CARACTERÍSTICAS BÁSICAS DO ESPÍRITA: PACIÊNCIA, INDULGENCIA, FÉ, HUMILDADE, DIGNIDADE E CARIDADE.

quinta-feira, 16 de maio de 2019

8ª Aula Parte B - CURSO DE EDUCAÇÃO MEDIÚNICA 2º ANO FEESP


A FÉ RELIGIOSA – CONDIÇÃO DA FÉ INABALÁVEL

Nos seus aspectos religiosos, a fé é a crença nos dogmas particulares que constituem as diferentes religiões, e todas elas têm os seus artigos de fé. Nesse sentido, a fé ser poder raciocinada ou cega. A fé cega nada examina, aceitando sem controle o falso e o verdadeiro, e a cada passo se choca com a evidência da razão. Levada ao excesso produz o fanatismo. Quando a fé se firma no erro, cedo ou tarde desmorona. Aquela que tem a verdade por base é a única que tem o futuro assegurado, porque nada deve temer do progresso do conhecimento, já que o verdadeiro na obscuridade também o é a plena luz. Cada religião pretende estar na posse exclusiva da verdade, mas preconizar a fé cega sobre uma questão de crença é confessar a impotência para demonstrar que se está com a razão.

Vulgarmente se diz que a fé não se prescreve, o que leva muitas pessoas a alegarem que não são culpadas de não terem fé. Não há dúvida que a fé não pode ser prescrita, ou o que é ainda mais justo: não pode ser imposta. Não, a fé não se prescreve, mas se adquire, e não há ninguém que esteja impedido de possuí-la, mesmo entre os mais refratários. Falamos das verdades espirituais fundamentais, ou não desta ou daquela crença particular. Não é a fé que deve procurar essas pessoas, mas elas é que devem procurá-la, e se o fizerem com sinceridade a encontrarão. Podeis estar certo de que aqueles que dizem: “Não queríamos nada melhor do que crer, mas não o podemos fazer”, apenas o dizem com os lábios, e não com o coração, pois ao mesmo tempo que o dizem, fecham os ouvidos. As provas, entretanto, abundam ao seu redor. Por que, pois, se recusam a ver? Nuns, é a indiferença, noutros, o medo de serem forçados a mudar de hábitos; e, na maior parte, orgulho que se recusa a reconhecer um poder superior, porque teria de inclinar-se diante dele.

Para algumas pessoas, a fé parece de alguma forma inata: basta uma faísca para desenvolvê-la. Essa facilidade para assimilar as verdades espirituais é sinal evidente de progresso anterior. Para outras, ao contrário, é com dificuldade que elas são assimiladas, sinal também evidente de uma natureza em atraso. As primeiras já creram e compreenderam, e trazem, ao renascer, a intuição do que sabiam. Sua educação já foi realizada. As segundas ainda têm tudo para aprender: sua educação está por fazer. Mais ela se fará, e se não puder terminar nesta existência, terminará numa outra.

A resistência do incrédulo quase sempre se deve menos a ele do que a maneira pela qual lhe apresentam as coisas. A fé necessita de uma base, e essa base é a perfeita compreensão daquilo em que se deve crer. Para crer, não basta ver, é necessário sobre tudo compreender. A fé cega não é mais deste século. É precisamente o dogma da fé cega que hoje em dia produz o maior número de incrédulos. Por que ela quer impor-se, exigindo a abdicação de uma das mais preciosas prerrogativas do homem: as que se constituem do raciocínio e do livre arbítrio. E contra essa fé, sobre tudo, que se levanta o incrédulo, o que mostra a verdade de que a fé não se impõe. Não admitindo provas, ela deixa no espírito um vazio, de que nasce a dúvida. A fé raciocinada que se apoia nos fatos e na lógica, não deixa nenhuma obscuridade: crê-se, porque se tenha certeza, e só se está certo quando se compreendeu. Eis porque ela não se dobra: porque só é inabalável a fé que pode enfrentar a razão face a face, em todas as épocas da Humanidade.

É a esse resultado que o espiritismo conduz, triunfando assim da incredulidade, todas as vezes que não encontra a oposição sistemática e interessada.

Bibliografia:

KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo: Cap. XIX - item 6 e 7

Questões para reflexão:

1 - Explique o que você entende por formas pensamento.

2 - Comente sobre “Corrente mental”.

3 - Explique o que é circuito mediúnico

4 - Comente sobre fé religiosa e a raciocinada.

Fonte da imagem: Internet Google.

terça-feira, 14 de maio de 2019

8a Aula Parte A - CURSO DE EDUCAÇÃO MEDIÚNICA 2º ANO FEESP


MATÉRIA MENTAL - CORRENTE ELÉTRICA E MENTAL - CIRCUITO MEDIÚNICO

MATÉRIA MENTAL

O que é o pensamento?

O Pensamento sempre intrigou o homem. Todo mundo sabe o que é o pensamento, mas até hoje ninguém foi capaz de defini-lo com propriedade, nem de dizer, do ponto de vista fisiológico, o que o gera.

É intuitivo porém, que o pensamento é produto da mente e, por conseguinte da nossa alma.

Seria uma espécie de energia, veiculada em ondas mentais, que se propagam no continuum espaço-tempo como as demais ondas luminosas, sonoras, hertzianas, etc.) ou como os raios (luminosos, raios x, raios gama, etc.).

Essas ondas mentais seriam geradas por vibrações provocadas por impulsos do Espírito.

Diz Kardec em A Gênese:

“Sendo os fluídos o veículo do pensamento, este atua sobre os fluídos como o som sobre o ar; eles nos trazem o pensamento, como o ar nos traz o som. Pode-se dizer sem receio de errar, que há, nesses fluídos, ondas e raios de pensamentos, que se cruzam sem se confundirem, como existe no ar ondas e raios sonoros”.

André Luiz - (Mecanismos da Mediunidade) - Esclarece-nos que nos seres criados, homens e animais, verificamos também a existência de matéria mental, que não se confunde com a matéria como nós a definirmos em física. Essa matéria mental se constitui de determinado grau de concentração de energia, diverso daquele de que é formado nosso corpo material.

Segundo o conceito relativista, a matéria é energia concentrada segundo a fórmula básica: E=m.C2, na qual – E é energia; m massa e C2, o quadrado da velocidade da luz.

A concentração da energia se faz, no entanto, em diferentes graus, na proporção das respectivas condições vibratórias.

A matéria nossa conhecida é aquela de que são feitos os corpos e as coisas que encontramos em nosso plano.

