CARACTERÍSTICAS BÁSICAS DO ESPÍRITA: PACIÊNCIA, INDULGENCIA, FÉ, HUMILDADE, DIGNIDADE E CARIDADE.

terça-feira, 24 de outubro de 2017

21ª Aula Parte A – CURSO APRENDIZES DO EVANGELHO 2º ANO – FEESP

Epístolas Universais

Epístolas De João

Dentre as sete Epístolas Universais, três são atribuídas ao apóstolo João, que além do quarto Evangelho também seria autor do livro do Apocalipse.

Sobre a autoria dos livros do Novo Testamento, como expusemos em aula anterior, lembramos que muitos sãos os debates dos estudiosos para chegar a uma definição.

Em relação às Epístolas de João, é consenso que, de maneira geral, as três cartas são semelhantes, eis que possuem a mesma linguagem; logo, seriam do mesmo autor.

Outro ponto interessante é que a ordem de surgimento das cartas de João talvez seja inversa à ordenação apresentada. Observação esta que, a propósito, consta das anotações do quadro cronológico da Bíblia de Jerusalém.

Outra característica marcante destas epístolas é a reafirmação da natureza carnal do corpo do Cristo. Isto se justifica porque, desde o primeiro século houve movimentos que negavam a real encarnação de Jesus.

Afirmavam que o corpo do Cristo seria uma mera aparência com que o “Filho do Homem” apresentava-se na Terra. Essa Corrente de pensamento que se infiltrou dentro das comunidades, foi denominada Docetismo. Por isso encontramos as fortes exortações como: “... todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio na carne é de Deus; e todo espírito que não confessa Jesus não é de Deus”.

Passemos as epístolas:

1ª EPÍSTOLA DE JOÃO

Esta primeira carta é marcada pelas exortações, especialmente para a atenção e o cuidado com as diversas infiltrações que podiam minar o edifício do Cristianismo, especialmente aquelas que negavam a humanidade de Jesus.

Por isso, logo ao início, João se apresenta como o apóstolo e testemunha viva do Jesus histórico, ao dizer: “... o que ouvimos; o que vimos com nossos olhos, o que contemplamos, e o que nossas mãos apalparam...” (Jo 1:1).

E prossegue conclamando ao caminho de retidão, a comunhão com Deus, ao fortalecimento da fé e do amor. É relevante notar o carinho com que se dirigia às comunidades: “Amados” ou “Meus filhinhos”.

Busquemos alguns trechos de sua primeira carta:

• Caminhar na Luz

“... Deus é Luz e nele não há treva alguma. Se dissermos que estamos em comunhão com ele e andamos nas trevas, mentimos e não praticamos a verdade.” (I Jo 1:5-6).

Nesta afirmação de João: “Deus é Luz” temos o emprego simbólico da palavra luz. O significado figurado da palavra luz é de iluminação da consciência, de sabedoria, de verdade, de vida...

Quanto à definição exata dos atributos de Deus é algo que está além de nossa capacidade de compreensão, conforme resposta dos Espíritos Superiores a questão 13 de “O Livro dos Espíritos”, quando Kardec enumerou todos os atributos de Deus que nós somos capazes de conceber, como: Eterno, Infinito, Imutável, Imaterial, Único, Todo-Poderoso, Soberanamente Justo e Bom, obteve a seguinte resposta:

“... mas ficais sabendo que há coisas acima da inteligência do homem mais inteligente, e para as quais a vossa linguagem, limitada as vossas ideias e as vossas sensações, não dispõe de expressões...”

Exatamente por isso, quando nos expressamos sobre os atributos de Deus, usamos figuras. João, neste trecho, chamou-O de Luz, justamente querendo dizer a Luz que brilha por todo o Universo, o Criador da vida e Regente Soberano.

Por outro lado, as Trevas também têm seu valor figurado, e significa ignorância, iniquidade, o egoísmo, o orgulho, e todas as demais más paixões humanas.

Então afirma João que: “Se dissermos que estamos em comunhão com ele e andamos nas trevas, mentimos...” (Jo 1:6).

Sim. Para alcançarmos a luz do conhecimento, da sabedoria, do amor, que combate toda obscuridade, temos que vivenciar os ensinos de Jesus, que também disse:

“Eu sou a Luz do Mundo. Quem me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida".

• Observar os Mandamentos, especialmente o da caridade.

“Porque esta é a mensagem que ouvistes desde o início que nos amemos uns aos outros...” (I Jo 3:11).

“Filhinhos, não amemos com palavras nem com a língua, mas com ações e em verdade. Nisto saberemos que somos da verdade.” (I Jo 3:18-19).

Dentre os ensinamentos de Jesus, ressalta-se o amor ao próximo, eis que o maior mandamento é: “Amar a Deus sobre todas as coisas, e ao próximo como a si mesmo”.

João lembra aqui o principal ensinamento do Mestre, pois todas as grandes virtudes decorrem da caridade. O convite é premente, pois fácil é conhecer a Boa Nova e reconhecer seu valor inestimável, mas, poucos são os que a põe em prática. Essa é uma verdade que se aplica em todos os tempos. Na expansão do Cristianismo, grande foi o esforço dos apóstolos, por carta ou pessoalmente, para infundir o sentimento verdadeiro que resulta em caridade real.

• Os falsos profetas da erraticidade

“Amados, não acrediteis em qualquer espírito, mas examinai os espíritos para ver se são de Deus, pois falsos profetas vieram ao mundo.” (I Jo 4:1).

Os Espíritos manifestaram-se em todas as épocas da Humanidade. Analisando a Bíblia, encontraremos, tanto no velho como no Novo Testamento, as mais diversas manifestações entre os dois Planos.

Nesse intercambio, encontramos, então, relatos bíblicos que descrevem os Espíritos enviados por Deus para auxiliarem os Homens, mas, também, encontramos várias passagens em que são narrados graves processos obsessivos que oprimiam a muitos.

Jesus, durante a sua missão, expulsou muitos Espíritos inferiores, e, principalmente, convocou seus discípulos a fazerem o mesmo: “Curai os enfermos, ressuscitai os mortos, purificar os leprosos, expulsai os demônios...”.

Vemos, pois, que os discípulos tinham pleno conhecimento da natureza diversa dos Espíritos.

Em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, cap. XXI, item 10, encontramos:

“Os falsos profetas não existem apenas entre os encarnados, mas também, e muito mais numerosos, entre os Espíritos orgulhosos que, fingindo amor e caridade, semeiam a desunião e retardam o trabalho de emancipação da Humanidade, impingindo-lhe os seus sistemas absurdos, através dos médiuns que os servem.”

