CARACTERÍSTICAS BÁSICAS DO ESPÍRITA: PACIÊNCIA, INDULGENCIA, FÉ, HUMILDADE, DIGNIDADE E CARIDADE.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

AOS CAROS AMIGOS E SEGUIDORES DESTE BLOG DE ESTUDO. É COM MUITA ALEGRIA QUE ENCERRO O CURSO PREPARATÓRIO DE ESPIRITISMO. ESPERO QUE MEU HUMILDE TRABALHO TENHA SIDO ÚTIL A QUEM TEM INTERESSE NOS FUNDAMENTOS DA DOUTRINA ESPÍRITA CRISTÃ. QUE TODOS AMIGOS TENHAM UM EXCELENTE ANO DE 2014. ATÉ MARÇO QUANDO INICIAREI NOVO CURSO, SE DEUS ASSIM PERMITIR. CARLOS VAROLI

24ª. AULA: - CURSO PREPARATÓRIO DE ESPIRITISMO - FEESP

BIOGRAFIA DO DR. ADOLFO BEZERRA DE MENEZES

CONSOLIDADOR DA DOUTRINA ESPÍRITA NO BRASIL

Adolfo Bezerra de Menezes Cavalcanti nasceu em uma cidade do Ceará, hoje município de Jaguaretama, antiga Freguesia de Riacho de Sangue, em 29 de agosto de 1831. Seu pai, Antônio Bezerra Cavalcanti, era Tenente-Coronel da Guarda Nacional. Fabiana de Jesus Maria Bezerra, sua mãe – ela o encaminhou aos estudos.

Em 1838, frequentou por dez meses, a Escola Pública da Vila do Frade, onde aprendeu a ler, escrever e também aritmética. Em 1842, transferindo-se sua família para o Rio Grande do Norte, foi matriculado na Escola Pública da Serra dos Martins, em Vila da Maioridade (hoje, cidade de Imperatriz). Dois anos depois, substituía em seus impedimentos, o professor de Latim.

Em 1846, a família retorna ao Ceará, quando passou a frequentar o Liceu existente, sob a direção do seu irmão Manoel Soares da Silva Bezerra, completando os estudos preparatórios à faculdade. Seu pai, nessa época, atravessava dificuldades financeiras por haver dado aceite em duplicatas de terceiros. Cumpriu sua palavra e passou a ser, apenas, o administrador de seus antigos bens. E segue uma vida honrada que servia de exemplo ao então adolescente Bezerra de Menezes.

Desejando ser médico, vai morar no Rio de Janeiro, onde se tornará o Médico dos Pobres.

Parte, em 5 de fevereiro, para o Rio de Janeiro, com 400 mil réis que seus parentes lhe deram para custear a viagem, chegando com 18 mil réis no bolso e sonhos no coração.

Ingressou como praticante interno no Hospital da Santa Casa de Misericórdia, em novembro de 1852. Estudava nas Bibliotecas Públicas e dava aulas para manter-se.

Doutorou-se em Medicina aos 25 anos de idade, pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Eleito membro da Academia Imperial de Medicina e nomeado Cirurgião-Tenente do Corpo de Saúde do Exército em 1858, quando passou a assinar o seu nome sem o Cavalcanti.

Na Academia Nacional de Medicina, foi durante quatro anos, o redator dos Anais da Entidade.

Casou-se, em 6 de novembro de 1861, com Maria Cândida de Lacerda com quem teve um casal de filhos. Dois anos depois do desencarne de sua esposa (aos 34 anos de idade), casou-se em segundas núpcias com a senhora Cândida Augusta de Lacerda, irmã materna de sua mulher. Tiveram cinco filhos.

Indicado por moradores da Freguesia de São Cristóvão; elegeu-se em 1861, pelo Partido Liberal, vereador à Câmara Municipal. Exonerou-se do cargo de assistente de cirurgião.

Reeleito Vereador em 1864, foi Deputado Federal em 1867 e Membro da Comissão de Obras Públicas e figurou em listra tríplice para uma cadeira no Senado.

Dissolvida a Câmara dos Deputados em 1868, assumiu a Criação da Companhia Estrada de Ferro Macaé a Campos, concluída em 1873.

Foi diretor da Companhia Arquitetônica, em 1872, que abriu o Boulevard 28 de setembro, em Vila Isabel. Em 1875 fora Presidente da Companhia Carril de São Cristóvão e Membro de diversas entidades e sociedades beneficentes.

Vereador no Rio de Janeiro (no período de 1879 a 1880) foi Presidente da Câmara Municipal, cargo equivalente ao de Prefeito; e Deputado Federal em 1880.

Trabalhos publicados. O escritor J. F. Velho Sobrinho, no seu Dicionário Biobibliográfico Brasileiro, relata a existência de mais de quarenta livros e outras publicações do Dr. Bezerra de Menezes.

Obra extensa consta de Biografias de homens célebres, Trabalhos sobre a escravidão no Brasil, sobre a seca no Nordeste, romances, como A Pérola Negra, História de um Sonho, Lázaro o Leproso, O Bandido, Viagem através dos Séculos, A Casa Assombrada, Os Carneiros de Panúrgio e Casamento e Mortalha (inacabado).

Ao desencarnar, continua sua obra, por intermédio do médium Francisco Cândido Xavier com os livros: Apelos Cristãos e Bezerra, Chico e você. Com Yvonne Pereira, compõe os romances: Tragédia de Santa Maria e Nas telas do Infinito. Pela médium Ayesha Spitzer, Os Comentários Evangélicos, publicados por Edgard Armond, em 1968. Consolidador em sua época; encontravam-se dispersos os espíritas brasileiros.

Recebeu um dia O Livro dos Espíritos de presente do tradutor, seu amigo, o médico Dr. Joaquim Carlos Travassos. Dez anos depois, proclamava sua adesão solene ao Espiritismo, perante 2.000 pessoas, no Solar da Guarda Velha, em 16 de agosto de 1886.

No início de 1895, Bezerra de Menezes dirigia o Grupo Ismael e, numa noite de junho de 1895, é convidado a presidir a Federação Espírita Brasileira. É eleito de 1895 a 1900.

