CARACTERÍSTICAS BÁSICAS DO ESPÍRITA: PACIÊNCIA, INDULGENCIA, FÉ, HUMILDADE, DIGNIDADE E CARIDADE.

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

17ª Aula Parte A – CURSO APRENDIZES DO EVANGELHO 2º ANO – FEESP

Epístolas Paulinas

1ª Epístola Aos Coríntios

A IGREJA DE CORINTO

Notícias da Espiritualidade

De acordo com a narrativa de Emmanuel, em “Paulo e Estevão”, cap. VII, 2ª parte, Paulo encontrava-se em Atenas, profundamente abatido em função da aridez intelectual que encontrara nos atenienses ante a exposição do Evangelho. Timóteo foi ao seu encontro, carregado de boas notícias, e lhe falou sobre o desenvolvimento da Doutrina Crista em Corinto, bem como da presença de Áquila e Prisca.

Paulo, então, partiu com Timóteo, imediatamente, não só porque Corinto falava-lhe ao coração pelas recordações de Jeziel e Abigail, como porque queria abraçar o casal de amigos, que lhe eram tão queridos.

Paulo permaneceu por quase dois anos em Corinto e fundou a sua amada igreja, com o auxilio de muitos cristãos. A comunidade floresceu, produzindo os mais belos frutos de espiritualidade.

Informações sobre a epístola

A relação de Paulo com esta igreja era a de um pai para com seus filhos. Este amor e dedicação a sua igreja ficaram refletidas em cada exortação, em cada linha de suas epístolas.

Esta primeira epístola foi escrita em Éfeso, no período de 54 a 57 d.C., dirigida a judeus, gregos, escravos e homens livres.

Paulo recebe um grupo vindo de Corinto, entre os quais estavam os familiares de Cloé, e de Apolo, que lhe trazem informações sobre a igreja além de solicitações de esclarecimentos e orientações as várias questões.

O contexto cultural em Corinto ajuda-nos a entender o teor da carta. Corinto era um centro abastado de comércio e viagens marítimas. Tomou-se a 3ª cidade do Império, depois de Roma e Alexandria. Era um lugar de mistura pluralista de culturas, filosofias, estilos de vida e religiões.

Nesta carta, é interessante observar; Paulo faz alusão a uma carta anterior a esta (1 Cor 5:9) de data incerta. Esta carta, contudo, perdeu-se.

Objetivos da 1ª Carta aos Coríntios

Em geral, os estudiosos dividem a Carta em três partes:

- 1ª parte fala das divisões e dos escândalos;

- 2ª parte aborda soluções para problemas diversos;

- 3ª parte aborda o tema da ressurreição dos mortos.

A carta foi escrita em função dos seguintes objetivos:

- Advertir a comunidade sobre condutas e conflitos;

- Esclarecer pontos da Carta anterior;

- Responder questões a cerca de: casamento, celibato, consumo de alimentos sacrificados aos ídolos, comportamento nas reuniões evangélicas;

- Abordar alguns temas fundamentais do Cristianismo: a “ressurreição” e o modo da “ressurreição”, a comunicação com os Espíritos e o amor como o Divino Mandamento.

CONTEUDO

1ª parte - Paulo os exorta a reflexão e à mudança de atitude

“Eu vos exorto, irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo: guardai a concórdia uns com os outros, de sorte que não haja divisões entre vós; sede estreitamente unidos no mesmo espírito e no mesmo modo de pensar.” (1 Cor 1:10).

Paulo aborda a questão da existência de conflitos na igreja, que se encontrava dividida em partidos que se diziam aliados a Apolo, a Pedro, a ele ou ao Cristo. Cada um pretendia ser superior aos demais.

Paulo destaca que isto era fruto de um orgulho e de uma vaidade Injustificáveis, pois ele, Apolo e Pedro eram todos apenas servos de Jesus, assim como todos os membros da comunidade deveriam ser considerados.

Paulo opõe a sabedoria do mundo à sabedoria de Deus. Ao criarem divisões na comunidade, eles estavam agindo consoante os valores do mundo. Ele, Apolo e Pedro eram servidores, cada qual agindo conforme suas potencialidades: um planta, o outro rega, mas é “Deus quem faz crescer”.

A obra de cada um revelara de fato quem é de Deus: “Por conseguinte, ninguém procure nos homens motivo de orgulho...” (1 Cor 3:21).

Diante da soberba de parte dos coríntios, Paulo, esclarece quão diferente é a realidade vivida pelo servo de Cristo, contrapondo a sorte dele, na qualidade de apóstolo, a situação dos coríntios: “Julgo que Deus nos expôs, a nós, apóstolos, em último lugar; como condenados à morte: fomos dados em espetáculo ao mundo, aos anjos e aos homens. Somos loucos por causa de Cristo, vós, porém sois prudentes em Cristo; somos fracos, vós, porém, sois fortes; vós sois bem considerados, nós, porém, somos desprezados. Até o momento presente ainda sofremos fome, sede e nudez; somos maltratados, não temos morada certa e fatigamo-nos trabalhando com nossas mãos. Somos amaldiçoados e bendizemos; somos perseguidos, e suportamos; somos caluniados, e consolamos. Até o presente somos considerados como o lixo do mundo, a escória do universo. (1 Cor 4:9-13).

O apóstolo, na condição de educador de almas, torna-se um exemplo de abnegação para refletir em si mesmo a grandeza das Leis de Deus, num mundo onde a imperfeição moral o expõe a tantos sofrimentos.

Os capítulos 5 e 6 contém advertências e censuras a alguns membros da igreja, sobre certas atitudes como o litígio entre irmãos e a promiscuidade.

Sobre o litígio, Paulo indaga: “Por que não vos deixais antes, defraudar? Entretanto, ao contrário, sois vós que cometeis injustiça e defraudais - e isto contra vossos irmãos!” (1 Cor 6:7-8).

No tocante a prostituição, interroga: “Ou não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo, que está em vós e que recebestes de Deus?’(1 Cor 6;19).

Como templo do Espírito, o corpo possibilita ao Ser atuar no mundo. Entretanto, o corpo, como instrumento, é governado pelo Espírito.

Logo, todas as paixões, os excessos, os vícios, os desejos procedem do Espírito, revelando a predominância da matéria sobre ele.

Lucidamente, Paulo afirma: “Tudo me é permitido, mas nem tudo convém. Tudo me é permitido, mas não me deixarei escravizar por coisa alguma.” (1 Cor 6:12).

É necessário adquirirmos discernimento para realizarmos as nossas escolhas, de forma a nos propiciar maior equilíbrio e paz. Se nos deixamos envolver pelas sugestões de ordem inferior, se não opomos resistência aos desejos de ordem material, tomamo-nos escravos do mal, ou seja, ficamos compromissados com as consequências de nossas escolhas.

Somos livres na semeadura, mas a colheita é obrigatória. Toda ação gera consequências equivalentes. Assim, quando sugestões inferiores alcançam-nos, vale à pena, em favor de nós mesmos, perguntar: Isto me convém?

2ª Parte - Orientações e respostas as questões levantadas pelos coríntios

Do 7° capitulo ao 11°, Paulo responde as perguntas da comunidade, que versam sobre:

• Casamento - deve ser pautado pelo respeito mútuo;

• Celibato - é uma condição que permite ao cristão dedicar-se com mais amplitude as tarefas na Seara de Jesus, mas Paulo recomenda, fortemente, que aquele que sente anseio da comunhão afetiva, que se case;

• Separação - recomenda a reconciliação. Caso a reconciliação não seja possível, que não tomem a se casar. Esta orientação, observemos, está de acordo com o que Jesus disse acerca do divórcio. (Mt 19:1-9).

• Alimentação - é permitido alimentar-se das carnes que foram sacrificadas aos ídolos? Paulo afirma: “Não é um alimento que nos fará comparecer para julgamento diante de Deus: se deixamos de carne; nada perdemos; e, se comemos, nada lucramos.” (1 Cor 8:8). No entanto, adverte que nem todos são esclarecidos. Perante os frágeis, não capazes ainda de compreender o acima exposto, há que lhes respeitar a fragilidade, abstendo-se de fazer algo que possa induzi-los a vacilar na fé.

