CARACTERÍSTICAS BÁSICAS DO ESPÍRITA: PACIÊNCIA, INDULGENCIA, FÉ, HUMILDADE, DIGNIDADE E CARIDADE.

sexta-feira, 30 de maio de 2014

12ª AULA - CURSO BÁSICO DE ESPIRITISMO 1º ANO - FEESP

PARTE C: LIMITES DA ENCARNAÇÃO - NECESSIDADE DA ENCARNAÇÃO

Não se pode precisar o número de encarnações para o Espírito que habita a Terra; elas acontecem enquanto ele não tiver atingido o mais elevado índice evolutivo que este planeta comporta, e só então passará a encarnar num mundo imediatamente mais elevado.

Sendo a Terra um planeta de provas e expiações, o mundo que lhe está em situação evolutiva superior é o mundo de regeneração, onde o Espírito encarnado experimenta menos dores, verte menos lágrimas e enfrenta menos dissabores. Após ter atingido a condição de Espírito puro, não necessita mais inserir-se na materialidade; sua felicidade será plena e estará mais próximo de Deus.

Os Espíritos mais elevados podem descer e até encarnar em missão, nos mundos inferiores; porém, os Espíritos que estão nesses mundos, não poderão encarnar em mundos superiores.

Os que executam com zelo as tarefas que lhes são conferidas galgam rapidamente, e de maneira bem menos atribulada, os degraus da evolução, passando a desfrutar dos benefícios resultantes do seu trabalho. Entretanto, os que retardam a caminhada fazendo mau uso do livre-arbítrio, retardam seu ciclo evolutivo e têm que experimentar, muitas vezes, amargas decepções.

Pela obstinação na prática do mal, podem prolongar sensivelmente a necessidade de reencarnarem em mundos ainda inferiores. Aquele que, ao contrário, trabalha ativamente pelo seu progresso moral, pode não somente abreviar a duração da encarnação material, mas vencer, de uma só vez, os degraus intermediários que o separam dos mundos superiores.

Assim, à medida que o Espírito se purifica e ascende à escala evolutiva, passa de um mundo mais atrasado para outro imediatamente mais evoluído. Nessa nova morada seu perispírito se torna mais sutil, menos denso, passando a desfrutar de maior sensibilidade e de facilidade de locomoção. Tomando-se como exemplo uma escola: se o aluno empenhar-se com afinco e dedicação, logo terá superado todos os estágios e poderá, pelo seu próprio esforço, atingir seu objetivo final. Mas, se tiver sido displicente, ocioso, o seu ciclo de estudos se dilatará consideravelmente, resultando em inevitáveis repetições do mesmo ano escolar.

Do mesmo modo ocorre com os Espíritos que fazem mau uso de suas encarnações no grande educandário da vida; terão que passar por novas existências corpóreas, tantas vezes quantas forem necessárias para que o seu aprendizado possa ser assimilado de forma integral.

Por isso, quanto mais o homem se esforçar pelo seu aprimoramento moral e espiritual, menos encarnações terá pela frente.

QUESTIONÁRIO:

C - LIMITES DA ENCARNAÇÃO - NECESSIDADE DA ENCARNAÇÃO

1 - A evolução do Espírito dá-se em um único planeta?

2 - Podem os Espíritos vencer mais rapidamente degraus intermediários que os separam dos mundos superiores?

3 - O que devemos fazer para merecer um mundo melhor?


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quarta-feira, 28 de maio de 2014

12ª AULA - CURSO BÁSICO DE ESPIRITISMO 1º ANO - FEESP

PARTE B: IDÉIAS INATAS

O Espírito evolui incessantemente e em cada encarnação acumula uma parcela considerável de novos conhecimentos, quando renasce em novo corpo, mantém, de forma inata, muito daquilo que aprendeu em existências precedentes.

- O Espírito encarnado conserva algum traço das percepções que teve e dos conhecimentos que adquiriu nas existências sucessivas?

- “Resta-lhe uma vaga lembrança, que lhe dá o que chamamos ideias inatas” (LE, perg. 218).

Realmente, o Espírito não pode lembrar-se de tudo o que aprendeu em vidas passadas; seus gostos, propensões, conhecimentos adquiridos, posição social; não obstante, veem-se pessoas nascerem em condições paupérrimas que, apesar disto, pelo próprio esforço e determinação em virtude de vagas reminiscências do passado, tudo fazem para se elevarem na vida, graças às tendências que adquiriram em existências anteriores e que são conservadas de forma inata.

Existem numerosos casos de pessoas que nasceram em condições obscuras e, no entanto, conquistaram destaque na ciência, na política, nas artes, e outros ramos do conhecimento humano.

É notória também a existência de crianças precoces que, desde a mais tenra idade, manejam instrumentos musicais, tornando-se exímias artistas, matemáticos ou portadores de uma tendência para determinada arte, conhecimentos esses que somente seriam admissíveis quando adultos.

Considerando-se ter o Espírito a necessidade de evoluir moral e intelectualmente, pode acontecer que numa encarnação suas faculdades intelectuais, por exemplo, permaneçam adormecidas, para que ele possa evoluir mais no campo moral, pois nem sempre a evolução é simultânea. Assim, ideias inatas são reminiscências de vidas passadas que afloram no decurso de novas existências corporais.

Muitas pessoas chegam mesmo a reconhecer lugares onde parece terem estado anteriormente, e mesmo o encontro de pessoas que, logo à primeira vista, lhes parecem familiares ou já conhecidas, o que pode representar uma indicação de que conviveram com elas em encarnações anteriores.

QUESTIONÁRIO:

B - IDÉIAS INATAS

1 - O que são ideias inatas?

2 - Como se explica a precocidade de algumas crianças?

3 - Como a Doutrina Espírita encara os chamados "gênios"?


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segunda-feira, 26 de maio de 2014

12ª AULA - CURSO BÁSICO DE ESPIRITISMO 1º ANO - FEESP

PARTE A: SORTE DAS CRIANÇAS APÓS A MORTE - SEXO NOS ESPÍRITOS

SORTE DAS CRIANÇAS APÓS A MORTE: O fato de uma criança desencarnar em tenra idade não significa que ela irá desfrutar das benesses reservadas aos Espíritos puros, como também não a isentará das provas que tenha que vencer e que são essenciais ao seu aprimoramento espiritual. Seria inadmissível crer que desfrutasse, sem esforço, das bem-aventuranças eternas.

