CARACTERÍSTICAS BÁSICAS DO ESPÍRITA: PACIÊNCIA, INDULGENCIA, FÉ, HUMILDADE, DIGNIDADE E CARIDADE.

terça-feira, 15 de agosto de 2017

13ª Aula Parte B – CURSO APRENDIZES DO EVANGELHO 2º ANO – FEESP

A Atuação dos Apóstolos e a Primeira Comunidade Cristã

DISCURSO DE PEDRO A MULTIDÃO

“Pedro, então, de pé, junto com os onze, levantou a voz e assim lhes falou”: ‘Homens da Judéia e todos vós, habitantes de Jerusalém, tomai conhecimento disto e prestai ouvidos as minhas palavras. Estes homens não estão embriagados, como pensais, pois esta é apenas a terceira hora do dia. O que está acontecendo é que foi dito por intermédio do profeta: ‘Sucederá nos últimos dias, diz Deus, que derramarei do meu Espírito sobre toda carne. Vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos jovens terão visões e vossos velhos sonharão. Sim, sobre meus servos e minhas servas derramarei do meu Espírito’.

(...) Homens de Israel, ouvi estas palavras! Jesus o Nazareu, foi por Deus aprovado diante de vós com milagres, prodígios e sinais, que Deus operou por meio dele entre vós, como bem sabeis. Este homem, entregue segundo desígnio determinado e a presciência de Deus, vós matastes, crucificando  pela mão dos ímpios. Mas Deus ressuscitou, libertando-o das angústias do Hades, pois não era possível que ele fosse retido em seu poder.

(...) “Saiba, portanto, com certeza, toda a casa de Israel: Deus constituiu Senhor e Cristo, este Jesus a quem vós crucificastes.” (At 2:14-36).

Após aquele inesquecível episódio do Pentecostes, muitos estavam, então, assombrados; outros, entretanto, estavam céticos.

Pedro, que cada vez mais consolidava sua liderança, levanta-se... Ergue sua voz diante da multidão, e inicia relembrando-os sobre a predição do profeta Joel (Joel 3: 1): “Vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos jovens terão visões e vossos velhos sonharão.”

Os antigos profetas hebreus, como podemos ver no Antigo Testamento, faziam muitas predições para séculos que estavam por vir. O profeta Joel (sec. IV a.C.), em seu livro, prediz “julgamento das nações” e a “vitória” final de Iahweh.

Em momento anterior a esse “julgamento dos povos” e a essa “era paradisíaca”, prevê o profeta Joel, exatamente, a difusão, sem precedentes, da manifestação da faculdade mediúnica de forma generalizada nos jovens, nos anciãos, e, ainda, outros “sinais nos céus e na terra”.

As profecias, entre o povo hebreu, repitamos, é algo indissociável, inseparável de sua cultura. É, entretanto, interessante notar que, na verdade, pouco ouvido eles davam a esses profetas. Cultuavam-nos como heróis de sua história, mas, na prática, parece que duvidavam de suas profecias.

Não os vemos - os hebreus à época de Moises - blasfemarem e confrontarem o grande profeta? Quantos outros profetas não foram rechaçados em sua época? Quantas não foram às profecias desprezadas no momento em que se cumpriam? A vinda do Cristo não estava prevista? Não rejeitaram eles o Cristo? Por isso disse Jesus: “Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te são enviados...”

Isso nos leva a refletir e perguntar: Como é possível que nem os Doutores da Lei, que conheciam como ninguém as Escrituras, que diariamente citavam os profetas, que repetiam suas predições, como é possível que nem eles pudessem “enxergar” o cumprimento da Lei?

É que essa “cegueira” é movida pelo egoísmo, movida por todas as más paixões que impedem o ser de avançar. Para alcançar a real compreensão, essa “visão” da verdade, é preciso ser humilde de coração, é preciso ser submisso à Lei de Deus.

Mas, assim como havia muitos que renegaram o Cristo e seu Evangelho, muitos outros se encontravam sedentos da Doutrina Redentora.

Pedro, tomado por inspiração divina, conclama-os a “ver”, convoca-os a relembrar das profecias, a compreender que o que tinha ocorrido estava previsto nas Escrituras.

Ele relembra o Mestre, e o episódio do Gólgota em que, pela impiedade dos Homens, foi o Cristo levado ao madeiro da infâmia.

Mas prossegue o grande apóstolo e testemunha a vitória de Jesus sobre a morte física, pois Deus havia atuado “libertando-o das angústias do Hades” (“do Hades”, conforme nota de rodapé da Bíblia de Jerusalém, significa: “da morte”).

Sim, o Cristo Vive! Naquele dia, quanta esperança foi derramada a todos aqueles de boa vontade, a todos aqueles que desejavam acreditar no verdadeiro Messias.

OS PRIMEIROS CRISTÃOS E A PRIMEIRA COMUNIDADE CRISTÃ

“Eles mostravam-se assíduos ao ensinamento dos apóstolos, a comunhão fraterna, à fração do povo e as orações. Apossava-se de todos temor, pois numerosos eram os prodígios e sinais que se realizavam por meio dos apóstolos. Todos os que tinham abraçada a fé reuniam-se e punham em comum: vendiam suas propriedades e bens, e dividiam-nos entre todos, segundo as necessidades de cada um. Dia após dia, unânimes, mostravam-se assíduos no Templo e partiam o pão pelas casas, tomando o alimento com alegria e simplicidade de coração. Louvavam a Deus e gozavam da simpatia de todo o povo. E o Senhor acrescentava a cada dia ao seu número os que seriam salvos”. (At 2:42-47).

Qual outra Doutrina Moral foi capaz de tais formidáveis manifestações de seus fiéis?

Vejamos essas admiráveis ações: “vendiam suas propriedades e bens, e dividiam-nos entre todos, segundo a necessidade de cada um”.

A mensagem do Cristo havia invadido lhes a alma.

Naqueles dias, os discípulos de Jesus estavam exultantes, os ensinamentos do Mestre estavam propagando-se; o fermento da esperança fazia com que mais e mais almas procurassem a mensagem libertadora do Cristo.

Era preciso estabelecer-se. Era preciso fundar uma base para o Cristianismo nascente, a primeira delas seria a “Casa do Caminho”.

Ali os discípulos, organizados, propagariam o Evangelho e acolheriam a multidão de aflitos. Na obra ‘Dias Venturosos’, psicografado por Divaldo Franco, Amélia Rodrigues, na mensagem n° 25, narra: “A igreja dos cristãos reunia-se todos os dias e todas as noites para comentar os feitos e as palavras do doce e enérgico Rabi, assim como para orar e amar. Os seus membros criaram a primeira comunidade fraternal da Humanidade sob a inspiração do Primeiro Mandamento”.

De forma inigualável, a Boa Nova, como um bálsamo, alcançava os corações necessitados de amor, amparo, consolo. A mesma autora acima citada, na obra “Luz do Mundo”, também psicografada por Divaldo Franco, na mensagem n° 23, expõe: “Os homens esfaimados, as criaturas exauridas de sofrer; os corações cansados e cheios de decepções - eis o barro que teriam de movimentar para transformar em ânfora capaz de reter elixir divino, conservando puras as suas excelentes qualidades.”

Na obra ‘Lázaro Redivivo’, lição 28, o irmão X, afirma: “Suas reuniões íntimas prosseguiam regulares e as assembleias de caráter público efetuavam-se sem impedimento. As fileiras intermináveis de pobres e infelizes, procedentes dos ‘vales de imundos’, lhes batiam a porta, recendo carinhosa atenção, e esse espírito de serviço aos filhos do desamparo conquistou-lhes, pouco a pouco, valiosos títulos de respeitabilidade...”.

Quão inspiradores são esses relatos dos passos dos primeiros discípulos do Evangelho de Jesus!

SINAIS E PRODÍGIOS REALIZADOS PELOS APÓSTOLOS


Pelas mãos dos apóstolos faziam-se numerosos sinais e prodígios no meio do povo...

Costumavam estar; todos juntos, de comum acordo, no pórtico de Salomão, e nenhum dos outros ousava juntar-se a eles, embora povo os engrandecesse. Mais e mais aderiam ao Senhor pela fé, multidões de homens e de mulheres.