• A conduta nas reuniões evangélicas - os primeiros cristãos realizavam, após o estudo do Evangelho, uma ceia em comum, em memória de Jesus. Paulo repreende-os pela forma como eles estavam comportando-se na “Ceia do Senhor”, pois cada um se apressava a comer a própria ceia. Como a igreja era composta de pessoas simples e de pessoas mais abastadas, havia quem ficasse embriagado e havia quem passasse fome.

O que significava realizar a ceia em nome do Senhor? Honrar lhe os ensinamentos. No caso, comer o pão e beber o vinho, em nome de Jesus, era uma conclamação a compartilhar, a não fazer distinção entre os pobres e os ricos.

3ª Parte - Os temas fundamentais do Cristianismo

Do 12° capitulo ao 15°, Paulo aborda alguns dos temas fundamentais do Cristianismo, quais sejam: a imortalidade da alma, o corpo da ressurreição (o corpo espiritual), a comunicação com os Espíritos, o amor e a caridade.

O intercâmbio mediúnico era amplamente vivenciado nas igrejas primitivas. Desde o fenômeno ocorrido com os apóstolos, no Pentecostes, Jesus determinara que as vozes do Alto fizessem-se ouvir mais amplamente na Terra, a fim de que a obra de evangelização do mundo, a ser realizada pelos colaboradores encarnados, recebesse a luz da inspiração, do esclarecimento, do consolo, das advertências dos Mensageiros Espirituais.

O capitulo 12 inicia-se com uma advertência contra os falsos profetas da erraticidade, destacando o imperativo do discernimento ante as manifestações dos Espíritos, dizendo:

“Por isso, eu vos declaro que ninguém, falando com o Espírito de Deus, diz: “Anátema seja Jesus”, e ninguém pode dizer: “Jesus é o Senhor”, a não ser no Espírito Santo”. (I Cor 12:3).

Após enfatizar a necessidade de análise e discernimento do conteúdo das comunicações dos Espíritos, Paulo passa a discorrer sobre as diferentes faculdades mediúnicas. Há várias formas de expressar a manifestação dos Espíritos, mas qual deve ser o objetivo das manifestações?

“Cada um recebe o dom de manifestar o Espírito para a utilidade de todos. A um, o Espírito dá a mensagem de sabedoria, a outro, a palavra de ciência segundo o mesmo Espírito; a outro, o mesmo Espírito dá a fé, a outro ainda, o único e mesmo Espírito concede o dom das curas; a outro, o poder de fazer milagres; a outro, a profecia; a outro, o discernimento dos espíritos; a outro, o dom de falar em línguas, a outro ainda, o dom de as interpretar.” (1 Cor 12:7-10).

Há diversidade, porém, não existe nenhuma faculdade superior às outras. Esta colocação de Paulo decorre do fato de haver na igreja de Corinto uma discussão e uma certa inquietação, no sentido de saber qual era o dom mais importante. Então, Paulo utiliza a imagem do corpo, como metáfora, para apoiar a sua argumentação. O corpo é constituído de vários membros, que executam funções diferentes, porém, estão todos interligados, formam um todo, em que um membro não pode prescindir da colaboração dos outros:

“Se o corpo fosse todo olho, onde estaria a audição? (...) Há, portanto, muitos membros, mas um só corpo. não pode dizer o olho à mão: ‘Não preciso de ti’; nem tampouco pode a cabeça dizer aos pés: ‘Não preciso de vós’.” (1 Cor 12:17 e 21).

Ademais, Paulo assinala que todos são membros do corpo de Cristo, e, como tal, todos devem procurar cooperar uns com os outros, em harmonia, segundo as orientações do Mestre.

Cada um é chamado a atuar na Seara do Senhor, segundo aquilo que pode produzir. Nem todos têm as mesmas faculdades, nem todos são doutores. Mas, seja qual for o campo de trabalho que compete ao servidor de Jesus, que o exerça com amor.

As aspirações humanas no tocante a aquisição desta ou daquela faculdade são legitimas, no entanto, todos devem aspirar acima de tudo o desenvolvimento da potencialidade de amar e servir, sem o que qualquer faculdade de que a alma é portadora, manifesta-se de forma imperfeita e incompleta.

No capitulo 13, Paulo exorta os cristãos a colocar como aspiração máxima, o desenvolvimento do amor, que se expressa na caridade legitima, pois que o amor verdadeiro conduz o Homem a compaixão, e a compaixão conduz ao desejo de aliviar, socorrer, compreender, perdoar, servir, sem quaisquer interesses pessoais. O amor eleva o Homem a Deus.

“Ainda que eu falasse línguas, as dos homens e as dos anjos, se eu não tivesse a caridade, seria como bronze que soa ou como um címbalo que tine;
Ainda que tivesse o dom da profecia, o conhecimento de todos os mistérios e de toda a ciência, ainda que tivesse a fé, a ponto de transportar montanhas, se não tivesse a caridade, nada seria.
Ainda que distribuísse todos os meus bens aos famintos, ainda que entregasse meu corpo às chamas, se não tivesse a caridade isso nada me adiantaria;
A caridade é paciente, a caridade é prestativa, não é invejosa, não se ostenta, não se incha de orgulho. Nada faz de inconveniente, não procura o seu próprio interesse, não se irrita, não guarda rancor não se alegra com a injustiça, mas se regozija com a verdade. Tudo desculpa tudo crê, tudo espera, tudo suporta. A caridade jamais passará”. (1 Cor 13:1-8).

O que conduz o Homem a Deus? O que torna o Homem melhor? Não é a mediunidade, seja ela qual for, não é o conhecimento da ciência, não é exclusivamente a fé. É o Amor que direciona a ciência para o bem de todos, é o Amor que habilita o médium a ser instrumento do Bem, é o Amor que alimenta a fé para que esta produza frutos, é o Amor que conduz à abnegação, a compaixão que nutre a esperança ante o porvir. Tudo passará, menos o Amor, que é Lei de Deus e o fundamento de nossa evolução espiritual. Nosso conhecimento é limitado, nossas faculdades são incipientes, nossas potencialidades são ainda esperança.

Após reiterar seus esclarecimentos sobre a mediunidade, Paulo aborda a faculdade mediúnica da xenoglossia, que é a faculdade que permite que o médium fale em línguas estranhas a ele. Ela só é útil se puder ser traduzida por alguém, pois a palavra deve falar a inteligência e ao coração, para edificar a todos.

Enfatiza a importância do discernimento, da harmonia, da ordem, da disciplina nas reuniões, atribuindo ao medianeiro a responsabilidade de governar a sua faculdade mediúnica e impor controle e disciplina aos Espíritos comunicantes: “Os espíritos dos profetas estão submissos aos profetas. Pois Deus não é um Deus de desordem, mas de paz”. (1 Cor 14:32-33).

A imortalidade da alma e o corpo da ressurreição

É no capitulo 15, que Paulo declara, categoricamente, a realidade da “ressurreição”, pois que havia entre eles quem apregoasse que não havia ressurreição dos mortos. Explana aos coríntios sobre o “corpo da ressurreição”.

Aqui, convém lembrar que como diz Kardec em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, no capitulo IV item 4, os judeus: “designavam pela palavra ressurreição o que o Espiritismo chama, mais justamente, de reencarnação”.

Retomando a análise deste capítulo da epístola, vemos que, primeiramente, Paulo concita os irmãos a permanecerem firmes no Evangelho que ele havia anunciado.

Mas que Evangelho? Em suas pregações, Paulo partia da proclamação da imortalidade da alma, convicção que fora proporcionada pela experiência da estrada de Damasco, onde ele viu o Cristo em seu corpo glorioso, o que lhe permitira aceitar a veracidade dos testemunhos acerca das aparições de Jesus após a morte. E a partir destas aparições, que ele relembra aos coríntios, que a imortalidade da alma é o ponto central da fé e da pregação dos apóstolos.