Já o perispírito é constituído de matéria diferente, resultante de menor grau de concentração de energia. É a matéria que costumamos chamar de quintessenciada. É claro que outras gradações de concentração energética existem, gerando os tipos de matéria que se compatibilizem com os diferentes planos vibratórios.

Diz André Luiz que como alicerce vivo de todas as realizações nos planos físico e extra físico, encontramos o pensamento por agente essencial. Entretanto, ele ainda é matéria. A matéria mental, em que as leis de formação das cargas magnéticas ou dos sistemas atômicos prevalecem sob novo sentido, compondo o maravilhoso mar de energias sutis em que todos nos achamos submersos e no qual surpreendemos elementos que transcendem o sistema periódico dos elementos químicos conhecidos no mundo.

Para ele, o pensamento é o fluxo energético do campo espiritual de cada ser, a se graduar nos mais diversos tipos de onda, desde os raios super-ultra-curtos, em que se exprimem as legiões angélicas, através de processos ainda inacessíveis a nossa observação, passando pelas oscilações curtas, médias e longas em que se exterioriza a mente humana, até as ondas fragmentárias dos animais, cuja vida psíquica ainda em germe, somente arroja de si determinados pensamentos ou raios descontínuos.

A matéria mental é corpuscular, como corpuscular é a matéria no plano físico, e se compõe de átomos e partículas, com cargas positivas (prótons) e negativas (elétrons), embora, convém repetir, de outro teor vibratório, evidentemente mais sutil, mais energético.

Compreendemos assim, perfeitamente, que a matéria mental é o instrumento sutil da vontade, atuando nas formações da matéria física, gerando as motivações de prazer ou desgosto, alegria ou dor, otimismo ou desespero, que não se reduzem efetivamente a abstrações, por representarem turbilhões de força em que a alma cria os seus próprios estados de mentalização indutiva, atraindo para si mesma os agentes (por enquanto imponderáveis na Terra), de luz ou sombra, vitória ou derrota, infortúnio ou felicidade.

FORMAS-PENSAMENTOS

Emitindo uma ideia, passamos a refletir as que se lhe assemelham, ideia essa que para logo se corporifica, com intensidade correspondente a nossa insistência em sustentá-la, mantendo-nos, assim espontaneamente em comunicação com todos os que nos esposem o modo de sentir.

É nessa projeção de forças, a determinarem o compulsório intercâmbio com todas as mentes encarnadas ou desencarnadas, que se nos movimenta o Espírito no mundo das formas-pensamento, construções substanciais na esfera da alma, que nos liberam o passo ou no-lo escravizam, na pauta do bem ou do mal de nossa escolha.

Isso acontece porque, a maneira do homem que constrói estradas para a sua própria expansão ou que talha algemas para si mesmo, a mente de cada um, pelas correntes de matéria mental que exterioriza, eleva-se a gradativa libertação no rumo dos planos superiores ou estaciona nos planos inferiores, como quem traça vasto labirinto aos próprios pés.

CORRENTE ELÉTRICA E MENTAL

O Espírito, encarnado ou desencarnado, pode ser comparado a um dínamo complexo. Um dínamo gerador, indutor, transformador e coletor ao mesmo tempo, com capacidade de assimilar correntes continuas de força e exteriorizá-las simultaneamente.

A ciência explica que uma corrente elétrica não é mais do que um movimento de elétrons, e dentro do átomo os elétrons também se movem. Cada órbita eletrônica produz seu campo magnético, campos estes que se somam se forem ordenados, por exemplo, o radar e o raio-x, são ondas eletromagnéticas.

O cérebro humano produz constantemente milhões de pequenos impulsos elétricos que tendem a somar-se e assim podem ser recolhidos em volta do crânio.

Diz André Luiz:

“A corrente mental também é uma corrente de natureza elétrica, embora menos ponderável na esfera física.

Em tomo da corrente elétrica surgem efeitos magnéticos de intensidade correspondente. A eletricidade vibra”.

Toda partícula da corrente mental nascida das emoções e desejos recônditos do Espírito, através da consciência se desloca produzindo radiações eletromagnéticas, cuja frequência varia conforme os estados mentais do emissor.

CIRCUITO MEDIÚNICO

Para melhor entendermos a manifestação, isto é, a mensagem de uma entidade através de um médium, procuremos entender o Circuito Mediúnico que André Luiz explica no Livro Mecanismos da Mediunidade – Cap. VI

André Luiz compara o circuito mediúnico ao circuito elétrico que encerra um condutor de ida e outro de volta da corrente, abrangendo o gerador e os aparelhos de utilização a englobarem os serviços de geração, transmissão, transformação e distribuição de energia.

Para execução de semelhantes atividades, as máquinas respectivamente guardam consigo recursos especiais, em circuitos elementares como o sejam os de geração e manobra, proteção e medida.

Assim estabelece-se o circuito mediúnico do Espírito para o médium, e do médium para o Espírito através da sintonia e por afinidade, projetando o Espírito seus pensamentos em forma de ondas magnéticas, sonoras e coloridas.

As ideias em forma de ondulações são recebidas pelo médium, interpretadas, ampliadas, trabalhadas e retransmitidas através do cérebro físico, sistema nervoso, órgão da palavra (comunicação oral), braço e mão (comunicação escrita).

A união das correntes mentais chama-se, portanto, circuito mediúnico.

O circuito mediúnico, dessa maneira, expressa uma “vontade-apelo” e uma “vontade-resposta”, respectivamente, no trajeto ida e volta, definindo o comando da entidade comunicante e a concordância do médium.

Bibliografia:

XAVIER, Francisco Candido (Espírito André Luiz). Mecanismo da Mediunidade: Cap. IV, V, VI8a Aula - 29

ARMOND, Edgard. Passes e Radiações: Cap. V e XXIII

XAVIER, Francisco Candido (Espírito Emmanuel). Indulgência: Lições 12 e 13

PERALVA, Martins. Estudando a Mediunidade: Cap. 8 – Tomadas Mentais

XAVIER, Francisco Candido (Espírito André Luiz). Nos Domínios da Mediunidade: Cap. 5 - Assimilação de Correntes Mentais

Fonte da imagem: Internet Google.

quinta-feira, 9 de maio de 2019

7a Aula Parte B - CURSO DE EDUCAÇÃO MEDIÚNICA 2º ANO FEESP


OS BONS ESPÍRITAS

O Espírita, através dos conhecimentos que adquire com a Doutrina, tem condições de compreender muito mais os ensinamentos de Jesus e, portanto, tem maior responsabilidade em praticá-los, pois “a quem mais foi dado, mais será pedido” (Lc. Cap. XII:47-48)

Com os novos esclarecimentos que o Espiritismo lhe propicia, o homem pode desenvolver uma fé mais sólida, compreendendo racionalmente o objetivo da reencarnação.