Neste caso, seria uma injustiça divina liberar tais Espíritos das vicissitudes próprias da vida corpórea, normalmente cheia de tribulações e de dores. Em relação a esta questão, Allan Kardec indaga os Espíritos superiores: - O Espírito da criança que morre em tenra idade, não tendo podido fazer o mal, pertence aos graus superiores?

 - "Se não fez o mal, também não fez o bem, e Deus não o afasta das provas que deve sofrer. Se é puro, não é pelo fato de ter sido criança, mas porque já se havia adiantado" (LE, perg. 198).

Segundo o princípio da reencarnação, as oportunidades de crescimento espiritual são iguais para todos, sem exceção e sem privilégios, e quem se retardar somente a si mesmo cabe queixar-se, pois assim como os homens têm o mérito de suas ações, também têm o de suas responsabilidades.

Existem várias causas para a interrupção da vida de um Espírito em plena infância corpórea; dentre elas, a que pode constituir uma prova ou expiação para seus pais, ou ainda o fato de que o Espírito tenha vivido apenas o suficiente para complementar uma vida anterior, interrompida antes do tempo devido.

O Espírito de uma criança desencarnada em tenra idade poderá ser tão adiantado quanto o de seus pais, sendo-o algumas vezes muito mais, porquanto pode dar-se que muito mais já tenha vivido e adquirido maior soma de experiências, sobretudo se progrediu (LE, perg. 179).

Não se pode também considerar a infância como um estado de inocência, pois frequentemente surgem crianças portadoras de maus instintos, numa idade em que a educação ainda não pode exercer sua influência. Muitas crianças trazem de forma inata tendências negativas, não obstante o exemplo do meio em que vivem; tais tendências somente podem vir do estado de inferioridade do Espírito.

O Espírito que retorna à espiritualidade ainda na infância corpórea, e não teve por isso tempo suficiente para manifestar suas virtudes adquiridas ou suas imperfeições, terá de retornar ao plano material para completar sua programação evolutiva. Aqueles que são viciosos, é que progrediram menos e têm então de sofrer as consequências, não dos seus atos da infância, mas das suas existências anteriores. É assim que a lei se mostra a mesma para todos e a justiça de Deus a todos abrange (LE, perg. 199a).

SEXO NOS ESPÍRITOS: Em relação a esta questão, Allan Kardec indaga aos Espíritos benfeitores: - Quando errante, que prefere o Espírito: encarnar no corpo de um homem, ou no de uma mulher?

 - "Isso pouco lhe importa. O que o guia na escolha são as provas por que haja de passar (LE, perg. 202). Os Espíritos, enquanto essência inteligente não tem sexo, da forma que se entende, uma vez que o sexo depende da constituição orgânica. Entre eles existe amor e simpatia, mas baseados na afinidade de sentimentos, na afeição que conseguiram amealhar no transcorrer de outras existências".

Os Espíritos, enquanto seres psíquicos guardam em si uma tendência masculina ou feminina.

No entanto, podem por vezes habitar um corpo de um homem ou o corpo de uma mulher, depende das provas que tenha que vencer, ou das expiações pelas quais tenha que passar.

No decurso do seu processo evolutivo, o Espírito necessita realizar o maior número possível de experiências, para enriquecer-se e atingir o estado de angelitude. Ele precisa, pois, encarnar nas mais diversas posições sociais, intelectuais e morais. Necessita por isso passar pela vivência de ambas as polaridades sexuais, sendo levado, portanto, a algumas vezes encarnar como homem e outras como mulher.

QUESTIONÁRIO:

A - SORTE DAS CRIANÇAS APÓS A MORTE - SEXO DOS ESPÍRITOS

1 - Quando o Espírito desencarna em tenra idade, qual será a sua conduta evolutiva?

2 - A inocência da criança significa que o seu Espírito é evoluído?

3 - Os Espíritos têm sexo na forma como entendemos?


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sexta-feira, 23 de maio de 2014

11ª AULA - CURSO BÁSICO DE ESPIRITISMO 1º ANO - FEESP

PARTE C: OS LAÇOS DE FAMÍLIA SÃO FORTALECIDOS PELA REENCARNAÇÃO E QUEBRADOS PELA UNICIDADE DA EXISTÊNCIA

A reencarnação possibilita melhor integração entre os membros de uma família, pois aqueles que se amam procuram estreitar cada vez mais os laços afetivos, pedindo a Deus para reencarnarem sempre nos mesmos círculos familiares.

Ocorre frequentemente que em uma família encarnam Espíritos que não se afinam com os demais, demonstrando tendências diversas, parecendo, pelas suas inclinações e gostos, que nada têm em comum com seus parentes. As encarnações de Espíritos que são estranhos no seio das famílias têm a dupla finalidade de servirem de prova para uns e meio de progresso para outros. Os menos evoluídos melhoram pouco a pouco ao contato direto com os bons e pelas atenções que deles recebem; geralmente seu caráter se abranda, seus costumes se aperfeiçoam e as antipatias desaparecem.

Os Espíritos constituem, no mundo espiritual, verdadeiras famílias unidas pela afeição, pela semelhança de inclinações e pela atração mútua. Sentindo-se felizes por estarem juntos, eles procuram sempre maior entrelaçamento afetivo em todos.

A encarnação só os separa momentaneamente, porque retornando à erraticidade se reencontram, assim como sucede com amigos quando retornam de uma longa viagem. Muitas vezes também reencarnam juntos numa mesma família consanguínea ou num mesmo círculo familiar, para assim palmilharem juntos, o roteiro evolutivo.

Os laços afetivos ocorrem entre Espíritos que nutrem verdadeira afeição mútua, a única que sobrevive à destruição do corpo.

Quando a união no mundo corpóreo teve apenas por objetivo a satisfação dos sentidos, não há qualquer motivo para se procurarem na espiritualidade, enquanto que as afeições espirituais são permanentes. Deste modo, as afeições carnais extinguem-se com as causas que as provocaram, que deixam de existir no mundo espiritual.