Os Espíritos mistificadores, que tinham o objetivo de enganar e confundir, pululavam em abundancia a época de Jesus. Eram incontáveis os números dos obsidiados, e os Espíritos que, inutilmente, tentaram impedir o avanço do Cristianismo, pois todos eles fugiam espavoridos diante da presença insuperável de Jesus.

Essa presença dos maus Espíritos é uma circunstância constante de nossa vida. Segundo nossas ações, e pela lei de afinidade podemos atrair os bons ou maus Espíritos.

A mensagem de João, em sua epístola, é bastante atual. Precisamos estar vigilantes!

• A fonte da caridade

“Não há temor no amor: ao contrário: o perfeito amor lança fora o temor porque o temor implica castigo, e o que teme não chegou à perfeição do amor." (I Jo 4:18).

Em princípio, praticamente todos nós temos algum temor, algum medo. Em nossa sociedade, são muitas as situações que podem, por ventura, gerar alguma apreensão.

É um impulso natural, um instinto, a auto conservação. No entanto, quanto mais evoluímos mais vamos nos tornando capazes de superar os temores, e sendo capazes de fazer pequenos sacrifícios pelo próximo. Este é, a propósito, um dos mais belos convites de Jesus, quando estava ensinando aos discípulos e diz que “não veio para ser servido, mas para servir”, propondo que eles fizessem o mesmo.

Os discípulos aprenderam a lição e se tornaram, por sua vez, grandes servidores. Arriscaram a própria vida, sujeitaram-se a muitos perigos e suportaram todas as agressões, com coragem! Esses atos aproximam-se do perfeito amor!

Quando o desejo de crescer é verdadeiro, quando há sinceridade nas ações, quando nos comprometemos com os princípios cristãos, desenvolvemos uma fé que nos fortalece, que nos dá uma coragem que nem imaginávamos, que nos deixa com o coração intrépido para fazer o Bem. Nesse momento, o amor venceu o medo.

2ª EPÍSTOLA DE JOÃO

Esta carta, assim como a terceira, é pequena. João se autodenomina “O Ancião”, e convida à vigilância e cuidado com os adversários da Doutrina Crista. Vejamos:

• Vigilância.

“Acautelai-vos, para não perderdes o fruto de nossos trabalhos, mas, ao contrário, receber plena recompensa.” (II Jo 8).

A mensagem de Jesus emociona a muitos. Suas palavras de consolo, de esperança, demonstrando as recompensas futuras que cabe aqueles que seguirem seus ensinamentos, despertam o ânimo dos Homens.

No entanto, esse entusiasmo inicial, muitas vezes, esfria. É que para verdadeiramente seguir o Evangelho há que existir esforço e renúncia. Quantos são os que estão dispostos a isso?

Dentre aqueles que tinham iniciado o trabalho, aquelas tarefas dignificantes em favor do semelhante, dentre esses, muitos desistem no meio do caminho por invigilância, e se deixam levar pela vaidade, pelo auto fascínio, pelo desejo de recompensas rápidas... Esses acabam perdendo o fruto do trabalho: a alegria de servir, a recompensa segundo suas obras!

Sejamos vigilantes e perseveremos até o fim.

• Fidelidade.

“Todo o que avança e não permanece na doutrina de Cristo não possui a Deus.” (II Jo 9).

Neste ponto João conclama a fidelidade. Lembremos que, especialmente naquela época, muitos eram os cultos e as religiões que se espalhavam pelo Império Romano, e que cultuavam as facilidades da vida, a idolatria, etc...

As Comunidades Cristãs sofriam muitas investidas desses outros grupos. Muitos se infiltravam no movimento cristão para, propositadamente, corrompê-lo.

Era necessário, então, que se mantivessem alertas. Era preciso permanecer na doutrina do Cristo; lutar pela sua integridade, da forma que Jesus a havia deixado.

A mesma atenção cabe-nos plenamente ainda hoje. Quantos não são os que ainda tentam corromper os ensinamentos do Cristo? Quantos não tentam distorcer os ensinamentos da Doutrina Espírita?

Precisamos buscar essa fidelidade a Jesus, para que permaneçamos com Deus.

3ª EPÍSTOLA DE JOÃO

E, por fim, nesta última carta de João, vemos que “O Ancião” possui autoridade moral para se pronunciar sobre a atitude de indivíduos da comunidade, reprovando ou elogiando. Faz também um chamamento à união e a fraternidade.

• União da Comunidade.

“Não há alegria maior para mim do que saber que meus filhos vivem na verdade.” (III Jo 4)

As Comunidades Cristãs, pelo trabalho valoroso dos apóstolos e outros seguidores fiéis do Cristo, cada vez mais se fortaleciam. Era o resultado de muita dedicação, de muito esforço, de muito empenho que, então, mostrava seus frutos.

João, contemplando esse crescimento, declara-se feliz por ver a chama de fraternidade reinante entre “seus filhos”, ou seja, todos aqueles que abraçaram a causa cristã e a ela se devotaram, vivenciando a Lei do Amor.

Nós, quando vemos hoje como o Cristianismo expandiu-se pelo mundo, também não ficamos felizes? Podemos, pois, compreender as emoções vividas pelo grande apóstolo. Ficamos ainda exultantes em ver o Espiritismo resgatar a essência do Cristianismo como o Mestre deixou-nos.

• Amor aos estrangeiros.

“Caríssimo, procedes fielmente agindo assim com teus irmãos, ainda que estrangeiros. Devemos, pois, acolher esses homens, para que sejamos cooperadores da verdade.” (Jo 3:5 e 8).

Na época que por ora analisamos, os conflitos entre povos e culturas diversas eram muito intensos. Existia, em muitos casos, verdadeira aversão a estrangeiros. O povo judeu, lembremos, era um exemplo de um grupo relativamente fechado e que, muitas vezes, valorizava apenas seus próprios costumes.

Inúmeros foram os judeus convertidos ao Cristianismo, mas, em muitos deles, persistia certa repulsa por outros grupos. Tal conduta era, absolutamente, oposta aos preceitos cristãos.

Por isso, nesta epístola, João convoca a todos os integrantes dos núcleos cristãos a exercerem o Amor maior, sem restrições; convocava-os a aceitar todos os estrangeiros até mesmo para que isso servisse de testemunho da mensagem do Cristo.

Os tempos mudaram, mas, ainda hoje, existe muita aversão entre grupos de culturas, religiões, ou países diferentes.

A Humanidade precisa avançar e superar essas rejeições resultantes do desamor. Sejamos nós os primeiros a exemplificar essa lição.

QUESTÃO REFLEXIVA:

Comente o ensinamento de João que mais lhe chamou a atenção.


