CARACTERÍSTICAS BÁSICAS DO ESPÍRITA: PACIÊNCIA, INDULGENCIA, FÉ, HUMILDADE, DIGNIDADE E CARIDADE.

quinta-feira, 3 de abril de 2025

3ª Aula Parte B – CURSO APRENDIZES DO EVANGELHO 2º ANO – FEESP

Parábola da Figueira Estéril, Parábola dos Trabalhadores da Última Hora, Os Últimos Serão os Primeiros

PARÁBOLA DA FIGUEIRA ESTÉRIL (OU DA FIGUEIRA QUE NÃO DAVA FRUTOS)

“Um homem tinha uma figueira plantada em sua vinha. Veio a ela procurar frutos, mas não encontrou. Então disse ao vinhateiro: ‘Ha três anos que venho buscar frutos nesta figueira e não encontro. Corta-a; por que há de tornar a terra infrutífera?’
Ele, porém, respondeu: ‘Senhor deixa-a ainda este ano para que cave ao redor e coloque adubo. Depois, talvez, dê frutos... Caso contrário, tu a cortarás'.” (Lc 13:6-9).

Quando contou esta parábola, Jesus estava indo para Jerusalém, que, na época, era a sede do poder econômico, político e religioso do povo judeu, e iria ali se confrontar com uma sociedade onde a injustiça era comum, a força militar era dominante e a religião servia para assegurar os privilégios aos sacerdotes e Doutores da Lei.

O dono da propriedade é Deus e a vinha, a Humanidade, de quem o Pai espera pacientemente os frutos.

A figueira estéril pode simbolizar, a princípio, a sociedade que Jesus encontrou em Jerusalém: uma árvore que tinha folhas, mas não dava frutos e nem alimentava o povo faminto.

Ampliando seu simbolismo, a figueira estéril representa todo aquele que é improdutivo; representa as pessoas que aparentam ser boas, mas, na realidade, nada produzem de bom; representa aqueles que têm a possibilidade de serem uteis, mas são inertes na prática do Bem.

Elas não acolhem o ensino moral de Jesus, assim tomam-se infrutíferas, e por serem inúteis poderiam ser “cortadas”. No entanto, ainda assim, o dono da vinha conceder-lhes-á a oportunidade de receberem cuidados e “adubo”, para que tenham a chance de produzir frutos no futuro.

Estes frutos podem ser representados por todo bom emprego das faculdades humanas que tragam beneficio ao semelhante. Entre essas faculdades, destaca-se a mediunidade, que é um instrumento precioso para gerar bons frutos através da caridade.

Nesse sentido, em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, cap. XIX, item 10, Kardec faz um alerta aos médiuns, que, em verdade, serve a todos nós: “Os médiuns são os intérpretes dos Espíritos. (...) Nestes tempos de renovação social, desempenham uma missão especial: São como árvores que devem dispensar o alimento espiritual aos seus irmãos. Por isso, multiplicam-se, de maneira que o alimento seja abundante. (...) Mas se eles desviam de seu fim providencial a faculdade preciosa que lhes foi concedida, se a colocam a serviço de coisas fúteis e prejudiciais, ou dos interesses mundanos; se, em vez de frutos salutares, dão maus frutos; se, recusam-se a torná-la proveitosa para os outros; se nem mesmo para si tiram os proveitos da melhoria própria, então, assemelham-se a figueira estéril”.

Aproveitemos, enquanto é dia, para produzir bons frutos!

PARÁBOLA DOS TRABALHADORES DA ÚLTIMA HORA (OU DOS TRABALHADORES DA VINHA)

“Porque o Reino dos Céus é semelhante ao pai de família que saiu de manhã cedo para contratar trabalhadores para a sua vinha. Depois de combinar com os trabalhadores um denário por dia, mandou-os para a vinha. Tornando a sair pela hora terceira, viu outros que estavam na praça, desocupados, e disse-lhes: ‘Ide também vós para a vinha, e eu vos darei o que for justo' Eles foram. Tornando a sair pela hora sexta e pela hora nona, fez a mesma coisa. Saindo pela hora undécima, encontrou outros que lá estavam e disse-lhes: ‘Por que ficais ai o dia inteiro sem trabalhar?’ Responderam: ‘Porque ninguém nos contratou ’. Disse-lhes: Ide, também vós, para a vinha. Chegada a tarde, disse o dono da vinha ao seu administrador.' ‘Chama os trabalhadores e paga-lhes o salário começando pelos últimos até os primeiros’. Vindo os da hora undécima, receberam um denário cada um. E vindo os primeiros, pensaram que receberiam mais, mas receberam um denário cada um também eles. Ao receber murmuravam contra o pai de família, dizendo.' ‘Estes últimos fizeram uma hora só e tu os igualaste a nós, que suportamos o peso do dia e o calor do sol'. Ele, então, disse a um deles: Amigo, não fui injusto contigo. Não combinamos um denário? Toma o que é teu e vai. Eu quero dar a este ultimo o mesmo que a ti. Não tenho o direito de fazer o que quero com o que é meu? Ou estás com ciúme porque sou bom? Eis como os últimos serão primeiros, e os primeiros serão últimos.” (Mt 20:1-16).

Nesta parábola, Jesus estará incentivando a injustiça, a discórdia e valorizando a inação? Não seria injustiça pagar o mesmo salário, tanto aos que trabalharam doze horas, como aos que trabalharam nove, seis, três ou uma hora?

Transportando esta parábola para o campo da espiritualidade, teremos: a vinha é um campo de trabalho; o proprietário é Deus, o Pai Criador; os trabalhadores somos nós, a Humanidade, que, nas mais variadas horas de nossa existência, somos convidados ao cultivo das virtudes e a cuidar com dedicação do que nos cabe realizar.

Esta é uma parábola que por seu rico simbolismo traz-nos diversos ensinamentos. Encontramos, assim, na bibliografia espírita, mais de uma forma de interpretá-la.

Atendo-nos ao “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, no cap. XX, encontraremos duas interpretações. Vejamos: “O trabalhador da ultima hora tem direito ao salário. Mas, para isso, é necessário que se tenha conservado com boa vontade à disposição do Senhor que o devia empregar; e que o atraso não seja fruto da sua preguiça ou da sua má vontade.”

Como vemos nesta passagem, é ressaltada a condição de disponibilidade, de boa vontade para o trabalho. Refletindo sobre as oportunidades de trabalho que chegam a todos os Homens, notaremos que são muitas as pessoas que desperdiçam inúmeras ocasiões de realizar suas tarefas.

Grande desperdício, repetimos, porque, como nos ensina Doutrina Espírita, a Lei do Trabalho é uma das Leis de Deus. Pelo trabalho alcançamos o progresso intelectual e moral.

O ponto essencial é, repisamos, estarmos disponíveis e de boa vontade, e então a oportunidade aparece, pois, quando nos dispomos a servir, seremos auxiliados pela Espiritualidade Superior a realizar a tarefa que nos compete.

Portanto, não importa qual é a hora que o chamado é feito, mas, sim, a prontidão em atendê-lo. Nesse caso, mereceremos o salário integralmente.

No mesmo capitulo de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, no item 3, encontramos outra instrução acerca desta parábola: “Últimos a chegar os Espíritas aproveitam o trabalho intelectual dos seus antecessores, porque o homem deve herdar do homem, e porque os trabalhos e seus resultados são coletivos: Deus abençoa a solidariedade.”

Segundo a Lei de Progresso, que também é uma Lei Divina, a Humanidade avança, passo a passo, sempre adiante. E, figuradamente falando, como se fosse à construção de um grande edifício que vai se elevando as alturas.

Em relação ao avanço do progresso intelectual é surpreendente o estado a que chegamos em tão pouco tempo. Os avanços científicos e tecnológicos são admiráveis.

Especialmente em relação à condição moral, vemos também que a Humanidade dia a dia vai se aprimorando, e costumes bárbaros, que outrora eram comuns, vão sendo deixados de lado, e vão sendo substituídos por outros mais moderados, elevados.

Os homens, hoje, estão mais receptivos para o conhecimento espiritual. Existe, compilado, um verdadeiro acervo de obras que tratam das verdades espirituais. Mas, lembremos, nem sempre foi assim.

Na antiguidade, era grande a dificuldade para obter esses ensinamentos: os livros eram raros, os professores escassos, o analfabetismo era regra, e o conhecimento superior era fechado, pertencia a alguns iniciados.

Embora existissem essas dificuldades apontadas, sempre existiram os trabalhadores da seara do Mestre.

Mas, os trabalhadores daquela primeira hora precisavam de muito esforço, muitas horas de trabalho, para a propagação das verdades espirituais e, assim, obter o seu salário.

Hoje, os trabalhadores da ultima hora - os Espíritas - recebem, como “herança”, todo o resultado desse trabalho, mas tem o compromisso de levar adiante esse processo, de continuar construindo para que, também, deixem um legado as futuras gerações, sendo assim colaboradores diretos de Jesus nesta fase de transição planetária para um Mundo de Regeneração.