A teoria da unidade da vida exclui, necessariamente, a preexistência da alma, que seria criada ao mesmo tempo que o corpo, sem qualquer ligação anterior. Todos os membros de uma família seriam estranhos entre si, sem nenhuma ligação espiritual. Após a desencarnação, considerando-se esta teoria, a sorte do Espírito estaria definitivamente selada, com a consequente anulação de todo progresso conquistado; são, assim, imediatamente separadas para sempre, sem esperança de jamais se aproximarem, (as almas) de tal sorte que pais, mães e filhos, maridos e mulheres, irmãos, amigos, não estão jamais certos, de se reverem; é a ruptura mais absoluta dos laços de família.

Pela reencarnação e pelo progresso que lhe é consequente, todos os que se amam se encontram no mundo físico e no mundo espiritual, caminhando juntos rumo à perfeição espiritual. Se alguns fracassam ou retardam o seu progresso, nem por isso as esperanças estão perdidas, uma vez que serão sempre amparados pelos que os amam, para retornarem à senda evolutiva, havendo, portanto perpétua solidariedade entre Espíritos encarnados e desencarnados.

QUESTIONÁRIO:

C - OS LAÇOS DE FAMÍLIA SÃO FORTALECIDOS PELA REENCARNAÇÃO E QUEBRADOS PELA UNICIDADE DAS EXISTÊNCIAS

1 - Em que sentido os Espíritos formam uma família no mundo espiritual?

2 - Ocorre, frequentemente, que em determinada família encarnem Espíritos que não se afinam com os demais membros da família: Por quê?

3 - A teoria da unicidade da existência exclui a preexistência da alma: Explique.


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quarta-feira, 21 de maio de 2014

11ª AULA - CURSO BÁSICO DE ESPIRITISMO 1º ANO - FEESP

PARTE B: DA REENCARNAÇÃO - JUSTIÇA DA REENCARNAÇÃO

O princípio da pluralidade das existências do Espírito é o único que satisfaz no tocante à ideia que se tem da justiça de Deus, quanto às diferenças individuais, tais como: posições sociais, as enfermidades, o poder, a saúde, a satisfação dos sentidos, etc.. Deste modo, o princípio da reencarnação é o único capaz de explicar o presente e renovar as esperanças, pois é através dela que o homem resgata seus erros em vidas futuras, bem como compreende a bondade infinita do Criador.

A reencarnação se contrapõe à teoria da unicidade das existências, pela qual o Espírito viveria uma só vez na forma física e teria seu destino definitivamente selado após a desencarnação, defrontando-se então com o dilema: bem-aventurança ou condenação eterna. Mas, a razão indica, e os bons Espíritos ensinam que o Espírito que ainda não alcançou a perfectibilidade na vida corpórea, terá pela frente a oportunidade de novos renascimentos em corpos físicos para prosseguir na sua caminhada evolutiva.

Allan Kardec indaga aos benfeitores espirituais: - O número de existências corporais é limitado, ou o Espírito se reencarna perpetuamente?

 - "A cada nova existência, o Espírito dá um passo na senda do progresso; quando se despojou de todas as suas impurezas, não precisa mais das provas da vida corpórea". Portanto, pelo princípio da reencarnação, o Espírito no itinerário de sua perfectibilidade, terá pela frente a oportunidade de novos renascimentos.

Pela reencarnação, reparam faltas cometidas, ao mesmo tempo em que assumem o compromisso de novas provas, pois um dia todos tornar-se-ão Espíritos puros.

O número de reencarnações não é o mesmo para todos os Espíritos, porquanto depende do esforço que cada um faz em prol do seu aprimoramento intelectual e moral. A cada nova existência o Espírito dá um passo adiante na senda do progresso; uma vez livre de todas as impurezas, não terá mais necessidade de novas vidas corporais.

Deus jamais seria um Pai de justiça, de incomensurável amor e bondade, se condenasse os que não conseguiram vencer suas provas por fatores adversos, encontrados no próprio meio onde foram colocados e alheios à sua vontade.

Seria sumamente injusto se julgasse seus filhos de modo diferente uns dos outros, ou que aplicasse a sua justiça de modo unilateral.

Todos os Espíritos caminham à perfectibilidade, e Deus lhes faculta meios de alcançá-la, proporcionando-lhes as provações de inúmeras vidas corpóreas para atingirem o objetivo para o qual foram criados.

QUESTIONÁRIO:

B - DA REENCARNAÇÃO - JUSTIÇA DA REENCARNAÇÃO

1 - Em que sentido a reencarnação consagra a Lei de Causa e Efeito?

2 - Como a reencarnação desfaz o mito das "penas eternas"?

3 - De quantas reencarnações o Espírito precisa para sua evolução?


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segunda-feira, 19 de maio de 2014

11ª AULA - CURSO BÁSICO DE ESPIRITISMO 1º ANO - FEESP

PARTE A: CONSIDERAÇÕES SOBRE A PLURALIDADE DAS EXISTÊNCIAS I

PLURALIDADE DAS EXISTÊNCIAS

CONSIDERAÇÕES HISTÓRICAS: Constituindo-se em uma lei da natureza, a pluralidade das existências é uma realidade inerente ao homem, cujos indícios se revelam desde as épocas mais remotas da humanidade, evidenciando o fato de que ela sempre foi uma verdade insofismável.

Os Vedas, nos rituais que presidiam à iniciação dos seus adeptos, já apregoavam as leis que presidem os mistérios da imortalidade da alma, da pluralidade das existências e dos mundos.

O Bramanismo também tinha e tem como base a crença em tal princípio.

Krishna, por sua vez, renovou as teorias védicas ao ensinar que "o corpo é o envoltório da alma que aí tem a sua morada, sendo uma coisa finita; porém a alma que o habita é invisível, imponderável e eterna".

Buda foi ainda mais incisivo ao afirmar: "Uma vida curta, uma vida longa, um estado mórbido, uma boa saúde, o poder, a fraqueza, a fortuna, a pobreza, a ciência, a ignorância. tudo isso depende de atos cometidos em anteriores existências".

Pitágoras, filósofo e matemático grego, era um fiel partidário da teoria da transmigração da alma de um corpo para outro.

Orígenes, importante filósofo e teólogo da igreja grega, admitia a preexistência da alma como uma necessidade lógica, na explicação de certas passagens da Bíblia, chegando à conclusão de que se ela não existisse, Deus seria injusto.