Reafirma que tanto quanto Jesus “ressuscitou”, todos “ressuscitaremos”. A alma é imortal. Aconselha os coríntios a terem cautela com aqueles que utilizam o verbo para semear falsos ensinamentos, pois o verbo é força que exerce influência sobre as criaturas e o verbo desgovernado espalha destruição por onde se manifeste.

“Mas, dirá alguém, como ressuscitam os mortos? Com que corpo voltam? (1 Cor 15:35).

“... semeado corpo corruptível, o corpo ressuscita incorruptível; semeado desprezível, ressuscita reluzente de glória; semeado na fraqueza, ressuscita cheio de força, semeado corpo psíquico, ressuscita corpo espiritual.” (1 Cor 15:42-43).

Que interessante metáfora esta em que Paulo refere-se ao corpo material; sujeito a tantas vicissitudes e desgastes, como o corpo corruptível que, ao morrer, é semeado na terra, propiciando a partida do Espírito que ressurge com seu corpo espiritual.

Como pode a matéria que está submetida a morte (corruptibilidade) adquirir a propriedade da imortalidade (a incorruptibilidade) inerente ao Espírito? O Espírito é imortal. Submetido a Lei da Evolução, haverá um dia em que o Espírito estará liberto da Lei da reencarnação, porque terá adquirido a angelitude, para a qual Deus o criou.

Epílogo

Paulo orienta quanto à coleta realizada em favor da Casa do Caminho, fala de seus planos de ir a Corinto e lá permanecer por um tempo, “se o Senhor o permitir”; convida-os a vigiarem, a serem corajosos firmes na fé e caridosos; envia as saudações de todos os que estavam com ele em Éfeso e se despede dizendo:

“Com todos vós está o meu amor em Cristo Jesus”.

QUESTÃO REFLEXIVA:

Comente: “Tudo me é permitido, mas nem tudo convém.”


Fonte da imagem: Internet Google.

terça-feira, 19 de setembro de 2017

16ª Aula Parte B – CURSO APRENDIZES DO EVANGELHO 2º ANO – FEESP

Epístola De Paulo Aos Filipenses

INTRODUÇÃO

Em Filipos, situada na Macedônia, encontrava-se uma igreja muito amada por Paulo. Foi a primeira igreja fundada por ele na Europa, durante a 2ª viagem missionária. Desde então os laços mais puros e fraternos estabeleceram-se entre Paulo e esta comunidade.

Os corações que ali ele havia conquistado para Jesus testemunharam-lhe verdadeira afeição, enviando-lhe socorro quando ele estava em Tessalônica, e depois, em Corinto. E Paulo escreve justamente para agradecer os novos recursos que lhe foram enviados por Epafrodito.

Sabemos que Paulo estava preso quando escreveu esta carta, mas há duvidas se ele estava em Roma, em Éfeso ou em Cesaréia e, portanto, o ano também é incerto.

É a mais pessoal de todas as suas epístolas. Nela, Paulo discorre sobre a conduta que os cristãos devem ter neste mundo, como “luz a brilhar no meio das trevas”.

CONTEÚDO

Paulo inicia a carta, agradecendo a Deus pela fé frutífera que havia entre eles, pela solidariedade que eles manifestaram para com ele em suas prisões. Expressa o seu imenso afeto, dizendo: “Deus me é testemunha de que vos amo a todos com a ternura de Cristo Jesus.” (Fl 1:8), e coloca que em suas orações a Deus, ele pedia: “... que vosso amor cresça cada vez mais, em conhecimento e em sensibilidade, a fim de poderdes discernir o que é importante, para que sejais puros e irreprováveis no dia de Cristo...” (Fl 1:9-10).

Benefícios proporcionados pelo seu cativeiro, Paulo comenta que as suas prisões e a forma como ele as vivenciava redundaram em beneficio do Evangelho, pois muitos se fortaleceram na fé e passaram a divulgar a Boa Nova com mais coragem. Embora entre estes houvesse quem pregasse Evangelho motivado por inveja, rivalidade, que importava, no entanto, era que o Cristo era anunciado e isto o alegrava sobremaneira.

Interessante notar que hoje, como ontem, nem todos os que falam no Evangelho fazem imbuídos do sincero propósito de levar esclarecimento e consolo aos outros. Muitos o fazem por interesses pessoais: orgulho, vaidade, competitividade, ambição, personalismo. No entanto, a mensagem é divulgada e pode produzir frutos nos corações alheios, ainda que não tenham produzido frutos naqueles que ministram os ensinamentos.

O devotamento incondicional de Paulo a Jesus

“Minha expectativa e esperança é de que em nada serei confundido, mas com toda a ousadia, agora como sempre, Cristo será engrandecido no meu corpo, pela vida ou pela morte. Pois para mim viver é Cristo e morrer é lucro. Mas, se viver na carne me dá ocasião de trabalho frutífero, não sei bem que escolher. Sinto-me num dilema: meu desejo é partir e ir estar com Cristo, pois isso me é muito melhor, mas o permanecer na carne é mais necessário por vossa causa.” (Fl 1:20-24).

De todas as formas, em quaisquer situações, Paulo haveria de engrandecer a Jesus. O “viver é Cristo”, aqui ou no mundo espiritual, é o vivenciar os ensinamentos do Mestre em todos os instantes. O “morrer é lucro”, pois ao partir deste mundo transitório, Paulo iria ao encontro do Mestre. Então se sente num dilema: partir ou permanecer no mundo? O desejo era partir, porém o ficar era mais necessário pela oportunidade de servir a todos. Eis a perfeita compreensão quanto ao aproveitamento das oportunidades que a vida na Terra proporciona-nos a cada dia.

A Terra é escola bendita que enseja múltiplas lições e possibilidades de servir. Feliz daquele que aproveita a benção de cada dia para produzir frutos de amor e paz, pois a colheita será farta!

A humildade de Jesus - modelo para os cristãos

“Tende em vós mesmo sentimento de Cristo Jesus: (...) Tornando-se semelhante aos homens e reconhecido em seu aspecto como um homem e abaixou-se, tornando-se obediente até a morte... Por isso Deus soberanamente o elevou e lhe conferiu o nome que está acima de todo nome...” (Fl 2:5-9).

Esta declaração resume o pensamento de Paulo sobre a condição de Jesus. Não obstante a sua condição de Espírito Puro, Jesus veio até nós e se fez servo de todos. Em tudo agia conforme a vontade de Deus; humilhou-se e se apagou para que o Homem se elevasse da “terra para o céu”.

Jesus é modelo. Em sua grandeza jamais fez distinção entre as pessoas, compartilhou conosco a condição de humanidade, amou-nos incondicionalmente. E, para nós, se porventura desejarmos ser superiores aos outros, lembremos a exortação de Jesus: “No Reino do Céu, o maior é aquele que se fizer menor de todos.” Da humildade brota a fraternidade, a união e a concórdia.

Eis o apelo de Paulo: “... pondo-vos acordes no mesmo sentimento, no mesmo amor numa só alma, num só pensamento, nada fazendo por competição e vanglória, mas com humildade, julgando cada um os outros superiores a si mesmo, nem cuidando cada um só do que é Seu, mas também do que é dos outros.” (Fl 2:2-4).

O convite à ação no bem com alegria

“Fazei tudo sem murmurações nem reclamações. ”(Fl 2: l4).

O que é murmurar? É falar, em voz baixa, consigo mesmo ou com alguém, em geral, tecendo comentários negativos, criticas, queixumes.

E o que é reclamar? Falar em alto e bom som contra tudo aquilo que nos desagrada ou nos contraria.

Ambos são verbos que expressam estados de alma negativos, pois implica que estamos realizando algo a contragosto. Ambos conduzem à maledicência, a rebeldia, a inquietação, e podem influenciar outros corações.

Muitas vezes, mesmo entre os tarefeiros, surgem murmúrios e reclamações. Ora, como procedermos assim quando estamos no desempenho de nossas tarefas perante Jesus? Não estaríamos sendo ingratos para com aquele que nos permite trabalhar em prol de nossa melhoria?

