CARACTERÍSTICAS BÁSICAS DO ESPÍRITA: PACIÊNCIA, INDULGENCIA, FÉ, HUMILDADE, DIGNIDADE E CARIDADE.

terça-feira, 18 de junho de 2019

13a Aula Parte A - CURSO DE EDUCAÇÃO MEDIÚNICA 2º ANO FEESP


INTERROGAR OS ESPÍRITOS

As ocorrências e fatos relacionados às revelações dos Espíritos ou fenômenos mediúnicos remontam a época denominada Antiguidade, sendo tão antigo quanto o nosso Planeta.

A História da humanidade está repleta desses fenômenos de intercomunicação espiritual, entre os Espíritos encarnados e os desencarnados. Os fenômenos mediúnicos não são recentes, pois fatos históricos mostram registros de manifestações entre os povos mais antigos. A relação entre os mundos, material e espiritual, está registrada em todas as épocas da humanidade.

As revelações dos Espíritos sempre existiram tanto no Ocidente quanto no Oriente, como se observa pelos relatos do Código dos Vedas, o mais antigo código religioso que se tem notícia.

Os Espíritos são atraídos pela simpatia, a semelhança dos gostos e de caracteres, a intenção que faz desejar a sua presença. Os Espíritos superiores não vão às reuniões fúteis, do mesmo modo que um sábio da Terra não iria numa assembleia de jovens estouvados. O simples bom senso diz que não pode ser de outra forma; ou, se ai vão algumas vezes, e para dar um conselho salutar, combater os vícios, procurar conduzir para o bom caminho; se não são escutados, retiram-se. Seria ter uma ideia completamente falsa, crer que os Espíritos sérios possam se comprazer em responder a futilidades, a perguntas ociosas que não provam nem afeição, nem respeito por eles, nem desejo real, nem instrução, e ainda menos que possam vir dar espetáculo para divertimento dos curiosos. O que não faziam quando vivos, não podem fazê-lo depois da sua morte.

Repelir as comunicações de além-túmulo é repudiar o meio mais poderoso de instruir-se, já pela iniciação nos conhecimentos da vida futura, já pelos exemplos que tais comunicações nos fornecem. A experiência nos ensina, além disso, o bem que podemos fazer, desviando do mal os Espíritos imperfeitos, ajudando os que sofrem a desprenderem-se da matéria e a se aperfeiçoarem. Interdizer as comunicações é, portanto, privar as almas sofredoras da assistência que lhes podemos e devemos dispensar.

Quando a interrogação é feita com recolhimento e religiosamente; quando os Espíritos são chamados, não por curiosidade, mas por um sentimento de afeição e simpatia, com desejo sincero de instrução e progresso, não vemos nada de irreverente em apelar-se para as pessoas mortas, como se fizera com os vivos. Há, contudo, outra resposta peremptória a essa objeção, é que os Espíritos se apresentam espontaneamente, sem constrangimento, muitas vezes mesmo sem que sejam chamados.

Nunca será excessiva a importância que se dê a maneira de formular as perguntas e, ainda mais, a natureza das perguntas. Duas coisas se devem considerar nas que se dirigem aos Espíritos: a forma e o fundo. Quanto à forma, devem ser redigidas com clareza e precisão, evitando as questões complexas. Mas, outro ponto há não menos importante: a ordem que deve presidir a disposição das perguntas. Quando um assunto reclama uma série delas, é essencial que se encadeiem com método, de modo a decorrerem naturalmente umas das outras.

Os Espíritos, nesse caso, respondem muito mais facilmente e mais claramente, do que quando elas se sucedem ao acaso, passando, sem transição, de um assunto para outro. Esta a razão por que é sempre muito conveniente prepará-las de antemão, salvo o direito de, durante a sessão, intercalar as que as circunstâncias tomem necessárias.

Além de que a redação será melhor, quando feita prévia e descansadamente, esse trabalho preparatório constitui, como já o dissemos, uma espécie de evocação antecipada, a que pode o Espírito ter assistido e que o dispõe a responder. É de notar-se que muito frequentemente o Espírito responde por antecipação a algumas perguntas, o que prova que já as conhecia. O fundo da questão exige atenção ainda mais séria, porquanto é, muitas vezes, a natureza da pergunta que provoca uma resposta exata ou falsa. Algumas há a que os Espíritos não podem ou não devem responder, por motivos que desconhecemos. Será, pois, inútil insistir. Porém, o que, sobretudo se deve evitar são as perguntas feitas com o fim de lhes provar a perspicácia. Imaginai um homem sério, ocupado em coisas úteis e importantes, incessantemente importunado pelas perguntas pueris de uma criança, e tereis a ideia do que devem pensar os Espíritos superiores, de todas as futilidades que se lhes perguntam.

Não se segue daí que dos Espíritos não se possam obter úteis esclarecimentos e, sobretudo, bons conselhos; eles, porém, respondem mais ou menos bem, conforme os conhecimentos que possuem e o interesse que nos têm a afeição que nos dedicam e, finalmente, o fim a que nos propomos e a utilidade que vejam no que lhes pedimos. Se, entretanto, os inquirimos unicamente porque os julgamos mais capazes do que outros de nos esclarecerem melhor sobre as coisas deste mundo, claro é, que não nos poderão dispensar grande simpatia.

Pensa algumas pessoas ser preferível que todos se abstenham de formular perguntas e que convém esperar o ensino dos Espíritos, sem o provocar. É um erro. Os Espíritos dão, não há dúvida, instruções espontâneas de alto alcance e que errôneo seria desprezar-se. Mas, explicações há que frequentemente se teriam de esperar longo tempo, se não fossem solicitadas. As questões, longe de terem qualquer inconveniente, são de grandíssima utilidade, do ponto de vista da instrução, quando quem as propõe sabe encerrá-las nos devidos limites.

Têm ainda outra vantagem: a de concorrerem para o desmascaramento dos Espíritos mistificadores que, mais pretensiosos do que sábios, raramente suportam a prova das perguntas feitas com cerrada lógica por meio das quais o interrogante os leva aos seus últimos redutos. Os Espíritos superiores, como nada tem que temer de semelhante questionário, são os primeiros a provocar explicações, sobre os pontos obscuros. Os outros, ao contrário, receando ter que se haver com antagonistas mais fortes, cuidadosamente as evitam.

Bibliografia:

KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns: Cap. XXVI- no 286 a 291

KARDEC, Allan. Revista Espírita: Abril de 1864

KARDEC, Allan. O Céu e o Inferno: 1ª parte - Cap. XI - itens 10 e 15

XAVIER, Francisco Candido (Espírito Emmanuel). Religião dos Espíritos: Ante os falsos profetas

Fonte da imagem: Internet Google.

quinta-feira, 13 de junho de 2019

12a Aula Parte B - CURSO DE EDUCAÇÃO MEDIÚNICA 2º ANO FEESP


DENTRE OS OBREIROS - IMPERFEITOS, MAS ÚTEIS

“... e aquele que a si mesmo se humilhar será exaltado.” – Jesus (Lucas, 14:11)

Em O Evangelho Segundo o Espiritismo - Cap. VII, 6, temos o ensinamento que será maior no reino dos céus aquele que se humilhar e se fizer pequeno como uma criança, isto é, que nenhuma pretensão alimentar à superioridade ou à infalibilidade.