Fonte da imagem: Internet Google.

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

20ª Aula Parte B – CURSO APRENDIZES DO EVANGELHO 2º ANO – FEESP

Epístolas Universais

Epístolas De Pedro

Dentre as Epístolas Universais, duas são atribuídas a Pedro. Conforme consta da Bíblia de Jerusalém, na introdução a essas epístolas, a primeira carta foi aceita sem contestação, desde os primórdios da igreja, a segunda, só receberia aceitação a partir do século III. Sobre a questão da autoria das cartas, e especialmente em relação à segunda, extraímos este trecho:

“... Mas se um discípulo posterior se valeu da autoridade de Pedro, pode ser que tivesse algum direito de o fazer, talvez porque pertencesse aos círculos que dependiam do apóstolo, ou então porque utilizasse escrito proveniente dele e o adaptasse e completasse. Isso não equivale necessariamente a cometer falsificação, pois os antigos tinham ideias diferentes das nossas sobre a propriedade literária e a ilegitimidade da pseudônima.”

Este extrato reafirma o que já havíamos exposto anteriormente sobre esse ponto. Sigamos para as cartas.

1ª EPÍSTOLA DE PEDRO

O autor desta primeira epístola afirma escrever da “Babilônia”, no entanto - dizem os estudiosos - provavelmente referindo-se a Roma; talvez por analogia a semelhante decadência moral da capital do império.

É dirigida, nominalmente, aos “estrangeiros da Dispersão”, indicando os nomes de cinco províncias. Esses “estrangeiros dispersos” são compostos pelos judeus que aceitaram o Cristianismo, e se espalharam por vários polos do mundo romano, formando inúmeras comunidades cristãs; mas, também, compostos por todos aqueles convertidos do paganismo ao Cristianismo.

Aqueles que viviam em “terras estrangeiras”, muitas vezes, eram vítimas de preconceitos e perseguições. Isso se aplica ainda muito mais aos cristãos que, convictos da mensagem sublime de Jesus, rejeitavam todos os costumes pagãos, seus deuses, seus ídolos, seus cultos politeístas...

O objetivo principal desta primeira epístola é fortalecer a fé daqueles cristãos que passavam por inúmeras tribulações, que eram injuriados, que eram excluídos e viviam a margem da sociedade em que se encontravam.

É um apelo à resignação, a aceitação das aflições do mundo. É uma conclamação a vida fraternal entre a comunidade, a suportar as hostilidades através da união entre os cristãos. Tem por isso, uma tonalidade de ânimo, de alegria, de esperança.

Lancemos nossa visão sobre alguns dos tópicos essenciais:

•Amor e fidelidade para com o Cristo

“Nisso deveis alegrar-vos, ainda que agora, por algum tempo, sejais contristados por diversas provações, a fim de que a autenticidade comprovada da vossa fé, mais preciosa do que o outro que perece cuja genuinidade é provada pelo fogo, alcance louvor, glória, e honra por ocasião da Revelação de Jesus Cristo”. (I Pd 1:6-7).

A mensagem do Cristo é única, incomparável.

Enquanto muitas outras correntes doutrinárias pregam a satisfação pessoal, Jesus ensinou-nos a renunciar; enquanto muitas outras filosofias, escolas de pensamento, seitas pregam o benefício particular, a glória do mundo, Jesus ensinou-nos a suportar, pacificamente, as aflições do mundo para, assim, alcançarmos o “Reino de Deus”.

Muitos, por isso, não conseguem compreender essa especial felicidade de passar por “provações”.

Temos, neste trecho, um canto de louvor ao Cristianismo. “Bem-aventurados os aflitos ” - disse o Mestre.

• A regeneração pela palavra

“Pela obediência à verdade purificastes as vossas almas para praticardes um amor fraternal sem hipocrisia. Amai-vos uns aos outros ardorosamente e com coração puro. Fostes regenerados, não de uma semente corruptível, mas incorruptível, mediante a Palavra viva de Deus, a qual permanece para sempre. Com efeito, toda a carne é como a erva e toda a sua glória como a flor da erva. Secou a erva e sua flor caiu; mas a Palavra do Senhor permanece para sempre. Ora, é esta a Palavra cuja Boa Nova vos foi levada”. (I Pd 1:22-25).

As palavras de Jesus, que representam a Lei Divina, permanecerão para sempre.

Cidade, povos, culturas passarão, mas as palavras de infinita sabedoria do Cristo são indeléveis, ecoarão pela eternidade. Felizes os que a ouvem e se regeneram.

• Deveres dos cristãos entre os gentios

“Amados, exorto-vos, como a estrangeiros e viajantes neste mundo, a que vos abstenhais dos desejos carnais que promovem guerra contra a alma. Seja bom o vosso comportamento entre os gentios, para que, mesmo que falem mal de vós, como se fosseis malfeitores, vendo as vossas boas obras glorifiquem a Deus, no dia de sua visita”. (I Pd 2:11-12).

A principal marca de Jesus é a sua exemplificação.

É muito fácil, a todos nós, falar. É muito fácil cantar hinos e louvores a Deus. É muito fácil ler as Escrituras e enunciar incontáveis adjetivos a sua harmonia Providencial.

Mas, todos esses atos quase não valerão se não forem sinceros.

O convite de Pedro as comunidades era para demonstrarem, aos gentios, o amor cristão. Esse convite é plenamente atual também a todos nós: amar mais!

• Para com as autoridades

“Sujeitai-vos a toda instituição humana por causa do Senhor; seja ao rei, como soberano, seja aos governadores, como enviados seus para a punição dos malfeitores e para o louvor dos que fazem o bem, pois esta é a vontade de Deus...” (I Pd 2:13-15).

Toda violência, toda reivindicação agressiva não pode partir de um cristão, eis que são contrárias aos ensinamentos de Jesus. O Mestre, a propósito, ensinou-nos a “dar a César o que é de César”. A época da redação desta epístola, o Império Romano seguia oprimindo os mais fracos. Por isso, para as comunidades cristãs, para conter qualquer manifestação de violência ou desobediência a Lei, Pedro fazia um convite a paz.

Opressores e leis que continuam sendo mudadas existiram em todos os tempos. Lembremo-nos, no entanto, que todas as renovações deverão ser conquistadas não pela imposição, mas pelo ensinamento paciente e fraterno.

• Para com os senhores exigentes

"Vós, criados, sujeitai-vos, com todo o respeito, aos vossos senhores, não só aos bons e razoáveis, mas também aos perversos. É louvável que alguém suporte aflições, sofrendo injustamente por amor de Deus." (I Pd 2:18-19).

Se a obediência e resignação é um lema para viver nas grandes coletividades, também o é para os pequenos grupos, para os pequenos relacionamentos.