Fora profundo conhecedor do Evangelho de Jesus, que leu, interpretou e praticou; antigo redator de A Reforma de Sentinelas da Liberdade; escreveu sob o pseudônimo de Max no jornal O Paiz, entre 1886 e 1890 – republicado como Estudos Filosóficos, em três volumes.

Servir era o seu lema. Médico; amou a profissão. Doou até o anel de formatura a paciente que não possuía dinheiro para pagar o enterro da esposa e o alimento para os filhos. Em seu consultório médico, nos altos da Farmácia Homeopática Cordeiro, receitava para os pobres.

Lindos são os casos a respeito de sua conduta como médico (reunidos por Ramiro Gama, numa bela obra literária).

Tratava dos pobres do corpo e do espírito, nas reuniões de desobsessão, na Federação Espírita Brasileira. Em 11 de abril de 1900, às 11 horas e 30 minutos, houve o seu desencarne.

Minutos antes, elevava seu pensamento a Maria, Mãe de Jesus, pedindo por aqueles que ficavam. Assim viveu aquele que, em vida, unificou os espíritas brasileiros, em torno da Doutrina dos Espíritos.

BIBLIOGRAFIA:

Gama, Ramiro – Lindos Casos de Bezerra de Menezes

Xavier, Francisco Cândido – Bezerra, Chico e você.

QUESTIONÁRIO:

1 - Onde e quando nasceu o Dr. Bezerra de Menezes?

2 - Qual a atividade literária do Dr. Bezerra de Menezes?

3 - Enuncie sua atividade como espírita?

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

23ª AULA - CURSO PREPARATÓRIO DE ESPIRITISMO - FEESP

BIOGRAFIA DE ALLAN KARDEC

CODIFICADOR DA DOUTRINA ESPÍRITA

Hippolyte Leon Denizard Rivail, nasceu em Lyon, França, às 19 horas do dia 3 de outubro de 1804, de família católica; mãe prendada e afável, e pai juiz. Realizou seus primeiros estudos em Lyon, e, aos dez anos é enviado a Yverdun, Suíça, para a escola modelo da Europa: o Instituto de Educação fundado em 1805 pelo grande educador Johan Heinrich Pestalozzi (1746-1827).

A dimensão do educador Pestalozzi, fora estabelecida em seu epitáfio: “O educador da humanidade”. Pelo seu educandário, passaram personalidades, ensinando e aprendendo.

Aprendendo como o aluno Rivail, que o amor é o eterno fundamento da educação. As portas do Castelo onde funcionava o Instituto Pestalozzi, eram abertas durante o dia.

Pestalozzi tinha por princípio: “A intuição é a fonte de todos os conhecimentos”. E, convivendo com professores calvinistas e luteranos, Rivail aprendia com o Professor, que a verdadeira religião não é outra senão a moralidade. Assim, Denizard Rivail iniciava a concepção da ideia de uma reforma religiosa, com o propósito de unificar crenças.

Denizard Rivail retorna a Paris, em 1822. Em 1823, inicia-se em conhecimentos das teorias de Mesmer, Doutor da Universidade de Viena. Em 6 de fevereiro de 1832, assina contrato de casamento com Amelie-Gabrielle Boudet.

Aos 50 anos de idade, já escritor de livros didáticos (22 obras), membro de Instituições Científicas, da Academia de Ciências de Arras, professor de cursos técnicos, era o discípulo de Pestalozzi.

Poliglota, conhecia bem o alemão, inglês, holandês, tinha sólidos conhecimentos do latim, grego, gaulês e algumas línguas neolatinas.

Em 1854 encontra-se com um amigo mesmerista, Fortier, que o convida a verificar o fenômeno das “mesas girantes”. Como homem de ciências, foi disposto a observar e analisar os fenômenos.

Escreveu em suas anotações, que era um fato que não havia possibilidade de descrer, havia uma força desconhecida ainda, mas inteligente que o movia. Entreviu as leis que regem as relações entre o mundo visível e o mundo invisível.

Em maio de 1855, conheceu as filhas do Sr. Boudin, que tinham 14 e 16 anos. Eram crianças, despidas de preconceitos e vaidades. Teve Rivail conhecimentos com Espíritos que se comunicavam. De início, com Zéfiro. Certo dia, constatou presença do Espírito da Verdade,
dirigente de uma falange de Espíritos que vinham cumprir a promessa de Jesus: O Consolador Prometido, a Terceira Revelação.

As comunicações recebidas foram escritas, analisadas e codificadas pelo professor Hippolyte Leon Denizard Rivail. Aos 18 de abril de 1857, sob o pseudônimo de Allan Kardec (nome que teve em uma reencarnação como sacerdote druida), publica a primeira obra da Doutrina Espírita, O Livro dos Espíritos.

Esta obra traz lições importantes sobre: “As causas primárias”, “Mundo Espírita ou dos Espíritos”, “As leis morais”, “Esperanças e consolações”. Contém os princípios da Doutrina Espírita sobre a imortalidade da alma, a natureza dos Espíritos e suas relações com os homens, as leis morais, a vida presente e a vida futura e o porvir da humanidade.

Inicia em 1º de janeiro de 1858 a publicação da Revista Espírita e outras obras vieram em seguida.

Em janeiro de 1861, publica O Livro dos Médiuns, relativo à parte experimental e científica. Em abril de 1864, surge O Evangelho Segundo o Espiritismo, contendo a explicação das máximas do Cristo, sua concordância com o Espiritismo e sua aplicação às diversas situações da vida.

Em 1º de agosto de 1865, é publicado O Céu e o Inferno ou A Justiça Divina Segundo o Espiritismo. Em 6 de janeiro de 1868, A Gênese, os Milagres e a Predições.

A Revelação Espírita, mostra-nos o destino do homem depois da morte. Esclarece aos homens questões como a utilização do livre-arbítrio, e suas consequências.

Daí, a autoridade da Doutrina Espírita: é um conjunto de princípios que se fundamenta como sistema filosófico, científico e religioso.