O Espírito Emmanuel, através da psicografia de Francisco Candido Xavier esclarece-nos de que não podemos desejar aparente grandeza para sermos úteis - Ninguém existe por acaso. Buscando entender os mandatos de trabalho que nos competem, orienta-nos o mentor espiritual a estudarmos algumas lições da natureza, dentre elas citamos alguns itens:

A usina poderosa ilumina qualquer lugar, à longa distância, contudo, para isso, não age por si só. Usa transformadores de um circuito a outro, alterando, em geral, a tensão e a intensidade das correntes. Os transformadores requisitam fios de condução. Os fios recorrem a tomada de força. Para que a luz se faça, é indispensável à presença da lâmpada, que se forma de componentes diversos.

O rio de muito longe, fornece água limpa a atividade caseira, mas não se projeta, desordenado, a serviço das criaturas. Cede os próprios recursos a rede de encanamento. A rede pede tubos de formação variada. Os tubos exigem a torneira de controle. Para que o líquido se mostre purificado, requere-se o concurso do filtro.

No dicionário das Leis Divinas, as nossas tarefas tem sinônimo de dever. Por isso, precisamos atender à obrigação para que fomos chamados no clima do bem. Não podemos dizer que somos inúteis, nem achar que somos incompetentes, porque ninguém é inútil.

“Busca e acharás” - prometeu nosso divino Mestre. Entretanto, em todos os lugares encontramos pessoas que se dizem inúteis ou que são demasiadas inferiores, e que, por isso, se declaram inabilitadas a servir. A construção do bem comum é obra de todos. Todos necessitamos trabalhar no sentido de aprender e construir, auxiliando os companheiros esclarecidos para que se tomem cada vez mais fiéis a execução dos compromissos nobilitantes que abraçaram. Todos nós, Espíritos em evolução no planeta, somos ainda imperfeitos, porém, isso não quer dizer que não podemos ser úteis. Somos chamados a contribuir no bem geral, embora não possamos alardear virtudes que não temos e nem fantasiar talentos que estamos longe de conquistar.

Podemos ser: imperfeitos, mas úteis.

Muitos colaboradores no campo do bem se diferenciam uns dos outros por estarem em faixas diversas da evolução humana. Encontramos aqueles que começam uma tarefa com grande entusiasmo, porém, logo em seguida a abandonam no início, com receio do sacrifício. Outros se afastam diante do esforço que devem fazer na semeadura da semente ou pelo peso das obrigações que exige uma determinada obrigação.

O obreiro digno do salário da felicidade e da paz, nos erários da vida imortal, será sempre aquele que caminha para frente com a obra no pensamento e no coração, em pleno esquecimento de si mesmo, trabalhando e servindo, compreendendo e auxiliando, amando e construindo, a serviço do bem de todos, até o fim.

Jesus no Evangelho de João, 6:27, recomenda-nos trabalhar não pela comida que perece, mas pela comida que permanece para a vida eterna, e Joana De Angelis, através da psicografia de Divaldo Pereira Franco, diz que apesar do apelo de Jesus ser claro e objetivo, na hora do desespero, exclamamos: “É demais”. Diante do sofrimento, dizemos: “Não suporto mais”. Vitimados pela incompreensão deduzimos que ninguém nos compreende. Dominados pelo cansaço proferimos: “Irei parar por aqui”. Na hora da ingratidão, desabafamos: “Nunca mais”. Entretanto, o trabalho é sempre veículo de renovação, processo dignificante, em cujo exercício a criatura se eleva, elevando a humanidade com ela. Por isso, sejam quais forem as nossas possibilidades sociais ou econômicas, trabalhemos! Trabalhando estaremos menos vulneráveis a agressão dos males ou a leviandade dos maus. O trabalho é mensagem de vida, colocando-nos na direção da construção da felicidade que tanto perseguimos. Portanto, sem desfalecimentos! Imperfeitos mas úteis.

Bibliografia:

KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo: Cap. XX – itens 4 e 5

FRANCO, Divaldo Pereira (Espírito Joana de Angelis). Convites da Vida: item 5 7

XAVIER, Francisco Candido (Espírito Emmanuel). Roteiro: itens 28 e 33

XAVIER, Francisco Candido (Espírito Emmanuel). Segue-me: Lição - Na Seara Mediúnica

XAVIER, Francisco Candido (Espírito Emmanuel). Livro da Esperança: item 16

XAVIER, Francisco Candido (Espírito Emmanuel). Rumo Certo: Lições 33 e 28

Questões para Reflexão:

1) Explique a seu modo o processo das comunicações.

2) Descreva o mecanismo da psicometria

3) Explique os ensinamentos de Emmanuel contidos no 2° parágrafo dessa Lição.

4) Analise a recomendação de Jesus em João 6:27, e compare com os ensinamentos da Doutrina Espírita com relação ao progresso da humanidade.

Fonte da imagem: Internet Google.

terça-feira, 11 de junho de 2019

12a Aula Parte A - CURSO DE EDUCAÇÃO MEDIÚNICA 2º ANO FEESP


DO “MODUS OPERANDI” DOS ESPÍRITOS

- O Processo das Comunicações

- Os Aparelhos Mediúnicos

- A ldeoplasticidade do Pensamento

- A Psicometria

O “modus operandi” das entidades que se comunicam nos ambientes terrestres, tem a sua base no magnetismo universal dentro do qual todos os seres e mundos gravitam para a perfeição suprema; e incalculável é a extensão do papel que a sugestão e a telepatia representam nos fenômenos mediúnicos.

O processo das comunicações entre os planos visível e invisível verifica-se que invariavelmente, dentro de teledinamismo poderoso que estamos longe ainda de apreciar nas nossas condições de Espíritos encarnados.

Entidades sábias e benevolentes, que já se desvencilharam totalmente dos envoltórios terrenos, assim o desejando, vencem distâncias imensas, a fim de que os seus elevados ensinamentos sejam ministrados, desde que hajam cérebros possuídos de capacidade receptiva e que não lhes ofereça obstáculos insuperáveis.