...A ponto de levarem os doentes até para as ruas, colocando-os sobre os leitos e em macas, para que ao passar Pedro, ao menos sua sombra cobrisse algum deles. Também das cidades vizinhas de Jerusalém acorria à multidão, trazendo enfermos e atormentados por espíritos impuros, os quais eram todos curados. (At 5:12-16).

Nesta impressionante passagem, vemos o vigor, a magnitude, a grandiosidade desses primeiros passos dos apóstolos de Jesus.

Onde mais encontramos tamanha comoção? O início do Cristianismo é uma das mais belas páginas de nossa História. Considerando toda a História da Humanidade, que ainda continua sendo escrita, encontraremos momentos de opressão, mas outros de liberdade; encontraremos períodos obscuros, mas outros de claridade e luz intensa.

Jesus é a Luz do Mundo, suas palavras compõem uma sublime poesia de eterna sabedoria, seus ensinamentos, como um farol que clareia as trevas, brilha resplandecente. A seus fiéis seguidores fica a missão de propagar a Boa Nova por toda a Terra.

Seus apóstolos, nesta narrativa; vemo-los exercendo plenamente seus ministérios. Pela boa vontade, pela humildade, pela pureza de coração, pela submissão a Vontade Divina, por perseverarem incansavelmente, vemos quão admiráveis são suas ações.

A multidão de aflitos e sofredores, testemunhando suas condutas irrepreensíveis, suas valorosas palavras de esperança... Acorria para ouvir o Evangelho e obterem a cura para seus males.

Na obra “Lázaro Redivivo”, na mesma lição já citada, psicografado por Francisco Xavier, o Irmão X, sintetiza: “A ressurreição enchera-lhes a alma de energias sublimes e até então desconhecidas. Que não fariam pelo Mestre ressuscitado? Iriam ao fim do mundo ensinar a Boa Nova, venceriam trevas e espinhos, pertenceriam a Ele para sempre”.

Em reflexão, ficamos admirados. Que fé surpreendente era despertada “a ponto de levarem os doentes até para as ruas; colocando-os sobre os leitos e em macas, para que ao passar Pedro, ao menos sua sombra cobrisse algum deles”.

Sob o amparo amigo de Jesus, quão emocionante não foram esses dias gloriosos desses valorosos discípulos. Imaginemos o fervor da multidão, acreditando que sim, há esperança, sim, as profecias cumpriam-se, sim, o “Reino de Deus” está ao alcance de todos.

Que nós sejamos capazes de possuir essa mesma fé que motivou os primeiros cristãos!

QUESTÃO REFLEXIVA:

Porque muitas vezes hesitamos e não usamos todo nosso potencial para anunciar o “Reino de Deus”, como fizeram os primeiros discípulos de Jesus?

Bibliografia:

- A Bíblia de Jerusalém.
- Kardec, Allan - O Evangelho Segundo o Espiritismo - Ed. FEESP.
- Xavier, Francisco C./Irmão X - Lázaro Redivivo.
- Franco, Divaldo/Amélia Rodrigues - Dias Venturosos.
- Franco, Divaldo/Amélia Rodrigues - Luz do Mundo.


Fonte da imagem: Internet Google.

terça-feira, 8 de agosto de 2017

13ª Aula Parte A – CURSO APRENDIZES DO EVANGELHO 2º ANO – FEESP

Os Apóstolos em Jerusalém e o Dia de Pentecostes

INTRODUÇÃO AO “ATOS DOS APÓSTOLOS”

“Atos dos Apóstolos” é o livro do Novo Testamento que foi escrito por Lucas, o mesmo autor do 3° Evangelho.

Diferentemente dos demais discípulos, que eram, em sua maioria, homens simples, muitos deles pescadores, Lucas era médico, havia nascido em Antioquia, era fluente na língua grega - a língua culta da época.

Lucas não foi um discípulo direto de Jesus. Sua conversão aconteceu ouvindo as exposições de Paulo. Aqui, devemos lembrar que o apostolo Paulo também não foi discípulo direto de Jesus, seu chamado foi posterior à partida de Jesus.

“Ato dos Apóstolos” é uma obra em que Lucas narra como foi o início da missão dos apóstolos de Jesus; descreve a formação das primeiras comunidades cristãs; conta como se deu o ministério dos apóstolos, especialmente de Pedro e de Paulo; mostra, enfim, como foi à expansão do Cristianismo.

Provavelmente, como cita a maioria dos estudiosos, esse livro foi redigido entre os anos de 61 a 63 D.C.

De valor inestimável, temos nesse livro um canto de louvor ao Cristianismo nascente, dos homens que o consolidaram, com manifestações de fé inigualável, e da Espiritualidade Superior que os sustentou sob a amorosa liderança de Jesus.

OS APÓSTOLOS EM JERUSALÉM

“Então, do monte chamado das Oliveiras, voltaram a Jerusalém. A distância é pequena: a de uma caminhada de sábado. Tendo entrado na cidade, subiu a sala de cima, onde costumavam ficar. Eram Pedro e João, Tiago e André, Filipe e Tomé, Bartolomeu e Mateus; Tiago, filho de Alfeu, e Simão, o Zelota; e Judas, filho de Tiago. Todos estes, unânimes, perseveravam na oração com algumas mulheres, entre as quais Maria, a mãe de Jesus, e com seus irmãos.” (At 1:12-14).

Em Jerusalém, após a partida do Mestre, ainda ressoava a sua mensagem de Amor. Essa grande cidade era o palco das principais atividades da sociedade judaica. Além das práticas religiosas que eram direcionadas para o grande Templo, aquele centro urbano era o núcleo da atividade social e política da época. Para lá, por exemplo, acorriam às multidões para as celebrações das festas religiosas, como a comemoração da Páscoa.

Diante da importância daquela grande cidade, pouco antes de sua partida, Jesus orientou aos seus apóstolos que, inicialmente, permanecessem em Jerusalém, como podemos verificar em Lucas, cap. 24, versículo 47.

Os discípulos, após o choque da despedida do Mestre, tiveram a esperança restabelecida com o reaparecimento de Jesus. Na obra “Dias Venturosos”, psicografado por Divaldo Franco, Amélia Rodrigues, na mensagem n° 22, descreve: “Reconfortados pela sua ressurreição, cantavam-lhes nas almas as festivas reminiscências dos reencontros com o amigo redivivo, em exuberante vitalidade, que nunca mais desapareceria das suas existências.

(...) As notícias do retorno do Mestre produziram diferentes reações, como seria de esperar-se: alegria e curiosidade nas massas, medo e perversidade nos culpados.

“Desejando silenciar a Voz da Verdade, tornaram-na mais potente; pretendendo matar o Cantor fizeram-no mais vivo, e objetivando anular-lhe a mensagem, abriram mais amplo espaço para fazê-la ouvida.”

A missão deveria continuar. Era imperioso que a tarefa continuasse e o Evangelho fosse propagado por todos os cantos. Eles estavam dispostos. Jesus os acompanharia!

A ESCOLHA DE MATIAS

“Naqueles dias, Pedro levantou-se no meio dos irmãos - o número das pessoas reunidas era de mais ou menos cento e vinte - e disse: ‘Irmãos, era preciso que se cumprisse a Escritura em que, por boca de Davi, o Espírito Santo havia de antemão falado a respeito de Judas, que se tornou guia daqueles que prenderam a Jesus. Ele era contado entre os nossos e recebera sua parte neste ministério. Ora, este homem adquiriu um terreno com o salário da iniquidade...”

(...) É necessário, pois, que, dentre estes homens que nos acompanharam todo o tempo em que o Senhor Jesus viveu em nosso meio, a começar do batismo de João até o dia em que dentre nós foi arrebatado, um destes se torne conosco testemunha da sua ressurreição’.

Apresentaram então dois: José, chamado Barsabás e cognominado Justo, e Matias. E fizeram essa oração: ‘Tu, Senhor: que conheces o coração de todos, mostra-nos qual desses dois escolhestes, a fim de ocupar; no ministério do apostolado, lugar que Judas abandonou, para dirigir-se ao lugar que era seu’.

