CARACTERÍSTICAS BÁSICAS DO ESPÍRITA: PACIÊNCIA, INDULGENCIA, FÉ, HUMILDADE, DIGNIDADE E CARIDADE.

terça-feira, 23 de maio de 2017

8ª Aula Parte A – CURSO APRENDIZES DO EVANGELHO 2º ANO – FEESP

Ninguém Pode Ver o Reino de Deus se Não Nascer de Novo E a Missão de Jesus

Reencarnação

O ADVENTO DE ELIAS

“Desde os dias de João Batista até agora, o Reino dos Céus sofre violência, e violentos se apoderam dele. Porque todos os profetas bem como a Lei profetizaram, até João. E, se quiserdes dar crédito, ele é o Elias que deve vir. Quem tem ouvidos, ouça!” (Mt 11:12-15).

O princípio da reencarnação é explicitamente tratado na Bíblia, como vemos, por exemplo, nesta passagem.

Mesmo no Antigo Testamento podemos encontrar citações sobre a reencarnação, como indica Kardec em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, cap. IV itens 13 e 14, quando faz referência aos livros de Isaías e de Jó.

A verdade, muitas vezes, está acessível, clara, mas, no entanto, ocorre que cada indivíduo só vê e ouve aquilo que quer; eis a razão da afirmação de Jesus: “Quem tem ouvidos, ouça!”.

Muitos teólogos dogmáticos rebateram, e ainda rebatem o princípio da reencarnação, alegando que ele não se encontra expresso na Bíblia. Contudo, como citamos, tal princípio encontra-se presente tanto no Novo como no Antigo Testamento.

A crença na reencarnação, como afirma Kardec em “O Evangelho Segundo Espiritismo”, no mesmo capítulo acima citado, no item 4, ‘fazia parte dos dogmas dos judeus, sob o nome de ressurreição’. Aquela época, no entanto, esse conceito, como muitos outros, eram obscuros, vagos, pois o conhecimento sobre a ligação entre o corpo e o Espírito era incompleto.

Eles, então, acreditavam que, após a morte, era possível retomar a vida corpórea, porém não tinham ideia de como isso ocorria. Assim, eles chamavam de ressurreição o que, apropriadamente, a Doutrina Espírita chama de reencarnação.

A absoluta impossibilidade da ressurreição há sempre que se repetir, reside no fato de que após a morte do corpo físico, ocorre à desagregação da matéria, e os elementos que o constituíam dispersam-se na natureza. Fato este que hoje a ciência demonstra de forma categórica.

Analisando a passagem do Evangelho de Mateus acima transcrita, constatamos que não há figuras, não há simbolismos, não é uma parábola.

Jesus afirma, de forma categórica, sobre João, que: “ele é o Elias que deve vir”. Nada poderia ser mais expresso.

Ainda no Evangelho de Mateus, no cap. 17, versículos 12 a 13, vemos outra afirmação sobre a reencarnação de Elias: “Eu vos digo, porém, que Elias já veio, mas não o reconheceram. Ao contrário, fizeram com ele tudo quanto quiseram. (...) Então os discípulos entenderam que se referia a João Batista.”

Um dos pontos que chama a atenção nesta passagem é a tranquila aceitação dos discípulos quanto à volta de Elias reencarnado. Vemos que Jesus apenas afirma que Elias voltou e eles próprios deduzem que se tratava de João.

Em muitas outras passagens, podemos encontrar os discípulos com certa dificuldade em compreender os ensinamentos de Jesus. Este não é o caso em relação à crença no retorno a vida corporal, pois esta já fazia parte de suas convicções, como bem pudemos perceber.

Ainda vemos, de forma evidente, essa convicção no Evangelho de João, cap. 9, versículos 1 a 3:

“Ao passar ele viu um homem, cego de nascença. Seus discípulos lhe perguntaram: ‘Rabi, quem pecou, ele ou seus pais, para que nascesse cego?'.”

Pela pergunta dirigida a Jesus, fica clara a crença na preexistência da alma, pois se ele era cego de nascença, e se não houvesse “pecado” de seus pais, só poderia ser dele mesmo numa vida anterior, segundo acreditavam os discípulos.

O COLÓQUIO COM NICODEMOS

“Havia, entre os fariseus, um homem chamado Nicodemos, um notável entre os judeus. A noite ele veio encontrar Jesus e lhe disse: ‘Rabi, sabemos que vens da parte de Deus como mestre, pois ninguém pode fazer os sinais que fazes, se Deus não estiver com ele 'Jesus lhe respondeu: ‘Em verdade, em verdade, te digo: quem não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus’.

Disse-lhe Nicodemos: ‘Como pode um homem nascer; Sendo já velho? Poderá entrar segunda vez no seio de sua mãe e nascer?’ Respondeu-lhe Jesus: ‘Em verdade, em verdade, te digo: quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no Reino de Deus’.” (Jo 3:1-5).

Quando abordamos a reencarnação, buscando sua confirmação no Novo Testamento, uma das passagens mais significativas e notáveis é esta do colóquio, ou seja, do diálogo entre Jesus e Nicodemos.

Primeiramente, podemos observar que Nicodemos, embora fariseu mostrava-se receptivo aos ensinamentos do Mestre. Na obra “Boa Nova, lição 14, o Espírito Humberto de Campos, através da psicografia de Francisco C. Xavier, afirma: “Entre estes, figurava Nicodemos, fariseu notável pelo coração bem formado e pelos dotes da inteligência. Assim, uma noite, ao cabo de grandes preocupações e longos raciocínios, procurou a Jesus, em particular seduzido pela magnanimidade de suas ações e pela grandeza de sua doutrina salvadora”.

Um ponto digno de nota na passagem evangélica acima transcrita é que Nicodemos, não obstante todo o conhecimento que possuía como Doutor da Lei, também não compreendia os mecanismos da reencarnação.

Como sempre nos alerta Kardec, Jesus, ao ensinar, falava de acordo com a possibilidade de entendimento de cada um e, em especial, quando o momento era propício. Sendo assim, por vezes, era necessário falar por parábolas, figuras ou símbolos.

Ao tratar da reencarnação, aqui, Jesus utilizou os termos “água” e “Espírito”, ao afirmar: “... quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no Reino de Deus”.

Mas o que significa, afinal, “nascer da água e do Espírito”?

A resposta encontramos em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, no cap. IV, item 8. Explica o codificador, inicialmente, o significado dessas palavras:

Água - fora de seu sentido específico, a água era considerada o elemento primordial gerador da vida, da matéria, como se pode notar nas seguintes frases extraídas da Bíblia, do livro da Genesis e indicadas por Kardec: “que o firmamento seja feito no meio das águas”, “que as águas produzam animais viventes...”. Constata-se que era, portanto, o símbolo da natureza material; Espírito - era o símbolo da natureza inteligente e, por consequência, independente, distinto, diferente da matéria.

