CARACTERÍSTICAS BÁSICAS DO ESPÍRITA: PACIÊNCIA, INDULGENCIA, FÉ, HUMILDADE, DIGNIDADE E CARIDADE.

quinta-feira, 29 de agosto de 2019

16a Aula Parte B - CURSO DE EDUCAÇÃO MEDIÚNICA 2º ANO FEESP


MEDIUNIDADE E PSICOTERAPIA

“O homem através de suas realizações, construções mentais e atitudes, instala nos centros da vida pensante os distúrbios que produzem alienações das mais diversas que terminam por se manifestar através de psicoses e psicopatias.” (Joana de Angelis) Muitos problemas atuais tem sua origem no caminho percorrido em outras encarnações, outros são consequência de ideias e emoções cultivadas na vida presente. A psicoterapia é procurada para tratamento de tais distúrbios através de métodos como a persuasão, sugestão, hipnose, psicanálise e os processos que dela derivam, e sua finalidade é restabelecer o equilíbrio emocional perturbado.

As Casas Espíritas igualmente são procuradas por criaturas perturbadas e infelizes que buscam acolhimento junto a medianeiros benévolos, equilibrados, que as orientam nos princípios doutrinários do Espiritismo, verdadeira terapia da alma. Para que esse auxílio seja mais eficaz é importante que o médium ou atendente, ao realizar o atendimento, conheça alguns princípios de psicoterapia, de relacionamento interpessoal, bem como necessidades individuais que devem ser respeitadas tais como:

 Necessidade da criatura ser tratada como pessoa que tem valor absoluto, com dignidade inata e não ser classificada como um tipo ou categoria.

 Necessidade de exprimir os próprios sentimentos, que podem ser positivos, negativos, de medo, de insegurança. A discrição do médium é condição fundamental.

 Necessidade de compreensão, simpatia, bondade, para que a criatura sinta segurança quanto ao interesse afetivo na solução dos problemas apresentados.

 Necessidade de não ser julgado por causa de suas dificuldades: o orientador não deve mostrar estranheza ou perplexidade e tampouco levantar hipóteses precipitadas sobre os problemas, sem análise mais cuidadosa.

 Necessidade de ser tratado como pessoa livre, com direito as próprias escolhas. Não se deve forçar soluções e sim apontar caminhos, deixando as opções a cargo do arbítrio de cada um.

Podemos apontar ainda algumas atitudes que favorecem o auxílio aos necessitados:

 Argumentação sob o crivo do discernimento espírita, exaltando a responsabilidade pessoal de cada um diante dos obstáculos. Lembremo-nos de Jesus: “Tudo depende de ti e da tua fé”, convidando o entrevistado para uma vida autêntica, oferecendo apoio e incentivo para a construção da “casa sobre a pedra”. (Abandono das fantasias).

 Auxílio para que cada um evite a transferência psicológica que atribui aos outros os danos que foram causados por negligência própria. Estimular a criatura a mergulhar nos íntimos painéis de si mesmo, combatendo os inimigos “de dentro”.

 Ressaltar que o encorajamento e ajuda não exime a necessidade de reparação dos danos.

 No atendimento manter o equilíbrio: nem desmedido envolvimento, nem excesso de indiferença.

 O orientador espírita deve também considerar que “os sintomas resultantes das influências mediúnicas não são diferentes daqueles apresentados pelos processos psicológicos naturais. A definição exige conhecimento e observação, já que ambos os campos, via de regra, se interpenetram” (Adenauer Novaes).

“São inimagináveis as possibilidades de socorro de um encarnado confiante no Alto” (Emmanuel), mas é preciso que os orientadores se instruam constantemente para melhorar seus processos de análise das almas, suas técnicas de expor soluções estimulando a confiança necessária à renovação mental e moral do homem, reconduzindo-o ao equilíbrio, livrando-o das fixações e auxiliando a terapêutica convencional; tanto quanto é imperioso o esforço honesto e constante para melhoria por parte da criatura necessitada.

Bibliografia:

FRANCO, Divaldo Pereira (Espírito Joana de Angelis). Após a Tempestade: Lição 17

XAVIER, Francisco Candido (Espírito Emmanuel). Estude e Viva: Lição 31

NOYAES, Adenauer. Psicologia e Mediunidade: Pag. 37 a 41 e 87 a 90

XAVIER, Francisco Candido (Espírito André Luiz). Missionários da Luz: Cap. 4 (Vampirismo)

PIRES, José Herculano. Vampirismo

Questões para Reflexão:

1) Explique o processo da simbiose espiritual e quais as suas causas.

2) Explique a ação dos Espíritos vampirescos e como a criatura pode libertar-se dessas influências negativas.

3) Explique o porquê da Doutrina Espírita ser considerada como “terapia da alma”.

4) Relacione algumas atitudes que colaboram no auxílio a criatura necessitada.