“Lançaram sortes sobre eles, e a sorte veio a cair em Matias, que foi então associado aos onze apóstolos.” (At 1:15-26).

Jesus havia escolhido doze apóstolos, mas, após o trágico fim de Judas, apenas onze apóstolos haviam restado.

O número doze, precisamos recordar, era muito significativo para os hebreus, pois simbolizava as “Doze Tribos” de Israel, que haviam se formado da descendência do patriarca Jacó.

Os hebreus há que se acrescentar, formavam um povo arraigado nas tradições antigas, nos seus antigos profetas. Os grandes eventos encenados por seus ancestrais tinham um enorme valor emblemático, simbólico que lhes conferia satisfação e orgulho.

Quando Jesus, então, escolheu os “doze”, foi exatamente pelo reconhecido significado que esse número tinha. O Mestre jamais violou consciências, jamais impôs uma revolução forçada aos costumes e tradições dos antigos. Jesus não tinha vindo para destruir a “Lei e os Profetas”. Tudo tem seu tempo.

O número “doze” deveria ser mantido. Pedro, que começava a emergir como o líder dos discípulos, reúne-os, em assembleia, para eleição de um novo integrante.

Quais deveriam ser os requisitos para alguém receber tão importante incumbência de ser um apóstolo de Jesus?

Vejamos as exigências contidas na afirmação de Pedro:

“homens que nos acompanharam todo tempo em que o Senhor Jesus viveu em nosso meio”.

Não poderia, obviamente, ser alguém que não tivesse convivido com Jesus, presenciado seus sublimes exemplos, sido testemunha das incontáveis curas, acompanhado o Mestre incomparável em cada um de seus feitos que transbordavam sabedoria, compreensão e humildade.

Tinha que ser alguém que tivesse firme convicção e fé, alguém que fosse capaz de propagar o Evangelho da forma pura que foi apresentado por Jesus. E havia, como vemos no Evangelho de Lucas, no cap. 1, Versículo 1, mais setenta e dois discípulos a quem Jesus contou, pessoalmente, a tarefa de anunciar o “Reino de Deus”.

Matias, provavelmente, deveria ser um desses setenta e dois discípulos que já seguiam o Cristo “a começar do batismo de João”.

João, o Batista, foi, sem duvida, um dos maiores profetas que antecederam Jesus; ele foi o seu precursor.

Ele era respeitado pelo povo, que o reconhecia como profeta. Muitos dos discípulos de Jesus tinham sido discípulos de João Batista. Não havia - afirmou o Mestre - dentre os nascidos de mulher, ninguém maior que João Batista.

Foi a partir do batismo realizado por João que Jesus iniciou sua vida pública, eis o motivo da importância que Pedro lhe atribuiu.

“Um destes se torne conosco testemunha da sua ressurreição”.

O reaparecimento de Jesus após a crucificação é um dos momentos mais marcantes de sua missão. Esse é um ponto capital do Cristianismo, pois demonstra que a vida continua após a morte do corpo físico, demonstra a imortalidade da alma.

Aquele que seria designado como o 12° apóstolo deveria, pois, sem vacilações, ser testemunha plena de todos os atos de Jesus e de seu reaparecimento. Deveria estar convicto para dizer bem alto: Jesus está vivo!

É interessante notar em relação a Matias, como também em relação a muitos outros discípulos que compuseram o Colegiado Apostólico, que não há muitos dados sobre o desempenho de sua missão e o caminho que seguiu.

No entanto, não podemos esquecer que aqueles que buscam o “Reino de Deus” e perseveram em sua divulgação, não buscam méritos para si mesmos, mas têm por objetivo a implantação do Evangelho na Terra. Como disse o Mestre: “Maior será aquele que se fizer menor.”

Matias, por certo, confiante no Mestre Maior, deve ter executado com pleno êxito sua missão.

O DIA DE PENTECOSTES

“Tendo-se completado dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar. De repente, veio do céu um ruído como o agitar-se de um vendaval impetuoso, que encheu toda a casa onde se encontravam. Apareceram-Lhes, então, línguas como de fogo, que se repartiam e que pousaram sobre cada um deles. E todos ficaram repletos do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia se exprimirem”.

Achavam-se então em Jerusalém judeus piedosos, vindos de todas as nações que há debaixo do céu. Com o ruído que se produziu, a multidão acorreu e ficou perplexa, pois cada qual os ouvia falar em seu próprio idioma. Estupefatos e surpresos, diziam: ‘Não são, acaso, galileus todos esses que falam? Como é, pois, que os ouvimos falar a cada um de nós, no próprio idioma em que nascemos? Habitantes da Mesopotâmia, da Judéia e da Capadócia, do Ponto e da Ásia, da Frígia e da Panfilia, do Egito e das regiões da Líbia próximas de Cirene; romanos que aqui residem; tanto judeus quanto prosélitos, cretenses e árabes; nós os ouvimos anunciar em nossas próprias Ínguas as maravilhas de Deus!’ Estavam todos estupefatos. E, atônitos, perguntavam uns aos outros: ‘Que vem a ser isto? ’Outros, porém, zombavam: ‘Estão cheios de vinho doce!’.” (At 2:1-13).

O dia de Pentecostes é uma das datas mais significativas para o Cristianismo. É considerado, por muitas correntes da teologia Cristã, como sendo o dia da vinda do Paráclito, ou seja, o Consolador Prometido.

No entanto, como os Espíritos Superiores, de forma categórica, elucidaram a Kardec, o Consolador não poderia ter vindo naquela época, pois o próprio Cristo havia advertido que as pessoas ainda não estavam preparadas para sua vinda.

O dia de Pentecostes cabe-nos inicialmente observar, foi instituído por Moisés, conforme podemos encontrar no livro do Êxodo, cap. 23, versículos 14 a 17, e cap. 34, versículos 18 a 23. Tratava-se de uma festa em comemoração as colheitas. Ela ocorria, exatamente, cinco dias após a Páscoa judaica.

Esse grande evento acontecia em Jerusalém. Nesse dia, afluíam para as comemorações, além dos hebreus, vários outros povos estrangeiros. Muitos vinham para comerciar, muitos outros vinham para participar das festividades. Por suas origens diversas, havia pessoas que falavam os mais variados idiomas e dialetos.

Os discípulos estavam presentes nesse dia de Pentecostes, que estava acontecendo cinco dias após a Páscoa judaica em que ocorreu a crucificação do Cristo.

No final do dia, encerradas as comemorações, conforme transcrito na passagem acima houve uma eclosão de manifestações mediúnicas.

Os apóstolos, então, plenamente envolvidos pelo Plano Espiritual Superior, manifestaram a xenoglossia, ou seja, a faculdade mediúnica de falar em línguas estrangeiras que sejam estranhas ao médium.

Temos que lembrar que os discípulos de Jesus, quando o Mestre ainda os preparava para suas missões, foram, em certa ocasião, convocados ao trabalho, conforme encontramos em Mateus, cap. 1, versículo 1:

“Chamou os doze discípulos e deu-lhes autoridade de expulsar os espíritos impuros e de curar toda sorte de males e enfermidades.”

As faculdades mediúnicas, como ensina Kardec, depende de uma disposição orgânica. Os discípulos, assim, possuíam-nas, mas Jesus convoca-os a exercitá-las, incutindo-lhes fé. E eles, de fato, exercitaram-na como podemos ver nos Evangelhos.

No Pentecostes, entretanto, houve uma manifestação rara pela proporção que tomou. Todos os discípulos manifestaram a mediunidade ao mesmo tempo.

O evento foi tão impressionante que eles próprios ficaram surpresos. A multidão, então, acorreu até eles, e as pessoas ficaram perplexas, com que ouviam: o Evangelho era pregado em seus próprios idiomas!

Os céticos - eis que os incrédulos existem em todos os tempos - zombavam e diziam: “Estão cheios de vinho doce”.

Nesse dia, que, repetimos, é um marco na historia da mediunidade, ocorreu à consolidação da missão dos apóstolos. A partir daquele dia, eles seguiriam confiantes e compromissados com suas tarefas.

