atos derivados dos sentimentos do coração, ou seja, a compaixão, a piedade, a misericórdia.

Eis porque Jesus disse: “Misericórdia é que eu quero e não sacrifício”.

Muitas vezes, nós desperdiçamos grandes oportunidades de elevação espiritual por estarmos muito apegados as convenções humanas. Nesse sentido, Emmanuel, na obra “Pão Nosso”, lição no 30, instruí-nos: “As convenções definem, catalogam, especificam e enumeram, mas não devem tiranizar a existência. Lembra-te de que foram dispostas no caminho a fim de te servirem. Respeitas, na feição justa e construtiva; contudo, não as convertas em cárcere.”

MÃOS LAVADAS OU TRADIÇÃO DOS ANTIGOS

“Nesse tempo, chegaram-se a Jesus fariseus e escribas vindos de Jerusalém e disseram: ‘Por que os teus discípulos violam a tradição dos antigos? Pois que não lavam as mãos quando comem’. Ele respondeu-lhes: ‘E vós, por que violais o mandamento de Deus por causa da vossa tradição? Com efeito, Deus disse: Honra pai e mãe e aquele que mal disser pai ou mãe certamente deve morrer. Vós, porém, dizeis: Aquele que disser ao pai ou à mãe ‘Aquilo que de mim poderias receber foi consagrado a Deus’, esse não está obrigado a honrar pai ou mãe. E assim invalidastes a Palavra de Deus por causa da vossa tradição. Hipócritas! Bem profetizou Isaias a vosso respeito, quando disse: Este povo me honra com os lábios, mas o coração está longe de mim. Em vão me prestam culto, pois o que ensinam são apenas mandamentos humanos’.” (Mt 15:1-9).

Nesta outra passagem, uma vez mais, encontramos os fariseus questionando as posturas dos discípulos de Jesus, alegando que eles estariam violando a tradição dos antigos.

Jesus, que conhecia suas intenções e seus atos, desmascarava-os, lembrando-os que eles transgrediam os Mandamentos de acordo com as suas conveniências, como em relação ao dever de honrar pai e mãe.

Conforme nos ensina Kardec em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, cap. VIII, item 10: “Como era mais fácil observar a prática dos atos exteriores, do que reformar-se moralmente, de lavar as mãos do que limpar o coração, os homens se iludiam a si mesmos, acreditando-se quites com a justiça de Deus, porque se habituavam a essas práticas e continuavam como eram, sem se modificarem, pois lhe ensinavam que Deus não exigia nada mais”.

Aqui, podemos recordar que, dentre as diversas normas e costumes instituídos entre o povo hebreu, muitos eram motivados por necessidades reais de educação e higiene. Dentre esta última, está a de lavar as mãos antes da alimentação.

Esta regra, que nos parece óbvia, não era usual a época, como muitas outras necessárias a higiene. Assim, pois, era preciso estabelecer regras obrigatórias até que o habito se tomasse natural entre eles.

Com o passar do tempo, essa regra de higiene tomou-se um ritual, ao qual se atribuía maior importância do que o cumprimento dos Mandamentos, como vemos na exortação de Jesus.

No entanto, temos que considerar que, na verdade, as práticas exteriores não são mais importantes que a adoração verdadeira, no interior do Ser, que implica em buscar a prática das virtudes e da caridade, como vemos no mesmo item de “O Evangelho Segundo o Espiritismo” acima citado:

“A finalidade da religião é conduzir o homem a Deus. Mas o homem não chega a Deus enquanto não se fizer perfeito. Toda religião, portanto, que não melhorar o homem, não atinge a sua finalidade.”

(...) “Não é suficiente ter as aparências da pureza; é necessário antes de tudo ter a pureza de coração.”

QUESTÃO REFLEXIVA:

Comente os ensinamentos de Jesus: “Os sãos não precisam de médico”.

A imagem acima é meramente ilustrativa. Fonte: Internet Google.
 

quarta-feira, 16 de abril de 2025

5ª Aula Parte B – CURSO APRENDIZES DO EVANGELHO 2º ANO – FEESP

Parábola das Dez Virgens; Parábola do Mordomo; Orai e Vigiai.

PARÁBOLA DAS DEZ VIRGENS (OU AS VIRGENS INSENSATAS E AS PRUDENTES)

“Então o reino dos Céus será semelhante a dez virgens que, tomando suas lâmpadas, saíram ao encontro do noivo. Cinco, eram insensatas e Cinco, prudentes. As insensatas, ao pegarem as lâmpadas, não levaram azeite consigo, enquanto as prudentes levaram vasos de azeite com suas lâmpadas. Atrasando o noivo, todas elas acabaram cochilando e dormindo. À meia-noite, ouviu-se um grito: ‘O noivo vem aí! Saí ao seu encontro!’ Todas as virgens levantaram-se, então, e trataram de aprontar as lâmpadas. As insensatas disseram as prudentes: ‘Dai-nos do vosso azeite, porque as nossas lâmpadas apagam-se’. As prudentes responderam: ‘De modo algum, o azeite poderia não bastar para nós e para vós. Ide antes aos que vendem e comprai para vós’. Enquanto foram comprar o azeite, o noivo chegou e as que estavam prontas entraram com ele para o banquete de núpcias. E fechou-se aporta. Finalmente, chegaram às outras virgens, dizendo: Senhor, senhor; abre-nos!’ Mas ele respondeu: ‘Em verdade vos digo não vos conheço!’ Vigiai, portanto, porque não sabeis nem o dia nem a hora.” (Mt 25:1-13).

As reencarnações terrenas - oportunidades para novos aprendizados, para novas provas e reparação de equívocos passados - contam-se aos milhares todos os dias. Dependendo da condição espiritual, as novas existências são solicitadas, e em parte planejadas, por nós, ainda no mundo espiritual.

Quando mergulhados no corpo físico, porém, despreocupamo-nos daquilo que nos propusemos ao reencarnar, permitindo que nossas imperfeições morais tomem vulto e, por vezes, dominem nossa vida. Nem sequer nos recordamos da importância do aprimoramento para podermos participar do “banquete espiritual”, quando retornarmos ao mundo dos Espíritos.

Esta parábola mostra-nos a importância da vigilância e da prudência para que trabalhemos, constante e incessantemente, praticando o bem e a caridade, pois, em determinado momento, que nos é desconhecido, deixaremos o corpo físico e teremos que nos confrontar com aquilo que plantamos.

Não é na hora da morte ou nos últimos momentos de nossa reencarnação que, subitamente, procederemos às transformações necessárias para angariar os tesouros espirituais que garantirão a nossa entrada no “Reino dos Céus”.

As virgens prudentes (em algumas versões: previdentes ou sensatas) representam as pessoas que compreendem os objetivos da sua encarnação e procuram viver, da melhor forma, os ensinamentos evangélicos, esforçando-se na renovação de seus valores, afastando as imperfeições e hábitos menos nobres.

As virgens insensatas (em algumas versões imprudentes, néscias, ou loucas) são as pessoas que vivem e morrem se preocupando apenas consigo mesmas, ligadas as ilusões da matéria, sem se atentarem para a prática do Bem, esquecendo-se de adquirir os tesouros “que as traças não corroem”, ou seja, os do Espírito.