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terça-feira, 27 de agosto de 2019

16a Aula Parte A - CURSO DE EDUCAÇÃO MEDIÚNICA 2º ANO FEESP


SIMBIOSE E VAMPIRISMO

SIMBIOSE: é o processo pelo qual dois seres vivos se associam. Essa associação se faz também entre encarnados e desencarnados, onde os últimos “se aglutinam aos hábitos dos vivos, partilhando-lhes a existência e absorvendo-lhes parcialmente a vitalidade, de que se sustentam” (André Luiz). A essa influência damos o nome de simbiose espiritual. São diversas as causas que provocam esse fenômeno. Muitas vezes a criatura, ao reencarnar, já traz a companhia invisível da entidade com a qual está ligada por tarefas e dívidas de outras existências: harmonizadas na mesma onda mental, integram-se como hipnotizador e hipnotizado; ou o desencarnado se aproxima do indivíduo aproveitando-se de emanações fluídicas que são peculiares a ambos (afinidade); ainda outras vezes aparece quando a mente desencarnada se aproveita da receptividade dos que lhe choram a perda, influenciando-os com emanações de seu próprio corpo espiritual, utilizando-os como instrumentos de seus próprios pensamentos. Qualquer que seja a origem do fenômeno, facilmente observável nas reuniões de desobsessão, essa “união psíquica” perdura enquanto a criatura encarnada, subjugada por fluidos que lhe são estranhos e deletérios, não buscar a própria renovação através do estudo, da oração, da aquisição de virtudes. Todo ser encarnado permanece responsável perante as sintonias que estabelece e será beneficiado com influências positivas sempre que empreenda com disciplina e boa vontade a tarefa de reajustamento próprio.

VAMPIRISMO: Vampiro é toda entidade ociosa que se vale das possibilidades alheias. O vampirismo é a ação pela qual os Espíritos imperfeitos, presos as paixões inferiores, “se imantam à organização psicofísica de encarnados e desencarnados, sugando-lhes a substancia vital...” (Martins Peralva). Herculano Pires ressalta que essa classe de Espíritos atua desde sempre na Terra, influenciando suas vítimas que direcionam seus recalques e frustrações para a pornografia e a criminalidade. As raízes do vampirismo se encontram no próprio homem encarnado, face aos desajustes:

a) de ordem fisiológica, já que os excessos a que subordinamos o vaso físico como o abuso do álcool e drogas, atrai entidades ignorantes, distantes da renovação, que buscarão e encontrarão em nossos órgãos aquilo de que se nutrem;

b) de ordem psicológica: a persistência no mal, o egoísmo, a cólera, a desesperação, o comprazimento em atitudes, conversas e companhias menos edificantes, criam “larvas mentais”, qual nuvem de bactérias, que passam a se exteriorizar de cada individualidade através de emanação mental de teor inferior, estabelecendo correntes invisíveis, que fazem com que a criatura se coloque, de imediato, sob influência de encarnados e desencarnados que alimentam tais agentes enfermiços, acompanhando-lhe os passos como sombras que ameaçam o equilíbrio mental. André Luiz (“Evolução em Dois Mundos”) relata a ação de tais entidades sob dois aspectos:

1) infecções fluídicas - através da absorção de emanações vitais dos encarnados, dominando e controlando suas vítimas de modo a comprometer seriamente tanto o psiquismo como o corpo físico.

2) Parasitas ovoides – Desencarnados com o perispírito modificado, autohipnotizados pela ideia de vingança ou apego excessivo, ligados as vítimas que os alimentam através de sentimentos de remorso ou arrependimento. Essa situação pode perdurar além da morte física da vítima, até que, “na disposição firme para o bem, algoz e vítima possam reajustar-se”. Para preservar o equilíbrio biopsíquico da própria vida é fundamental a conduta digna, a luta pela erradicação dos hábitos nocivos, o cultivo dos bons pensamentos e a prece. Os médiuns devem ser instrumentos conscientes na batalha contra o vampirismo de todas as tendências, doutrinando o obsedado, fortalecendo sua disposição para a renovação, orientando-o e auxiliando-o tanto quanto possível na reintegração de seu arbítrio. “Para a doença da alma, a cura real pertence ao homem-Espírito”. (André Luiz - “Os Mensageiros”)

Bibliografia:

KARDEC, Allan. A Gênese - Cap. XVI

XAVIER, Francisco Candido (Espírito Emmanuel). Religião dos Espíritos: Lição: Mediunidade e Dever

XAVIER, Francisco Candido (Espírito Emmanuel). Justiça Divina: Lição: Exames.

XAVIER, Francisco Candido (Espírito André Luiz). Evolução em Dois Mundos: Caps. XIV e XV

XAVIER, Francisco Candido (Espírito André Luiz). Mecanismos da Mediunidade: Cap. XVII

XAVIER, Francisco Candido (Espírito André Luiz). Os Mensageiros: Cap. 40

XAVIER, Francisco Candido (Espírito André Luiz). Missionários da Luz: Caps. 3 e 4

PIRES, Herculano. Mediunidade: Cap. VIII

PERALVA, Martins. Estudando a Mediunidade: Cap. XIII

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quinta-feira, 22 de agosto de 2019

15a Aula Parte B - CURSO DE EDUCAÇÃO MEDIÚNICA 2º ANO FEESP


A MORAL MEDIÚNICA

Manifesta a disposição mediúnica, o consequente natural será a mudança no comportamento do médium. Isso engendra a Moral Mediúnica. A Moral, do latim mos, ris, costume, é o conjunto de regras de conduta que inclinam a vontade à prática do bem. E por assim dizer, a disciplina dos bons costumes. Ou como definida no Livro dos Espíritos: “... a regra da boa conduta e, portanto, de distinção entre o bem e o mal”.