As pesquisas de Allan Kardec e de outros experimentadores partiram da observação do fenômeno das mesas girantes, que constituía, como já sabemos, manifestação de ordem física. E, como raciocina o próprio Kardec, se os fenômenos então observados tivessem ficado restritos ao movimento dos objetos, teriam permanecido no domínio das ciências físicas. Até aí, tudo poderia parecer fruto do acaso. Mas em seguida, passaram a ser dadas respostas mais desenvolvidas, com o auxílio das letras do alfabeto. Esse fato, repetido a vontade por milhares de pessoas e em todos os países não podia deixar dúvida sobre a natureza inteligente das manifestações. O processo de comunicação com os Espíritos então era muito lento e incômodo. Foram os próprios Espíritos que sugeriram outros meios, que deram origem as comunicações escritas.

O Espírito que se quer comunicar compreende, sem dúvida, todas as línguas, pois, que as línguas são a expressão do pensamento e é pelo pensamento que o Espírito tem a compreensão de tudo; mas, para exprimir esse pensamento, torna-se necessário um instrumento, que é o médium (do latim médium).

Há alguns pontos importantes para a comunicação dada espontaneamente por um Espírito superior, que definem a questão do papel do médium nas comunicações. Qualquer que seja a natureza do médium, não varia essencialmente o processo de comunicação. Para que uma comunicação se torne mais fácil, os Espíritos dão preferência ao médium que tenha o cérebro povoado de conhecimentos adquiridos na sua encarnação atual e o seu Espírito rico de conhecimentos latentes, obtidos em encarnações anteriores. O Espírito comunicante deve encontrar no cérebro do médium os elementos adequados a dar vestidura às palavras que deseja transmitir. Com médiuns poucos adiantados, a comunicação se torna mais longa e penosa, porque os Espíritos se veem forçados a lançar mão de recursos mais complexos.

Ignoramos, na Terra, a maravilhosa ideoplasticidade do pensamento. Conhecendo a plenitude de suas faculdades, após haver triunfado em muitas experiências que lhes asseguram elevada posição espiritual, senhores de grandes poderes psíquicos, conquistados com a fé e com a virtude incorruptíveis, os Espíritos superiores possuem uma vontade potente e criadora de todas as formas e beleza. Às vezes, apresentam ao vidente grandiosas cenas da história do planeta, multidões luminosas, legiões de almas, quadros esses que, na maioria das vezes, constituem os pensamentos materializados das mentes envolvidas que os arquitetam, e que atuam sobre os centros visuais dos sensitivos, objetivando o progresso geral. A evolução, sob todos os seus aspectos, deve ser procurada com afinco, pois é dentro dessa aspiração que vemos a verdade da afirmação de Jesus - “A quem mais tiver, mais será dado”. A medida que progredimos moralmente, mais se aperfeiçoara o processo da nossa comunhão com os planos invisíveis superiores.

A comunicação dos Espíritos também tem acompanhado o desenvolvimento do homem, e vem se aperfeiçoando através do tempo, à medida que vamos nos desenvolvendo e nos tornando aptos a usar a ciência e a tecnologia que, no plano espiritual, já existem, sempre lembrando que o “modus operandi” tem a sua base no Fluido Universal.

No princípio os Espíritos utilizaram às pranchetas, as mesas girantes, a tiptologia. Depois chegou a vez das comunicações mais aprimoradas, utilizando-se como intermediário uma pessoa encarnada, o médium, ponte de ligação entre o mundo espiritual e o mundo material. A comunicação pelo pensamento é o próximo passo.

O pensamento é força, capaz até de ser fotografado, e a telepatia já é usada com sucesso por algumas pessoas. No plano espiritual o pensamento é a linguagem comum entre os Espíritos. O Espírito André Luiz nos mostra que, em Nosso lar, os Espíritos utilizam a ideoplastia para mentalizar e criar suas moradas lá. É a força do pensamento que molda, que idealiza, que realiza. Assim como o homem encarnado progrediu e alcançou níveis tecnológicos maravilhosos, permitindo o uso da eletrônica e dos modernos aparelhos na solução de seus problemas, na cura, nas modernas cirurgias etc., os Espíritos, por estarem no plano espiritual, tem condições que ainda não conhecemos de fazer o intercâmbio com o mundo material.

Assim como os homens nos dias de hoje não podem deixar de acompanhar os vestígios do progresso e a comunicação instantânea entre todos os povos pela internet sob pena de ficar à margem e perder o bonde da história, também os Espíritos agora podem utilizar os imensos recursos de que são possuidores e que não utilizavam antes por nos faltar estrutura para acompanha-los. Dia virá que não haverá necessidade de aparelho algum para que os Espíritos, encarnados ou desencarnados se comuniquem. Todos se comunicarão de modo direto, pelo pensamento, através do Fluido Universal, como o som se propaga através do ar.

A psicometria é uma faculdade anímica, mas também mediúnica. Faculdade pela qual o médium, tocando determinados objetos, entra em relação com pessoas e fatos aos mesmos ligados. Essa percepção se verifica em vista de tais objetos se acharem impregnados da influência pessoal do seu possuidor.

O Espírito André Luiz oferece-nos um conceito bem simples. “Faculdade de perceber o lado oculto do ambiente e de ler impressões e lembranças ao contato de objetos e documentos, nos domínios da sensação a distância.” (Nos Domínios da Mediunidade - Cap. 26).

“Toda pessoa, ao penetrar num recinto, deixa aí um pouco de si mesma, da sua personalidade, dos seus sentimentos, das suas virtudes, dos seus defeitos. Quando tocamos um objeto, imantamo-lo com um fluido que nos é peculiar” nos diz Hermínio C. Miranda, em “Estudando a Mediunidade” cap. 39. O volume de energias fluídicas que sobre o mesmo projetamos é de tal maneira acentuado que a nossa própria mente ali ficará impressa. Em qualquer tempo e lugar, a nossa vida, com méritos e deméritos, fica gravada no fluido universal, que é à base do modus operandi das comunicações e assim podem ser desvendadas através da psicometria, revelando o passado, conhecendo o presente e desvendando o futuro.

Bibliografia:

XAVIER, Francisco Candido (Espírito Emmanuel). Emmanuel - XXIX

KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns: Cap. XIX - n° 225

XAVIER, Francisco Candido (Espírito André Luiz). Nos Domínios da Mediunidade: Cap. 5 e 26

PERALVA, Martins. Estudando a Mediunidade: Cap. XXXIX

XAVIER, Francisco Candido (Espírito Emmanuel). Emmanuel – Cap. XXIX

Fonte da imagem: Internet Google.

quinta-feira, 6 de junho de 2019

11a Aula Parte B - CURSO DE EDUCAÇÃO MEDIÚNICA 2º ANO FEESP


MISTÉRIOS OCULTOS – SÁBIOS E PRUDENTES

Por esse tempo, pôs-se Jesus a dizer: “Eu te louvo, o Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e doutores e as revelaste aos pequeninos”. (Mt. 11:25)

Pode parecer estranho que Jesus renda graças por haver revelado essas coisas aos simples e pequeninos, que são os pobres de espírito, ocultando-as aos sábios e prudentes, mais aptos, aparentemente a compreendê-las.