Allan Kardec desencarnou em 31 de março de 1869, vítima de um aneurisma cerebral. Estava na preparação de mudança de local – imposta pela extensão considerável de suas múltiplas ocupações – e a terminar diversas obras. Morreu conforme viveu: trabalhando.

Camile Flammarion em discurso pronunciado por ocasião do enterro, no Cemitério de Montmartre, traça um esboço de sua carreira literária, sua atuação na Revista Espírita e diz: Ele, porém era o que eu denominarei simplesmente de “o bom senso encarnado”.

No ano seguinte, seu corpo foi transferido para o Cemitério de Pére Lachaise, Paris, e no dólmen está escrito: “Nascer, morrer, renascer sempre, e progredir sem cessar, tal é a lei”.

BIBLIOGRAFIA:

Kardec, Allan - Obras Póstumas

QUESTIONÁRIO:

1 - Onde e quando nasceu Hippolyte Léon Denizard Rivail? E com quem realizou seus estudos?

2 - Sintetize a atuação do professor Rivail na área educacional?


3 - Quais as obras da Doutrina Espírita codificada por Allan Kardec?

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

22ª AULA - CURSO PREPARATÓRIO DE ESPIRITISMO - FEESP

PARTE B: A REFORMA ÍNTIMA

Deus criou todos os Espíritos simples e ignorantes, ou seja, sem conhecimento. Deu a cada um deles uma missão, com o fim de os esclarecer e progressivamente conduzir à perfeição, pelo conhecimento da verdade e para aproximar-se d’Ele. A felicidade eterna e sem perturbações eles encontrarão nesta perfeição.

Pelo seu livre-arbítrio, cada um segue o caminho do bem ou do mal, instruindo-se através das lutas e tribulações da vida corporal. Em suas muitas existências, tem a oportunidade de melhoria progressiva.

Ao seguir a lei natural – a lei de Deus – o homem torna-se feliz. E os homens desejando pesquisar a Lei de Deus, verificam que ele se encontra na consciência. Aprendem depois que Deus ofereceu ao homem o modelo mais perfeito que lhe servir de guia: Jesus.

Jesus trouxe-nos ensinamentos pelo seu exemplo e também em forma de parábolas. Hoje, temos os ensinamentos dos Espíritos que vieram esclarecer aquelas questões necessárias ao nosso aprimoramento espiritual.

O Espírito Verdade, em comunicação no ano de 1860, em Paris, nos diz: “Espíritas, amai-vos, eis o primeiro mandamento; instruí-vos, eis o segundo. Todas as verdades se encontram no Cristianismo”.

Para tanto, é preciso educar o Espírito, para que possa, à luz dos ensinamentos de Jesus, transformar-se no “homem novo”, substituindo o “homem velho” do passado. Como?

Transformando seus defeitos e vícios em qualidades e virtudes. E, aos poucos, seus efeitos irão se manifestar, nos sentimentos, nos pensamentos e nos atos exteriores. São as transformações morais, na modificação da sua conceituação de vida, afinando-se bem com os ensinamentos do Divino Mestre.

Jesus nos deu inúmeras lições. No Sermão do Monte, dá-nos uma lição de amor em que cita as bem-aventuranças que nos aproximam de Deus e que nos servem de consolação.

Aprendemos que necessitamos conquistar virtudes: mansuetude, caridade, benevolência, pacifismo. E buscar a paz interior, que é uma conquista íntima do Espírito, orando, e vigiando nossos pensamentos.

É assim que crescemos para Deus, com o coração sem máculas, sem manchas, sem nódoas: não colocando um “remendo em roupa velha”, mas tecendo um tecido novo, em trama mais resistente, para que perdure. A roupa velha é o homem velho; e o homem novo é aquele que recebe o tecido novo (compreensão, preparação, purificação, serviços), tudo resumido na Reforma Íntima que é o principal fundamento e finalidade dos estudos que realizamos da doutrina de Jesus.

Não se pode usar o termo Reforma Íntima separada de sua verdadeira e irrecorrível significação: a de transformações morais.

O que acima de tudo deve interessar aos homens encarnados é a progressão espiritual, pois esta é a única finalidade dos seres em todos os escalões e em todos os mundos.

Espiritualização é a exteriorização, é o “vir à tona” da centelha, isto é, do Eu interior, no esforço de sintonizar-se à vibração universal divina, que é harmonia, luz e amor; é sobrepor-se ao homem material purificando-se para conquistar o direito de viver em mundos mais perfeitos.

É fácil distinguir aquele que se espiritualiza: basta ver como se manifesta na vida comum os seus sentimentos, pensamentos e atos, porque, por mais que o intelecto venha em seu auxílio (com artifícios ou subterfúgios), não poderá esconder o que nele predomina: a densidade material do corpo físico, ou a lenta exteriorização da centelha, no campo moral.

É um esforço de milênios, inúmeros dos quais se passaram sem que o homem atingisse tais alturas; mas o Evangelho sempre oferece ao homem encarnado neste orbe, um poderoso auxílio para a realização imediata da espiritualização, desde que seja compreendido, interpretado e vivido na essência de sua significação e do seu poder redentor.

BIBLIOGRAFIA:

Armond, Edgard - Verdades e Conceitos

Kardec, Allan - O Livro dos Espíritos

Kardec, Allan - O Evangelho Segundo o Espiritismo

QUESTIONÁRIO:

1 - Que é Reforma Íntima?

2 - Qual o significado da transformação do "homem velho" em "homem novo"?

3 - Como distinguir o indivíduo que se espiritualiza?

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

22ª AULA - CURSO PREPARATÓRIO DE ESPIRITISMO - FEESP

PARTE A: A HISTÓRIA DE BELARMINO BICAS

“Depois da festa beneficente, em que servíramos juntos, Belarmino Bicas, prezado companheiro a que nos afeiçoamos, no Plano Espiritual, chamou-me à parte e falou decidido”:

- Bem, já que estivemos hoje em tarefa de solidariedade, estimaria solicitar um favor...

Ante a surpresa que nos assaltou, Belarmino prosseguiu:

- Soube que você ainda dispõe de alguma facilidade para escrever aos companheiros encarnados na Terra e gostaria de confiar-lhe um assunto...

- Que assunto?