Ora, se “O bem é a decidida cooperação com a Lei, a favor de todos, ainda mesmo que isso nos custe a renunciação mais completa” ...“E o mal será sempre representado por aquela triste vocação do bem unicamente para nós mesmos, a expressar-se no egoísmo e na vaidade, na insensatez e no orgulho que nos assinalam a permanência nas linhas inferiores do espírito”, tem-se que ao médium incumbe proceder a cirurgia íntima dos tecidos da sua natureza. A natureza ou substância do homem ainda é nesta fase de evolução da humanidade, moralmente deficitária. Os vícios milenares lhes são uma enormidade. Dentre tais, a mágoa, o ciúme, a inveja, a cobiça, são de difícil combate a neutralização, precisamente por força de sua estratificação milenar.

E o médium é homem, entenda-se: ser humano, como qualquer outro. Então, conquanto lhe cumpra operar a renovação moral, para melhor ou ideal desempenho do seu mediunato, é por outro lado necessário socorrê-lo com as ferramentas da oração, da compreensão de que o assédio sufocante, o elogio destemperado, são estímulos que o embaraçam no percurso da íntima tarefa renovadora.

Por sua vez, a Moral Mediúnica não é distinta da moral gênero. A que disciplina e ordena a boa conduta.

Aquela que recomenda a prática do bem, quer fisiológico, quer sobretudo psíquico, encarregando se “de expor os múltiplos deveres, que constituem os princípios práticos, basilares da vida”.

Bibliografia:

PIRES, José Herculano. Mediunidade: Cap. IX

XAVIER, Francisco Candido (Espírito Emmanuel). Indulgência: Lição 18 (Hoje é o Dia)

KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo Espiritismo: Perg. n° 629

XAVIER, Francisco Candido (Espírito André Luiz). Ação e Reação: Cap. 7 (Conversação Preciosa)

FRANCO, Divaldo Pereira (Espírito Joana de Angelis). Estudos Espíritas: Cap. 22

Questões para reflexão:

1) Com base no conteúdo desta aula analise se o mediunato é efeito ou causa da relação mediúnica.

2) Considerando o médium como mediador entre os dois planos, diga qual a sua circunstância em seu mediunato.

3) Analise se há uma relação entre o bem, o mal e a mediunidade.

4) Faça o seu comentário sobre o seguinte questionamento: Do ponto de vista moral, o que é a mediunidade?

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terça-feira, 20 de agosto de 2019

15a Aula Parte A - CURSO DE EDUCAÇÃO MEDIÚNICA 2º ANO FEESP


RELAÇÕES MEDIÚNICAS

O fenômeno mediúnico não é consequência de um instante solitário do médium. É ato bilateral, de conjugação de duas inteligências que se envolvem em fusão fluídica, simultaneamente alterando o psiquismo do médium encarnado e do ente comunicante. Que se opera pela ligação dos centros de força, experimentando o Espírito as sensações da vida na carne, enquanto a alma-médium, a leveza do comunicante, se desenvolvido, ou a sua bruteza, se perturbado. É a “síntese afetiva em que os dois planos da vida revelam o segredo da morte”, di-lo Herculano Pires. Não se há esquecer a seu turno, que o mesmo ocorre nas comunicações de Espíritos de diferentes esferas, no âmbito espiritual, ressalvadas circunstâncias não reveladas.

Por sua vez, lembrem-se, os médiuns não estão sós no mundo. O mundo é tudo quanto lhes cerque, lhes circunde. É a sua circunstância. Quer física, visível, material, quer extrafísica, invisível, espiritual. Não sem razão a isso alude o Apóstolo Paulo. Como as demais pessoas, hão-de comunicar-se com as outras que estão no mundo e vivem a vida de relação. Assim, o médium, por necessidade orgânica e social deverá estar em relação constante com os outros, para não frustrar, ou arrefecer o seu mediunato. Pois insulado se permite o desgosto de não se acostumar com os embates que a existência proporciona, de radical importância para o seu próprio desenvolvimento.

Do acervo de relações do homem-médium com o seu mundo existencial, sobressaem as relações:


1) com as instituições espíritas;

2) com os médiuns; e,

3) com o público em geral.

Não raro o trato do médium com os centros espíritas, engendra decepções resultantes, ora da má formação cultural dos dirigentes, dos seus despreparos doutrinais, ora do seu envolvimento num clima de infalibilidade e de poder absoluto.

Uma e outros inspiram a desconfiança e o ciúme, chagas que molestam a serenidade e o equilíbrio individual bem como da comunidade. Quando deveria conduzi-lo a confiança em si próprio, ampliando lhe o cabedal de serviço em proveito da obra.