É preciso entender pelos primeiros os humildes, os que se submetem diante da vontade de Deus e não se consideram superiores aos outros; e pelos segundos, os orgulhosos envaidecidos com o seu saber humano, que se julgam prudentes, negam a Deus, tratando-o de igual para igual.

Emmanuel, através da psicografia de Francisco Candido Xavier, no livro “Caminho, Verdade e Vida” esclarece que frequentemente encontramos novos discípulos do Evangelho exultando de contentamento, porque os Espíritos perturbados se lhes sujeitam. Narram com alegria, os resultados de sessões empolgantes, nas quais esclarecem com êxito, entidades muita vez ignorantes e perversas. Perdem-se muitos no emaranhado desses deslumbramentos e tocam a multiplicar os trabalhos práticos, sequiosos por orientar, em contatos mais diretos, os amigos inconscientes ou infelizes dos planos imediatos da esfera carnal. Recomendou Jesus o remédio adequado a situações semelhantes, em que os aprendizes, quase sempre interessados em ensinar os outros, esquecem, pouco a pouco, de aprender em proveito próprio.

O Espiritismo, restaurando o Cristianismo, é universidade da alma. Nesse sentido, vale recordar que Jesus, o Mestre por excelência, nos ensinou, acima de tudo, a viver construindo para o bem e para a verdade, como a dizer-nos que a chama da cabeça não derrama a luz da felicidade sem o óleo do coração. Para cumprir a missão que nos cabe, não são necessários um cargo diretivo, uma tribuna brilhante, um nome importante ou uma fortuna de milhões.

Simples e pequeninos, mas úteis. Os pequeninos são aqueles que, em todos os tempos, procuram, na humildade e na conformação, manter-se em estrita observância das Leis de Deus. Enquanto que os “Sábios e Prudentes”, são os eternos recalcitrantes; não se submetem a vontade de Deus, são cheios de si e se acham acima de tudo e de todos. Nos variados setores da experiência humana, encontramos as mais diversas criaturas a buscarem posições de destaque e postos de diretiva. Jesus recomenda que qualquer um que desejar ser o maior seja esse vosso servo, como o filho do homem que não veio para ser servido, mas para servir e dar sua vida em redenção de muitos. Grande maioria toma a aparência do comando como sendo a melhor posição, e raros chegam a identificar, no anonimato da posição humilde, o posto de carreira que conduz a alma aos altiplanos da Criação. A chefia durável pertence aos que se ausentam de si mesmos, buscando os semelhantes para servi-los.

O poder de Deus se revela nas pequenas como nas grandes coisas. Ele não põe a luz sob o alqueire, mas a derrama por toda a parte; cegos são os que não a veem. Deus não quer abrir-lhes os olhos a força, pois que eles gostam de os ter fechados. Chegará a sua vez, mas antes é necessário que sintam as angústias das trevas, e reconheçam Deus, e não o acaso, na mão que lhes fere o orgulho.

Deus impõe condições, não se submete a elas! Ouve com bondade os que o procuram humildemente, e não os que se julgam mais do que ele. O orgulho é a venda que impede a visão espiritual. Que adianta apresentar a luz a um cego? Seria preciso, primeiro curar a cegueira, e Deus como um hábil médico, trata primeiro a ferida chamada orgulho. Não abandona os filhos desgarrados, pois sabe que, cedo ou tarde, seus olhos se abrirão; mas quer que o façam de vontade própria. E então, vencidos pelos tormentos da incredulidade, atirar-se-ão por si mesmo em seus braços, e como o filho pródigo lhe pedirão perdão.

A humildade é o escudo dos verdadeiros heróis, tem sido a coroa dos mártires, o sinal dos Santos e a característica dos sábios. Com a humildade o homem adquire grandeza interior, e considerando a majestade da Criação, como membro atuante da vida, que é, eleva-se e assim, eleva a humanidade inteira. No diálogo entre Jesus e Pilatos, esteve ela presente no silêncio do Amigo Divino e ausente no enganado representante de César.

Bibliografia:

KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo: Cap. VII - itens 7 a 10

XAVIER, Francisco Candido (Espírito Emmanuel). Caminho, Verdade e Vida: item 145

FRANCO, Divaldo Pereira (Espírito Joana de Angelis). Convites da Vida: Item 28

XAVIER, Francisco Candido (Espírito Emmanuel). Livro da Esperança: Itens 16 e 17

XAVIER, Francisco Candido (Espírito Emmanuel). O Espírito da Verdade: Lição 65

BÍBLIA DE JERUSALÉM. Novo Testamento (Mateus 11:25)

Questões para reflexão:

1) Descreva com suas palavras, o fenômeno da bicorporeidade e o da transfiguração.

2) Faça a diferença entre bicorporeidade e bilocação.

3) Explique o significado das palavras: “sábios e doutores, simples e pequeninos” na linguagem de Jesus.

4) Analise a afirmação: “O orgulho é a venda que impede a visão espiritual”.

Fonte da imagem: Internet Google.

terça-feira, 4 de junho de 2019

11a Aula Parte A - CURSO DE EDUCAÇÃO MEDIÚNICA 2º ANO FEESP


MATERIALIZAÇÃO E DESMATERIALIZAÇÃO, BICORPOREIDADE, BILOCAÇÃO E TRANSFIGURAÇÃO

Materialização, ou ectoplasmia, é o fenômeno mediúnico de efeitos físicos pelo qual os Espíritos, utilizando a substancia ectoplásmica fornecida pelo médium, eventualmente complementada pela dos assistentes, e adicionando os fluidos espirituais e os fluídos da Natureza, se corporificam, total ou parcialmente, no plano físico.

A palavra ectoplasma - formada dos vocábulos gregos: ektós = fora, exterior, e plasma de passein = dar forma - designa em Biologia, a parte periférica do citoplasma (protoplasma da célula, excluído o núcleo). Mas, no âmbito das ciências metapsíquicas, tem significado específico diferente: designa a substância fluídica que, em determinadas circunstâncias, emana do corpo de certos médiuns, pelos orifícios naturais, como as narinas e a boca, e serve para a produção de fenômenos de efeitos físicos, principalmente os conhecidos por materialização.

André Luiz descreve o ectoplasma, “qual pasta flexível, a maneira de uma geleia viscosa e semilíquida”, emanada pelo médium através de todos os poros e, com mais abundância, pelos orifícios naturais, particularmente da boca, das narinas e dos ouvidos, do tórax e das extremidades dos dedos. Apresenta o aspecto de grande massa protoplásmica, viva e tremulante. O ectoplasma está situado entre a matéria densa e a matéria perispirítica, não tem a fluidez do perispírito nem a densidade da matéria. É o que se poderia chamar de “semi-matéria”.