Em síntese, temos que: nascer da água significa nascer no corpo físico, que é um corpo gerado pelos pais biológicos, e tem uma existência transitória, regida pelas leis físicas, da matéria. Em relação a nascer do Espírito, há, aqui, a indicação positiva de que há uma independência do Espírito em relação ao seu corpo material; logo, embora em cada existência tenhamos um corpo físico diferente, o Espírito é sempre o mesmo.

Este episódio - o de Nicodemos - é, repisamos, um dos mais evidentes e notários que afirmam a pluralidade das existências.

Muitos teólogos; bem sabemos, tudo fizeram para tentar encontrar outro significado para a passagem; um que se adequasse aos seus dogmas. Outros, ainda, ao traduzirem a Bíblia, por oportunismo, buscaram adulterar as palavras de Jesus, como alerta-nos Kardec no item 7, do mesmo capítulo acima indicado, ao ressaltar que muitos substituíram a expressão “Espírito” para “Espírito Santo”, o que, diz o codificador “não corresponde ao mesmo pensamento”.

Em que pese esses intentos, a verdade será um dia conhecida de todos. A Nicodemos; questionou Jesus ainda: “És mestre em Israel e ignoras estas coisas?”.

Nesse dia inesquecível, podemos imaginar que Nicodemos deve ter ficado confundido, talvez pensativo, refletindo sobre os mistérios das “coisas do céu”, sobre as possibilidades infinitas da vida e da jornada do Espírito imortal.

A todos aqueles que quiserem “ver”, o Evangelho é um livro aberto de conhecimento e da suprema Sabedoria trazida pelo Mestre sublime. Que “os que têm olhos” vejam!

CONHECEREIS A VERDADE E A VERDADE VOS LIBERTARÁ

“Disse, então, Jesus aos judeus que nele haviam crido: ‘Se permanecerdes na minha palavra, sereis verdadeiramente meus discípulos e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.’.” (Jo 8:31-32).

Nesta frase de Jesus - conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará - temos uma sentença; mais do que uma simples possibilidade, encontramos um determinismo, uma circunstância inevitável: todos os Espíritos estão fadados à evolução.

O Espírito, podemos lembrar, nasce simples e ignorante. É da Lei que, através de uma série de existências, vá avançando em conhecimento e moralidade até atingir a perfeição relativa.

Entre esses extremos, o ser estará, pelo seu esforço, conquistando gradualmente o conhecimento. Assim, nesse caminhar, o pensamento vai se construindo e o sentimento religioso vai se aprimorando e se fortalecendo.

Vemos que as diversas religiões, em seu início, tinham práticas rudimentares e tribais; ao avançarem, instituíram vários dogmas e rituais.

Nesse momento, em que o indivíduo encontra-se inserido numa religião dogmática, por um lado a sua fé não é raciocinada, quando aceita todos os dogmas sem questionamento; por outro, pode acabar por dar maior importância às práticas exteriores.

Este, a propósito, era o cenário dominante a época de Jesus; eis porque o Mestre se empenhava em ensinar o verdadeiro caminho de adoração a Deus.

Neste estágio, em que o indivíduo se encontra limitado por conceitos fechados e por práticas exclusivamente ritualísticas, encontramo-lo como que encarcerado.

Toda ignorância, não importa o grau, sempre gerará uma visão deficiente da realidade, gerará decepções, medos, angústias, desconfiança e, às vezes, ceticismo e incredulidade.

Quando o Ser, em seu avançar, começa a rejeitar conceitos antigos, sente a necessidade de buscar novos conhecimentos.

A época de Jesus, como constantemente afirma Kardec, o momento era propício ao advento da Boa Nova.

Os ensinamentos do Mestre representam, pois, a Lei Divina e a Moral universal.

Em cada um de seus ensinamentos, Jesus procura nos despertar para a Verdade. Essa Verdade, quando estamos receptivos e humildes para ouvi-la e acolhê-la, propicia-nos a Libertação.

Essa Libertação é o rompimento de todas as amarras que nos prendem aos valores do mundo, que podem induzir-nos ao egoísmo, as disputas, a discórdia e ao desamor.

Todos esses sentimentos negativos trazem-nos sofrimento, aflição, desequilíbrio físico e espiritual.

A verdade, ao contrário, conduz-nos aos sentimentos de fraternidade, solidariedade e nos torna capazes de perdoar nossos semelhantes, compartilhar nossos recursos materiais e espirituais.

Jesus, nosso Mestre Maior, através da exemplificação de seu Amor incondicional, trouxe-nos a verdade que nos liberará.

Ao Espiritismo, coube a importante missão de resgatar os ensinamentos do Cristo, em sua essência e em sua magnitude, tomando a verdade mais acessível a todos que a buscam.

QUESTÃO REFLEXIVA:

Como a verdade trazida por Jesus influi em nossa vida?


Fonte da imagem: Internet Google.

quinta-feira, 18 de maio de 2017

7ª Aula Parte B – CURSO APRENDIZES DO EVANGELHO 2º ANO – FEESP

Perdão Das Ofensas

CORREÇÃO FRATERNA

“Se o teu irmão pecar vai corrigi-lo a sós. Se ele te ouvir ganhaste o teu irmão. Se não te ouvir, porém, toma contigo mais uma ou duas pessoas, para que toda questão seja decida pela palavra de duas ou três testemunhas.” (Mt 18:15-16).

A moderação, a discrição, a sensatez devem sempre ser à base de nossas ações.

Muitas vezes, convivendo com nossos semelhantes, momentos há em que vemos alguém agir de forma dura, egoística, agressiva.

Nessas circunstancias, se o momento for oportuno, e estivermos tocados de compaixão pelo nosso semelhante, e, então, despertar em nós um impulso de aconselhá-lo, evidenciando um erro, apenas poderemos fazê-lo, como ensinou Jesus, com discrição e cautela. Isso porque todo escândalo deve ser evitado.

Quando falamos em observar as ações de nosso semelhante, poderia, em uma primeira impressão, aparentar que estaríamos fazendo um julgamento. E certo é que nunca devemos julgar ninguém.

Mas o ato de julgar que é condenável é aquele em que nós fazemos um juízo de condenação de nosso semelhante, faltando, assim, com a caridade. Esse julgar é sim reprovável, pois nós não temos condição alguma de, nesse sentido, julgar nosso semelhante, pois apenas a Deus, que sabe a intenção de cada ação, cabe a analise da ação de cada Ser.