As de médium-a-médium importam ao desenvolvimento educacional recíproco, por força da troca de experiências, de informações sobre a leitura de livros da literatura espírita e da literatura em geral. Que reforçam o conhecimento, enriquece e burila o estilo e sedimenta a cultura. Que por sua vez cerceia os riscos da desconfiança, auxiliando no combate íntimo de eventuais dúvidas.

Já as relações do médium com o público exigem daquele um comportamento culto, equilibrado e paciente, pelo que neste existe de incultura espírita-mediúnica. Em geral, o público encara a mediunidade como um dom sobrenatural e o médium um privilegiado. Em contrapartida, esse não compreende que tais tratamentos são fatores prejudiciais à relação em si, e a irradiação correta da doutrina espírita. Daí ser necessário que o médium, por inação, não estimule o engano em que incorram, a respeito do que seja o Médium e a Mediunidade.

Para isso, e de fundamental importância faça compreender que o “Médium é o ser, ou indivíduo que serve de traço de união aos Espíritos, para que estes possam comunicar-se facilmente com os homens, Espíritos encarnados”. Tão só e exclusivamente. O médium é simplesmente o agente do mediunato, “a missão providencial dos médiuns”. É o portador desse ministério, ou o do dom de dizer por outro não visível, na esfera em que a mediunidade se manifeste, quer em “comunicações tangíveis, mentais, escritas, físicas” quer de qualquer outra espécie.

Bibliografia:

KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns: - Cap. XXII n° 236, XXXL XII e Cap. XXXII - Vocabulário Espírita.

FRANCO, Divaldo Pereira (Espírito Joana de Angelis). Estudos Espíritas: Cap. XVIII

PIRES, José Herculano. Mediunidade: Caps. V e X

XAVIER, Francisco Candido (Espírito André Luiz). Obreiros da Vida Eterna: Cap. III e IX

XAVIER, Francisco Candido (Espírito André Luiz). Nos Domínios da Mediunidade: Cap. 3

PERALVA, Martins. Estudando a Mediunidade: Cap. 25

BÍBLIA SAGRADA. Novo Testamento: Hebreus 12:1

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quinta-feira, 15 de agosto de 2019

14a Aula Parte B - CURSO DE EDUCAÇÃO MEDIÚNICA 2º ANO FEESP


DEUS, JUSTIÇA E EVOLUÇÃO

A justiça de Deus tem por finalidade a evolução da criatura. É a expressão de sua misericórdia. Aquilo que vemos não começou a ser tal como se nos apresenta na atualidade. A ideia surge no cérebro de um e a obra perfeita é a resultante do concurso e da cooperação de muitos, através das gerações. A imprensa moderna, em nada se parece com a de Gutenberg. As ciências; as artes, em suas várias modalidades; a política; a religião e todas as demais manifestações da atividade do pensamento humano tem sofrido através de todos os tempos a influência benfazeja da evolução.

Se a imprensa de Gutenberg, em sua forma primitiva passou como passam as sombras e hoje vive em moldes mais aperfeiçoados, da mesma forma, o homem de outrora vive no homem de hoje; e como Espírito imortal atingira através da evolução a condição de Espírito Puro. Para frente e para o alto, tal é o dístico inscrito em cada átomo do Universo. O resultado de melhoramentos acumulados de geração em geração, como também o princípio imortal, que anima a matéria, transmigra, levando consigo, numa ascensão continua e plena pela senda da eternidade, os aperfeiçoamentos e progressos conquistados.

A evolução é um fato que se impõem, e em tudo se verifica. Os homens e os animais de hoje são bastante diferentes dos homens e animais de outrora. Muitas espécies de animais da antiguidade desapareceram do cenário terreno, existindo apenas alguns exemplares nos museus ou através de vestígios fósseis.

No passado longínquo, o Politeísmo grassava em quase todas as nações do mundo. Os deuses constituíam o centro de adoração de todos. Hoje, o Monoteísmo é consagrado em quase todas as nações da Terra. Deus é a imagem central de todas as religiões. Nas épocas imemoriais, faziam-se sacrifícios aos deuses, de crianças e animais.

Atualmente, essa prática é considerada abominável, horripilante. No passado ainda recente, o povo e até a religião majoritária acreditavam, através do sistema geocêntrico, que o mundo era imensa planície, e o Sol girava em torno da Terra. Após a descoberta de Galileu, foi universalmente aceito o sistema heliocêntrico, concebendo-se que a Terra e outros Planetas são imensos globos, girando em tomo do sol. Há alguns séculos, os chamados hereges eram queimados em praças públicas, e as religiões acreditavam que assim procedendo, prestavam um serviço a Deus. Na atualidade, a simples lembrança desses episódios é considerada aterrorizante, aos olhos de todos os homens, e um ultraje às sábias leis do Criador.

A criação é uma cadeia infinita, cujos elos se entrelaçam num perene movimento ascensional. Desde o átomo até ao Arcanjo tudo se encadeia. Não é dado ao homem ter uma visão mais ampla e palpável desse entrelaçamento gradual e progressivo dos Espíritos, porque o minúsculo Planeta onde habitamos não representa mais do que uma diminuta fração do Universo incomensurável. Para onde quer que voltemos nossos olhos, verificamos que tudo evoluiu e continua a evoluir na Terra; por isso, acreditando na evolução, acreditamos na justiça divina, e, acreditando na justiça divina, forçosamente acreditamos em Deus, Criador do Universo e da Vida, fonte geratriz de todas as coisas.

