CARACTERÍSTICAS BÁSICAS DO ESPÍRITA: PACIÊNCIA, INDULGENCIA, FÉ, HUMILDADE, DIGNIDADE E CARIDADE.

terça-feira, 25 de abril de 2017

4ª Aula Parte B – CURSO APRENDIZES DO EVANGELHO 2º ANO – FEESP

Parábola do Fariseu e do Publicano, Parábola dos Primeiros Lugares, Quem se Elevar Será Rebaixado.

PARÁBOLA DO FARISEU E DO PUBLICANO

“Contou ainda esta parábola para alguns que, convencidos de serem justos, desprezavam os outros: ‘Dois homens subiram ao Templo para orar; um era fariseu e o outro publicano. O fariseu, de pé, orava interiormente deste modo: ‘Ó Deus, eu te dou graças porque não sou como o resto dos homens, ladrões, injustos, adúlteros, nem como esse publicano; jejuo duas vezes por semana, pago o dízimo de todos os meus rendimentos’. O publicano, mantendo-se à distância, não ousava sequer levantar os olhos para o céu, mas batia no peito dizendo: ‘Meu Deus, tem piedade de mim, pecador!’ Eu vos digo que este último desceu para casa justificado, o outro não. Pois todo o que se exalta será humilhado, e quem se humilha será exaltado.” (Lc 18:9-14).

Esta parábola apresenta dois personagens principais, que podem, ainda hoje, ilustrar diferentes feições do comportamento humano: o fariseu e o publicano.

Na Introdução de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, item III, Kardec traz-nos informações sobre eles:

- Fariseus: Das disputas teológicas e das interpretações divergentes das escrituras, surgiram, entre os judeus, várias seitas, dentre as quais, a dos fariseus, que era a mais influente: “Observadores servis das práticas exteriores do culto e das cerimônias, tomados de ardoroso proselitismo, inimigos das inovações, afetavam grande severidade de princípios. Mas, sob as aparências de uma devoção meticulosa, escondiam costumes dissolutos, muito orgulho e, sobretudo excessivo desejo de dominação...”

- Publicanos: “Eram assim chamados, na Roma amiga, os cavaleiros arrendatários das taxas públicas, encarregados da cobrança dos impostos e das rendas de toda espécie, fosse na própria Roma ou em outras partes do Império (...) Os judeus tinham, portanto, horror ao imposto, e, por consequência, a todos os que se encarregavam de arrecadá-lo...”

Jesus chama a atenção para a postura dos dois personagens: o fariseu, à frente, em pé, julgando-se perfeito e cheio de méritos, enquanto, por puro preconceito, desdenhava do publicano.

Qualquer julgamento que tivermos de nosso semelhante, pelas aparências externas, será um ato inconsiderado, superficial, leviano. Não vemos, a propósito, entre as classes mais desprezadas, entre os mais miseráveis e, às vezes, colocados à margem da sociedade, não vemos emergirem grandes almas? Não vemos, muitas vezes, entre os excluídos, aqueles que demonstram nobreza de caráter, humildade e resignação diante da vida? E, do outro lado, não vemos, no seio de muitos grupos dominantes, que se arrogam todo valor e mérito, não vemos entre eles, por vezes, os piores comportamentos, as piores demonstrações de impiedade?

O Mestre disse: “Não julgueis para não serdes julgados. Pois com o julgamento com que julgais sereis julgados, e com a medida com que medis sereis medidos. Por que reparas no cisco que está no olho do teu irmão, quando não percebes a trave que está no teu?” (Mt 7:1-3).

É muito mais fácil enxergarmos o defeito alheio, apontarmos seus erros e julgá-lo com todo o rigor, do que identificarmos e corrigirmos, ou mesmo condenarmos, os nossos próprios enganos.

Já a postura do publicano é em tudo oposta a do fariseu: ficou à distância, de cabeça baixa, humildemente reconhecendo suas imperfeições e pedindo perdão a Deus.

Jesus faz nesta parábola, um paralelo entre o orgulho e a humildade. O orgulho é uma das imperfeições morais mais prevalentes na Humanidade. Em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, cap. IX, item 9, um Espírito Protetor diz: "O orgulho vos leva a vos julgardes mais do que sois, a não aceitar uma comparação que vos possa rebaixar e a vos considerardes, ao contrário, de tal maneira acima de vossos irmãos, seja na finura de espírito, seja no tocante a posição social, seja ainda em relação às vantagens pessoais, que o menor paralelo vos irrita e vos fere.”

A humildade é a virtude que nos permite o autoconhecimento, e nos traz o sentimento de respeito, referência e submissão a Vontade Divina.

Em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, cap. VII, item II, o Espírito Lacordaire afirma em sua mensagem: “A humildade é uma virtude bem esquecida entre vós. (...) E, no entanto, sem humildade, podeis ser caridosos para o vosso próximo? Oh! não, porque esse sentimento nivela os homens, mostra-lhes que são irmãos, que devem ajudar-se mutuamente, e os encaminha para o bem. Sem a humildade, enfeitai-vos de virtudes que não possuís como se vestísseis um hábito para ocultar as deformidades do corpo. Lembrai-vos D’aquele que nos salva; lembrai-vos da sua humildade, que o fez tão grande e o elevou acima de todos os profetas”.

A parábola leva-nos, também, a refletir sobre as condições da prece para que ela seja eficaz: é imprescindível cultivarmos pensamentos e sentimentos amorosos e fraternos; a humildade e a sinceridade devem estar no coração, nos olhos e nas palavras. Se orarmos apenas com os lábios, enquanto o orgulho domina nossa alma, a prece será vazia e sem objetivo. Busquemos sempre seguir o exemplo de Jesus.

PARÁBOLA DOS PRIMEIROS LUGARES (OU DOS ÚLTIMOS LUGARES)

“Em seguida contou uma parábola aos convidados, ao notar como eles escolhiam os primeiros lugares. Disse-lhes: ‘Quando alguém te convidar para uma festa de casamento, não te ponhas no primeiro lugar; não aconteça que alguém mais digno do que tu tinha sido convidado por ele, e quem convidou a ti e a ele venha a tu dizer: ‘Cede-lhe o lugar deverás, então, todo envergonhado, ocupar o último lugar Pelo contrário, quando fores convidado, ocupa o último lugar de modo que, ao chegar quem te convidou, te diga: ‘Amigo, vem mais para cima’. E isso será para ti uma honra em presença de todos os convivas. Pois todo aquele que se exalta será humilhado, e quem se humilha será exaltado”. (LC 14: 7-11).

Jesus não perdia nenhuma oportunidade de ensinar os valores morais e, nesta ocasião, observando o comportamento dos convidados num banquete na casa de um dos chefes dos fariseus, notou como eles corriam para pegar os primeiros assentos a mesa, cada qual buscando colocar-se em maior evidência do que o outro.

Esse desejo incontrolável de estar em evidência, de se assentar nos primeiros lugares é, ainda hoje, plenamente atual. Existe, de fato, um verdadeiro clamor em nosso mundo incentivando-nos a sermos os primeiros, a sermos os “melhores”, a sempre competirmos com nosso semelhante por posições de destaque...

E muitos dos que correm para pegar esses “primeiros assentos”, na verdade, nem sequer possuem o mérito para ocupar tal posição. Por isso ensina Jesus: “Quando alguém te convidar para uma festa de casamento, não te ponhas no primeiro lugar; não aconteça que alguém mais digno do que tu tenha sido convidado por ele, e quem convidou a ti e a ele venha a te dizer: ‘Cede-lhe o lugar’.”

Mas todo aquele que, ansiosamente, buscar esses “primeiros lugares”, sem merecimento para tal, serão, pois, convidados a ceder o lugar: “Deverá, então, todo envergonhado, ocupar o último lugar”.

O ensinamento de Jesus é valioso. Transcendendo o simbolismo da parábola, e abarcando todas as circunstancias da vida, significa que jamais alguém poderá ficar ocupando um lugar que não lhe pertença. A Lei Divina sempre prevalecera. A certeza dessa verdade traz-nos paz ao coração, pois nos lembra de que não precisamos disputar, acirradamente, pelas coisas materiais, eis que tudo que nos pertença, de acordo com a Lei Divina, será, no devido tempo, entregue a nos. Dir-nos-ão: ‘Amigo, vem mais para cima’.