No item 5, do mesmo capítulo já citado, há uma mensagem do Espírito de Verdade, incentivando-nos ao trabalho: “Chegastes no tempo em que se cumprirão as profecias referentes a transformação da Humanidade. Felizes serão os que tiverem trabalhado o campo do Senhor com desinteresse, e movidos apenas pela caridade! Suas jornadas de trabalho serão pagas ao cêntuplo do que tenham esperado. Felizes serão os que houverem dito a seus irmãos: ‘Trabalhemos juntos, e unamos nossos esforços, a fim de que o Senhor; na sua vinda, encontre a obra acabada...”

OS ÚLTIMOS SERÃO OS PRIMEIROS

Em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. XX, item 2 o Espírito Constantino faz uma reflexão sobre as diferentes posturas que um trabalhador poderia adotar.

Em primeiro, há aquele que, com disposição, espera apenas ser chamado para aceitar imediatamente a tarefa. O segundo é preguiçoso e não quer trabalho, mas aceita o salário. E há um terceiro que, além de não se interessar por trabalho algum, usa o seu tempo para fazer o mal, esperando ainda assim ser empregado, propositalmente ao final do dia; a este o Senhor lhe diria: “Não tenho agora nenhum trabalho para ti. Desperdiçaste o teu tempo, esqueceste o que havias aprendido, não sabes mais trabalhar na minha vinha. Cuida, pois, de aprender de novo, e quando te sentires mais bem disposto, vem procurar-me e te franquearei as minhas terras, onde poderás trabalhar a qualquer hora do dia.”

“Aprender de novo” é refazer o caminho, pois em cada nova existência o Espírito retoma com novas oportunidades para fazer a tarefa não cumprida.

Na mesma mensagem, Constantino aconselha os espíritas: “Bons espíritas, meus bem-amados, todos vós sois trabalhadores da última hora. (...) Todos viestes quando chamados, uns mais cedo, outros mais tarde, para a encarnação cujos grilhões carregais. Mas há quantos e quantos séculos o Senhor vos chamava para a sua vinha, sem que aceitásseis o convite? Eis chegado, agora, o momento de receber o salário. Empregai bem esta hora que vos resta. Não vos esqueçais de que a vossa existência por mais longa que vos pareça, não é mais do que um momento muito breve, na imensidade dos tempos que constituem para vos a eternidade”.

Os Espíritos possuem relativa liberdade para decidirem seus rumos. Não há, ensina-nos a Doutrina Espírita, determinismo absoluto, pois podemos exercer o livre arbítrio e optarmos pelo caminho que nos agrade.

Assim, segundo suas opções, os Espíritos avançam mais ou menos. Muitos, por livre escolha, permanecem, então, estacionários por anos infindáveis, por vários séculos.

Poderá haver, no entanto, um momento em que aquele que desperdiçou quase todo o seu tempo procurará trabalho e não o encontrará. Isso lhe servira de lição para que aprenda a valorizar as horas. Necessitará, então, de uma nova encarnação para que “aprenda de novo”.

Esse panorama, qual seja: de haver a possibilidade de avançar mais rápido segundo nossas decisões, é, para nós, um estimulo para aproveitamos as horas para o trabalho dignificante.

Há, ainda, um outro aspecto para se interpretar esse ensinamento. O Espírito Henri Heine, no item 3 do mesmo capítulo, diz que os trabalhadores da primeira hora são os profetas, Moisés e tantos outros Espíritos que reencarnaram ao longo dos séculos, auxiliando o progresso espiritual da Humanidade, nas mais diversas atividades terrenas.

Os espíritas, nessa interpretação, são os últimos a chegar, usufruindo do resultado do trabalho dos que vieram antes, e então: “... já não trabalham mais nos fundamentos, mas na cúpula do edifício. Seu salário será, portanto, proporcional ao mérito da obra“.

Essa orientação encerra-se assim: “Este é um dos verdadeiros sentidos desta parábola, que encerra, como todas as que Jesus dirigiu ao povo, as linhas do futuro, e também, através de suas formas e imagens, a revelação dessa magnífica unidade que harmoniza todas as coisas no universo, dessa solidariedade que liga todos os seres atuais ao passado e ao futuro”.

QUESTÃO REFLEXIVA:

Como podemos contribuir na seara do Mestre, como “trabalhadores da última hora”?

Bibliografia:
- A Bíblia de Jerusalém.
- Kardec, Allan - O Evangelho Segundo o Espiritismo - Ed. FEESP
- Kardec, Allan - A Gênese - Ed. FEESP
- Godoy, Paulo Alves - As Maravilhosas Parábolas de Jesus - Ed. FEESP
- Almeida, José de Sousa e - As Parábolas - Ed. FEESP
- Schutel, Cairbar - Parábolas e Ensinos de Jesus.

A imagem acima é meramente ilustrativa. Fonte: Internet Google.
 

terça-feira, 1 de abril de 2025

3ª Aula Parte A – CURSO APRENDIZES DO EVANGELHO 2º ANO – FEESP

Parábolas e Ensinamentos de Jesus Sobre a Valorização Do Trabalho

Parábola dos Talentos, Parábola dos Vinhateiros Homicidas, Reconhece-se o Cristão pelas Suas Obras

PARÁBOLA DOS TALENTOS

“Pois será como um homem que, viajando para o estrangeiro, chamou seus servos e entregou-lhes seus bens. A um deu cinco talentos, a outro dois, a outro um. A cada um de acordo com sua capacidade. E partiu. Imediatamente, o que recebera cinco talentos saiu a trabalhar com eles e ganhou outros cinco. Da mesma maneira, o que recebera dois ganhou outros dois. Mas aquele que recebera um só, tomou-o e foi abrir uma cova no chão. E enterrou o dinheiro do seu senhor. Depois de muito tempo, o senhor daqueles servos voltou e pôs-se a ajustar contas com eles. Chegando aquele que recebera cinco talentos, entregou-lhe outros cinco, dizendo: ‘Senhor tu me confiaste cinco talentos. Aqui estão outros cinco que ganhei!’ Disse-lhe o senhor: ‘Muito bem, servo bom e fiel sobre o pouco foste fiel, sobre o muito te colocarei. Vem alegrar-te com o teu senhor!’ Chegando também o dos dois talentos, disse: ‘Senhor tu me confiaste dois talentos. Aqui estão outros dois talentos que ganhei!’. Disse-lhe o senhor: ‘Muito bem, servo bom e fiel! Sobre o pouco foste fiel, sobre o muito te colocarei. Vem alegrar-te com o teu senhor! 'Por fim, chegando o que recebera um talento, disse: ‘Senhor eu sabia que és homem severo, que colhes onde não semeaste e ajuntas onde não espalhaste. Assim, amedrontado, fui enterrar o teu talento no chão. Aqui tens o que é teu’. A isso respondeu-lhe o senhor: ‘Servo mau e preguiçoso, sabias que colho onde não semeei e que ajunto onde não espalhei? Pois então devias ter depositado o meu dinheiro com os banqueiros e, ao voltar receberia com juros o que é meu. Tirai-lhe o talento que tem e dai-o aquele que tem dez, porque a todo aquele que tem será dado e terá em abundância, mas daquele que não tem, até o que tem lhe será tirado. Quanto ao servo inútil, lançai-o fora, nas trevas. Ali haverá choro e ranger de dentes!’.” (Mt 25: 14-30).

Esta parábola mostra-nos o trabalho que deve ser exercido pelo Homem para que os bens que estão sob sua guarda frutifiquem.

“Talento” era uma moeda de prata da época de Jesus e ele utilizou seu simbolismo para representar os valores morais. Os “talentos” são, portanto, todos os recursos que recebemos para serem empregados na transformação de nós mesmos e na prática contínua da fraternidade.

Nesta parábola, encontramos a figura do homem que viaja o senhor (Deus) e três servos (a Humanidade), que recebem uma incumbência importante, segundo a capacidade de cada um, que era a de cuidar e multiplicar os talentos que seu senhor deixou em suas mãos.

Os dois primeiros Servos sabiam o que o senhor esperava deles e foram previdentes, executando com presteza sua tarefa e foram recompensados por isso: “Sobre o pouco foste fiel, sobre o muito te colocarei. Vem alegrar-te com o teu senhor”; mas o terceiro servo, por preguiça, omissão, avareza ou ignorância, nada fez para multiplicar o valor que lhe foi confiado e sofreu as amargas consequências de sua negligência.

Quando reencarnamos, podemos vivenciar extremos opostos: riqueza e pobreza, inteligência ou ausência do conhecimento, etc. Cada uma dessas experiências são oportunidades de crescimento.

Assim, cada um de nós, ao reencarnar, recebe inúmeros “talentos”, podendo ser materiais, como a riqueza, a saúde, a beleza, a posição social; ou espirituais, como a inteligência, a mediunidade, etc.