Sendo Deus a causa primaria de todas as coisas, a origem de tudo o que existe, é a base sobre a qual repousa o edifício da Criação. Essa é a questão crucial que o homem deve considerar antes de tudo, principalmente quando pretende analisar as coisas pertinentes a constante evolução de tudo o que é criado por Deus. Seria um grande erro e um atentado contra a Justiça Divina, se os Espíritos criados por Deus tivessem que permanecer eternamente jungidos ao estado e as condições em que conhecemos no momento atual. Que significado teria a evolução, se os Espíritos inferiores não evoluíssem para as etapas superiores?

A escada que o patriarca Jacó viu em sonho, quando a caminho da Mesopotâmia, é a mais insofismável e fiel imagem da evolução. Por essa escada, cujas extremidades se apoiavam, respectivamente, uma na terra e outra no Céu, subiam e desciam os Espíritos. A escada, com seus numerosos, incontáveis degraus, representa a alegoria perfeita das várias etapas do progresso que os Espíritos vão galgando, a fim de atingirem os planos superiores.

Por isso, dois postulados refulgem na constelação da fé espírita: evolução e reencarnação. A Doutrina das existências sucessivas é um fato que se impõe. Sem ela, como explicar os fenômenos da evolução? A reencarnação, postulado espírita, é a palingenesia de Pitágoras: negá-la é negar a evolução, é negar o senso da vida.

Emmanuel, através da psicografia de Francisco Candido Xavier, esclarece-nos que em nome da Eterna Sabedoria, o homem é o Senhor da evolução na Terra. Todos os reinos do planeta rendem-lhe vassalagem.

Claramente, nós, os Espíritos em aperfeiçoamento, no aperfeiçoamento terrestre, conseguimos alterar ou manobrar as energias e os seres inferiores do orbe a que transitoriamente, nos ajustamos, e do qual nos é possível catalogar os impérios da luz infinita, estudantes no Universo. A face disso, não obstante sustentados pelo Apoio Divino, nas lides educativas que nos são necessárias, o aprimoramento moral corre por nossa conta. O professor ensina, mas o aluno deve realizar-se. Os Espíritos superiores nos amparam e esclarecem, no entanto, é disposição da Lei que cada consciência responda pelo próprio destino. Meditemos nisso, valorizando as oportunidade em nossas mãos. Por muito alta seja a quota de trabalho corretivo que trazemos dos compromissos assumidos em outras reencarnações, possuímos determinadas sobras de tempo e, com o tempo de que dispomos, basta que usemos sabiamente a vontade, que tantas vezes manejamos para agravar nossas dores, a fim de consagrarmos ao serviço do bem e ao estudo iluminativo.

Bibliografia:

KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos: Pergs. - 667 a 673 e 776 a 802

VINICIUS. Em Torno do Mestre: Lição (Deus, Justiça e Evolução)

VINICIUS. Nas Pegadas do Mestre: Lição (Evolucionismo)

XAVIER, Francisco Candido (Espírito Emmanuel) - Livro da Esperança. item 06

Questões para reflexão:

1) Faça a diferença entre perda e suspensão da mediunidade e explique o porquê desses acontecimentos.

2) Explique os procedimentos que devem ser formados para com o médium que sofre a perda ou a suspensão da mediunidade.

3) Faça um breve relato sobre a diferença dos homens e animais de hoje com os homens e animais de outrora a Luz do Espiritismo.

4) De acordo com o conteúdo da Lição: Deus, Justiça e evolução, explique o significado da afirmação: Desde o átomo até o Arcanjo tudo se encadeia.

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quinta-feira, 8 de agosto de 2019

14a Aula Parte A - CURSO DE EDUCAÇÃO MEDIÚNICA 2º ANO FEESP


PERDA E SUSPENSÃO DA MEDIUNIDADE - MÉDIUNS IMPERFEITOS

A experiência demonstra que os médiuns podem perder a faculdade que possuem, o que, no entanto, não é tão frequente. O mais comum é apenas uma suspensão, uma interrupção passageira da mediunidade, quer nas manifestações físicas ou intelectuais, qualquer que seja o gênero da faculdade. A causa da perda da mediunidade não está no esgotamento do fluido, mas, porque os Espíritos se afastam do médium porque não querem mais servir-se dele. Os Espíritos disseram a Kardec que o dom da mediunidade, não é concedido ao médium para o seu deleite e, ainda menos, para a satisfação de suas ambições, mas com a finalidade da sua melhora espiritual e para dar a conhecer aos homens a verdade. Se o Espírito verifica que o médium já não corresponde as suas visitas e já não aproveita das instruções nem dos conselhos que lhe dá, afasta-se, em busca de um médium mais digno.