Busquemos então seguir o exemplo do Mestre, e serem aqueles que vencem as ilusões do mundo, essas miragens por onde muitos já se perderam. “De que vale ao homem ganhar o mundo, se perder sua alma”.
Almejemos, então, serem aqueles que, convictos da Soberana Justiça, da Soberana Bondade, desejam servir antes do que ser servidos!

QUEM SE ELEVAR SERA REBAIXADO

A advertência de Jesus: “Pois todo aquele que se exalta será humilhado, e quem se humilha será exaltado” é encontrada na “Parábola dos Primeiros Lugares”, na “Parábola do Fariseu e do Publicano”, além das várias ocasiões em que Jesus, falando a multidão que o seguia e a seus discípulos, expos a hipocrisia e a vaidade dos escribas e fariseus.

Jesus coloca sempre, como condição primeira e essencial da felicidade futura, a humildade, que nos facilita o caminho para as outras virtudes espirituais, e aponta o orgulho como o grande obstáculo ao progresso do Espírito.

Quando, certa vez, os discípulos perguntaram-lhe quem era o maior no Reino dos Céus, ele chamou uma criança, colocou-a como exemplo da simplicidade de coração e disse: “Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos tornardes como as crianças, de modo algum entrareis no Reino dos Céus. Aquele, portanto, que se tornar pequenino como esta criança, esse é o maior no Reino dos Céus”. (Mt 18:3-4).

Os ensinamentos de Jesus compõem um verdadeiro acervo de verdades que transcendem, ultrapassam, contrariam a lógica dos valores do mundo. E preciso ter humildade e “ouvidos de ouvir” para compreender suas lições.

Devemos também considerar que, por vezes, as palavras podem ter um significado no âmbito dos valores do mundo e outro significado no âmbito dos valores espirituais. Vejamos essas duas palavras: exaltar e humilhar.

Exaltar - De acordo com a sua acepção mais comum, exaltar pode ser o ato de se vangloriar, de se elevar, de se colocar bem no alto.

Muitos, bem o sabemos, fazem isso constantemente, e atribuem a si mesmos títulos e virtudes que não possuem. São, nesse primeiro sentido, “exaltados”.

Há, entretanto, outro sentido para exaltar. É aquele em que alguém, pelo seu real valor, pela sua demonstração continua de estudo, trabalho, esforço, é reconhecido pelo verdadeiro mérito.

Portanto, se, transitoriamente, neste mundo, alguém exaltar a si mesmo ou exaltar alguém sem mérito, isso não ocorrerá no plano espiritual, onde todos serão reconhecidos segundo suas obras.

Humilhar - Em sentido geral humilhar é rebaixar moralmente, oprimir, causar vexame, ultrajar, tratar com menosprezo.

Segundo os Valores mundanos, toda vez que alguém não reage a alguma agressão, que não se levanta de forma imponente, que não responde na mesma moeda aos ataques, é, então, considerado humilhado.

Para o cristão, porém, todos os atos considerados pelo mundo como “humilhação”, em absoluto, não representam humilhação verdadeira, mas, ao contrário, representam o mais puro entendimento da Lei Divina, a mais pura compreensão das lições do Mestre, que nos ensinou a “dar a outra face”, ou seja, a “pagar o mal com o bem”.

Então, podemos sintetizar:

- Quem se elevar (exaltar-se), segundo os valores do mundo, será rebaixado (humilhado), segundo os valores espirituais, e

- Quem se rebaixar (humilhar-se), segundo os valores do mundo, será elevado (exaltado), segundo os valores espirituais.

Em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, cap. VII, item 6, Kardec comenta:

“O Espiritismo vem confirmar a teoria pelo exemplo, ao mostrar que os grandes no mundo dos Espíritos são os que foram pequenos na Terra, e que frequentemente são bem pequenos os que foram grandes e poderosos. E que os primeiros levaram consigo, ao morrer aquilo que unicamente constitui a Verdadeira grandeza no céu, e que nunca se perde: as virtudes; enquanto os outros tiveram de deixar aquilo que os fazia grandes na Terra, e que não se pode levar: a fortuna, os títulos, a gloria, a linhagem.”

Quando recordamos os inesquecíveis exemplos do Mestre, com sua coragem inigualável - a Verdadeira coragem - diante de quem os mais perversos tremiam em seu intimo, eis que reconhecia alguém de imensurável autoridade - a Verdadeira autoridade, a moral - compreendemos que Jesus, por insuperavelmente ter se feito “o menor”, por ter suportado as mais cruéis agressões sem reagir, por ter “oferecido a outra face”, por todos os atos únicos, será exaltado, eternamente, por todos seus discípulos fiéis. Prestemos atenção as suas orientações: “(...) aquele que quiser tomar-se grande entre vós, seja aquele que serve, e o que quiser ser o primeiro dentre vós, seja o vosso servo..." (Mt 20:26-27).

Em “alturas” que nem podemos ainda imaginar, ascendeu o Mestre... Que seu sublime exemplo ressoe pela eternidade!

QUESTÃO REFLEXIVA:

Como combater o orgulho na nossa vida diária?

Bibliografia:
- A Bíblia de Jerusalém.
- Kardec, Allan - O Evangelho Segundo o Espiritismo - Ed. FEESP.
- Godoy, Paulo Alves - As Maravilhosas Parábolas de Jesus - Ed. FEESP.
- Almeida, José de Sousa e - As Parábolas - Ed. FEESP.
- Calligaris, Rodolfo - Parábolas Evangélicas.
- Schutel, Cairbar - Parábolas e Ensinos de Jesus.


Fonte da imagem: Internet Google.

terça-feira, 18 de abril de 2017

4ª Aula Parte A – CURSO APRENDIZES DO EVANGELHO 2º ANO – FEESP

Parábolas e Ensinamentos de Jesus Sobre As Falsas Aparências

A Parábola do Bom Samaritano, O Maior Mandamento, Fora da Caridade Não Há Salvação.

A PARÁBOLA DO BOM SAMARITANO

“Ele, porém, querendo se justificar disse a Jesus:' ‘E quem é o meu próximo?’ Jesus retomou: ‘Um homem descia de Jerusalém a Jericó, e caiu no meio de assaltantes que, após havê-lo despojado e espancado, foram-se, deixando-o semimorto. Casualmente descia por esse caminho um sacerdote; viu-o e passou adiante. Igualmente um levita, atravessando esse lugar viu-o e prosseguiu. Certo samaritano em viagem, porém, chegou junto dele, viu-o e moveu-se de compaixão. Aproximou-se, cuidou de suas chagas, derramando óleo e vinho, depois colocou-o em seu próprio animal, conduziu-o a hospedaria e dispensou-lhe cuidados. No dia seguinte, tirou dois denários e deu-os ao hospedeiro, dizendo: ‘Cuida dele, e o que gastares a mais, em meu regresso te pagarei’. Qual dos três, em sua opinião, foi o próximo do homem que caiu nas mãos dos assaltantes? ’Ele respondeu: Aquele que usou de misericórdia para com ele’. Jesus então lhe disse." ‘Vai, e também tu, faze o mesmo.’ (Lc 10: 29-37).

Frequentemente os Doutores da Lei provocavam Jesus, para fazê-lo cair em contradição e, então, denegri-lo perante o povo, que sempre o escutava maravilhado. Um dia, um deles, fingindo desconhecer a Lei, perguntou-lhe: “Mestre, que farei para herdar a vida eterna?”, porém, Jesus, que conhecia a sua verdadeira intenção, perguntou-lhe: “Que está escrito na lei? Como lês?” Ele, então, respondeu-lhe: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de todo o teu entendimento e ao teu próximo como a ti mesmo”. Jesus disse: “Respondeste bem, faze isso e viverás”. O Doutor da Lei, no entanto, não se deu por vencido e disse a Jesus: “E quem é o meu próximo?” Jesus contou-lhe, então, a parábola do samaritano.