Existe, porém, o ato de discernir, ou seja, de analisar e distinguir, diferenciar uma coisa de outra. Quando, então, avaliamos e ponderamos sobre um certo fato, podemos, pela razão, situá-lo dentro de um sistema de valores. Podemos, assim, pelo sentimento amoroso e, especialmente, pela lógica e pela razão, segundo nossa capacidade de entendimento, afirmar se tal ato representa o bem ou mal, se a conduta é virtuosa ou não.

Usando essa nossa faculdade, poderemos atuar positivamente no mundo, ensinando, exemplificando, corrigindo... Mas, corrigindo fraternalmente.

Isso implica em uma ação suave, respeitosa, afável, nunca constrangendo alguém, mas sempre agindo de forma a acolher e ensinar amorosamente, agindo com caridade, cujo sentido, podemos encontrar na resposta a questão 886 de “O Livros dos Espíritos”:

“Benevolência para com todos, indulgência para com as imperfeições alheias, perdão das ofensas.”

PERDÃO DAS OFENSAS

“Então Pedro chegando-se a ele, perguntou-lhe: ‘Senhor quantas vezes devo perdoar ao irmão que pecar contra mim? Até sete vezes? ’. Jesus respondeu-lhe: ‘Não te digo até sete, mas até setenta vezes sete vezes.’.” (Mt 18:21-22).

Nesta passagem, Jesus diz quantas vezes devemos perdoar nosso próximo.

Haveria então certa quantidade limite de vezes que deveríamos perdoar nosso próximo? E depois, estaríamos dispensados de perdoar?

Obviamente que não.

É que o número sete, como se sabe, tinha para os judeus um significado cabalístico e simbólico que representava o infinito. Em outras palavras, temos então: perdoar todas às vezes, tantas vezes quantas forem as agressões. Esse ideal cristão é o grande objetivo a ser alcançado, a ser trilhado passo a passo, eis que é uma grande conquista.

Para muitos de nós, os impulsos mais espontâneos são de ataque, de repelir a agressão, de revanche, de condenação, de ressentimento, de mágoa, etc...

Avançar e evoluir é preciso!

Esse avanço é proporcional aos nossos esforços em estudar e vivenciar o Evangelho e a Doutrina Espírita.

Pelo estudo, compreendemos uma série de circunstancias da vida e do mundo que antes nem desconfiávamos.

“Descobrimos que cada ser só pode agir de acordo com o seu entendimento, e seria, pois, falta de caridade desejar que ele fosse mais do que realmente é”.

Descobrimos ainda que nossos atos são valorosos quando agimos virtuosamente, e que todo ato de desamor será uma semente plantada que gerará uma colheita obrigatória e proporcional ao mal praticado.

Estudando a Doutrina, aprendemos a compreender e ter compaixão pelo nosso semelhante, não por obrigação, por medo de punição, mas pela razão, e também pelo sentimento do coração.

As mensagens de Jesus despertam-nos para a vida, despertam-nos para o desenvolvimento de nossas potencialidades.

Aquele que aprendeu a perdoar descobriu que essa é a única atitude que nos liberta e nos traz paz verdadeira. O exercício constante do perdão vai elevando-nos a níveis cada vez mais sublimes de consciência.

Portanto, mesmo diante de ofensas físicas e morais é possível ficarmos inabaláveis na fé, intocáveis em nossa integridade moral, inalcançáveis pelas ofensas inferiores... Ficamos invulneráveis. Que possamos sempre exercer o perdão e experimentar tais estados sublimes de consciência.

PARÁBOLA DO DEVEDOR IMPLACÁVEL

“Eis porque o Reino dos Céus é semelhante a um rei que resolveu acertar contas com os seus servos. Ao começar o acerto, trouxeram-lhe um que devia dez mil talentos. Não tendo este com que pagar o senhor ordenou que o vendessem juntamente com a mulher e com os filhos e todos os seus bens, para o pagamento da dívida. O servo, porém, caiu aos seus pés e, prostrado, suplicava-lhe: ‘Dá-me um prazo e eu te pagarei tudo.’ Diante disso, o senhor compadecendo-se do servo, soltou-o e perdoou-lhe a divida. Mas, quando saiu dali, esse servo encontrou um dos seus companheiros de servidão, que lhe devia cem denários e, agarrando-o pelo pescoço, pôs-se a sufocá-lo e a insistir: ‘Paga-me o que me deves.’ O companheiro, caindo a seus pés, rogava-lhe: ‘Dá-me um prazo e eu te pagarei. ’Mas ele não quis ouvi-lo; antes, retirou-se e mandou lançá-lo na prisão até que pagasse o que devia. Vendo os companheiros de serviço o que acontecera, ficaram muitos penalizados e, procurando o senhor; contaram-lhe todo o acontecido. Então o senhor mandou chamar aquele servo e lhe disse: ‘Servo mau, eu te perdoei toda tua dívida, porque me rogaste. Não devias, também tu, ter compaixão do teu companheiro, como eu tive compaixão de ti? ’Assim, encolerizado, o seu senhor o entregou aos verdugos, até que pagasse toda a sua dívida. Eis como meu Pai celeste agirá convosco, se cada um de vos não perdoar de coração, ao seu irmão.” (Mt 18:23-35).

O que faz com que o Homem sempre use um juízo mais duro contra os outros do que contra si mesmo?

O que faz com que ele deseje ser tratado com piedade e misericórdia, se ele próprio não usa da compaixão para com seu semelhante?

A “cegueira” é a resposta.

Quanto mais próximo do primitivismo, da ignorância, menos o indivíduo é capaz de ver e compreender as circunstâncias. Quanto mais avança em estudo e aprendizado, mais se toma capaz de olhar para o mundo e para as pessoas com uma visão mais abrangente, mais coerente, mais sábia.

Na parábola acima transcrita, vemos que o servo que havia sido perdoado pelo seu senhor, não foi capaz, ele próprio, de perdoar aquele que lhe devia, assim, recebeu a punição de seu senhor.

Quando refletimos sobre essa parábola, podemos perguntar-nos: Será que todas as vezes que pedimos e ansiamos por perdão... Será que nós também perdoaríamos nosso semelhante pelos mesmos motivos? Será que pelas mesmas falhas que cometemos diariamente nós somos complacentes quando nosso próximo também as comete?

Esses questionamentos devem sempre ser objeto de nossas reflexões, pois não há crescimento sem autoconhecimento, não há crescimento sem esforço para renovar as próprias condutas.

Sendo certo que pode haver mérito pelas nossas ações, tanto maior será o mérito quando agirmos baseados no Bem.

Esse mérito que conquistamos é exatamente o que nos legitima a também pedir perdão e, especialmente, a merecer o perdão para nós mesmos. Precisamos fazer por merecer!