Entre os Judeus, a ideia das vidas sucessivas era geralmente admitida. A crença nos renascimentos dos Espíritos encontra-se indicada veladamente no Antigo Testamento, porém muito mais claramente nos Evangelhos, como se pode verificar em algumas de suas passagens.

Platão, uma das maiores figuras da filosofia de todos os tempos, já concebia a chamada Teoria da Reminiscência, segundo a qual o nosso conhecer é apenas o recordar. A ocasião para isso é o encontro com as coisas deste mundo, o qual desperta na alma a recordação das ideias e lembranças. No sistema de Platão, a Doutrina da Reminiscência exerce três funções importantes:

a - Fornece uma prova da preexistência, da espiritualidade e da imortalidade da alma;

b - Estabelece uma ponte entre a vida antecedente e a vida presente;

c - Dá valor ao conhecimento das coisas deste mundo, reconhecendo-lhe o mérito de despertar as recordações das ideias.

Vê-se, assim, que os Espíritos benfeitores apenas renovam um princípio que teve origem nas primeiras idades do homem e que se conservou até hoje. A diferença é que os Espíritos apresentam esse princípio de um ponto de vista mais de acordo com as leis evolutivas da natureza, e de conformidade com os desígnios de Deus.

CONSIDERAÇÕES SOBRE A PLURALIDADE DAS EXISTÊNCIAS II

FUNDAMENTOS: Ao trazer à luz esclarecimentos sobre a pluralidade das existências corpóreas, os Espíritos superiores resgatam uma doutrina que teve início nos primeiros tempos da humanidade. Mas, algumas correntes doutrinárias deixaram de lado em seus fundamentos o princípio evolutivo da reencarnação, preferindo antes, consagrar a teoria da unicidade das existências. Desta forma, rejeitaram princípios que poderiam auxiliar o homem em seus questionamentos existenciais. Porém, cedo ou tarde, ao atingir a sua maturidade espiritual, a humanidade não poderá conciliar as diversidades da evolução e as consequentes divergências sociais, em face da inverossímil possibilidade de a alma encarnar uma só vez.

Ao tecer algumas considerações sobre a pluralidade das existências, Allan Kardec formulou as seguintes questões:

1 - Por que a alma revela aptidões tão diversas e tão independentes das ideias adquiridas pela educação?

2 - De onde vem a aptidão extranormal de algumas crianças de pouca idade para esta ou aquela ciência, enquanto outras permanecem inferiores ou medíocres por toda a vida?

3 - De onde vêm, para uns, as ideias inatas ou intuitivas, que não existem para outros?

4 - Por que alguns homens, independentemente da educação, são mais adiantados que outros?

5 - Se a existência presente deve ser decisiva para a sorte futura, qual é, na vida futura, respectivamente, a posição do selvagem e a do homem civilizado? Estarão no mesmo nível ou estarão distanciados no tocante à felicidade eterna?

6 - O homem que trabalhou toda a vida para melhorar-se estará no mesmo plano daquele que permaneceu inferior, não por sua culpa, mas porque não teve o tempo nem a possibilidade de melhorar? Há uma doutrina que possa resolver essas questões?

Admiti as existências sucessivas, e tudo estará explicado de acordo com a justiça de Deus. Aquilo que não pudemos fazer numa existência, faremos em outra. É assim que ninguém escapa à lei do progresso.

Cada um será recompensado segundo o seu verdadeiro merecimento, ninguém é excluído da felicidade suprema a que se pode aspirar, sejam quais forem os obstáculos que encontre no seu caminho.

Portanto, as discrepâncias ocorrem em função dos desvios cometidos, e que exigem reajuste perante Deus. Deve-se, pois, reconhecer que a pluralidade das existências é a única capaz de explicar aquilo que, sem ela, seria inexplicável, pois representa para o homem a resposta aos seus anseios, na medida em que explica o presente e lhe possibilita novas oportunidades corpóreas de aprimoramento espiritual.

QUESTIONÁRIO:

A: CONSIDERAÇÕES SOBRE A PLURALIDADE DAS EXISTÊNCIAS I, II

1- Em que sentido a teoria de Platão é precursora do princípio da reencarnação?

2 - Qual a posição de Orígenes perante a teoria da pluralidade das existências? Pesquise

3 - Por que a pluralidade das existências é superior à teoria da unicidade das existências?


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sexta-feira, 16 de maio de 2014

10ª AULA - CURSO BÁSICO DE ESPIRITISMO 1º ANO - FEESP

PARTE C: DEIXA QUE OS MORTOS ENTERREM SEUS MORTOS

E disse a outro: segue-me. Ao que ele respondeu: Senhor; permite que vá primeiramente sepultar meu pai. E Jesus lhe disse: Deixa que os mortos enterrem seus mortos; e tu, porém, vai e anuncia o reino de Deus (Lucas, 9:59-60).

Além dos doze apóstolos, Jesus Cristo teve também outros setenta discípulos diretos, os quais, ao ouvirem dele um discurso que consideram demasiadamente pesado, o abandonaram.

Entretanto, outras convocações foram feitas por ele; porém cada um dos convocados dava uma desculpa para não segui-lo, principalmente depois de ele ter dito que "as aves do céu têm seus ninhos, as raposas os seus covis, mas ele não tinha onde reclinar a cabeça" (Lc, 9:58).

Na citação acima, tudo indica que o convidado não gostou muito daquela recomendação e foi primeiramente sepultar o corpo de seu pai, perdendo assim a oportunidade de participar de uma das mais fulgurantes missões já desempenhadas no mundo material. Esta passagem evangélica convida o homem a uma reflexão mais profunda, pois este não pode acreditar que as palavras do Mestre representassem uma censura a um homem que, por dever de piedade filial, considerava um imperativo sepultar o corpo de seu pai.

Jesus certamente deixou mais um de seus edificantes ensinamentos, demonstrando que a vida espiritual é a verdadeira vida, ao passo que a vida temporária que é usufruída no mundo é equivalente à morte, pois nela o Espírito encarnado perde, transitoriamente, a liberdade e a atividade que desfruta, quando livre do corpo. Deste modo, o Mestre sempre colocou as coisas de Deus acima de qualquer cogitação, e não poderia ser de outra maneira; por isso, quando lhe vieram dizer que sua mãe e seus irmãos estavam esperando para vê-lo, disse: "Minha mãe e meus irmãos são aqueles que ouvem a palavra de Deus e a praticam (Lucas, 8:21).