Pelo livre arbítrio, podemos, entretanto, usá-los de acordo com a nossa vontade, aplicando para o bem ou para o mal. Mas a consequência do emprego que dermos a esses bens, determinara nosso estado futuro.

Quando não empregamos esses recursos ou potencialidades em benefício de nosso semelhante é como que se os enterrássemos.

Dons preciosos que poderiam vir a beneficiar a muitos, mas ficam, neste caso, “embaixo da terra”.

O resultado futuro está contido na parábola: “Tirai-lhe o talento... Quanto ao servo inútil, lançai-o fora, nas trevas. Ali haverá choro e ranger de dentes!”

O ensinamento não podia ser mais claro. Segundo nossas decisões, se não multiplicarmos nossos talentos, eles nos serão tomados... E, como ensina-nos a Doutrina Espírita, sentiremos todas as aflições daqueles que “perderam o seu dia”, ou seja, desperdiçaram a sua existência.

Vale, por fim, lembrar que a “Parábola das Dez Minas”, relatada em Lucas (19:11-27), pode ser interpretada do mesmo modo que esta.

PARÁBOLA DOS VINHATEIROS HOMICIDAS (OU DOS LAVRADORES MAUS)

“Havia um proprietário que plantou uma vinha, cercou-a com uma sebe, abriu nela um lagar e construiu uma torre, Depois disso, arrendou-a a vinhateiros e partiu para o estrangeiro. Chegada á época da colheita, enviou seus servos aos vinhateiros, para receberem os seus frutos. Os vinhateiros, porém, agarraram os servos, espancaram um, mataram outro e apedrejaram o terceiro. Enviou de novo outros servos, em maior número do que os primeiros, mas eles os trataram da mesma forma. Por fim, enviou-lhes o seu filho, imaginando: ‘Respeitarão meu filho’. Os vinhateiros, porém, vendo o filho, confabularam: ‘Este é o herdeiro: vamos! matemo-lo e apoderemo-nos da sua herança ’. Agarrando-o, lançaram-no para fora da vinha e o mataram. Pois bem, quando vier o dono da vinha, que fará com estes vinhateiros?’ Responderam-lhe: ‘Certamente destruirá de maneira horrível esses infames e arrendará a vinha a outros vinhateiros, que lhe entregarão os frutos no tempo devido ’. Disse-lhes então Jesus.' ’Nunca lestes nas Escrituras: ‘A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular; pelo Senhor foi feito isso e é maravilha aos nossos olhos?’

Por isso vos afirmo que o Reino de Deus vos será tirado e confiado a um povo que o fará produzir seus frutos. Aquele que cair sobre esta pedra ficará em pedaços, e aquele sobre quem ela cair ficara esmagado. “Os chefes dos sacerdotes e os fariseus, ouvindo estas parábolas, perceberam que Jesus se referia a eles.” (Mt 21:33-45).

A vinha desta parábola foi bem descrita por Jesus. Seu dono não se limitou a plantá-la, mas a cercou, colocou ali um lagar (local usado para a fabricação do vinho), que simboliza os meios de purificação espiritual acessíveis aos homens, e ainda construiu uma torre, onde ficavam guardas para protegê-la. Era uma propriedade muito bem equipada, completa.

Deus é o proprietário desta vinha (a fazenda equipada), que significa todos os bens que Ele oferece aos homens (os lavradores arrendatários), para fazê-la produzir, dando a eles os meios (o conhecimento de Sua Lei) de vigiarem e protegerem a propriedade.

Esses vinhateiros simbolizam aqueles que têm como tarefa ensinar e praticar essa Lei: são os sacerdotes e condutores das inúmeras religiões antigas ou atuais. Os frutos são as ações praticadas durante o arrendamento.

Os primeiros servos, feridos, apedrejados e mortos representam os profetas da Antiguidade como Moises, Daniel, Elias e muitos outros; os outros servos, que vieram depois e eram em maior número, são os que vieram na época de Jesus e que sofreram e foram exterminados por seguirem os ensinamentos do Mestre.

E o filho do dono da vinha é o próprio Jesus! Os sacerdotes e os fariseus compreenderam que Jesus falava deles, pois sabiam que seu comportamento perante a Lei era hipócrita; cultivavam as práticas exteriores e as cerimônias faustosas, e sob um aspecto de severidade moral, tinham uma vida desregrada.

O povo judeu havia sido escolhido e preparado para receber o Messias, por serem monoteístas. E o Mestre avisou-os que o Reino de Deus, que eles não haviam respeitado e compreendido, seria, por isso, entregue a outro povo para que produzisse frutos; a palavra de Deus foi então pregada a outros povos.

Através dos tempos, muitos tiveram a oportunidade de propagar a mensagem de Jesus, ajudando a fazer germinar o Reino dos Céus nos corações humanos; mas não são poucos os que se perderam no orgulho, na vaidade, no apego as ilusões terrenas e não vivenciaram a moral do Evangelho.

O Espiritismo veio então, a seu tempo, recordar e reviver os ensinamentos de Jesus, reascendendo o desejo de cultivar o sentimento de igualdade entre irmãos e a fraternidade entre os povos.

RECONHECE-SE O CRISTÃO PELAS SUAS OBRAS

“Nem todo aquele que me diz ‘Senhor; Senhor ’ entrará no Reino dos Céus, mas sim aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos Céus.” (Mt 7:21).

Esta passagem ressalta a essência do verdadeiro Cristianismo, que implica em constante disposição para o aprendizado e também em ação constante para empregar em nossa vida todos esses ensinamentos preciosos que nos foram deixados por Jesus.

Assim, de nada adiantaria, apenas, dizer-se cristão; de nada adiantaria frequentar todos os eventos religiosos se não houvesse renovação, de nada adiantaria esses atos exteriores se a mensagem do Cristo não nos transformasse profundamente, fazendo-nos enxergar novas possibilidades, novas perspectivas de vida, todas elas baseadas nos preceitos ensinados pelo Mestre. Ensinamentos esses que nos conduzem as ações virtuosas, aos atos de compreensão e generosidade.

Os verdadeiros cristãos são, dessa forma, reconhecidos por suas obras. Como nas seguintes frases pronunciadas por Jesus:

“Pelo fruto reconhece-se a árvore”, e ainda: “Toda árvore que não der bons frutos será cortada e lançada ao fogo.” Eis as palavras do Mestre!

Mas, a História mostra-nos o que muitos homens fizeram com o Cristianismo, desvirtuando a mensagem de Jesus, adequando-a a seus interesses, monopolizando o conhecimento, distorcendo a verdade e corrompendo muitas mentes.

Esta mensagem convida-nos para cultivarmos a árvore da vida, da forma que o Cristo deixou-nos, cuidando dela com amor, e assim ela florescerá.

Nas grandes lições de Jesus, veremos que em todas elas haverá sempre uma ação positiva que somos convocados a empreender. Fazer o bem, a propósito, não é apenas não fazer o mal, mas é agir positivamente: “A fé sem obras é morta”.

Jesus, por isso, não apenas ensinava verbalmente, mas agia sempre com virtude, com generosidade, com a máxima caridade, demonstrando, em todos os momentos, a aplicação da Lei Maior.

É isso que confere a mais absoluta credibilidade as lições do Mestre, pois não houve uma virtude sequer que ele tenha ensinado e não exemplificado. Todas elas foram demonstradas. Ser cristão é bem mais do que ter apenas a crença em Deus, mas é buscar, constantemente, fazer com que essa crença impulsione-nos a grandes passos, a grandes atos de amor, de benevolência, de caridade...

Ser cristão é praticar o bem e se esforçar para propagar a mensagem do Cristo por todos os lugares em que estivermos.

Em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. XVIII, item 16, o Espírito Simeão afirma: “Procurai os verdadeiros cristãos e os reconhecereis pelas suas obras”.

E nos ensina: “Quais os frutos que a árvore do Cristianismo deve dar; árvore possante, cujos ramos frondosos cobrem com a sua sombra uma parte do mundo, mas ainda não abrigaram a todos os que devem reunir-se em seu redor? Os frutos da árvore da vida são frutos de vida, de esperança e de fé”.

“(...) Abri, pois, vossos ouvidos e vossos corações, meus bem- amados! Cultivai esta árvore da vida, cujos frutos proporcionam a vida eterna. (...) Ide, pois, procurar os necessitados; conduzi-os sob as ramagens da árvore e partilhai com eles o abrigo que ela vos oferece. (...) Meus irmãos, afastai-vos, pois, dos que vos chamam para apontar os tropeços do caminho, e segui as que vos conduzem a sombra da árvore da vida."

QUESTÃO REFLEXIVA:

Na vida diária, como você está administrando os “Talentos” que recebeu?

A imagem acima é meramente ilustrativa. Fonte: Internet Google.
 

quinta-feira, 27 de março de 2025

2ª Aula Parte B – CURSO APRENDIZES DO EVANGELHO 2º ANO – FEESP

Parábola do Rico e Lázaro, O Moço Rico e o Perigo das Riquezas, Recompensa Prometida ao Desprendimento.

