CARACTERÍSTICAS BÁSICAS DO ESPÍRITA: PACIÊNCIA, INDULGENCIA, FÉ, HUMILDADE, DIGNIDADE E CARIDADE.

terça-feira, 21 de novembro de 2017

24ª Aula Parte A – CURSO APRENDIZES DO EVANGELHO 2º ANO – FEESP

O Espiritismo

Do Cristianismo Ao Espiritismo

Os primeiros séculos do Cristianismo, como vimos anteriormente, foram assinalados pelos mais notáveis testemunhos de fé, pois eram incontáveis as perseguições.

Os primeiros cristãos, renovados pela palavra amorosa do Cristo, buscando seguir seus ensinamentos, exercitando a fraternidade legitima, deixaram-nos exemplos admiráveis de resignação, renúncia e coragem.

A expansão inicial do Cristianismo - fato digno de recordar - foi marcada pela perseguição implacável, especialmente, pelos próprios judeus oposicionistas, muito mais do que pelos conquistadores romanos.

Com efeito, embora Jesus tenha vindo dar cumprimento a Lei e aos profetas, encontrara, no Judaísmo, uma religião institucionalizada, dogmática, prescrevendo rituais exteriores como prática devocional, em detrimento da prática do Bem.

A manifestação da adoração a Deus constituía-se de oferendas, sacrifícios e do cumprimento rigoroso dos rituais exteriores. Deus era concebido a imagem e a semelhança do Homem, ou seja, portador de predicados humanos, que antes deveria ser temido ao invés de amado.

Jesus chega, então, na qualidade de embaixador celestial, apresentando Deus como Pai de todos os Homens, cujo Infinito Amor, Bondade e Misericórdia derramam-se sobre todas as criaturas, conclamando o Homem à edificação do Reino de Deus em seu próprio coração.

Na demonstração viva da vontade Divina, ama e serve indistintamente. O Mestre proclama no “amar a Deus sobre todas as coisas” e no “amar ao próximo como a si mesmo”, o caminho que conduz a Deus.

No tocante às práticas exteriores, convida os Homens, através de parábolas, sermões, questionamentos e, sobretudo pela sua exemplificação, a refletirem sobre a ineficácia desses ritualismos, se não são capazes de torná-los melhores.

Por essa postura, Jesus foi visto como um inimigo das tradições, como um herético, por não dar importância aos preceitos exteriores, e considerado um blasfemo, por se dizer Filho de Deus.

A despeito de toda perseguição desencadeada contra Jesus, que culminou com o martírio na cruz, a palavra dele triunfou, seus exemplos fecundaram o solo da terra, como sementes de luz, destinadas a germinação incessante nos caminhos humanos. Sob a forca poderosa do Amor, o Evangelho expandiu-se.

Os primeiros cristãos eram a terra fértil simbolizada na Parábola do Semeador, produzindo frutos de fraternidade, amor, fé e esperança. Perseguidos primeiramente pelos judeus e depois pelos romanos vivenciavam os mais aflitivos tormentos, de forma serena, pois a imortalidade da alma e o amor a Deus era o fundamento da fé que abraçavam. Durante quase três séculos, foram inumeráveis os mártires que, profundamente inspirados pelas sublimes palavras do Mestre, deram a própria vida a serviço do Cristo.

Nesse panorama, um ponto importante que podemos destacar foi, no tocante aos ensinamentos de Jesus, e ao esforço para manter sua integridade, as lutas imensas no combate às influências de muitos convertidos -judeus ou gentios - que não obstante terem aderido ao Evangelho, buscavam incorporar suas práticas e crenças milenares ao Cristianismo.

As lutas foram intensas e incessantes pela preservação da pureza do Evangelho. No entanto, gradativamente, a partir do século IV o Cristianismo, desfigurado pelos seus próprios adeptos, foi afastando-se cada vez mais do pensamento do Mestre.

Aconteceu, então, a construção da mistificação de Jesus e a institucionalização do Cristianismo.

A mistificação, ou seja, a criação de um mito, pois, esquecendo as próprias palavras do Mestre, que sempre afirmou sua condição humana, ainda assim, muitos o elevaram a condição de Divindade e, dessa forma, Jesus seria a própria encarnação de Deus na Terra. Tal interpretação, no entanto, é claramente rejeitada pelas próprias palavras de Jesus que sempre afirmou, expressamente, que fora enviado pelo Pai.

A institucionalização, ou seja, a transformação em uma instituição humana, pois se tornou uma organização estruturada por forte hierarquização de seus membros, regida por austero regimento interno, e com grande poder e hegemonia exclusivista, influindo, até mesmo, na esfera administrativa, governamental e jurídica da sociedade. Tal condição faz-nos refletir:

Quanta diferença da “Casa do Caminho” onde a preocupação principal era o atendimento aos aflitos! Quanta diferença de tudo que foi ensinado pelo “Rabi da Galiléia” que sempre se esforçou em demonstrar que a grande ação era a renovação interior, e a grande tarefa era a divulgação do “Reino de Deus”, exemplificando a simplicidade, a humildade, a pureza de intenções... não poderia, assim, haver imposições, haver disputa de poder com as Instituições do mundo..., por isso Jesus havia afirmado: “Meu Reino não é deste mundo.”

Em todo esse processo que citamos, não poderíamos jamais esquecer do livre arbítrio dos Homens.

Certo é que, em todos esses séculos, imensurável foi a ajuda da Espiritualidade Superior para inspirar os Homens ao caminho do Bem..., mas, como citamos, em regra, o livre arbítrio é inviolável. Cabe, pois, a cada Ser, a cada grupo, a cada sociedade buscar a implantação do Evangelho da forma que Jesus ensinou.

Nosso avanço é sempre contínuo, construído a partir do ensino que podemos tirar das gerações anteriores. Caso contrário, estaríamos sempre a recomeçar.

Revendo a História, portanto, podemos aprender com aqueles que nos antecederam e, em decorrência, esforçarmos para não cometer os mesmos enganos.

Vejamos, então, de forma sucinta, alguns fatos marcantes que determinaram essa mistificação do Cristo e a institucionalização do Cristianismo.