Aos que se fizerem pequeninos, e suportarem resignadamente suas provações, Jesus reconhecera como verdadeiros discípulos.

• Entre irmãos

“Finalmente, sede todos unânimes, compassivos, cheios de Amor fraterno, misericordiosos e humildes de espírito. Não pagueis mal por mal, nem injúria por injúria; ao contrário, bendizei, porque para isto fostes chamados. Afaste-se do mal e pratique o bem, busque a paz, e siga-a...” (I Pd 3:8-9 e 11).

Não temos aqui o lema de todo cristão?

A busca incansável do Bem implica na constante auto renovação, auto avaliação, implica em fazer o bem sempre, mesmo, e especialmente, após cada injúria, cada maldizer.

Eis a essência da mensagem do Mestre!

• A supremacia do amor

“Acima de tudo, cultivai, com todo ardor o amor mútuo, porque o amor cobre uma multidão de pecados.” (I Pd 4:8).

Qual aquele que nunca magoou alguém? Quem é que está totalmente isento de ações que, de alguma forma, feriram o sentimento de alguém? Quantas não são as ações que trazem malefício ao próximo?

No entanto, seja qual a ação que tenhamos feito, se formos capazes de ser humildes e reconhecer nosso erro, e se nos esforçarmos para corrigi-lo, então, teremos agido como cristãos.

Temos, pois, que trabalhar para tirar da “terra” toda “semente” ruim que tenhamos lançado. E se agirmos virtuosamente, sendo fraternos e compassivos em todos os momentos, então, teremos aprendido pelo amor. Quantas não serão as aflições futuras que evitaremos?

2ª EPÍSTOLA DE PEDRO

Nesta Segunda Carta, conforme introdução da Bíblia de Jerusalém, o autor tem dois objetivos principais: alertar sobre os falsos doutores e responder sobre a inquietação gerada pela demora da Parusia (a aguardada volta do Cristo).

A linguagem apresenta diferenças tão significativas em relação à primeira carta que esta, a segunda, tornou-se um dos escritos bíblicos que mais encontrou dificuldade para ser aceito, pela igreja, na relação dos livros ditos “inspirados”.

Como já exposto, esta Carta, em seu conteúdo, assemelha-se a Epístola de Judas. Por isso, muitos estudiosos afirmam que a segunda Epístola de Pedro trata-se de uma versão revista e ampliada da Epístola de Judas.

Alguns especialistas datam-na como redigida no ano 66 da nova era. Se for o caso, seria o último escrito do Novo Testamento. Não há, por ora, como sabermos com certeza.

Abstraindo-nos a essas deduções de ordem histórico-teológicas, observamos que se destacam, nesta segunda Carta de Pedro, a vocação Cristã, a certeza da Parusia vindoura, e o anúncio de um mundo novo em que a justiça prevalecera.

Selecionemos alguns trechos:

• A busca do aprimoramento espiritual

“... aplicai toda a diligência em juntar a vossa fé a virtude, a virtude ao conhecimento, o conhecimento ao autodomínio, o autodomínio à perseverança, a perseverança à piedade, a piedade ao amor fraterno e o amor fraterno à caridade.” (II Pd 1:5-7).

Encontramos neste trecho um verdadeiro incentivo ao aprimoramento do Ser. A busca constante da virtude, da superação pelo esforço e pelo devotamento, a ação continua no Bem, e o empenho em praticar a caridade representam os valores do verdadeiro cristão.

Temos, assim, Uma verdadeira síntese da caminhada daquele que abraçou o Cristianismo e, segundo os ensinamentos do Mestre, torna-se apto a participar do “banquete espiritual”.

• A palavra profética

“Temos, também, por mais firme a palavra dos profetas, a qual fazeis bem em recorrer como a uma luz que brilha em lugar escuro, até que raie o dia e surja a estrela d’alva em nossos corações.” (II Pd 1:19).

A ação profética é não há dúvida, marcante entre o povo judeu. Muitos foram os grandes profetas que despontaram entre eles. Homens valorosos, que pregavam a virtude. Por isso, Jesus dizia que não havia vindo para contradizê-los. No entanto, quantos foram os que deram ouvidos a eles? Pedro aqui convoca a comunidade a recorrer à luz. Daqueles ensinamentos.

• Os falsos doutores

“Houve, contudo também falsos profetas no seio do povo como haverá entre vós falsos mestres, os quais trarão heresias perniciosas, negando o Senhor que os resgatou e trazendo sobre si mesmos repentina perdição.” (II Pd 2:1)

Os falsos doutores existiram em todos os tempos. Como uma erva daninha são capazes de perverter qualquer ensinamento. No Cristianismo nascente eram muitos aqueles que se infiltravam, arrogando-se sabedoria e autoridade, com o objetivo de fazer desmoronar o edifício cristão. Era necessário estar vigilante.

Ainda hoje esses falsos doutores tentam corromper as mais belas verdades. Precisamos estar atentos!

•Novo apelo

“O que nós esperamos, conforme sua promessa é novos céus e nova terra, onde habitará a justiça. Assim, vista que tendes esta esperança, esforçai-vos ardorosamente para que ele vos encontre em paz, vivendo vida sem mácula e irrepreensível." (Pd 3:13-14).

O ser humano tem, em sua consciência, a eterna aspiração a um Mundo diferente, onde impere a Justiça e o Amor, onde o mais forte não oprima o mais fraco, onde haja verdadeira união e fraternidade. Assim como os primeiros cristãos, todos nós sonhamos com esse Mundo!

Esse dia chegara, com certeza. Mas depende de nós, de nosso trabalho, de nosso esforço, de nossa dedicação e compromisso com Bem para implantar na Terra o Evangelho do Mestre Jesus.

Façamos a nossa parte!

QUESTÃO REFLEXIVA:

O que podemos fazer para despertar nas pessoas o desejo de construir um mundo melhor?

Bibliografia

- A Bíblia de Jerusalém
- Kardec, Allan - O Evangelho Segundo o Espiritismo - Ed. FEESP.
- Corbin, Alain - (Organizador Autores Diversos) – História do Cristianismo.
- Carrez M./Dornier P./Dumais M. / Trimaille M. - As Cartas de Paulo, Tiago Pedro e Judas.
- Atlas Bíblico Interdisciplinar - Escritura - História - Geografia - Arqueologia - Teologia - Ed. Paulus.


Fonte da imagem: Internet Google.

terça-feira, 17 de outubro de 2017

20ª Aula Parte A – CURSO APRENDIZES DO EVANGELHO 2º ANO – FEESP

Epístolas Universais

Introdução

As epístolas do Novo Testamento, como já exposto anteriormente, são cartas dirigidas aos cristãos ou aqueles que estavam receptivos a mensagem do Cristo.