PARÁBOLA DO RICO E LAZARO (OU DO MAU RICO)

“Havia um homem rico que se vestia de púrpura e linho fino e cada dia se banqueteava com requinte. Um pobre, chamado Lázaro, jazia a sua porta, coberto de úlceras. Desejava saciar-se do que caía da mesa do rico... E até os cães vinham lamber-lhe as úlceras. Aconteceu que o pobre morreu e foi levado pelos anjos ao seio de Abraão. Morreu também o rico e foi sepultado.“

“Na mansão dos mortos, em meio a tormentos, levantou os olhos e viu ao longe Abraão e Lázaro em seu seio. Então, exclamou: ‘Pai Abraão, tem piedade de mim e manda que Lázaro molhe a ponta do dedo para me refrescar a língua, pois estou atormentado nesta chama. Abraão respondeu: ‘Filho, lembra-te de que recebeste teus bens durante tua vida, e Lázaro por sua vez os males; agora, porém, ele encontra aqui consolo e tu és atormentado. E além do mais, entre nós e vós existe um grande abismo, a fim de que aqueles que quiserem passar daqui para junto de vós não o possam; nem tampouco atravessem de lá até nos’.”

“Ele replicou: ‘Pai, eu te suplico, envia então Lázaro até a casa de meu pai, pois tenho cinco irmãos; que leve a eles seu testemunho, para que não venham eles também para este lugar de tormento’. Abraão, porém, respondeu: ‘Eles têm Moisés e os Profetas; ouçam-nos’. Disse ele: ‘Não, Pai Abraão, mas se alguém dentre os mortos for procurá-los, eles se arrependerão’. Mas Abraão lhe disse: ‘Se não escutam nem a Moisés nem aos Profetas, mesmo que alguém ressuscite dos mortos, não se convencerão. ’.” (Le 16:19-31).

Esta parábola chama a atenção para a nossa condição espiritual quando não utilizamos corretamente os bens que recebemos para administrar durante a nossa existência.

Em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, cap. XVI, item 7, diz Kardec: “A riqueza é, sem dúvida, uma prova mais arriscada, mais perigosa que a miséria, em virtude das excitações e das tentações que oferece, da fascinação que exerce. É o supremo excitante do orgulho, do egoísmo e da vida sensual. (...) Mas, por tornar o caminho mais difícil, não se segue que o torne inviável, e não possa vir a ser um meio de salvação nas mãos do que a sabe utilizar como certos venenos que restabelecem a saúde, quando empregados a propósito e com discernimento.”

Os dois personagens centrais da parábola representam a Humanidade em suas diferentes atitudes perante a vida e as situações de provações.

O rico representa as pessoas que se extasiam diante das possibilidades materiais, no comer, beber, vestir-se com apuro e luxo, no poder que o dinheiro proporciona, no deslumbramento das posições sociais de destaque.

Essas pessoas vivem voltadas para si mesmas, fechadas no egoísmo, insensíveis a miséria e ao sofrimento alheio. Fecham os olhos a qualquer chamado para a vida espiritual; embora materialmente ricas, são pobres em virtudes.

Lázaro personifica os excluídos, os necessitados, os abandonados, mas que, mesmo assim, não se deixam levar pela revolta, permanecem resignados, mantendo a esperança de uma vida melhor. São ricos em virtudes.

Assim, Lázaro foi para “o seio de Abraão”. Abraão foi o Patriarca dos Hebreus, personagem extremamente respeitado por todo o povo. Ir para o “seio de Abraão”, nesta parábola, significa o melhor lugar que alguém poderia desejar e alcançar depois da morte. Lázaro merecera-o, pois mesmo numa vida com tantos sofrimentos e privações, conseguiu superá-los com resignação e humildade.

Outro aspecto desta parábola que nos chama a atenção é o apelo do rico para que Abraão enviasse a seus irmãos um dos “mortos” para que lhes falasse sobre a aflição destinada aos sovinas, ou seja, falasse-lhes sobre o destino daqueles que agiam com avareza.

A resposta não podia ser mais apropriada: “Se não escutam nem a Moisés nem aos Profetas, mesmo que alguém ressuscite dos mortos, não se convencerão”.

Temos nestas palavras uma grande verdade contida. Focando, como no caso, especialmente em relação às Escrituras judaicas vemos que o povo judeu possuía um verdadeiro acervo de verdades espirituais, deixadas por Moisés e os demais profetas, que já advertiram acerca da vida futura e da responsabilidade que temos em relação a ela. Isso, no entanto, como mostra a história, não foi suficiente para transformar a maioria dos que, pelo menos em teoria, veneravam seus profetas.

Jesus, apesar de todos os seus ensinamentos e exemplificações, não foi pela maioria daquele povo, ouvido, e muito menos, aceito como o Messias esperado. Dariam eles, então, ouvidos aos “mortos”‘? Esta lição é valiosa! Meditemos sobre este ensinamento.

O MOÇO RICO E O PERIGO DAS RIQUEZAS

“Ai alguém se aproximou dele e disse: ‘Mestre, que farei de bom para ter a vida eterna?’ Respondeu:  ‘Por que me pergunta sobre o que é bom? O Bom é um só. Mas se queres entrar para a vida, guarda os mandamentos’. Ele perguntou-lhe: 'Quais?' Jesus respondeu. Estes: Não matarás, não adulterarás, não roubarás, não levantarás falso testemunho; honra teu pai e tua mãe e amarás ao próximo como a ti mesmo’. Disse-lhe então o moço: ‘Tudo isso tenho guardado. Que me falta ainda?’. Jesus lhe respondeu: ‘Se queres ser perfeito, vai, vende o que possuis e dá aos pobres, e terás um tesouro nos céus. Depois, vem e segue-me’. O moço ouvindo essa palavra, saiu pesaroso, pois era possuidor de muitos bens.” (Mt 19:16-22).

Recordando a atitude de Zaqueu, vemos que o moço rico agiu de forma oposta: o jovem, cumpridor da Lei de Deus e de seus deveres na sociedade, não foi capaz de se desapegar dos seus bens materiais; enquanto Zaqueu, quando conheceu Jesus e seus ensinamentos, percebeu que os valores espirituais eram imensamente maiores do que os terrenos, e se dispôs, de imediato, a se despojar de grande parte de sua fortuna em benefício dos necessitados e daqueles que ele havia lesado.

O apego aos bens materiais é um dos mais fortes vínculos que nos acorrentam e atrasam nosso despertamento e desenvolvimento moral. É plenamente compreensível que o Homem fique feliz por ter uma boa situação financeira, conquistada através do trabalho honesto; mas a riqueza é uma prova difícil, pela sedução a que conduz.

Em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, cap. XVI, item 14, o Espírito Lacordaire ensina: “É em vão que procurais iludir-vos na vida terrena, colorindo com o nome de virtude o que frequentemente é apenas egoísmo. É em vão que chamais economia e previdência aquilo que é simples cupidez e avareza, ou generosidade o que não passa de prodigalidade a vosso proveito”.

Quando Jesus diz ao moço rico: “Se queres ser perfeito, vai, vende o que possuis e dá aos pobres, e terás um tesouro nos céus“, ele não está sugerindo que nos despojemos de tudo o que temos e que devamos viver miseravelmente ou a custa da caridade alheia, atitude que nos transformaria em irresponsáveis perante nossos deveres para com a sociedade em que vivemos, mas, apenas, que estejamos atentos para que não nos tomemos escravos dos nossos bens materiais.

Lacordaire; na mesma mensagem, explica o que é desapego: “O desapego dos bens terrenos consiste em considerar a fortuna no seu justo valor; em saber servir-se dela para os outros e não apenas para si mesmo, a não sacrificar por ela os interesses da vida futura, em perdê-la sem reclamar se aprouver a Deus retirá-la”.

RECOMPENSA PROMETIDA AO DESPRENDIMENTO

“Pedro, tomando então a palavra, disse: ‘Eis que negamos tudo e te seguimos. Que receberemos?’ Disse-lhe Jesus: Em verdade eu vos digo a vós que me seguistes: quando as coisas forem renovadas, e o Filho do Homem se assentar no seu trono de glória, vos assentareis, vós também, em doze tronos para julgar às doze tribos de Israel. E quem quer que tiver deixado casas, irmãos, irmãs, pai, mãe, filhos, ou terras por causa do meu nome, receberá muito mais; e terá em herança a vida eterna Muitos dos primeiros serão os últimos e muitos dos últimos, primeiros”. (Mt 19:27-30).

Os discípulos haviam deixado tudo para seguir Jesus e se questionavam qual seria então a sua recompensa, que, tesouro seria esse que Jesus prometera ao moço rico caso se decidisse a fazer o mesmo.