O “noivo” (ou esposo) é Jesus, que se uniu a Humanidade (esposa), representada pelas virgens; sua chegada significa o convite para o “banquete espiritual”, através de seus ensinamentos morais. A aceitação desse convite dependera da prudência (preparo) ou insensatez (despreparo) dos Homens. Os que o aceitarem ingressarão em uma Nova Era, que se assentara na moral do Cristo: um mundo novo de paz e alegria, onde o Bem suplantara o Mal.

As lâmpadas representam a nossa luz interior, a essência divina que existe em nós, que não deve ficar apagada ou escondida, mas deve brilhar para iluminar o nosso caminho e o dos que o compartilham conosco.

O azeite é o combustível que deve abastecer as lâmpadas e representa as qualidades espirituais que vamos adquirindo durante as nossas estadias na Terra. Essas aquisições são pessoais e intransferíveis, e, por esse motivo, as virgens da parábola não puderam dividir com as virgens insensatas o azeite que, prudentemente, haviam levado consigo.

Como não haviam reservado azeite (renovação interior e boas obras), elas se atrasaram ao procurá-lo apressadamente e, ao voltar, encontraram a porta fechada. Restou-lhes, então, retomar a vida terrena para adquirir sua provisão do “azeite” da prática do amor fraterno, através de novas experiências vividas durante a reencarnação.

“Vigiai, portanto, porque não sabeis nem o dia nem a hora”, diz Jesus na parábola; por isso, o verdadeiro cristão deve “vigiar e orar” sempre, estar disposto e disponível para trabalhar na seara do Mestre, com entusiasmo e boa vontade, por menor que seja a tarefa; utilizar de prudência em todas as suas ações, adquirindo a serenidade suficiente em seu coração para um dia, retomar a pátria espiritual.

PARÁBOLA DO MORDOMO

“Quem é, pois, o servo fiel e prudente que o senhor constituiu sobre a criadagem, para dar-lhe o alimento em tempo oportuno? Feliz aquele servo que o Senhor ao chegar encontrar assim ocupado. Em verdade vos digo, ele o constituirá sobre todos os seus bens. Se aquele mau servo disser em seu coração: ‘Meu Senhor tarda’, e começar a espancar seus companheiros, a comer e beber em companhia dos beberrões, o senhor daquele servo virá em dia imprevisto e hora ignorada. Ele o partirá ao meio e lhe designará seu lugar entre os hipócritas. Ali haverá choro e ranger de dentes.” (Mt 24:45-51).

Esta parábola tem sentido semelhante a “Parábola das Dez Virgens”: indica-nos a necessidade do trabalho, da prudência, da honestidade de propósitos. Convida-nos, também, a vigilância de nós mesmos, dos nossos pensamentos e atitudes, pois não nos é dado conhecer em que momento seremos provados como verdadeiros discípulos de Jesus.

A parábola trata do servo fiel e prudente, aquele que é responsável por todas as tarefas que assume e cumpre seus deveres com respeito e humildade, honrando o salário que lhe foi oferecido; que cuida do seu progresso espiritual e se preocupa com seus companheiros, amparando-os nas necessidades materiais e partilhando com eles seus valores morais. Este é o servo a quem o Senhor confiará os seus bens, e ele terá condições de entrar no “Reino dos Céus” e de participar do “banquete espiritual”.

O mau servo é o que não se preocupa com o momento da chegada do seu Senhor e maltrata seus companheiros, entrega-se aos maus hábitos, a ignorância, ao egoísmo, a violência... Há muitas espécies de servos infiéis e imprudentes, tantas quantas são as imperfeições humanas; mas todos recebem, pela Bondade do Pai, inúmeras oportunidades de se tornarem servos fiéis, dependendo apenas de cada um: a escolha do caminho e a recompensa ou o sofrimento que venham a receber.

Na narração de Lucas (12:47-48), evidencia-se, ainda mais, a questão da Justiça e da Bondade Divina: “Aquele servo que conheceu a vontade de seu senhor mas não se preparou e não agiu conforme sua vontade, será açoitado muitas vezes. Todavia, aquele que não a conheceu e tiver feito coisas dignas de chicotadas, será acoitado poucas vezes”.

Quando temos consciência de que estamos infringindo deliberadamente a Lei Divina, por nossa livre escolha, passaremos por aprendizados mais difíceis, por vezes bastante dolorosos, para que possamos harmonizar-nos novamente com ela. Entretanto, para aquele dentre nós que desrespeitar a Lei por ignorância, por ainda não conhecer ou não compreender a Vontade do Pai, as faltas serão atenuadas, e recebera novas oportunidades reencarnatórias para seu aprendizado.

ORAI E VIGIAI

“Vigiai e orai para não entrar em tentação: pois o espírito está pronto, mas a carne é fraca.” (Mc 14:38).

Reencarnamos, trazendo conosco toda a bagagem espiritual adquirida nas múltiplas jornadas passadas, e carregamos tanto as virtudes conquistadas, como também os desequilíbrios ainda não superados. E aqui, na escola terrena, que temos a oportunidade de nos reajustarmos, corrigindo e renovando as nossas disposições íntimas.

Assim sendo, tentações de toda a espécie permeiam a nossa vida, algumas surgindo das nossas próprias tendências, outras como sugestões sedutoras de desencarnados ou encarnados, que se aproveitando de nossas más paixões, buscam manter-nos na inferioridade.

Quando Jesus recomenda-nos o “Vigia e Orai”, está incentivando-nos a não nos deixarmos acorrentar as perturbações e seduções deste mundo. Precisamos ter firmeza e estar conscientes de que depende somente do nosso esforço individual direcionar o nosso pensamento para o Bem, escolher os valores morais que nos convém, exercitando a humildade, a paciência, o perdão, a fraternidade e permanecendo, constantemente, em sintonia com o Plano Maior através da prece sincera.

Alerta-nos Vinicius, em sua obra “Em Tomo do Mestre”, a importância de vigiarmos a nos mesmos: “Confiai em Deus e na sua justiça. Desconfiai dos homens, da tentação e das fascinações do século; mas, sobretudo, desconfiai de vós mesmos”.

Mais uma vez, através do “Orai e Vigia”, o Mestre trouxe-nos uma verdadeira norma de conduta para que pudéssemos manter-nos física e espiritualmente saudáveis.

QUESTÃO REFLEXIVA:

O que representa em nossa vida diária “Vigiar e Orar”?

Bibliografia
- A Bíblia de Jerusalém.
- Kardec, Allan - O Livro dos Espíritos - Ed. FEESP.
- Kardec, Allan - O Evangelho Segundo o Espiritismo - Ed. FEESP.
- Almeida, José de Sousa e - As Parábolas - Ed. FEESP.
- Schutel, Cairbar - Parábolas e Ensinos de Jesus.
- Godoy, Paulo Alves - O Evangelho Pede Licença - Ed. FEESP.
- Vinicius - Em Torno do Mestre.