De forma que, materialização é o fenômeno pelo qual os Espíritos se corporificam, total ou parcialmente, tomando-se visíveis a quantos estiverem presentes no local das sessões. Não é preciso ser médium para ver o Espírito materializado. Materializando-se, corporificando-se, pode o Espírito ser visto, sentido e tocado. Os Espíritos com o fenômeno de materialização, também, podem fazer perceber sensorialmente imagens, sons, coisas ou objetos trazidos de planos vibratórios diferentes, dando-lhes forma e substância materiais.

Note-se ainda, que a materialização é um fenômeno que não ocorre de um modo uniforme podendo assumir várias gradações. Além disso, não pode ser confundida com a aparição, fenômeno pelo qual o Espírito é visto apenas por um médium vidente. A materialização é um fenômeno objetivo e a aparição é um fenômeno subjetivo.

Como a intensidade da ectoplasmia é variável, pode gerar formas extremamente vaporosas, quase imperceptíveis aos não videntes, outras vaporosas, mas plenamente visíveis e outras tangíveis. A rigor, somente estas duas últimas pode-se aplicar, com propriedade, o termo materialização. Os aspectos do ectoplasma são tão variáveis que vão desde uma forma rarefeita que o mantém invisível - porém registrável por outros métodos - até o estado sólido e organizado em estruturas complexas, tais como os “Espíritos materializados” agêneres ectoplásmicos. Entre estes dois extremos ele pode passar por estados diversos: gasoso, plasmático, floculoso, amorfo, leitoso, filamentoso, líquido, etc.

Nos fenômenos de materialização, os Espíritos tem que contar com três elementos essenciais, a fim de que o trabalho alcance êxito:

 Fluidos Espirituais - forças superiores retiradas do fluido Cósmico.

 Fluidos ou energias do médium (ectoplasma) e dos assistentes.

 Fluidos da natureza - terrestre, nas aguas, nas plantas, etc.

Podem materializar-se tanto os Espíritos desencarnados como também os espíritos encarnados. Temos assim, dois tipos de materialização:

 1- Ordem Superior, ou sublimada - quando o Espírito organiza a expressão corpórea material, que a torna visível e tangível.

 2- Comum - o Espírito desencarnado une-se ao perispírito do médium, em desdobramento, e ambos são envolvidos em ectoplasma, sob o comando dos operadores espirituais.

A materialização total ou parcial de Espíritos, corresponde a uma desmaterialização parcial do médium, conforme demonstrou a experiências de Aksakof. Essa desmaterialização pode ser maior ou menor, podendo chegar até parecer total, o que não ocorre na realidade. A perda de matéria por parte do médium pode decorrer tão somente da emissão de ectoplasma. Os estudos realizados a esse respeito levaram a conclusão de que o ectoplasma provem do citoplasma das células, explicando-se assim, a perda de peso do aparelho mediúnico. A desmaterialização do médium é sempre parcial, nunca podendo ser total. Após esgotar-se o fenômeno da materialização, os tarefeiros espirituais submetem o instrumento medianímico a complicadas operações magnéticas, através das quais a substância materializante e restituída ao corpo físico, inteiramente purificada. O médium recupera o peso normal quando reabsorve a substância ectoplásmica.

Allan Kardec abordou no Livro dos Espíritos o tema “Emancipação da Alma”, de onde podemos tirar as explicações para entender o fenômeno do desdobramento, que é o processo de exteriorização do perispírito.

O Espírito utilizando-se do perispírito deixa o corpo físico e dirige-se a outros locais sempre ligados ao corpo material pelo cordão fluídico. O desdobramento é um estado de relativa liberdade para os Espíritos encarnados. No desdobramento considerado mediúnico existe a interferência e ajuda do Plano Espiritual Superior, quando o trabalho é feito com responsabilidade. Assim é que Nos Domínios da Mediunidade, de André Luiz e F.C. Xavier, temos o relato sobre o médium Castro que recebe um capacete de antolhos para proteção e é conduzido ao encontro com o Oliveira.

Bilocação é o fenômeno anímico que consiste na manifestação de um Espírito encarnado, em estado de emancipação (desdobramento, projeção astral ou viagem astral), em lugar diferente daquele em que se encontra seu corpo físico. A presença da alma em local diferente daquele em que se encontra seu invólucro material só é possível mediante prévio desdobramento. A presença da alma desdobrada em lugares diferentes daquele em que se encontra o seu corpo físico só pode ser percebida pelos desencarnados ou por almas igualmente emancipadas do corpo, ou ainda por clarividentes ou médiuns videntes. Neste caso temos dois lugares de manifestações, porém, o corpo fluídico, ou perispírito não adquire tangibilidade. Não houve materialização, mas só a manifestação do perispírito em outro lugar. Apolônio de Tiana em Éfeso, falando em uma reunião, calou-se repentinamente e logo em seguida passou a anunciar o assassinato do Imperador, que nesse momento estava presenciando em Roma e no qual intervinha gritando: morte ao Imperador!

Bicorporeidade é quando a alma em desdobramento adquire visibilidade para as pessoas comuns, em alguns casos tangibilidade. Se durante sua aparição em outros lugares que não aquele em que se encontra o corpo físico, o corpo fluídico, ou perispírito, da pessoa desdobrada adquire tangibilidade e a aparência do corpo material, o fenômeno passa a denominar-se bicorporeidade. Não se trata mais de uma simples aparição, mas do Espírito de uma pessoa viva materializado. Neste caso temos dois lugares de manifestação, um com o corpo físico e o outro com o perispírito materializado. Oportuna a observação de Kardec de que dos dois corpos com que o indivíduo se mostra simultaneamente em dois lugares diferentes, um somente é real, o outro é simples aparência. Pode-se dizer que o primeiro tem a vida orgânica e o segundo a vida da alma. Ao despertar o indivíduo, os dois corpos se reúnem e a vida da alma volta ao corpo material.

Santo Antônio de Pádua foi visto e ouvido em dois lugares diferentes, com o mesmo corpo (um somático, onde ele estava pregando, o outro perispiritual materializado, defendendo o pai que iria ao suplício, acusado de uma morte, cujo autor foi preso).

Não se deve confundir bicorporeidade com fenômenos que ocorrem com os desencarnados, como as projeções mentais ou de imagens, pelas quais os Espíritos se comunicam ou são vistos em muitos lugares ao mesmo tempo, que é o Dom da Ubiquidade; ou com os fenômenos dos agêneres que é uma modalidade de aparição tangível, um estado de certos Espíritos, quando temporariamente, revestem as formas de uma pessoa viva, ao ponto de produzirem ilusão completa. LM, 2ª Parte, cap. VIII n° 125. Neste caso é um desencarnado materializando-se na forma do corpo de um vivo.

Transfiguração consiste num ato de efeitos Físicos. É um fenômeno resultante de uma transformação perispiritual, que se produz sobre o próprio corpo vivente, isto é, materialização do próprio corpo espiritual, dando origem a formas belas, radiosas, luminosas, se forem de Espíritos elevados, ou feias, horríveis, se forem de Espíritos inferiores. Nesse fenômeno ocorre a mudança do aspecto de um corpo vivo, tanto na aparência dos traços fisionômicos, como no olhar, na voz, no peso do corpo, etc.