Jesus não impõe a ninguém a condição de servidor. Ele faz-nos um convite, deixando ao nosso livre-arbítrio a decisão de aceitarmos ou não. Caso digamos: “Sim, Jesus, eu irei”, que o façamos com alegria e amor, renovando a cada dia o nosso sim, para que o amor de servir presida-nos as ações.

Seríamos chamados para semear desanimo ou para semear otimismo, alegria e esperança?

Portanto: “Fazei tudo sem murmurações nem reclamações, para vos tornardes irreprováveis e puros, filhos de Deus, sem defeito, no meio de uma geração má e pervertida, no seio da qual brilhais como astros no mundo, mensageiros da Palavra de Vida.” (Fl 2:14-16).

Ser mensageiro da palavra da vida é irradiar a luz do amor, falando através dos exemplos do coração.

O caminho da redenção

No capitulo 3, a exemplo de outras cartas, Paulo faz advertências contra os falsos “circuncidados” e salienta a necessidade de se manter firme no esforço de caminhar na luz do Evangelho, em direção a Jesus. “Cuidado com os cães, cuidado com os maus operários, cuidado com os falsos circuncidados.” (Fl 3:2).

Paulo referia-se mais uma vez aos ‘judaizantes’, chamados por ele de maus operários, pois espalhavam perturbação e confusão entre os cristãos.

Em todos os tempos, encontramos os adversários do Bem. Ontem, Paulo lutava contra os ‘judaizantes’. Hoje, os maus obreiros continuam a agir em todas as religiões, constituindo-se em instrumentos das sombras: aqui é alguém que incita os outros a revolta, ali é aquele que tudo critica, mais além é aquele que desencoraja tarefas e tarefeiros, que espalha maledicência... São muitos, assim, que descuidam de si mesmos e através de suas ações revelam quão distantes encontram-se da prática do Evangelho.

Prosseguindo na defesa do Evangelho, Paulo esclarece que a verdadeira circuncisão é a do coração e não a da carne, pois é através do coração que o Homem presta culto a Deus e não através de preceitos exteriores. Aliás, diz ele, se fosse para confiar nas exterioridades, ele, pelos títulos conquistados, pela origem, pelo zelo que demonstrara com a Lei, teria muito mais motivos para se considerar justo pelas obras da lei. Mas tudo isto ele deixara para trás por amor a Jesus Cristo.

Qual era o objetivo de sua vida, qual o alvo para o qual ele marchava dia após dia?

Viver em Cristo, para Cristo, em direção ao Cristo!

“Não que eu já tenha alcançado ou que já seja perfeito, mas prossigo para ver se o alcanço, pois que também já fui alcançado por Cristo Jesus.” (Fl 3:12).

Desde o momento em que Jesus chamou-o, ele traçou um alvo, o de servi-lo: “Irmãos, não julgo que eu mesmo tenha alcançado, mas uma coisa digo: esquecendo-me do que fica para trás e avançando para que está diante, prossigo para o alvo...” (Fl 3:13-14).

Embora ele chorasse muitas Vezes ante as lembranças amargas que o assaltavam, ou se defrontasse com as consequências de seus feitos antes da estrada de Damasco, ele não ficou prisioneiro do passado, paralisado pelo remorso. Convicto do quanto lhe cabia construir na seara do Mestre, ele assumiu o compromisso de servir a causa do Bem, com toda a força de sua alma. Em cada dia, em cada minuto estava a postos para semear onde Jesus o convocasse. Não havia obstáculos. Não havia a ocasião certa, pois todo minuto era minuto de fazer o bem. O tempo chamado “hoje” era o tempo por excelência.

Que exemplo expressivo a ser seguido! Sim, porque todos nós temos um passado de sombras. Erros, equívocos fazem parte de nossa caminhada. Quando nos aproximamos de Jesus, compreendendo suas lições, olhamos o que fomos até então e sentimo-nos arrependidos de tantas coisas! O que fazer?

A resposta de Paulo é clara: valorizar o tempo da construção, o hoje, e caminhar na construção do futuro. Quanto ao passado, que possamos consultá-lo para que as experiências propiciem-nos discernimento no uso do livre arbítrio. Mas compreendamos, no presente, não só a oportunidade de darmos um passo em direção ao alvo, mas também de reparar o ontem.

Como assinala Emmanuel, na lição 50, em “Fonte Viva”: “Na estrada cristã, somos defrontados sempre por grande numero de irmãos, que se aquietaram à sombra da improdutividade, declarando-se acidentados por desastres espirituais”.

‘Esqueçamos todas as expressões inferiores do dia de ontem e avancemos para os dias iluminados que nos esperam’- eis a essência de seu aviso fraternal a comunidade de Filipos. Centralizemos nossas energias em Jesus e caminhemos para diante.

“Ninguém progride sem renovar-se”.

Conselhos e agradecimentos

“... ocupai-vos com tudo o que é verdadeiro, nobre, justo, puro, amável, honroso, virtuoso ou que de qualquer modo mereça louvor. O que aprendestes e herdastes, o que ouvistes e observastes em mim, isso praticai. Então o Deus da paz estará convosco”. (Fl 4:8-9).

Paulo termina a carta, agradecendo as dádivas enviadas pelos Filipenses para socorrê-lo em suas aflições.

Em relação aos bens materiais, Paulo faz afirmações que nos traçam um programa excelente para todos que aqui nos encontramos, na condição de usufrutuários dos bens da Terra, destacando a importância do equilíbrio: “... sei viver modestamente, e sei como haver-me na abundância; estou acostumado com toda e qualquer situação: viver saciado e passar fome; ter abundância e sofrer necessidade”. (Fl 4:12).

Assinala Emmanuel, no livro “Caminho, Verdade e Vida”, lição 29, que: “Raras pessoas se contentam com material recebido para a solução de suas necessidades, raríssimas pedem apenas o Pão de cada dia, como símbolo das aquisições indispensáveis. Geralmente, permanece absorvido pelos interesses perecíveis, insaciado, inquieto, sob o tormento angustioso da desmedida ambição”.

De fato, se os recursos são escassos para a solução de suas necessidades, o Homem, em geral, revolta-se contra Deus. Se os recursos são abundantes, em geral, o Homem caminha distraído quanto às finalidades da vida. No entanto, a penúria e a abundancia são condições passageiras que oferecem excelente material educativo com vistas à aquisição de valores imperecíveis.

Quando o pensamento de Paulo expressar a nossa própria convicção, a fé que depositarmos em Jesus tornar-se-á mais importante que a nossa fragilidade. Identificaremos a nossa fraqueza, mas avançaremos porque confiaremos em Jesus.

“Tudo posso naquele que me fortalece.” (Fl 4:13).

QUESTÃO REFLEXIVA:

Comentar: “nada faças por contenda ou por vanglória, mas por humildade”.

Bibliografia
- A Bíblia de Jerusalém.
- Kardec, Allan - A Gênese - Ed. FEESP.
- Kardec, Allan - O Evangelho Segundo o Espiritismo - Ed. FEESP.
- Xavier, Francisco C.\Emmanuel - Paulo e Estevão.
- Xavier, Francisco C.\Emmanuel - Caminho, Verdade e Vida.
- Xavier, Francisco C.\Emmanuel - Fonte Viva.
- Xavier, Francisco C.\Emmanuel - Pão Nosso.


Fonte da imagem: Internet Google.

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

16ª Aula Parte A – CURSO APRENDIZES DO EVANGELHO 2º ANO – FEESP

As Epístolas Do Novo Testamento

Introdução

O Novo Testamento é composto pelos quatro Evangelhos, pelo livro profético do Apocalipse e pelo conjunto das epístolas.

Epístolas são cartas que foram escritas por alguns dos apóstolos e seguidores de Jesus, destinadas aos cristãos. São 21 cartas no total: 14 de Paulo, 2 de Pedro, 3 de João, 1 de Judas e 1 de Tiago.

Das 14 cartas de Paulo, 1 foi dirigida às comunidades específicas por ele fundadas; 3 epístolas, chamadas pastorais, foram escritas a Timóteo (2) e a Tito (1); e há, ainda, 1 carta pessoal endereçada a Filêmon.