QUESTÃO REFLEXIVA:

Quais condutas devem ser observadas, hoje em dia, por àqueles que desejam tornar discípulos de Jesus?


Fonte da imagem: Internet Google.

terça-feira, 27 de junho de 2017

12ª Aula Parte B – CURSO APRENDIZES DO EVANGELHO 2º ANO – FEESP

Aparições de Jesus Após a Morte

AS APARIÇÕES A LUZ DO ESPIRITISMO

Na antiguidade, muitos fenômenos - que hoje são plenamente explicados pela Doutrina Espírita - eram considerados maravilhosos, sobrenaturais. Acreditava-se que Deus, por Sua Vontade, estaria revogando, alterando Suas Leis.

O Espiritismo vem, verdadeiramente, trazer luz a uma serie de fenômenos, arrancando-os do domínio do maravilhoso e do sobrenatural, demonstrando que eles são regidos por leis que podem ser constatadas pela observação metódica e científica.

As aparições, em especial, são não há duvida, uma das que mais causam impressão aos indivíduos. Kardec, em “O Livro dos Médiuns”, 2ª parte, cap. VI, item 1, inicia afirmando: “De todas as manifestações espíritas, as mais interessantes são sem duvida aquelas pelas quais os Espíritos podem se tornar visíveis.”

A chave para a compreensão desse fenômeno foi à constatação da existência do corpo semimaterial o perispírito. No item 15 do mesmo capitulo acima citado, expõe Kardec: “O perispírito, por sua própria natureza, é invisível no estado normal. Isso é comum a uma infinidade de fluidos que sabemos existirem e que jamais vimos. Mas ele pode também, à semelhança de certos fluidos, passar por modificações que tornem visível, seja por uma espécie de condensação ou por uma mudança em suas disposições moleculares, e é então que nos aparece de maneira vaporosa. A condensação pode chegar ao ponto de dar ao perispírito as propriedades de um corpo sólido e tangível, mas que pode instantaneamente voltar ao seu estado etéreo e invisível. (É necessário não tomar ao pé da letra a palavra condensação, pois só a empregamos por falta de outra e como simples recurso de comparação)”.

Como podemos ver por essa clara elucidação, nada há de inverossímil em muitas das aparições que são narradas em todos os tempos, pois se tem aqui uma explicação absolutamente esclarecedora.

As aparições de Jesus, lembra o codificador em “A Gênese”, no cap. XV item 61, que: “são relatadas por todos os evangelistas com detalhes circunstanciados que não permitem duvidar da realidade do fato.”

Ainda poderíamos perguntar:

Se Jesus já havia deixado todo seu ensinamento moral aos Homens, por que, então, houve sua aparição?

Vejamos o item 1, subitem 5a, de “O Livro dos Médiuns”:

P. Qual o objetivo dos Espíritos que aparecem com boa intenção?

R. Consolar os que lamentam a sua partida; provar-lhes que continuam a existir e estão perto deles; dar conselhos e, algumas vezes, pedir assistência para si mesmos.

Nesta resposta dos Espíritos, encontramos uma perfeita síntese da finalidade maior das aparições.

Jesus, com exceção da ultima parte: “pedir assistência”, eis que era ele que sempre assistia, em relação aos demais pontos: “consolar”, “provar que continuava a existir” e “dar conselhos”, atuou plenamente nesse sentido, como veremos adiante.

APARIÇÃO A MARIA MADALENA

“Maria estava junto ao sepulcro, de fora, chorando. Enquanto chorava, inclinou-se para interior do sepulcro e viu dois anjos, vestidos de branco, sentados no lugar onde corpo de Jesus fora colocado, um na cabeceira e Outro aos pés. Disseram-lhe então: ‘Mulher por que choras?’ Ela lhes diz: ‘Porque levaram meu Senhor e não sei onde puseram!’ Dizendo isso, voltou-se e viu Jesus de pé. Mas não sabia que era Jesus. Jesus lhe diz: ‘Mulher por que choras? A quem procuras?’ Pensando ser jardineiro, ela lhe diz: ‘Senhor se foste tu que levaste, dize-me onde puseste e eu irei buscar!’ Diz-lhe Jesus: ‘Maria!’ Voltando-se, ela diz em hebraico: ‘Rabbuni!’, que quer dizer ‘Mestre ’. Jesus Lhe diz: ‘Não me toques, pois ainda não subi ao Pai. Vai, porém, aos meus irmãos, e dize-lhes: Subo a meu Pai e vosso Pai; a meu Deus e vosso Deus.’ Maria Madalena foi anunciar aos discípulos.' ‘Vi o Senhor’, e as coisas que ele lhe disse.” (Jo 2:11-18).

Jesus tinha que trilhar o caminho dos mártires, assim estava escrito nas antigas profecias; a Lei tinha que ser cumprida.

Aos seus discípulos, disse o Mestre, expressamente, que retomaria no terceiro dia, como previram os profetas.

Mas a natureza humana, muitas vezes, deixa-se abater com facilidade. Pelas narrativas evangélicas, vemos nos discípulos todo um pesar, uma tristeza sem fim, uma lamentação inconsolável.

Na obra “Há Flores no Caminho”, psicografado por Divaldo Franco, Amélia Rodrigues, na mensagem nº 24, “Amanhecer da Ressurreição”, descreve: “As sombras que mantinham os discípulos em amargura, defluíam do remorso, da mágoa, da dor ante espetáculo inesperado, que culminara na tragédia do Gólgota. Vencidos aqueles momentos rudes, atordoantes, insinuaram-se-lhes e neles se agasalharam as angustias e os arrependimentos... Subitamente perceberam imensa, a falta impreenchível que Mestre lhes deixara nos sentimentos.”

O Mestre havia partido. Parece que eles haviam esquecido suas palavras, quando afirmou que voltaria.

Maria Madalena, aquela que, dentre os discípulos de Jesus, é um dos maiores exemplos de renovação, de mudança de valores, havia acolhido integralmente a mensagem de Jesus.

Naquela manhã pesarosa, Maria Madalena estava como os demais, sentindo a dor inconsolável da partida do Mestre, seria a primeira a vê-lo ressurgir.

Há verdadeira beleza na narrativa de seu reencontro com o Mestre, quando ele lhe diz: “Mulher, por que choras?”, e ela, em seu lamento, responde: “Porque levaram meu Senhor...”; e na felicidade indizível ao reconhecê-lo e exclamar “Rabbuni!” (conforme nota de rodapé da Bíblia de Jerusalém “Rabbuni” é um tratamento mais solene do que Rabi).

Na obra “Maria, Mãe de Jesus”, encontramos estas palavras: “... Maria julgou a princípio que via o jardineiro. Antes da certeza, a perquirição da mente precedendo a consolidação da fé. Embriagada de júbilo, a convertida de Magdala transmite a boa nova aos discípulos confundidos. Os olhos sombrios de quase todos se enchem de novo brilho”.

APARIÇÃO AOS DISCÍPULOS

“A tarde desse mesmo dia, primeiro da semana, estando fechadas as portas onde se achavam os discípulos, por medo dos judeus, Jesus veio e, pondo-se no meio deles, lhes disse: ‘A paz esteja convosco!’ Tendo dito isso, mostrou-lhes as mãos e lado. Os discípulos, então, ficaram cheios de alegria por verem o Senhor: Ele lhes disse de novo: À paz esteja convosco! Como o Pai me enviou, também eu vos envio.’ (...)

Um dos Doze, Tomé, chamado Dídimo, não estava com eles, quando veio Jesus. Os outros discípulos, então, lhe disseram: ‘Vimos o Senhor!’ Mas ele lhes disse: ‘Se eu não ver em suas mãos lugar dos cravos e se não puser meu dedo no lugar dos cravos e minha mão no seu lado, não crerei’. Oito dias depois, achavam-se os discípulos, de novo, dentro de casa, e Tomé com eles. Jesus veio, estando a portas fechadas, pôs-se no meio deles e disse: ‘A paz esteja convosco!’ Disse depois a Tomé: ‘Põe teu dedo aqui e vê minhas mãos! Estende tua mão e põe-na no meu lado e não sejas incrédulo, mas crê!’ Respondeu-lhe Tomé: ‘Meu Senhor e meu Deus!’ Jesus lhe disse: ‘Porque viste, creste. Felizes os que não viram e creram’! ”(Jo 2: 19-29).