No Livro dos Médiuns, 2ª Parte, cap. VII, item 122 é mencionado o exemplo de uma moça de 15 anos aproximadamente, transfigurava-se num jovem de 25, corpulento, seu irmão falecido alguns anos antes, assimilando-lhe além dos traços fisionômicos, o modo de falar, de olhar, a compleição física. A transfiguração de Jesus, no Monte Tabor, é relatada no Evangelho e comentada por Kardec, em A Gênese, Cap. XV, item 43 onde cita Marcos, IX:2-4. “Seis dias depois, Jesus tomou consigo a Pedro, Tiago e João, e os levou, sozinhos, para um lugar retirado sobre uma alta montanha. Ali foi transfigurado diante deles. Suas Vestes tornaram-se resplandecentes, extremamente brancas, de uma alvura tal como nenhum lavadeiro na terra as poderia alvejar. E lhes apareceram Elias com Moisés, conversando com Jesus”.

Bibliografia:

XAVIER, Francisco Candido (Espírito André Luiz). No Domínios da Mediunidade: Lição 28

PERALVA, Martins. Estudando a Mediunidade: Caps. XLII, XLIII, e XLIV

PIRES, José Herculano. Mediunidade: Cap. IV

BOZZANO, Ernesto. Metapsíquica Humana: Conclusão - Cap. XI

RANIERI , R. A.. Materializações Luminosas

AKASAKOF, Alexandre. Animismo e Espiritismo

KARDEC, Allan. A Gênese: Cap. XV item 43

KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns: 2ª parte - Cap. VIII no 125

BÍBLIA DE JERUSALÉM. Novo Testamento: Marcos: Cap. IX: 1-9

PUGLIA, Silvia C.S.C.. CDM: aula 12 - Desdobramento

KARDEC, Allan. Revista Espírita: Dezembro de 1858 (Fenômeno de bicorporeidade)

Fonte da imagem: Internet Google.

quinta-feira, 30 de maio de 2019

10ª Aula Parte B - CURSO DE EDUCAÇÃO MEDIÚNICA 2º ANO FEESP


PROIBIÇÃO DE EVOCAR MORTOS

O “Deuteronômio”, o último livro do Pentateuco, em seu capítulo 18, versículos 9 a 14, proíbe a evocação dos “mortos”; entretanto, trata-se de um tema arcaico e um atentado a solidariedade existente entre os mundos dos encarnados e desencarnados.

É evidente que os abusos reinantes, naquela época, levaram Moisés a proibir a invocação dos chamados mortos, ato que se tomou a tônica empregada por todos quantos combatem o Espiritismo.

O grande legislador dos hebreus, no entanto, estabeleceu essa lei apenas para evitar aquilo que o Espiritismo recomenda, incessantemente, aos seus seguidores: que evitem a invocação de Espíritos para fins menos elevados, consultando-os sobre assuntos terra-a-terra, ou obtendo deles informações que se revestem de um caráter mais humano do que espiritual, que nada edificam.

Deve-se esclarecer que Moisés combatia as invocações, quando elas não tinham um objetivo sério; entretanto, quando ele conhecia a idoneidade dos médiuns que eram canais dos Espíritos, em vez de condenar o ato, ele ratificava.

O livro “Números”, quarto livro do Pentateuco, tem a seguinte narrativa (cap. ll:26 a 29):

Certa vez, um moço veio denunciar a Moisés que dois homens, Eldad e Medad - estavam recebendo comunicação de Espíritos. Imediatamente, Josué, filho de Nun, ministro de Moisés, o qual ali estava, adiantou-se e disse: - Senhor meu, Moisés, proíbe-lhe. O Libertador dos Judeus, no entanto, retrucou-lhe: - Tens tu ciúmes por mim? Oxalá que todo o povo do Senhor fosse profeta, que o Senhor lhe desse o seu Espírito! (“Profeta” era o nome que davam aos médiuns)

Essa atitude de Moisés deixou bem claro que a sua proibição não atingia os médiuns sérios, compenetrados de seus deveres, mas apenas os medianeiros que não se preocupam com a verdade, e, por isso, se tornam porta-vozes de Espíritos enganadores ou inescrupulosos.

O próprio Moisés, no Tabernáculo comunicava-se reiteradamente com Espíritos. Todas as vezes que confabulava com Jeová, que aparentemente julgava ser o próprio Deus entrava em contato com o Plano Espiritual. Deus não se comunica diretamente com os homens, e Jeová era, simplesmente, uma deidade tribal dos antigos judeus.

As páginas do Velho e do Novo Testamento estão repletas de demonstrações as mais inequívocas desse intercâmbio.

O rei Saul, de Israel procurou a Pitonisa (médium) de Endor, a fim de receber orientação do Espírito esclarecido de Samuel (1º Samuel 28: 1-20. Na Bíblia católica é 1° Reis 28: 1-20.)

Jesus Cristo, acompanhado pelos Apóstolos Pedro, Tiago e João, subiu ao Monte Tabor e ali confabulou com os Espíritos de Moisés e Elias (Mt 17:1-8; Mc 9:2-8; Lc 9:28-36).

Paulo de Tarso recebeu, em seu quarto, a visita de um Espírito que lhe fez caloroso apelo no sentido de dirigir-se para a Macedônia, a fim de esclarecer o seu povo sobre a Boa Nova (Atos 16:9-10).

O Centurião Cornélio, na cidade de Cesaréia, foi visitado por um Espírito e instado a convidar o Apóstolo Pedro, que estava na cidade de Jope, para ir instruí-lo sobre os ensinamentos de Jesus (Atos 10: 3,8).

Ananias foi visitado por um Espírito de grande elevação, que o induziu a procurar o recém-converso Saulo de Tarso, para orientá-lo sobre tudo o que Jesus Cristo havia ensinado (Atos 9:10,12).

Simeão recebeu a promessa de um Espírito, de que não desencarnaria sem antes presenciar o advento do tão esperado Messias (Lc 2:25-27).

Maria de Nazaré e Isabel foram instruídas por Espíritos de ordem elevada, no tocante ao nascimento de Jesus Cristo e de João Batista. Zacarias, esposo de Isabel, também recebeu informação idêntica.

No dia de Pentecostes, todos os Apóstolos foram bafejados por Espíritos, ocorrendo a maior sessão coletiva de desenvolvimento de médiuns, na história religiosa do mundo (Atos 2: 1,11).

Bibliografia:

KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo Cap. XXVII Itens 18 A 21

BÍBLIA SAGRADA. Antigo Testamento: Deuteronômio, Cap. 18:9 a 14.

BÍBLIA SAGRADA. Antigo Testamento: Números, Cap. 11:26 a 29.