Por que teria ele feito essa escolha para exemplificar sua lição moral? Vejamos.

Os samaritanos, recordemos, eram os habitantes da Samaria, região onde moravam os dissidentes de Israel, e, apesar de suas crenças terem a mesma origem, tinham profundas divergências de opiniões religiosas com os judeus. Os judeus tradicionalistas, por sua vez, desprezavam os samaritanos, pois acreditavam que eles eram hereges.

Mas Jesus utiliza, exatamente, a figura do samaritano, considerado, então, herético, para demonstrar que aquilo que realmente importa são as ações, e não apenas a devoção às cerimônias e aos rituais; são os atos concretos e não apenas as palavras vazias, sem obras.

Nesta parábola, quem representa o viajante ferido?

O viajante ferido simboliza o nosso próximo, significando qualquer pessoa que encontremos em nosso caminho. Para ser considerado nosso próximo, não existe nenhuma condição, ninguém deve ser excluído, nem por origem, etnia, classe social ou opção religiosa.

O sacerdote e o levita, por outro lado, de quem se esperava muito mais, por terem conhecimento e se julgarem compromissados com a Lei Mosaica, deixaram de auxiliar o desvalido, abandonando-o à sua própria sorte. Voltaram para seus cultos exteriores.

O sacerdote e o levita representam as pessoas que conhecem bem os princípios religiosos, admiram esses princípios em teoria, mas ainda se apresentam orgulhosos e egoístas, sem amor no coração; evitam envolver-se em problemas que os afastem dos seus interesses pessoais. A religião, para eles, não passa ainda de prática exterior, e não é vivenciada no dia-a-dia.

O samaritano, ao contrário, teve uma postura completamente diferente. Encontrou alguém que ele não conhecia, um homem “sem nome”, e reconheceu nele, de pronto, um semelhante necessitado.

Comovido, sentiu compaixão e o socorreu. Fez tudo que estava ao seu alcance, tanto do ponto de vista material quanto moral.

O ensinamento fundamental desta parábola é a prática incondicional da caridade. Conforme expõe Kardec em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, cap. XV item 3: “Jesus não faz, portanto, da caridade, uma das condições da salvação, mas a condição única.”

É preciso agir como o samaritano e enxergar em todos os semelhantes um irmão, que sente, sofre e ama como nós, evitando assim os preconceitos, e as discriminações. O próximo é qualquer pessoa que necessita da nossa ajuda, da nossa palavra, do nosso sorriso, do nosso estimulo, do nosso cuidado, da nossa proteção, da nossa solidariedade.

Em “Parábolas e Ensinos de Jesus”, Cairbar Schutel escreve: “... Não basta, nem é preciso ser Doutor da Lei, nem sacerdote, nem fariseu, nem católico nem protestante, nem assistir a cultos ou cumprir mandamentos desta ou daquela Igreja, para ter a vida eterna; basta ter coração, alma e cérebro, isto é, ter amor porque o que verdadeiramente tem amor há de auxiliar o seu próximo com tudo o que lhe for possível auxiliar...”.

Aquele que tem verdadeiramente amor, permite que ele transborde de sua alma e faz da caridade o seu lema, aconselhando, protegendo, acolhendo, respeitando, compartilhando, sendo um exemplo vivo de tudo aquilo que diz.

A prática da caridade está ao alcance de todos. Observemos, no nosso dia-a-dia, quantas oportunidades e bênçãos, quantos recursos importantes são colocados ao nosso alcance, para que, agindo dentro dos princípios da moral cristã, possamos conviver fraternalmente com todos nossos semelhantes, como nos ensina o Evangelho do Mestre.

O MAIOR MANDAMENTO

“Os fariseus, ouvindo que ele fechara a boca dos saduceus, reuniram-se em grupo e um deles - a fim de pô-lo à prova - perguntou-lhe: ‘Mestre qual é o maior mandamento da Lei?’ Ele respondeu: ‘Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu espírito. Esse é o maior e o primeiro mandamento. O Segundo é semelhante a esse: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Desses dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas.'” (Mt 22:34-40).

Ao analisarmos a História da Humanidade, vemos que inúmeros missionários foram enviados a todos os povos, em todos os tempos, para ensinar o Maior Mandamento. A Regra de Ouro foi ministrada a todos de acordo com a capacidade de compreensão e exemplificação dos enviados. Entretanto, só Jesus, o Mestre, exemplificou-a em sua plenitude.

Quando Moisés trouxe o Decálogo, apresentou-o, articuladamente, ou seja, item por item, para facilitar a interpretação do povo que, sabemos, era ainda bastante rebelde e ignorante. Não havia, portanto, como simplesmente ensinar-lhes que “amassem a Deus sobre todas as coisas”, mas era antes preciso explicar-lhes como fazê-lo: não furtarás, não dirás falso testemunho, não cobiçarás etc...

Os fariseus e saduceus conheciam plenamente o Decálogo, porém ansiavam por enredar Jesus em alguma resposta que o comprometesse perante o Sinédrio e o povo judeu. Conheciam os mandamentos, mas só os aplicavam quando era de seu interesse. No entanto, Jesus vem não para derrogar a Lei, mas, sim, para lhe dar cumprimento, e sintetiza o Decálogo de forma única e admirável no Maior Mandamento.

É interessante notar, nesta passagem, que sendo Jesus indagado pelos fariseus sobre qual era o Maior Mandamento, respondeu indicando dois mandamentos: o primeiro, amar a Deus sobre todas as coisas, e o Segundo, amar o próximo como a si mesmo.

A verdade é que estão tão interligados que podemos dizer que se trata de um só: é impossível amarmos a Deus, seguirmos as suas Leis, se não amarmos ao próximo, pois amar verdadeiramente a Deus implica em Amor expresso em ações e atitudes, Amor por toda Sua Criação e Suas Criaturas.

Se o Mestre tivesse afirmado que o Maior Mandamento fosse unicamente amar a Deus, isso reforçaria a ideia de uma religiosidade baseada em ritos, oferendas e formalismos: a religião de verbalismos sem obras, fato, aliás, que era circunstância dominante na época.

Não se pode amar verdadeiramente a Deus, sem respeitar e amar a Sua Criação, ou seja, o universo, a nossa casa planetária e tudo o que nela existe, desde a natureza, passando por todos os seres viventes que nela habitam e compartilham conosco esta oportunidade de crescimento e de evolução.

Como bem compreendeu André Luiz: “Mas, entre Deus e você, o próximo é a ponte”. Cada criatura e uma oportunidade bendita de externarmos o nosso amor por Deus, pelo nosso Pai, como nos ensinou o Mestre. Jesus incita-nos a prática do Amor de maneira clara e contundente quando nos orienta a amar o próximo como a nos mesmos.

Mas, reflitamos em que consiste efetivamente o “amar ao próximo como a si mesmo”?

Mais uma vez, a resposta é-nos dada por Jesus: “fazer ao outro o que gostaríamos que nos fizessem”. Isso é muito simples de entender: ora, se tivéssemos fome e não tivéssemos alimento, o que poderíamos querer senão que alguém nos oferecesse algo para comer; e água, se tivéssemos sede; e abrigo, se não tivéssemos onde dormir; atenção, quando tivéssemos algo para falar, e assim por diante.

Em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, cap. XI, item 4, Kardec, com muita propriedade, assevera: “Amar o próximo como a si mesmo; fazer aos outros como quereríamos que nos fizessem eis a expressão mais completa da caridade, porque ela resume todos os deveres para com o próximo. Não se pode ter; neste caso, guia mais seguro, do que tomando como medida do que se deve fazer aos outros, o que se deseja para si mesmo.”

FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO

Em todos os tempos, inúmeras foram às religiões e filosofias que afloraram pelo mundo. Essas doutrinas eram mais ou menos elevadas, de acordo com o estágio evolutivo daqueles que as formularam. Umas eram mais fechadas, mais exclusivistas, pertenciam apenas a um grupo, que, muitas vezes, achava-se dono da verdade; outras tinham seus conceitos mais ampliados, e visavam uma coletividade, mas, ainda assim, tinham suas imposições. Todas elas tinham o seu lema, mas, em geral, não alcançavam a totalidade dos Homens.