Jesus viveu entre os homens para desempenhar uma missão transcendental, qual seja a de implantar uma nova revelação e, portanto, não poderia ficar cingido aos limites acanhados da família terrena. Referia-se à humanidade em geral, pois todos eram seus irmãos, e aspirava, com este seu exemplo, formar uma só imensa família, como "um rebanho sob a égide de um só pastor".
Consequentemente, jamais poderia ficar confinado ao âmbito de alguns familiares, quando a sua missão tinha um cunho universal ao abranger toda a humanidade.

A respeito da passagem de Lucas, pode-se afirmar que no mundo existem os mortos e os "mortos". Os primeiros são os que se dedicam às coisas da alma, que tratam de aprimorar seus Espíritos que, ao desencarnarem, elevam-se para planos mais elevados da Espiritualidade; os segundos são os que se distanciam das coisas morais e espirituais, que submetem a alma a serviço do corpo, dando prioridade à satisfação dos sentidos e às coisas transitórias do mundo.

Um outro homem, convocado pelo Mestre, respondeu-lhe: "Senhor, permita que vá antes dizer adeus aos de minha casa". A este Jesus disse: "Aquele que, tendo posto a mão no arado, olhar para trás não é apto para o reino de Deus" (Lc, 9:61-62). Estas palavras de Jesus não objetivavam prescrever aos homens que, como condição indispensável, renunciassem às exigências e necessidades da existência humana; que rompessem os laços familiares; que deixassem de cumprir as obrigações que ela lhes impusessem, inclusive aquelas de sepultamentar os restos mortais de um ente querido, ou de despedir-se de seus familiares, quando tivessem que realizar uma viagem.

O que acontece é que o homem, ao procurar desvendar o sentido exato contido no ensinamento evangélico, esbarra sempre com os inconvenientes da letra que mata. Não houve, por parte do Mestre, qualquer secura de coração, desprestigiando a manutenção dos laços tão brandos da família e da fraternidade. O que ele ensinou, por estas palavras, é que: "quem toma do arado para rasgar o solo, para que nele seja lançada a semente generosa que produz frutos, não pare no meio da jornada, devendo sempre caminhar para a frente, pois aquele que fica à margem do caminho, não é digno de trabalhar na sua seara".

BIBLIOGRAFIA: Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XXIII, ítens 6 a 8

QUESTIONÁRIO:

C - DEIXA QUE OS MORTOS ENTERREM SEUS MORTOS

1 - Na referida passagem evangélica, Jesus quis criticar o desvelo do filho para com o pai? Que conclusão podemos chegar?

2 - Quem eram os "mortos" e os "vivos" a quem Jesus se referiu?

3 - Devemos buscar o Espírito que vivifica em vez da letra que mata? Por quê?


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quarta-feira, 14 de maio de 2014

10ª AULA - CURSO BASICO DE ESPIRITISMO 1º ANO - FEESP

PARTE B: PERTURBAÇÃO ESPÍRITA

PERTURBAÇÃO ESPÍRITA: é o fenômeno que ocorre no momento de transição da vida corporal para a espiritual. Nesse instante, a alma experimenta um torpor que paralisa momentaneamente as suas faculdades, neutralizando, ao menos uma parte, as sensações.

Essa perturbação pode ser considerada o estado normal no instante da morte e perdurar por tempo indeterminado, variando de algumas horas a alguns anos, dependendo da evolução de cada um. Aquele que já está purificado se reconhece quase que imediatamente, pois se libertou da matéria, antes mesmo que cessasse a vida do corpo, enquanto o homem carnal, cuja consciência ainda não está pura, sofre por muito mais tempo a influência da matéria (LE, perg. 164).

O conhecimento do Espiritismo exerce uma grande influência na amenização e até mesmo significativa redução desse período, porque o Espírito adentra essa situação conhecendo-a antecipadamente.

Quanto menos conhecimento o Espírito tiver da vida espiritual, tanto mais se apega à matéria, mesmo sentindo que esta lhe foge; quer retê-la, em vez de a abandonar, resiste com todas as forças, podendo prolongar essa luta, por dias, semanas até meses.

É certo que, nesse momento, o Espírito não goza de toda a lucidez, dado o estado de perturbação que se antecipa à morte; mas nem por isso sofre menos, e o vácuo em que se acha e a incerteza do que lhe sucederá agravam-lhe as angústias. Por fim, sobrevém a morte, mas ainda não está tudo terminado, visto que a perturbação continua. Ele sente que vive, mas não define se material ou espiritualmente; continua lutando, até que as últimas ligações do perispírito tenham-se rompido.

Contudo, a prática do bem, a elevação moral e a pureza de consciência sempre serão os fatores preponderantes para minimizar as vicissitudes desta contingência. Há casos, particularmente nos de mortes violentas, suicídio, suplício, acidente e ferimentos graves, em que o Espírito vê-se diante de uma situação peculiar: surpreende-se, não crê esteja morto embora veja seu corpo, sabe-o ser dele e não compreende o porquê dessa separação.

A perturbação espírita após a morte, a rigor nada tem de penosa para o homem de bem. É calma e serena, semelhante a um despertar tranquilo, ao contrário daquele cuja consciência encontra-se saturada de ansiedades e angústias. Finalmente vale lembrar que nos casos de morte coletiva, nem todos os que dela tenham participado se reveem imediatamente. Na perturbação que a ela se segue, cada um vai para o seu lado e não se preocupa senão com aquele com os quais guarda interesses particulares.

QUESTIONÁRIO:

B - PERTURBAÇÃO ESPÍRITA

1 - Em que consiste a perturbação espírita?

2 - O conhecimento do Espiritismo, aliado à pratica da caridade, pode propiciar um despertamento mais tranquilo no mundo espiritual?

3 - É igual para todos os Espíritos a perturbação após a morte?