- Acontece que descarnei com cinquenta e oito anos de idade, após vinte de convicção espírita.

Abracei os princípios codificados por Allan Kardec, aos trinta e oito e, como sempre fora irascível por temperamento, organizei, desde os meus primeiros contatos com a Doutrina Consoladora, uma relação diária de todas as minhas exasperações, apontando-lhes as causas para estudos posteriores...

Os meus desconchavos, porém, foram tantos que, apesar dos nobres conhecimentos assimilados, suprimi inconscientemente vinte e dois anos da quota de oitenta que me cabia desfrutar no corpo físico, regressando à Pátria Espiritual na condição de suicida indireto...

Somente aqui, pude examinar os meus problemas e acomodar-me às desilusões... Quantos tesouros perdidos por bagatelas! Quanta asneira em nome do sentimento!...

E, exibindo curioso papel, Belarmino acrescentava:

- Conte o meu caso para quem esteja ainda carregando a bobagem do azedume! Fale do perigo das zangas sistemáticas, insista na necessidade da tolerância, da paciência, da serenidade, do perdão!

Rogue aos nossos companheiros, para que não percam a riqueza das horas com suscetibilidades e amuos, explique ao pessoal na Terra que mau humor também mata!...

- Foi, então, que passei à leitura da interessante estatística de irritações, que não me furto à satisfação de transcrever: Belarmino Bicas,

– Número de cóleras e mágoas desnecessárias com a especificação das causas respectivas, de l936 a l956:

- 1811 em razão de contrariedades em família;

- 906 por indispor-se, dentro de casa, em questões de alimentação e higiene;

- 1614 por alterações, com a esposa, em divergências na conduta doméstica e social;

- 1801 por motivo de desgostos com filhos, genros e noras;

- 11 por descontentamento com os netos;

- 1015 por entrar em choque com chefes de serviço;

- 1333 por incompatibilidade no trato com os colegas;

- 1012 em virtude de reclamações a fornecedores e lojistas em casos de pouca monta;

- 614 por mal-entendidos com vizinhos;

- 315 por ressentimentos com amigos íntimos;

- 1089 por melindres ante o descaso de funcionários e empregados de instituições diversas;

- 615 por aborrecimentos com barbeiros e alfaiates;

- 777 por desacordos com motoristas e passageiros desconhecidos, em viagem de ônibus, automóveis particulares, bondes e lotações;

- 419 por desavenças com leiteiros e padeiros;

- 820 por malquistar-se com garçons em restaurantes e cafés;

- 211 por ofender-se com dificuldade em serviços de telefones;

- 815 por abespinhar-se com opiniões alheias em matéria religiosa;

- 217 por incompreensões com irmãos de fé, no templo espírita;

- 901 por engano ou inquietação, diante de pesares imaginários ou da perspectiva de acontecimentos desagradáveis que nunca sucederam.

- Total: 16.386 exasperações inúteis.

- Esse o apanhado das irritações do prestimoso amigo Bicas:16.386 dissabores dispensáveis em 7.300 dias de existência, e, isso, nos quatro lustros mais belos de sua passagem no mundo, porque iluminados pelos clarões do Evangelho Redivivo.

Cumpro-lhe o desejo de tornar conhecida a sua experiência que, a nosso ver, é tão importante quanto as observações que previnem desequilíbrios e enfermidades, embora estejamos certos de que muita gente julgará o balanço de Belarmino por mera invencionice de Espírito loroteiro.”

BIBLIOGRAFIA:

Xavier, F. C. - Cartas e Crônicas

QUESTIONÁRIO:

1 - Quem foi Belarmino Bicas?

2 - O que se deve fazer para não repetir a história de Belarmino Bicas?

3 - Na sua opinião, que ensinamento deve ser extraído desta narrativa?

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

21ª AULA - CURSO PREPARATÓRIO DE ESPIRITISMO - FEESP

PARTE B: OS TRABALHADORES DA ÚLTIMA HORA

“O Reino dos Céus é semelhante a um homem, pai de família, que ao romper da manhã saiu a assalariar trabalhadores para a sua vinha”. E tendo feito com eles o ajuste de um denário por dia, mandou-os para a sua vinha. Saiu, ainda, pela terceira hora, e viu estarem outros na praça, ociosos. E disse-lhes: ide vós também para a minha vinha e dar-vos-ei o que for justo. E eles foram. Saiu, porém, outras vezes, pela sexta e pela nona hora do dia; e fez o mesmo. E tendo ainda saído à undécima hora achou outros que lá estavam, também desocupados e lhes disse: por que estais vós aqui o dia todo, ociosos? Responderam-lhe eles: porque ninguém nos assalariou. Ide então vós também para a minha vinha. Porém, lá no fim da tarde, disse o senhor da vinha ao seu mordomo: chama os trabalhadores e paga-lhes o jornal, começando pelos últimos e acabando nos primeiros. Tendo chegado, pois, os que foram ajustados na hora undécima, recebeu cada um o seu denário. E chegados também os que tinham ido primeiro, o seu denário. E chegados também os que tinham ido primeiro julgaram que haviam de receber mais; porém também estes não receberam mais do que um denário cada um. E ao recebê-lo, murmuravam contra o pai de família, dizendo: Estes, que vieram por último, não trabalharam senão uma hora e tu os igualastes conosco, que aturamos o peso do dia e do calor. Porém ele, respondendo a um deles, lhe disse: Amigo, eu não te faço agravo; não concordaste comigo no preço de um denário pelo teu dia? Toma o que te pertence e vai-te, que eu de mim quero dar também este último tanto como a ti. Não é licito fazer o que quero? Acaso teu olho é mau porque eu sou bom? “Assim, os últimos, serão os primeiros e os primeiros serão os últimos, pois muitos são os chamados, mas poucos os escolhidos”. (Mateus, 20:1-16. Ver também Mt, 22:1-14).

”Parábola da festa de Núpcias”. Consideramos que nesta parábola, entre outras coisas, o Mestre aproveita para mais uma vez admoestar os homens sobre o seu inveterado costume de reparar sempre demais nas coisas que dizem respeito aos outros do que cuidar das que lhes são próprias. Estamos sempre prontos para superavaliar o nosso próprio mérito e subestimar o merecimento alheio e parece-nos injustiça que os outros recebam mais ou tanto quanto nós por um serviço que, na nossa opinião, executamos tão bem ou melhor do que eles.