Se nas Epístolas de Paulo havia, em principio, um destino mais determinado, ou seja, eram dirigidas a pessoas, grupos ou comunidades específicas, nas chamadas Epístolas Universais não há em regra essa intenção.

Com efeito, as Epístolas Universais visavam todos os cristãos, visavam alcançar todos aqueles que estavam convertendo-se a Doutrina de Jesus.

No Novo Testamento, além das Epístolas Paulinas, encontramos sete outras que formam o conjunto das Epístolas Universais, quais sejam:

- 1 de Judas;

- 02 de Pedro;

- 03 de João, e

- 01 de Tiago.

Antes, porém, de as analisarmos, precisamos fazer algumas considerações.

Muitos estudiosos da Bíblia e, especialmente, do Novo Testamento, perdem-se, às vezes, em discussões intermináveis, acerca da veracidade de um ou outro fato relatado. Outras vezes, a contenda prende-se em decidir, de forma categórica, a exata autoria de um texto. Discussões essas, muitas vezes, estéreis, pois pelo rigor literário, por uma suposta exatidão de interpretação, acabam por se afastar do “espírito” da Boa Nova.

Não se trata esta consideração - ressalte-se com vigor - de um desmerecimento do estudo acurado e meticuloso de todos os grandes homens que, com afinco, dedicam-se, escrupulosamente, ao estudo da História e, especialmente, das Escrituras.

Mas, precisamos estar atentos para não darmos mais importância aos fatos históricos ou teológicos, do que a essência do Evangelho; atento para não atribuirmos excessivo valor a inteligência e, em decorrência, assistirmos ao esfriamento do sentimento de compaixão e fraternidade, esfriamento do desejo de implantar o ensinamento de Jesus na Terra para alcançar a renovação de toda a Humanidade.

É importante ressaltar esse ponto, pois, entre os estudiosos, vamos repetir, há muitos debates extenuantes para definir se os nomes atribuídos as Epístolas são, de fato, daqueles que a redigiram.

Nessa acurada análise, esses estudiosos examinam diversos indícios que evidenciariam uma autoria diferente do nome indicado. Dentre esses indícios, podemos citar: o estilo literário, a maior ou menor erudição, os fatos relacionados que seriam de época diversa da que viveu o autor indicado, ou, ainda, o endereçamento a certas coletividades que se formariam em momento, da mesma forma, diverso...

No entanto, é preciso assinalar que na Antiguidade era muito comum, em diversos povos, utilizar o nome de alguém importante, alguém conhecido, para revestir de credibilidade algum escrito, eis que o nome famoso conferia autoridade e, por isso, tomava o texto mais aceito.

Nesse sentido, podemos, por analogia, recordar que Kardec, por diversas vezes, discorrendo sobre a identidade dos Espíritos Superiores, afirma, de forma categórica, que eles não se prendem a questões menores de personalidade ou individualidade: o que é relevante é o conteúdo, a mensagem que se quer passar, a elevação do ensinamento que se quer transmitir.

Em resumo, o conjunto de todos os livros do Novo Testamento compõe um acervo de onde podemos extrair todo o néctar do conhecimento das grandes verdades, extrair a mais pura mensagem deixada pelo Cristo.

Abramos nossos olhos para que possamos realmente “ver”.

CONTEXTO HISTÓRICO

Importa-nos, ainda, relembrar o cenário histórico e social das primeiras comunidades cristãs.

O vasto Império Romano prosseguia soberano. Paulo, como já vimos anteriormente, com suas viagens missionárias, fizera com que a mensagem do Cristo ressoasse por muitos cantos do oriente e do ocidente.

Muitas comunidades cristãs haviam sido formadas. Os mais diversos povos haviam sido alcançados. Era uma infinidade de etnias, de culturas, de línguas, de costumes. Era, ainda, o período da chamada Pax Romana, época em que os povos dominados, pagando regularmente seus impostos, viviam com certa liberdade e uma paz relativa, condicionada.

Mas, diante de tanta diversidade, como manter íntegra a Mensagem de Jesus? Como, em meios impregnados pelo misticismo, pela magia, pelo paganismo, por uma série de crenças infundadas e superstições... Como manter a pureza da Boa Nova?

Como, também, impedir que aqueles que agiam de má-fé e, propositadamente, cobrissem de máculas a Doutrina Crista?

As distâncias eram enormes. Lembremos que a época o transporte era muito difícil, para chegar a algum destino era preciso fazer, às vezes, longas caminhadas, de dias e dias; outras, viajar sobre o lombo de animais; as travessias por mar também eram muito demoradas, eram usados pequenos barcos; os caminhos eram cheios de perigos...

O trabalho era monumental. As cartas eram, pois, um dos meios de reavivar a fé, de exortar a observância dos princípios evangélicos, de forma íntegra.

EPÍSTOLA DE JUDAS

Esta epístola, afirmam os estudiosos, deve ter sido escrita por volta do ano 80 d.C., e era dirigida aos “que foram chamados, amados por Deus Pai e guardados em Jesus Cristo.”

Conforme consta da Bíblia de Jerusalém, na introdução as epístolas, ela foi aceita desde o ano 200, pela maioria das igrejas, como Escritura canônica.

Este Judas não era o Judas Iscariotes, que cometeu suicídio. Também não era o Judas Tadeu, filho de certo Tiago. Este Judas apresenta-se como irmão de Tiago; talvez seja aquele que em Marcos 6:3 e em Mateus 13:55 é apontado como sendo irmão de Jesus.

Este ponto, como repetidamente frisamos acima, não demanda nossa atenção, pois, por ora, não há elementos para convicção definitiva. Fixemo-nos, pois, no aspecto principal: o seu conteúdo.

Em sua epístola que é relativamente pequena, Judas dirige a sua atenção aos “falsos doutores”, reprovando-os com vigor, e exorta os fiéis a conservarem a fé autêntica, e a convencerem os vacilantes.

Esta carta, como veremos adiante, em muito se assemelha a Segunda Carta de Pedro.

Assinalemos alguns pontos:

• Infiltração

“... De fato, infiltraram-se entre vós alguns homens já há muito marcados para esta sentença, uns ímpios, que convertem a graça do nosso Deus num pretexto para licenciosidade e negam Jesus Cristo, nosso único mestre e Senhor.” (Jd 4).

Toda nova doutrina, especialmente em seu período de propagação, sofre inúmeras investidas contra sua integridade. Muitos podem tentar rebatê-la, contrariá-la por completo, outros, no entanto, podem aceita-la parcialmente. Quando a aceitação é condicionada, incompleta, ou seja, apenas de algumas partes, ocorrem as deturpações doutrinárias.