A imagem acima é meramente ilustrativa. Fonte: Internet Google.
 

terça-feira, 15 de abril de 2025

5ª Aula Parte A – CURSO APRENDIZES DO EVANGELHO 2º ANO – FEESP

Parábolas e Ensinamentos de Jesus Sobre a Misericórdia Divina e a Necessidade da Vigilância

A Parábola do Filho Pródigo, A Parábola da Ovelha Perdida, Ajuda-te que o Céu te Ajudará.

A PARÁBOLA DO FILHO PRÓDIGO

“Um homem tinha dois filhos, O mais jovem disse ao pai: ‘Pai, dá-me a parte da herança que me cabe’. E o pai dividiu a herança entre eles. Poucos dias depois, juntando todos os seus haveres, o filho mais jovem partiu para uma região longínqua e ali dissipou sua herança numa vida devassa.
E gastou tudo. Sobreveio aquela região uma grande fome e ele começou a passar privações. Foi, então, empregar-se com um dos homens daquela região, que o mandou para seus campos cuidar dos porcos. Ele queria matar a fome com as bolotas que os porcos comiam, mas ninguém lhas dava. E caindo em si, disse: ‘Quantos empregados de meu pai tem pão com fartura, e eu aqui, morrendo de fome! Vou-me embora, procurar meu pai e dizer-lhe: ‘Pai pequei contra o Céu e contra ti; já não sou digno de ser chamado teu filho. Trata-me como um dos teus empregados’. Partiu, então, e foi ao encontro de seu pai.
Ele estava ainda ao longe, quando seu pai viu-o, encheu-se de compaixão, correu e lançou-se lhe ao pescoço, cobrindo-o de beijos. O filho, então, disse-lhe: ‘Pai, pequei contra o Céu e contra ti; já não sou digno de ser chamado teu filho’. Mas o pai disse aos seus servos: ‘Ide depressa, trazei a melhor túnica e revesti-o com ela, ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés. Trazei o novilho cevado e matai-o; comamos e festejemos, pois este meu filho estava morto e tornou a viver; estava perdido e foi reencontrado! E começaram a festejar.
Seu filho mais velho estava no campo. Quando voltava, já perto de casa ouviu músicas e danças. Chamando um servo, perguntou-lhe o que estava acontecendo. Este lhe disse: ‘É teu irmão que voltou e teu pai matou o novilho cevado, porque o recuperou com saúde’. Então, ele ficou com muita raiva e não queria entrar; seu pai saiu para suplicar-lhe. Ele, porém, respondeu a seu pai: ‘Há tantos anos que te sirvo, e jamais transgredi um só dos teus mandamentos, e nunca me deste um cabrito para festejar com meus amigos. Contudo, veio esse teu filho, que devorou teus bens com prostitutas, e para ele matas o novilho cevado!’
Mas o pai lhe disse: ‘Filho, tu estas sempre comigo, e tudo o que é meu é teu. Mas era preciso que festejássemos e nos alegrássemos, pois esse teu irmão estava morto e tornou a viver; estava perdido e foi reencontrado’!”. (Lc 15:11-32).

Esta é uma das mais belas e conhecidas parábolas contadas por Jesus, e nos traz a oportunidade para meditarmos acerca de uma infinidade de sentimentos ainda arraigados nos corações humanos: o egoísmo, a indiferença em relação aos dons recebidos, a inveja, o ciúme, a ausência de compaixão.

Ressalta ainda a importância do perdão e da busca da transformação interior, e, principalmente, mostra a presença infalível da Bondade, da Misericórdia e da Justiça Divinas.

Nesta alegoria trazida pelo Mestre, temos três figuras centrais: o pai representa Deus e os dois filhos simbolizam a Humanidade em suas diversas faces:

O filho pródigo é o dissipador, “sem juízo”, extremamente ligado à materialidade, aos gozos terrenos, mas que depois se torna o filho que ao cair em si e ao reconhecer que todo o seu sofrimento foi fruto de suas más escolhas, retoma arrependido e procura o perdão do pai, que o recebe com alegria e compaixão.

O filho obediente é aquele que cumpre seus deveres, mas, no fundo, é ciumento, egoísta, sem compaixão: “Há tantos anos que te sirvo, e jamais transgredi um só dos teus mandamentos, e nunca me deste um cabrito para festejar com meus amigos”. Revoltado nega-se a compreender e aceitar a misericórdia do pai: “(...) Filho, tu estás sempre comigo, e tudo o que é meu é teu. Mas era preciso que festejássemos e nos alegrássemos, pois este meu filho estava morto e tornou a viver; estava perdido e foi reencontrado”.

Podemos ainda extrair deste contexto:

- A “herança” é a potencialidade do Espírito, os “talentos”, os recursos que Deus oferece-nos para que os transformemos em qualidades espirituais plenas e os utilizemos para a prática do Bem;

- A “região longínqua” é o nosso distanciamento da Lei Divina, quando escolhemos dissipar os bens que o Pai ofertou-nos, perdendo oportunidades valiosas de crescimento;

- A “fome”, que o filho sofre depois de uma vida de devassidão, é a ausência dos valores espirituais, de amor, daquilo que existe com fartura na Casa do Pai;

- Voltar a “Casa do Pai” significa reencontrar-se e buscar o amparo da Lei Divina, buscar a Misericórdia Divina, ou seja, o reencontro com o Pai Criador.

Esta parábola oferece-nos inúmeros ensinamentos para nossa reflexão. Como estamos todos submetidos à Lei de Ação e Reação, criamos, para nós mesmos, situações felizes ou infelizes, segundo as nossas escolhas. Por vezes, deixamos de observar as Leis de Deus e utilizamos o nosso livre arbítrio de forma errônea; saímos em busca das ilusões mundanas, pensando, assim, encontrar a felicidade.

Jesus mostra-nos a necessidade de cultivarmos a humildade para voltar atrás, de reconhecer o erro e pedir perdão; de buscar a coragem para recomeçar.

A experiência do sofrimento traz-nos sabedoria quando a lição é aprendida. Não importa quantas reencarnações já tivemos e ainda teremos, nem as opções equivocadas que fizemos; por mais graves que tenham sido, voltaremos a Casa do Pai, ao encontro do Amor e da felicidade: o Pai sempre nos oferece infinitas oportunidades de refazermos os nossos aprendizados.

O Pai jamais repudia o filho que errou e volta arrependido, ou mesmo o filho que teve uma atitude egoísta e impiedosa para com seu irmão: respeita o tempo de cada um.

É isto que o irmão mais velho do filho pródigo ainda não podia entender: a alegria de seu pai, simbolizando o Amor Incondicional do Pai Criador, quando conscientemente o filho pródigo retornou ao caminho do Bem: “... pois esse teu irmão estava morto e tornou a viver; estava perdido e foi reencontrado...”

Na obra “Parábolas e Ensinos de Jesus”, Cairbar Schutel discorre: “Quando a criatura humana, num momento de irreflexão se afasta de Deus, e, dissipando os bens que o Criador a todos doou, se entrega a toda sorte de dissoluções, a dor e à miséria, esses terríveis aguilhões do Progresso Espiritual ferem rijo a sua alma orgulhosa até que, num momento supremo de angústia, ela possa elevar-se para Deus e deliberar reentrar no caminho da perfectibilidade. É então que, como o Filho Pródigo, o homem transviado, tocado pelo arrependimento, volta-se para o Pai carinhoso e diz. ‘Pai, pequei contra o Céu e contra ti; já não sou digno de ser chamado teu filho...’ E Deus, nosso amoroso Criador que já o havia visto em caminho para Ele se aproximar e rogar; abre aquele filho as portas da regeneração e lhe faculta todas as dádivas, todos os dons necessários para esse grandioso trabalho da perfeição espiritual.”