A INSTITUCIONALIZAÇÃO D0 CRISTIANISMO

Em 312, Constantino, imperador de Roma, converte-se ao Cristianismo. Publica, então, o Édito de Milão, dando liberdade de culto aos cristãos.

A Igreja, a partir dai, começa a sofrer muitas mudanças, pois o Estado que até então confiscava bens dos cristãos, passa a doá-los à Igreja, enriquecendo-a de bens materiais.

Foi assim que, em 325, Constantino solicitou as autoridades da Igreja, a convocação de um concílio para se decidir se Jesus era Deus ou se Jesus era filho de Deus, conforme apregoava Ário, sacerdote de Alexandria.

Os Concílios

Os concílios eram reuniões de autoridades religiosas, onde se debatiam todos os problemas que interessavam ao movimento cristão. Dessas reuniões decorreram as inovações desfiguradoras da beleza simples do Evangelho.

Ocorreu, então, em 325, o 1° Concilio de Nicéia, onde se reafirmou que Jesus é Deus.

Em 381, no 1° Concilio de Constantinopla, reafirmou-se que o Espírito Santo é Deus e os que afirmavam o contrário foram considerados hereges.

Em 391, o imperador Teodósio proibiu o culto pagão e elevou o Cristianismo a condição de religião oficial do Império. O Cristianismo foi institucionalizado: nascia a Igreja Católica Apostólica Romana.

No entanto, conforme assinala Emmanuel em “A Caminho da Luz”:

“O Cristianismo, porém, já não aparecia mais com aquela humildade de outros tempos. Suas cruzes e cálices deixavam entrever a cooperação do ouro e das pedrarias, mal lembrando a madeira tosca da época gloriosa das virtudes apostólicas... A união com o Estado era motivo para grandes espetáculos de riqueza e vaidade orgulhosa... Herdando os costumes romanos e suas disposições multisseculares, procurou um acordo com as doutrinas consideradas pagãs, pela posteridade, modificando as tradições puramente cristãs, adaptando textos, improvisando novidades injustificáveis... É assim que aparecem novos dogmas, novas modalidades doutrinárias, o culto dos ídolos...”

Em 607, o imperador Focas, nomeia Bonifácio III como bispo universal, criando a instituição do papado.

Os séculos transcorriam e a Igreja solidificava-se como Instituição religiosa hegemônica e pretensa detentora da “verdade”.

Aqueles que, então, não aceitavam a “verdade” propagada pela Igreja eram considerados hereges. Nesse embate, alguns chefes da Igreja consideraram a oportunidade da fundação de um tribunal de penitência.

Em 1231, o tribunal da Inquisição é consolidado pelo papa Gregório IX, engendrando um capítulo de perseguições acerbas aos chamados heréticos.

Antecipando essa era sombria, muitos missionários do Cristo reencarnam em tarefa evangelizadora, empenhando-se na restauração do Cristianismo em sua essência.

Um dos maiores missionários desse período foi Francisco de Assis, que reencarnou em 1182. Francisco de Assis exercitava o amor, a caridade, a fé e a humildade. Seus exemplos de total compreensão do Evangelho eram um sopro de revelação divina, ministrando lições preciosas a Igreja acomodada à opulência e a exterioridade.

Francisco deu a sua colaboração à reforma espiritual de que a Igreja tanto necessitava. No entanto, o seu exemplo não foi compreendido.

Mas, o olhar misericordioso de Jesus prosseguia velando..., e o movimento de renascimento cultural propiciaria também um movimento de renovação religiosa. Inúmeros cooperadores de Jesus reencarnaram: Lutero, Erasmo, Melanchthon, John Huss e outros.

Lutero encabeçou o movimento de protesto contra a Igreja, originando o Protestantismo, quando, em 1520, ele rompeu com a Igreja. O seu esforço coroou-se de notável importância para os caminhos do porvir.

Em 1870, o Concilio vaticano I decretou o dogma da infalibilidade papal, instituindo que o papa, quando se manifesta, oficialmente, em matéria de fé e moral, não pode errar, pois é assistido pelo Espírito Santo.

Esses são; como ressalvamos, apenas alguns dos fatos que marcaram a história da Cristandade.

Ao fazermos esta ligeira incursão, jamais podemos deixar também de ressalvar que nossa postura perante as religiões deve ser de respeito, e, assim, não tivemos quaisquer intenções de lançar críticas as Instituições, a quem muito devemos, pois temos plena consciência de que esta História foi construída por muitos de nos, Espíritos imortais que somos.

Quando a analisamos em seu conjunto, surpreendemo-nos com a riqueza de tantas manifestações humanas: quanto trabalho, quanto esforço, quantas lágrimas...

O estudo dos livros da Bíblia, o estudo da História dos grandes patriarcas tem-nos sido uma jornada reveladora.

Quantos exemplos de fidelidade à palavra divina, quantos exemplos inesquecíveis de fé, de esperança... Não obstante todos os atos humanos de desvio do “Caminho”, pelas paisagens memoráveis da Palestina, nos campos e nas montanhas, entre as oliveiras, nos caminhos inolvidáveis da Galiléia, ressoara sempre a mensagem do Mestre, convidando os Homens ao exercício da verdadeira religiosidade.

Como assinala Emmanuel no livro intitulado “Emmanuel”:

“O que se faz preciso, em vossa época, é estabelecer a diferença entre religião e religiões. A religião é o sentimento divino que prende o homem ao Criador. As religiões são organizações dos homens, falíveis e imperfeitas como eles próprios; dignas de todo o acatamento pelo sopro de inspiração superior que as faz surgir; são como gotas de orvalho Celeste, misturadas com os elementos da terra em que caíram. Muitas delas, porém, estão desviadas do bom caminho pelo interesse criminoso e pela ambição lamentável de seus expositores; mas a verdade um dia brilhará para todos, sem necessitar da cooperação de nenhum homem”.

A Mensagem de Jesus é um canto de amor, de fraternidade, de luz, de libertação que nos conduz a tantas inspirações. Que ela possa despertar-nos para a verdadeira religiosidade!