Infiltração é, então, esse movimento sorrateiro, disfarçado, de ir entrando, de ir acomodando-se, de começar a fazer parte, mas, ressalte-se, sem aceitação total dos princípios doutrinários.

Por isso o alerta. A exortação é para que haja muita cautela, muito cuidado, muita atenção para não permitir que elementos contrários à essência do Cristianismo infiltrem-se e pervertam, em benefício próprio, a Doutrina Cristã. Ainda hoje não devemos ter esse cuidado, agora com a Doutrina Espírita?

• Os falsos doutores

“... Ora, estes agem do mesmo modo: na sua alucinação conspurcam a carne, desprezam a autoridade e injuriam as Glórias.

Ai deles, porque trilharam o caminho de Caim; seduzidos por um salário, entregaram-se aos desvarios... São nuvens sem água, levadas pelo vento, árvores que no fim do outono não dão fruto, duas vezes mortas, arrancadas pela raiz, ondas bravias do mar a espumarem a sua própria imprudência, astros errantes, aos quais está reservada a escuridão das trevas para a eternidade.” (Jd 8, 11-13).

Qual a época que não tem os falsos doutores? Que não há aqueles que usam sua inteligência para se beneficiarem materialmente dos mais simples?

Em geral, revestem-se de uma falsa moralidade, de um falso senso de dever, mas, na verdade, transbordam hipocrisia e mentira.

Suas palavras, no entanto, são, muitas vezes, doces, suaves, conclamando ao dever e a virtude; seus discursos são estruturados, eloquentes.

Eis o perigo! Em meio a suas falas, baseadas em muitas verdades, mesclam, misturam inverdades; com sofismas, ou seja, de forma enganosa, conduzem a conclusões falsas. Essas impregnações são, ressalte-se, como um câncer, pois, pouco a pouco, podem ser capazes de degenerar a mais pura das doutrinas.

Há que se estar vigilante contra os pretensos doutores de todos os tempos. A conclusão deste trecho citado relembra-nos o Mestre, quando afirma que toda árvore má, que não der bons frutos, será cortada e lançada ao fogo.

• O livro de Henoc

“A respeito deles profetizou Henoc, o sétimo dos patriarcas a contar de Adão, quando disse: Eis que o Senhor veio com as suas santas milícias exercer o julgamento sobre todos os homens e arguir todos os ímpios de todas as obras de impiedade que praticaram e de todas as palavras duras que proferiram contra eles os pecadores ímpios: são uns murmuradores, revoltados contra o destino, que procedem de acordo com suas concupiscências; sua boca profere palavras arrogantes, mas estão sempre prontos a bajular quanto o seu interesse está em jogo”. (Jd 14-16).

Prossegue a reprimenda aos falsos mestres.

Nesta parte há citação do texto do patriarca Henoc, que, posteriormente, seria considerado como um texto apócrifo.

O processo de aceitação, de canonização dos textos evangélicos foi lento, e atravessou os primeiros séculos. Essa decisão sobre a natureza de um escrito bíblico, ou seja, se ele era autêntico ou apócrifo, ficaria, então, para momento posterior aos primeiros passos do Cristianismo.

O livro de Henoc, é interessante citar, segundo os estudiosos, remonta ao ano 80 a.C.; e, juntamente com outros livros que no futuro seriam considerados apócrifos, eram aceitos pacificamente no primeiro século. Com efeito, eram populares e regularmente lidos nas reuniões judaicas.

Ao espírita, lembremos, todos os livros, todos os escritos, todos os textos produzidos pela Humanidade têm seu valor específico, cabendo a cada um, por esforço próprio, separar o joio do trigo. Seu objetivo deve ser o aprimoramento pelo estudo: “Espíritas, amai-vos e instruí-vos”.

• Exortação aos fiéis

“Vós, porém, amados, lembrai-vos das palavras de antemão preditas pelos apóstolos de nosso Senhor Jesus Cristo, pois vos diziam: No fim do tempo surgirão escarnecedores, que levarão vida de acordo com as próprias concupiscências ímpias.” (Jd 17-18).

Todos os movimentos contrários à propagação da Boa Nova foram previstas por Jesus. Neste ponto, recorde-se que o Mestre havia alertado sobre os ímpios que se levantariam contra o Evangelho.

Concupiscência é o forte desejo de obtenção de prazeres mundanos. “Concupiscências ímpias”, então, são quando esse desejo desenfreado apoia-se na crueldade, no egoísmo, na perversidade. Tudo pelo bem estar próprio, ainda que com prejuízo do próximo. Nada poderia ser mais contrário à mensagem do Cristo.

• Os deveres da caridade

“Mas vós, amados, edificando-vos a vós mesmos na vossa Santíssima fé e orando no Espírito Santo, guardai-vos no amor de Deus, pondo a vossa esperança na Misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo para vida eterna. Procurai convencer os hesitantes; a outros procurai salvar arrancando-os ao fogo; de outros ainda tende misericórdia...” (Jd 20 e 21).

Não temos aqui a síntese do dever cristão?

A mais pura mensagem do Cristo não é o convite à fé, a esperança, a misericórdia, a compaixão sem limites, não é, ainda o esforço na propagação do Evangelho “convencendo os hesitantes”, especialmente pelos exemplos?

Sejamos nós esses exemplos!

QUESTÃO REFLEXIVA:

Para nós espíritas, que lição podemos tirar da Epístola de Judas?


Fonte da imagem: Internet Google.

terça-feira, 10 de outubro de 2017

19ª Aula Parte B – CURSO APRENDIZES DO EVANGELHO 2º ANO – FEESP

Epístola Aos Hebreus

INTRODUÇÃO

De acordo com a Bíblia de Jerusalém, a epístola aos Hebreus teve sua autenticidade posta em dúvida desde o Cristianismo primitivo. Atribuíam a autoria da Carta a um dos discípulos de Paulo, embora concordassem que a inspiração viera dele. O lugar e a data de composição são incertos.

Noticias da Espiritualidade

As dúvidas acima expostas, no entanto, são dissipadas e as lacunas preenchidas, no capitulo IX, 2ª parte, do livro “Paulo e Estevão”, onde Emmanuel afirma-nos que a epístola foi escrita por Paulo, em Roma, onde se encontrava prisioneiro.

Em virtude de sua cidadania romana, ele pode usufruir das vantagens da “custodia libera”, que permitia que ele vivesse fora do cárcere, apenas acompanhado por um guarda, até que o seu processo fosse julgado. Após se instalar num aposento humilde, ele solicitou a Lucas que convocasse os maiorais do Judaísmo, na capital do Império, a fim de lhes apresentar uma exposição dos princípios cristãos.