A Doutrina Espírita com a máxima “Fora da caridade não na salvação” vem ampliar a possibilidade de “salvação” para toda a Humanidade.

Mas o que é a salvação?

Vivemos num mundo de provas e expiações, logo, existem aflições, desilusões, tribulações. Todos nós estamos sujeitos a essas vicissitudes. No entanto, quando compreendemos que há uma lei maior de causa e efeito, e, portanto, ha uma razão justa, mesmo que desconhecida momentaneamente, para as nossas dificuldades, sentimo-nos consolados. Começamos a compreender o alcance do Cristo Consolador, quando disse: “Vinde a mim todos os que estais cansados sob o peso do vosso fardo e vos darei descanso.” Eis a salvação! Mesmo neste mundo, quando confiamos em Jesus e nos resignamos a Vontade Divina, o peso do mundo não mais nos oprime!

Por outro lado, pela luz trazida pelo Espiritismo, sabemos que quando deixarmos o plano físico, nossa vida futura será o resultado de nossas escolhas e ações. Se agirmos de forma egoística, indiferentes ao nosso semelhante, frios em relação à dor do próximo, encontraremos, na outra a vida, o “ranger de dentes”.

Entretanto, se praticarmos a caridade Segundo o Mestre ensinou-nos, teremos encontrado o verdadeiro caminho, e, receberemos a “recompensa dos justos”: “A cada um segundo suas obras!” Eis a salvação que está ao alcance de todos nós, independentemente de Credo religioso!

Nesse sentido, encontramos esta bela passagem em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, cap. XV item 10: “Meus filhos, na máxima: Fora da caridade não há salvação, estão contidos os destinos dos homens sobre a terra e no céu. Sobre a terra, porque, a sombra desse estandarte, eles viverão em paz; e no céu, porque aqueles que a tiverem praticado encontrarão graça diante do Senhor”.

“(...) Fazei, pois, que, ao vos vendo, se possa dizer que o verdadeiro espírita e o verdadeiro cristão são uma e a mesma coisa, porque todos os que praticam a caridade são discípulos de Jesus, qualquer que seja o culto a que pertençam.” (grifo nosso).

QUESTÃO REFLEXIVA

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Fonte da imagem: Internet Google.

terça-feira, 11 de abril de 2017

3ª Aula Parte B – CURSO APRENDIZES DO EVANGELHO 2º ANO – FEESP

Parábola da Figueira Estéril, Parábola dos Trabalhadores da Última Hora, Os Últimos Serão os Primeiros

PARÁBOLA DA FIGUEIRA ESTÉRIL (OU DA FIGUEIRA QUE NÃO DAVA FRUTOS)

“Um homem tinha uma figueira plantada em sua vinha. Veio a ela procurar frutos, mas não encontrou. Então disse ao vinhateiro: ‘Ha três anos que venho buscar frutos nesta figueira e não encontro. Corta-a; por que há de tornar a terra infrutífera?’
Ele, porém, respondeu: ‘Senhor deixa-a ainda este ano para que cave ao redor e coloque adubo. Depois, talvez, dê frutos... Caso contrário, tu a cortarás'.” (Lc 13:6-9).

Quando contou esta parábola, Jesus estava indo para Jerusalém, que, na época, era a sede do poder econômico, político e religioso do povo judeu, e iria ali se confrontar com uma sociedade onde a injustiça era comum, a força militar era dominante e a religião servia para assegurar os privilégios aos sacerdotes e Doutores da Lei.

O dono da propriedade é Deus e a vinha, a Humanidade, de quem o Pai espera pacientemente os frutos.

A figueira estéril pode simbolizar, a princípio, a sociedade que Jesus encontrou em Jerusalém: uma árvore que tinha folhas, mas não dava frutos e nem alimentava o povo faminto.

Ampliando seu simbolismo, a figueira estéril representa todo aquele que é improdutivo; representa as pessoas que aparentam ser boas, mas, na realidade, nada produzem de bom; representa aqueles que têm a possibilidade de serem uteis, mas são inertes na prática do Bem.

Elas não acolhem o ensino moral de Jesus, assim tomam-se infrutíferas, e por serem inúteis poderiam ser “cortadas”. No entanto, ainda assim, o dono da vinha conceder-lhes-á a oportunidade de receberem cuidados e “adubo”, para que tenham a chance de produzir frutos no futuro.

Estes frutos podem ser representados por todo bom emprego das faculdades humanas que tragam beneficio ao semelhante. Entre essas faculdades, destaca-se a mediunidade, que é um instrumento precioso para gerar bons frutos através da caridade.

Nesse sentido, em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, cap. XIX, item 10, Kardec faz um alerta aos médiuns, que, em verdade, serve a todos nós: “Os médiuns são os intérpretes dos Espíritos. (...) Nestes tempos de renovação social, desempenham uma missão especial: São como árvores que devem dispensar o alimento espiritual aos seus irmãos. Por isso, multiplicam-se, de maneira que o alimento seja abundante. (...) Mas se eles desviam de seu fim providencial a faculdade preciosa que lhes foi concedida, se a colocam a serviço de coisas fúteis e prejudiciais, ou dos interesses mundanos; se, em vez de frutos salutares, dão maus frutos; se, recusam-se a torná-la proveitosa para os outros; se nem mesmo para si tiram os proveitos da melhoria própria, então, assemelham-se a figueira estéril”.

Aproveitemos, enquanto é dia, para produzir bons frutos!

PARÁBOLA DOS TRABALHADORES DA ÚLTIMA HORA (OU DOS TRABALHADORES DA VINHA)

“Porque o Reino dos Céus é semelhante ao pai de família que saiu de manhã cedo para contratar trabalhadores para a sua vinha. Depois de combinar com os trabalhadores um denário por dia, mandou-os para a vinha. Tornando a sair pela hora terceira, viu outros que estavam na praça, desocupados, e disse-lhes: ‘Ide também vós para a vinha, e eu vos darei o que for justo' Eles foram. Tornando a sair pela hora sexta e pela hora nona, fez a mesma coisa. Saindo pela hora undécima, encontrou outros que lá estavam e disse-lhes: ‘Por que ficais ai o dia inteiro sem trabalhar?’ Responderam: ‘Porque ninguém nos contratou ’. Disse-lhes: Ide, também vós, para a vinha. Chegada a tarde, disse o dono da vinha ao seu administrador.' ‘Chama os trabalhadores e paga-lhes o salário começando pelos últimos até os primeiros’. Vindo os da hora undécima, receberam um denário cada um. E vindo os primeiros, pensaram que receberiam mais, mas receberam um denário cada um também eles. Ao receber murmuravam contra o pai de família, dizendo.' ‘Estes últimos fizeram uma hora só e tu os igualaste a nós, que suportamos o peso do dia e o calor do sol'. Ele, então, disse a um deles: Amigo, não fui injusto contigo. Não combinamos um denário? Toma o que é teu e vai. Eu quero dar a este ultimo o mesmo que a ti. Não tenho o direito de fazer o que quero com o que é meu? Ou estás com ciúme porque sou bom? Eis como os últimos serão primeiros, e os primeiros serão últimos.” (Mt 20:1-16).

Nesta parábola, Jesus estará incentivando a injustiça, a discórdia e valorizando a inação? Não seria injustiça pagar o mesmo salário, tanto aos que trabalharam doze horas, como aos que trabalharam nove, seis, três ou uma hora?

Transportando esta parábola para o campo da espiritualidade, teremos: a vinha é um campo de trabalho; o proprietário é Deus, o Pai Criador; os trabalhadores somos nós, a Humanidade, que, nas mais variadas horas de nossa existência, somos convidados ao cultivo das virtudes e a cuidar com dedicação do que nos cabe realizar.

Esta é uma parábola que por seu rico simbolismo traz-nos diversos ensinamentos. Encontramos, assim, na bibliografia espírita, mais de uma forma de interpretá-la.