Quando analisamos algumas afirmações de Jesus, podemos, num primeiro momento, achar que há alguma contradição. Neste trecho, por exemplo, o Mestre afirma que: “E quem quer que tiver deixado casas, irmãos, irmãs, pai mãe, filhos, ou terras por causa do meu nome, receberá muito mais...”

Logo, pode surgir a indagação: Devemos então abandonar nossa família? Em primeiro lugar, como afirma constantemente Kardec, os ensinamentos de Jesus compõem um todo harmônico, onde não há, pois, contradições, mas, sim, uma perfeita harmonia. Há, pois, que se encontrar o significado contido no ensinamento.

Em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, cap. XXIII, item 6, Kardec mesmo nos questiona? “Não temos, aliás, sob os olhos, a aplicação dessas máximas nos sacrifícios dos interesses e das afeições da família pela pátria? Condena-se um filho que deixa o pai, a mãe, os irmãos, a mulher e os próprios filhos, para marchar em defesa de seu país? Não lhe reconhecemos, pelo contrário, o mérito de deixar as doçuras do lar e o calor das amizades para cumprir um dever? Há, pois, deveres que sobrepõe a outros.”

Vemos, pois, que esse chamamento do Mestre não é para simplesmente deixar a família, mas, para seguir em missão para beneficiar toda uma coletividade. E, não se pode negar um ato único, quando o individuo, imbuído de valores maiores, renuncia ao conforto, as comodidades, ao aconchego da família e dos amigos, por um causa muito maior.

A lição do Mestre é preciosa. Representa o mais puro amor, pois se dirige não a algumas pessoas, mas a todos os semelhantes. No mesmo item acima citado de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Kardec sintetiza: “Os interesses da vida futura estão acima de todos os interesses e todas as considerações de ordem humana, porque isto concorda com a essência da doutrina de Jesus...”

Sejamos nós capazes de exercitar tamanho amor!

QUESTÃO REFLEXIVA:

Comente a atitude de Zaqueu ao encontrar Jesus e se dispor a doar parte de sua riqueza.

Bibliografia:
- A Bíblia de Jerusalém.
- Kardec, Allan - O Livro dos Espíritos - Ed. FEESP.
3ª Aula - Parábolas e Ensinamentos de Jesus Sobre a Valorização Do Trabalho 15
- Kardec, Allan - O Evangelho Segundo o Espiritismo - Ed. FEESP
- Almeida, José de Sousa - As Parábolas - Ed. F EESP.
- Calligaris, Rodolfo - Parábolas Evangélicas a Luz do Espiritismo.
- Schutel, Cairbar - Parábolas e Ensinos de Jesus.
- Cerqueira Filho, Alírio de - Parábolas Terapêuticas.
- Pires, J. Herculano - Na Hora do Testemunho.

A imagem acima é meramente ilustrativa. Fonte: Internet Google.
 

terça-feira, 25 de março de 2025

2ª Aula Parte A – CURSO APRENDIZES DO EVANGELHO 2º ANO – FEESP

Parábolas e Ensinamentos de Jesus Sobre o Desapego às Riquezas Terrenas

Parábola do Rico Insensato, Parábola do Administrador Infiel, Zaqueu, o Publicano

PARÁBOLA DO RICO INSENSATO (OU DO AVARENTO)

“A terra de um rico produziu muito. Ele, então, refletia: ‘Que hei de fazer? Não tenho onde guardar minha colheita. Depois pensou: ‘Eis o que farei: demolirei meus celeiros, construirei maiores, e lá recolherei todo o meu trigo e os meus bens. E direi a minha alma: Minha alma, tens uma quantidade de bens em reserva para muitos anos; repousa, come, bebe, regala-te’. Mas Deus lhe disse: ‘Insensato, nesta mesma noite ser-te-á reclamada a alma. E as coisas que acumulaste, de quem serão?’ Assim acontece àquele que ajunta tesouros para si mesmo, e não é rico para Deus.” (Lc 12:16-21).

Esta parábola foi narrada por Jesus quando lhe foi pedido para interferir na divisão de uma herança entre irmãos (Lc 12: 13-15) e o Mestre respondeu: “Homem, quem me estabeleceu juiz ou árbitro da vossa partilha?”, ou seja, que não competia a ele esse julgamento.

Aproveitou, então, a oportunidade para nos alertar dos perigos que nos oferece qualquer tipo de ganância ou avareza, e a inutilidade desse comportamento, mostrando claramente a transitoriedade dos bens materiais.

Em “O Livro dos Espíritos”, cap. V, “Lei de Conservação”, Kardec questiona os Espíritos a respeito do que é realmente necessário e do que é supérfluo para o homem:

P. 716: “A Natureza não traçou o limite do necessário em nossa própria organização?”

R. “Sim, mas o homem é insaciável. A Natureza lhe traçou o limite de suas necessidades na sua organização, mas os vícios lhes alteraram a constituição e criaram para ele necessidades artificiais”.

P. 717: “Que pensar dos que açambarcam os bens da terra para se proporcionar o supérfluo, em prejuízo dos que não tem sequer o necessário?”

R: “Desconhecem a lei de Deus e terão de responder pelas privações que ocasionarem”.

O rico da parábola simboliza a pessoa que cuida apenas de acumular bens materiais, conseguir fama e poder, nunca estando disposto a dividir o que julga ser seu por direito. As aflições daqueles que lhe estão próximos ou que dele dependem não o sensibiliza nem o preocupa. Para uma pessoa assim estão em segundo plano às necessidades do próximo.

A riqueza bem aplicada é um “talento” (um valor, um bem recebido), que se toma um caminho efetivo para a evolução do Espírito humano rumo à perfectibilidade.

A riqueza mal aplicada corresponde a enterrar o “talento” e se toma uma rota arriscada que conduz o Ser ao sofrimento e a dolorosas reparações, podendo prolongar-se por varias encarnações.

É através das vidas sucessivas que os Espíritos experimentam a riqueza e a pobreza, a beleza e a imperfeição física, a intelectualidade e a falta de cultura, para aprenderem a utilizar “seus talentos” em cada uma das situações vividas.

A posse das coisas do mundo é pura ilusão; nós as perdemos facilmente para a doença, para o ladrão, para a morte, para as catástrofes naturais. Por isso, é fundamental movimentar os “talentos” recebidos e através dos bens da Terra, enriquecer o Espírito, pela prática constante da caridade e amor ao próximo, e pelo esforço em nos libertarmos daquilo que nos algema as coisas materiais: a ganância, a avareza, o apego inútil ao que é transitório.

Em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, cap. XVI, item 9, o Espírito Pascal , numa de suas comunicações, diz: “O homem não possui de seu, senão aquilo que pode levar deste mundo. O que ele encontra ao chegar e o que deixa ao partir goza durante sua permanência na terra; mas, desde que é forçado a deixá-los, é claro que só tem o usufruto, e não a posse real. O que é, então, que ele possui? Nada do que se destina ao uso do corpo, e tudo o que se refere ao uso da alma: a inteligência, os conhecimentos, as qualidades morais. Eis o que ele traz e leva consigo, o que ninguém tem o poder de tirar-lhe, e o que ainda mais lhe servirá no outro mundo do que neste.”

E ainda no mesmo capítulo, item 11, o Espírito Cheverus discorre, em sua mensagem, a respeito do melhor emprego da fortuna: “Procurai nestas palavras: ‘Amai-vos uns aos outros’, a solução desse problema, pois nelas está o segredo da boa aplicação das riquezas. O que ama o seu próximo já tem a sua conduta inteiramente traçada, pois a aplicação que agrada a Deus é a da caridade”.

PARÁBOLA DO ADMINISTRADOR INFIEL

“Um homem rico tinha um administrador que foi denunciado por dissipar os seus bens. Mandou chamá-lo e disse-lhe: 'Que é isso que ouço dizer de ti? Presta contas da tua administração, pois já não podes ser administrador!’ O administrador então refletiu: ‘Que farei, uma vez que meu senhor me retire à administração? Cavar? Não tenho força. Mendigar? Tenho vergonha... Já sei o que farei para que, uma vez afastado da administração, tenha quem me receba na própria casa.”

“Convocou então os devedores do seu senhor um a um, e disse ao primeiro: ‘Quantas deves ao meu senhor’? ‘Cem barris de óleo’, respondeu ele. Disse então: ‘Toma tua conta, senta e escreve depressa cinquenta. Depois disse a outro: ‘E tu, quanto deves’? 'Cem medidas de trigo’, respondeu. Ele disse: ‘Toma tua conta e escreve oitenta. E o senhor louvou o administrador desonesto por ter agido com prudência.” (Lc 16:1-8).

Muitas parábolas de Jesus possuem um significado bem diverso da literalidade do texto.

Para a compreensão de algumas dessas parábolas, basta apenas entender qual é o valor simbólico de certa palavra, como a parábola do semeador, que, por exemplo, quando compreendemos que a semente significa “o ensinamento contido no Evangelho”, entendemos o valor simbólico do termo e assimilamos a mensagem.