Joanna de Angelis, na obra “Libertação pelo Amor”, lição 20, inspira-nos: “A saúde integral resulta de inúmeros fatores entre os quais a dádiva da compaixão. Disputa a honra de ser aquele que concede a paz, distendendo a mão de benevolência em solidariedade paternal ao agressor".

QUESTÃO REFLEXIVA

Comente a importância do perdão em nossa vida.

Bibliografia
- A Bíblia de Jerusalém.
- Kardec, Allan - O Livro dos Espíritos - Ed. FEESP.
- Kardec, Allan - O Evangelho Segundo o Espiritismo - Ed. FEESP.
- Franco, Divaldo/Joanna de Angelis - Libertação pelo Amor.


Fonte da imagem: Internet Google.

terça-feira, 16 de maio de 2017

7ª Aula Parte A – CURSO APRENDIZES DO EVANGELHO 2º ANO – FEESP

Ensinamentos de Jesus Sobre a Fraternidade

Discurso Sobre a Fraternidade

O MAIOR NO REINO DOS CÉUS

“Nessa ocasião, os discípulos aproximaram-se de Jesus e lhe perguntaram: ‘Quem é o maior no Reino dos Céus?’ Ele chamou perto de si uma criança, colocou-a no meio deles e disse: ‘Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos tornardes como as crianças, de modo algum entrareis no Reino dos Céus. Aquele, portanto, que se tomar pequenino como esta criança, esse é o maior no Reino dos Céus.’.” (Mt 18:1-4).

As lições de Jesus, em relação aos ensinamentos morais, representam uma sabedoria tão sublime que muitos ainda não conseguem compreender.

Em nosso mundo, as pessoas, em sua maioria, estão sempre disputando por poder, por fama, por serem reconhecidas como as melhores. Há um verdadeiro fascínio pelas coisas externas, pelas aparências, pelo desejo de ser o maior, de estar em evidência.

Essa tendência, de certa forma, podemos dizer que seja natural para todos aqueles que ainda não ouviram o Evangelho, a Boa Nova, pois, neste caso, ainda estão presas aos paradigmas, aos valores mundanos. Presas porque só a verdade é libertadora. Disse Jesus: “... conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”. (Jo 8:32).

Há, pois, um momento na vida de todas as pessoas, em que se busca um caminho diferente, busca-se um ensinamento de sabedoria, de religiosidade. E, podemos dizer que esse momento, é apenas um início de uma longa caminhada.

Ressaltamos que é um início, pois, como vemos, mesmo dentre aqueles que buscam seguir uma religião, seguir uma vida baseados em princípios de sabedoria e religiosidade, muitos ainda não se desprenderam totalmente dos valores do mundo.

Quantos não foram aqueles que, dizendo-se cristãos, deturparam as mensagens de Jesus, adaptaram-na para servir interesses próprios, para atender caprichos e conveniências de épocas? Quantos não foram aqueles que buscaram a glória do mundo, que disputaram por cargos e funções de relevância, disputaram por reconhecimento público, disputaram por excesso de bens materiais apenas para si?

Nada, bem sabemos, poderia estar mais distante das sublimes lições do Mestre Jesus.

Refletindo sobre esse panorama, entendemos o quão demorado é quebrarmos as nossas antigas crenças e valores, o quão demorado é realmente despertarmos para o significado real do Evangelho. É, às vezes, como um processo de desconstrução, pedra a pedra, ou, se preferirmos, de dilapidação. E bem sabemos o quão trabalhoso é para se dilapidar um diamante.

Então, é preciso esforço e constante vigilância para vencermos as tendências naturais.

Essa tendência natural consiste, muitas vezes, no fato de alguém se achar melhor do que realmente é. Os Homens, então, quando se auto avaliam acreditam ser mais importantes, mais sábios, mais justos, mais humildes do que realmente são.

Havendo essa convicção, essa crença, constata-se que muito há que se aprender sobre as lições do Cristo, porque a pessoa verdadeiramente humilde não ressalta as próprias qualidades, não se vangloria das próprias virtudes.

Jesus traz-nos esse ensinamento usando a imagem da criança: “... se não vos converterdes e não vos tornardes como as crianças, de modo algum entrareis no Reino dos Céus.”

Então precisamos ser como as crianças? O que significa ser como as crianças?

É que a infância pode ser considerada como um símbolo de pureza e simplicidade. Vejamos: Como agem as crianças? E como elas reagem as mais diversas situações?

As crianças, quando ainda bem pequenas, são sinceras, espontâneas e não ocultam suas emoções como os adultos que, ao contrário, nem sempre costumam dizer a verdade; os adultos costumam falar uma coisa mesmo estando pensando em outra.

As crianças são simples; estão quase sempre sorrindo e felizes a maior parte do tempo. As crianças brincam, sorriem, correm, gritam, e são felizes com muito pouco, com muita simplicidade.

E as crianças ao se relacionarem com outras crianças?

Por acaso, elas se importam se a outra criança é rica ou pobre, se tem beleza física ou não, se é de uma raça ou de outra, se está bem vestida ou não?

Obviamente que não. Se, por exemplo, colocarmos algumas crianças, das mais diversas origens e situações sociais, numa mesma sala e as deixarmos, em poucos segundos estarão totalmente integradas e interagindo.

Os adultos, em sua maioria, ao contrário, quase sempre conseguem encontrar alguma dificuldade em aceitar as circunstâncias, aceitar seu semelhante, seja por motivos de origem, classe social, etc...

O adulto é capaz de conceber um sem número de motivos para se queixar.

Onde está a simplicidade?

Vemos, dessa forma, pelo exemplo das crianças, que é muito mais fácil alcançar a felicidade se nos tornarmos mais puros, mais simples.

É o caminho ensinado e exemplificado por Jesus, para alcançarmos o “Reino dos Céus”.

O ESCÂNDALO

“E aquele que receber uma criança como esta por causa do meu nome, recebe a mim. Caso alguém escandalize um destes pequeninos que creem em mim, melhor seria que lhe pendurassem ao pescoço uma pesada mó e fosse precipitado nas profundezas do mar. Ai do mundo por causa dos escândalos! É necessário que haja escândalos, mas ai do homem pelo qual o escândalo vem! Se tua mão ou teu pé te escandalizam, corta-os e atira-os para longe de ti. Melhor é que entres mutilado ou manco para a vida do que, tendo duas mãos ou dois pés, seres atirado no fogo eterno. E se teu olho te escandaliza, arranca-o e atira-o para longe de ti. Melhor é que entres com um olho só para a vida do que, tendo dois olhos, seres atirado na geena de fogo.” (Mt 18:5-9)

Muitas das lições de Jesus, baseadas em fortes simbolismos, exigem uma reflexão serena para alcançarmos o verdadeiro significado, eis que se tomarmos ao pé da letra, chegaríamos a verdadeiros absurdos.