Do conhecimento proporcionado pelo Espiritismo, é importante ao espirita querer o resultado prático e verdadeiro que advém dos seus ensinamentos, como, por exemplo, a reforma moral, pois o mundo está repleto de teorias que, sem aplicação, não tem utilidade. De nada adianta ao homem possuir uma bagagem imensa de conhecimentos, se não a utiliza para sua modificação moral e espiritual.

A própria felicidade depende da ação que o homem imprime aos pensamentos; por isso, a felicidade é uma conquista de cada um, individualmente, num processo constante de auto aprimoramento.

Ser Espírita, na amplitude do termo, significa a busca constante da maturidade espiritual; a prática dos ensinamentos de Jesus, na relação social; viver como Espírito, ainda que encarnado, compreendendo que a vida continua depois da morte, que ele mesmo é o construtor do próprio destino.

Ora, há pessoas que mesmo recebendo provas racionais e científicas da existência do mundo espiritual e de todas as relações que daí se origina, não as aceitam e não acreditam nelas.

São aqueles a quem Jesus se refere na Parábola do Semeador (Mateus, cap. 13: 18 a 23), como a semente que ainda não encontrou “terreno fértil” em seus corações e, por isso, não frutificou. Porém, como o progresso é uma lei natural de amor, que impulsiona todas as criaturas a novas conquistas no campo do saber e da moral, chegará o tempo que compreenderão tudo o que Jesus transmitiu, através de seus ensinamentos, o que vem confirmar o Espiritismo.

Há ainda pessoas que somente se preocupam com os fenômenos, enquanto outras, desejam moralizar apenas os companheiros de jornada, relutando em retirar a trave dos próprios olhos, antes de querer retirar o argueiro do olho do próximo. Em ambos os casos, o que falta é a prática da reforma íntima, estribada na humildade e na fé.

Quando o Espírita sente na Doutrina um caminho de elevação, procura, através dos ensinamentos evangélicos, rever seus valores, aplicando o preceito em si mesmo, eliminando defeitos, substituindo-os por sentimentos e ações dignos e fraternos; corrigindo, com consciência e bondade, os erros do passado; conquistando outras simpatias para o seu redor; enfim, efetiva o seu burilamento moral, praticando o lema FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO, nos atos de sua vida.

O bom Espírita deve assim, vivenciar os ensinamentos de Jesus, através da humildade, tolerância, compreensão, indulgência, fraternidade, do amor sincero ao próximo, que é a Humanidade.

Suas obras devem refletir as virtudes adquiridas.

É importante a auto avaliação, para verificar a verdadeira mudança interior, retificando sempre que necessário os velhos hábitos, as más condutas, confiante na Providência Divina, pródiga em amor e que nos guia no trabalho de retificação, que nos é particular.

Enfim, o Bom Espírita é todo aquele que tem a consciência tranquila e deseja servir, sem ser servido. É o homem que demonstra sua TRANSFORMAÇÃO MORAL, durante sua existência na Terra.

Assim, todo o bem que houver feito, reverter-lhe-á em bênçãos de luz, que irradiará, onde estiver, identificando-lhe a estatura espiritual.

Bibliografia:

KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo: Cap. XVII – item 4

BÍBLIA SAGRADA. Novo Testamento: Evangelhos de Lucas e Mateus

Questões para Reflexão

1) Faça uma análise acerca da influência da arte paga na vida e nas expressões artísticas.

2) Comente o valor da Doutrina Espírita no campo das artes e explique esta relação entre os planos espirituais e materiais.

3) Explique a relação do conhecimento espírita com a felicidade de cada ser e qual a sua influência na conquista de valores morais.

4) Na sua vivência espírita o que significa viver como espírita enquanto tem como abrigo o corpo físico.

Fonte da imagem: Internet Google.

terça-feira, 7 de maio de 2019

7a Aula Parte A - CURSO DE EDUCAÇÃO MEDIÚNICA 2º ANO FEESP


MEDIUNIDADE NAS ARTES, PINTURA – ESCULTURA – MÚSICA

Allan Kardec, ao analisar a influência das ideias materialistas nas Artes, afirma que “as preocupações de ordem material se sobrepõem aos cuidados artísticos” e que a concentração dos pensamentos sobre as coisas materiais é o resultado da ausência de toda crença, de toda fé na espiritualidade do ser.

Enfatiza ainda o Codificador que “As Artes só sairão de seu torpor, quando houver uma reação, visando as ideias espiritualistas”. Dessa forma, antecipa-se o que se pode constatar na atualidade, no terreno da Arte Espírita, em suas várias modalidades, frente a violência humana, refletida nos meios de comunicação, e através das expressões artísticas mais destacadas, como a música, a pintura, o teatro, o cinema e a televisão.

Afirma ainda Kardec, que “é matematicamente exato dizer que, sem crenças, as Artes não tem vitalidade possível, e toda transformação filosófica acarreta, necessariamente, uma transformação artística paralela.

Kardec apresenta três momentos filosóficos e correspondentes a transformações artísticas, a saber:

1- Época Primitiva: Arte Pagã, em que se divinizava a perfeição da Natureza. Só conheciam a vida material.

2- Época da Idade Média: Arte Cristã, sucedeu a Arte Pagã e representava os sentimentos atormentados entre o Céu e o Inferno tanto na Pintura, como na Escultura. Reconhecimento de um poder criador, acima da matéria.

3- Época Atual: Arte Espírita, em que deverão expressar-se as novas ideias da imortalidade da alma, da pluralidade das existências ou dos mundos, ainda, da comunicação com os Espíritos, irá complementar e transformar a Arte Cristã.

Léon Denis, Cap. 1, diz: “O papel essencial da Arte é expressar a vida com todo poder, sua graça e sua beleza”.

E é nesse sentido que comenta o Espírito de Lavater, dizendo:

Não é belo, realmente belo, senão aquilo que é sempre e para todos. E esta beleza eterna, infinita, e a manifestação divina sob seus aspectos incessantemente variados; é Deus em suas obras, em suas leis! Eis a única beleza absoluta. Acrescenta, ainda: “Nós que progredimos, não possuímos senão uma beleza relativa, diminuída e combatida pelos elementos inarmônicos de nossa natureza”.

Complementa Léon Denis, Cap. III, que “o objetivo sublime da criação é a fusão do bem e do belo. Esses dois princípios são inseparáveis, inspiram toda a obra divina e constituem a base essencial das harmonias do cosmo”.