Atendo-nos ao “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, no cap. XX, encontraremos duas interpretações. Vejamos: “O trabalhador da ultima hora tem direito ao salário. Mas, para isso, é necessário que se tenha conservado com boa vontade à disposição do Senhor que o devia empregar; e que o atraso não seja fruto da sua preguiça ou da sua má vontade.”

Como vemos nesta passagem, é ressaltada a condição de disponibilidade, de boa vontade para o trabalho. Refletindo sobre as oportunidades de trabalho que chegam a todos os Homens, notaremos que são muitas as pessoas que desperdiçam inúmeras ocasiões de realizar suas tarefas.

Grande desperdício, repetimos, porque, como nos ensina Doutrina Espírita, a Lei do Trabalho é uma das Leis de Deus. Pelo trabalho alcançamos o progresso intelectual e moral.

O ponto essencial é, repisamos, estarmos disponíveis e de boa vontade, e então a oportunidade aparece, pois, quando nos dispomos a servir, seremos auxiliados pela Espiritualidade Superior a realizar a tarefa que nos compete.

Portanto, não importa qual é a hora que o chamado é feito, mas, sim, a prontidão em atendê-lo. Nesse caso, mereceremos o salário integralmente.

No mesmo capitulo de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, no item 3, encontramos outra instrução acerca desta parábola: “Últimos a chegar os Espíritas aproveitam o trabalho intelectual dos seus antecessores, porque o homem deve herdar do homem, e porque os trabalhos e seus resultados são coletivos: Deus abençoa a solidariedade.”

Segundo a Lei de Progresso, que também é uma Lei Divina, a Humanidade avança, passo a passo, sempre adiante. E, figuradamente falando, como se fosse à construção de um grande edifício que vai se elevando as alturas.

Em relação ao avanço do progresso intelectual é surpreendente o estado a que chegamos em tão pouco tempo. Os avanços científicos e tecnológicos são admiráveis.

Especialmente em relação à condição moral, vemos também que a Humanidade dia a dia vai se aprimorando, e costumes bárbaros, que outrora eram comuns, vão sendo deixados de lado, e vão sendo substituídos por outros mais moderados, elevados.

Os homens, hoje, estão mais receptivos para o conhecimento espiritual. Existe, compilado, um verdadeiro acervo de obras que tratam das verdades espirituais. Mas, lembremos, nem sempre foi assim.

Na antiguidade, era grande a dificuldade para obter esses ensinamentos: os livros eram raros, os professores escassos, o analfabetismo era regra, e o conhecimento superior era fechado, pertencia a alguns iniciados.

Embora existissem essas dificuldades apontadas, sempre existiram os trabalhadores da seara do Mestre.

Mas, os trabalhadores daquela primeira hora precisavam de muito esforço, muitas horas de trabalho, para a propagação das verdades espirituais e, assim, obter o seu salário.

Hoje, os trabalhadores da ultima hora - os Espíritas - recebem, como “herança”, todo o resultado desse trabalho, mas tem o compromisso de levar adiante esse processo, de continuar construindo para que, também, deixem um legado as futuras gerações, sendo assim colaboradores diretos de Jesus nesta fase de transição planetária para um Mundo de Regeneração.

No item 5, do mesmo capítulo já citado, há uma mensagem do Espírito de Verdade, incentivando-nos ao trabalho: “Chegastes no tempo em que se cumprirão as profecias referentes a transformação da Humanidade. Felizes serão os que tiverem trabalhado o campo do Senhor com desinteresse, e movidos apenas pela caridade! Suas jornadas de trabalho serão pagas ao cêntuplo do que tenham esperado. Felizes serão os que houverem dito a seus irmãos: ‘Trabalhemos juntos, e unamos nossos esforços, a fim de que o Senhor; na sua vinda, encontre a obra acabada...”

OS ÚLTIMOS SERÃO OS PRIMEIROS

Em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. XX, item 2 o Espírito Constantino faz uma reflexão sobre as diferentes posturas que um trabalhador poderia adotar.

Em primeiro, há aquele que, com disposição, espera apenas ser chamado para aceitar imediatamente a tarefa. O segundo é preguiçoso e não quer trabalho, mas aceita o salário. E há um terceiro que, além de não se interessar por trabalho algum, usa o seu tempo para fazer o mal, esperando ainda assim ser empregado, propositalmente ao final do dia; a este o Senhor lhe diria: “Não tenho agora nenhum trabalho para ti. Desperdiçaste o teu tempo, esqueceste o que havias aprendido, não sabes mais trabalhar na minha vinha. Cuida, pois, de aprender de novo, e quando te sentires mais bem disposto, vem procurar-me e te franquearei as minhas terras, onde poderás trabalhar a qualquer hora do dia.”

“Aprender de novo” é refazer o caminho, pois em cada nova existência o Espírito retoma com novas oportunidades para fazer a tarefa não cumprida.

Na mesma mensagem, Constantino aconselha os espíritas: “Bons espíritas, meus bem-amados, todos vós sois trabalhadores da última hora. (...) Todos viestes quando chamados, uns mais cedo, outros mais tarde, para a encarnação cujos grilhões carregais. Mas há quantos e quantos séculos o Senhor vos chamava para a sua vinha, sem que aceitásseis o convite? Eis chegado, agora, o momento de receber o salário. Empregai bem esta hora que vos resta. Não vos esqueçais de que a vossa existência por mais longa que vos pareça, não é mais do que um momento muito breve, na imensidade dos tempos que constituem para vos a eternidade”.

Os Espíritos possuem relativa liberdade para decidirem seus rumos. Não há, ensina-nos a Doutrina Espírita, determinismo absoluto, pois podemos exercer o livre arbítrio e optarmos pelo caminho que nos agrade.

Assim, segundo suas opções, os Espíritos avançam mais ou menos. Muitos, por livre escolha, permanecem, então, estacionários por anos infindáveis, por vários séculos.

Poderá haver, no entanto, um momento em que aquele que desperdiçou quase todo o seu tempo procurará trabalho e não o encontrará. Isso lhe servira de lição para que aprenda a valorizar as horas. Necessitará, então, de uma nova encarnação para que “aprenda de novo”.

Esse panorama, qual seja: de haver a possibilidade de avançar mais rápido segundo nossas decisões, é, para nós, um estimulo para aproveitamos as horas para o trabalho dignificante.

Há, ainda, um outro aspecto para se interpretar esse ensinamento. O Espírito Henri Heine, no item 3 do mesmo capítulo, diz que os trabalhadores da primeira hora são os profetas, Moisés e tantos outros Espíritos que reencarnaram ao longo dos séculos, auxiliando o progresso espiritual da Humanidade, nas mais diversas atividades terrenas.

Os espíritas, nessa interpretação, são os últimos a chegar, usufruindo do resultado do trabalho dos que vieram antes, e então: “... já não trabalham mais nos fundamentos, mas na cúpula do edifício. Seu salário será, portanto, proporcional ao mérito da obra“.

Essa orientação encerra-se assim: “Este é um dos verdadeiros sentidos desta parábola, que encerra, como todas as que Jesus dirigiu ao povo, as linhas do futuro, e também, através de suas formas e imagens, a revelação dessa magnífica unidade que harmoniza todas as coisas no universo, dessa solidariedade que liga todos os seres atuais ao passado e ao futuro”.

QUESTÃO REFLEXIVA:

Como podemos contribuir na seara do Mestre, como “trabalhadores da última hora”?

Bibliografia:
- A Bíblia de Jerusalém.
- Kardec, Allan - O Evangelho Segundo o Espiritismo - Ed. FEESP
- Kardec, Allan - A Gênese - Ed. FEESP
- Godoy, Paulo Alves - As Maravilhosas Parábolas de Jesus - Ed. FEESP
- Almeida, José de Sousa e - As Parábolas - Ed. FEESP
- Schutel, Cairbar - Parábolas e Ensinos de Jesus.