Essas figuras enérgicas eram necessárias à época em que Jesus ensinava, eis que era a linguagem que eles, os hebreus, estavam acostumados, pois se assemelhava, neste ponto, a fala de Moisés e dos profetas.

Regra geral de todo ensinamento, a propósito, é que ele seja capaz de alcançar as pessoas a que se dirige. Cada época de uma civilização é, pois, marcada pelo seu grau de conhecimento e pela sua capacidade de entender o mundo e as lições dos grandes missionários. Quanto mais avança certa civilização, mais vai se tomando capaz de entender conceitos de forma mais suave, mais equilibrada, em uma palavra: mais racional.

Quando meditamos sobres as lições de Jesus, buscamos então encontrar a verdadeira essência.

Primeiramente, em relação à palavra escândalo, encontramos nas palavras de Kardec em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, cap. VIII, item 12, o seu significado. Vejamos: “Em seu sentido vulgar; escândalo é tudo aquilo que choca a moral ou as conveniências, de maneira ostensiva.” (...) “No sentido evangélico, a acepção da palavra escândalo, tão frequentemente empregada, é muito mais ampla, motivo porque não é compreendida em certos casos. Escândalo não é somente o que choca a consciência alheia, mas tudo o que resulta dos vícios e das imperfeições humanas, todas as más ações do indivíduo para indivíduo, com ou sem repercussões. O escândalo, nesse caso, é o resultado efetivo do mau moral.”

Jesus, como vimos no trecho do Evangelho de Mateus anteriormente citado, diz que: ”É necessário que haja escândalos”. Daí podemos questionar: Se todo o ensinamento do Mestre é para conduzir a Humanidade ao caminho do Bem, por que, então, é necessário que haja escândalos?

É que o livre arbítrio do ser humano é inviolável. Cada pessoa, por suas próprias escolhas, vai escolher um ou outro caminho. Quando opta por seguir o caminho do Bem, não estará gerando resultados futuros que tragam dor e aflição; por outro lado, quando é movido pelo egoísmo e outras más paixões, chegará o momento em que será arrastado para uma situação escandalosa, aflitiva, dolorosa, que o faça refletir e despertar para o Bem.

Há, dessa forma, duas maneiras de se aprender. Uma é pelo exercício da razão, da ponderação, do uso do bom senso; a outra, quando o ser está resignado ao mal, é pela dor gerada pelos escândalos do mundo.

Os escândalos devem, então, ocorrer para que a Lei se cumpra, devem ocorrer para que o Espírito desperte, saia do entorpecimento moral, acorde para a vida e desenvolva sua sensibilidade, sua capacidade de amar.

Mas quando Jesus diz: “mas ai do homem pelo qual o escândalo vem”, significa que embora o mal ainda predomine neste mundo em que vivemos, e, por consequência, muitos escândalos ocorrerão, o homem que for o causador do escândalo sofrerá no futuro, diante da Lei de Ação e Reação, os efeitos lesivos de sua má conduta.

E quando Jesus conclui que: “Se tua mão ou teu pé te escandalizam, corta-os e atira-os para longe de ti", obviamente que não devemos tomar essas palavras ao pé da letra, pois, regra geral, a letra é morta e o que realmente importa é o seu real significado.

Kardec explica que: “... significa simplesmente a necessidade de destruirmos em nós todas as causas de escândalo, ou seja, do mal. É necessário arrancar do coração todo sentimento impuro e toda tendência viciosa.” (ESE, VIII, item 17).

O Espiritismo, trazendo a chave para a compreensão de muitas passagens do Evangelho, mostra-nos que todos os ensinamentos de Jesus representam a moral por excelência, pois, embora as palavras tenham sido fortes para se adequarem a época em que foram pronunciadas, seu significado sublime permanece, basta que nós o procuremos.

A ORAÇÃO EM COMUNIDADE

“Em verdade ainda vos digo: se dois de vós estiverem de acordo na terra sobre qualquer coisa que queiram pedir isso lhes será concedido por meu Pai que está nos céus. Pois onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, ali estou eu no meio deles.” (Mt 18:19-20).

Nestas palavras inesquecíveis e eternas de Jesus, repousamos nossa esperança em podermos estar sempre próximos ao Mestre.

Quando buscamos o caminho do Bem, pela lei de sintonia, aproximamo-nos daqueles com que temos afinidade e também buscam trilhar uma senda baseada em valores morais.

Ainda pela lei de sintonia, quando perseveramos no Bem, tomamo-nos receptivos aos Bons Espíritos que, reconhecendo nosso esforço, auxiliam-nos a superar todas nossas dificuldades.

Esse auxílio, obviamente, não é para nos eximir de passar pelas provações, até porque isso em nada nos beneficiaria, pois é através das dificuldades que crescemos, mas, esse auxílio, é para nos inspirar fé e coragem para avançarmos.

Quando ingressamos, então, nesse caminho novo, alicerçado nas lições do Evangelho, começamos a formar novos grupos de trabalho, grupos de amigos... todos voltados a prática do Bem.

Nesse momento, então, nossa vida transforma-se, começamos a dar passos mais vigorosos. E quando a meditação e a prece começam a fazer parte de nossa rotina, avançamos ainda mais.

Dois ou mais, unidos em pensamento e em nome de Jesus, serão sempre ouvidos e acompanhados pelo Mestre Maior.

Sim! Jesus, nosso Irmão Maior e nosso Mestre sempre nos acompanhará quando nosso compromisso for com o Bem e a Verdade. Oremos e confiemos em Jesus!

QUESTÃO REFLEXIVA:

De acordo com nossas possibilidades, que ações fraternas devemos fazer para alcançar o “Reino dos Céus”?

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quinta-feira, 11 de maio de 2017

6ª Aula Parte B – CURSO APRENDIZES DO EVANGELHO 2º ANO – FEESP

Não Se Pode Servir a Dois Senhores

MERCADORES DO TEMPLO

“E entrando no Templo, começou a expulsar os vendedores, dizendo-lhes: ‘Está escrito: Minha casa será uma casa de oração. Vós, porém, fizestes dela um covil de ladrões!’." (Lc 19:45-46).

Os homens, em todos os tempos, buscaram adorar a Deus de diferentes formas. Para isso, pensaram ser necessário construir uma casa de oração onde pudessem reunir-se e se aproximar mais da Divindade. O povo hebreu tinha no Templo de Jerusalém a sua casa de adoração, e era da lei judaica a obrigatoriedade de comparecimento, em determinadas ocasiões, onde eram celebradas datas importantes para os hebreus, relacionadas à sua vida religiosa.

Na vida religiosa dos judeus, destacavam-se rituais com sacrifícios de bois, cordeiros, pombas, rolinhas, que eram obrigatórios de acordo com o acontecimento da vida do indivíduo ou da festividade a ser comemorada. Por exemplo, na purificação da mulher após o parto, na circuncisão, na festa da Páscoa.