Outras parábolas, no entanto, além do significado simbólico dos termos trazem uma lógica bem diversa. Estas, para serem compreendidas, exigem uma abstração, um desprendimento da primeira impressão, para se encontrar o real significado. Exigem uma indagação:

Se todos os ensinamentos de Jesus pregam a honestidade, a sinceridade, o trabalho... Qual é a mensagem aqui contida?

Analisando esta parábola do administrador infiel, podemos de imediato, questionar: Ora, quem é o senhor, patrão, ou empregador que ao surpreender sou empregado fraudando-o vai elogiá-lo?

Logo, a parábola ressalta, exatamente, a diferença extrema entre a conduta dos “proprietários” da Terra e o verdadeiro proprietário (Deus).

Vejamos o significado simbólico dos termos:

- O Senhor - representa Deus, o Legítimo Proprietário de todas as coisas;

- O Administrador - representa cada um de nós, administrando qualquer bem material que esteja em nossas mãos;

- Os Devedores - representam todos os nossos semelhantes, todos aqueles que encontramos em nossa vida.

Revendo a parábola, agora poderemos entender seu significado:

O Senhor (Deus) louvou seu administrador (qualquer um de nós) por atenuar os débitos daqueles devedores (nossos semelhantes), pois essa é uma Lei de Deus, ou seja, que todos nós administremos nossos bens (bens temporários) de forma que favoreça todos nossos semelhantes.

Eis a lógica inversa: enquanto os proprietários que são deste mundo punem seus administradores que não preservam seus bens e não cobram centavo por centavo, o Verdadeiro Proprietário felicita todos seus administradores que são clementes com seus devedores. A lição é valorosa! Há no mundo dois tipos de bens:

- Os bens materiais - estes não nos pertencem de fato, pois somos meros administradores. Eles podem ser-nos retirados em um instante. Nem por lei, nem por decreto, nem pelos mais altos editos da mais alta justiça do mundo eles permanecerão conosco, se assim for a Vontade Divina.

- Os bens espirituais - estes são nossos por direito, pois os adquirimos, através dos tempos, pelo trabalho, pelo estudo, pelo esforço, pela perseverança... Nem paus, nem pedras; nem vento, nem tempestade; nem traça, nem ferrugem; nem bandoleiro algum poderá levá-los. São os verdadeiros tesouros do Espírito, inalienávelmente nossos.

A grande lição desta parábola é o desapego aos bens materiais. Inúmeras vezes acumulamos bens, usamos os recursos egoisticamente ou os destruímos, visando exclusivamente proveitos pessoais, sem levar em conta os legítimos direitos do Legítimo Proprietário: Deus. Jesus mostra-nos, com muita clareza, um caminho para corrigirmos nossa má administração: o desapego e a prática da caridade para com o próximo, e o uso desses bens para multiplicar o progresso e o bem estar coletivo.

Sejamos bons administradores: compartilhemos com abundancia todos os bens que estiverem sob nossa administração, para nos tornarmos verdadeiros discípulos de Jesus!

ZAQUEU, O PUBLICANO

“E, tendo entrado em Jericó, ele atravessava a cidade. Havia lá um homem chamado Zaqueu, que era rico e chefe dos publicanos. Procurava ver quem era Jesus, mas não o conseguia por causa da multidão, pois era de baixa estatura. Correu então à frente e subiu num sicômoro para ver Jesus que passaria por ali. Quando Jesus chegou ao lugar; levantou os olhos e disse-lhe: ‘Zaqueu, desce depressa, pois hoje devo ficar em tua casa’. Ele desceu imediatamente e recebeu-o com alegria. A vista do acontecido, todos murmuravam, dizendo.' ‘Foi hospedar-se na casa de pecador!’ Zaqueu, de pé, disse ao Senhor: ‘Senhor eis que dou a metade dos meus bens aos pobres, e se defraudei a alguém, restituo-lhe o quádruplo’. Jesus lhe disse: ‘Hoje a salvação entrou nesta casa, porque ele também é um filho de Abraão. Com efeito, o Filho do Homem veio procurar e salvar o que estava perdido’.” (Lc 19:1-10).

Na época de Jesus, o Império Romano dominava uma imensa extensão de terras e inúmeros povos, inclusive os judeus, de quem exigiam pesados impostos.

Em Jericó existia um posto de fiscalização e, portanto, havia ali uma grande concentração de publicanos - funcionários encarregados da cobrança desses impostos. Muitos desses publicanos, além do imposto devido, obtinham lucros ilícitos e enriqueciam, fazendo cobranças extorsivas. Caso esses funcionários fossem judeus, além de detestados, eram também considerados traidores da própria raça.

Embora entre eles houvesse pessoas honestas, eram marginalizados e tinham péssima reputação. Eram impedidos, por exemplo, de servir de testemunhas ou ocupar a função de juízes, eram excluídos dos cultos nas sinagogas e até sua família era repudiada pela sociedade.

Zaqueu era um judeu muito rico, chefe dos coletores de impostos; conhecia a Lei de Moisés e os princípios morais que deveria seguir; mas seu modo de vida o havia comprometido perante a Lei de Deus e a Lei humana. Sua atitude, tentando aproximar-se desesperadamente de Jesus, demonstra que interiormente ele estava infeliz, que já ansiava por uma mudança, mas precisava de um estimulo vigoroso, o suficiente para lhe dar esse impulso.

Seu encontro com Jesus, e o acolhimento isento de preconceito que dele recebeu, transformou-o completamente, e ele pode pacificar sua consciência e corrigir os erros de sua vida, decidindo, espontaneamente, repartir com os pobres a metade de sua fortuna acumulada e restituir quatro vezes mais as pessoas a quem havia espoliado. E Jesus lhe disse: “Zaqueu, hoje entrou a salvação em tua casa!”

A que salvação se refere o Mestre?

Com certeza, não é a salvação segundo as doutrinas dogmáticas, mas, sim, aquela decorrente da transformação interior, por vontade e esforço próprio.

No livro “Na Hora do Testemunho”, de Herculano Pires, Emmanuel, ao final de sua mensagem “Auto Renovação, diz”: “Usa os bens que a vida te empresta atendendo ao bem dos outros, sem permitir que os bens dos quais te fizeste usufrutuário te acorrentem ao poste das aflições inúteis. Serve sem apego. Ama sem escravizar o próximo ou a ti mesmo. E ilumina-te, seguindo adiante. É da Lei Divina que o mundo se transforme independentemente da nossa vontade, mas é igualmente da Lei do Senhor que a nossa renovação, sejam quais forem as influências exteriores, dependa sempre e exclusivamente de nós.

QUESTÃO REFLEXIVA:

Como cultivamos o desapego?

A imagem acima é meramente ilustrativa. Fonte: Internet Google.
 

quinta-feira, 20 de março de 2025

1ª Aula Parte B – CURSO APRENDIZES DO EVANGELHO 2º ANO – FEESP

Parábola do Joio e do Trigo, Parábola do Festim das Bodas, A Porta Estreita

PARÁBOLA DO JOIO E DO TRIGO (OU DA CIZANIA)

“O Reino dos Céus é semelhante ao homem que semeou boa semente no seu campo. Enquanto todos dormiam, veio seu inimigo e semeou o joio no meio do trigo e foi-se embora. Quando o trigo cresceu e começou a granar apareceu também o joio. Os servos do proprietário foram procurá-lo e lhe disseram: ‘Senhor; não semeaste boa semente no teu campo? Como então está cheio de joio? Ao que este respondeu: ‘Um inimigo é que fez isso’. Os servos perguntaram-lhe: ‘Queres, então, que vamos arrancá-lo? ’ Ele respondeu: ‘Não, para não acontecer que, ao arrancar o joio, com ele arranqueis também o trigo. Deixai-os crescer juntos até a colheita. No tempo da colheita, direi aos ceifeiros: Arrancai primeiro o joio e atai-o em feixes para ser queimado; quanto ao trigo, recolhei-o ao meu celeiro.’.” (Mt 13:24-30).

Nesta parábola, o homem que semeou a boa semente é Jesus; o campo é o mundo; o trigo simboliza os bons, os que se esforçam para seguir a Lei Divina e praticá-la, e o joio são as pessoas que ainda se comprazem na prática do mal, que infringem a Lei de Deus, mas, no entanto, têm a aparência de bons.

Jesus utiliza a figura do joio e do trigo, pois, numa plantação de trigo, muitas vezes encontram-se sementes de joio. E, curiosamente, enquanto a plantação cresce, o joio cresce ao lado do trigo, mas não é reconhecido como tal, pois se assemelham. Somente na hora da colheita é que vemos quais sãos “os frutos” de cada um deles. Por isso, o Mestre alerta sobre a necessidade de vigilância.