Confusos, atordoados, os discípulos encontravam-se refugiados. A multidão que pedira a morte de Jesus estava descontrolada, a cidade estava alvoroçada, tensa. Os discípulos temiam por sua vida.

Qual não foi a alegria que eles sentiram ao verem Jesus novamente entre eles, naquele momento tão difícil para todos?

Com certeza, ficaram exultantes, sentiram-se esperançosos, confortados na presença do Mestre. Ao vê-lo, reacende neles a crença na imortalidade da alma: A morte não existe. Jesus estava vivo!

Nesse dia glorioso, eles reencontraram o Mestre. Tomé, no entanto, que não estava presente, não acreditou quando lhe disseram. Somente quando Jesus apareceu novamente foi que ele acreditou. Por isso Mestre lhe disse: “Porque viste, creste. Felizes os que não viram e creram!”

Uma das limitações humanas que mais dificulta progresso espiritual é a incredulidade, a falta de fé. Falta de fé em si mesmo, falta de fé em Jesus, falta de fé em Deus. Quando, ao contrário, o Homem tem fé, traz uma convicção íntima que lhe confere certeza na imortalidade do Espírito e na vida futura.

APARIÇÃO A MARGEM DO LAGO DE TIBERÍADES

“Depois disso, Jesus manifestou-se novamente aos discípulos, as margens do mar de Tiberíades. Manifestou-se assim: Estavam juntos Simão Pedro e Tomé, chamado Dídimo, Natanael que era de Caná da Galiléia, os filhos de Zebedeu e dois outros de seus discípulos. Simão Pedro lhes disse: ‘Vou pescar’. Eles lhe disseram: ‘Vamos nós também contigo’. Saíram e subiram ao barco e, naquela noite, nada apanharam. Já amanhecera. Jesus estava de pé, na praia, mas os discípulos não sabiam que era Jesus. Então Jesus lhes disse: ‘Jovens, acaso tendes algum peixe?’ Responderam-lhe. 'Não! ’Disse-lhes.‘ lançai a rede a direita do barco e achareis.’ Largaram, então, e já não tinham força para puxá-la, por causa da quantidade de peixes. Aquele discípulo que Jesus amava disse então a Pedro: ‘É o Senhor!’ Simão Pedro, ouvindo dizer ‘É o Senhor! ’, vestiu a roupa – porque estava nu - e atirou-se ao mar Os outros discípulos, que não estavam longe da terra, mas cerca de duzentos côvados, vieram com barco, arrastando a rede com os peixes.” (Jo 21:1-8).

Além da aparição descrita nesta outra passagem, Jesus apareceria outras vezes aos seus discípulos. O Mestre queria, definitivamente, confirmar suas palavras, confirmar que o Espírito sobrevive à matéria.

Especialmente aos seus discípulos mais próximos, Jesus precisava infundir-lhes convicção plena, para que se fortalecessem na fé, e desenvolvessem a coragem necessária para enfrentar a grande missão que os aguardava. Quando chegasse o momento, deveriam seguir e fazer a divulgação da Doutrina redentora do Cristo.

Em suas jornadas, a defesa da Doutrina Crista os conduziria a valorosos testemunhos de renuncia, abnegação e humildade.

De fato, os discípulos, cada um deles, trilhou o caminho dos mártires.

Hoje, contemplando sobre esses inesquecíveis exemplos, podemos deixar-nos levar pela inspiração de também seguir o exemplo dos abnegados discípulos do Mestre e nos tomarmos humildes servidores de sua seara.

QUESTÃO REFLEXIVA:

Comente: “Felizes os que não viram e creram!”

Bibliografia
- A Bíblia de Jerusalém;
- Kardec, Allan - A Gênese - Ed. FEESP;
- Kardec, Allan - Livro dos Médiuns - Ed. FEESP;
- Kardec, Allan - O Evangelho Segundo o Espiritismo - Ed. FEESP;
- Franco, Divaldo/Amélia Rodrigues - Dias Venturosos;
- Carneiro, Edison/ Francisco C. Xavier/Yvonne A. Pereira - Maria, Mãe de Jesus.


Fonte da imagem: Internet Google.

quinta-feira, 22 de junho de 2017

12ª Aula Parte A – CURSO APRENDIZES DO EVANGELHO 2º ANO – FEESP

Desfecho Da Missão Planetária De Jesus

A Prisão e a Crucificação de Jesus

PRISÃO DE JESUS

“Tendo dito isso, Jesus foi com seus discípulos para o outro lado da torrente do Cedron. Havia ali um jardim, onde Jesus entrou esse com seus discípulos. Ora, Judas, que o traía, conhecia também esse lugar porque, frequentemente, Jesus e seus discípulos ai se reuniam. Judas, então, levando a corte e guardas destacados pelos chefes dos sacerdotes e pelos fariseus, ai chega, com lanternas archotes e armas. Sabendo Jesus tudo que lhe aconteceria adiantou-se e lhes disse: ‘A quem procurais?’ Responderam. 'Jesus o Nazareu’. Disse-lhes. ‘Sou eu ’. Judas, que o traía, estava também com eles. Quando Jesus lhes disse: ‘Sou eu ’, recuaram e caíram por terra. Perguntou-lhes, então, novamente: ‘A quem procurais?’ Disseram: ‘Jesus, o Nazareu’. Jesus respondeu: ‘Eu vos disse que sou eu. Se, então, é a mim que procurais, deixai que estes se retirem a fim de se realizar a palavra que diz: Não perdi nenhum dos que me deste. Então, Simão Pedro que trazia uma espada, tirou-a, feriu o servo do Sumo Sacerdote a quem decepou a orelha direita. O nome do servo era Malco. Jesus disse a Pedro: ‘Embainha a tua espada. Deixarei eu de beber o cálice que o Pai me deu?’.” (Jo 18:1-11).

Neste momento culminante, Jesus mostra sua verdadeira realeza: nem um Segundo sequer de medo, de dúvida, de hesitação, mas, ao contrário, a mais plena convicção, a serenidade absoluta, a sublimidade de sentimentos, a compaixão incondicional pelos agressores.

O Mestre, não obstante sua condição infinitamente superior entrega-se, sem resistências; deixa-se conduzir docilmente a prisão. Em Jesus, encontramos o exemplo máximo da moral superior, da renúncia sem limites, da demonstração do Amor incondicional.

Refletindo sobre a passagem acima transcrita, constatamos que muitos são os pontos marcantes em que podemos fixar-nos. Vejamos a seguinte afirmação de Jesus: “Sou eu”, os soldados “recuaram e caíram por terra”.

Ora, vemos que os captores, aqueles que o perseguiam para prendê-lo, eram compostos por guardas destacados pelos chefes dos sacerdotes e pelos fariseus, além de uma corte, que era um destacamento da guarnição romana em Jerusalém.

Então, por que eles recuaram e caíram por terra‘?! Com certeza, pela condição inigualável de Jesus. Sua presença única: firme, mas, ao mesmo tempo, dócil; olhos que refletiam a mais íntegra dignidade, uma natural superioridade, e, ao mesmo tempo, a simplicidade e a compassividade que refletia um Amor indescritível. Eis a palavra:

Os guardas tremeram, hesitaram, como muitas vezes antes já o haviam feito. Recordemos, por exemplo, uma passagem contida em João, cap. 7, versículo 45: “Os guardas, então, voltaram aos chefes dos sacerdotes e aos fariseus e estes lhes perguntaram: Por que não o trouxestes? Responderam os guardas: Jamais um homem falou assim!”.

Neste formidável relato, marcado pela espontaneidade dos guardas, notamos quão impressionados ficaram eles após terem ouvido Jesus. Tinham ido para, cruelmente, prendê-lo; mas, surpreendentemente, foram tocados no coração pela mensagem sublime do Mestre, e, aos seus chefes, absolutamente perplexos, justificavam: “Jamais um homem falou assim!”