As principais causas que podem causar o abandono de um médium, por parte dos Espíritos são as seguintes:

1- Quando se usa para coisas frívolas, ou com propósitos ambiciosos;

2- Quando se nega a transmitir as comunicações ou os fatos transmitidos pelos Espíritos;

3- Outras vezes, a suspensão ocorre para proporcionar repouso material ao médium que dele necessite caso em que não é permitido a outros Espíritos substituir o Protetor;

4- Noutras ocasiões, serve para lhe pôr a paciência a prova e para lhe experimentar a perseverança, dando-lhe tempo de meditar sobre as instruções recebidas.

A suspensão da mediunidade funciona mais como uma advertência ao médium. A suspensão da faculdade não implica o afastamento dos Espíritos que habitualmente se comunicam. O médium se encontra então na situação de uma pessoa que perde temporariamente a vista, a qual, por isso, não deixaria de estar rodeada de seus amigos, embora na impossibilidade de os ver. Por isso a interrupção da faculdade mediúnica nem sempre traduz uma censura por parte do Espírito, pois que pode ser uma prova de benevolência. Para saber se se trata de uma censura, aconselham os Espíritos, deve o médium interrogar a sua própria consciência e inquirir a si mesmo qual o uso que tem feito da sua faculdade, qual o bem que dela tem recusado para os outros, que proveito há tirado dos conselhos que se lhe tem dado e assim terá a resposta na própria consciência. Não se recomenda ao médium que ficou impossibilitado da faculdade mediúnica recorrer a outro médium, muitas das vezes nada de satisfatório se consegue, pois depende da vontade do Espírito, cumpre então abster-se de insistir e de impacientar-se, se não quiser ser vítima de Espíritos enganadores, que responderão, no caso de procurar-se uma resposta forçada. Os Bons Espíritos permitem que isso aconteça para punirem aqueles que insistem.

O meio de abreviar a prova da suspensão da mediunidade, segundo os ensinamentos dos Espíritos, consiste na resignação e na prece.

Devem os médiuns lembrar-se sempre de que o dom da mediunidade é uma missão e como tal deve-se usá-lo santamente, religiosamente. O desempenho eficaz das faculdades mediúnicas tornam os médiuns mais felizes, porque a mediunidade bem conduzida é um caminho para a felicidade. Porém, aqueles médiuns que rejeitam o dom concedido por Deus, ou ainda, desviam as suas faculdades para coisas inferiores, são médiuns imperfeitos; desconhecem o valor da graça que lhes é concedida. A faculdade lhes foi outorgada porque precisam dela para se melhorarem, para ficarem em condições de receber bons ensinamentos. Se não aproveitam da concessão, sofrerão as consequências. Jesus ensinou que os sãos não precisam de médicos e sim os doentes. Os médiuns imperfeitos são os doentes da alma, que por negligência ou outros interesses rejeitam o remédio divino. O doente que não aceita o remédio, é o primeiro a trabalhar contra sua própria segurança.

Aquele que não possua o dom da mediunidade, poderá aperfeiçoar-se recorrendo aos livros, ao estudo, ao Evangelho, porquanto para praticar a moral de Jesus, não é preciso que o cristão tenha ouvido as palavras ao lhe saírem da boca.

O Apóstolo Paulo, em I Coríntios: 12:4 diz que “há diversidades de dons, mas um mesmo é o Espírito; há diversidades de ministérios, e um mesmo é o Senhor.” Joanna D’Angelis através de Divaldo P. Franco, comenta que há médiuns e mediunidades. Mediunidades todos nós possuímos. Aprimorá-las ou descurá-las, relegando-as a plano secundário, é responsabilidade que cada um exerce mediante o próprio livre arbítrio. Todos estamos interligados, em ministério mediúnico ativo, incessante, graças aos múltiplos dons de que nos achamos investidos. Vinculados Espírito a Espírito pelo impositivo da evolução, desde que constituímos famílias que formam a grande família universal, sintonizamo-nos reciprocamente pelas afinidades e aptidões, ideais e desejos num intercâmbio imenso de que somente o amor consegue os objetivos elevados, libertadores. Assim sendo, é preciso refletir nas possibilidades mediúnicas que se possui e elevar-se pelo exercício das ações nobilitantes, de modo a desenvolver os recursos positivos na realização do bem a que o Senhor a todos convoca. Necessário assim, acender a lâmpada do auxílio fraterno no coração, a fim de que a caridade possa inspirar os médiuns da esperança entre os que aspiram a um Mundo renovado e feliz para o futuro.

Bibliografia:

KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns: Cap. XVI n° 196 e Cap. XVII - n°220

XAVIER, Francisco Candido (Espírito André Luiz). Nos Domínios da Mediunidade: Cap. 14 e 27

FRANCO, Divaldo Pereira (Espírito Joana de Angelis). Livro: Convites da Vida: item 30

Fonte da imagem: Internet Google.

terça-feira, 25 de junho de 2019

13a Aula Parte B - CURSO DE EDUCAÇÃO MEDIÚNICA 2º ANO FEESP


OS FALSOS PROFETAS

João, o evangelista, nos ensina em sua Primeira Epístola, no capítulo 4, versículo 1: “Amados, não deis crédito a qualquer espírito; antes, provai os Espíritos se procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo afora”.