QUESTÃO REFLEXIVA:

Por que os homens, por vezes, mesmo professando uma religião que prega o Amor, podem se desviar do caminho do Bem?


Fonte da imagem: Internet Google.

terça-feira, 14 de novembro de 2017

23ª Aula Parte B – CURSO APRENDIZES DO EVANGELHO 2º ANO – FEESP

Regeneração Da Humanidade

Em “O Livro dos Espíritos”, terceira parte, cap. VIII, encontramos detalhadamente, a explicação da Lei do Progresso que, inexoravelmente, impulsiona a Humanidade e todas as coisas do universo no caminho da evolução.

O progresso da Humanidade, portanto, efetua-se em virtude de leis naturais e, como todas as leis da natureza, estas também são obras de Deus. Logo, podemos dizer que quando a Humanidade está madura para transpor um degrau, os “tempos marcados” por Deus chegaram.

Chegado o momento certo, a transição efetuar-se-á.

As mudanças, no entanto, são paulatinas, sem grandes convulsões.

Nesse sentido, em “Obras Póstumas”, no item “Regeneração da Humanidade” encontramos a seguinte comunicação:

“Não percebeis que sopra um vento pela superfície da Terra, o qual agita os Espíritos? O mundo espera alguma coisa e sente-se dominado de um vago pressentimento da próxima tempestade.
Não acrediteis, entretanto que o mundo acabe materialmente. Ele progrediu desde o primeiro dia e deve progredir indefinidamente.
A humanidade é que atingiu um dos seus períodos de transformação e a terra vai elevar-se na hierarquia dos mundos”.

Esses períodos de transformações são caracterizados por instabilidades, em que os valores, no tumulto dos acontecimentos, são renovados, culminando em profundas modificações na vida, nos costumes e na própria natureza humana.

Não há, no entanto, sobressaltos. Tudo transcorre como um longo processo e, gradativamente, a Humanidade vai renovando seus valores.

Temos, então, que não há nada de místico ou sobrenatural em dizer que a Humanidade chegou a um período de transformação e que a Terra deve se elevar na hierarquia dos mundos. Trata-se do cumprimento de uma das grandes leis inevitáveis do Universo.

A HIERARQUIA DOS MUNDOS

Em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, cap. III, item 3, Kardec, compilando as diversas comunicações dos Espíritos Superiores, explica que os diversos mundos possuem condições muito diferentes uns dos outros em relação ao atraso ou adiantamento de seus habitantes. Há desse modo, alguns que são ainda inferiores à Terra, física e moralmente, outros estão no mesmo grau, e há outros que lhe são superiores.

Em seguida, apresenta a classificação dos mundos em cinco categorias, vejamos:

- Mundos Primitivos - onde se verificam as primeiras encarnações da alma humana;

- Mundos de Expiações e de Provas - onde o mal predomina;

- Mundos Regeneradores - onde as almas que ainda têm o que expiar adquirem novas forças, repousando das fadigas da luta;

- Mundos Felizes - onde o bem supera o mal, e;

- Mundos Celestes ou Divinos - morada dos Espíritos purificados, onde o bem reina sem mistura.

Esta classificação - ensina Kardec - é antes relativa que absoluta, então, é apenas uma divisão geral.

Conclui o codificador que: “A Terra pertence à categoria dos mundos de expiações e de provas, e é por isso que nela o homem está exposto a tantas misérias”.

No item 13, do mesmo capítulo acima citado, encontramos uma mensagem de Santo Agostinho, com a seguinte síntese sobre os mundos de expiação e de provas, e especialmente sobre a Terra:

“A superioridade da inteligência, num grande número de seus habitantes, indica que ela não é um mundo primitivo, destinado à encarnação de Espíritos ainda mal saídos das mãos do Criador. Suas qualidades inatas são prova de que já viveram e realizaram um certo progresso, mas também os numerosos vícios a que se inclinam são o indício de uma grande imperfeição moral. Eis porque Deus os colocou num mundo ingrato, para expiarem suas faltas através de um trabalho penoso e das misérias da vida...”

E, mais adiante, discorrendo sobre a progressão dos mundos, no item 19, anuncia que a Terra:

“... chegou a um de seus períodos de transformação, e vai passar de mundo expiatório a mundo regenerador. Então os homens encontrarão a felicidade, porque a lei de Deus governará”.

Como ocorrerá a regeneração?

No item 31, do cap. XVIII, de “A Gênese”, Kardec ilustra, através de um exemplo claro como podemos entender a transição. A maneira pela qual se opera a transformação pode ser compreendida por uma comparação comum; e, como poderemos notar, ela é toda moral e não se afasta em absoluto, das leis da natureza:

“Suponhamos um regimento composto na grande maioria de homens turbulentos e indisciplinados; estes contribuindo sem cessar para a desordem, que a severidade da lei penal terá, frequentemente, dificuldade para reprimir. Esses homens são os mais fortes, porque são os mais numerosos; eles se apoiam, encorajam-se e se estimulam por meio do exemplo. Os poucos bons são sem influência; seus conselhos são desprezados; eles são ridicularizados, maltratados pelos outros, e sofrem com este contato. Não está ai a imagem da sociedade atual?”

“Suponhamos que se retirem esses homens do regimento, um por um, dez a dez, cem a cem; e sejam substituídos pouco a pouco por um numero igual de bons soldados, até por aqueles que foram expulsos, mas que se hajam seriamente corrigido: no fim de algum tempo teremos sempre o mesmo regimento, mas transformado; a boa ordem terá sucedido a desordem. Assim será a Humanidade regenerada.”

Apesar de todo conforto que o progresso tecnológico trouxe-nos, somente o progresso moral pode assegurar a felicidade colocando um freio às más paixões, rompendo as barreiras dos povos, derrubando os preconceitos de casta, calando o antagonismo das seitas, ensinando os homens a se olharem como irmãos convidados a se ajudarem mutuamente. (A Gênese, cap. XVIII, item 19).

A NOVA GERAÇÃO

Conforme vimos, Kardec explica que a geração atual desaparecerá gradualmente, e a nova lhe sucederá do mesmo modo, sem que nada seja mudado na ordem natural das coisas.