Emmanuel, na pergunta 161 do Livro “O Consolador”, ensina que a Arte é a mais elevada contemplação espiritual por parte das criaturas. Ela significa a mais profunda exteriorização do ideal, a divina manifestação desse ‘mais além’ que polariza as esperanças da alma.

“O artista verdadeiro é sempre o ‘médium’ das belezas eternas, e o seu trabalho, em todos os tempos, foi o tanger as cordas mais vibráteis do sentimento humano, alçando-o da Terra para o infinito e abrindo, em todos os caminhos, a ânsia do coração para Deus, nas suas manifestações supremas de beleza, de sabedoria, de paz e de amor”.

Complementa que “a Arte será sempre uma só, na sua riqueza de motivos, dentro da espiritualidade infinita, porque será sempre a manifestação da beleza eterna, condicionada ao tempo e ao meio de seus expositores”.

Há todo um processo de formação do artista ao longo de sua caminhada evolutiva, que exterioriza na obra seus sentimentos, seu equilíbrio mental, sua paz, sua bondade, sua crença.

Por isso, diz Denis, cap. 1: “quando o Espírito humano encarna na Terra e leva consigo - seja de suas vidas terrestres, certa noção de ideal estético, tão logo ele chegue a maturidade na vida terrestre, sua bagagem artística exterioriza-se sob a forma de inspirações reunidas a uma qualidade mestra que chamaremos de gosto reunido ao sentido do belo”.

A mesma ideia transmite Emmanuel, na pergunta 163: “A perfeição técnica de um artista bem como as suas mais notáveis características não constituem a resultante das atividades de uma vida, mas de experiências seculares na Terra e na esfera espiritual”.

Este gosto pela Arte, numa de suas características quaisquer, leva o homem a busca da inspiração, que é uma forma de mediunidade intuitiva, pela qual o artista entra em contato com os Espíritos para a realização de seu trabalho. (LM, 2ª Parte, cap. XXXI, item X)

Nem sempre é possível distinguir quando o trabalho é do homem ou quando é sugerido pelo Espírito, nos casos de inspiração, mas, se houver no homem a disposição orgânica para o exercício da mediunidade, em seu sentido específico, ter-se-á então, a aplicação da mediunidade nas Artes.

Nestas condições, o papel do médium não é o de um criador da Arte, mas de um instrumento para que o Espírito produza o seu trabalho, que será tanto mais belo quanto mais evangelizado estiver o médium.

A mediunidade nas Artes revela-se através da escultura, da pintura, da literatura (oratória, poesia etc.), do teatro ou da música. Diferentes núcleos de estudos têm-se formado atualmente, em decorrência da divulgação da Doutrina dos Espíritos, objetivando mostrar os valores da vida espiritual e sua relação com a vida física.

O teatro, levado ao público, pelos meios de comunicação eletrônicos, poderia ser um poderoso meio de educação intelectual e moral, pela elevação do pensamento, pelos nobres exemplos que a vida real mostra, se para lá fossem levados.

O cinema e a televisão, através de filmes e novelas poderiam levar ao público um trabalho mais nobre, digno e educativo, de exemplificação do bem, do trabalho e da busca de uma vida melhor. A internet surge também como valioso instrumento de comunicação, educação e auxílio, contribuindo assim, para o progresso intelectual e moral da humanidade.

A pintura mediúnica, psicopictografia ou psicopictoriografia, tem se desenvolvido, ultimamente, com intensidade, talvez devido a apresentação pública de alguns médiuns, mostrando ao mundo dos homens a intervenção dos Espíritos pintores, através da mediunidade, e revelando que a vida continua além dos horizontes da morte.

A Arte não é um atributo do homem, mas do Espírito imortal. É por isso que na vida espiritual as artes continuam com toda a sua beleza harmoniosa. Os Espíritos narram passagens maravilhosas. Em “Chama Eterna”, cap. 15, Luiz Sérgio fala no Departamento da Arte, dos problemas de relação Espírito-médium.

Allan Kardec, em diversas passagens da “Revista Espírita”, alude a Arte Espírita, mas, no nº 5, de maio/1858, entrevista Mozart que, falando de música, diz: “No planeta onde estou, Júpiter, a melodia está por toda a parte, no murmúrio da água, no ruído das folhas, no canto do vento; as flores murmuram e cantam; tudo emite sons melodiosos... A natureza é tão admirável! Tudo nos inspira o desejo de estar com Deus. Não temos instrumentos; são as plantas, os pássaros, que são os coristas; o pensamento compõe, e os ouvintes desfrutam sem audição material, sem o recurso da palavra, e isso a uma distância incomensurável. Nos mundos superiores isso e ainda mais sublime”.

Em todo o trabalho mediúnico, no campo da Arte, deve o médium compreender que o trabalho não é seu, mas do Espírito. Importante, por isso não envaidecer-se de “sua arte” nem de sua mediunidade, porquanto, se o trabalho é dos Espíritos, a mediunidade tantas vezes decorre da misericórdia divina.

O importante, também, é o médium compreender que não deve comercializar a obra, tirando proveito para si mesmo, mas conduzir todo o resultado pecuniário obtido para obras assistenciais.

Mais importante, ainda, é o médium manter-se humilde em relação aos elogios; manso, em relação às críticas, e perseverante em relação aos princípios basilares do ensino dos Espíritos, que deve ser divulgado como um corpo doutrinário, sem a interferência da opinião dos homens.

Em última análise, deve o médium exemplificar por sua conduta, como homem, e por sua atividade, como médium sendo, como um verdadeiro representante dos ensinamentos de Jesus e dos Espíritos.

Escreveu Meimei (no livro “Sentinela da Alma”) a “Oração do Pintor”, em que conclui: “Ensina-me o equilíbrio e o respeito aos outros, para que eu apenas crie formas do bem e para o bem, a fim de que eu possa cooperar na segurança e na ordem, na serenidade e na alegria permanentes de tua obra, hoje e sempre”.

Bibliografia:

KARDEC, Allan. Obras Póstumas: Influência Perniciosa das Ideias Materialistas, Sobre as Artes em Geral

DENIS, Leon. O Espiritismo nas Artes

XAVIER, Francisco Candido (Espírito Emmanuel). O Consolador: Pergs. 161 a 172

KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns: 2ª parte - Cap. XVI - item 19o

KARDEC, Allan. Revista Espírita: Maio 1858

DUBUGRAS, Elsie e outros. Renoir, é você?