Fonte da imagem: Internet Google.

quinta-feira, 6 de abril de 2017

3ª Aula Parte A – CURSO APRENDIZES DO EVANGELHO 2º ANO – FEESP

Parábolas e Ensinamentos de Jesus Sobre a Valorização Do Trabalho

Parábola dos Talentos, Parábola dos Vinhateiros Homicidas, Reconhece-se o Cristão pelas Suas Obras

PARÁBOLA DOS TALENTOS

“Pois será como um homem que, viajando para o estrangeiro, chamou seus servos e entregou-lhes seus bens. A um deu cinco talentos, a outro dois, a outro um. A cada um de acordo com sua capacidade. E partiu. Imediatamente, o que recebera cinco talentos saiu a trabalhar com eles e ganhou outros cinco. Da mesma maneira, o que recebera dois ganhou outros dois. Mas aquele que recebera um só, tomou-o e foi abrir uma cova no chão. E enterrou o dinheiro do seu senhor. Depois de muito tempo, o senhor daqueles servos voltou e pôs-se a ajustar contas com eles. Chegando aquele que recebera cinco talentos, entregou-lhe outros cinco, dizendo: ‘Senhor tu me confiaste cinco talentos. Aqui estão outros cinco que ganhei!’ Disse-lhe o senhor: ‘Muito bem, servo bom e fiel sobre o pouco foste fiel, sobre o muito te colocarei. Vem alegrar-te com o teu senhor!’ Chegando também o dos dois talentos, disse: ‘Senhor tu me confiaste dois talentos. Aqui estão outros dois talentos que ganhei!’. Disse-lhe o senhor: ‘Muito bem, servo bom e fiel! Sobre o pouco foste fiel, sobre o muito te colocarei. Vem alegrar-te com o teu senhor! 'Por fim, chegando o que recebera um talento, disse: ‘Senhor eu sabia que és homem severo, que colhes onde não semeaste e ajuntas onde não espalhaste. Assim, amedrontado, fui enterrar o teu talento no chão. Aqui tens o que é teu’. A isso respondeu-lhe o senhor: ‘Servo mau e preguiçoso, sabias que colho onde não semeei e que ajunto onde não espalhei? Pois então devias ter depositado o meu dinheiro com os banqueiros e, ao voltar receberia com juros o que é meu. Tirai-lhe o talento que tem e dai-o aquele que tem dez, porque a todo aquele que tem será dado e terá em abundância, mas daquele que não tem, até o que tem lhe será tirado. Quanto ao servo inútil, lançai-o fora, nas trevas. Ali haverá choro e ranger de dentes!’.” (Mt 25: 14-30).

Esta parábola mostra-nos o trabalho que deve ser exercido pelo Homem para que os bens que estão sob sua guarda frutifiquem.

“Talento” era uma moeda de prata da época de Jesus e ele utilizou seu simbolismo para representar os valores morais. Os “talentos” são, portanto, todos os recursos que recebemos para serem empregados na transformação de nós mesmos e na prática contínua da fraternidade.

Nesta parábola, encontramos a figura do homem que viaja o senhor (Deus) e três servos (a Humanidade), que recebem uma incumbência importante, segundo a capacidade de cada um, que era a de cuidar e multiplicar os talentos que seu senhor deixou em suas mãos.

Os dois primeiros Servos sabiam o que o senhor esperava deles e foram previdentes, executando com presteza sua tarefa e foram recompensados por isso: “Sobre o pouco foste fiel, sobre o muito te colocarei. Vem alegrar-te com o teu senhor”; mas o terceiro servo, por preguiça, omissão, avareza ou ignorância, nada fez para multiplicar o valor que lhe foi confiado e sofreu as amargas consequências de sua negligência.

Quando reencarnamos, podemos vivenciar extremos opostos: riqueza e pobreza, inteligência ou ausência do conhecimento, etc. Cada uma dessas experiências são oportunidades de crescimento.

Assim, cada um de nós, ao reencarnar, recebe inúmeros “talentos”, podendo ser materiais, como a riqueza, a saúde, a beleza, a posição social; ou espirituais, como a inteligência, a mediunidade, etc.

Pelo livre arbítrio, podemos, entretanto, usá-los de acordo com a nossa vontade, aplicando para o bem ou para o mal. Mas a consequência do emprego que dermos a esses bens, determinara nosso estado futuro.

Quando não empregamos esses recursos ou potencialidades em benefício de nosso semelhante é como que se os enterrássemos.

Dons preciosos que poderiam vir a beneficiar a muitos, mas ficam, neste caso, “embaixo da terra”.

O resultado futuro está contido na parábola: “Tirai-lhe o talento... Quanto ao servo inútil, lançai-o fora, nas trevas. Ali haverá choro e ranger de dentes!”

O ensinamento não podia ser mais claro. Segundo nossas decisões, se não multiplicarmos nossos talentos, eles nos serão tomados... E, como ensina-nos a Doutrina Espírita, sentiremos todas as aflições daqueles que “perderam o seu dia”, ou seja, desperdiçaram a sua existência.

Vale, por fim, lembrar que a “Parábola das Dez Minas”, relatada em Lucas (19:11-27), pode ser interpretada do mesmo modo que esta.

PARÁBOLA DOS VINHATEIROS HOMICIDAS (OU DOS LAVRADORES MAUS)

“Havia um proprietário que plantou uma vinha, cercou-a com uma sebe, abriu nela um lagar e construiu uma torre, Depois disso, arrendou-a a vinhateiros e partiu para o estrangeiro. Chegada á época da colheita, enviou seus servos aos vinhateiros, para receberem os seus frutos. Os vinhateiros, porém, agarraram os servos, espancaram um, mataram outro e apedrejaram o terceiro. Enviou de novo outros servos, em maior número do que os primeiros, mas eles os trataram da mesma forma. Por fim, enviou-lhes o seu filho, imaginando: ‘Respeitarão meu filho’. Os vinhateiros, porém, vendo o filho, confabularam: ‘Este é o herdeiro: vamos! matemo-lo e apoderemo-nos da sua herança ’. Agarrando-o, lançaram-no para fora da vinha e o mataram. Pois bem, quando vier o dono da vinha, que fará com estes vinhateiros?’ Responderam-lhe: ‘Certamente destruirá de maneira horrível esses infames e arrendará a vinha a outros vinhateiros, que lhe entregarão os frutos no tempo devido ’. Disse-lhes então Jesus.' ’Nunca lestes nas Escrituras: ‘A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular; pelo Senhor foi feito isso e é maravilha aos nossos olhos?’

Por isso vos afirmo que o Reino de Deus vos será tirado e confiado a um povo que o fará produzir seus frutos. Aquele que cair sobre esta pedra ficará em pedaços, e aquele sobre quem ela cair ficara esmagado. “Os chefes dos sacerdotes e os fariseus, ouvindo estas parábolas, perceberam que Jesus se referia a eles.” (Mt 21:33-45).

A vinha desta parábola foi bem descrita por Jesus. Seu dono não se limitou a plantá-la, mas a cercou, colocou ali um lagar (local usado para a fabricação do vinho), que simboliza os meios de purificação espiritual acessíveis aos homens, e ainda construiu uma torre, onde ficavam guardas para protegê-la. Era uma propriedade muito bem equipada, completa.

Deus é o proprietário desta vinha (a fazenda equipada), que significa todos os bens que Ele oferece aos homens (os lavradores arrendatários), para fazê-la produzir, dando a eles os meios (o conhecimento de Sua Lei) de vigiarem e protegerem a propriedade.

Esses vinhateiros simbolizam aqueles que têm como tarefa ensinar e praticar essa Lei: são os sacerdotes e condutores das inúmeras religiões antigas ou atuais. Os frutos são as ações praticadas durante o arrendamento.

Os primeiros servos, feridos, apedrejados e mortos representam os profetas da Antiguidade como Moises, Daniel, Elias e muitos outros; os outros servos, que vieram depois e eram em maior número, são os que vieram na época de Jesus e que sofreram e foram exterminados por seguirem os ensinamentos do Mestre.

E o filho do dono da vinha é o próprio Jesus! Os sacerdotes e os fariseus compreenderam que Jesus falava deles, pois sabiam que seu comportamento perante a Lei era hipócrita; cultivavam as práticas exteriores e as cerimônias faustosas, e sob um aspecto de severidade moral, tinham uma vida desregrada.