Mas, então, era chegada a hora. Assim, mesmo após o impacto da afirmação de Jesus “Sou eu”, os soldados logo se recompuseram.

Ao se aproximarem os soldados de Jesus, no entanto, Pedro, que muito amava o Mestre, mas, de certa forma, não entendendo o caráter absolutamente pacífico da missão de Jesus, desembainha sua espada e decepa a orelha do soldado Malco. Jesus, então, como vemos em Mateus, cap. 26, versículo 52, exorta-o: “Guarda tua espada no seu lugar, pois todos os que pegam a espada pela espada perecerão.” E em Lucas, cap. 22, versículo 51, temos:“ ‘Deixai! Basta!’ E tocando-lhe a orelha curou-o.”

Com a prisão do Mestre, os discípulos fogem, como vemos em Marcos, cap. 14, versículo 5: “Então, abandonando, fugiram todos.”, mas, notemos, assim pediu o Mestre: “Se, então, é a mim que procurais, deixai que estes se retirem, a fim de se realizar a palavra que diz: Não perdi nenhum dos que me deste”. E em Mateus, cap. 27, versículos 3 a 5, encontramos o fim trágico de Judas Iscariotes:

“Então, Judas, que entregara, vendo que Jesus fora condenado, sentiu remorsos e veio devolver aos chefes dos sacerdotes e aos anciãos as trinta moedas de prata, dizendo: ‘Pequei, entregando sangue inocente’. Mas estes responderam: ‘Que temos nós com isso? O problema é teu’. Ele, atirando as moedas no Templo, retirou-se e foi enforcar-se".

Nesta narrativa de Mateus, vemos que Judas, em que pese seu ato infamante de entregar Jesus, tal foi seu remorso, que tirou sua própria vida. Seu desejo, como já falamos em aula anterior, não era o de ver a condenação de Jesus a morte.

A nós Espíritas, que buscamos desenvolver o Amor incondicional ensinado por Jesus, cabe-nos apenas compreender tal ato como decorrente da natural fraqueza humana, a que todos podem incorrer ou já incorreram no passado longínquo.

Jesus, o Mestre incomparável, no episodio de sua prisão, mostra-nos o verdadeiro Amor, pois, mesmo aos seus perseguidores, de nada se queixou; ao contrário, foi-lhes fraternal, solidário e, ao soldado ferido, ofereceu-lhe a cura.

JESUS DIANTE DE PILATOS

“Então de Caifás conduziram Jesus ao pretório. Era de manhã. Eles não entraram no pretório para não se contaminarem e poderem comer a Páscoa. Pilatos, então, saiu para a fora ao encontro deles e disse: ‘Que acusação trazeis contra este homem?’ Responderam-lhe: ‘Se não fosse mau feitor; não entregaríamos a ti’. Disse-lhes Pilatos: ‘Tomai-o vós mesmos, e julgai-o conforme vossa Lei.’ Disseram-lhe os judeus: ‘Não nos é permitido condenar ninguém a morte', a fim de se cumprir a palavra de Jesus, com a qual indicara de que morte deveria morrer.
Então Pilatos entrou novamente no pretório, chamou Jesus e lhe disse: ‘Tu és rei dos judeus? ’Jesus lhe respondeu: ‘Falas assim por ti mesmo ou outros te disseram isso de mim?’ Respondeu Pilatos: ‘Sou, por acaso, judeu? Teu povo e os chefes dos sacerdotes entregaram-te a mim. Que fizeste? 'Jesus respondeu: ‘Meu reino não é deste mundo. Se meu reino fosse desse mundo, meus súditos teriam combatido para que eu não fosse entregue aos judeus. Mas meu reino não é daqui’.” (Jo 18:28-40).

Como fazer para condenar um justo? Eis que Jesus era o justo, por excelência! De que, então, poderiam acusá-lo?
Seus acusadores, não tendo motivo real para acusá-lo, buscavam um artifício vil e pérfido para condená-lo, como vemos em Mateus, cap. 26, versículos 59 e 6, quando Jesus encontrava-se diante do Sumo Sacerdote Caifás: “Ora, os chefes dos sacerdotes e todo Sinédrio procuravam um falso testemunho contra Jesus, a fim de matá-lo, mas nada encontraram, embora se apresentassem muitas falsas testemunhas”.

Naquela noite fatídica, vemos aflorar todo ódio mortal que os sacerdotes tinham por Jesus. Estavam decididos a tudo fazer para condená-lo. Queriam a pena capital. Mas o Sinédrio não tinha tal autoridade: condenar alguém a morte; então foram até Pilatos, o governador que representava o Império Romano.

Pilatos, podemos ver de forma uniforme nos Evangelhos, demonstra resistência à condenação de Jesus. Em Lucas, cap. 23, versículo 4, encontramo-lo dizendo: “Não encontro nesse homem motivo algum de condenação.”, e no versículo 22: “Que mal fez esse homem?”

A mulher de Pilatos, lembremos, já o havia advertido, como narra Mateus, no cap. 27, versículo 19: “Enquanto estava sentado no tribunal, sua mulher lhe mandou dizer: ‘Não te envolvas com esse justo, porque muito sofri hoje em sonho por causa dele'.”

Pilatos, ainda tenta outro recurso. Durante aquele período de festa, era costume o governador soltar um prisioneiro que a multidão solicitasse, e, por acaso, havia um prisioneiro chamado Barrabás, condenado por motim e homicídio. (Lc 23: 19).

Seria uma tendência lógica - podemos nos imaginar - que optariam pela manutenção da prisão do bandido homicida e pediriam para soltar Jesus, o justo. Pilatos, então, perguntou: “Quem quereis que vos solte, Barrabás ou Jesus, que chamam Cristo?” (Mt 27:17).

Ouviu-se, então, naquele momento de insanidade, apenas o brado vociferante da multidão ensandecida: “Morra esse homem! Solta-nos Barrabás! “(Lc 23:18).

Pilatos, então, não querendo comprometer-se - descreve Mateus no cap. 27, versículo 24:
“Vindo Pilatos que nada conseguia, mas, ao contrário, a desordem aumentava, pegou água e, lavando as mãos na presença da multidão, disse: ‘Estou inocente desse sangue. A responsabilidade é vossa.’”

De todo o episódio da prisão de Jesus, extraímos profundos ensinamentos. Um dos mais marcantes é a reposta do Mestre a Pilatos: “Meu reino não é deste mundo.”, diz-lhe Jesus. O reino de Pilatos, ou mesmo dos sacerdotes, sabemos, é o reino deste mundo, dessa forma, transitório, inconstante, sujeito as vicissitudes e aos caprichos e as paixões humanas. O Reino de Jesus é de origem divina, constante e eterno, pois representa a Lei de Deus.

Na obra “Dias Venturosos”, pela psicografia de Divaldo Franco, a autora Amélia Rodrigues, na mensagem n° 21: “Reino de Luz”, explica que há dois reinos e expõe: “Não podiam compreender Jesus e seu reino, esses indivíduos; reino que é destituído de características externas, que não promove ruídos nem agita bandeiras que tremulam sob cadáveres nos Campos bélicos da Terra. Os seus reinos se fixam sobre ruínas e são cobertos de sombras. O reino de Jesus se levanta nas terras aliás do bem e é vestido de luz. Os reinos do mundo são feitos de esplendor rápido e decadência demorada. O reino de Jesus é erguido vagarosamente e esplende para sempre. O reino terrestre muda de comando, e de Jesus permanece sob sua governança.”

CRUCIFICAÇÃO E SEPULTAMENTO

“E ele saiu, carregando sua cruz, e chegou ao chamado lugar da Caveira' - em hebraico chamado Gólgota - onde crucificaram: e, com ele, dois outros: um de cada lado e Jesus no meio. Pilatos redigiu também um letreiro e o fez colocar sob a cruz; nele estava escrito: ‘Jesus Nazareu, rei dos judeus’. Esse letreiro, muitos judeus o levaram, porque o lugar onde Jesus fora crucificado era próximo da cidade; e estava escrito em hebraico, latim e grego.
Disseram então a Pilatos os chefes dos sacerdotes dos judeus: ‘Não escrevas: ‘O rei dos judeus ’, mas: ‘Este homem disse: ‘Eu sou o rei dos judeus ’. ’PiIatos respondeu: ‘O que escrevi, escrevi.’.” (Jo 19:17-22).