Temos, então, que a época atual é de transição; os elementos das duas gerações mesclam-se. Colocados no ponto intermediário, assistimos à partida de uma e a chegada da outra, e cada uma já se assinala no mundo por caracteres que lhes são próprios, uma mais materialista, outra mais espiritualizada.

A nova Terra devera ser um lugar onde os Homens sejam mais felizes. Por conseguinte, é necessário que ela seja povoada em sua maioria por bons Espíritos encarnados e desencarnados. Kardec esclarece em “A Gênese”, no item 27 do mesmo capítulo acima citado, que:

“Esse tempo tendo chegado, uma grande emigração se realiza neste momento entre os que a habitam; aqueles que fazem o mal pelo mal, e que o sentimento do bem não toca, não sendo mais dignos da Terra transformada, dela serão excluídos...”

Renovado o panorama do mundo pela presença de Espíritos mais elevados, o clima de equilíbrio será estabelecido, e tanto os planos espirituais próximos à crosta quanto à própria superfície planetária refletirão a integridade moral de seus habitantes.

E quanto ao “Julgamento Final”?

Conforme podemos encontrar em “A Gênese”, cap. IX, não faz sentido pensar num julgamento final, único e universal, que coloque fim a toda a Humanidade. Não há lógica nessa linha de raciocínio, pois isso implicaria na inatividade de Deus durante a eternidade que precedeu a criação da Terra e a eternidade que seguirá à sua destruição.

Além disso, tal julgamento é inconciliável com a Bondade Infinita do Criador, que Jesus apresentou-nos sempre como Pai Amoroso e Misericordioso. A própria expressão ‘julgamento final’ não faz sentido.

Há, sim, julgamentos gerais que ocorrem em todas as épocas de renovação dos mundos e, em consequência delas operam-se as grandes emigrações e imigrações dos Espíritos.

“Os mansos herdarão a Terra”, como disse Jesus. Porém, sabemos muito bem que Jesus não abandona nenhuma de suas ovelhas. No momento adequado, aqueles Espíritos que, apesar da sua inteligência e de seu saber, perseverarem no mal, passando a ser entrave ao progresso moral da Terra, serão enviados a mundos mais atrasados, onde terão oportunidade de aplicar sua inteligência e a intuição dos conhecimentos adquiridos, auxiliando no progresso daquele mundo a que forem chamados a viver, como vemos em “A Gênese”, cap. XI, item 43 :

“... ao mesmo tempo que expiarão, numa serie de existências penosas e por um duro trabalho, as suas faltas passadas e seu endurecimento voluntário. ”

Emmanuel, em “A Caminho da Luz”, recorda-nos acontecimento semelhante em um dos orbes chamado Capela, onde muitos Espíritos rebeldes foram exilados a Terra.

No nosso planeta começa a ocorrer esse mesmo processo.

Na obra “Espiritismo e vida”, psicografado por Divaldo Pereira Franco, o Espírito Vianna de Carvalho anuncia, no cap. 10, “A Nova Sociedade do Futuro”:

“Já se encontram, pois, na Terra, incontáveis preparadores da nova sociedade do futuro, envergando a vestimenta carnal, despertando o interesse e a atenção dos mais renitentes negadores do Espírito, de modo que, de imediato, haja lugar para a instalação do Reino de Deus nas mentes e nos corações afervorados a verdade.”

Como será a vida na Terra?

Quando as mudanças sedimentarem-se, tudo estará diferente: os costumes, o caráter das pessoas, os anseios, os objetivos, as preocupações..., a fraternidade devera ser a pedra angular tendo por base inquebrantável a fé nos “princípios fundamentais que todo o mundo pode aceitar: Deus, a alma, o futuro, o progresso individual indefinido, a perpetuidade das relações entre os seres.” (GE, cap. XVIII, item 17).

É preciso um novo homem para a nova era!

No item 3, do cap. XVII, “Sede Perfeitos”, de “O Evangelho Segundo o Espiritismo” quando é indicado como se comporta o Homem de Bem, encontramos:

“... faz o bem pelo bem, toma a defesa do fraco contra o forte e sacrifica sempre o seu interesse a justiça. Encontra sua satisfação nos benefícios que distribui, nos serviços que presta, nas venturas que promove, nas lágrimas que faz secar; nas consolações que leva aos aflitos. Seu primeiro impulso é o de pensar nos outros, antes que em si mesmo, de tratar dos interesses dos outros, antes que dos seus.
... O homem de bem, enfim, respeita nos seus semelhantes todos os direitos que lhes são assegurados pelas leis da natureza, como desejaria que os seus fossem respeitados”.

Todo espírita verdadeiro é, por definição, um Homem novo e percebe a plenitude da paz e será um candidato natural a residir na “nova morada”.

Enquanto o “leme da embarcação planetária” estiver nas mãos de Jesus, o mundo prosseguirá lenta e seguramente rumo ao fim para o qual foi criado: habitação feliz de almas em evolução, escola e oficina de trabalho para os filhos de Deus.

A Doutrina Espírita apresenta a proposta renovadora do Cristianismo redivivo, do despertar das potências adormecidas de cada Espírito, da busca da plenitude, que se dá pela prática incondicional do Bem, para com isto vir a compor o perfil desejado do Homem da Nova Era e auxiliar a Humanidade em momento tão importante de sua jornada.

Kardec indica-nos que o reino do Bem será o da paz e da fraternidade universal e será derivado do código de moral evangélica posto em prática por todos os povos (GE cap. XVII). Esse será verdadeiramente o reino de Jesus onde os homens viverão sob a sua lei.

Em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, no cap. III, encontramos este cântico de Santo Agostinho, sobre os mundos regeneradores:

“Entre essas estrelas que cintilam na abóboda azulada, quantas delas são mundos,
... Comparados à Terra, esses mundos são mais felizes, e muitos de vós gostariam de habitá-los, porque representam a calma após a tempestade, a convalescença após uma doença cruel,
... Contemplai, pois, durante a noite, na hora do repouso e da prece, essa abóboda azulada, e entre as inumeráveis esferas que brilham sobre as vossas cabeças, procurai as que levam a Deus, e pedi que um mundo regenerador vos abra o seu seio, após a expiação na Terra”.