Muitas cartas que circulavam pela cristandade, e eram atribuídas aos apóstolos, foram catalogadas como apócrifas, ou seja, não foram consideradas autênticas pelos concílios. Exemplos: carta de Paulo aos Laodicenses, correspondência entre Paulo e Sêneca, epístola de Barnabé, carta de Pedro a Tiago.

AS CARTAS DE PAULO

Noticias da Espiritualidade

Paulo, o grande apóstolo dos gentios, tinha uma terna solicitude por todos os núcleos cristãos. Em seu ardor missionário, o intrépido trabalhador, após verificar que as sementes do Evangelho já haviam germinado em terra fértil, partia em demanda de outras terras, como dizia ele, para desbravar caminhos e ensolarar corações com as benesses da Boa Nova.

No entanto, inúmeras solicitações chegavam de suas igrejas amadas, pedindo a sua presença, as suas orientações, os seus conselhos. Importante é ressaltar que Paulo, em seus escritos, refere-se constantemente as igrejas cristãs. Quando usava esse termo “igreja”, em verdade, estava designando as diversas comunidades cristãs que haviam se formado.

Conta-nos Emmanuel, em “Paulo e Estevão”, capitulo VII, 2ª parte, que os assuntos eram urgentes e variados. Os irmãos carinhosos e confiantes contavam com a sua dedicação.

Como atender a todos? Buscava na luz da oração a inspiração necessária... E uma Voz fazia-se ouvir, trazendo-lhe a solução almejada: “Poderás resolver problema escrevendo a todos os irmãos em meu nome; os de boa-vontade saberão compreender porque o valor da tarefa não está na presença pessoal do missionário, mas no conteúdo espiritual do seu verbo, da sua exemplificação e da sua vida. Doravante, Estevão permanecerá mais conchegado a ti, transmitindo-te meus pensamentos, e o trabalho de evangelização poderá ampliar-se em benefício dos sofrimentos e das necessidades do mundo”.

Assim, prossegue Emmanuel, começou o movimento dessas cartas imortais, cuja essência espiritual provinha da esfera do Cristo, através da contribuição amorosa de Estevão.

Embora destinadas às igrejas específicas, seu conteúdo dirige-se aos cristãos de todos os tempos. As epístolas não constituem tratados teológicos; na realidade, são escritos que respondem a situações concretas, fruto das solicitações ou necessidades das igrejas.

No entanto, ao lado das respostas as situações específicas, em todas Paulo abordava os seguintes temas fundamentais:

- a imortalidade da alma, comprovada pela “ressurreição” de Jesus,

- a Lei do Amor, revelada pelo Mestre como caminho para Deus,

- a necessidade da renovação interior como condição essencial para seguir os passos de Jesus.

Do conjunto de 14 epístolas, 9 serão abordadas com mais profundidade, em função da abrangência do programa. Quanto às demais, faremos a seguir uma breve apresentação.

EPÍSTOLA AOS TESSALONICENSES

Paulo escreveu duas epístolas aos Tessalonicenses. Escritas em Corinto, por volta de 51 d.C., foram as primeiras epístolas escritas por Paulo e são, provavelmente, os documentos cristãos mais antigos.

Cartas de Paulo às comunidades pastorais e pessoal:

Tessalonicences 1 e 2

Colossenses

Coríntios 1 e 2

Romanos

Efésios

Gálatas

Hebreus

Filipenses

Timóteo 1 e 2

Tito

Filêmon

Paulo, Silas, Lucas e Timóteo deram os primeiros passos para instituir uma comunidade Crista em Tessalônica, durante a 2ª viagem missionária. Tessalônica era a cidade mais populosa da Macedônia, até o século III d.C.

O tema central das duas cartas decorre de questões levantadas pela comunidade sobre a ‘segunda vinda’ do Cristo e o consequente dia do ‘juízo final’.

Neste ponto, precisamos observar que, especialmente no primeiro século, era corrente a crença que o Cristo retomaria em breve (segunda vinda).

Em ambas as cartas, o conteúdo da resposta de Paulo está em conformidade com o Sermão Profético proferido por Jesus, contido no capitulo 24 do Evangelho de Mateus.

Nestas epístolas, Paulo enaltece a fé que havia entre eles e procura encorajá-los a perseverarem, apesar das tribulações; exorta-os, ainda, a prática do bem e, cada vez mais, a busca do progresso espiritual.

A Primeira Carta

Na comunidade de Tessalônica, o destino daqueles que haviam morrido antes da esperada volta de Jesus havia se tornado uma grande preocupação. Então, nesta 1ª Carta, Paulo procura dissipar essa inquietação.

Primeiramente, Paulo reafirma que a “ressurreição” dos mortos é uma realidade, e, que por ocasião da segunda vinda de Jesus, tanto os que morreram após se renovarem com a mensagem do Cristo, assim como os que estavam vivos e praticando os seus ensinamentos, todos eles se encontrariam com o Mestre e: “assim, estaremos para sempre com Senhor. Consolai-vos, pois, uns aos outros com estas palavras” (I Ts 4:17-18).

Não sabemos quando se dará a vinda de Jesus, diz Paulo: “Portanto, não durmamos, a exemplo dos outros; mas vigiemos e sejamos sóbrios. Quem dorme, dorme de noite; quem se embriaga, embriaga-se de noite. Nós, pelo contrário, que somos do dia, sejamos sóbrios. Revestidos da couraça da fé e da caridade e do capacete da esperança da salvação.” (I Ts 5:6-8).

A Segunda Carta

Após a 1ª epístola, ainda havia certa ansiedade quanto à data em que Jesus viria, a qual se acreditava ser iminente. Este será tema central da 2ª epístola.

“Quanta a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, e à nossa reunião com ele, rogamo-vos, irmãos, que não percais tão depressa a serenidade de espírito, e não vos perturbeis nem por palavra profética, nem por carta que se diga vir de nós, como se o Dia do Senhor já estivesse próximo.” (II Ts 2:1-2).

Importante destacar a recomendação de Paulo quanto à necessidade de analisar o conteúdo das comunicações espirituais à luz dos ensinamentos que ele ministrava (concordes com as revelações de Jesus) e de rejeitar as comunicações espirituais, cujo teor se apresentasse divergente destes ensinamentos.

Quando se daria a vinda do Senhor?

Paulo afirma que a vinda de Jesus será precedida de muitos sinais: ocorrerá o esfriamento da fé e, então, Homem tornar-se-á ímpio, ou seja, descrente e impiedoso. E todos os que se deixarem seduzir pelo ímpio e praticarem a injustiça serão condenados.

Paulo alertava para a necessidade da vigilância em relação àqueles que mesmo produzindo prodígios eram em verdade, falsos profetas.

É importante ressaltar que a linguagem utilizada para descrever a segunda vinda do Cristo e o juízo final é simbólica. Daí o imperativo de tirar véu da letra para interpretar segundo espírito que vivifica, ou seja, buscando a essência espiritual.

O segundo advento do Cristo e juízo final, temas que estão interligados, foram objeto de analise de Kardec em “A Gênese”, capitulo XVII, item 45:

“Jesus anuncia Seu segundo advento, mas não diz que voltará a Terra com um corpo carnal, nem que o Consolador será personificado n’Ele. Ele se apresenta como devendo vir em Espírito, na glória de Seu Pai, julgar mérito e demérito, e recompensar a cada um segundo suas obras, quando os tempos se completarem... ”

E no item 67 afirma:

“A qualificação de juízo final não é exata, já que os Espíritos passam por semelhante tribunal a cada renovação dos mundos que habitam, até que tenham atingido certo grau de perfeição. Não existe, portanto, para falar propriamente, juízo final, mas Existem juízos gerais em todas as épocas de renovação parcial ou total da população dos mundos, em consequência das quais se operam as grandes emigrações ou imigrações de Espíritos”.

EPÍSTOLA AOS GÁLATAS

Logo depois que Paulo fundou as igrejas da Galácia, os chamados “judaizantes” começaram a pregar um evangelho diferente dos ensinamentos de Jesus, semeando confusão e divisão nas comunidades. Os “judaizantes” eram judeus convertidos ao Cristianismo, que preconizavam a necessidade de submeter os gentios a circuncisão e a observância da Lei Mosaica.