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segunda-feira, 12 de maio de 2014

10ª AULA - CURSO BÁSICO DE ESPIRITISMO 1º ANO - FEESP

PARTE A: ALMA APÓS A MORTE - SEPARAÇÃO DA ALMA E DO CORPO

RETORNO DA VIDA CORPÓREA À VIDA ESPIRITUAL

A ALMA APÓS A MORTE: É muito natural que um leigo em assuntos de espiritualidade alimente a curiosidade de saber em que se transforma a alma no instante da morte. Allan Kardec define a alma sendo o Espírito encarnado. Assim, é natural que, no instante da desencarnação, a alma volte a ser Espírito, conservando a sua individualidade e seu perispírito, guardando a mesma aparência da última encarnação.

Individualidade, portanto, seria a consciência de si, sem ponderar o tempo, ou seja, o "eu sou". Contudo, há que se observar o atual estágio do despertamento espiritual do homem, no qual a aparência física se constitui no fator preponderante para o reconhecimento das individualidades; isto é possível, uma vez que o perispírito conserva a forma da última encarnação, facilitando assim o reconhecimento dos membros de um determinado grupo.

Não tem fundamento a hipótese dos que conjecturam que após a morte a alma retorna a um todo universal. Quando estás numa assembleia, fazes parte integrante da mesma, e não obstante conservas a tua individualidade (LE, perg. 151). A individualização ainda se evidencia quando esses seres provam a sua identidade através de sinais incontestáveis, de detalhes pessoais relativos à vida terrena, e que podem ser constatados; ela não pode ser posta em dúvida quando eles se manifestem por meio das aparições.

A individualidade da alma foi teoricamente ensinada como um artigo de fé, mas o Espiritismo a torna patente e, de certa maneira, material (LE, perg. 152). Com efeito, extrinsecamente essa individualidade é constatada pelo aspecto do seu perispírito, em tudo semelhante ao seu corpo somático, e intrinsecamente por conservar todas as suas qualidades e tendências, pelo desejo de ir para um mundo melhor e pelas recordações impregnadas de doçura ou amargor, segundo o emprego que tenha dado á vida (LE, perg. 150b).

SEPARAÇÃO DA ALMA E DO CORPO: Ao contrário do que se presume a separação da alma e do corpo não é necessariamente dolorosa. A rigor, o corpo, frequentemente sofre mais durante a vida do que no momento da morte (LE, perg. 154), principalmente quando a enfermidade sua causadora tenha sido dolorosa. Neste caso o momento final leva à cessação das dores e são um prazer para o Espírito que vê chegar o fim do exílio na terra (LE, perg. 154).
Quando a morte é lenta e por esgotamento da vitalidade orgânica, é muito comum o Espírito afastar-se quase sem o perceber: é como uma lâmpada que se apaga por falta de energia (LE, perg. 154).

Na separação, os laços que retinham o Espírito se desatam, não se rompem e ele se afasta gradualmente e não como um pássaro que escapa subitamente libertado. (LE, perg. 155a). E é ainda o Espiritismo que vem ensinar que, dependendo da elevação alcançada pelo Espírito, o instante da morte pode, ou não, ser doloroso, e que os sofrimentos, algumas vezes experimentados, são um bálsamo para o Espírito, que vê chegar o momento supremo de sua libertação.

Assim é que a separação, no momento da morte, será tanto mais penosa para o Espírito, quanto maior tiver sido o seu apego à matéria; e, ao contrário, será tanto mais suave, quanto maior tiver sido o seu desprendimento das coisas terrenas.

Nos casos de morte violenta o Espírito, colhido de improviso, fica aturdido, sentindo, pensando e acreditando-se vivo, prolongando essa ilusão até que compreenda o seu estado. Para aqueles mais evoluídos, a situação transitória pouco dura. Para outros menos evoluídos, a situação se prolonga por mais tempo.

Ao aproximar-se do momento da morte, a alma sente muitas vezes que se desatam os liames que a prendem ao corpo e então emprega todos os seus esforços para rompê-los de uma vez.

Assim, já parcialmente desprendida, goza por antecipação o futuro a desenrolar-se ante ela (LE, perg. 157). Estabeleçamos como princípio, alguns casos:

1 - Se no momento em que se extingue a vida orgânica o desprendimento do perispírito fosse completo, a alma nada sentiria absolutamente.

2 - Se, nesse momento, a coesão do perispírito e do corpo físico estiver no auge de sua força, produz-se uma espécie de ruptura que reage dolorosamente sobre a alma.

3 - Se esta coesão for fraca, a separação torna-se fácil e opera-se sem abalo.

Ao se reconhecer na nova vida no mundo dos Espíritos, aquele que fez o mal pelo simples desejo de fazê-lo, sente-se constrangido por tê-lo feito. Para o homem de bem a situação é outra; ele se sente aliviado de um grande peso, porque não receia nenhum olhar perquiridor (LE, perg. 159).

QUESTIONÁRIO:

A - A ALMA APÓS A MORTE - SEPARAÇÃO DA ALMA E DO CORPO

1 - O Espírito mantém a individualidade após a morte? Explique.

2 - O Espiritismo pode ajudar a fazer o instante da morte menos doloroso?

3 - A separação da alma e do corpo é igual para todos?


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sexta-feira, 9 de maio de 2014

9ª AULA - CURSO BÁSICO DE ESPIRITISMO 1º ANO - FEESP

PARTE C: RESSURREIÇÃO E REENCARNAÇÃO

"Aquele que não nascer de novo, não pode ver o Reino de Deus" (João, 3: 3).

RESSURREIÇÃO: Ressurreição, em grego Anástasis, significa surgir, levantar, erguer, sair de um local ou de uma situação para outra. Foi traduzida para o latim como "ressurectio", o ato de ressurgir, volta à vida, reanimar-se, uma conotação já não muito fiel ao original. Daí o fato de, biblicamente falando, o termo ressurreição ter sido interpretado em Mateus com o sentido de ressurgir dos mortos (Mt, Cap. 22:28 30, 31). Exceto os saduceus que pensavam que tudo acabava com a morte, a ressurreição fazia parte dos dogmas dos hebreus. ESE, Cap. IV, item 4) e da sua escatologia (ESCATOLOGIA: filosofia que busca explicar o destino último do homem: céu, inferno, ressurreição, juízo final, etc...).