Esses sacrifícios eram intermediados pelos sacerdotes, que praticavam o holocausto do animal, ou seja, a queima do animal sobre o altar, ofertando-a a Deus. Os animais eram geralmente adquiridos dentro do próprio Templo, onde eram vendidos por um preço estipulado pelos sacerdotes, podendo aumentar conforme a ocasião.

Jesus nasceu no seio do povo hebreu e foi criado dentro das tradições judaicas; com certeza conhecia e respeitava sobremaneira a religiosidade do povo e a sua maneira de exteriorizá-la. Mais do que ninguém, sabia que tanto o indivíduo quanto a coletividade expressam sua religiosidade de acordo com seu nível evolutivo.

Portanto, a sua severa reprimenda, à condenação que nos chega através do relato evangélico, relaciona-se ao abuso, ao excesso de mercantilismo, de comercialização que existia no Templo, e que desviava do verdadeiro sentimento religioso.

A busca da espiritualização, a necessidade da ligação do indivíduo a Deus estava sendo ofuscada pela materialidade que regia as relações comerciais no Templo, e Jesus chamou a atenção para o fato a fim de que isto não mais passasse despercebido, nem naquele momento, nem em nenhum outro.

Jesus demonstrava, assim, a necessidade de nos mantermos atentos com a comercialização das coisas sagradas, pois a nossa relação com Deus deve ser uma relação essencialmente espiritual, íntima, sem a necessidade de intermediários, como nos ensina a Doutrina dos Espíritos.

Devemos precaver-nos para não nos deixarmos contaminar por preceitos materiais, que jamais serão capazes de substituir a veracidade e a beleza da nossa ligação com Deus.

Conforme ensinou Jesus à mulher samaritana: “Mas vem a hora - e é agora - em que as verdadeiros adoradores adorando o Pai em espírito e verdade, pois tais são os adoradores que o Pai procura.” (Jo 4:23), ou seja, o verdadeiro templo de adoração ao Pai é no interior de cada um de nós.

O TRIBUTO A CESAR

“Então os fariseus foram reunir-se para tramar como apanhá-lo por alguma palavra. E lhe enviaram as seus discípulos, juntamente com os herodianos, para lhe dizerem: ‘Mestre, sabemos que és verdadeiro e que, de fato, ensinas o caminho de Deus. Não dás preferência a ninguém, pois não consideras um homem pela aparência. Dize-nos, pois, que te parece: é lícito pagar imposto a Cesar ou não? ’Jesus, porém, percebendo a sua malicia, disse: ‘Hipócritas! Por que me pondes a prova? Mostrai-me a moeda do imposto. ’Apresentaram-lhe um denário. Disse ele: ‘De quem é esta imagem e a inscrição? ’Responderam.' ‘De César". Então lhes disse: ‘Dai, pois, o que é de César a César; e o que é de Deus, a Deus’. Ao ouvirem isso, ficaram surpresos e, deixando-o, foram-se embora”. (Mt 22:15-22).

Para que possamos melhor compreender esta passagem evangélica, devemos lembrar-nos que a Palestina, na época de Jesus, encontrava-se sob o domínio do Império Romano. Devido a esse domínio, o povo judeu era obrigado a pagar uma serie de impostos a Roma, o que desagradava profundamente a todo o povo.

A classe sacerdotal judaica, uma vez mais, questionava Jesus de modo a colocá-lo em posição difícil. Caso Jesus dissesse algo contra o pagamento do tributo, o imposto a César, seria tachado de subversivo, de rebelde, e poderia ser indiciado junto às autoridades romanas; caso dissesse algo a favor, estaria afrontando a tradição judaica que repudiava o pagamento de impostos a povos invasores.

Jesus, porém, conhecia bem o que ia nos corações daqueles que buscavam apanhá-lo nessa cilada. Utilizando-se da sabedoria que lhe era peculiar, perguntou aos fariseus de quem era a imagem e a inscrição na moeda. Aos responderem que era de César, deram a Jesus a oportunidade de ensinar o respeito devido as Leis da sociedade humana e as Leis de Deus, colocando as coisas em seu devido lugar.

Como nos adverte Kardec em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, cap. XI, item 7: “Esta máxima: ‘Dai a César o que é de César’ não deve ser entendida de maneira restritiva e absoluta.” (...) “Condena todo prejuízo moral e material causado aos outros, toda a violação dos seus interesses, e prescreve o respeito aos direitos de cada um, como cada um deseja ver os seus respeitados. Estende-se ao cumprimento dos deveres contraídos para com a família, a sociedade, a autoridade, bem como para todos os indivíduos.”

Temos, como cidadãos do mundo material, o compromisso de cumprirmos as nossas obrigações perante as Leis que nos regem neste mundo, mesmo que as Leis ainda sejam imperfeitas.

Como nos ensina Emmanuel, em sua obra ‘Pão Nosso’, lição n° 102: “Se há erros nas leis, lembremos a extensão de nossos débitos para com a Previdência Divina e colaboremos com a governança humana, oferecendo-lhe o nosso concurso em trabalho e boa-vontade, conscientes de que desatenção ou revolta não nos resolvem os problemas”.

O respeito às Leis Divinas inicia-se com o respeito que temos pelo nosso próximo. As virtudes da obediência e da resignação são fundamentais para que possamos, através do consentimento da razão e do coração, submetendo-nos a Vontade do Pai Criador e buscarmos viver de acordo com os preceitos que regem todas as criaturas e toda a Criação.

A regra básica para que possamos nos relacionar uns com os outros, dentro dos ensinamentos evangélicos, foi-nos dada pelo Mestre, quando nos orientou que procurássemos fazer aos outros o que gostaríamos que nos fizessem. Dessa maneira, colocando-nos no lugar do outro, vamos aprendendo a nos respeitar e a nos amar, de acordo com o Maior Mandamento.

NÃO SE PODE SERVIR A DOIS SENHORES

“Ninguém pode servir a dois senhores. Com efeito, ou odiará um e amará o outro, ou se apegará ao primeiro e desprezará o segundo. Não podeis servir a Deus e ao Dinheiro.” (Mt 6:24).

Quando buscamos um novo rumo para nossa vida, sempre precisamos fazer muitas escolhas. Quando, em especial, buscamos as lições de Jesus e procuramos segui-las, muitas são as mudanças que devemos implementar.

Dessa forma, quando desejamos buscar a transformação interior, precisamos abandonar muitos hábitos antigos. Mais que isso, precisamos renunciar a determinadas coisas, determinadas posições, que não nos são mais adequadas.

A perseverança e a dedicação em se renovar, não obstante todo o esforço empreendido conduz a satisfação daquele que pauta sua vida nos valores morais.