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quinta-feira, 2 de maio de 2019

6a Aula Parte B - CURSO DE EDUCAÇÃO MEDIÚNICA 2º ANO FEESP


MUITO SE PEDIRÁ ÀQUELE QUE MUITO RECEBEU

“O servidor que soube a vontade de seu senhor e que, todavia, não estiver preparado e não tiver feito o que esperava dele, será batido rudemente; mas aquele que não soube sua vontade, e que tiver feito coisas dignas de castigo, será menos punido. Muito se pedirá àqueles a quem se tiver muito dado, e se fará prestar maiores contas aqueles a quem se tiver confiado mais coisas”. Lucas, XII: 47 e 48

Todo aquele que conhece os ensinamentos do Cristo é culpável, seguramente de não os praticar. Se faz necessário, diante do Evangelho, possuir uma postura de verdadeiro cristão, aproveitando os preceitos de Jesus para o adiantamento espiritual, para que cada coração seja tocado pela humildade, altruísmo, desapego dos bens materiais e acima de tudo amor ao próximo e amor a Deus.

Os médiuns que obtém boas comunicações são ainda mais repreensíveis em persistir no mal, porque, frequentemente, escrevem sua própria condenação e, se não estivessem cegos pelo orgulho, reconheceriam que é a eles que os Espíritos se dirigem. Mas em lugar de tomar para eles as lições que escrevem, seu único pensamento é de as aplicar aos outros, realizando assim estas palavras de Jesus: “Vedes um argueiro no olho do vosso irmão, e não vedes a trave que está no vosso”. Ou ainda, por estas outras palavras: “Se fosseis cegos não teríeis pecado”. Jesus quer dizer que a culpabilidade está em razão do conhecimento que se possui; pois, os Fariseus, que tinham a pretensão de ser, e que eram a parte mais esclarecida da nação, eram mais repreensíveis aos olhos de Deus do que o povo ainda menos esclarecido. Ocorre o mesmo hoje.

Aos espíritas será pedido muito, porque receberam muito, mas, também, aqueles que tiverem aproveitado, será dado muito. O primeiro pensamento de todo espírita sincero deve ser o de procurar, nos conselhos dados pelos Espíritos, se não há alguma coisa que possa lhe dizer respeito. O Espiritismo vem multiplicar o número dos chamados; pela fé que proporciona, multiplicará também o número dos escolhidos.

O cristão é sempre chamado a servir em toda parte. Na casa do sofrimento, ministrara consolação. Na toca das trevas, acenderá a luz. No confronto com o ódio, multiplicara as bênçãos do amor. Na praça da maldade, dispensará o bem. Em todos os ângulos do caminho, encontraremos sugestões do Senhor, desafiando-nos a servir.

Ao portador da responsabilidade mediúnica, inquire Jesus pela aplicação dos talentos que lhe foram confiados.

A cada criatura que desperta em mais altos níveis da fé raciocinada, soa a interpelação do Senhor: “Que buscais?” é um verdadeiro convite às obras em que se afirme a caridade real.

Assim, é nossa a responsabilidade de escutar no íntimo, em cada lance das nossas atividades, a palavra do Condutor Divino, convocando-nos a coerência entre o ideal e o esforço, entre a promessa e a realização.

Analisar o que fazemos, observar o que dizemos, meditar em torno das nossas aspirações mais ocultas.

Se a perturbação, por ventania gritante, rugir à nossa porta, não nos entreguemos aos pensamentos desordenados. É preciso parar e refletir. Se desatinos dessa ou daquela procedência visitam a nossa alma, busquemos o nosso Íntimo e acendamos a luz da prece, reexaminando atitudes e reconsiderando problemas, entendendo que a renovação somente será verdadeira renovação para o bem se partir do nosso coração e do nosso pensamento.

A nossa felicidade, neste mundo ou no outro, depende de nossos próprios méritos, erigindo, assim, a responsabilidade pessoal em princípio fundamental de nossa filosofia de vida. Preceitua o evangelho que “a cada um será dado segundo as suas obras”. Quando toda a humanidade pensar e agir deste modo, a Terra se transformará e o amor será uma realidade em todas as criaturas.

Bibliografia:

KARDEC, Allan. Evangelho Segundo o Espiritismo: Cap. XVIII - item 10 a 14

BÍBLIA SAGRADA. Novo Testamento: Evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas, XII: 47 e 48

XAVIER, Francisco Candido (Espírito Emmanuel). O Espírito da Verdade: item 54

XAVIER, Francisco Candido (Espírito André Luiz). Agenda Cristã: item 45

XAVIER, Francisco Candido (Espírito Emmanuel). Livro da Esperança: item57

CALLIGARIS, Rodolfo. Páginas de Espiritismo Cristão: item 52

Questões para reflexão:

1) Explique o que você entendeu por fenômeno anímico, como e porque ele se processa.

2) Faca um breve relato sobre a mediunidade poliglota.

3) Analise a afirmação de Jesus: “Vedes um argueiro no olho do vosso irmão, e não vedes a trave que está no vosso”

4) Como espírita analise a interrogação do Senhor: “Que buscais?”

Fonte da imagem: Internet Google.

terça-feira, 30 de abril de 2019

6a Aula Parte A - CURSO DE EDUCAÇÃO MEDIÚNICA 2º ANO FEESP


COMUNICAÇÃO ANÍMICA – XENOGLOSSIA

O termo animismo tem como raiz etimológica a palavra anima, do latim, que significa alma. Conforme o conceito adotado na Codificação, alma é um Espírito encarnado. Este termo animismo foi proposto por Aksakof; que diz: “Para maior brevidade, proponho designar pela palavra animismo todos os fenômenos intelectuais e físicos que deixam supor uma atividade extracorpórea ou a distância do organismo humano e mais especialmente todos os fenômenos mediúnicos que podem ser explicados pela ação que o homem vivo exerce além dos limites do corpo”.

Os fenômenos espíritas podem ser classificados em 3 categorias:

1° - Anímicos > as manifestações que decorrem da alma do médium.

2° - Mediúnicos > as manifestações que decorrem da ação de um Espírito desencarnado através de um médium.

3°- Mistos > Anímicos e Mediúnicos > derivados dos dois primeiros.

No livro “Nos Domínios da Mediunidade” de Francisco Candido Xavier, pelo Espírito de André Luiz, no Cap. 22, Emersão do Passado, afirma que muitos espíritas vêm convertendo a teoria animista num travão injustificável a lhes congelarem preciosas oportunidades de realização do bem, não cabendo adotar a palavra “mistificação” inconsciente ou subconsciente no lugar da palavra animismo. Muitos companheiros se mostram incapazes de remover os obstáculos criados pelo animismo, destruindo, assim, magnifica oportunidade de ajudarem elementos que, buscando as casas espíritas nessas condições, poderiam, posteriormente, contribuir em favor dos necessitados.