Como poucos pareciam compreender os novos ensinamentos, Paulo encerrou a exposição, não sem antes afirmar que os judeus encontravam-se surdos, espiritualmente.

Alguns pediram a Paulo para que ele os ensinasse na sinagoga e Paulo respondeu que “preso como estou, não poderia fazê-lo, mas hei de escrever uma Carta aos nossos irmãos de boa-vontade”.

Daí por diante, assinala Emmanuel: aproveitando as ultimas horas do dia, os companheiros de Paulo observaram que ele escrevia um documento a que dedicava profunda atenção. Às vezes, era visto a escrever com lágrimas, como se desejasse fazer da mensagem um depósito de santas inspirações.

Em dois meses entregava o trabalho a Aristarco para copiá-lo, dizendo: - "Esta é a epístola aos hebreus. Fiz questão de grafá-la, valendo-me dos próprios recursos, pois que a dedico aos meus irmãos de raça e procurei escrevê-la com o coração.”. Era o ano de 61 d.C.

CONTEÚDO

Nesta epístola, Paulo assinala qual o significado da vinda de Jesus e quais as mudanças que isto acarretava na interpretação do Antigo Testamento. Com a lucidez que o caracterizava, Paulo, “segundo o espírito que vivifica”, analisa temas fundamentais do Judaísmo: a aliança, o sacerdócio, as obras da lei, bem como a liturgia e os rituais.

Era um apelo do coração para fortalecer a fé dos judeus convertidos ao Cristianismo e aos que se obstinavam em combatê-lo.

As revelações

Todas as revelações que foram feitas a Israel, ao longo dos milênios, chegaram através dos profetas. Em Jesus, no entanto, encontramos a mais pura revelação, eis que a Boa Nova é a tradução da Lei Divina.

“Muitas vezes e de modos diversos falou Deus, outrora, aos Pais pelos profetas; agora, nestes dias que são os últimos, falou-nos por meio do Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, pelo qual fez os séculos.” (Hb 1:1-2).

A condição de Jesus

“É ele o resplendor de sua glória e a expressão de sua substância, tão superior aos anjos quanto o nome que herdou excede o deles.” (Hb 1:3-4).

“Vemos, todavia, Jesus, que foi feito, por um pouco, menor que os anjos, por causa dos sofrimentos da morte, coroado de honra e de glória. E que pela graça de Deus provou a morte em favor de todos os homens.” (Hb 2:9).

Graças a Misericórdia Divina, Jesus, encarnado, revelou-nos uma nova concepção de Deus, apresentando-o como Pai Amoroso e Misericordioso.

Por amor a Humanidade, Jesus provou a morte para semear a Boa Nova, convidando todos a edificação do Reino de Deus. Veio não para condenar, mas para salvar o Homem, traçando no “Amai a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo” a verdadeira forma de adoração a Deus.

A Superioridade de Jesus

No capitulo 8 desta epístola, Paulo destaca a figura do sumo sacerdote, que era a autoridade máxima no quadro da hierarquia sacerdotal do Judaísmo.

Qual é o papel do sacerdote em qualquer religião? Ser mediador entre o Homem e Deus.

Quem o investe desta prerrogativa? Os próprios Homens.

Jesus, no entanto, não tem sua autoridade constituída pelos Homens, mas diretamente por Deus. Nisto reside sua absoluta superioridade em relação aos sacerdotes nomeados aqui na Terra.

Nesta comparação, Paulo busca destacar a natureza superior de Jesus, que propôs uma Nova Aliança, como vemos neste trecho: “Agora, porém, Cristo possui um ministério superior. Pois ele é o mediador de aliança bem melhor cuja constituição se baseia em melhores promessas. De fato, se a primeira aliança fora sem defeito, não se trataria de substituí-la pela segunda.” (Hb 8:6-7).

Prosseguindo em sua argumentação, Paulo recorre ao livro do profeta Jeremias (31:31-34) para destacar que já havia sido predito uma nova aliança, que substituiria à antiga.

E qual o vínculo desta nova aliança? O Amor, que estará inscrito nos corações dos Homens: a Lei de Deus relevada por Jesus.

Os Rituais Judaicos

“Pois, naquele regime, apresentam-se oferendas e sacrifícios sem eficácia para aperfeiçoar a consciência de quem presta o culto. Tudo são ritos carnais referentes apenas aos alimentos, às bebidas, às abluções diversas e impostos somente até ao tempo da correção”. (Hb 9:9-10).

Observemos que Paulo refere-se aos rituais como coisas que ficaram no passado. O Judaísmo preconizava os rituais exteriores de purificação, que deveriam ser prestados no santuário, “edificado pelas mãos dos Homens”.

Este santuário continha locais específicos para a realização dos rituais e um sacerdócio constituído para realizar os cultos, especialmente os cultos que purificavam os Homens de seus “pecados”.

Qual o significado dos rituais? Dirá Paulo: “... a Lei é totalmente incapaz, apesar dos mesmos sacrifícios sempre repetidos, oferecidos sem fim a cada ano, de levar à perfeição aqueles que se aproximam de Deus.” (Hb 10:1).

Por essa afirmação contundente de Paulo, vemos a ineficácia de qualquer ritual exterior para a chamada “purificação”. A verdadeira purificação, como nos ensina Jesus, é através da constante prática do amor e da caridade.

Jesus Revela a vontade de Deus

Jesus, na condição de mediador entre os homens e Deus ofereceu-se a si mesmo para revelar qual é a vontade de Deus. Ele “se manifestou para abolir o pecado por meio do seu próprio sacrifício.” (Hb 9:26). O que isto significa?

Definindo o “pecado” como uma transgressão as Leis de Deus, compreendemos que Jesus ao revelar o Amor como o Maior Mandamento, convida o Homem a harmonizar-se com as Leis Divinas, pela prática do Bem. Sua exemplificação demonstrou o verdadeiro significado do Amor.

Quando não observamos a Lei do Amor, ferimos também a nós mesmos, pois responderemos pelas consequências que advém destes atos e seremos chamados a reparar o mal que impusemos a outrem. Só a reparação propicia paz à consciência, libertando-a dos processos de culpa.

Sacrifícios e oferendas são inócuos para harmonizar a consciência com as Leis Divinas e não isentam a criatura da necessidade de aprender a dissolver o mal pela prática do bem.

Exortações à Renovação e a Libertação

“Aproximemo-nos, então, de coração reto e cheio de fé, tendo o coração purificado de toda má consciência...” (Hb 1O:22).