Essa “semente de joio” pode inserir-se em todos os setores da atividade humana, ou seja, pode ser encontrado em um grupo de pessoas, em uma comunidade, ou mesmo em uma filosofia ou doutrina. Quando essa semente de joio representa um individuo, a Doutrina Espírita esclarece-nos, em “O Livro dos Espíritos”, na questão 115:

P. “Uns Espíritos foram criados bons e outros maus?”

R. “Deus criou todos os Espíritos simples e ignorantes, ou seja, sem conhecimento. Deu a cada um deles uma missão, com o fim de os esclarecer e progressivamente conduzir à perfeição, pelo conhecimento da verdade, e para os aproximar Dele.”

Sabemos que todos os Espíritos foram criados iguais. As diferenças que existem refletem apenas o grau evolutivo de cada um.

Deus, na sua infinita Bondade, oferece a oportunidade de aprendizado a todos. Para que ocorra esse processo de crescimento espiritual, a diversidade é necessária, para que uns aprendam com os outros.

Constitui, a propósito, um dever cristão o ato de partilhar o conhecimento e exemplificar as virtudes.

Quando, porém, persiste a indiferença ao Bem, a resistência as mudanças, ao joio restará renascer em outras searas, compatíveis com sua fase evolutiva, até que aprenda a renovar-se (o joio atirado ao fogo).

Em “A Gênese”, cap. XVII, item 63, Allan Kardec escreve: “O Bem devendo reinar na Terra, é necessário que dela sejam excluídos os Espíritos endurecidos no mal, e que poderiam ai levar a perturbação. Deus os deixou nela o tempo necessário ao seu melhoramento; mas terão chegado o momento em que o globo deve elevar-se na hierarquia dos mundos, pelo progresso moral de seus habitantes, a permanência nele, como Espíritos e como encarnados, será interdita aqueles que não tiverem aproveitado as instruções; que estiveram em condição de receber serão exilados para mundos inferiores, como o foram outrora para a Terra os da raça adâmica, sendo substituídos por Espíritos melhores“.

PARÁBOLA DO FESTIM DAS BODAS (OU DA FESTA DE NÚPCIAS)

“O Reino dos Céus é semelhante a um rei que celebrou as núpcias do seu filho. Enviou seus servos para chamar os convidados as núpcias, mas estes não quiseram vir. Tornou a enviar outros servos, recomendando: ‘Dizei aos convidados: eis que preparei meu banquete, meus touros e cevados já foram abatidos e tudo está pronto. Vinde as núpcias’. Eles, porém, sem darem a menor atenção, foram-se, um para o seu campo, outro para o seu negócio, e os restantes, agarrando os servos, os maltrataram e os mataram. Diante disso, o rei ficou com muita raiva e, mandando as suas tropas, destruiu aqueles homicidas e incendiou lhes a cidade. Em seguida, disse aos servos: As núpcias estão prontas, mas os convidados não eram dignos. Ide, pois, às encruzilhadas e convidai para as núpcias todos os que encontrardes’. E esses servos, saindo pelos caminhos, reuniram todos os que encontraram, maus e bons, de modo que a sala nupcial ficou cheia de convivas. Quando o rei entrou para examinar os convivas, viu ali um homem sem a veste nupcial e disse-lhe: Amigo, como entraste aqui sem a veste nupcial? ’Ele, porém, ficou calado. Então disse o rei aos que o serviam: ‘Amarrai-lhe os pés e as mãos e lançai-o fora, nas trevas exteriores. Ali haverá choro e ranger de dentes’. Com efeito, muitos são chamados, mas poucos escolhidos.” (Mt 22:2-14).

Se considerarmos o texto desta parábola ao pé da letra, ficaremos surpresos com a dificuldade encontrada para se aceitar um convite para uma festa de casamento.

Em verdade, Jesus utiliza um banquete nupcial como alegoria ao “banquete espiritual”, ao qual todos somos convidados, através de seu Evangelho, como elucida Kardec em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, cap. XVIII, item 2: “(...) Jesus compara o Reino dos Céus, onde tudo é felicidade e alegria, a uma festa nupcial. Os primeiros convidados são os judeus, que Deus havia chamado em primeiro lugar para o conhecimento de sua lei. Os enviados do rei são os profetas, que convidaram os judeus a seguir o caminho da verdadeira felicidade, mas cujas palavras foram pouco ouvidas, cujas advertências foram desprezadas, e muitos deles foram mesmo massacrados, como os servos da parábola. Os convidados que deixam de comparecer alegando que tinham de cuidar de seus campos e de seus negócios, representam as pessoas mundanas, que, absorvidas pelas coisas terrenas, mostram-se indiferentes para as coisas celestes. (...) e acrescenta que o rei, vendo isso, mandou convidar a todos os que fossem encontrados nas ruas, bons e maus. Fazia entender assim, que a palavra seria pregada a todos os outros povos...”

Como sabemos, os judeus compunham um povo que era reconhecido pela crença monoteísta. Sua história é marcada pelos grandes profetas que, de tempos em tempos, surgiam para trazer as verdades espirituais.

No entanto, muitos deles foram desprezados e, até mesmo, mortos, sacrificados. Kardec, por isso, elucida-nos que os convidados que não quiseram comparecer ao banquete eram os judeus. Vemos, dessa forma, nesta parábola, que o rei (Deus) estende seu convite a todos os que queiram participar do banquete (todos nós), assim como Jesus o faz, não distinguindo as pessoas por etnia, religião, classe social ou nível cultural.

Kardec continua: “Mas não basta ser convidado; não basta dizer-se cristão, tampouco sentar-se a mesa para participar do banquete celeste. E necessário, antes de tudo, e como condição expressa, vestir a túnica nupcial, ou seja, purificar o coração e praticar a lei segundo o espírito, pois essa lei se encontra inteira nestas palavras: Fora da caridade não há salvação”. Quão poucos se tornam dignos de entrar no Reino dos Céus! Foi por isso que Jesus disse: “Muitos serão os chamados e poucos os escolhidos”.

Assim como no banquete nupcial é necessário estar adequadamente vestido, para fazer parte do banquete espiritual, é preciso aceitar, compreender e colocar em pratica os princípios morais ensinados por Jesus.

A parábola mostra que todos são chamados a participar do banquete espiritual, mas depende da vontade de cada um fazer parte dele. Os que escolherem não participar permanecerão na ignorância espiritual, e no sofrimento que essa condição acarreta, até que acordem para trilhar novos e mais felizes caminhos.

Em todas essas parábolas, Jesus mostra que o Reino dos Céus já está dentro de nos, desde sempre; só depende de nós descobri-lo, exteriorizá-lo e vive-lo, transformando a nós mesmos e, por consequência, o mundo a nossa volta.

A PORTA ESTREITA

“Entrai pela porta estreita, porque largo e espaçoso é o caminho que conduz a perdição. E muitos são os que entram por ele. Estreita, porém, é a porta e apertado o caminho que conduz a vida. E poucos são os que o encontram”. (Mt 7:13-14).

Nessa passagem, Jesus aponta-nos o melhor caminho a seguir para a nossa evolução. Mas o que essas “portas” significam?

Em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, cap. XVIII, item 5, Kardec comenta: “A porta da perdição é larga, porque as más paixões são numerosas e o caminho do mal é o mais frequentado. A da salvação é estreita, porque o homem que deseja transpô-la deve fazer grandes esforços para vencer as suas más tendências, e poucos se resignam a isso”.

A porta larga representa as ilusões do mundo, as convicções erradas, os maus hábitos, todos resultantes da ignorância, do orgulho, da vaidade, do egoísmo...

Qual aquele que esta totalmente isento dessas más tendências? A vida terrena oferece muitos atrativos: a riqueza, a fama, o poder, o status... Muitos de nós ficamos atraídos pelas coisas da vida material, deixamo-nos envolver pelas sensações exteriores.

Quem escolhe a porta larga enxerga com os olhos do mundo; o caminho é fácil, sedutor e não exige esforço, mas ao fim dele encontramos enganos, desilusões e dor, e só então compreendemos que perdemos um tempo precioso na vida.

Este é realmente o caminho mais trilhado, pois a Humanidade ainda não se deu conta da importância da vida futura, preferindo permanecer no apego as coisas materiais, esquecendo-se dos valores espirituais.

Quem escolhe a porta estreita despertou para a verdade, e compreende que esse caminho exige conhecimento, renúncia, vigilância, prudência, humildade e responsabilidade. É o caminho da vida, da felicidade e da luz.

Muitas vezes, não o percebemos com clareza, pois, para optar pelo melhor caminho, é preciso que nos conheçamos, para que possamos transformar-nos.

Em “O Livro dos Espíritos”, questão 919, Santo Agostinho ensina-nos um meio eficaz para nos tomarmos melhores e resistirmos ao mal, aconselhando-nos a recordar todas as noites como foi o nosso dia, o que fizemos o que dissemos; se cumprimos nossos deveres, se alguém poderia ter uma queixa de nós ou se guardamos emoções menos nobres no coração.

A Lei de Deus ensina a Doutrina Espírita, esta escrita em nossa consciência. Podemos, portanto, através da reflexão diária, consulta-la.