Também temos em Jeremias (Cap.23, versículo 16): “isso diz o Senhor dos Exércitos: não deis ouvidos as palavras dos profetas que entre vós profetizam e vos enchem de vãs esperanças; falam as visões do seu coração, não o que vem da boca do Senhor”.

Explica-nos Kardec, em “Obras Póstumas” que os chamados médiuns proféticos, em tão grande número na Antiguidade, constituem uma variedade da mediunidade de inspiração. Porém, “o dom da profecia (...) é excepcional e implica uma missão na Terra” e que “se há verdadeiros profetas, maior é o número dos falsos, que tomam os devaneios da sua imaginação como revelações, quando não são velhacos que por ambição se fazem passar como profetas”.

E se há tão grande número de encarnados dispostos a enganar os mais crédulos, o de desencarnados é ainda mais extenso.

“Os Espíritos são as almas dos homens, e como os homens não são perfeitos, há também Espíritos imperfeitos(...) É incontestável que há Espíritos maus, astuciosos, profundamente hipócritas, contra os quais devemos nos prevenir”, diz Kardec em “O Livro dos Médiuns” (questão 46).

Uma característica comum a Espíritos dessa ordem é o desejo de cativar discípulos incautos entre os desencarnados, para levar suas teorias absurdas e espalhar a desunião entre os grupos, pregando o isolamento.

Frequentemente apresentam-se espontaneamente, tomando, muitas vezes, nomes respeitáveis e conhecidos, impondo regras e ideias errôneas. Devemos desconfiar de tudo que nos inflame o orgulho e de comunicações que tendam ao misticismo, extravagantes, que ditem cerimônias e práticas estranhas ao caráter antidogmático espírita.

Então, o que devemos fazer para ficar imunes ao seu assédio? A recomendação áurea de Kardec: passar toda e qualquer comunicação sob o crivo da razão e do bom senso.

Antes de aceitarmos uma informação nova como autêntica, devemos proceder como Kardec o fez ao codificar a doutrina: o do controle universal do ensino dos Espíritos. Todas as vezes que uma revelação deve chegar aos homens, ela vem para um grande número de pessoas, com prudência, no tempo correto. Nunca é resultado de uma teoria pessoal, pois um só individuo não pode ter a presunção de se auto intitular como dono da verdade.

“Não será pela opinião de um homem que se produzirá a união, mas pela unanimidade da voz dos Espíritos (...) A opinião universal, eis, portanto, o juiz supremo, aquele que pronuncia em última instância. Ela se forma de todas as opiniões individuais”.

Os Espíritos sábios sempre preferem se comunicar por médiuns sérios, estudiosos, empenhados em se melhorar a cada dia. Os mistificadores, ao contrário, preferem médiuns levianos, que se deixam fascinar por elogios ou que buscam tirar proveito de sua faculdade. Além disso, buscam meios onde se encontram pessoas frívolas, movidas mais pela curiosidade que pelo desejo de instrução e melhoria.

Devemos lembrar, ainda, que os Espíritos inferiores apenas exploram o que há de imperfeito em nós.

Diz Emmanuel: “Todos somos induzidos ao erro, na pauta de nossa própria estultícia. Dominados de orgulho, cremos naqueles que nos incitam à vaidade e, sedentos de posse, assimilamos as sugestões infelizes de quantos se proponham explorar-nos a insensatez e a cobiça”.

Separar o joio do trigo, o certo do errado, o absurdo da razão, a fé humana, movida pelas paixões e pelo material da divina, eterna e perfeita, eis aquilo que se espera do homem precavido, que tem Jesus por modelo. Só assim saberemos distinguir o verdadeiro profeta e “podemos reconhecê-lo por suas palavras e por suas ações. Deus não se serve da boca do mentiroso para ensinar a verdade” (“O Livro dos Espíritos” - questão 624).

Bibliografia:

KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo: Cap. XXI - Itens 10 e 11 - Introdução - item II

KARDEC, Allan. Obras Póstumas: Manifestações dos Espíritos – questão 6 - item 49

XAVIER, Francisco Candido (Espírito Emmanuel). Religião dos Espíritos: Ante os falsos profetas

Questões para reflexão:

1) Explique por que não se devem repelir as comunicações de além túmulo.

2) Comente a importância de interrogar os Espíritos.

3) Comente sobre os falsos profetas.

4) Analise a afirmação de Emmanuel: “Todos somos induzidos ao erro, na pauta de nossa própria estultícia”.

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terça-feira, 18 de junho de 2019

13a Aula Parte A - CURSO DE EDUCAÇÃO MEDIÚNICA 2º ANO FEESP


INTERROGAR OS ESPÍRITOS

As ocorrências e fatos relacionados às revelações dos Espíritos ou fenômenos mediúnicos remontam a época denominada Antiguidade, sendo tão antigo quanto o nosso Planeta.

A História da humanidade está repleta desses fenômenos de intercomunicação espiritual, entre os Espíritos encarnados e os desencarnados. Os fenômenos mediúnicos não são recentes, pois fatos históricos mostram registros de manifestações entre os povos mais antigos. A relação entre os mundos, material e espiritual, está registrada em todas as épocas da humanidade.