Em função disto, Paulo escreveu a epístola aos Gálatas. É uma carta de repreensão, pois parte dos gálatas estavam sendo desleais ao Evangelho ministrado por ele. Nesta Carta, Paulo reafirma sua autoridade apostólica, esclarece uma vez mais os pontos fundamentais do Evangelho e solicita a eles que retomem os seus ensinamentos.

A divisão que vinha ocorrendo não se justificava, pois Jesus abolira a separação que existia entre os homens:

“Não há judeu nem grego, não há escravo nem livre, não há homem, nem mulher; pois todos vós sóis um só em Cristo Jesus.” ( Gl 3:28).

Jesus revelou que o plano da redenção, da “salvação” é para todos, pois Deus não faz distinção entre as pessoas. Com Jesus, compreendemos que se faz necessário libertarmo-nos de crenças antigas, sobretudo a crença de que simplesmente o cumprimento de rituais exteriores pode conduzir Homem a Deus: “Pois, em Cristo Jesus, nem a circuncisão tem valor; nem a incircuncisão, mas apenas a fé agindo pela caridade”. (Gl 5:6; grifo nosso).

Paulo conclama os cristãos a edificação do homem novo pela prática da caridade: “Pois toda a Lei está contida numa só palavra: “Amarás a teu próximo como a ti mesmo.” (Gl 5:14).

EPÍSTOLA AOS COLOSSENSES

Esta epístola foi escrita a igreja de Colossas, no vale do Lico, província da Ásia Menor. Foi escrita de Roma, por volta do ano 61 d.C. Esta comunidade não foi fundada por Paulo, mas graças aos esforços de Epafras, um de seus colaboradores que, visitando Paulo, trouxe-lhe noticias do progresso do Evangelho no vale do Lico. Entretanto, a igreja também sofria a influência de elementos perturbadores, que poderiam subverter Evangelho.

A carta foi escrita em resposta a esta necessidade urgente de orientá-los. A perturbação provinha, uma vez mais, de falsos doutores que, neste caso, estavam misturando a Lei Mosaica e ao Evangelho uma série de crenças originárias do Paganismo, como culto aos anjos e as forças cósmicas, a observância concernente ao calendário com relação às datas de festas, de luas novas, e também sobre regras alimentares, etc.

Esses doutores, assim, referendavam a autoridade dos seus ensinamentos nessas tradições. Eles alegavam que o Homem alcançaria a salvação através da observância a esses preceitos e práticas litúrgicas e místicas.

Paulo afirma que Jesus trouxe a reconciliação entre os homens, ensinando que Amor conduz a Deus:

“Portanto, assim como recebestes a Cristo Jesus Senhor assim nele andai...” (Cl 2:6).

Em relação àqueles que prosseguiam insistindo na necessidade do cumprimento de regras exteriores, Paulo adverte: “Tomai cuidado para que ninguém vos escravize por vãs e enganosas especulações da ‘filosofia’, segundo a tradição dos homens, segundo os elementos do mundo, e não segundo Cristo.” (Cl 2:8).

“Tudo isso está fadado ao desaparecimento por desgaste como preceitos e ensinamentos dos homens.” (Cl 2:22).

Quanto às palavras de Jesus, são palavras de vida eterna. Portanto, que: “A Palavra de Cristo habite em vós ricamente...” (Cl 3:16).

EPÍSTOLA A FILÊMON

A carta foi escrita entre 58 a 61 d.C, em Roma, onde Paulo encontrava-se preso e foi endereçado a Filêmon, abastado cristão de Colossas, Nesta carta, Paulo intercede por Onésimo, escravo de Filêmon, que havia de algum modo lhe causado dano.

De acordo com as leis que regiam a escravidão, Paulo sabia que Onésimo precisava ser devolvido ao seu senhor. Na carta, Paulo implora a Filêmon, que perdoe Onésimo, reconhecendo-o como um irmão na fé e pede que o liberte para que ele pudesse continuar a servir com ele. A pedido de Paulo, a reconciliação entre Filêmon e Onésimo deu-se nos princípios do amor e do perdão.

QUESTÃO REFLEXIVA:

Comente a importância que tiveram as Cartas de Paulo.


Fonte da imagem: Internet Google.

terça-feira, 12 de setembro de 2017

15ª Aula Parte B – CURSO APRENDIZES DO EVANGELHO 2º ANO – FEESP

Paulo, O Apóstolo Dos Gentios

Paulo é uma das figuras mais extraordinárias do Cristianismo nascente. Seu trabalho foi monumental. Após sua conversão ele empenharia todo seu Ser na causa abraçada.

Propagar o Evangelho entre os povos pagãos do ocidente e do oriente seria seu ideal, e para isso Paulo realizará três grandes missões; sairá em jornadas para alcançar terras longínquas, enfrentaria povos bárbaros, populações hostis, autoridades impiedosas e cruéis... Mas não se abateria jamais...

PRIMEIRA VIAGEM MISSIONÁRIA (At 13 e 14)

“Havia em Antioquia, na Igreja local, profetas e doutores: Barnabé, Simeão cognominado Níger; Lúcio de Cirene, e ainda Manaém, companheiro de infância do tetrarca Herodes, e Saulo. Celebrando eles culto em honra do Senhor e jejuando, disse-lhes o Espírito Santo: ‘Separai para mim Barnabé e Saulo, para a obra a qual os destinei ’. Então, depois de terem jejuado e orado, impuseram-lhes as mãos e despediram-nos.” (At 13:1-3).

Por Volta do ano 40 d.C., Paulo, que ainda se chamava Saulo, encontrava-se na igreja (comunidade) de Antioquia, celebrando o culto e jejuando, conforme costume da época.

Durante o culto, ocorre uma manifestação mediúnica, e, então, ouve-se: “Separai para mim Barnabé e Saulo, para a obra à qual os destinei”.

O chamado fora feito. Não havia equívoco. Ali, Paulo recebera sua incumbência: deveriam, ele e Barnabé, seguir para anunciar a Boa Nova a outros povos. João Marcos, o jovem sobrinho de Barnabé, seria seu acompanhante.

Inspirados, felizes por serem convocados a servir o Mestre, iniciariam a primeira viagem apostólica. Seriam momentos marcados pela coragem, pela fé inabalável, pelo exemplo de plena devoção...

O ponto inicial foi à cidade de Antioquia da Síria. Foi nesta cidade, que segundo Emmanuel, Paulo abraçou Tito pela primeira vez. Dali partiriam e percorreriam inúmeras localidades, como: ilha de Chipre, Pafos, Panfília, Antioquia de Pisídia, Listra, e outras.

Em seu itinerário, alguns momentos seriam marcantes. Vejamos alguns deles:

A cura e a conversão do Procônsul Sérgio Paulo

Morava em Pafos o Procônsul Sérgio Paulo. Providencialmente, era o mesmo que havia conhecido Estevão, quando este era um prisioneiro nas Galeras.

Sérgio Paulo há quase um ano, encontrava-se novamente enfermo. Havia um mago judeu, chamado de Barjesus ou Elimas, que vinha lhe assistindo. Era, no entanto, um falso profeta.

Naquele cenário, Paulo e Barnabé, compareceram no palácio, a pedido do Procônsul, e o curaram. Agradecido, Sérgio Paulo converteu-se ao Cristianismo. Foi a partir desse episódio que Saulo adotou o nome romano de Paulo.

A desistência de João Marcos

A certa altura, quando Paulo e Barnabé decidiram dirigir-se para Antioquia de Pisídia, João Marcos desistiu de acompanhá-los e retomou a Jerusalém.

De fato, o caminho dos missionários é cheio de pedras e espinhos. O jovem sobrinho de Barnabé não suportou a aspereza da jornada. Seu momento ainda não havia chegado.

A cura de um coxo

Em Listra, ao encontrar um homem que era coxo de nascença, Paulo, movido por compaixão, e apercebendo-lhe a fé viva, dirigiu-lhe o olhar e lhe disse: “Levanta-te direito sobre teus pés!” (At 14:10); e no mesmo instante, num salto, curado, ele andou.

