CARACTERÍSTICAS BÁSICAS DO ESPÍRITA: PACIÊNCIA, INDULGENCIA, FÉ, HUMILDADE, DIGNIDADE E CARIDADE.

sexta-feira, 16 de maio de 2014

10ª AULA - CURSO BÁSICO DE ESPIRITISMO 1º ANO - FEESP

PARTE C: DEIXA QUE OS MORTOS ENTERREM SEUS MORTOS

E disse a outro: segue-me. Ao que ele respondeu: Senhor; permite que vá primeiramente sepultar meu pai. E Jesus lhe disse: Deixa que os mortos enterrem seus mortos; e tu, porém, vai e anuncia o reino de Deus (Lucas, 9:59-60).

Além dos doze apóstolos, Jesus Cristo teve também outros setenta discípulos diretos, os quais, ao ouvirem dele um discurso que consideram demasiadamente pesado, o abandonaram.

Entretanto, outras convocações foram feitas por ele; porém cada um dos convocados dava uma desculpa para não segui-lo, principalmente depois de ele ter dito que "as aves do céu têm seus ninhos, as raposas os seus covis, mas ele não tinha onde reclinar a cabeça" (Lc, 9:58).

Na citação acima, tudo indica que o convidado não gostou muito daquela recomendação e foi primeiramente sepultar o corpo de seu pai, perdendo assim a oportunidade de participar de uma das mais fulgurantes missões já desempenhadas no mundo material. Esta passagem evangélica convida o homem a uma reflexão mais profunda, pois este não pode acreditar que as palavras do Mestre representassem uma censura a um homem que, por dever de piedade filial, considerava um imperativo sepultar o corpo de seu pai.

Jesus certamente deixou mais um de seus edificantes ensinamentos, demonstrando que a vida espiritual é a verdadeira vida, ao passo que a vida temporária que é usufruída no mundo é equivalente à morte, pois nela o Espírito encarnado perde, transitoriamente, a liberdade e a atividade que desfruta, quando livre do corpo. Deste modo, o Mestre sempre colocou as coisas de Deus acima de qualquer cogitação, e não poderia ser de outra maneira; por isso, quando lhe vieram dizer que sua mãe e seus irmãos estavam esperando para vê-lo, disse: "Minha mãe e meus irmãos são aqueles que ouvem a palavra de Deus e a praticam (Lucas, 8:21).

Jesus viveu entre os homens para desempenhar uma missão transcendental, qual seja a de implantar uma nova revelação e, portanto, não poderia ficar cingido aos limites acanhados da família terrena. Referia-se à humanidade em geral, pois todos eram seus irmãos, e aspirava, com este seu exemplo, formar uma só imensa família, como "um rebanho sob a égide de um só pastor".
Consequentemente, jamais poderia ficar confinado ao âmbito de alguns familiares, quando a sua missão tinha um cunho universal ao abranger toda a humanidade.

A respeito da passagem de Lucas, pode-se afirmar que no mundo existem os mortos e os "mortos". Os primeiros são os que se dedicam às coisas da alma, que tratam de aprimorar seus Espíritos que, ao desencarnarem, elevam-se para planos mais elevados da Espiritualidade; os segundos são os que se distanciam das coisas morais e espirituais, que submetem a alma a serviço do corpo, dando prioridade à satisfação dos sentidos e às coisas transitórias do mundo.

Um outro homem, convocado pelo Mestre, respondeu-lhe: "Senhor, permita que vá antes dizer adeus aos de minha casa". A este Jesus disse: "Aquele que, tendo posto a mão no arado, olhar para trás não é apto para o reino de Deus" (Lc, 9:61-62). Estas palavras de Jesus não objetivavam prescrever aos homens que, como condição indispensável, renunciassem às exigências e necessidades da existência humana; que rompessem os laços familiares; que deixassem de cumprir as obrigações que ela lhes impusessem, inclusive aquelas de sepultamentar os restos mortais de um ente querido, ou de despedir-se de seus familiares, quando tivessem que realizar uma viagem.

O que acontece é que o homem, ao procurar desvendar o sentido exato contido no ensinamento evangélico, esbarra sempre com os inconvenientes da letra que mata. Não houve, por parte do Mestre, qualquer secura de coração, desprestigiando a manutenção dos laços tão brandos da família e da fraternidade. O que ele ensinou, por estas palavras, é que: "quem toma do arado para rasgar o solo, para que nele seja lançada a semente generosa que produz frutos, não pare no meio da jornada, devendo sempre caminhar para a frente, pois aquele que fica à margem do caminho, não é digno de trabalhar na sua seara".

BIBLIOGRAFIA: Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XXIII, ítens 6 a 8

QUESTIONÁRIO:

C - DEIXA QUE OS MORTOS ENTERREM SEUS MORTOS

1 - Na referida passagem evangélica, Jesus quis criticar o desvelo do filho para com o pai? Que conclusão podemos chegar?

2 - Quem eram os "mortos" e os "vivos" a quem Jesus se referiu?

3 - Devemos buscar o Espírito que vivifica em vez da letra que mata? Por quê?


Fonte da imagem: Internet Google

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