O povo judeu havia sido escolhido e preparado para receber o Messias, por serem monoteístas. E o Mestre avisou-os que o Reino de Deus, que eles não haviam respeitado e compreendido, seria, por isso, entregue a outro povo para que produzisse frutos; a palavra de Deus foi então pregada a outros povos.

Através dos tempos, muitos tiveram a oportunidade de propagar a mensagem de Jesus, ajudando a fazer germinar o Reino dos Céus nos corações humanos; mas não são poucos os que se perderam no orgulho, na vaidade, no apego as ilusões terrenas e não vivenciaram a moral do Evangelho.

O Espiritismo veio então, a seu tempo, recordar e reviver os ensinamentos de Jesus, reascendendo o desejo de cultivar o sentimento de igualdade entre irmãos e a fraternidade entre os povos.

RECONHECE-SE O CRISTÃO PELAS SUAS OBRAS

“Nem todo aquele que me diz ‘Senhor; Senhor ’ entrará no Reino dos Céus, mas sim aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos Céus.” (Mt 7:21).

Esta passagem ressalta a essência do verdadeiro Cristianismo, que implica em constante disposição para o aprendizado e também em ação constante para empregar em nossa vida todos esses ensinamentos preciosos que nos foram deixados por Jesus.

Assim, de nada adiantaria, apenas, dizer-se cristão; de nada adiantaria frequentar todos os eventos religiosos se não houvesse renovação, de nada adiantaria esses atos exteriores se a mensagem do Cristo não nos transformasse profundamente, fazendo-nos enxergar novas possibilidades, novas perspectivas de vida, todas elas baseadas nos preceitos ensinados pelo Mestre. Ensinamentos esses que nos conduzem as ações virtuosas, aos atos de compreensão e generosidade.

Os verdadeiros cristãos são, dessa forma, reconhecidos por suas obras. Como nas seguintes frases pronunciadas por Jesus:

“Pelo fruto reconhece-se a árvore”, e ainda: “Toda árvore que não der bons frutos será cortada e lançada ao fogo.” Eis as palavras do Mestre!

Mas, a História mostra-nos o que muitos homens fizeram com o Cristianismo, desvirtuando a mensagem de Jesus, adequando-a a seus interesses, monopolizando o conhecimento, distorcendo a verdade e corrompendo muitas mentes.

Esta mensagem convida-nos para cultivarmos a árvore da vida, da forma que o Cristo deixou-nos, cuidando dela com amor, e assim ela florescerá.

Nas grandes lições de Jesus, veremos que em todas elas haverá sempre uma ação positiva que somos convocados a empreender. Fazer o bem, a propósito, não é apenas não fazer o mal, mas é agir positivamente: “A fé sem obras é morta”.

Jesus, por isso, não apenas ensinava verbalmente, mas agia sempre com virtude, com generosidade, com a máxima caridade, demonstrando, em todos os momentos, a aplicação da Lei Maior.

É isso que confere a mais absoluta credibilidade as lições do Mestre, pois não houve uma virtude sequer que ele tenha ensinado e não exemplificado. Todas elas foram demonstradas. Ser cristão é bem mais do que ter apenas a crença em Deus, mas é buscar, constantemente, fazer com que essa crença impulsione-nos a grandes passos, a grandes atos de amor, de benevolência, de caridade...

Ser cristão é praticar o bem e se esforçar para propagar a mensagem do Cristo por todos os lugares em que estivermos.

Em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. XVIII, item 16, o Espírito Simeão afirma: “Procurai os verdadeiros cristãos e os reconhecereis pelas suas obras”.

E nos ensina: “Quais os frutos que a árvore do Cristianismo deve dar; árvore possante, cujos ramos frondosos cobrem com a sua sombra uma parte do mundo, mas ainda não abrigaram a todos os que devem reunir-se em seu redor? Os frutos da árvore da vida são frutos de vida, de esperança e de fé”.

“(...) Abri, pois, vossos ouvidos e vossos corações, meus bem- amados! Cultivai esta árvore da vida, cujos frutos proporcionam a vida eterna. (...) Ide, pois, procurar os necessitados; conduzi-os sob as ramagens da árvore e partilhai com eles o abrigo que ela vos oferece. (...) Meus irmãos, afastai-vos, pois, dos que vos chamam para apontar os tropeços do caminho, e segui as que vos conduzem a sombra da árvore da vida."

QUESTÃO REFLEXIVA:

Na vida diária, como você está administrando os “Talentos” que recebeu?


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terça-feira, 4 de abril de 2017

2ª Aula Parte B – CURSO APRENDIZES DO EVANGELHO 2º ANO – FEESP

Parábola do Rico e Lázaro, O Moço Rico e o Perigo das Riquezas, Recompensa Prometida ao Desprendimento.

PARÁBOLA DO RICO E LAZARO (OU DO MAU RICO)

“Havia um homem rico que se vestia de púrpura e linho fino e cada dia se banqueteava com requinte. Um pobre, chamado Lázaro, jazia a sua porta, coberto de úlceras. Desejava saciar-se do que caía da mesa do rico... E até os cães vinham lamber-lhe as úlceras. Aconteceu que o pobre morreu e foi levado pelos anjos ao seio de Abraão. Morreu também o rico e foi sepultado.“

“Na mansão dos mortos, em meio a tormentos, levantou os olhos e viu ao longe Abraão e Lázaro em seu seio. Então, exclamou: ‘Pai Abraão, tem piedade de mim e manda que Lázaro molhe a ponta do dedo para me refrescar a língua, pois estou atormentado nesta chama. Abraão respondeu: ‘Filho, lembra-te de que recebeste teus bens durante tua vida, e Lázaro por sua vez os males; agora, porém, ele encontra aqui consolo e tu és atormentado. E além do mais, entre nós e vós existe um grande abismo, a fim de que aqueles que quiserem passar daqui para junto de vós não o possam; nem tampouco atravessem de lá até nos’.”

“Ele replicou: ‘Pai, eu te suplico, envia então Lázaro até a casa de meu pai, pois tenho cinco irmãos; que leve a eles seu testemunho, para que não venham eles também para este lugar de tormento’. Abraão, porém, respondeu: ‘Eles têm Moisés e os Profetas; ouçam-nos’. Disse ele: ‘Não, Pai Abraão, mas se alguém dentre os mortos for procurá-los, eles se arrependerão’. Mas Abraão lhe disse: ‘Se não escutam nem a Moisés nem aos Profetas, mesmo que alguém ressuscite dos mortos, não se convencerão. ’.” (Le 16:19-31).

Esta parábola chama a atenção para a nossa condição espiritual quando não utilizamos corretamente os bens que recebemos para administrar durante a nossa existência.

Em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, cap. XVI, item 7, diz Kardec: “A riqueza é, sem dúvida, uma prova mais arriscada, mais perigosa que a miséria, em virtude das excitações e das tentações que oferece, da fascinação que exerce. É o supremo excitante do orgulho, do egoísmo e da vida sensual. (...) Mas, por tornar o caminho mais difícil, não se segue que o torne inviável, e não possa vir a ser um meio de salvação nas mãos do que a sabe utilizar como certos venenos que restabelecem a saúde, quando empregados a propósito e com discernimento.”

Os dois personagens centrais da parábola representam a Humanidade em suas diferentes atitudes perante a vida e as situações de provações.

O rico representa as pessoas que se extasiam diante das possibilidades materiais, no comer, beber, vestir-se com apuro e luxo, no poder que o dinheiro proporciona, no deslumbramento das posições sociais de destaque.

Essas pessoas vivem voltadas para si mesmas, fechadas no egoísmo, insensíveis a miséria e ao sofrimento alheio. Fecham os olhos a qualquer chamado para a vida espiritual; embora materialmente ricas, são pobres em virtudes.

Lázaro personifica os excluídos, os necessitados, os abandonados, mas que, mesmo assim, não se deixam levar pela revolta, permanecem resignados, mantendo a esperança de uma vida melhor. São ricos em virtudes.