Confiantes em Jesus..., seguindo os passos do Mestre, trabalhemos para implantar a Nova Era na Terra!

QUESTÃO REFLEXIVA:

Neste período de renovação da Terra, como podemos contribuir para a regeneração planetária?

Bibliografia

- A Bíblia de Jerusalém.
- Kardec, Allan -A Gênese - Ed. FEESP.
- Kardec, Allan - O Livro dos Espíritos - Ed. FEESP.
- Kardec, Allan - Obras Póstumas.
- Xavier, Francisco C./Emmanuel -A Caminho da Luz.
- Xavier, Francisco C./Emmanuel - Vinha de Luz - Lição 120.
- Divaldo P. Franco/Vianna de Carvalho - Espiritismo e vida.


Fonte da imagem: Internet Google.

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

23ª Aula Parte A – CURSO APRENDIZES DO EVANGELHO 2º ANO – FEESP

Nova Era

Sinais Dos Tempos

Quando lemos a Bíblia, encontramos diversas citações, tanto no Antigo como no Novo Testamento, que fazem referência aos “Sinais dos Tempos”.

Jesus, especialmente no Sermão Profético, anunciou aos seus discípulos uma série de sinais extraordinários:

“Haveis de ouvir falar sobre guerras e rumores de guerra. Cuidado para não vos alarmardes. É preciso que essas coisas aconteçam, mas ainda não é fim. Pois se levantará nação contra nação e reino contra reino. E haverá fome e terremotos em todos os lugares. Tudo isso será o princípio das dores.
E surgirão falsos profetas em grande número e enganarão a muitos. E pelo crescimento da iniquidade, o amor de muitos esfriará.
Logo após a tribulação daqueles dias, o sol escurecerá, a lua não dará a sua claridade, as estrelas cairão do céu e os poderes dos céus serão abalados. Então aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem e todas as tribos da terra baterão no peito e verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu com poder e grande glória”. (Mt 24:6-8, 11-12 e 29-30).

Neste sermão, vemos que, se tomadas ao pé da letra, certas predições seriam assustadoras. No entanto, Kardec, no livro “A Gênese”, cap. XVII, item, 54, tranquiliza-nos afirmando que o quadro do fim dos tempos é, evidentemente, alegórico.

“As imagens que ele contém, mediante a energia destas, são de natureza a impressionar inteligências ainda rudes. Para impressionar essas imaginações pouco sutis, eram necessárias pinturas vigorosas, de cores vivas. Jesus se dirigia, sobretudo ao povo, aos homens menos esclarecidos, incapazes de compreenderem as abstrações metafísicas, e de perceberem a delicadeza das formas. Para chegar ao coração, era necessário falar aos olhos com a ajuda de sinais materiais, e aos ouvidos mediante o vigor da linguagem”.

Era, pois, o próprio costume da época utilizar-se de linguagem forte e simbólica, como vemos em diversas ocasiões nas Escrituras.

Nesse sentido, a figura do Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu, com grande majestade, rodeado de seus anjos e com o barulho das trombetas, já havia sido empregada pelo profeta Daniel, no Antigo Testamento, e, dessa forma, era bem conhecida entre os judeus à época.

Imagem imponente atendia as perspectivas judaicas de poder, glória, majestade, esplendor... Muito mais do que alguém que não tivesse autoridade material, mas apenas ascendência moral.

Ainda no mesmo item acima citado de “A Gênese”, prossegue o codificador:

“Como consequência natural dessa disposição de espírito, o poder supremo não podia, segundo a crença de então, manifestar-se senão por atos extraordinários, sobrenaturais; quantos mais esses eram impossíveis, mais eram aceitos como prováveis.”

Com efeito, podemos constatar tal fato, por exemplo, na seguinte assertiva: “O sol escurecerá, a lua não dará a sua claridade, as estrelas cairão do céu e os poderes dos céus serão abalados.” Ora, quem nos dias de hoje, utilizando a razão, poderia acreditar que as estrelas cairiam do céu?

Esta crença, diante de todos os conhecimentos e descobertas da astronomia, é, em essência, absolutamente pueril em nossos dias.

Porém, quando ainda não havia tais conhecimentos, os homens, em sua maioria, só conseguiam conceber a Divindade atuando através de fenômenos excepcionais e extraordinários como esses.

Por outro lado, além dessas figuras alegóricas e irreais, podemos observar que há outras predições, contidas no Sermão Profético, que estão dentro das ordens naturais das coisas, como veremos adiante.

Quando começarão a ocorrer os “Sinais dos Tempos”?

Quando proferiu o Sermão Profético, Jesus indicou os vários sinais que aconteceriam, mas, também afirmou:

“Daquele dia e da hora, ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, mas só o Pai”. (Mt 2436).

Esta afirmação demonstra-nos, claramente, que não existem, em regra, fatalismos. Este é, reforcemos, um ponto capital da Doutrina Espírita: o livre arbítrio dos Homens é o que determina um maior ou menor avanço de uma dada sociedade, num espaço delimitado de tempo.

Mas embora os Seres possam caminhar mais ou menos rápido, certo é que todos estão fadados à perfeição relativa. Neste ponto temos, sim, que admitir um fatalismo. Então, embora possam, se assim o desejarem, atrasar a própria evolução, não podem fugir ao cumprimento da Lei Divina.

Lembremos, a propósito, o que disse o Mestre: “Passarão o céu e a terra. Minhas palavras, porém, não passarão”. (Mt 24:35)

Inquestionavelmente, as palavras de Jesus não passarão porque são eternas, representam a mais pura verdade. Passarão o céu e a terra, pois, pertencendo ao mundo material, estão sujeitos a leis físicas, mas as palavras de Jesus são o anúncio da vontade Divina.

Retomando as predições do Mestre, e fazendo abstração aos fatos extraordinários e impossíveis, ou seja, deixando de lado tais prodígios, e lançando nossa atenção apenas nos fatos que, como dissemos, estão dentro da ordem natural das coisas, notaremos que representam os acontecimentos históricos e atuais que temos visto.