Nesta passagem, Jesus adverte-nos sobre a importância de escolhermos a quem devotamos a nossa fidelidade, a nossa prioridade enquanto seres imortais que caminham rumo à perfeição relativa. Isso porque há uma impossibilidade em seguir caminhos cujos objetivos são diversos.

Para servir a Deus são necessárias as virtudes da abnegação, da humildade, da compaixão que nos permitem sentir a dor de nosso semelhante e despertam a nossa vontade de auxiliar, de aliviar, de consolar; por outro lado, quando se opta em servir exclusivamente ao dinheiro, o indivíduo acaba por se tomar egoísta e ganancioso, não se importando com seus semelhantes.

A riqueza material, por si só, temos que frisar, não é obstáculo absoluto a salvação dos que a possuem, eis que ela é um dos instrumentos de que se serve a Previdência Divina para impulsionar o progresso humano. Contudo, o excesso de apego às riquezas pode conduzir a avareza, a insensibilidade e ao orgulho.

O apóstolo Paulo, em sua Primeira Carta a Timóteo, cap. 6, versículo 10, esclarece: “Porque a raiz de todos os males é o amor ao dinheiro, por cujo desenfreado desejo alguns se afastaram da fé, e a si mesmos se afligem com múltiplos tormentos”.

A cobiça, tal é sua reprovação perante as Leis de Deus, que sua prática já é condenada no Decálogo: “Não cobiçarás...”.

Podemos lembrar também que, dentre todos os ensinamentos dos antigos profetas hebreus, a ganância sempre foi considerada reprovável diante de Deus.

Sendo assim, compreendemos que para realmente servirmos a Deus temos que cultivar o desapego e praticar a caridade desinteressada.

Especialmente a nós, Aprendizes do Evangelho, cabe-nos a busca do aprimoramento para nos tornarmos bons servidores.

“Servir é a honra que nos compete.” - Emmanuel.

QUESTÃO REFLEXIVA:

Como podemos nos tornar melhores servidores da causa do Mestre?

Bibliografia
- A Bíblia de Jerusalém.
- Kardec, Allan - A Gênese - Ed. FEESP.
- Kardec, Allan - O Livro dos Espíritos - Ed. FEESP.
- Kardec, Allan - O Evangelho Segundo o Espiritismo - Ed. FEESP.
- Xavier, Francisco C./Emmanuel - Pão Nosso.


Fonte da imagem: Internet Google.

terça-feira, 9 de maio de 2017

6ª Aula Parte A – CURSO APRENDIZES DO EVANGELHO 2º ANO – FEESP

Jesus, A Lei e os Profetas

Jesus e a Tradição dos Antigos

OS SÃOS NÃO PRECISAM DE MÉDICO

“Aconteceu que estando ele a mesa em casa, vieram muitos publicanos e pecadores e se assentaram à mesa com Jesus e seus discípulos. Os fariseus, vendo isso, perguntaram aos discípulos: ‘Por que come o vosso Mestre com os publicanos e os pecadores?’ Ele, ao ouvir o que diziam, respondeu: ‘Não são os que tem saúde que precisam de médico, e sim os doentes. Ide, pois, e aprendei o que significa. Misericórdia quero, e não o sacrifício. Com efeito, eu não vim chamar justos, mas pecadores’.” (Mt 9:10-13).

Os fariseus, como sabemos, sempre buscavam encontrar um meio de acusar Jesus. Assim, procuravam fazê-lo cair em alguma contradição em relação à Lei Mosaica.

Nesta passagem vemos os fariseus questionarem aos discípulos por que Jesus comia com os pecadores.

Mas quem seriam estes supostos pecadores?

Inicialmente, podemos lembrar que Moisés, que nos trouxe os Dez Mandamentos, inaugurando uma nova era espiritual para a Humanidade, chamava de infiéis a todos aqueles que não observavam as Leis de Deus.

Esse conceito, porém, deturpou-se com o passar do tempo, e os Doutores da Lei, na época de Jesus, negligenciaram as Leis Divinas e se apegando as regras exteriores e aos ritualismos religiosos, acabaram por designar como pecadores aqueles que não cumpriam essas regras e não praticavam esses rituais.

Em consequência dessas convicções, ou seja, de considerar como pecado as violações as regras exteriores, chamavam de pecadores a muitas pessoas, como os publicanos, que eram os cobradores de impostos; os samaritanos, eis que tinham regras próprias em relação a religião; e muitos outros que viviam a margem da sociedade.

Devemos esclarecer a esta altura que o termo “pecado” não é acolhido pela Doutrina dos Espíritos, pois é um conceito das doutrinas dogmáticas, que pregam as penas eternas.

O Espiritismo, no entanto, vê cada uma das imperfeições humanas como decorrentes da ignorância espiritual. Essas faltas, portanto, não resultam em condenação eterna, pois a cada nova existência o Espírito vai se depurando e se aperfeiçoando.

Ressalvamos que o conceito de pecado trazido pelas doutrinas dogmáticas modernas é, em certo aspecto, diferente das crenças dos judeus à época de Jesus, assim como outros conceitos que eram um tanto obscuros, como a reencarnação então chamada de ressurreição.

Retomando a passagem que analisamos, que nos desperta reflexões sobre a verdadeira postura fraterna, vemos que Jesus, ao contrário dos fariseus, dirigia seus ensinamentos a todos, sem exceções. O Mestre aproveitava todas as oportunidades para ensinar e vivenciar as suas lições, e assim convivia tanto com os Doutores da Lei, bem como com aqueles que eram considerados pecadores, pois “os sãos não precisam de médico”.

Nestas palavras encontramos a essência do Cristianismo: consolar e auxiliar os mais necessitados, os que se sentem deserdados, os ignorantes, e todos aqueles que buscam o conhecimento, buscam um caminho de espiritualização, em uma palavra: buscam a Luz.

Neste simbolismo de médico e doente, podemos imaginar: o que seria se um médico, que tem a função de atender os doentes do corpo, não atendesse aqueles que o procurassem, ou ainda, se fizesse distinções entre um e outro doente, rejeitando os mais enfermos?

Da mesma forma, podemos perguntar: o que seria se um cristão, que optou por vivenciar as lições de Jesus, não acolhesse os sofredores, não amparasse os necessitados, não consolasse os aflitos e os que choram?

Esse cristão, podemos afirmar, não teria compreendido os ensinamentos do Mestre.

Jesus convida-nos, assim, a exercer a caridade verdadeira, sem qualquer discriminação, e a todos acolher, em qualquer tempo e lugar.