Assim, Lázaro foi para “o seio de Abraão”. Abraão foi o Patriarca dos Hebreus, personagem extremamente respeitado por todo o povo. Ir para o “seio de Abraão”, nesta parábola, significa o melhor lugar que alguém poderia desejar e alcançar depois da morte. Lázaro merecera-o, pois mesmo numa vida com tantos sofrimentos e privações, conseguiu superá-los com resignação e humildade.

Outro aspecto desta parábola que nos chama a atenção é o apelo do rico para que Abraão enviasse a seus irmãos um dos “mortos” para que lhes falasse sobre a aflição destinada aos sovinas, ou seja, falasse-lhes sobre o destino daqueles que agiam com avareza.

A resposta não podia ser mais apropriada: “Se não escutam nem a Moisés nem aos Profetas, mesmo que alguém ressuscite dos mortos, não se convencerão”.

Temos nestas palavras uma grande verdade contida. Focando, como no caso, especialmente em relação às Escrituras judaicas vemos que o povo judeu possuía um verdadeiro acervo de verdades espirituais, deixadas por Moisés e os demais profetas, que já advertiram acerca da vida futura e da responsabilidade que temos em relação a ela. Isso, no entanto, como mostra a história, não foi suficiente para transformar a maioria dos que, pelo menos em teoria, veneravam seus profetas.

Jesus, apesar de todos os seus ensinamentos e exemplificações, não foi pela maioria daquele povo, ouvido, e muito menos, aceito como o Messias esperado. Dariam eles, então, ouvidos aos “mortos”‘? Esta lição é valiosa! Meditemos sobre este ensinamento.

O MOÇO RICO E O PERIGO DAS RIQUEZAS

“Ai alguém se aproximou dele e disse: ‘Mestre, que farei de bom para ter a vida eterna?’ Respondeu:  ‘Por que me pergunta sobre o que é bom? O Bom é um só. Mas se queres entrar para a vida, guarda os mandamentos’. Ele perguntou-lhe: 'Quais?' Jesus respondeu. Estes: Não matarás, não adulterarás, não roubarás, não levantarás falso testemunho; honra teu pai e tua mãe e amarás ao próximo como a ti mesmo’. Disse-lhe então o moço: ‘Tudo isso tenho guardado. Que me falta ainda?’. Jesus lhe respondeu: ‘Se queres ser perfeito, vai, vende o que possuis e dá aos pobres, e terás um tesouro nos céus. Depois, vem e segue-me’. O moço ouvindo essa palavra, saiu pesaroso, pois era possuidor de muitos bens.” (Mt 19:16-22).

Recordando a atitude de Zaqueu, vemos que o moço rico agiu de forma oposta: o jovem, cumpridor da Lei de Deus e de seus deveres na sociedade, não foi capaz de se desapegar dos seus bens materiais; enquanto Zaqueu, quando conheceu Jesus e seus ensinamentos, percebeu que os valores espirituais eram imensamente maiores do que os terrenos, e se dispôs, de imediato, a se despojar de grande parte de sua fortuna em benefício dos necessitados e daqueles que ele havia lesado.

O apego aos bens materiais é um dos mais fortes vínculos que nos acorrentam e atrasam nosso despertamento e desenvolvimento moral. É plenamente compreensível que o Homem fique feliz por ter uma boa situação financeira, conquistada através do trabalho honesto; mas a riqueza é uma prova difícil, pela sedução a que conduz.

Em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, cap. XVI, item 14, o Espírito Lacordaire ensina: “É em vão que procurais iludir-vos na vida terrena, colorindo com o nome de virtude o que frequentemente é apenas egoísmo. É em vão que chamais economia e previdência aquilo que é simples cupidez e avareza, ou generosidade o que não passa de prodigalidade a vosso proveito”.

Quando Jesus diz ao moço rico: “Se queres ser perfeito, vai, vende o que possuis e dá aos pobres, e terás um tesouro nos céus“, ele não está sugerindo que nos despojemos de tudo o que temos e que devamos viver miseravelmente ou a custa da caridade alheia, atitude que nos transformaria em irresponsáveis perante nossos deveres para com a sociedade em que vivemos, mas, apenas, que estejamos atentos para que não nos tomemos escravos dos nossos bens materiais.

Lacordaire; na mesma mensagem, explica o que é desapego: “O desapego dos bens terrenos consiste em considerar a fortuna no seu justo valor; em saber servir-se dela para os outros e não apenas para si mesmo, a não sacrificar por ela os interesses da vida futura, em perdê-la sem reclamar se aprouver a Deus retirá-la”.

RECOMPENSA PROMETIDA AO DESPRENDIMENTO

“Pedro, tomando então a palavra, disse: ‘Eis que negamos tudo e te seguimos. Que receberemos?’ Disse-lhe Jesus: Em verdade eu vos digo a vós que me seguistes: quando as coisas forem renovadas, e o Filho do Homem se assentar no seu trono de glória, vos assentareis, vós também, em doze tronos para julgar às doze tribos de Israel. E quem quer que tiver deixado casas, irmãos, irmãs, pai, mãe, filhos, ou terras por causa do meu nome, receberá muito mais; e terá em herança a vida eterna Muitos dos primeiros serão os últimos e muitos dos últimos, primeiros”. (Mt 19:27-30).

Os discípulos haviam deixado tudo para seguir Jesus e se questionavam qual seria então a sua recompensa, que, tesouro seria esse que Jesus prometera ao moço rico caso se decidisse a fazer o mesmo.

Quando analisamos algumas afirmações de Jesus, podemos, num primeiro momento, achar que há alguma contradição. Neste trecho, por exemplo, o Mestre afirma que: “E quem quer que tiver deixado casas, irmãos, irmãs, pai mãe, filhos, ou terras por causa do meu nome, receberá muito mais...”

Logo, pode surgir a indagação: Devemos então abandonar nossa família? Em primeiro lugar, como afirma constantemente Kardec, os ensinamentos de Jesus compõem um todo harmônico, onde não há, pois, contradições, mas, sim, uma perfeita harmonia. Há, pois, que se encontrar o significado contido no ensinamento.

Em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, cap. XXIII, item 6, Kardec mesmo nos questiona? “Não temos, aliás, sob os olhos, a aplicação dessas máximas nos sacrifícios dos interesses e das afeições da família pela pátria? Condena-se um filho que deixa o pai, a mãe, os irmãos, a mulher e os próprios filhos, para marchar em defesa de seu país? Não lhe reconhecemos, pelo contrário, o mérito de deixar as doçuras do lar e o calor das amizades para cumprir um dever? Há, pois, deveres que sobrepõe a outros.”

Vemos, pois, que esse chamamento do Mestre não é para simplesmente deixar a família, mas, para seguir em missão para beneficiar toda uma coletividade. E, não se pode negar um ato único, quando o individuo, imbuído de valores maiores, renuncia ao conforto, as comodidades, ao aconchego da família e dos amigos, por um causa muito maior.

A lição do Mestre é preciosa. Representa o mais puro amor, pois se dirige não a algumas pessoas, mas a todos os semelhantes. No mesmo item acima citado de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Kardec sintetiza: “Os interesses da vida futura estão acima de todos os interesses e todas as considerações de ordem humana, porque isto concorda com a essência da doutrina de Jesus...”

Sejamos nós capazes de exercitar tamanho amor!

QUESTÃO REFLEXIVA:

Comente a atitude de Zaqueu ao encontrar Jesus e se dispor a doar parte de sua riqueza.

Bibliografia:
- A Bíblia de Jerusalém.
- Kardec, Allan - O Livro dos Espíritos - Ed. FEESP.
3ª Aula - Parábolas e Ensinamentos de Jesus Sobre a Valorização Do Trabalho 15
- Kardec, Allan - O Evangelho Segundo o Espiritismo - Ed. FEESP
- Almeida, José de Sousa - As Parábolas - Ed. F EESP.
- Calligaris, Rodolfo - Parábolas Evangélicas a Luz do Espiritismo.
- Schutel, Cairbar - Parábolas e Ensinos de Jesus.
- Cerqueira Filho, Alírio de - Parábolas Terapêuticas.
- Pires, J. Herculano - Na Hora do Testemunho.


Fonte da imagem: Internet Google.