“Depois, José de Arimatéia, que era discípulo de Jesus, mas secretamente, por medo dos judeus, pediu a Pilatos que lhe permitisse retirar corpo de Jesus. Pilatos o permitiu. Vieram, então, e retiraram seu corpo. Nicodemos, aquele que anteriormente procurara Jesus a noite, também veio, trazendo cerca de cem liras de uma mistura de mirra e aloés. Eles tomaram então o corpo de Jesus e o envolveram em faixas de linho com os aromas, como os judeus costumam sepultar. Havia um jardim, no lugar onde ele fora crucificado e, no jardim, um sepulcro novo, no qual ninguém fora ainda colocado. Ali, então, por causa da preparação dos judeus e porque sepulcro estava próximo, eles depuseram Jesus.” (Jo 19:38-42).

Como estava escrito, Jesus, pela crueldade sem limite dos homens, foi levado a cruz. Que fizera o Mestre para merecer tal infamante condenação?

Jesus, o Mestre incomparável, foi aquele que trazia a luz; aos fracos e oprimidos, trouxe-lhes ânimo para que se levantassem e perseverassem até o fim; aos desesperados e aflitos, trouxe-lhes esperança; aos sobrecarregados e cansados, trouxe-lhes encorajamento para que suportassem seus fardos; aos condenados e acusados pelos homens preconceituosos, deu-lhes o amparo. Em todos os momentos, sua ação foi caridosa, compassiva, amorosa.

Como, então, puderam os Homens condená-lo? Pela dureza de seus corações; pelo desejo insaciável de poder, hegemonia, dominação; pela ganância incontrolável por todas as más paixões que afastam o Homem do Criador.

Para aqueles que o condenaram, restariam seus templos de pedra, recheados com metais preciosos, belos aos olhos, mas gélidos aos corações; restaria, quando despertassem, a culpa dolorosa por rejeitar aquele que era o Bom Pastor; restaria remorso imensurável e dilacerante por condenar aquele que veio em nome de Deus.

Da obra “Maria, Mãe de Jesus”, organizado por Edison Carneiro, com textos e comunicações recebidas por Francisco C. Xavier e Yvonne A. Pereira, extraímos uma reflexão de Maria, no tópico “No Calvário”, nesses momentos finais: “Sim... Jesus era seu filho, todavia, antes de tudo, era Mensageiro de Deus. Ela possuía desejos humanos, mas o Supremo Senhor guardava eternos e insondáveis desígnios o carinho materno poderia sofrer, contudo, a Vontade Celeste regozijava-se. Poderia haver lágrimas em seus olhos, mas brilhariam festas de vitória no Reino de Deus. Suplicara aparentemente em vão, porquanto, certo, o Todo-Poderoso atendera-lhe os rogos, não segundo os seus anseios de mãe e sim de acordo com os seus planos divinos! ... ”

QUESTÃO REFLEXIVA:

O que representa, para nós, o grandioso exemplo de Jesus de não reagir à violência e perdoar seus agressores?


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terça-feira, 20 de junho de 2017

11ª Aula Parte B – CURSO APRENDIZES DO EVANGELHO 2º ANO – FEESP

O Consolador Prometido

O ANÚNCIO DA VINDA DO CONSOLADOR

“Se me amais, observareis meus mandamentos, e rogarei ao Pai e ele vos dará outro Paráclito, para que convosco permaneça para sempre, o Espírito da Verdade, que o mundo não pode acolher porque não o vê nem o conhece. Vós o conheceis, porque permanece convosco. Não vos deixarei órfãos. Eu virei a vós.” (Jo 14:15-18).

“Mas o Paráclito, o Espirito Santo que o Pai enviará em meu nome, vos ensinará tudo e vos recordará tudo o que vos disse.” (Jo 14:26).

No Sermão do Cenáculo, Jesus prometeu aos seus discípulos a vinda do Consolador.

Podemos observar, no entanto, que o Mestre exortou-os a observação de seus mandamentos para, então, rogar ao Pai que lhes enviasse o Paráclito.

Estando os discípulos temerosos com as palavras de Jesus, consola-os ainda o Mestre dizendo: “Não vos deixarei órfãos”.

Refletindo sobre a promessa de Jesus, podemos indagar: Por que o Mestre anunciou que o Consolador não poderia ser “acolhido” naquele momento?

Como bem sabemos, a Humanidade passa por diferentes fases. Assim, figuradamente falando, começou na sua infância e caminha até atingir a sua maturidade. Essa maturidade será alcançada quando os Homens aplicarem sua capacidade intelectual, observando todos os princípios da Moral ensinada pelo Cristo.

Quando, então, observamos essa evolução, veremos que no passado distante predominava a barbárie e a selvageria. Mesmo na época dos antigos profetas hebreus, os costumes eram rudes e vigorava a “Lei do Olho por Olho”. Por isso, Moisés, que trouxe a Primeira Revelação, agia, muitas vezes, com severidade.

Houve, pois, necessidade de um grande avanço até que chegasse o momento propício para o advento do Cristo, que trouxe a Segunda Revelação.

Deste processo evolutivo, emerge um princípio: todo novo conhecimento exige uma base anterior que o fundamente, e certa receptividade para que haja aceitação.

Jesus trouxe muitos ensinamentos, mas muitas explicações ficariam para um momento futuro. Como podemos ver no Evangelho de João cap. 16, versículo 12: “Tenho ainda muito que vos dizer, mas não podeis agora suportar”.

Não era próprio aquele momento. Apenas no futuro seriam ensinadas todas as coisas e recordado tudo o que já havia sido dito. Ensinar todas as coisas, pois, repetimos, todo novo ensinamento exige uma base anterior. Mas por que recordar tudo o que já havia sido dito?

É que Jesus sabia que seus ensinamentos seriam deturpados que as paixões humanas ainda predominariam; que a ânsia de poder sobrepor-se-ia, por vezes, ao seu Evangelho de Luz. Após 18 séculos da promessa do Mestre, veio o Consolador...

A VINDA DO PARÁCLITO

“No entanto, eu vos digo a verdade, é de vosso interesse que eu parta, pois, se não for o Paráclito não virá a vós. Mas se for; enviá-lo-ei a vos.” (Jo 16:7).

“Quando vier o Espírito da Verdade, ele vos guiará na verdade plena, pois não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará as coisas futuras.” (Jo 16: 13).

O advento da Doutrina Espírita veio dar cumprimento a promessa do Cristo, pois é o Consolador Prometido.

Conforme se encontra na obra “Espiritismo de A a Z”, o Espírito de Verdade é: “uma plêiade de Espíritos”, e não, como se poderia pensar, apenas um Espírito.

O Paráclito ou Espírito de Verdade, diz Kardec, no cap. VI, item 4, de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, é quem preside o restabelecimento da Doutrina Espírita.

As impregnações dogmáticas que haviam sido incorporadas ao Cristianismo fizeram que, no século do positivismo, o materialismo se expandisse de tal maneira que afastaria o Homem racional da Igreja, pois o que ela pregava transbordava incoerência e contradizia a razão.

Então, exatamente nesse século de predominância do materialismo na Europa, é chegada à hora do advento do Espiritismo, pois ocorria uma verdadeira revolução no conhecimento cientifico.

Na antiguidade, claro, houve muitos iluminados, mas o conhecimento era, como sempre lembra Kardec, hermético, fechado, limitado a poucos que podiam compreender.

Mas, no século do positivismo, diz comumente Kardec, a Humanidade já estava pronta para receber em larga escala, com grande estrondo, a divulgação da Doutrina Espírita, pois o alicerce já estava preparado.

Então não era apenas a França que estava preparada, mas a manifestação dos Espíritos, no século dezenove, foi generalizada, em diversas partes do mundo, no México, nos Estados Unidos, na Argélia, na Rússia, etc..