Como Paulo dirige-se em particular aos judeus convertidos, ele faz um veemente apelo para que renovem suas concepções e crenças, libertando-se efetivamente. Que não retrocedam no caminho.

Como prosseguir sem esmorecer, sem desanimar?

A Libertação é um processo. O caminho que percorremos para aderirmos, de coração, a Jesus e pede paciência, perseverança e fé. O ontem criou raízes em nossos corações. Há que nos esforçarmos para erradicá-las.

Neste sentido, Paulo traça um roteiro, enfatizando as condições essenciais para o êxito:

• Incentivo à caridade

“Velemos uns pelos outros para nos estimularmos à caridade e as boas obras”. (Hb 10:24)

A vida nas comunidades cristãs, às vezes atribuladas pelas circunstâncias do mundo, exigia o exercício constante da fraternidade. Por isso, Paulo faz esse chamamento para que haja companheirismo entre os membros, um velando pelo outro.

Viver naquelas comunidades, envolvidos pela Mensagem de Cristo, representava uma bendita oportunidade de aprendizado e trabalho. Salienta, pois, o apóstolo, a necessidade da valorização das possibilidades que o hoje nos apresenta na realização do Bem.

• Perseverança na dor

Paulo menciona os sofrimentos que a adesão ao Cristo havia acarretado em suas vidas e os conclama à perseverança, refletindo sobre a dor como processo educativo do Pai:

“É para a vossa educação que sofreis. Deus vos trata como filhos. Qual é, com efeito, o filho cujo pai não educa?” (Hb 12:7).

As dores são recursos educativos da alma. Como assevera Paulo:

“Toda educação, com efeito, no momento não parece motivo de alegria, mas de tristeza.” (Hb 12:11).

Porém, qual é o papel da dor senão educar para o Amor?

Como avançar, sem as experiências que nos são necessárias?

Embora a dor seja-nos necessária, são poucos os que conseguem compreendê-la em sua feição educativa. Muitos são os que se rebelam, os que acusam a Deus de injusto, os que se desesperam, os que fogem. Quem assim precede perde valiosas oportunidades de crescimento.

Vencida a tempestade, contabilizamos os frutos interiores que ela proporcionou: mais experiência, mais fortaleza, mais amadurecimento, mais compreensão. Como afirma Paulo: “Depois, no entanto, produz naqueles que assim foram exercitados um fruto de paz e de justiça.” (Hb 12:11).

Portanto, conclui Paulo: “... reerguei as mãos enfraquecidas e os joelhos trôpegos” (Hb 12:12), ou seja, não recuemos diante da luta, ainda que sejamos defrontados por inúmeras dificuldades, pois se ouvirmos as sugestões da ignorância, de cansaço, da maldade, do desencanto paralisaremos nossas mãos nos cuidados com a lavoura de Bem e perderemos a colheita.

• Fé

Em suas argumentações, Paulo destaca o papel que a fé exerceu na vida de todos os patriarcas, profetas, juízes da história do povo judeu. E o faz, dirigindo-se aos judeus recém-convertidos, exortando-os ao desenvolvimento da fé.

“A fé é a garantia dos bens que se esperam, a prova das realidades que não se veem.” (Hb 11:1).

Somos chamados à sublime herança que nos é destinada. Ignoramos as experiências que nos estão reservadas, mas sabemos que o alvo é a melhoria de nós mesmos. Como superar obstáculos, vencer dificuldades, superar provas ásperas, guardar serenidade diante da dor se não for pela fé?

É a fé que produz esperança, dilata a paciência, oferece sustentação, que alimenta a perseverança. E tudo porque a fé é um saber, um sentir consciente, força que sustenta o coração, para percorrermos o caminho das lutas do dia de hoje à vitória do dia de amanhã.

Não sabemos o futuro, mas a fé dá-nos a certeza de que o futuro propiciar-nos-á colheita farta, se a despeito de todas as dificuldades na plantação do Bem, perseverarmos.

Que realidades podemos visualizar através dos olhos da fé? As realidades espirituais para as quais todos nós marchamos, dia após dia, a convicção na existência do Espírito imortal, a convicção de que há muitas moradas na casa de Pai, a convicção de que o patrimônio espiritual é a nessa conquista legítima.

• Esperança

“A esperança, com efeito, é para nós qual âncora da alma, segura e firme...” (Hb 6: 19).

Paulo arremata a sua exortação, com a seguinte conclusão:

“Portanto, também nós, com tal nuvem de testemunhas ao nosso redor; rejeitando todo fardo e o pecado que nos envolve, corramos com perseverança para o certame que nos é proposto, com os olhos fixos naquele que é o iniciador e consumador da fé, Jesus...” (Hb 12: 1-2).

Na lição 76 de “Pão Nosso”, Emmanuel assevera:

“Em toda parte da Terra, o discípulo respira rodeado de grande nuvem de testemunhas espirituais, que lhe relacionam os passos e anotam as atitudes, porque ninguém alcança a experiência terrestre, a esmo, sem razões solidas com bases no amor e na justiça. Faze, pois, o bem possível aos teus associados de luta, no dia de hoje, e não te esqueças dos que te acompanham, em espírito, cheios de preocupação e amor.”

Concluindo o seu pensamento sobre a nova aliança, Paulo enfatiza que:

“Procurai a paz com todos, e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor...” (Hb 12:14)

A verdadeira Adoração a Deus

“Temos um altar...” (Hb 13:10).

Não mais o altar de ouro, de pedra, de bronze, diante do qual ajoelhamos reverentes, mas o altar do coração, em que nos cabe apresentar as nossas oferendas de amor aos semelhantes.

“Não vos esqueçais da beneficência e da comunhão, porque são estes os sacrifícios que agradam a Deus” (Hb 13:16).

Paulo, demonstrando plenamente seu entendimento sobre a revelação do Cristo, não apenas deixou patenteado na carta aos hebreus esses sublimes ensinamentos, mas, toda sua trajetória, após o seu encontro com Jesus é um legado de exemplificação a
Humanidade... exemplificação de trabalho e esperança, abnegação e resignação, persistência e fé.

QUESTÃO REFLEXIVA:

Comente: “A esperança, com efeito, é para nós qual âncora da alma, segura e firme”.

Bibliografia

- A Bíblia de Jerusalém.
- Kardec, Allan - A Gênese - Ed. FEESP.
- Kardec, Allan - O Livro dos Espíritos - Ed. FEESP.
- Kardec, Allan - O Evangelho Segundo o Espiritismo Ed. FEESP.
- Xavier, Francisco C./Emmanuel - Paulo e Estevão.
- Xavier, Francisco C./Emmanuel - Pão Nosso.


Fonte da imagem: Internet Google.