Esta parábola, em última análise, desperta-nos para ver quão infinita é a Misericórdia Divina.

Nós próprios, precisamos lembrar, quando nos afastamos da Lei Divina, também nos tornamos filhos pródigos. Porém, quando despertamos, percebemos o engano cometido e buscamos corrigi-lo, somos sempre bem-vindos a “Casa do Pai”.

Essa certeza, desperta-nos, ainda, para o desejo de agir fraternalmente, acolhendo, segundo nossas possibilidades, todos aqueles “filhos pródigos” que encontrarmos pelo caminho, ajudando-os a também reencontrarem o caminho da “Casa do Pai”.

A PARÁBOLA DA OVELHA PERDIDA (OU DESGARRADA)

“Qual de vós, tendo cem ovelhas e perder uma, não abandona as noventa e nove no deserto e vai em busca daquela que se perdeu, até encontrá-la? E achando-a, alegre a põe sobre os ombros e, de volta para casa, convoca os amigos e os vizinhos, dizendo-lhes: ‘Alegrai-vos comigo, porque encontrei a minha ovelha perdida! Eu vos digo que do mesmo modo haverá mais alegria no céu por um só pecador que se arrepende, do que por noventa e nove justos que não precisam de arrependimento.” (Lc 15:4-7).

A “Parábola da Ovelha Perdida” traz ensinamentos semelhantes ao da “Parábola da Dracma Perdida”:

- o empenho da Espiritualidade em nos proteger;

- a inexistência de erro que não possa ser reparado;

- a inexistência de condenação por toda a eternidade;

- alegria dos Benfeitores Espirituais quando “somos encontrados”.

Desde o Velho Testamento encontramos a mesma simbologia sobre a Previdência Divina, ou seja, a Proteção Divina que se estende a todos os seus filhos, “as ovelhas”, como vemos em Ezequiel 34:11-12 e 16: “...Certamente eu mesmo cuidarei do meu rebanho e dele me ocuparei. Como o pastor cuida do seu rebanho, quando está no meio das suas ovelhas dispersas, assim cuidarei das minhas ovelhas e as recolherei de todos os lugares por onde se dispersaram em dia de nuvem e escuridão. (...) Buscarei a ovelha que estiver perdida, reconduzirei a que estiver desgarrada, pensarei a que estiver fraturada e restaurarei a que estiver abatida”.

Deus, em Sua Infinita Bondade, é um Pai Amoroso, que respeita a liberdade de escolha de seus filhos, porque, em sua profunda sabedoria, conhece a alma de cada um, e sabe que nenhum Espírito permanecerá eternamente perdido nos desvios do caminho, condenados para sempre ao sofrimento e as trevas da ignorância.

Chegará o momento em que, compreendendo as Leis Divinas, retomaremos a Casa Paterna, e seremos acolhidos com imensa alegria: “haverá mais alegria no céu por um só pecador que se arrepende, do que por noventa e nove justos que não precisam de arrependimento.”.

É, realmente, confortadora a ideia de que nenhuma ovelha será deixada para trás, que nenhuma ovelha será perdida.

Diferentemente de muitas outras doutrinas, que pregavam ou ainda pregam as penas eternas, o Espiritismo, retirando o véu que encobria o conhecimento sobre nossa condição futura, demonstra que todos alcançarão a felicidade plena.

Não há, assim, almas perdidas, não há segregação definitiva, não há escuridão eterna, todos encontrarão a Luz. Somente a doce voz do Mestre continuara ecoando aos nossos ouvidos chamando-nos persistentemente ao seu encontro.

E vivenciando os ensinamentos do Cristo, procuraremos aqueles que estão à margem, aqueles que foram excluídos, aqueles que foram abandonados e desprezados, aqueles que ainda estão nas trevas. Quando apreendermos verdadeiramente as lições inolvidáveis do Mestre, o meigo Pastor das almas da Terra, poderemos tornar-nos pequeninos pastores, auxiliando-o a conduzir o rebanho terreno rumo a felicidade e a plenitude desejadas.

AJUDA-TE QUE O CÉU TE AJUDARÁ

“Pedi e vos será dado; buscai e achareis; batei e vos será aberto; pois todo o que pede recebe; o que busca acha e ao que bate se lhe abrirá”. (Mt 7:7-8).

Estas afirmações, pronunciadas por Jesus no Sermão do Monte, fazem-nos refletir:

Bastaria, então, que pedíssemos em prece para que tudo nos fosse concedido?

Naturalmente que não. Imaginemos, por exemplo, se os pais dessem aos filhos tudo que eles quisessem. Não seria, muitas vezes, prejudicial? O bom pai e a boa mãe são aqueles que se importam com o bem estar de seus filhos e buscam orientá-los, a todo o momento, através do “sim” e do “não”.

Em geral, as crianças não conseguem perceber o mal que certas coisas poderiam causar-lhes. No entanto, quando adultas, elas agradecerão aos seus pais por livrá-las do mal quando eram pequenas, e por direcioná-las ao Bem.

Deus, em sua Infinita Sabedoria, sabe o que melhor nos convém. Nem tudo o que queremos nos convém para a nossa melhoria espiritual.

Por isso, o que em realidade devemos pedir?

Lembremos que antes da passagem de Jesus por Israel, naquela região, o que as pessoas costumavam pedir em suas orações era, em geral, coisas materiais, como haviam clamado pela “terra prometida onde abundava o leite e o mel”.

Os ensinamentos de Jesus vêm conclamar-nos a não pedir patrimônios materiais, mas, sim, a força para desenvolvermos as virtudes'. Reflitamos sobre essas virtudes: coragem, resignação, paciência, esperança...

Do que mais precisaríamos?

Se pensarmos em todas as circunstâncias difíceis da vida que nos podem ocorrer, podemos ficar imaginando uma serie de soluções. Mas de todas as soluções que pudermos imaginar, as únicas que realmente serão estáveis, duradouras, e eficazes são nossas disposições íntimas, nossos sentimentos de boa vontade.

Os bens materiais, eventualmente, podem ser perdidos em um único instante. As virtudes, no entanto, jamais se perdem.

Por isso, se orarmos com fervor, receberemos inspirações dos Mensageiros Celestiais que renovarão nossa esperança e nos trarão a sustentação necessária para enfrentarmos qualquer situação que apareça em nosso caminho. Poderemos, assim, vivenciar todas as provações da vida, sem nos abalarmos: o Pai jamais coloca um fardo maior do que aquele que o filho pode carregar.