JESUS É O SENHOR DO SÁBADO

“Por esse tempo, Jesus passou, num sábado, pelas plantações. Os seus discípulos, que estavam conforme, puseram-se a arrancar espigas e a comê-las. Os fariseus, vendo isso disseram: ‘Olha só! Os teus discípulos a fazerem o que não é lícito fazer num sábado!' Mas ele respondeu-lhes: ‘Não lestes o que fez Davi e seus companheiros quando tiveram fome? Como entrou na Casa de Deus e como eles comeram os pães da proposição, que não era lícito comer nem a ele, nem aos que estavam com ele, mas exclusivamente aos sacerdotes? Ou não lestes na Lei que com seus deveres sabáticos os sacerdotes no Templo violam o sábado e ficam sem culpa? Digo-vos que aqui esta algo maior do que o Templo. Se soubésseis o que significa: Misericórdia é que eu quero e não sacrifício, não condenaríeis os que não têm culpa. Pois o Filho do Homem é senhor do sábado’.” (Mt 12:1-8).

A regra de observação ao dia do sábado está contida nos Dez Mandamentos. Foi instituída pela necessidade de se ter um dia para se dedicar ao culto religioso, e ainda para o descanso dos servos, assim como dos animais que precisavam de um dia de repouso.
Podemos ressaltar que, especialmente em relação à dedicação ao culto religioso, esse dia fazia-se necessário, pois os hebreus, quando deixaram o Egito, tinham incorporado muitos dos costumes daquela terra e se mostravam muito apegados aos valores materiais. Era preciso, então, estipular um dia para que, com a família reunida, fosse realizado o culto a Deus.

Essa convenção, de certa forma, foi mantida até nossos dias, pois é comum, em quase todas as sociedades, destinar-se um dia para o descanso do trabalho, bem como, em algumas religiões, estipular-se um dia especial para o culto religioso.

No entanto, tal instituto - o sábado ou outro dia que se designar - não pode ser tomado em absoluto, e ser obstáculo para o exercício da verdadeira religiosidade.

Eis, a propósito, o motivo do ensinamento de Jesus em relação ao sábado.

Em “A Gênese”, cap. XV, item 23, Kardec ressalta que: “Jesus parecia empenhar-se em operar suas curas no dia do sábado, para ter ocasião de protestar contra o rigorismo dos fariseus quanto a guardar o sábado de qualquer atividade. Queria lhes mostrar que a verdadeira piedade não consiste na observância das práticas exteriores e das coisas formais, mas está nos sentimentos do coração. Justifica-se dizendo: ‘Meu Pai não cessa de agir até o presente, e atuo também incessantemente’; isto é, ‘Deus não suspende de nenhum modo suas obras nem sua ação sobre as coisas da Natureza, no dia de sábado; Ele continua ordenando produzir o que é necessário a vossa alimentação e a vossa saúde, e sou o exemplo d’Ele.'.”

Nesta síntese do codificador, vemos que o apego a letra não representa o verdadeiro cumprimento a Lei Divina, mas a verdadeira observância reside, como asseverou Kardec, nos atos derivados dos sentimentos do coração, ou seja, a compaixão, a piedade, a misericórdia.

Eis porque Jesus disse: “Misericórdia é que eu quero e não sacrifício”.

Muitas vezes, nós desperdiçamos grandes oportunidades de elevação espiritual por estarmos muito apegados as convenções humanas. Nesse sentido, Emmanuel, na obra “Pão Nosso”, lição no 30, instruí-nos: “As convenções definem, catalogam, especificam e enumeram, mas não devem tiranizar a existência. Lembra-te de que foram dispostas no caminho a fim de te servirem. Respeitas, na feição justa e construtiva; contudo, não as convertas em cárcere.”

MÃOS LAVADAS OU TRADIÇÃO DOS ANTIGOS

“Nesse tempo, chegaram-se a Jesus fariseus e escribas vindos de Jerusalém e disseram: ‘Por que os teus discípulos violam a tradição dos antigos? Pois que não lavam as mãos quando comem’. Ele respondeu-lhes: ‘E vós, por que violais o mandamento de Deus por causa da vossa tradição? Com efeito, Deus disse: Honra pai e mãe e aquele que mal disser pai ou mãe certamente deve morrer. Vós, porém, dizeis: Aquele que disser ao pai ou à mãe ‘Aquilo que de mim poderias receber foi consagrado a Deus’, esse não está obrigado a honrar pai ou mãe. E assim invalidastes a Palavra de Deus por causa da vossa tradição. Hipócritas! Bem profetizou Isaias a vosso respeito, quando disse: Este povo me honra com os lábios, mas o coração está longe de mim. Em vão me prestam culto, pois o que ensinam são apenas mandamentos humanos’.” (Mt 15:1-9).

Nesta outra passagem, uma vez mais, encontramos os fariseus questionando as posturas dos discípulos de Jesus, alegando que eles estariam violando a tradição dos antigos.

Jesus, que conhecia suas intenções e seus atos, desmascarava-os, lembrando-os que eles transgrediam os Mandamentos de acordo com as suas conveniências, como em relação ao dever de honrar pai e mãe.

Conforme nos ensina Kardec em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, cap. VIII, item 10: “Como era mais fácil observar a prática dos atos exteriores, do que reformar-se moralmente, de lavar as mãos do que limpar o coração, os homens se iludiam a si mesmos, acreditando-se quites com a justiça de Deus, porque se habituavam a essas práticas e continuavam como eram, sem se modificarem, pois lhe ensinavam que Deus não exigia nada mais”.

Aqui, podemos recordar que, dentre as diversas normas e costumes instituídos entre o povo hebreu, muitos eram motivados por necessidades reais de educação e higiene. Dentre esta última, está a de lavar as mãos antes da alimentação.

Esta regra, que nos parece óbvia, não era usual a época, como muitas outras necessárias a higiene. Assim, pois, era preciso estabelecer regras obrigatórias até que o habito se tomasse natural entre eles.

Com o passar do tempo, essa regra de higiene tomou-se um ritual, ao qual se atribuía maior importância do que o cumprimento dos Mandamentos, como vemos na exortação de Jesus.

No entanto, temos que considerar que, na verdade, as práticas exteriores não são mais importantes que a adoração verdadeira, no interior do Ser, que implica em buscar a prática das virtudes e da caridade, como vemos no mesmo item de “O Evangelho Segundo o Espiritismo” acima citado:

“A finalidade da religião é conduzir o homem a Deus. Mas o homem não chega a Deus enquanto não se fizer perfeito. Toda religião, portanto, que não melhorar o homem, não atinge a sua finalidade.”

(...) “Não é suficiente ter as aparências da pureza; é necessário antes de tudo ter a pureza de coração.”

QUESTÃO REFLEXIVA:

Comente os ensinamentos de Jesus: “Os sãos não precisam de médico”.


Fonte da imagem: Internet Google.