Avaliando o nosso próprio valor, somos invariavelmente levados a exagerá-los perante o mundo, em detrimento do valor real que muitas vezes possui o nosso semelhante. Por isso, Jesus, conhecedor profundo de nossas fraquezas, ministra-nos lições que nos alertam e nos obrigam a considerar melhor o nosso procedimento, ajudando-nos a aceitar sem revoltas e sem murmurações tudo o que nos couber na vida, pois recebemos sempre o que melhor nos serve e de acordo com o nosso merecimento.

As reiteradas vezes que o pai de família, durante as várias horas do dia, desde o amanhecer até a última hora, sai, para convidar e assalariar novos trabalhadores, devem significar para nós a constância com que somos chamados a realizar a nossa tarefa, e o pagamento, sempre de acordo com o nosso esforço, perseverança e dedicação, nem sempre proporcional ao tempo gasto para executá-la, simboliza as conquistas definitivas que vamos fazendo, em busca de nosso aperfeiçoamento no caminho da evolução.

As referências que notamos no texto evangélico, sobre a hora terceira, hora sexta e hora nona, correspondem, respectivamente, de acordo com a divisão do dia usada naquele tempo, às nossas atuais 9 horas, 12 horas e 15 horas do dia, sendo ainda, a undécima hora deles igual às 17 horas de hoje.

Em face do orgulho que caracterizava as classes elevadas dos judeus daquela época, objetivava o Mestre com a sua Doutrina, abater aquele sentimento mau, ao mesmo tempo que animava os esforços das classes menos favorecidas, enchendo de esperanças e de coragem os pecadores que se arrependiam, mostrando-lhes, ainda, que a questão não era de classe, nem de culto ou de nacionalidade, mas sim de trabalho para obter merecimento recompensado e encorajado, igualmente, os trabalhadores que tardiamente adquiriam o conhecimento das verdades evangélicas.

Com muito mais propriedade, ainda, pode a parábola ser explicada através da Lei da Reencarnação, sendo então fácil aceitarmos a aparente desproporção da paga, visto tratar-se no caso, de caminheiros da eternidade em diferentes estágios evolutivos, uns mais e outros com menos realizações trazidas do passado e portadores, portanto, de necessidades diferentes.

Da mesma forma se esclarece porque haverá primeiros que serão últimos e últimos que serão primeiros, pois o que decidirá será a maneira como caminharmos, isto é, se nos esforçamos para frente, em linha reta, seremos dos primeiros e, no caso contrário, se tomarmos atalhos tortuosos, seremos dos últimos, não obstante pudéssemos ter sido dos primeiros, a iniciar a marcha e a adquirir conhecimentos.

Igualmente, muitos serão chamados de cada vez e todos serão chamados no curso dos tempos, mas, como é sempre muito grande o número de recalcitrantes e retardatários em relação aos obedientes e diligentes, acontece que poucos são os escolhidos de cada vez.

BIBLIOGRAFIA:

Xavier, F. C - Roteiro

QUESTIONÁRIO:

1 - Quem são os trabalhadores da última hora?

2 - O que significa "os últimos serão os primeiros e os primeiros serão os últimos"?

3 - Na sua opinião, qual o principal ensinamento da parábola?

terça-feira, 26 de novembro de 2013

21ª AULA - CURSO PREPARATÓRIO DE ESPIRITISMO - FEESP

PARTE A: O ESPIRITISMO NA ATUALIDADE

Depois de séculos de obscurantismo religioso e do dogmatismo imposto, consciências amadurecidas começam a despertar em busca de solução para os seus problemas transcendentes. Nos dias de hoje, vê-se um surto desenfreado de seitas e doutrinas que procuram atender aos Espíritos inquietos, sedentos de novas luzes.

Há um inegável interesse pelo fenômeno, como resposta a velhas questões filosóficas, sem qualquer consequência de ordem moral.

Nesse diapasão, vê-se um crescimento do espiritualismo no mundo, redescobrindo velhas práticas, com roupagem moderna. Presas ao imediatismo da vida material, as criaturas especulam em todos os campos possíveis, no encalço de fórmulas mágicas ou de revelações fantásticas que lhes atendam os anseios da curiosidade vã.

Quando se trata do comportamento humano e das suas consequências morais, o homem ainda se reserva o direito de não esmiuçá-lo, conservando-se como era (e como pretende continuar sendo), protegido pelos mecanismos de defesa da sua personalidade.

A nova ordem de coisas custa a penetrar nos corações mais endurecidos.

O Espiritismo, porém, como o Consolador Prometido pelo Cristo, surge no horizonte humano como um oásis em meio ao universo da desinformação e da desesperança, oferecendo ao homem o conhecimento da verdade que liberta e eleva o Espírito.

Enquanto muitos ainda permanecem presos aos modismos, buscando soluções imediatistas para problemas enraizados na personalidade desde longa data, e aderindo a práticas místicas do passado, com roupagem moderna, “o Espiritismo, nos tempos modernos, é, sem dúvida, a revivescência do Cristianismo em seus fundamentos mais simples”, como enfatiza Emmanuel.

Mostrando ao homem que ele é o interexistente, isto é, aquele que vive entre os dois mundos, oferece-lhe novas oportunidades de realização, por alterar-lhe o panorama das cogitações mentais.

A sobrevivência além da morte já não encerra a criatura nos círculos intransponíveis do céu, inferno e purgatório. A pluralidade dos mundos habitados, da mesma forma, não prende o Espírito nas teias incompreensíveis da mesquinha problemática planetária.

O Diálogo entre vivos e mortos alarga o universo do conhecimento e preserva os laços afetivos bem formados. Os sofrimentos não são senão nódulos temporários na cadeia da evolução, dissolvidos pelo trabalho digno e pelo conhecimento de si mesmo, que levam o indivíduo a harmonizar-se definitivamente com os imperativos da lei divina. O princípio da reencarnação passa a ser entendido como a chave que abre as portas da existência a todos quantos desejem ardentemente atingir a perfeição a que todos estamos destinados pela Justiça e o Amor Divinos.