De fato que, os fenômenos anímicos são aqueles em que o médium, sem nenhuma ideia preconcebida de mistificação, recolhe impressões do pretérito e as transmite, como se por ele mesmo um Espírito estivesse comunicando. Os fatos mediúnicos, propriamente ditos, são aqueles em que o médium é, apenas, um veículo a receber e transmitir as ideias dos Espíritos desencarnados ou encarnados (Manifestação Mediúnica entre encarnados). Uma pessoa encarnada também pode determinar uma comunicação mediúnica, isto é, fazer com que o sensitivo lhe assimile as ondas mentais e as reproduza pela escrita ou pela palavra. Pela lei de sintonia, pessoas adormecidas igualmente podem provocar comunicações mediúnicas, uma vez que, enquanto dormimos, nosso Espírito se afasta do corpo e age sobre terceiros, segundo os nossos sentimentos, desejos e preferências.

Na Codificação, não encontramos o termo animismo. Nem os Espíritos nem Allan Kardec dele se serviram, porquanto ele só surgiu mais tarde, proposto por Alexandre Aksakof como vimos acima. Mas, nem por isso, os fenômenos anímicos deixaram de ser ali mencionados e estudados, tendo sido objeto de todo o capítulo VIII, da 2ª parte, do Livro dos Espíritos, onde podemos citar o sumário das seguintes matérias:

1- O sono e os sonhos.

2- Visitas espíritas entre pessoas vivas.

3- Transmissão oculta do pensamento.

4- Letargia, catalepsia. Mortes Aparentes.

5- Sonambulismo.

6- êxtase.

7- Dupla vista.

8- Resumo teórico do sonambulismo.

No Livro dos Médiuns, também são estudados fenômenos anímicos, a saber:

A- No capítulo VI – 2ª parte, Kardec trata da bicorporeidade, da transfiguração e invisibilidade, das aparições entre pessoas vivas, dos homens duplos (citando e analisando fatos da vida de Santo Afonso de Liguori, Santo Antônio de Pádua e Vespasiano).

B- Nos capítulos XIX e XX, ainda na 2ª parte, ele estuda o papel dos médiuns nas Comunicações Espíritas, perquirindo sobre a influência do Espírito do médium nessas comunicações e ainda cogita das evocações de pessoas vivas e da telegrafia humana, que como sabemos, são fatos anímicos.

O Espírito é uma individualidade imortal, o seu psiquismo global é uno, porém a sua memória inconsciente armazena os registros de cada encarnação, em faixas próprias e distintas, embora formando um todo no seu conjunto. Esses registros constituem a bagagem psíquica do indivíduo. Em cada encarnação, o Espírito vive determinada personalidade com seus caracteres próprios, quer os antropológicos, quer os psicológicos e morais. Na reencarnação do Espírito, a personalidade da encarnação anterior fica registrada na memória do pretérito do inconsciente, não mais aflorando ao plano da consciência, a não ser acidentalmente, sob um influxo detonador psíquico, cuja natureza é variável. Quando isso acontece e a personalidade anterior se manifesta, ocorre um fato anímico, como o relatado por André Luiz no livro citado.

Nos casos de reuniões mediúnicas, onde apresentem médiuns com manifestações anímicas, com a emersão no passado, os dirigentes e colaboradores, devem tratar o caso com a mesma atenção e carinho que se ministra aos Espíritos sofredores que se comunicam. Em tais casos a manifestação anímica constitui uma verdadeira catarse (em psicologia é a liberação de um trauma, de uma lembrança desagradável), e o esclarecimento munido de recursos evangélicos com um sentido edificante e construtivo é primordial, pois, o médium também é um Espírito imortal, solicitando-nos concurso e entendimento para que se lhe restabeleça a harmonia. Um doutrinador sem tato fraterno apenas lhe agravaria o problema, diante do seu padecimento moral, porque a pretexto de servir à verdade, talvez lhe impusesse corretivo inoportuno ao invés de socorro providencial. Primeiro, é preciso remover o mal, para depois fortificar a vítima na sua própria defesa. Um vaso defeituoso pode ser consertado e restituído ao serviço.

Ademais, quantos mendigos arrastam na terra o esburacado manto da fidalguia efêmera que envergaram outrora! ... Quantos escravos da necessidade e da dor trazem consigo a vaidade e o orgulho dos poderosos senhores que já foram em outras épocas. Quantas almas conduzidas à ligação consanguínea caminham do berço ao túmulo, transportando quistos invisíveis de aversão e ódio aos próprios parentes, que lhes foram duros adversários em existências pregressas! ... Todos podemos cair em semelhantes estados se não aprendemos a cultivar o esquecimento do mal, em marcha incessante do bem! ... Sendo assim, o dirigente ou o colaborador usarão sempre do carinho fraterno, fazendo que as suas palavras, dirigidas ao Espírito do próprio médium, porque a consolação e a prece, seguidas do esclarecimento edificante, são os recursos aplicáveis ao caso.

XENOGLOSSIA (ou Glossolalia) > O termo “Xenoglossia” foi o professor Richet quem o propôs, com o intuito de distinguir, de modo preciso, a mediunidade poliglota propriamente dita, pela qual os médiuns falam ou escrevem em línguas em que eles ignoram totalmente na presente encarnação e, as vezes, ignoradas de todos os presentes.

Ernesto Bozzano, em sua monografia sobre o assunto esclarece que a mediunidade poliglota pode ser classificada da seguinte maneira:

A- Falante (Psicofonia)

B- Audiente

C- Escrevente (Psicografia ou tipitologia)

D- Voz direta

E- Escrita direta

O médium fala em qualquer idioma, seja em inglês ou francês, latim ou hebraico, sem conhecer essas línguas na atual encarnação. Porém não são apenas os tratados e monografia que registram tais fenômenos. O Antigo e o Novo Testamento são ricos em comunicações xenoglóssicas. Como por exemplo, a explosão de Pentecostes.

A mediunidade poliglota tem a sua causa no recolhimento de valores intelectuais do passado, os quais repousam na subconsciência do sensitivo, ou médium. Ela decorre, primordialmente, de um simples fenômeno de sintonia no tempo que é o processo pelo qual a mente humana, ligando-se ao pretérito distante, provoca a emersão, das profundezas subconsciente, de expressões variadas e formas diversas que ali estão adormecidas.