Guerras, conflitos, fome, miséria, dores..., afinal, não fazem parte de nossa realidade atual? E não são eles sinais anunciados por Jesus?

Vemos também que, mesmo diante de todos esses fatos comoventes, muitos se mantêm insensíveis, alheios à dor do semelhante, consubstanciando, assim, a afirmação:

“E pelo crescimento da iniquidade, o amor de muitos esfriará”. (Mt 24:12).

Esclarecendo a questão dos “tempos chegados”, Kardec, em “A Gênese”, cap. XVIII, item 7, explica que nosso globo, como tudo quanto existe, está sujeito a Lei do Progresso; por isso progride fisicamente, pela transformação dos elementos que o compõem e moralmente, pela purificação dos Espíritos encarnados e desencarnados que o povoam.

Lembremos ainda que, por isso, disse o Mestre: “É preciso que essas coisas aconteçam...” (Mt 24:6).

OS SINAIS

No item 60, cap. XVII, de “A Gênese”, Kardec assevera: "Se, agora, considerando a forma alegórica de certos quadros, e analisando o sentido íntimo das palavras de Jesus, compararmos a situação atual com os tempos descritos por Ele, como devendo marcar a era da renovação, não se pode negar que várias de suas predições estão se realizando hoje; daí é necessário concluir que chegamos aos tempos anunciados, o que os Espíritos que se manifestam, confirmam em todos os pontos do globo”.

Quais são, então, outros sinais que podemos constatar?

De acordo com a apreciação de Kardec, expostas no mesmo capítulo acima citado, estes são alguns dos sinais:

• as tendências, as aspirações, os pressentimentos das massas, a decadência das velhas ideias que se debatem em vão há um século contra as ideias novas;

• o advento do Espiritismo, coincidindo com outras circunstâncias, realiza uma das mais importantes predições de Jesus, pela influência que ele deve exercer sobre as ideias;

• a disseminação das comunicações mediúnicas, concretizando a sentença: “Nos últimos tempos, disse o Senhor, espalharei meu Espírito sobre toda a carne: vossos filhos e vossas filhas profetizarão”.

São de fato - bem podemos ver - sinais inconfundíveis. E, é relevante notar, não representam cataclismos planetários, não representam estrondosas erupções vulcânicas, não são as entranhas da Terra que se abrem em colapso..., são “revoluções” de ordem intelectual e moral.

Em sendo desta natureza, mudança tão radical como a que se elabora, não poderia realizar-se sem lutas das ideias: “É, portanto da luta das ideias que surgirão os graves acontecimentos anunciados, e não de cataclismos, ou catástrofes meramente materiais. Os cataclismos gerais eram a consequência do estado de formação da Terra: hoje já não são as entranhas do globo que se agitam, são as da Humanidade”. (GE cap. XVIII, item 7).

Contemplando nossos dias...

Nos dias de hoje, temos exemplos concretos que os interesses estão renovando-se:

- preocupamo-nos com o planeta, e seus recursos naturais;

- há uma ênfase na proteção da fauna, da flora, com o superaquecimento global, com a camada de ozônio...;

- preocupamo-nos com os direitos humanos;

- a educação é cada vez mais reconhecida como um forte leme para alavancar o progresso;

- as organizações filantrópicas mobilizam-se em prol de causas nobres, preocupando-se com as nações mais necessitadas;

- ocorre o enfraquecimento do preconceito;

- a globalização e seu aspecto econômico-financeiro fizeram, e fazem com que povos aproximem-se, e;

- a tecnologia faz com que as distancias encurtem-se cada vez mais e aproxime as pessoas.

Todos esses exemplos são também sinais dos tempos, mas o mais importante que vemos no mundo contemporâneo aponta para um enorme anseio exclamado por várias pessoas notáveis, de diferentes partes do mundo, e ao mesmo tempo por populações inteiras: Que haja paz no mundo em que vivemos!

Anseiam por um mundo sem fronteiras, sem ódio, sem medo, sem guerras, sem intolerância. Falam em harmonia e união; em compreensão, tolerância e perdão, aspectos fundamentais a serem considerados para a nova perspectiva. E isto é valido não apenas para o sentimento religioso em si, como também para os aspectos científicos, filosóficos, políticos, sociais e tudo o que possa trazer avanços a Humanidade.

Não podemos deixar de notar que, também nessa direção, vemos o movimento que se opera referente às ideias espiritualistas e os princípios de repulsa contra as ideias materialistas.

Pressentem-se esses ventos vindos de diversas direções e não somente no Espiritismo. O que corrobora ainda mais para a ideia da maturidade da Humanidade, que faz dessa renovação uma necessidade.

As ideias espíritas constituem poderosa alavanca para o momento que passamos. Kardec em “A Gênese”, cap. XVIII, item 25, assevera que:

“Por seu poder moralizante, por suas tendências progressistas, pela amplitude de suas vistas, pela generalidade das questões que abarca, o Espiritismo está, mais que qualquer outra doutrina, apto a auxiliar o movimento regenerador; é por isso que ele lhe é contemporâneo. Ele veio no momento em que podia ser mais útil, porque para ele também os tempos chegaram; mas cedo, teria encontrado obstáculos intransponíveis; teria inevitavelmente sucumbido, porque os homens, satisfeitos do que tinham, não experimentavam ainda a necessidade do que ele traz.”

Vemos, pois, que se trata de um momento especial que, nas palavras do Espírito Viana de Carvalho, no cap. 10 da obra “Espiritismo e vida”, psicografado por Divaldo P. Franco:

“A grandeza deste momento está na dicotomia da destruição do mal e da construção do bem, nas ocorrências calamitosas e edificantes, das quais resultará o amanhecer da Era de paz e de felicidade relativas que serão convites estimulantes para a conquista da plenitude sem jaça e de sabor eterno ao alcance de quem a desejar”.

QUESTÃO REFLEXIVA:

À luz da Doutrina Espírita, existe motivo para temermos os “Sinais dos Tempos” e as grandes mudanças que se aproximam?