Em “O Evangelho Segundo O Espiritismo”, cap. XXV item 5, encontramos: “Segundo a compreensão moral, essas palavras significam o seguinte: Pedi a luz que deve clarear o vosso caminho, e ela vos será dada, pedi a força de resistir ao mal, e a tereis; pedi a assistência dos Bons Espíritos, e eles virão ajudar-vos, e, como o anjo de Tobias, vos servirão de guias; pedi bons conselhos, e jamais vos serão recusados; batei a nossa porta, e ela vos será aberta; mas pedi sinceramente, com fé, fervor e confiança; apresentai-vos com humildade e não com arrogância, sem o que sereis abandonados as vossas próprias forças, e as próprias quedas que sofrerdes constituirão a punição do vosso orgulho.”

Outro aspecto relevante na afirmarão “Ajuda-te, que o Céu te ajudara” é que, podemos notar, há uma situação condicional, ou seja, a primeira ação é sempre nossa: primeiro temos que nos ajudar, e então o Céu nos ajudará. Para caminharmos adiante, somos nós que temos que dar os primeiros passos.

É preciso que cada um faça a sua parte: para receberem, devem pedir; para acharem, devem buscar; para entrarem, devem bater... Isso significa, em outras palavras, que é preciso trabalhar para conseguir realizar os nossos propósitos.

O trabalho desenvolve a inteligência e gera o progresso!

Essas duas Leis - a Lei do Trabalho e a Lei do Progresso – São Leis Divinas. Kardec, oportunamente, comenta no item três do mesmo capitulo acima citado que: “Se Deus tivesse liberado o homem do trabalho físico, seus membros seriam atrofiados; se o livrasse do trabalho intelectual, seu espírito permaneceria na infância...”

Vemos, pois, que todas as coisas têm um propósito, uma razão de ser, e nós só nos tornamos melhores quando utilizamos nossos dons físicos e intelectuais. Assim, continua o codificador: “...Busca e acharás; trabalha e produzirás; e desta maneira serás filho das tuas obras, terás o mérito da sua realização e serás recompensado Segundo o que tiveres feito.”

Ajudemo-nos: Busquemos o trabalho e o estudo, e o “Céu” nos ajudará.

QUESTÃO REFLEXIVA:

Comente os ensinamentos que lhe chamaram a atenção na Parábola do Filho Pródigo.

A imagem acima é meramente ilustrativa. Fonte: Internet Google.
 

quinta-feira, 10 de abril de 2025

4ª Aula Parte B – CURSO APRENDIZES DO EVANGELHO 2º ANO – FEESP

Parábola do Fariseu e do Publicano, Parábola dos Primeiros Lugares, Quem se Elevar Será Rebaixado.

PARÁBOLA DO FARISEU E DO PUBLICANO

“Contou ainda esta parábola para alguns que, convencidos de serem justos, desprezavam os outros: ‘Dois homens subiram ao Templo para orar; um era fariseu e o outro publicano. O fariseu, de pé, orava interiormente deste modo: ‘Ó Deus, eu te dou graças porque não sou como o resto dos homens, ladrões, injustos, adúlteros, nem como esse publicano; jejuo duas vezes por semana, pago o dízimo de todos os meus rendimentos’. O publicano, mantendo-se à distância, não ousava sequer levantar os olhos para o céu, mas batia no peito dizendo: ‘Meu Deus, tem piedade de mim, pecador!’ Eu vos digo que este último desceu para casa justificado, o outro não. Pois todo o que se exalta será humilhado, e quem se humilha será exaltado.” (Lc 18:9-14).

Esta parábola apresenta dois personagens principais, que podem, ainda hoje, ilustrar diferentes feições do comportamento humano: o fariseu e o publicano.

Na Introdução de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, item III, Kardec traz-nos informações sobre eles:

- Fariseus: Das disputas teológicas e das interpretações divergentes das escrituras, surgiram, entre os judeus, várias seitas, dentre as quais, a dos fariseus, que era a mais influente: “Observadores servis das práticas exteriores do culto e das cerimônias, tomados de ardoroso proselitismo, inimigos das inovações, afetavam grande severidade de princípios. Mas, sob as aparências de uma devoção meticulosa, escondiam costumes dissolutos, muito orgulho e, sobretudo excessivo desejo de dominação...”

- Publicanos: “Eram assim chamados, na Roma amiga, os cavaleiros arrendatários das taxas públicas, encarregados da cobrança dos impostos e das rendas de toda espécie, fosse na própria Roma ou em outras partes do Império (...) Os judeus tinham, portanto, horror ao imposto, e, por consequência, a todos os que se encarregavam de arrecadá-lo...”

Jesus chama a atenção para a postura dos dois personagens: o fariseu, à frente, em pé, julgando-se perfeito e cheio de méritos, enquanto, por puro preconceito, desdenhava do publicano.

Qualquer julgamento que tivermos de nosso semelhante, pelas aparências externas, será um ato inconsiderado, superficial, leviano. Não vemos, a propósito, entre as classes mais desprezadas, entre os mais miseráveis e, às vezes, colocados à margem da sociedade, não vemos emergirem grandes almas? Não vemos, muitas vezes, entre os excluídos, aqueles que demonstram nobreza de caráter, humildade e resignação diante da vida? E, do outro lado, não vemos, no seio de muitos grupos dominantes, que se arrogam todo valor e mérito, não vemos entre eles, por vezes, os piores comportamentos, as piores demonstrações de impiedade?

O Mestre disse: “Não julgueis para não serdes julgados. Pois com o julgamento com que julgais sereis julgados, e com a medida com que medis sereis medidos. Por que reparas no cisco que está no olho do teu irmão, quando não percebes a trave que está no teu?” (Mt 7:1-3).

É muito mais fácil enxergarmos o defeito alheio, apontarmos seus erros e julgá-lo com todo o rigor, do que identificarmos e corrigirmos, ou mesmo condenarmos, os nossos próprios enganos.

Já a postura do publicano é em tudo oposta a do fariseu: ficou à distância, de cabeça baixa, humildemente reconhecendo suas imperfeições e pedindo perdão a Deus.

Jesus faz nesta parábola, um paralelo entre o orgulho e a humildade. O orgulho é uma das imperfeições morais mais prevalentes na Humanidade. Em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, cap. IX, item 9, um Espírito Protetor diz: "O orgulho vos leva a vos julgardes mais do que sois, a não aceitar uma comparação que vos possa rebaixar e a vos considerardes, ao contrário, de tal maneira acima de vossos irmãos, seja na finura de espírito, seja no tocante a posição social, seja ainda em relação às vantagens pessoais, que o menor paralelo vos irrita e vos fere.”

A humildade é a virtude que nos permite o autoconhecimento, e nos traz o sentimento de respeito, referência e submissão a Vontade Divina.

Em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, cap. VII, item II, o Espírito Lacordaire afirma em sua mensagem: “A humildade é uma virtude bem esquecida entre vós. (...) E, no entanto, sem humildade, podeis ser caridosos para o vosso próximo? Oh! não, porque esse sentimento nivela os homens, mostra-lhes que são irmãos, que devem ajudar-se mutuamente, e os encaminha para o bem. Sem a humildade, enfeitai-vos de virtudes que não possuís como se vestísseis um hábito para ocultar as deformidades do corpo. Lembrai-vos D’aquele que nos salva; lembrai-vos da sua humildade, que o fez tão grande e o elevou acima de todos os profetas”.