E esse caráter de universalidade é justamente - como sempre ressalta Kardec - o que confere maior credibilidade, veracidade as revelações, pois da análise das inumeráveis comunicações obtidas, nas mais diversas partes do mundo, constata-se que as verdades reveladas são as mesmas, obtidas nos grandes ou pequenos centros, de médiuns altamente intelectualizados, ou mesmo de médiuns analfabetos. Uma grande unidade em todo o ensinamento espírita podia ser observada.

E, especialmente, há que se ressaltar, toda a revelação espírita era coerente com a mensagem do Cristo. Muitas das lições que foram apresentadas em palavras figuradas, agora eram trazidas com todas as letras. Vemos que nenhuma nova moral foi trazida, pois os princípios morais do Espiritismo são os mesmos princípios morais de Jesus.

No mesmo capítulo acima citado, de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, item 4, o codificador, discorrendo sobre o advento da Doutrina Espírita, sintetiza: “Ele chama os homens à observância da lei; ensina todas as coisas, fazendo compreender o que o Cristo só disse em parábolas. O Cristo disse: ‘que ouçam os que têm ouvidos para ouvir’. O Espiritismo vem abrir os olhos e os ouvidos, porque ele fala sem figuras e alegorias. Levanta o véu propositadamente lançado sobre certos mistérios, e vem, por fim, trazer uma suprema consolação aos deserdados da Terra e a todos os que sofrem, ao dar uma causa justa e um objetivo útil a todas as dores”.

Portanto, o Espiritismo veio explicar quem somos nós, de onde viemos e para onde vamos; veio ensinar que somos Espíritos imortais, destinados a felicidade eterna; veio demonstrar que Deus é soberanamente Justo e Bom; e que todas as coisas que nos pareciam injustas têm uma razão de ser.

Eis o Consolador prometido!

A ORAÇÃO DE JESUS POR SEUS DISCÍPULOS

Assim falou Jesus, e, erguendo os olhos ao céu, disse: ‘Pai, chegou a hora'. Glorifica teu Filho, para que teu Filho te glorifique, e que, pelo poder que lhe deste sobre toda carne, ele dá a vida eterna a todos os que lhe deste!

Ora, a vida eterna é esta: que eles te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e aquele que enviaste: Jesus Cristo.

Eu te glorifiquei na terra, concluí a obra que me encarregaste de realizar.

(...) Manifestei o teu nome aos homens que do mundo me deste. Eram teus e os deste a mim e eles guardaram tua palavra.

(...) Já não estou no mundo; mas eles permanecem no mundo e eu volto a ti.

(...) Eu lhes dei tua palavra, mas o mundo as odiou porque não são do mundo, como eu não sou do mundo.

(...) Não rogo somente por eles, mas pelos que, por meio de sua palavra crerão em mim: a fim de que todos sejam um.

Como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, que eles estejam em nós, para que o mundo creia que tudo me enviaste.

(...) Pai, aqueles que me deste quero que, onde eu estiver; também eles estejam comigo, para que contemplem minha glória, que me deste, porque me amaste antes da fundação do mundo.

(...) Eu lhes dei a conhecer o teu nome e lhes darei a conhecê-lo a fim de que o amor com que me amaste esteja neles e eu neles. (Jo 17:1-26).

Voltemos aos últimos instantes daquela noite inesquecível no Cenáculo. Jesus está com seus discípulos. Eles estão apreensivos; podem pressentir o desfecho culminante que se aproxima.

Os discípulos aguardavam. Embora ansiosos, ainda estavam enlevados, maravilhados com a sublime demonstração de humildade protagonizada pelo Mestre: o lava-pés. Jesus, que havia se feito o menor, era, por isso, em absoluto, o maior.

Nesse instante, o Mestre dirige-se ao Pai Criador e faz uma fervorosa prece. Suas palavras, proferidas naquele momento inolvidável, soariam, eternamente, como um canto de rara beleza.

O Cristo havia cumprido plenamente sua missão: “Eu te glorifiquei na terra, concluí a obra que me encarregaste de realizar.”

Todos os atos de Jesus representam a mais pura virtude. Não houve hesitações, não houve dúvidas, não houve palavras desperdiçadas, não houve ocasiões perdidas para exemplificar o Amor maior. Todos os seus passos refletem o compromisso absoluto com sua missão; todos os seus ensinamentos representam a perfeita Moral; todo o seu testemunho reflete a Lei Divina.

Mas no mundo havia, e ainda há, muita ignorância. Essa condição de ignorância faz com que as pessoas afastem-se do verdadeiro caminho, faz com que, temporariamente, reneguem as potencialidades da alma: potencialidade de “ver” mais, de “ouvir” mais, de buscar a ligação com Deus.

Enquanto se encontra nessas “trevas”, o Ser, ao ouvir falar sobre o caminho do Bem, ouvir falar sobre a verdadeira grandeza, sobre a Lei do Amor, ele renegará a Verdade, e, por vezes, odiará aqueles que a anunciam.

Por isso disse Jesus: “Eu lhes dei tua palavra, mas o mundo as odiou porque não são do mundo, como eu não sou do mundo.”

Jesus, entre os Homens frios, entre aqueles que tinham a aparência de “santo”, mas o coração petrificado pelo egoísmo, pelo orgulho e pela vaidade, entre aqueles que queriam manter seus privilégios através da ignorância do povo, entre esses, Jesus foi odiado. Foi odiado porque não pertencia a esse mundo: mundo de iniquidade, mundo de falsos valores, mundo de ignorância.

Assim como o Mestre, seus fiéis discípulos seriam odiados por aqueles que cultivavam os valores desse mundo das coisas materiais. Seriam também perseguidos, seriam, por muitos, objeto de desprezo, de ironia, de indiferença.

No entanto, ao mesmo tempo, seriam ouvidos por tantos outros; seriam acolhidos por todos aqueles que estivessem cansados de seus fardos, cansados da iniquidade, cansados da vida mundana; seriam ouvidos por todos aqueles que estavam desejosos de aprender e crescer, desejosos de se libertar pela verdade.

Jesus era, pois, do “mundo” dos valores espirituais, onde as Leis Divinas reinam de forma soberana, absoluta, onde apenas o Bem vence.

Mas Jesus era o Mestre maior, e, mesmo diante de toda a ignorância dos Homens, a todos perdoou. Seu Amor infinito é capaz de envolver a todos nós. Um dia, toda a Humanidade o ouvirá, e, então, todos seremos como “Um”. Por isso disse: “Não rogo somente por eles, mas pelos que, por meio de sua palavra crerão em mim: a fim de que todos sejam um”.

Quando todos forem capazes de encontrar a Luz, forem capazes de reconhecer no Evangelho de Jesus a mais sublime canção sobre a Verdade e a Eternidade, então todos nós seremos “Um”, eis que seremos movidos apenas pela Lei do Amor, e reinará a amizade, a fraternidade, a caridade universal. O Mal será erradicado, extinto, aqui da Terra, e não mais haverá a multidão de aflitos, de crianças abandonadas, de idosos desamparados, de famintos sem nem um pedaço de pão. Todos esses males, essas aflições, desaparecerão.

Todos nós seremos “Um” e poderemos, nesse grande dia, com a Humanidade renovada, ouvir juntos a Voz do sublime Pastor.

Que possamos, cada um de nós, tomar parte na expansão do Evangelho, através de nossa palavra, anunciando a Boa Nova, e principalmente, exemplificando como Jesus nos ensinou.

QUESTÃO REFLEXIVA:

O que podemos fazer para divulgar ainda mais o Evangelho de Jesus, para que, um dia, todos nós sejamos “Um”?

Bibliografia
- A Bíblia de Jerusalém.
- Kardec, Allan - O Evangelho Segundo o Espiritismo - Ed. FEESP
- Xavier, Francisco C./Humberto de Campos - Boa Nova.
- Espiritismo de A a Z - Ed. FEB.
- Franco, Divaldo P./Amélia Rodrigues - Sou Eu.


Fonte da imagem: Internet Google.