No caminho da porta estreita estão todos os desafios da nossa vida. O esforço pessoal para a conquista dos bens espirituais constitui a porta estreita, e não depende de cultura ou crença religiosa, mas, de abrir o coração ao amor e deixá-lo fluir em nossa vida.

Este é o caminho que nos aproxima de Deus e, embora esteja cheio de obstáculos, todos nós somos capazes de superá-los. Ao final da caminhada está a recompensa, porque a escolha foi acertada: a felicidade da vida futura, as bem-aventuranças prometidas por Jesus no Sermão da Montanha.

Podemos viver plenamente nossa vida material e afetiva, dando o justo valor às coisas da Terra, sem apegos e sentimentos de posse.

Nossa vida na Terra é uma dádiva preciosa, uma oportunidade abençoada de crescimento espiritual. Não podemos deixar-nos levar pelas ilusões mundanas.

Sabemos que no estágio atual da Humanidade ainda predomina o mal em seus diversos aspectos. Porém, não estamos obrigados a aderir a esse estado de coisas.

Ainda que não percebamos, muitas pessoas abrem-nos portas, a cada dia, através da palavra falada ou escrita, da ação ou do exemplo. Examinemos por quais portas estamos adentrando, para que não percamos grandes oportunidades de crescimento espiritual.

Devemos vigiar e orar sempre, como nos ensinou o Mestre, para não nos deixarmos levar pela sedução da porta larga. Devemos valorizar cada oportunidade de renovação, vendo em Jesus o Caminho, a Verdade e a Vida.

É da renovação moral de todos nós que virá a renovação moral do planeta e o fim dos males que afligem a Humanidade.

QUESTÃO REFLEXIVA:

Comente o principal ensinamento que nos traz a “Parábola do Joio e do Trigo”.

Bibliografia
- A Bíblia de Jerusalém.
- Kardec, Allan - O Evangelho Segundo o Espiritismo - Ed. FEESP.
- Kardec, Allan - O Livro dos Espíritos Ed. FEESP.
- Godoy, Paulo A. - Casos Controvertidos do Evangelho - Ed. FEESP.
- Schutel, Cairbar - Parábolas e Ensinos de Jesus.
- Almeida, José de Sousa - As Parábolas - Ed. FEESP.

A imagem acima é meramente ilustrativa. Fonte: Internet Google.
 

terça-feira, 18 de março de 2025

1ª Aula Parte A – CURSO APRENDIZES DO EVANGELHO 2º ANO – FEESP

Parábolas e Ensinamentos de Jesus Sobre o Reino dos Céus

O que é Parábola? - Parábola do Semeador

INTRODUÇÃO

O processo de conhecimento humano é algo admirável. Os Homens, passo a passo, caminham da ignorância em direção à Luz. É uma longa jornada. Quando a analisamos, podemos contemplar uma série infindável de matizes.

Numa mesma civilização, por exemplo, vemos que cada nova geração beneficia-se com o legado da geração anterior, e, alicerçando-se naquilo que já foi fundamentado, coloca novos tijolos nesse grande edifício.

De tempos em tempos, no entanto, a Humanidade é contemplada com a vinda de grandes missionários que, pelo reconhecido conhecimento superior que possuem, pela notável ascendência espiritual que denotam, conduzem os Homens a um verdadeiro salto em direção ao progresso.

Todos os povos tiveram seus missionários, seus profetas, seus patriarcas - Homens que trouxeram ensinamentos sobre a Lei Divina, sobre a vida espiritual. Eram verdadeiros desbravadores, eis que se inseriam em um meio social muito inferior a condição espiritual que possuíam.

A transmissão de novos ensinamentos é um processo em que podemos assinalar diversas pontes mareantes. Entre as principais, estão: a resistência ao novo, que é uma tendência natural do Ser Humano; a oposição, eis que grupos dominantes sempre temem a disseminação de conhecimento; e a capacidade de aprendizado dos indivíduos, que varia ao infinito.

Por isso, os grandes missionários, quando se dirigiam as pessoas simples, com limitada capacidade de compreensão, usavam, muitas vezes, o método de contar histórias, baseadas nos assuntos da época, usando situações do cotidiano, pois assim deixava, de forma indelével, um grande ensinamento.

Dentre todos os missionários que visitaram a Terra, resplandecera pela eternidade a figura incomparável do Rabi da Galiléia.

Jesus, em sua missão única e insuperável, legou-nos os mais preciosos ensinamentos, as mais valiosas lições, os mais sublimes exemplos!

A multidão - homens, mulheres, crianças, idosos, necessitados e excluídos, famintos de consolo, de amparo e de auxílio - ouviam-no encantados e diziam: “Nunca alguém falou assim antes!”

PARÁBOLA DO SEMEADOR

“Eis que O semeador saiu para semear E ao semear uma parte da semente caiu à beira do caminho e as aves vieram e a comeram. Outra parte caiu em lugares pedregosos, onde não havia muita terra. Logo brotou, porque a terra era pouco profunda. Mas, ao surgir o sol, queimou-se e, por não ter raiz, secou. Outra ainda caiu entre os espinhos. Os espinhos cresceram e a abafaram. Outra parte, finalmente, caiu em terra boa e produziu fruto, umas cem, outra sessenta e outra trinta. Quem tem ouvidos, ouça!” (Mt 13:3-9).

É uma historia comum, mas de imensa beleza e significado: um presente amoroso que Jesus deixou para toda a Humanidade.

Primeiramente, vejamos o significado dos principais simbolismos aqui apresentados:

O Semeador representa Jesus, que semeia sem cessar os corações humanos, sem fazer distinções. A figura do semeador pode também representar todo aquele que semeia o Bem por onde passa. Mas o que simboliza a semente?

A semente simboliza o ensinamento espiritual contido no Evangelho de Jesus. É a Lei de Deus trazida aos Homens.

O terreno simboliza os diferentes estágios evolutivos da alma humana que, no caso, são:

- À beira do caminho: terreno que representa as pessoas indiferentes aos ensinamentos espirituais. Elas não são nem boas nem más, mas são como solo estéril; não se comprometem com nada que lhes exija responsabilidade ou esforço para mudar a si mesmas ou o mundo em que vivem. Essas pessoas ainda dormem e precisam despertar para a vida espiritual.

- O pedregal: simboliza aqueles que inicialmente se entusiasmam quando ouvem o ensinamento espiritual, mas nas primeiras dificuldades perdem a motivação e desistem, pois não têm ainda perseverança e vontade suficientes. Esse terreno ainda contém mais pedras do que terra: a semente começa a se desenvolver, mas não tem raiz e definha.

- O espinheiro: São as pessoas que recebem a semente, deixam-na germinar e gerar uma plantinha, mas, antes que ela se fortaleça e se enraíze, permitem que o orgulho e o egoísmo sufoquem-na. “Abafam” a semente, e deixam passar a oportunidade de se transformar e dar belos frutos. Para estas pessoas, os cuidados do mundo e as suas riquezas têm maior importância do que o ensinamento espiritual.

- A boa terra: Solo fértil são as pessoas que estão receptivas aos ensinamentos espirituais, e estão à procura da verdade libertadora. Quando, então, recebem a preciosa semente, protegem-na, cercam-na de cuidados, para que ela tenha condição de germinar e frutificar.

Essa postura de acolher a semente, ou seja, o ensinamento espiritual, e, ainda, cuidar para que ela germine e se desenvolva, requer persistência, esforço, devotamento, boa vontade.

Podemos lembrar, entretanto, que solos férteis podem apresentar diferentes capacidades de produção, e, dessa forma, produzir a trinta, sessenta, cem. Assim também, nós, quando nos tornamos solos férteis, produziremos de acordo com a nossa capacidade: a trinta, a sessenta, a cem.

O importante é que nos esforcemos a fim de produzir tudo àquilo que já somos capazes, gerando os bons frutos que são esperados da boa semente, e, além disso, que nos tomemos pequenos semeadores, seguindo o exemplo do grande semeador: Jesus. Isto é o que se espera de nós, os espíritas.

Esta observação oferece-nos a oportunidade de fazer uma reflexão, no silêncio de nossas almas, para o autoconhecimento; oportunidade de despertar para o desejo de renovação e de produzir os bons frutos.

Em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, cap. XVII, item 4, no tema “Os Bons Espíritas”, Kardec assevera:

“Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral, e pelos esforços que faz para dominar suas más inclinações.”

Nenhuma semente perde-se jamais. Cada uma tem o seu tempo de germinar, como tudo na Natureza: há um tempo de nascer, um tempo de crescer, um tempo de amadurecer, um tempo de dar frutos e recomeçar o ciclo bendito da vida, cada vez com mais vigor e beleza.

QUESTÃO REFLEXIVA:

Como tornamo-nos solo fértil para os ensinamentos de Jesus.

A imagem acima é meramente ilustrativa. Fonte: Internet Google.