A subconsciência é o “porão da individualidade”. Lá se encontram arquivados todos os valores intelectuais e conquistas morais acumulados em várias encarnações, como fruto natural de sucessivas experiências evolutivas. Só pode ser médium poliglota aquele que já conheceu, noutros tempos, o idioma pelo qual se expresse durante o transe.

Bibliografia:

XAVIER, Francisco Candido (Espírito Emmanuel). Seara dos Médiuns; Lição 44

BOZZANO, Ernesto. Xenoglossia

XAVIER, Francisco Candido (Espírito André Luiz). Mecanismos da Mediunidade: Cap. XXIII

KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns: 2ª parte – Caps. VI, XIX e XX

PERALVA, Martins. Estudando a Mediunidade: Caps. XXXVI e XXXVIII

Fonte da imagem: Internet Google.

quinta-feira, 25 de abril de 2019

5a Aula Parte B - CURSO DE EDUCAÇÃO MEDIÚNICA 2º ANO FEESP


O HOMEM NO MUNDO

Constitui clamoroso erro o homem viver no mundo enclausurado julgando, assim, evitar as contaminações nele prevalecentes. Quem assim procede desconhece que o verdadeiro mérito consiste em viver em contato com todas as situações que o mundo oferece sem, entretanto, deixar-se atingir por aquelas que são negativas para o seu aprimoramento moral e espiritual.

Jesus Cristo representa um modelo para toda a Humanidade. Ele desempenhou o seu sublime Messiado, defrontando-se com pecadores de todos os matizes, tendo, então, a oportunidade de lhes ensinar o caminho mais curto para atingirem a reforma interior, através de preceitos altamente consoladores e misericordiosos.

O homem deve purificar seus sentimentos, não permitindo jamais que em sua mente permaneçam pensamentos mundanos ou fúteis, ficando, assim, a salvo das imoralidades e dos desregramentos, que geralmente conduzem ao descalabro espiritual.

A perfeição do Espírito é conseguida principalmente tendo por esteio “a prática da caridade sem limitações, cabendo aqui salientar que os deveres da caridade abrangem todas as posições sociais, desde as mais íntimas até as mais elevadas”.

Isolando-se do mundo, o homem perde todas as oportunidades de exercer a caridade, pois somente num contato mais estreito com seus semelhantes, no decurso dos duros embates da vida terrena, ele encontra meios, encontra modos de praticá-la. Aquele que se enclausura repele, voluntariamente, o mais eficiente e poderoso meio de conquistar a perfeição, pois, pensando unicamente em si, o egoísmo avassala o seu coração” e ele se toma inapto para conquistas mais relevantes, capazes de apressar a sua caminhada evolutiva rumo ao Criador de todas as coisas. A prática das virtudes santificantes enobrece e eleva os Espíritos, preparando-os para o acesso aos Planos Superiores da Espiritualidade. A prática sadia da virtude não consiste em tornar-se lúgubre, contristado, repelindo os gozos nobres que as condições humanas oferecem, sem que sejam um incentivo a prática do mal.

No mundo, muitas pessoas religiosas costumam isolar-se do mundo exterior, vivendo em mosteiros, mortificando-se e produzindo dores e sofrimentos voluntários, acreditando que, com essa prática, se aproximam mais rapidamente de Deus. Puro engano, porque assim procedendo, estarão perdendo belas oportunidades de praticar o bem. Se Jesus, quando veio desempenhar o seu fulgurante Messiado, tivesse se fechado num retiro, não teria proporcionado à Humanidade a oportunidade ímpar de tomar conhecimento dos seus atos, e da maravilhosa Doutrina contida nas páginas do seu Evangelho.

De forma idêntica, “não se deve jamais imaginar que para viver em constante contato com o Mundo Maior, sob as vistas de Deus, seja necessário entregar-se ao cilício, as adorações exteriores ou mesmo cobrir de cinzas o corpo”, como se fazia em remoto passado. Isso de nada aproveita ao Espírito que desfruta de um processo evolutivo. Aquele que pratica um ato mau, e arrepende-se sinceramente, sempre tem a oportunidade de novos começos, na pauta da lei da reencarnação, pois o Pai não quer que nenhum de seus filhos se perca.

O homem no mundo deve procurar pautar seus atos seguindo as normas trazidas por Jesus, lembrando sempre que a Lei Maior é: “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”.

Bibliografia:

KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo: Cap. XVII, item 10

Questões para reflexão:

1) Relacione os meios que devem ser usados para que o trabalhador espírita não seja enganado.

2) Explique as consequências desagradáveis das mistificações.

3) Analise a frase: “o homem no mundo deve procurar pautar seus atos seguindo as normas trazidas por Jesus.”

4) Comente sucintamente sobre o pensamento do homem que prefere viver no isolamento.

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terça-feira, 23 de abril de 2019

5a Aula Parte A - CURSO DE EDUCAÇÃO MEDIÚNICA 2º ANO FEESP


FRAUDES ESPÍRITAS E MISTIFICAÇÕES

FRAUDES ESPÍRITAS

As pessoas que não conhecem o Espiritismo se deixam mais facilmente se iludir pelas aparências, ao passo que um prévio e atento estudo, não só das causas e dos efeitos dos fenômenos, mas também das condições normais em que elas podem ser produzidas e das leis que os regem, as inicia no assunto e lhes fornece os meios de reconhecer a fraude, se por ventura existir.

Quando falamos de fraudes, estamos falando de efeitos, partindo desse princípio, teremos que imaginar uma infinidade de efeitos para orientar o médium, Como não há efeito sem causa, o melhor é oferecermos ao médium as leis que regem os fenômenos, esclarecendo o porquê dos mesmos, para que o médium possa fazer juízo de valor se os efeitos são verdadeiros ou não à luz do conhecimento espírita. Diz Kardec em O Livro dos Médiuns 1ª Parte - Noções preliminares – Cap. III - Método, itens 29 a 34, que o melhor método para uma compreensão dos fenômenos ou uma identificação de fraude, é o conhecimento da Doutrina Espírita e afirma que chegou a essa conclusão por experiência.

Nos trabalhos fraudulentos, onde existem fenômenos que se dizem espíritas, médiuns despreparados burlam a boa-fé de alguns crentes, usando falsidade.

Porque isso ocorre? Como evitar ser explorado ou enganado? Kardec em O livro dos Médiuns 2ª Parte - cap. XXVIII, item 314, comenta; “Os que não admitem a realidade das manifestações físicas atribuem à fraude os efeitos produzidos”.

A conexão entre Espiritismo e Mediunidade leva algumas pessoas a considerá-los a mesma coisa.