Fonte da imagem: Internet Google.

terça-feira, 7 de novembro de 2017

22ª Aula Parte B – CURSO APRENDIZES DO EVANGELHO 2º ANO – FEESP

O Apocalipse À Luz Da Doutrina Espírita

O “Apocalipse” (Revelação), como já dissemos, tem as mais diversificadas interpretações.

Para os adeptos do Espiritismo, no entanto, apesar de toda riqueza encontrada no “Apocalipse”: os símbolos, as imagens, os fatos extraordinários, a dimensão... Tudo tem um valor relativo, e não há nada de sobrenatural ou fantástico.

Este é um ponto capital, que precisamos deixar em relevo.

Diferentemente de muitas outras doutrinas e correntes de pensamento, a Doutrina Espírita é essencialmente analítica e racional. É, pois, livre de espírito de sistema e de toda ordem de fanatismos.

Para cada uma das grandes obras literárias humanas, dos grandes livros “revelados” ou, por muitos, chamados de “sagrados”, o Espiritismo dá-lhe o valor que lhe cabe.

Muitos desses livros, assim como os Evangelhos, são muitas vezes, motivo de infinitas controvérsias, motivo de intermináveis debates, e, em certos casos, motivo de cisão. Quantos não foram os grupos religiosos que se dividiram apenas por causa de palavras mal compreendidas e interpretações divergentes?

Aos espíritas, um dos principais lemas é: “Espíritas, amai-vos e instrui-vos”.

Portanto, imbuídos deste ideal, poderemos ter em mãos qualquer livro, qualquer obra, qualquer trabalho humano ou “revelado” pelos Espíritos Superiores, e nossa atenção primeira será, principalmente, o conteúdo moral.

Kardec, a propósito, na introdução de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, explica, por exemplo, em relação aos Evangelhos, que muitos se apegaram a parte mística, esquecendo-se da parte moral (onde encontrariam a própria condenação), eis que a parte moral exige a reforma de cada um. O ensino moral ali contido, no entanto, é inquestionável e nunca foi objeto de discussão.

Portanto, quando nós, Espíritas, estudamos livros como o “Apocalipse”, mantemo-nos de coração Sereno, sem nos apegarmos as imagens e simbolismos extraordinários, pois lhes damos o valor apropriado.

Com esse propósito, prossigamos.

O médium João

Em “A Hora do Apocalipse”, Edgard Armond comenta que o apóstolo João encontrava-se em estado de desdobramento ou êxtase, onde viu, nos Planos Espirituais, quadros e projeções etéreas.

Emmanuel, comentando o Apocalipse em “A Caminho da Luz”, diz que:

“O Divino Mestre chama aos Espaços o Espírito João, que ainda se encontrava preso nos liames da Terra, e o Apóstolo, atônito e aflito, lê a linguagem simbólica do invisível. Recomenda-lhe o Senhor que entregue os seus conhecimentos ao planeta como advertência a todas as nações e a todos os povos da Terra...”

“... fui movido pelo Espírito” (Ap 1:10).

É como o apóstolo descreve o método pelo qual lhe foi revelado a mensagem apocalíptica. Através do fenômeno de emancipação da alma, ele foi levado a regiões do espaço, e após receber a mensagem, ele a relata através dos símbolos e imagens que eram comuns ao seu povo.

Neste ponto, temos que nos remeter a “O Livro dos Espíritos”, item 455, em que Kardec discorre sobre os fenômenos da emancipação da alma. Especialmente sobre o êxtase, afirma:

“O êxtase é o estado pelo qual a independência entre a alma e o corpo se manifesta da maneira mais sensível, e se torna, de certa forma, palpável.”

E ainda: “No estado de êxtase o aniquilamento do corpo é quase completo; ele só conserva, por assim dizer a vida orgânica. Sente que a alma não se liga a ele mais que por um fio...”

E em “O Livro dos Médiuns”, no quadro sinótico dos médiuns, constante da Segunda parte, cap. XVI, encontramos: “Médiuns extáticos - Os que, em estado de êxtase, recebem revelações dos Espíritos”.

João, no entanto, embora fosse grande médium, ressalva Edgard Armond que:

“Não sabendo transmitir o que viu em perfeita realidade, descreveu como pode, comparando com o que conhecia.”

Provavelmente, visualizou situações até mesmo de nossos dias, impossíveis de serem compreendidas naquela época. Sobre esse ponto, extraímos o seguinte trecho da resposta à questão 443 de “O Livro dos Espíritos”, que trata sobre a visão do extático (aquele que vê em estado de êxtase):

“O que ele vê é real para ele; mas, como seu Espírito está sempre sob a influência das ideias terrenas, ele pode ver à sua maneira, ou, melhor dito, exprimir-se numa linguagem de acordo com os seus preconceitos e com as ideias em que foi criado, afim de melhor se fazer compreender...”

O CONTEÚDO NA VISÃO ESPÍRITA

Erroneamente, o Apocalipse vem sendo tratado, por muitos, como sinônimo de “final dos tempos”.

Há simbolismos, por exemplo, que levaram a crença de que os cataclismos citados nas profecias são os grandes terremotos ocorridos, outros os ligam às guerras.

Foi por isso que já se previu, inúmeras vezes, e até mesmo nos dias de hoje, que as profecias contidas no Apocalipse concretizar-se-iam e tudo estaria acabado.

A simples menção da palavra já remete a pensamentos catastróficos. Sobre esse aspecto, Camille Flamarion, na obra “O Fim do Mundo” comenta que:

“A tradição Cristã? em acreditar que o fim estava próximo perpetuava-se de ano em ano, de século a século, apesar dos desmentidos da Natureza. Qualquer catástrofe,  tremor de terra, epidemia, fome, inundação; qualquer fenômeno: eclipse, cometa, furacão, tempestade, eram encarados como sinais precursores do cataclismo final. Os cristãos tremiam quais folhas levadas pelo vento, na expectativa constante do julgamento decisivo, e os pregadores alimentavam esse místico temor das almas tímidas”.