A parábola leva-nos, também, a refletir sobre as condições da prece para que ela seja eficaz: é imprescindível cultivarmos pensamentos e sentimentos amorosos e fraternos; a humildade e a sinceridade devem estar no coração, nos olhos e nas palavras. Se orarmos apenas com os lábios, enquanto o orgulho domina nossa alma, a prece será vazia e sem objetivo. Busquemos sempre seguir o exemplo de Jesus.

PARÁBOLA DOS PRIMEIROS LUGARES (OU DOS ÚLTIMOS LUGARES)

“Em seguida contou uma parábola aos convidados, ao notar como eles escolhiam os primeiros lugares. Disse-lhes: ‘Quando alguém te convidar para uma festa de casamento, não te ponhas no primeiro lugar; não aconteça que alguém mais digno do que tu tinha sido convidado por ele, e quem convidou a ti e a ele venha a tu dizer: ‘Cede-lhe o lugar deverás, então, todo envergonhado, ocupar o último lugar Pelo contrário, quando fores convidado, ocupa o último lugar de modo que, ao chegar quem te convidou, te diga: ‘Amigo, vem mais para cima’. E isso será para ti uma honra em presença de todos os convivas. Pois todo aquele que se exalta será humilhado, e quem se humilha será exaltado”. (LC 14: 7-11).

Jesus não perdia nenhuma oportunidade de ensinar os valores morais e, nesta ocasião, observando o comportamento dos convidados num banquete na casa de um dos chefes dos fariseus, notou como eles corriam para pegar os primeiros assentos a mesa, cada qual buscando colocar-se em maior evidência do que o outro.

Esse desejo incontrolável de estar em evidência, de se assentar nos primeiros lugares é, ainda hoje, plenamente atual. Existe, de fato, um verdadeiro clamor em nosso mundo incentivando-nos a sermos os primeiros, a sermos os “melhores”, a sempre competirmos com nosso semelhante por posições de destaque...

E muitos dos que correm para pegar esses “primeiros assentos”, na verdade, nem sequer possuem o mérito para ocupar tal posição. Por isso ensina Jesus: “Quando alguém te convidar para uma festa de casamento, não te ponhas no primeiro lugar; não aconteça que alguém mais digno do que tu tenha sido convidado por ele, e quem convidou a ti e a ele venha a te dizer: ‘Cede-lhe o lugar’.”

Mas todo aquele que, ansiosamente, buscar esses “primeiros lugares”, sem merecimento para tal, serão, pois, convidados a ceder o lugar: “Deverá, então, todo envergonhado, ocupar o último lugar”.

O ensinamento de Jesus é valioso. Transcendendo o simbolismo da parábola, e abarcando todas as circunstancias da vida, significa que jamais alguém poderá ficar ocupando um lugar que não lhe pertença. A Lei Divina sempre prevalecera. A certeza dessa verdade traz-nos paz ao coração, pois nos lembra de que não precisamos disputar, acirradamente, pelas coisas materiais, eis que tudo que nos pertença, de acordo com a Lei Divina, será, no devido tempo, entregue a nos. Dir-nos-ão: ‘Amigo, vem mais para cima’.

Busquemos então seguir o exemplo do Mestre, e serem aqueles que vencem as ilusões do mundo, essas miragens por onde muitos já se perderam. “De que vale ao homem ganhar o mundo, se perder sua alma”.
Almejemos, então, serem aqueles que, convictos da Soberana Justiça, da Soberana Bondade, desejam servir antes do que ser servidos!

QUEM SE ELEVAR SERA REBAIXADO

A advertência de Jesus: “Pois todo aquele que se exalta será humilhado, e quem se humilha será exaltado” é encontrada na “Parábola dos Primeiros Lugares”, na “Parábola do Fariseu e do Publicano”, além das várias ocasiões em que Jesus, falando a multidão que o seguia e a seus discípulos, expos a hipocrisia e a vaidade dos escribas e fariseus.

Jesus coloca sempre, como condição primeira e essencial da felicidade futura, a humildade, que nos facilita o caminho para as outras virtudes espirituais, e aponta o orgulho como o grande obstáculo ao progresso do Espírito.

Quando, certa vez, os discípulos perguntaram-lhe quem era o maior no Reino dos Céus, ele chamou uma criança, colocou-a como exemplo da simplicidade de coração e disse: “Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos tornardes como as crianças, de modo algum entrareis no Reino dos Céus. Aquele, portanto, que se tornar pequenino como esta criança, esse é o maior no Reino dos Céus”. (Mt 18:3-4).

Os ensinamentos de Jesus compõem um verdadeiro acervo de verdades que transcendem, ultrapassam, contrariam a lógica dos valores do mundo. E preciso ter humildade e “ouvidos de ouvir” para compreender suas lições.

Devemos também considerar que, por vezes, as palavras podem ter um significado no âmbito dos valores do mundo e outro significado no âmbito dos valores espirituais. Vejamos essas duas palavras: exaltar e humilhar.

Exaltar - De acordo com a sua acepção mais comum, exaltar pode ser o ato de se vangloriar, de se elevar, de se colocar bem no alto.

Muitos, bem o sabemos, fazem isso constantemente, e atribuem a si mesmos títulos e virtudes que não possuem. São, nesse primeiro sentido, “exaltados”.

Há, entretanto, outro sentido para exaltar. É aquele em que alguém, pelo seu real valor, pela sua demonstração continua de estudo, trabalho, esforço, é reconhecido pelo verdadeiro mérito.

Portanto, se, transitoriamente, neste mundo, alguém exaltar a si mesmo ou exaltar alguém sem mérito, isso não ocorrerá no plano espiritual, onde todos serão reconhecidos segundo suas obras.

Humilhar - Em sentido geral humilhar é rebaixar moralmente, oprimir, causar vexame, ultrajar, tratar com menosprezo.

Segundo os Valores mundanos, toda vez que alguém não reage a alguma agressão, que não se levanta de forma imponente, que não responde na mesma moeda aos ataques, é, então, considerado humilhado.

Para o cristão, porém, todos os atos considerados pelo mundo como “humilhação”, em absoluto, não representam humilhação verdadeira, mas, ao contrário, representam o mais puro entendimento da Lei Divina, a mais pura compreensão das lições do Mestre, que nos ensinou a “dar a outra face”, ou seja, a “pagar o mal com o bem”.

Então, podemos sintetizar:

- Quem se elevar (exaltar-se), segundo os valores do mundo, será rebaixado (humilhado), segundo os valores espirituais, e

- Quem se rebaixar (humilhar-se), segundo os valores do mundo, será elevado (exaltado), segundo os valores espirituais.

Em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, cap. VII, item 6, Kardec comenta:

“O Espiritismo vem confirmar a teoria pelo exemplo, ao mostrar que os grandes no mundo dos Espíritos são os que foram pequenos na Terra, e que frequentemente são bem pequenos os que foram grandes e poderosos. E que os primeiros levaram consigo, ao morrer aquilo que unicamente constitui a Verdadeira grandeza no céu, e que nunca se perde: as virtudes; enquanto os outros tiveram de deixar aquilo que os fazia grandes na Terra, e que não se pode levar: a fortuna, os títulos, a gloria, a linhagem.”