Hoje, encontramos na literatura espírita toda sorte de recursos para a renovação necessária, a começar pelas obras da Codificação. No Evangelho, o roteiro para a solidificação do comportamento fraterno cristão. Em O Livro dos Espíritos, os princípios filosóficos para a fortificação do pensamento bem formado. Em O Livro dos Médiuns, a prática mediúnica à luz da fenomenologia perispíritica.

Além disso, a obra de Francisco Cândido Xavier, com mais de 400 títulos, surge com um indispensável complemento para o conhecimento do Espírito imortal, mormente com as mensagens dos Espíritos André Luiz e Emmanuel. Da pena mediúnica ainda, cumpre ressaltar a obra de Divaldo Pereira Franco, composta de muitos títulos e ditada por Joanna de Angelis, Bezerra de Menezes, Victor Hugo e muitos outros Espíritos.

Não bastasse todo esse manancial de bênçãos, há ainda o trabalho dos clássicos como Léon Denis, Gabriel Delanne, Camille Flammarion e Ernesto Bozzano, entre os mais notáveis.

Autores contemporâneos devem ser lembrados também: Hernani Guimarães Andrade, Jorge Andréa, Hermínio C. Miranda, Richard Simonetti, Paulo Alves Godoy, José Herculano Pires, Manoel Pelicas São Marcos e outros.

Nos dias atuais, vê-se ainda o surgimento de novas práticas que se colocam dentro do vasto círculo da fenomenologia do espírito, entre as quais destacamos a TRVP (Terapia Regressiva a Vidas Passadas) e a TCI (Transcomunicação Instrumental), que auxiliam na elucidação de algumas questões da competência da Doutrina Consoladora.

Todavia “urge o estabelecimento de recursos para a ordenação justa das manifestações que dizem respeito à nova ordem de princípios que se instalam vitoriosos na mente de cada um”, adverte Emmanuel.

Hoje, sente-se a necessidade da unificação do Espiritismo, em torno do ideal do ensino espírita, do aprendizado da Doutrina, principalmente no que diz respeito ao Evangelho de Jesus, com a prática da caridade e do amor ao semelhante. Congressos mundiais ou internacionais vêm sendo organizados com essa finalidade, no Brasil e na Europa.

É um fato histórico, de grande significado.

Se o Espiritismo começou com a curiosidade (causada pela estranheza dos fenômenos) e passou para a fase do raciocínio e da filosofia, é chegado o terceiro momento: da aplicação e das consequências. Já superamos a etapa da fé cega e chegamos ao porto seguro da fé raciocinada, sob as claridades inegáveis de um novo tempo.

Não basta conhecer o Evangelho; é preciso praticá-lo.

Não é suficiente ter os exemplos de Jesus na memória; é imprescindível inscrevê-los no coração e segui-Lo, além dos limites do tempo...

BIBLIOGRAFIA:

Kardec, Allan - O Evangelho Segundo o Espiritismo

Xavier, F. C. - Roteiro

QUESTIONÁRIO:

1 - Qual a missão do Espiritismo?

2 - Qual a importância da literatura espírita?

3 - Na sua opinião, como está o Espiritismo na atualidade?

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

20ª AULA - CURSO PREPARATÓRIO DE ESPIRITISMO - FEESP

PARTE B: NÃO PONHAIS A CANDEIA DEBAIXO DO ALQUEIRE

“Ninguém acende uma lâmpada, e a esconde com alguma vasilha, ou põe debaixo da cama; põe-na sim, sobre um candeeiro, para que vejam a luz aqueles que entram. Porque não há nada de secreto que não venha a ser descoberto, nem nada oculto que não venha a ser conhecido e tornado público.” (Lucas, 8:16-17).

Causa estranheza ouvir Jesus dizer que não se deve pôr a luz debaixo do alqueire, ao mesmo tempo que se esconde a toda hora o sentido das suas palavras sob o véu de alegoria, que nem todos podem compreender. Ele se explica, entretanto, dizendo aos apóstolos: Eu lhes falo em parábolas, porque eles não estão em condições de compreender certas coisas; eles veem, olham, ouvem e não compreendem certas coisas; assim dizer-lhes tudo, ao menos agora, seria inútil; mas a vós o digo, porque já vos é dado compreender esses mistérios.

E procedia, portanto, para com o povo, como se faz com as crianças, cujas ideias ainda não se encontram desenvolvidas. Dessa maneira, indica-nos o verdadeiro sentido da máxima: “Não se deve pôr a candeia debaixo do alqueire, mas sobre o candeeiro, a fim de que todos os que entram possam vê-la”. Ele não diz que tenhamos de revelar inconsideradamente todas as coisas, pois, todo o ensinamento deve ser proporcional à inteligência de quem o recebe, e porque há pessoas que uma luz muito viva pode ofuscar sem esclarecer.

Pergunta-se que proveito o povo poderia tirar dessa infinidade de parábolas, cujo sentido estava oculto para ele. Deve notar-se que Jesus só se exprimiu em parábolas sobre as questões, de alguma maneira abstratas da sua Doutrina. Mas, tendo feito da caridade e da humildade a condição expressa de salvação, tudo o que disse a esse respeito é perfeitamente claro, explícito e sem nenhuma ambiguidade.

Assim devia ser, porque se tratava de regra de conduta, regra que todos deviam compreender, para poderem observar. Era isso o essencial para a multidão ignorante, à qual se limitava a dizer: Eis o que é necessário para ganhar o Reino dos Céus. Sobre outras questões, só desenvolvia os seus pensamentos para os discípulos.

Estando eles mais adiantados moral e intelectualmente, Jesus podia iniciá-los nos princípios mais abstratos. Foi por isso que disse: Ao que já tem, ainda mais se dará, e terá em abundância. (E.S.E., Cap. XVII, item 15).