BÍBLIA SAGRADA. Antigo Testamento: 1° Samuel 28:1-20 - Na Bíblia Católica é 1ºReis 28:1-20

BÍBLIA SAGRADA. Novo Testamento: Mt 17: 1-8; Mc 9:2-8; LC 9:28-36

BÍBLIA SAGRADA. Novo Testamento: Atos 16:9-10; 10:3,8; 9:10,12; e 2:1,11

BÍBLIA SAGRADA. Novo Testamento: Lucas 2:25-27

Questões para reflexão:

1) Explique o motivo pelo qual a Doutrina Espírita não entra em contradição à proibição de evocar os mortos imposta por Moisés aos hebreus.

2) Relacione as condições que podem ser inconvenientes para evocar os mortos segundo Kardec.

3) Relembre e analise sucintamente o que ocorreu com o rei Saul (consulta a médium de Endor)

4) Comente o que ocorreu com Ananias

Fonte da imagem: Internet Google.

terça-feira, 28 de maio de 2019

10a Aula Parte A - CURSO DE EDUCAÇÃO MEDIÚNICA 2º ANO FEESP


EVOCAÇÕES DOS ESPÍRITOS - PROIBIÇÕES

Esclarece-nos Kardec em “O Livro dos Médiuns” que os Espíritos podem se comunicar espontaneamente ou serem evocados. Contudo, os Espíritos são inteligências livres e qualquer evocação que lhes desagradem ou que não seja apropriada fará com que não nos atendam ao apelo.

Mas existem condições proibidas para a evocação dos Espíritos?

A primeira questão que podemos abordar é a proibição de Moisés aos hebreus, narrada de maneira tão clara no Antigo Testamento.

“O homem ou mulher que tiver Espírito pitônico, morra de morte. Serão apedrejados e o seu sangue recairá sobre eles”, ameaça Moisés no Levítico, cap. XX, versículo 27.

A proibição pode ser vista ainda no capítulo XIX, v.31 do mesmo Levítico e no Deuteronômio (Cap. XVIII vv 9 a 12)

Para entendermos a posição radical de Moisés, devemos entender o panorama da época. Recém libertos do cativeiro egípcio, os hebreus haviam adquirido o costume de interrogar os desencarnados para toda sorte de abusos. “(...) a evocação dos mortos não se originava nos sentimentos de respeito, afeição ou piedade para com eles, sendo antes um recurso para adivinhações, tal como nos augúrios e presságios explorados pelo charlatanismo e pela superstição”, nos diz Kardec em “O Céu e o Inferno”. As inquirições aos Espíritos ainda eram fonte de comércio, quando se pagava ao adivinho para ouvir aquilo que se gostaria. Moisés, conduzindo pelo deserto um povo rebelde e indisciplinado não encontrou outra maneira senão a de punir com a morte os abusos, já que ali não havia prisões ao seu dispor. Além disso, o legislador hebreu não poderia permitir que ideias, costumes e hábitos estranhos ao de seu povo fossem contrários às leis que implantou a custa do sacrifício dos anos de penúria no deserto.

Chegando à época de Jesus, é também notório que entre os primeiros cristãos o intercâmbio com os desencarnados era fato comum. São muitos os relatos das manifestações mediúnicas no Novo Testamento e o próprio Jesus não comentou nada em relação à proibição do intercâmbio com os Espíritos. Se as evocações realmente fossem proibidas, certamente Jesus não teria ficado calado a respeito de assunto tão importante.

Outrossim, o que nos demonstram os Evangelhos é que por ser um Espírito puro, Jesus era dotado de faculdades muito superiores aos dos homens de seu tempo, inclusive, mantendo uma comunhão constante com os Espíritos. “Estes, muitas vezes, tornavam-se visíveis ao seu lado. Seus discípulos o viram, assombrados, conversar um dia no Tabor com Elias e Moisés”.

Um outro ponto que levantam os contraditores do intercâmbio mediúnico é o de que as evocações seriam falta de consideração para com os mortos, constituindo mesmo uma profanação. “Profanação haveria se as evocações fossem feitas com leviandade”, nos esclarecem os Espíritos.

O Espiritismo, resgatando nos tempos modernos o Evangelho de Jesus, também não recomenda evocar os Espíritos com as mesmas motivações condenadas por Moisés. Recomenda-nos sim alguns critérios e cuidados a serem tomados, salientando a importância das comunicações como instrução e consolo dos sofrimentos.

“Se essa comunicação existe, deve ter sua utilidade, porque Deus não faz nada de inútil; ora, essa utilidade ressalta não só desse ensinamento, mas ainda e, sobretudo das consequências desse ensino”, diz Kardec.

Frequentemente, nas reuniões regulares, apresentam-se espontaneamente Espíritos que já estão habituados a própria regularidade dessas sessões. Emmanuel diz preferir esse tipo de manifestação, contudo Kardec nos recomenda a evocação, como forma de controlar com maior rigor as manifestações.

Segundo Kardec, qualquer Espírito pode ser evocado. Porém, nem sempre poderá atender ao nosso chamado, pois, mesmo que queira, pode ser impedido por motivos que desconhecemos ou por não ter a permissão de um poder superior. Ainda pode não se comunicar instantaneamente conosco por estar ocupado ou por alguma missão que desempenha.

Outro fator que pode impedir a manifestação de um Espírito diz respeito à condição do médium, do evocador, ao meio em que se faz a evocação e ao seu intuito. Aqui, vale a regra de sempre das comunicações mediúnicas: o Espírito ira preferir o médium com o qual mais se identifique, seja quanto as condições materiais como nas morais.

O cuidado que o médium deve tomar sempre nas evocações de interesses privados é o de evitar transformar-se em instrumento de consultas ou, como Kardec aponta, um “ledor de sorte”. Não se deve, sob pretexto algum, prestar-se a uma evocação dessas ao perceber-se curiosidade, questões improdutivas e qualquer outro tópico que fuja do que se propõe racionalmente aos Espíritos, enfim, quando não percebemos um objetivo sério por parte do evocador.