A palavra mediunismo, criada por Emmanuel, designa a mediunidade em sua expressão natural, isto é, as práticas empíricas da mediunidade, que fundamentam as crenças e religiões primitivas. Mediunidade positiva surge com o Espiritismo, somente com o Espiritismo a mediunidade se define como uma condição natural da espécie humana, recebe a designação precisa de mediunidade e passa a ser tratada de maneira racional e científica. Fatos Espíritas, assim chamados os fenômenos ou manifestações mediúnicas, são de todos os tempos, as práticas mágicas ou religiosas, constituem o mediunismo, que são práticas mediúnicas. A Doutrina Espirita é uma interpretação racional das manifestações mediúnicas no seu tríplice aspecto: Científico, Filosófico e Religioso e mostra as leis que regem esses fenômenos e manifestações. Os fatos mediúnicos são fatos espíritas, assim chamados por Kardec, mas não é Espiritismo, porque o Espiritismo se serve dos fatos mediúnicos como de uma matéria prima para a elaboração de seus princípios, ou como de uma força natural, que se aproveita das quedas d’agua ou dos rios para a produção de energia. Livro O Espírito e o Tempo - cap. I de Herculano Pires.

Há uma conexão entre Espiritismo e Mediunidade e que leva a muitas pessoas a considerá-los a mesma coisa, confundindo-os erroneamente.

O Espiritismo, nas suas linhas doutrinárias, estabeleceu normas seguras para o exercício da Mediunidade, classificando-a convenientemente. Livro Estudando a Mediunidade. cap. XL. Martins Peralva.

Todos somos médiuns, sendo espírita ou não.

As práticas do sincretismo religioso Afro-Brasileiro, não são espíritas, é um fenômeno sociológico natural.

Espiritismo é um corpo de Doutrina de elevado teor espiritual consubstanciando normas e diretrizes superiores que visam, primordialmente, a elevação do ser humano.

Quem é o Espírita? O que estuda aceita e pratica com fidelidade os salutares princípios doutrinários, com vistas a renovação do espírito humano.

Mediunidade, é um dom que possibilita a criatura humana, de qualquer religião, veicular o pensamento e as ideias dos espíritos.

Mediunidade faz parte de um dos princípios do Espiritismo, portanto, Espiritismo não é mediunidade nem mediunidade quer dizer espiritismo. Livro Estudando a Mediunidade - Cap. XL. Martins Peralva.

Podemos distinguir a mediunidade da seguinte forma:

a) Mediunidade exercida com objetivos superiores – Méd. com Jesus

b) Mediunidade exercida com interesses inferiores – Méd. S/Jesus.

A mediunidade que se orienta pelo espiritismo é simples, sem ritual de qualquer espécie, sua finalidade: O bem e a elevação espiritual do homem.

Mediunidade exercida em nome do espiritismo cristão será sempre um instrumento de edificação para o seu possuidor, uma vez que por ela: Os aflitos serão consolados. Os enfermos curados. Os ignorantes esclarecidos. Livro Estudando a Mediunidade - Cap. XL. Martins Peralva.

DAS MISTIFICAÇÕES

Se Enganar-se é desagradável, pior ainda é ser mistificado. Aliás, é esse o inconveniente de que mais facilmente podemos nos preservar.

Os meios de desmanchar as armadilhas dos Espíritos mistificadores foram expostos nas instruções precedentes e por isso diremos pouco a respeito. Eis as respostas dadas pelos Espíritos sobre o assunto:

1. As mistificações são um dos escolhos mais desagradáveis da prática espírita. Haverá um meio de evitá-las?

- Parece-me que podeis encontrar a resposta revendo o que já vos foi ensinado. Sim é claro, há para isso um meio muito simples, que é o de não pedir ao Espiritismo nada mais do que ele pode e deve dar-vos: seu objetivo é o aperfeiçoamento moral da Humanidade. Desde que não vos afasteis disso, jamais serei mistificado, pois não há duas maneiras de se compreender a verdade moral, mas somente aquela que todo homem de bom senso pode admitir.

Os Espíritos vêm instruir-vos e guiar-vos na rota do bem e não na das honrarias e da fortuna ou para atender as vossas pequeninas paixões. Se jamais lhe pedissem futilidades ou o que seja além de suas atribuições, ninguém daria acesso aos Espíritos mistificadores. Do que se conclui que só é mistificado aquele que merece.

Os Espíritos não estão incumbidos de vos instruir nas coisas deste mundo, mas de vos guiar com segurança naquilo que vos possa ser útil para o outro. Quando vos falam das coisas daqui é por considerarem isso necessário, mas não porque o pedis. Se quiserdes ver nos Espíritos os substitutos dos adivinhos e dos feiticeiros, então sereis mistificados.

Se bastasse aos homens dirigir-se aos Espíritos para tudo saberem, perderiam o livre arbítrio e sairiam dos desígnios traçados por Deus para a Humanidade. O homem deve agir por si mesmo. Deus não envia os Espíritos para lhe aplainarem a rota da vida material, mas para lhe prepararem a do futuro.

- Mas há pessoas que nada pedem e são indignamente logrados por Espíritos que se manifestam espontaneamente, sem que os evoquem.

- Se nada pedem, aceitam o que dizem, o que dá na mesma. Se recebessem com reserva e desconfiança tudo o que se afasta do objetivo essencial do Espiritismo, os Espíritos levianos não as enganariam tão facilmente.

2. Porque Deus permite Que as pessoas sinceras, que aceitam de boa-fé o Espiritismo, sejam mistificadas. Isso não poderia acarretar o inconveniente de lhes abalar a crença?

- Se isso lhes abalasse a crença, seria por não terem a fé bastante sólida. As pessoas que abandonassem o Espiritismo por um simples desapontamento provariam não o haver compreendido, não se terem apegado ao seu aspecto sério. Deus permite as mistificações para provar a perseverança dos verdadeiros adeptos e punir os que fazem do Espiritismo um simples meio de divertimento.” O ESPÍRITO DA VERDADE (LM n° 303)

Bibliografia:

KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns: 1ª parte - Cap. III e 2ª parte – Cap. XXVII - n° 303 e Cap. XXVIII item 314

XAVIER, Francisco Cândido (Espírito Emmanuel). O Consolador: Perg. 401

LEX, Ary. Do Sistema Nervoso à Mediunidade

PIRES, Herculano. O Espírito e o Tempo: 1ª parte - Horizonte Tribal

PERALVA, Martins. Estudando a Mediunidade: Cap. XL

XAVIER, Francisco Cândido (Espírito André Luiz). Nos Domínios da Mediunidade: Cap. 27 - Mediunidade Transviada.

Fonte da imagem: Internet Google.