Aquele mesmo local seria palco de injúrias e agressões ao grande apóstolo. Ele seria apedrejado e expulso da cidade. Mas, pela sua determinação, pela sua fé, isso não o faria desistir de sua missão. Ele iria até o final.

CONCÍLIO DE JERUSALÉM (At 15:1-34)

“Entretanto, haviam descido alguns da Judéia e começaram a ensinar os irmãos: Se não vos circuncidardes segundo a norma de Moisés, não podereis salvar-vos”. Surgindo daí uma agitação e tornando-se veemente a discussão de Paulo e Barnabé com eles, decidiu-se que Paulo e Barnabé e alguns outros dos seus, subiriam a Jerusalém, aos apóstolos e anciãos, para tratar da questão.

Tornando-se acesa a discussão, levantou-se Pedro e disse: ‘Irmãos, vos sabeis que, desde os primeiros dias, aprouve a Deus, entre vós, que por minha boca ouvissem os gentios a palavra da Boa Nova e abraçassem a fé. Ora, o conhecedor dos corações, que é Deus, deu testemunho em favor deles, concedendo-lhes o Espírito Santo assim como a nós. Não fez distinção alguma entre nós e eles, purificando seus corações pela fé. Agora, pois, porque tentais a Deus, impondo ao pescoço dos discípulos um jugo que nem nossos pais nem mesmo nós podemos suportar? Ao contrário é pela graça do Senhor Jesus que nós cremos ser salvos, da mesma forma que eles.

Quando cessaram de falar Tiago tomou a palavra, dizendo: ‘... Eis porque, pessoalmente, julgo que não se devam molestar aqueles que dentre os gentios, se convertem a Deus. Mas se lhes escreva que se abstenham do que está contaminado pelos ídolos, das uniões ilegítimas, das carnes sufocadas e do sangue’. (At 15: 1-20).

Concílio é uma assembleia, uma reunião, convocada para se decidir sobre uma questão doutrinária, sobre um dogma, sobre uma regra que esteja em vigor, sobre um princípio teológico. Ao final dos debates chega-se, então, a um consenso sobre certo assunto, ao qual, de regra, as partes aceitam e se resignam.

Esse Concílio de Jerusalém tinha por objetivo principal a decisão sobre a imposição ou não de costumes judaicos aos recém-convertidos, muitos deles não judeus. Entre esses costumes destacava-se a circuncisão.

A circuncisão é um ritual previsto no Antigo Testamento (Lv 12:3), que devia ser realizado em todas as crianças do sexo masculino, no oitavo dia de vida, e consistia em retirar parte da pele que cobre a glande do órgão genital. Simbolizava a aliança de Deus com Abraão, sendo perpetuada por seus descendentes.

Na época do Cristianismo nascente, duas correntes polarizavam-se. Uma pela manutenção, outra pela não exigência da imposição de tal costume aos novos convertidos.

Neste Concilio, destaca-se a presença ponderada e conciliadora do apóstolo Pedro. Pedro, por certo, ainda trazia consigo a imagem amorosa do Mestre. A inquirição direta, sem subterfúgios: “Pedro, filho de João, tu me amas mais do que estes?” Segue a sua resposta clara e firme: “Sim, Senhor sabes que te amo”. O doce apelo do Mestre chega-lhe aos ouvidos: “Apascenta meus cordeiros”.

E assim, Pedro o fez. Não havia sido nada fácil, desde os primeiros tempos, manter os companheiros unidos diante das cruéis perseguições sofridas. Porém, agora, uma nova tormenta formava-se no horizonte: posições extremadas de amigos tão próximos, tão dedicados a Causa do Mestre. O que fazer?

Paulo havia trazido um novo dinamismo ao Cristianismo; seu verbo enérgico, sua presença magnética, havia vitalizado a Doutrina Redentora. Atraíra um sem numero de pessoas à pregação do Evangelho; vários núcleos cristãos desabrochavam sob seu forte impulso. Mas muitos dos novos cristãos eram gentios, ou seja, não judeus, e não compreendiam, nem aceitavam os costumes judaicos. Paulo defendia o direito dos gentios de não serem obrigados a aceitar costumes, como a circuncisão.

Tiago, por outro lado, era companheiro da primeira hora. Estivera com ele e João desde o inicio, e sua presença, por várias vezes, havia salvado do fechamento a Casa do Caminho. Os judeus simpatizavam com sua postura frente à Lei Mosaica.

Entre os dois amigos, o que fazer? O que o Mestre faria? As palavras de Jesus ressoavam lhe profundamente: ‘Apascenta meus cordeiros’. E desse modo, quando a discussão fazia-se mais acalorada, veio-lhe a inspiração.

Tomando a palavra, ponderou com equilíbrio e moderação: não eram os atos exteriores que determinavam os seguidores do Cristo, mas, sim, o interior purificado, inundado de fé verdadeira que permitia a aceitação pura e simples dos ensinamentos do Mestre! Era por aquilo que ia no coração de cada um deles que seriam reconhecidos como cristãos.

Uma aragem diferente inundou o ambiente. Os ânimos foram apaziguados. Tiago, ao reconhecer no verbo do amigo a inspiração divina, acatou-lhe a sabedoria. Suas condições foram facilmente aceitas: abster-se da adoração a ídolos, de uniões ilegítimas e de se alimentar de animais sufocados.

Nova atmosfera de alegria e fraternidade podia ser sentida. Paulo e Barnabé regozijaram-se: levariam boas notícias aos companheiros! Mais uma vez, Pedro sentiu intensamente a presença do Senhor. Respirou aliviado. A pedido do Mestre continuaria a apascentar os cordeiros...

SEGUNDA VIAGEM MISSIONÁRIA (At 15:36-41;16; 17; 18:1-23)

“Depois de alguns dias, disse Paulo a Barnabé: ‘Voltemos agora a visitar os irmãos por todas as cidades onde anunciamos a palavra do Senhor para ver como estão’. Mas Barnabé queria levar consigo também João, cognominado Marcos, enquanto Paulo exigia que não se levasse aquele que os deixara desde a Panfília e não os acompanhara no trabalho. A irritação tornou-se tal que eles se separam um do outro, Barnabé, pois, tomando Marcos consigo, embarcou para Chipre. Quanto a Paulo, escolheu Silas e partiu, recomendado a graça de Deus pelos irmãos.” (At 15:36-40).

Após o Concílio de Jerusalém, por volta de 47-51 d.C., Paulo e Barnabé dariam inicio a sua 2ª viagem missionária, considerada a sua viagem mais importante. Já havia decorrido algum tempo desde a primeira jornada, quando haviam fundado diversos núcleos cristãos pelos locais por onde passaram. Era preciso retornar para avaliar o progresso daquelas comunidades.

Ao planejarem essa nova viagem, no entanto, ocorre uma divergência de intenções: Barnabé queria, novamente, levar seu sobrinho João Marcos; Paulo discordava, pois não o achava preparado, eis que já havia desistido na primeira viagem. Sendo assim, acabaram tomando rumos diferentes. Contudo, seus objetivos permaneceram os mesmos: anunciar a Boa Nova.

Nessa nova jornada, Paulo, tendo Silas como fiel companheiro, cruzou várias cidades, alcançando, nos extremos, a região da Macedônia. Timóteo e Lucas também participaram desta viagem; percorreram várias cidades até se encontrarem com Paulo e Silas em Tessalônica. Alguns dos episódios mais relevantes são:

• Encontro com Timóteo em Listra

Em Listra, Paulo, segundo Emmanuel na obra já citada, reencontra Timóteo. Instantaneamente, Paulo reconhecera naquele jovem um fervoroso cristão, um futuro e valoroso servidor. Timóteo o acompanharia por toda a jornada e se tornaria um de seus fiéis companheiros por toda a sua vida'.

• A Visão sobre a Macedônia

Quando estava em Trôade, Paulo, durante a noite, tem uma visão: um macedônio, de pé diante dele, pediu-lhe que fosse a Macedônia e os ajudasse. Prontamente, partiram para lá. Neste fato, podemos, claramente, ver a atuação da Providência Divina. Eles, então inspirados, atenderam o chamado.