O Espiritismo, em absoluto, não compartilha dessas infundadas previsões. Considera que a mensagem principal do livro é que após tremendas dificuldades por que se passa, no inexorável caminho do progresso, no final haverá a vitória dos “justos”.

Não devemos, então, buscar no Apocalipse um significado único. Os acontecimentos ali descritos podem ser encontrados em várias ocasiões da História da Humanidade, quando os Homens vivenciam circunstâncias que se assemelham aos fatos narrados.

Independentemente do significado exato, podem representar aflições pelas quais poderá passar a Humanidade, decorrentes de seu livre arbítrio.

O “Apocalipse”, através da revelação feita por Jesus, complementa sua majestosa e sublime ação, desvela sua vontade, seus planos para a Humanidade e nos desperta para que estejamos alinhados a seus ensinamentos para que possamos habitar a morada feliz que se tornará a Terra quando a população vivenciar seu Evangelho.

De acordo com Edgard Armond, no preâmbulo de sua obra “A Hora do Apocalipse”, o livro da Revelação apresenta acontecimentos que interessam a Humanidade; é um complemento aos ensinamentos de Jesus, quando o Divino Mestre, no Sermão do Cenáculo, refere-se a acontecimentos finais deste atual ciclo evolutivo.

De acordo com Emmanuel em “A Caminho da Luz” as guerras, as nações futuras, os tormentos porvindouros, o comercialismo, as lutas ideológicas da civilização ocidental, estão ali pormenorizadamente entrevistos.

Seu conteúdo mostra o que ocorre em todos os tempos: as religiões perdem-se nos caminhos do ritualismo, do mercantilismo, do fanatismo que alimenta os orgulhosos, materializando o sentido espiritual, desvirtuando sua essência.

Vemos que o Apocalipse foi escrito de forma que pudesse atravessar todos esses séculos até os nossos dias, a fim de servir de mensagem a Humanidade atual e não somente ao povo daquela época, circunscrito às sete igrejas citadas.

NÃO HAVERÁ FIM DO MUNDO

Pode-se compreender, então, que não haverá um “Fim do Mundo”, como muitos sempre pregaram ao longo do tempo. Tudo se dará sem saltos.

Conforme vemos no item 2, cap. XVIII de “A Gênese”: “Tudo é harmonia na Criação; tudo revela uma previdência que não se desmente nem nas menores coisas nem nas maiores...” Certo é que muitos fatos apresentados no “Apocalipse” já se passaram e muitos ainda estão por vir. Porém, não da forma catastrófica que muitos têm interpretado.

Por certo, também, o Homem sofrerá as consequências de suas paixões inferiores, porém, não da forma destruidora que muitos interpretam sobre o final dos tempos.

Sim, o Livro da vida, contido nas mãos de um “Anjo Poderoso”, tem o sabor (entendimento) doce e amargo (Ap. 10:9-10). Doce, porque anuncia o triunfo do Cristo no plano da evolução planetária; amargo, porque esta evolução é feita através de tribulações calcadas nas deficiências morais individuais e coletivas dos Homens.

A nossa frente, temos a presença do Mestre, que jamais nos desamparará frente às vicissitudes do caminho: é o nosso refugio, a nossa força, a nossa sustentação, de onde emana a nossa coragem para continuarmos rumo à paz e ao equilíbrio almejados.

A RESPONSABILIDADE DO ESPÍRITA

O espírita tem um papel preponderante nesse momento de transição. Com a devida preparação através da reforma interior, o espírita tem sua vida transformada, e pode influenciar a todos que o cercam, principalmente pelo exemplo, a se reformularem seguindo as normas de conduta sugeridas no Evangelho do Cristo.

Dai a grande responsabilidade de cada um, pois “ao que muito foi dado, muito será pedido”. Neste sentido, temos o Espiritismo como recurso primordial de esclarecimento e encaminhamento dos Homens.

Cabe aqui mais uma vez a recomendação do Mestre: “Orai e vigiai”. Principalmente, por tudo aquilo que a Doutrina Espírita prega, com base nos ensinamentos de Jesus, é nosso dever estarmos preparados e ao mesmo tempo atuarmos como verdadeiros servidores, auxiliando a todos que pudermos alcançar, para que “nenhuma ovelha se perca”.

São palavras do Mestre: “Vinde a mim benditos de meu Pai; tomai posse do reino que está preparado para vós desde a criação do mundo”.

Conforme cita José de Souza e Almeida, no final de sua obra “O Apocalipse”, o livro da Revelação é a certeza de que se realizará a bem-aventurança: “Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a Terra” (Mt 5:5).

Encontramos no Espiritismo todo o alicerce para a necessária reformulação e transformação íntima.

Para Cairbar Schutel, o “cântico novo”, citado no capitulo XIV, refere-se justamente à Doutrina Espírita, pois é a única que prega o Evangelho em Espírito e verdade.

Aqueles que só têm ouvidos para as vozes sedutoras do mundo material, não estão dispostos a vivenciar o Evangelho e libertar-se, passando a viver o “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”.

À medida que nos reformamos interiormente, nossos olhos vão se voltando para os verdadeiros valores, bem como, para as oportunidades que a todos os momentos chegam-nos, possibilitando valorizar a bendita reencarnação que nos foi concedida, e a trilhar o Caminho que permite entrar pela porta estreita das regiões angelicais.

QUESTÃO REFLEXIVA:

Como nós espíritas podemos auxiliar o planeta nesse momento de transição?

Bibliografia:

- Bíblia de Jerusalém.
- Kardec, Allan - A Gênese - Ed. FEESP.
- Kardec, Allan - O Evangelho Segundo o Espiritismo - Ed. FEESP.
- Xavier, Francisco C./Emmanuel - A Caminho da Luz
- Flamarion, Camille - O Fim do Mundo.
- Almeida, José de Sousa e - O Apocalipse - Ed. FEESP.
- Schutel, Caibar - Interpretação Sintética do Apocalipse.
- Armond, Edgar - A Hora do Apocalipse.
- Atlas Bíblico Interdisciplinar - Escritura, História, Geografia, Arqueologia, Teologia - Ed. Paulus.


Fonte da imagem: Internet Google.