Quando recordamos os inesquecíveis exemplos do Mestre, com sua coragem inigualável - a Verdadeira coragem - diante de quem os mais perversos tremiam em seu intimo, eis que reconhecia alguém de imensurável autoridade - a Verdadeira autoridade, a moral - compreendemos que Jesus, por insuperavelmente ter se feito “o menor”, por ter suportado as mais cruéis agressões sem reagir, por ter “oferecido a outra face”, por todos os atos únicos, será exaltado, eternamente, por todos seus discípulos fiéis. Prestemos atenção as suas orientações: “(...) aquele que quiser tomar-se grande entre vós, seja aquele que serve, e o que quiser ser o primeiro dentre vós, seja o vosso servo..." (Mt 20:26-27).

Em “alturas” que nem podemos ainda imaginar, ascendeu o Mestre... Que seu sublime exemplo ressoe pela eternidade!

QUESTÃO REFLEXIVA:

Como combater o orgulho na nossa vida diária?

Bibliografia:
- A Bíblia de Jerusalém.
- Kardec, Allan - O Evangelho Segundo o Espiritismo - Ed. FEESP.
- Godoy, Paulo Alves - As Maravilhosas Parábolas de Jesus - Ed. FEESP.
- Almeida, José de Sousa e - As Parábolas - Ed. FEESP.
- Calligaris, Rodolfo - Parábolas Evangélicas.
- Schutel, Cairbar - Parábolas e Ensinos de Jesus.

A imagem acima é meramente ilustrativa. Fonte: Internet Google.
 

terça-feira, 8 de abril de 2025

4ª Aula Parte A – CURSO APRENDIZES DO EVANGELHO 2º ANO – FEESP

Parábolas e Ensinamentos de Jesus Sobre As Falsas Aparências

A Parábola do Bom Samaritano, O Maior Mandamento, Fora da Caridade Não Há Salvação.

A PARÁBOLA DO BOM SAMARITANO

“Ele, porém, querendo se justificar disse a Jesus:' ‘E quem é o meu próximo?’ Jesus retomou: ‘Um homem descia de Jerusalém a Jericó, e caiu no meio de assaltantes que, após havê-lo despojado e espancado, foram-se, deixando-o semimorto. Casualmente descia por esse caminho um sacerdote; viu-o e passou adiante. Igualmente um levita, atravessando esse lugar viu-o e prosseguiu. Certo samaritano em viagem, porém, chegou junto dele, viu-o e moveu-se de compaixão. Aproximou-se, cuidou de suas chagas, derramando óleo e vinho, depois colocou-o em seu próprio animal, conduziu-o a hospedaria e dispensou-lhe cuidados. No dia seguinte, tirou dois denários e deu-os ao hospedeiro, dizendo: ‘Cuida dele, e o que gastares a mais, em meu regresso te pagarei’. Qual dos três, em sua opinião, foi o próximo do homem que caiu nas mãos dos assaltantes? ’Ele respondeu: Aquele que usou de misericórdia para com ele’. Jesus então lhe disse." ‘Vai, e também tu, faze o mesmo.’ (Lc 10: 29-37).

Frequentemente os Doutores da Lei provocavam Jesus, para fazê-lo cair em contradição e, então, denegri-lo perante o povo, que sempre o escutava maravilhado. Um dia, um deles, fingindo desconhecer a Lei, perguntou-lhe: “Mestre, que farei para herdar a vida eterna?”, porém, Jesus, que conhecia a sua verdadeira intenção, perguntou-lhe: “Que está escrito na lei? Como lês?” Ele, então, respondeu-lhe: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de todo o teu entendimento e ao teu próximo como a ti mesmo”. Jesus disse: “Respondeste bem, faze isso e viverás”. O Doutor da Lei, no entanto, não se deu por vencido e disse a Jesus: “E quem é o meu próximo?” Jesus contou-lhe, então, a parábola do samaritano.

Por que teria ele feito essa escolha para exemplificar sua lição moral? Vejamos.

Os samaritanos, recordemos, eram os habitantes da Samaria, região onde moravam os dissidentes de Israel, e, apesar de suas crenças terem a mesma origem, tinham profundas divergências de opiniões religiosas com os judeus. Os judeus tradicionalistas, por sua vez, desprezavam os samaritanos, pois acreditavam que eles eram hereges.

Mas Jesus utiliza, exatamente, a figura do samaritano, considerado, então, herético, para demonstrar que aquilo que realmente importa são as ações, e não apenas a devoção às cerimônias e aos rituais; são os atos concretos e não apenas as palavras vazias, sem obras.

Nesta parábola, quem representa o viajante ferido?

O viajante ferido simboliza o nosso próximo, significando qualquer pessoa que encontremos em nosso caminho. Para ser considerado nosso próximo, não existe nenhuma condição, ninguém deve ser excluído, nem por origem, etnia, classe social ou opção religiosa.

O sacerdote e o levita, por outro lado, de quem se esperava muito mais, por terem conhecimento e se julgarem compromissados com a Lei Mosaica, deixaram de auxiliar o desvalido, abandonando-o à sua própria sorte. Voltaram para seus cultos exteriores.

O sacerdote e o levita representam as pessoas que conhecem bem os princípios religiosos, admiram esses princípios em teoria, mas ainda se apresentam orgulhosos e egoístas, sem amor no coração; evitam envolver-se em problemas que os afastem dos seus interesses pessoais. A religião, para eles, não passa ainda de prática exterior, e não é vivenciada no dia-a-dia.

O samaritano, ao contrário, teve uma postura completamente diferente. Encontrou alguém que ele não conhecia, um homem “sem nome”, e reconheceu nele, de pronto, um semelhante necessitado.

Comovido, sentiu compaixão e o socorreu. Fez tudo que estava ao seu alcance, tanto do ponto de vista material quanto moral.

O ensinamento fundamental desta parábola é a prática incondicional da caridade. Conforme expõe Kardec em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, cap. XV item 3: “Jesus não faz, portanto, da caridade, uma das condições da salvação, mas a condição única.”

É preciso agir como o samaritano e enxergar em todos os semelhantes um irmão, que sente, sofre e ama como nós, evitando assim os preconceitos, e as discriminações. O próximo é qualquer pessoa que necessita da nossa ajuda, da nossa palavra, do nosso sorriso, do nosso estimulo, do nosso cuidado, da nossa proteção, da nossa solidariedade.

Em “Parábolas e Ensinos de Jesus”, Cairbar Schutel escreve: “... Não basta, nem é preciso ser Doutor da Lei, nem sacerdote, nem fariseu, nem católico nem protestante, nem assistir a cultos ou cumprir mandamentos desta ou daquela Igreja, para ter a vida eterna; basta ter coração, alma e cérebro, isto é, ter amor porque o que verdadeiramente tem amor há de auxiliar o seu próximo com tudo o que lhe for possível auxiliar...”.

Aquele que tem verdadeiramente amor, permite que ele transborde de sua alma e faz da caridade o seu lema, aconselhando, protegendo, acolhendo, respeitando, compartilhando, sendo um exemplo vivo de tudo aquilo que diz.