• Paulo em Atenas

Paulo era um admirador da cultura grega. Sonhava em divulgar o Evangelho naquela magna cidade, um dos berços culturais da Humanidade. Acreditava que entre aqueles homens cultos o Evangelho de Jesus, por sua elevação, seria plenamente aceito. Grande decepção!

Foi rejeitado, tratado com indiferença por uns, zombado por outros. A velha cidade, embora tivesse atingido seu apogeu intelectual, ressentia pela frieza de seus habitantes.

• Paulo em Corinto

Paulo reencontrou em Corinto dois grandes amigos: Priscila e Áquila, que foram seus companheiros atuantes nos três anos em que ele permaneceu trabalhando e meditando no deserto, antes de iniciar a sua missão. Foi em Corinto que Paulo fundou a mais importante de todas as comunidades cristãs por ele estabelecidas; lá permaneceu durante dezoito meses.

Concluindo sua viagem, ele retornou a Antioquia da Síria, passando, entre outras cidades, por Éfeso, Cesaréia e Jerusalém. O grande apóstolo havia trazido contribuições monetárias a Casa do Caminho que se encontrava em sérias dificuldades; entregou-as a Simão Pedro, que as recebeu emocionado. Paulo relatou sua jornada aos apóstolos, que ficaram exultantes: a Doutrina do Cristo florescia!

TERCEIRA VIAGEM MISSIONÁRIA (At 18:23-28; 19; 2; 21:1-19)

“Passado algum tempo, partiu de novo e percorreu sucessivamente a região da Galácia e da Frigia, confirmando todos os discípulos.” (At 18:23)

Era o ano de 52, Roma prosseguia soberana, o Imperador era Cláudio, e Israel continuava subjugada ao seu domínio. As perseguições contra os cristãos aumentavam. A vertiginosa expansão do Cristianismo assustava as autoridades políticas e religiosas.

Paulo havia recebido muitas mensagens; as comunidades que ele fundara solicitavam sua presença.

Impossível ser-lhe-ia atender, pessoalmente, todas elas. Exatamente com o fim de falar a essas comunidades, levar-lhes esclarecimento, motivação, incentivar lhes a fé, ele redigia suas epístolas. Nesse período, ele já havia escrito suas primeiras cartas dirigidas aos núcleos cristãos.

Mas era preciso voltar à estrada. Partiu, tendo Lucas como seu valoroso companheiro.

• Em Éfeso

O apostolo João aguardava-o em Éfeso. A comunidade cristã, nesta cidade, vivia momentos difíceis, sofrendo fortes perseguições dos judeus ortodoxos. Ali, Paulo permaneceria por três anos.

Nessa estadia, muitos foram os episódios marcantes. A mensagem de Jesus continuava atingindo os corações. Porém, as exposições de Paulo, que despertavam até mesmo os pagãos, culminaram por gerar certo desprezo, por exemplo, pelo culto a divindade considerada protetora da cidade: a deusa Diana, criando embates entre os negociantes de ouro e a comunidade Cristã.

Muitas outras comoções ocorreram. Esse foi um período decisivo para aquele núcleo. Com a vigorosa atuação de Paulo e sua oratória inflamada, reacendeu a fé; com seu grande magnetismo, realizou inúmeras curas; com sua personalidade única, com sua liderança e conduta moral irrepreensível, a comunidade foi restabelecida.

• Ágabo, o profeta

Prosseguindo em sua jornada, visitando várias cidades, a certa altura, chega a Cesaréia. Permanecendo ali alguns dias, encontrou-se com um profeta chamado Ágabo que o advertiu a não retornar a Jerusalém, pois lá ele seria preso. Paulo, decidido, responde: “Pois estou pronto, não somente a ser preso, mas até a morrer em Jerusalém pelo nome do Senhor Jesus.” (At 21:13).

Como havia afirmado, convicto, seguiu para Jerusalém. Ali se cumpriu a predição de Ágabo: Paulo foi maltratado, flagelado e preso. Mas sua fé não se abalou!

EPÍLOGO DA MISSÃO DE PAULO (At 21:20-40 e 22 a 28)

Paulo tinha sido condenado injustamente pelo Sinédrio. Por ter a cidadania romana, foi conduzido a Cesaréia aos cuidados do governador Félix, onde permaneceria encarcerado durante dois anos.

Seu processo encontrava-se estacionado. Embora as autoridades judaicas pleiteassem a transferência de Paulo para a jurisdição do Sinédrio, o governador não cedeu. Durante esse período, ele foi tratado com relativa liberdade: recebia visitas, escrevia cartas às comunidades cristãs, e divulgava o Evangelho dentro da prisão e para o próprio governador.

Ocorreu então, que o governador Felix foi transferido e substituído por Pórcio Festo. Ao saberem da mudança, os judeus voltam a pleitear a transferência de Paulo para Jerusalém.

Na obra “Paulo e Estevão”, Emmanuel, em acréscimo ao relato bíblico, apresenta novos detalhes. Afirma o Benfeitor que Paulo, ao saber, por intermédio de Lucas, que os judeus tramavam para conseguir sua condenação à crucificação, usa a prerrogativa de cidadão romano e ‘apela a César’.

Em sua trama ignominiosa, pretendiam as autoridades judaicas que na execução de Paulo fosse repetido o episódio do Gólgota. Seria no mesmo lugar e ao lado de dois ladrões.

Isso seria ultrajante! Pensava o grande apóstolo. Ele não se achava digno de protagonizar o mesmo martírio infligido a Jesus. Poderia aceitar todas as condenações, mesmo a morte; não, porém, esta, que objetivava a banalização do exemplo inigualável do Cristo. Por isso, ele apelou para ir a Roma, frustrando assim, o pérfido plano dos judeus.

Paulo, comovido, despediu-se dos companheiros, e navegou em direção a Roma. Em Roma, obteve o benefício de cumprir prisão domiciliar. Assim permaneceu por mais dois anos. Nesse período, ele participou ativamente da propagação da mensagem cristã na capital do Império.

Desta forma, encerra-se a narrativa contida em “Atos dos Apóstolos”. Emmanuel, porém, na obra já citada, narra sua saga até o momento final. Quando a perseguição aos cristãos fez-se mais sentida, certa feita, enquanto pregava nas catacumbas, foi preso pelas autoridades romanas, e condenado a morte.

Como fiel discípulo, de Jesus, recebia agora a pena capital. Ele não resistiu. Como o Mestre havia exemplificado, ele aceitou pacificamente o seu fim. Sua missão estava completa! Também o seu exemplo ficará imortalizado na História do Cristianismo.

Em memória de sua coragem inigualável, de sua entrega sem limites, de sua perseverança até o final, lembremos de seu clamor:

“Muitas vezes, vi-me em perigo de morte. Dos judeus recebi cinco vezes quarenta golpes menos um. Três vezes fui flagelado. Uma vez, apedrejado. Três vezes naufraguei. Passei um dia e uma noite em alto mar. Fiz numerosas viagens. Foram perigo nos rios, perigos dos ladrões, perigos por parte dos meus irmãos de estirpe, perigos dos gentios, perigos na cidade, perigos no deserto, perigos no mar; perigos dos falsos irmãos! Quem fraqueja, sem que eu também me sinta fraco? Quem tropeça, sem que eu também fique febril? Se é preciso gloriar-se, de minha fraqueza é que me gloriarei” (2 Co 11:23-30).

Que exemplo de Paulo possa inspirar-nos sempre!

QUESTÃO REFLEXIVA:

Comente a contribuição do apóstolo Paulo para a expansão do Cristianismo.

Bibliografia
- A Bíblia de Jerusalém.
- Kardec, Allan - O Evangelho Segundo o Espiritismo - Ed. FEESP.
- Xavier, Francisco C./Emmanuel - Paulo e Estevão.
- Corbin, Alain - Historia do Cristianismo.
- Atlas Bíblico Interdisciplinar - Escritura - Historia - Geografia - Arqueologia - Teologia - Ed. Paulus.


Fonte da imagem: Internet Google.