Não obstante, mesmo com os apóstolos, tratou de modo vago sobre muitos pontos, cuja inteligência completa estava reservada aos tempos futuros. Foram esses os pontos que deram lugar a diversas interpretações, até que a Ciência, de um lado, e o Espiritismo, de outro, vieram revelar as novas leis da natureza, que tornaram compreensível o seu verdadeiro sentido.

“Ninguém acende a candeia e a coloca debaixo de um móvel, mas no velador, e assim alumia a todos os que estão na casa”. – Jesus (Mateus 5:15).

Muitos aprendizes interpretam semelhantes palavras do Mestre como apelo à pregação sistemática e desvelaram-se através de veementes discursos em toda parte. Outros admitiram que o Senhor lhes impunha a obrigação de violentar os vizinhos, através de propaganda compulsória da crença, segundo o ponto de vista que lhes é particular.

Em verdade, o sermão edificante e o auxílio fraterno são indispensáveis na extensão dos benefícios divinos da fé. Nossa existência é a candeia viva. É um erro lamentável despender nossas forças, sem proveito para ninguém, sob a medida de nosso egoísmo, de nossa vaidade ou de nossa limitação pessoal.

Prega, pois, as revelações do Alto, fazendo-as mais formosas e brilhantes em teus lábios; insta com parentes e amigos para que aceitem as verdades imperecíveis; mas não olvides que a candeia viva da iluminação espiritual é a perfeita imagem de ti mesmo.

BIBLIOGRAFIA:

Kardec, Allan - O Evangelho Segundo o Espiritismo

Xavier, F. C - Fonte Viva

QUESTIONÁRIO:

1 - O que significa colocar a candeia debaixo do alqueire?

2 - Por que devemos procurar ser criaturas que buscam o aperfeiçoamento para se tornar mais uma luz no mundo?

3 - Na sua opinião, como devemos proceder para fazer "brilhar a nossa luz"?

terça-feira, 19 de novembro de 2013

20ª AULA - CURSO PREPARATÓRIO DE ESPIRITISMO - FEESP

PARTE A: O ESPIRITISMO COMO CONSOLADOR PROMETIDO

Próximo de partir para a Espiritualidade, Jesus promete aos seus discípulos que lhes enviará um outro Consolador, o Espírito da Verdade, o Parácleto, que haveria de ensinar todas as coisas e lembrar o que ele dissera (Jô, 14:15-17 e 26; 16:7-14). No tempo determinado, o Espiritismo veio cumprir aquela promessa do Divino Mestre, revelando ao homem as leis que regem os fenômenos, antes tidos como sobrenaturais ou milagrosos.

O Espiritismo, ou o Consolador Prometido, surge no horizonte terrestre, em meados do séc. XIX, como a Terceira Revelação. No século XIII ª C., Moisés trouxe para a Humanidade a Primeira Revelação, materializando a ideia do Deus Único (já ensinada por Abrão, o grande patriarca hebreu, cerca de 600 anos antes). Moisés promulgou a lei do Monte Sinai, lançando os fundamentos da verdadeira fé, como grande médium que era. Como homem, foi o legislador eficiente, que organizou a sociedade da época, procurando livrá-la dos erros do politeísmo.

Após Moisés, veio o Cristo, encarnando a Segunda Revelação, e acrescentou à essência dos ensinamentos mosaicos a ideia da vida futura, estranha ao contexto do Pentateuco, bem como as penas e recompensas que esperam o homem depois da morte. Jesus faz encarar a divindade de um ponto de vista totalmente novo: “não é mais o Deus que quer ser temido, mas o Deus que quer ser amado”. (A Gênese, Cap. I, item 23) Jesus, então, resume o Decálogo num mandamento maior – o amor a Deus, acima de todas as coisas – e num menor, semelhante àquele – o amor ao próximo – e estabelece assim as bases da Religião Cósmica (Universal).

A Doutrina dos Espíritos, como Terceira Revelação, é o Cristianismo Redivivo. A revelação espírita possui um duplo caráter, visto que participa, ao mesmo tempo, da revelação divina e da revelação científica, as duas vias que levam o homem ao verdadeiro conhecimento. Nas palavras de Kardec, “o que caracteriza a revelação espírita é que sua origem é divina, que a iniciativa pertence aos Espíritos e que sua elaboração é o resultado do trabalho do homem”.

O Espiritismo, então, parte das próprias palavras de Cristo (da mesma forma que este muitas vezes remeteu seus discípulos às palavras de Moisés), sendo uma consequência direta de sua doutrina.

À ideia vaga da vida futura, acrescenta a revelação da existência do mundo invisível que nos cerca e povoa o espaço. Define os laços que unem o espírito ao corpo.

Fundamenta-se no princípio da reencarnação. E estabelece as consequências morais da conduta humana frente às leis divinas.

O Espiritismo, assim, como uma doutrina de conhecimento, chega no momento em que a Humanidade está melhor preparada e a Ciência encontra-se organizada e pronta para dar sustentação ao fenômeno espírita, que, sem ela, ficaria sem apoio e exame. Se tivesse surgido antes das descobertas científicas dos séculos XVII e XVIII, a ação da Espiritualidade fatalmente estaria condenada ao fracasso.

A Doutrina Consoladora mostra ao homem que a causa dos seus sofrimentos, muitas vezes, está em existências anteriores; que a Terra, no seu atual estágio, é um mundo de expiação e provas; que Deus, soberanamente justo e bom, a ninguém castiga, de sorte que as aflições vividas pela criatura humana conduzem à cura dos seus males, assegurando-lhe a felicidade nas existências futuras.

O Espiritismo, por isso, no seu tríplice aspecto (de Ciência, Filosofia e Religião), responde aos mais diversos questionamentos humanos, fazendo o homem compreender de onde vem, para onde vai e o que está fazendo na Terra; enfim, desvela lhe sua natureza, sua origem e sua destinação, preparando-o para viver melhor suas próximas encarnações.

Finalmente, revela o conceito mais avançado de Deus: Inteligência Suprema e causa primária de todas as coisas. Esclarece que não podemos conhecer a natureza íntima do Criador, mas aponta alguns de seus atributos, que nos mostram sua justiça e sua bondade, presentes em toda a Criação.

BIBLIOGRAFIA:

Kardec, Allan - A Gênese.