A prática da caridade está ao alcance de todos. Observemos, no nosso dia-a-dia, quantas oportunidades e bênçãos, quantos recursos importantes são colocados ao nosso alcance, para que, agindo dentro dos princípios da moral cristã, possamos conviver fraternalmente com todos nossos semelhantes, como nos ensina o Evangelho do Mestre.

O MAIOR MANDAMENTO

“Os fariseus, ouvindo que ele fechara a boca dos saduceus, reuniram-se em grupo e um deles - a fim de pô-lo à prova - perguntou-lhe: ‘Mestre qual é o maior mandamento da Lei?’ Ele respondeu: ‘Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu espírito. Esse é o maior e o primeiro mandamento. O Segundo é semelhante a esse: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Desses dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas.'” (Mt 22:34-40).

Ao analisarmos a História da Humanidade, vemos que inúmeros missionários foram enviados a todos os povos, em todos os tempos, para ensinar o Maior Mandamento. A Regra de Ouro foi ministrada a todos de acordo com a capacidade de compreensão e exemplificação dos enviados. Entretanto, só Jesus, o Mestre, exemplificou-a em sua plenitude.

Quando Moisés trouxe o Decálogo, apresentou-o, articuladamente, ou seja, item por item, para facilitar a interpretação do povo que, sabemos, era ainda bastante rebelde e ignorante. Não havia, portanto, como simplesmente ensinar-lhes que “amassem a Deus sobre todas as coisas”, mas era antes preciso explicar-lhes como fazê-lo: não furtarás, não dirás falso testemunho, não cobiçarás etc...

Os fariseus e saduceus conheciam plenamente o Decálogo, porém ansiavam por enredar Jesus em alguma resposta que o comprometesse perante o Sinédrio e o povo judeu. Conheciam os mandamentos, mas só os aplicavam quando era de seu interesse. No entanto, Jesus vem não para derrogar a Lei, mas, sim, para lhe dar cumprimento, e sintetiza o Decálogo de forma única e admirável no Maior Mandamento.

É interessante notar, nesta passagem, que sendo Jesus indagado pelos fariseus sobre qual era o Maior Mandamento, respondeu indicando dois mandamentos: o primeiro, amar a Deus sobre todas as coisas, e o Segundo, amar o próximo como a si mesmo.

A verdade é que estão tão interligados que podemos dizer que se trata de um só: é impossível amarmos a Deus, seguirmos as suas Leis, se não amarmos ao próximo, pois amar verdadeiramente a Deus implica em Amor expresso em ações e atitudes, Amor por toda Sua Criação e Suas Criaturas.

Se o Mestre tivesse afirmado que o Maior Mandamento fosse unicamente amar a Deus, isso reforçaria a ideia de uma religiosidade baseada em ritos, oferendas e formalismos: a religião de verbalismos sem obras, fato, aliás, que era circunstância dominante na época.

Não se pode amar verdadeiramente a Deus, sem respeitar e amar a Sua Criação, ou seja, o universo, a nossa casa planetária e tudo o que nela existe, desde a natureza, passando por todos os seres viventes que nela habitam e compartilham conosco esta oportunidade de crescimento e de evolução.

Como bem compreendeu André Luiz: “Mas, entre Deus e você, o próximo é a ponte”. Cada criatura e uma oportunidade bendita de externarmos o nosso amor por Deus, pelo nosso Pai, como nos ensinou o Mestre. Jesus incita-nos a prática do Amor de maneira clara e contundente quando nos orienta a amar o próximo como a nos mesmos.

Mas, reflitamos em que consiste efetivamente o “amar ao próximo como a si mesmo”?

Mais uma vez, a resposta é-nos dada por Jesus: “fazer ao outro o que gostaríamos que nos fizessem”. Isso é muito simples de entender: ora, se tivéssemos fome e não tivéssemos alimento, o que poderíamos querer senão que alguém nos oferecesse algo para comer; e água, se tivéssemos sede; e abrigo, se não tivéssemos onde dormir; atenção, quando tivéssemos algo para falar, e assim por diante.

Em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, cap. XI, item 4, Kardec, com muita propriedade, assevera: “Amar o próximo como a si mesmo; fazer aos outros como quereríamos que nos fizessem eis a expressão mais completa da caridade, porque ela resume todos os deveres para com o próximo. Não se pode ter; neste caso, guia mais seguro, do que tomando como medida do que se deve fazer aos outros, o que se deseja para si mesmo.”

FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO

Em todos os tempos, inúmeras foram às religiões e filosofias que afloraram pelo mundo. Essas doutrinas eram mais ou menos elevadas, de acordo com o estágio evolutivo daqueles que as formularam. Umas eram mais fechadas, mais exclusivistas, pertenciam apenas a um grupo, que, muitas vezes, achava-se dono da verdade; outras tinham seus conceitos mais ampliados, e visavam uma coletividade, mas, ainda assim, tinham suas imposições. Todas elas tinham o seu lema, mas, em geral, não alcançavam a totalidade dos Homens.

A Doutrina Espírita com a máxima “Fora da caridade não na salvação” vem ampliar a possibilidade de “salvação” para toda a Humanidade.

Mas o que é a salvação?

Vivemos num mundo de provas e expiações, logo, existem aflições, desilusões, tribulações. Todos nós estamos sujeitos a essas vicissitudes. No entanto, quando compreendemos que há uma lei maior de causa e efeito, e, portanto, ha uma razão justa, mesmo que desconhecida momentaneamente, para as nossas dificuldades, sentimo-nos consolados. Começamos a compreender o alcance do Cristo Consolador, quando disse: “Vinde a mim todos os que estais cansados sob o peso do vosso fardo e vos darei descanso.” Eis a salvação! Mesmo neste mundo, quando confiamos em Jesus e nos resignamos a Vontade Divina, o peso do mundo não mais nos oprime!

Por outro lado, pela luz trazida pelo Espiritismo, sabemos que quando deixarmos o plano físico, nossa vida futura será o resultado de nossas escolhas e ações. Se agirmos de forma egoística, indiferentes ao nosso semelhante, frios em relação à dor do próximo, encontraremos, na outra a vida, o “ranger de dentes”.

Entretanto, se praticarmos a caridade Segundo o Mestre ensinou-nos, teremos encontrado o verdadeiro caminho, e, receberemos a “recompensa dos justos”: “A cada um segundo suas obras!” Eis a salvação que está ao alcance de todos nós, independentemente de Credo religioso!

Nesse sentido, encontramos esta bela passagem em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, cap. XV item 10: “Meus filhos, na máxima: Fora da caridade não há salvação, estão contidos os destinos dos homens sobre a terra e no céu. Sobre a terra, porque, a sombra desse estandarte, eles viverão em paz; e no céu, porque aqueles que a tiverem praticado encontrarão graça diante do Senhor”.

“(...) Fazei, pois, que, ao vos vendo, se possa dizer que o verdadeiro espírita e o verdadeiro cristão são uma e a mesma coisa, porque todos os que praticam a caridade são discípulos de Jesus, qualquer que seja o culto a que pertençam.” (grifo nosso).

QUESTÃO REFLEXIVA

Comente: “Fora da caridade não há salvação“.

A imagem acima é meramente ilustrativa. Fonte: Internet Google.