Os Espíritos ainda relacionam, na questão 282 de “O Livro dos Médiuns”, algumas situações que podem impedir que um Espírito atenda a uma evocação e outras em que não se deve fazê-la:

 Espíritos que pertencem a mundos inferiores à Terra não podem jamais se comunicar, por não disporem de meios de comparação para poderem exprimir-se;

 Um Espírito pode não ter permissão para se comunicar como punição ou prova para ele ou para a pessoa que o evoca;

 Os Espíritos atendem com maior facilidade a pensamentos simpáticos e benevolentes do evocador. Pensamentos mal dirigidos não atingem o alvo e se o evocador é indiferente ou antipático ao Espírito, este não atende ao apelo;

 Um Espírito pode negar-se a responder a uma questão, porém, se é inferior pode ser constrangido a se manifestar por um superior a ele;

 Devemos evitar evocar um Espírito no momento da sua morte. A esta questão, os Espíritos respondem no item 33 que podemos evocá-lo, porém, sua resposta será muito imperfeita, por causa do período de perturbação. Adicionam, porém, no item seguinte, que para alguns a evocação os ajudaria a sair da perturbação;

 A encarnação pode dificultar a evocação de um Espírito. Somente podem atender aqueles em que a condição corpórea facilite o desprendimento no momento da evocação ou ainda se estiverem encarnados em um mundo superior, onde os corpos são menos materiais que no nosso;

 Não podemos evocar também Espíritos que ainda estejam no ventre materno, por estarem na perturbação que antecede o nascimento, o que lhes tira a consciência de si mesmos;

 E não devem ser evocadas pessoas vivas nessas condições: crianças em tenra idade, pessoas gravemente doentes e os velhos enfermos. É sempre inconveniente a evocação de vivos que estejam com o corpo físico debilitado.

De qualquer maneira, em qualquer intercâmbio mediúnico, o mais importante é que qualquer evocação deve ser levada a sério e nunca deve ser encarada como simples fórmula. E ainda não nos esquecermos de que os Espíritos não são joguetes, subjugados aos nossos interesses mais pueris.

Bibliografia:

KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns: 2a parte, Cap. XXV (Das Evocações) nos 269, 270 a 275, 281 e 282 - item ll

KARDEC, Allan. O Céu e o Inferno: Cap. XI: Da Proibição de Evocar os Mortos

KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos: questão 935

KARDEC, Allan. Revista Espírita: Dezembro de 1863

XAVIER, Francisco Candido (Espírito Emmanuel). O Consolador: Perg. 369

DENIS, Leon. Cristianismo e Espiritismo: Capítulo V

BÍBLIA SAGRADA. Antigo Testamento: Levítico, Cap. XX, v.27 - Cap. XIX, v.31 e Deuteronômio - Cap. XVIII, vv 9 a 12.

Fonte da imagem: Internet Google.

quinta-feira, 23 de maio de 2019

9ª Aula Parte B - CURSO DE EDUCAÇÃO MEDIÚNICA 2º ANO FEESP


QUEM SE ELEVAR SERÁ REBAIXADO

O que quis nos ensinar Jesus quando disse: “Pois todo o que se exalta será humilhado, e o que se humilha será exaltado” (Lucas, XIV: 11).

O Mestre nos indica a condição essencial para a felicidade, a humildade, virtude contrária ao orgulho e a vaidade. Orgulho e vaidade: defeitos terríveis e fatores de queda para os invigilantes, que são responsáveis, muitas vezes, por “jogarmos fora” uma encarnação inteira, causa de infelicidade futura. Com muita propriedade, Kardec perguntou no LE qual é o maior obstáculo ao progresso, o que lhe foi respondido: “São o orgulho e o egoísmo. Quero referir-me ao progresso moral”.

Em “O Evangelho Segundo o Espiritismo” (cap. II, item 8), de Allan Kardec, há uma comunicação de uma antiga rainha da França que, ao adentrar o mundo espiritual, após uma vida de luxo e de orgulho, viu com imensa surpresa que Espíritos que ocupavam posições subalternas, obscuras, desfrutavam, no mundo dos Espíritos, de posições superiores a dela. Em certo trecho da sua comunicação, diz ela textualmente:

“O orgulho me perdeu sobre a Terra (...) Que humilhação, quando, em vez de ser ali recebida como soberana, tive de ver acima de mim, mas muito acima, homens que eu considerava pequeninos e os desprezava, por não terem nas veias um sangue nobre! Oh! Só então compreendi a fatuidade dos homens e das grandezas que tão avidamente buscamos sobre a Terra”.

No Evangelho de Mateus (cap. 18, versículos 3 e 4) disse Jesus Cristo: “Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos tornardes como crianças, de modo algum entrareis no Reino dos Céus. Porquanto, aquele que se humilhar como esta criança, esse é o maior no Reino dos Céus.”

Jesus toma a criança como modelo, como padrão de comportamento, a fim de exemplificar a simplicidade e a humildade. O Mestre quis demonstrar, assim, que somente seremos simples e humildes quando nos fizermos pequenos como a criança: sem orgulho, sem presunção, sem nenhum dos defeitos que nos impedem de alcançar a tão desejada felicidade; e que tanto cultivamos como o ódio, o ciúme, a inveja, a ambição (ver LE questão 967).

Novamente no Evangelho de Mateus (cap.20, versículos 26 a 28) lemos que o Mestre, dirigindo-se aos seus apóstolos disse: “Quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva; e quem quiser ser o primeiro entre vós, será vosso servo; tal como o Filho do Homem que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos”.

Em outro ensinamento, desta vez em Lucas (cap. 14, versículos 10 e 11), o Mestre ensina que “quando fores convidado, vai tomar o último lugar; para que quando vier o que te convidou, te diga: Amigo, senta-te mais para cima. Ser-te-á isto uma honra diante de todos os convivas. Pois todo o que se exalta será humilhado; e o que se humilha será exaltado”.

Digno de destaque é a afirmação de Jesus de que “ele havia descido a Terra para servir e não para ser servido”.

Se ele, que foi o maior e mais puro dos Espíritos que já encarnaram na Terra, veio para servir, o que dizer daqueles que ainda são imperfeitos, que estão nos primórdios da evolução espiritual? Se ele, que é o nosso Mestre, deu uma demonstração tamanha de humildade extrema lavando os pés de seus apóstolos, o que esperar de nós mesmos? Ainda seguiremos exigindo que os outros nos sirvam, sem dar nada em troca?

Podemos interpretar o gesto simbólico de Jesus como o mais autêntico exemplo de desapego pelas coisas terrenas e a mais sublime simplicidade, que devemos imitar.

Assim, finalizamos com o comentário de Kardec, em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”: “O Espiritismo vem confirmar a teoria pelo exemplo, ao mostrar que os grandes do mundo dos Espíritos são os que foram pequenos na Terra e que frequentemente são bem pequenos os que foram grandes e poderosos na terra”.

Bibliografia:

KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo: Cap. VII - itens 3 a 6

BÍBLIA SAGRADA. Novo Testamento: Evangelhos de Mateus e Lucas

LE questão 785

ESE, Cap. VII, Item 6

Questões para reflexão:

1) Apresente os meios mais eficazes para se identificar o grau evolutivo do Espírito comunicante.

2) Com base no LM n° 267 descreva o tipo de linguagem dos Espíritos que serve de fonte inspirada para qualificação dos Espíritos.

3) Comente a diferença do ensinamento do Mestre Jesus: “Pois todo aquele que se exalta será humilhado” com a vivência do homem no nosso dia-a-dia.

4) Analise a afirmação: “Quem quiser tomar-se grande entre vós, esse será o que vos sirva”.

Fonte da imagem: Internet Google.