QUESTIONÁRIO:

1 - Sinteticamente, quais são as três grandes revelações?

2 - Por que o Espiritismo é o Consolador Prometido?

3 - O que caracteriza a revelação espírita?

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

19ª AULA - CURSO PREPARATÓRIO DE ESPIRITISMO - FEESP

PARTE B: SEDE PERFEITOS

“Tendes ouvido o que foi dito: amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: amai vossos inimigos, fazei bem aos que vos perseguem e caluniam, para serdes filhos de vosso Pai que está nos céus; que faz nascer o sol sobre os bons e maus, e vir chuva sobre os justos e os injustos. Porque se só amardes aos que vos amam, que recompensa tereis? Não fazem o mesmo os publicanos? Se somente saudardes os vossos irmãos, que é o que com isto fazeis mais do que os outros? Não fazem o mesmo os gentios? Sede, pois, perfeitos, como é perfeito vosso Pai Celestial”. (Mateus, 5:43-48).

Passagem semelhante é narrada pelo evangelista Lucas (6:27-28 e 32-36), aparecendo o último versículo assim: “Sede, pois, misericordiosos como também vosso Pai é misericordioso”.

Jesus disse: “Não vim destruir a lei, mas sim cumpri-la” (Mateus, 5:17).

Como já vimos anteriormente, o Mestre referia-se à lei divina e não à lei humana, que mandava amar ao próximo e odiar aos inimigos. Entretanto, não nos enganemos com o sentido que devemos dar às palavras de Jesus, quando nos manda amar nossos inimigos, pois com isso não quis, por certo, dizer que devemos amar o inimigo com o enternecimento e carinho, a ternura e confiança que dedicamos a um irmão ou a um amigo. Não poderemos ter para com quem nos persegue as mesmas expansões de amizade ou arroubos de simpatia, que manifestamos por aqueles com os quais estamos em comunhão de pensamento e em sintonia.

Amar os inimigos, então, é não lhes ter ódio, nem rancor, nem desejo de vingança; é perdoar-lhe o mal que nos fazem, sem obstar à reconciliação; é desejar-lhes o bem e não o mal; alegrarmo-nos com a sua felicidade, estendendo-lhes a mão caridosa em caso de necessidade, abstendo-nos, por palavras e atos, de tudo quanto possa prejudicá-los; é, enfim, pagar sempre o mal com o bem, sem ideia de humilhá-los, e quem isso fizer, estará, sem dúvida, amando aos seus inimigos.

Deus é a perfeição infinita em todas as coisas e daí não devemos tomar ao pé da letra a máxima: “Sede perfeitos”, pois isso suporia a possibilidade de alcançarmos a perfeição absoluta, tornando a criatura igual ao Criador, o que é inadmissível.

Assim, Jesus apresentava aos homens um modelo, o mais perfeito, para que se esforçassem por imitá-lo, a fim de alcançarem a perfeição relativa de que são capazes. O grau de perfeição que podemos atingir está na razão da extensão do amor ao próximo, que podemos realizar, dilatando até o amor aos inimigos.

Moisés teve de ensinar a seus tutelados a amarem pelo menos de sua grei ou família. Jesus, porém, dilata o ensinamento, fazendo-nos compreender que todos os homens são irmãos, filhos de um único Pai, seja qual for a raça a que pertençam, até mesmo o nosso próprio inimigo.

Desde que começamos a esclarecer as nossas mentes e vamos libertando nossas consciências dos preconceitos e cristalizações, procurando lutar, para vencermos as nossas inferioridades, compreendemos a dificuldade imensa que encontramos, para atravessarmos a muralha de nossas imperfeições e escalarmos a montanha de nossos vícios e defeitos.

A grande esperança e nosso maior estímulo residem, então, na lei da reencarnação, que nos concede sempre renovadas oportunidades para alcançarmos, pela evolução, a perfeição relativa que nos compete. É pela reencarnação que os Espíritos que se odeiam têm oportunidade de se reconciliar, através dos laços consanguíneos, lutando e sofrendo juntos para se entenderem, vencerem a aversões recíprocas e, finalmente, se amarem!

Em Lucas, 6:40: “O discípulo não está acima do seu mestre; mas todo o discípulo será perfeito, se for como seu mestre”. Palavras de estímulo estas, pronunciadas por Jesus, modelo de perfeição, que nos diz poderem os discípulos igualar-se ao Mestre. Nossa compreensão nos diz, porém, que, somente percorrendo toda a estrada que nos foi aberta pelo modelo e guia, poderemos realizar esse magnífico objetivo e, isso, através das existências sucessivas na carne, dada a nossa ainda endividada posição atual.

Poderemos acelerar a nossa marcha e ganhar terreno no extenso caminho a percorrer, em busca de nosso aperfeiçoamento, se desde já nos compenetrarmos do nosso papel e da necessidade urgente de vivê-lo intensamente, buscando fazê-lo através de nosso sentimento de caridade e do amor ao próximo, fazendo o bem pelo bem, sem esperar recompensa, pagando o mal com o bem, defendendo o fraco contra o forte e sacrificando sempre nossos interesses em face da justiça; sendo indulgentes para com as fraquezas alheias e severos para com as próprias, não nos comprazendo em evidenciar os defeitos dos outros, mas estudando nossas próprias imperfeições e trabalhando, incansavelmente, para as combater e vencer.

O Espiritismo bem compreendido, mas, sobretudo, bem sentido e vivido, acelera a evolução e conduz, inevitavelmente, o seu adepto à perfeição, porquanto o progresso moral e espiritual é a característica do verdadeiro espírita, ou verdadeiro cristão.

O verdadeiro e sincero espírita tem o coração enternecido e a fé a toda prova, podendo ser reconhecido por sua transformação moral e pelo esforço que faz para dominar as más inclinações.

BIBLIOGRAFIA:

Kardec, Allan - O Evangelho Segundo o Espiritismo

QUESTIONÁRIO:

1 - O que significa para o Espírito "ser perfeito"?

2 - O que significa "amar os inimigos"?

3 - Na sua opinião, como devemos proceder para que sejamos cada vez melhores, rumando à perfeição?