Eles acreditavam que um homem que viveu podia reviver, sem se inteirarem com precisão da maneira pela qual o fato podia ocorrer; designavam pela palavra "ressurreição" o que o Espiritismo, mais judiciosamente, chama "REENCARNAÇÃO". Com efeito, a ressurreição supõe o retorno à vida do corpo que morreu, o que a ciência demonstra ser materialmente impossível, sobretudo quando os elementos desse corpo estão, desde há muito, dispersos e absorvidos (ESE, cap. IV, item 4).

A conotação do termo "ressurreição" aplicava-se e estendia-se a casos como o das duas crianças na época de Elias e Eliseu (I Rs 17:21 a 24; II Rs 4:20 a 32 e 36); o do filho da viúva de Naim, o da filha de Jairo (lc 7:11-15); 8:49-55); o de Lázaro (Jo 11: 1-44) e outros, como II Rs 13:21; At 9:36-42; 20:9-12). Em todos os casos, em que o Mestre atuou ele afirmou, enfaticamente, que essas pessoas não estavam mortas, mas apenas dormiam. Como naquele tempo não se conheciam essas mortes aparentes, causadas pela letargia ou catalepsia, essas pessoas puderam voltar à vida, passando, nesses casos, aos olhos atônitos do povo como autênticas ressurreições.

O mesmo termo foi aplicado para explicar as dez aparições de Jesus em Jerusalém e circunvizinhanças, a partir do terceiro dia (Lc 24: 44-48; Jo 20: 11-23; Jo 21: 15-22 e At 1:3-8) após a crucificação e durante os quarenta dias seguintes, confirmando o que estava previsto pelos profetas nas escrituras do Velho Testamento, conforme segue:

APARIÇÃO DE JESUS:

1 - Às mulheres no caminho de volta da visita ao sepulcro, quando lhes dissera: Não temais, ide dizer a meus irmãos que vão à Galiléia e lá me verão (Mt 28: 9,10);

2 - À Maria Magdalena quando ficou a sós ao retornar ao sepulcro, quando alertou-a: Não me detenhas, porque ainda não subi para o Pai (Jo 20: 11-18);

3 - No mesmo dia a dois discípulos que iam para Emaús, um deles de nome Cleophas (lc 24: 13-25);

4 - Logo em seguida a Simão Pedro (lc 24: 34);

5 - Na tarde do mesmo dia a todos os discípulos, exceto Tomé (Lc 24:36, 43; Jo 20: 19-23);

6 - Oito dias depois, domingo, a todos os discípulos quando Tomé estava presente (Jo 20: 26-29);

7 - A sete discípulos que pescavam no mar da Galiléia (Jo 21: 4 e seguintes);

8 - Sobre um monte na Galiléia, onde se presume seja o local que contou com a presença de mais de quinhentos irmãos (Mt 28: 16-20; I Corintios, 15:6);

9 - Apareceu a Tiago, mas não se sabe quando nem em que lugar (I Coríntios, 15:7);

10 - Na chamada ascensão, quando Jesus levou os discípulos de volta a Betânia e os abençoou despedindo-se deles (At 1: 6-10 e Lc 24: 50-52). Possivelmente Jesus apareceu muitas outras vezes durante esses quarenta dias.

REENCARNAÇÃO:

Reencarnação, conforme a própria palavra indica, significa retomar, readquirir a carne novamente; tem um sentido bem mais preciso e diferente de "ressurreição". A reencarnação significa a volta à vida corpórea, mas em um outro corpo, sem qualquer espécie de ligação com o anterior. Não há necessidade de a alma retomar o seu antigo corpo, uma vez que o Espírito tem sempre diante de si a oportunidade de adquirir novo organismo físico, sem afrontar as leis naturais, reencarnando tantas vezes quantas forem necessárias ao seu aperfeiçoamento espiritual.

Em Mateus 17:10 a 13 e Marcos 9:11 a 13, faz-se alusão ao fato de que João Batista era Elias: "E os discípulos lhe perguntaram dizendo: pois por que dizem os escribas que importa vir Elias primeiro? Mas ele, respondendo-lhes disse: - Elias certamente há de vir, e restabelecerá todas as coisas; digo-vos, porém, que Elias já veio, e eles não o conheceram, antes fizeram com ele quanto quiseram. Assim também o Filho do homem há de padecer às suas mãos. Então conheceram os discípulos que de João Batista é que ele lhes falara (Mateus, 17:10-13). Não há melhor testemunho sobre a reencarnação do que esta narração evangélica, porque se ela aconteceu com Elias, acontece com todos os Espíritos.

Em diálogo com Nicodemos, Jesus afirmou: “Em verdade, em verdade vos digo: Ninguém pode ver o reino de Deus se não nascer de novo” (João 3:3). Nicodemos lhe disse: - Como pode nascer um homem que já está velho? Pode ele entrar no ventre de sua mãe, para nascer uma segunda vez? Jesus lhe respondeu: -“Em verdade, em verdade vos digo: Se um homem não renascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus”. O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é Espírito. Não vos espanteis do que eu vos disse; que é preciso que nasçais de novo (ESE, Cap. IV, item 5 a 8).

A água entre os judeus, e mesmo entre os povos antigos, era um elemento primordial da matéria, pois acreditavam que tudo que havia na Terra havia saído das águas. Segundo essa crença, a água tornar-se o símbolo da natureza material, como o Espírito era o da natureza inteligente. Estas palavras: "Se o homem não renasce da água e do Espírito, ou em água e em Espírito", significam, pois: "Se o homem não renasce com o corpo e a alma". Neste sentido é que foram compreendidas no princípio (ESE, Cap. IV, item 8). Isto porque é pelos renascimentos sucessivos que o Espírito evolui. Uma única existência jamais poderia ser suficiente para o aprimoramento que o Espírito deve colimar, a fim de ascender aos planos mais elevados da Espiritualidade.

BIBLIOGRAFIA: ESE - CAP. IV - ÍTENS 4 A 17; L.E. - PERGUNTA: 1010.

QUESTIONÁRIO:

C - RESSURREIÇÃO E REENCARNAÇÃO:

1 - Qual a diferença entre ressurreição e reencarnação?

2 - Descreva alguma passagem evangélica que se refira às aparições de Jesus.

3 - "Se um homem não renascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus". Interprete.


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quarta-feira, 7 de maio de 2014

9ª AULA - CURSO BASICO DE ESPIRITISMO 1º ANO - FEESP

PARTE B: DA ALMA - MATERIALISMO

Alma é um Espírito encarnado, segundo a definição dos próprios Espíritos, na resposta à questão 134 do L.E. Allan Kardec, na Introdução da referida obra, no item II, chama alma ao ser imaterial e individual que em nós reside e sobrevive ao corpo. Portanto, alma é o princípio inteligente que habita o corpo físico, utilizando-o como instrumento de sua atividade no mundo material, enquanto que Espírito é a alma do desencarnado, mera questão de terminologia para facilitar o entendimento. Kardec, no comentário à questão 135a diz que o Homem é formado de três partes essenciais:

a - O CORPO - ou ser material, semelhante ao dos animais e animado pelo princípio vital;

b - A ALMA - Espírito encarnado, do qual o corpo é a habitação;

c - O PERISPÍRITO - princípio intermediário, substância semimaterial que serve de primeiro envoltório ao Espírito e une a alma ao corpo.

A alma é indivisível e não pode animar dois corpos diferentes ao mesmo tempo. O que às vezes acontece é a produção de um fenômeno denominado BICORPOREIDADE, que, no entanto é apenas aparente: um dos corpos é o real, ao passo que o outro decorre de exteriorização da alma, em virtude do desdobramento ou projeção da consciência, que se materializa, tornando-se temporariamente tangível. Essa exteriorização advém do fato de que a alma não está encerrada no corpo como um pássaro na gaiola; ela irradia e se manifesta no exterior, como a luz de um globo de vidro (LE, perg. 141).

MATERIALISMO

Materialismo é a corrente doutrinária que afirma existir somente a realidade material e nada mais do que ela. Segundo seus adeptos, a realidade é exclusivamente de natureza material, sendo a "espiritual" apenas uma propriedade ou um produto da matéria. A alma é para eles um efeito e não uma causa. Desse ponto de vista, os seres orgânicos nada mais seriam do que simples ação da matéria. A inteligência, o pensamento, seriam apenas decorrências de propriedades da matéria.

Esta posição doutrinária leva os cientistas à busca da verdade segundo os padrões científicos de conhecimento do homem encarnado, portanto bastante limitados independentemente da crença em Deus. No entanto, muitos que se proclamam adeptos dessa corrente doutrinária, são de boa formação moral, embora, para eles Deus e a vida futura não existam.

O homem materialista, por lhe faltar a compreensão do futuro, procura sempre sua felicidade nos bens perecíveis e efêmeros. No entanto, embora a felicidade não esteja neste mundo, aqui se encontra o campo infinito de realização e desenvolvimento do seu potencial.

QUESTIONÁRIO:

B - DA ALMA - MATERIALISMO:

1 - Como definir alma?

2 - O Espírito pode estar em dois lugares ao mesmo tempo? Explicar.

3 - Em que consiste o materialismo?


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segunda-feira, 5 de maio de 2014

9ª AULA - CURSO BASICO DE ESPIRITISMO 1º ANO - FEESP

PARTE A: FINALIDADES DA ENCARNAÇÃO

As sucessivas encarnações são os degraus que o Espírito galga no itinerário da perfectibilidade, ao submeter-se às limitações da existência corporal. Deste modo, as encarnações são necessárias em função do progresso moral e intelectual, para ascender à condição de Espíritos puros.

Quando na ERRATICIDADE o Espírito examina o que fez, reconhece seus erros ou acertos, traça planos e toma resoluções para mais uma etapa de aprendizado, submetendo-se às provas necessárias que farão parte de sua nova existência corpórea. Mas, esta nova experiência não significa para ele punição, e sim, uma condição necessária por força de sua condição moral.

1 - EXPIAÇÃO: "Deus os colocou num mundo ingrato para expiarem suas faltas, através de um trabalho penoso e das misérias da vida, até que se façam merecedores de passar para um mundo mais feliz". (ESE, Cap. III, ítem 13). A expiação consiste em o homem sofrer aquilo que fez os outros sofrerem, abrangendo sofrimentos físicos e morais, seja na vida corporal, seja na espiritual. Tais sofrimentos, quando suportados com resignação, paciência e entendimento, apagam erros passados e purificam o espírito que assim vai, encarnação após encarnação, libertando-se das imperfeições da matéria.

2 - PROVA: Em sentido amplo, cada nova existência corporal é uma prova para o Espírito que o leva a se aperfeiçoar, enveredando pelo caminho da perfeição. Esclarece o Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. VI, nº. 5: "Crede e orai! Porque a morte é a ressurreição e a vida é a prova escolhida, durante a qual vossas virtudes cultivadas devem crescer e desenvolver-se como o cedro". A prova às vezes confunde-se com a expiação, mas nem todo sofrimento é indício de uma determinada falta. O sofrimento pode ser uma opção do próprio Espírito com o objetivo de acelerar a sua purificação. Deste modo, a expiação será sempre uma prova, mas a prova nem sempre será uma expiação (ESE, Cap. V, nº 9).

3 - MISSÃO: Todos têm uma missão a cumprir, neste ou em outros mundos, mais ou menos adiantados; todos têm um papel a desempenhar dentro da harmonia e do equilíbrio do Universo. Assim, as missões, de um modo geral, enquadram-se em papéis de maior ou menor intensidade, de acordo com a capacidade e a elevação do Espírito reencarnante. Há a missão dos pais, a missão dos governantes, dos mestres, dos homens de ciência, dos escritores, dos artistas, etc..

Mas existem Espíritos missionários que reencarnam com uma missão específica: desempenhar a sublime tarefa de semear a paz, a caridade, o amor ao próximo e de promover o avanço intelectual da humanidade. Para estes, a encarnação não tem a finalidade de prova ou de expiação, mas a missão de acelerar o progresso moral e intelectual de seus irmãos encarnados.

A encarnação, enquanto instrumento divino que permite ao Espírito sua aprendizagem, leva-o a passar por todas as vicissitudes da vida material. Quanto mais rapidamente o Espírito se purificar se assimilar todo seu aprendizado, mais depressa chegará ao destino para o qual foi criado: a perfectibilidade.

QUESTIONÁRIO:

A - FINALIDADES DA ENCARNAÇÃO

1 - Qual a finalidade da reencarnação?

2 - O Espírito progride na erraticidade?

3 - Defina: expiação, prova e missão?


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