As revelações dos Espíritos sempre existiram tanto no Ocidente quanto no Oriente, como se observa pelos relatos do Código dos Vedas, o mais antigo código religioso que se tem notícia.

Os Espíritos são atraídos pela simpatia, a semelhança dos gostos e de caracteres, a intenção que faz desejar a sua presença. Os Espíritos superiores não vão às reuniões fúteis, do mesmo modo que um sábio da Terra não iria numa assembleia de jovens estouvados. O simples bom senso diz que não pode ser de outra forma; ou, se ai vão algumas vezes, e para dar um conselho salutar, combater os vícios, procurar conduzir para o bom caminho; se não são escutados, retiram-se. Seria ter uma ideia completamente falsa, crer que os Espíritos sérios possam se comprazer em responder a futilidades, a perguntas ociosas que não provam nem afeição, nem respeito por eles, nem desejo real, nem instrução, e ainda menos que possam vir dar espetáculo para divertimento dos curiosos. O que não faziam quando vivos, não podem fazê-lo depois da sua morte.

Repelir as comunicações de além-túmulo é repudiar o meio mais poderoso de instruir-se, já pela iniciação nos conhecimentos da vida futura, já pelos exemplos que tais comunicações nos fornecem. A experiência nos ensina, além disso, o bem que podemos fazer, desviando do mal os Espíritos imperfeitos, ajudando os que sofrem a desprenderem-se da matéria e a se aperfeiçoarem. Interdizer as comunicações é, portanto, privar as almas sofredoras da assistência que lhes podemos e devemos dispensar.

Quando a interrogação é feita com recolhimento e religiosamente; quando os Espíritos são chamados, não por curiosidade, mas por um sentimento de afeição e simpatia, com desejo sincero de instrução e progresso, não vemos nada de irreverente em apelar-se para as pessoas mortas, como se fizera com os vivos. Há, contudo, outra resposta peremptória a essa objeção, é que os Espíritos se apresentam espontaneamente, sem constrangimento, muitas vezes mesmo sem que sejam chamados.

Nunca será excessiva a importância que se dê a maneira de formular as perguntas e, ainda mais, a natureza das perguntas. Duas coisas se devem considerar nas que se dirigem aos Espíritos: a forma e o fundo. Quanto à forma, devem ser redigidas com clareza e precisão, evitando as questões complexas. Mas, outro ponto há não menos importante: a ordem que deve presidir a disposição das perguntas. Quando um assunto reclama uma série delas, é essencial que se encadeiem com método, de modo a decorrerem naturalmente umas das outras.

Os Espíritos, nesse caso, respondem muito mais facilmente e mais claramente, do que quando elas se sucedem ao acaso, passando, sem transição, de um assunto para outro. Esta a razão por que é sempre muito conveniente prepará-las de antemão, salvo o direito de, durante a sessão, intercalar as que as circunstâncias tomem necessárias.

Além de que a redação será melhor, quando feita prévia e descansadamente, esse trabalho preparatório constitui, como já o dissemos, uma espécie de evocação antecipada, a que pode o Espírito ter assistido e que o dispõe a responder. É de notar-se que muito frequentemente o Espírito responde por antecipação a algumas perguntas, o que prova que já as conhecia. O fundo da questão exige atenção ainda mais séria, porquanto é, muitas vezes, a natureza da pergunta que provoca uma resposta exata ou falsa. Algumas há a que os Espíritos não podem ou não devem responder, por motivos que desconhecemos. Será, pois, inútil insistir. Porém, o que, sobretudo se deve evitar são as perguntas feitas com o fim de lhes provar a perspicácia. Imaginai um homem sério, ocupado em coisas úteis e importantes, incessantemente importunado pelas perguntas pueris de uma criança, e tereis a ideia do que devem pensar os Espíritos superiores, de todas as futilidades que se lhes perguntam.

Não se segue daí que dos Espíritos não se possam obter úteis esclarecimentos e, sobretudo, bons conselhos; eles, porém, respondem mais ou menos bem, conforme os conhecimentos que possuem e o interesse que nos têm a afeição que nos dedicam e, finalmente, o fim a que nos propomos e a utilidade que vejam no que lhes pedimos. Se, entretanto, os inquirimos unicamente porque os julgamos mais capazes do que outros de nos esclarecerem melhor sobre as coisas deste mundo, claro é, que não nos poderão dispensar grande simpatia.

Pensa algumas pessoas ser preferível que todos se abstenham de formular perguntas e que convém esperar o ensino dos Espíritos, sem o provocar. É um erro. Os Espíritos dão, não há dúvida, instruções espontâneas de alto alcance e que errôneo seria desprezar-se. Mas, explicações há que frequentemente se teriam de esperar longo tempo, se não fossem solicitadas. As questões, longe de terem qualquer inconveniente, são de grandíssima utilidade, do ponto de vista da instrução, quando quem as propõe sabe encerrá-las nos devidos limites.

Têm ainda outra vantagem: a de concorrerem para o desmascaramento dos Espíritos mistificadores que, mais pretensiosos do que sábios, raramente suportam a prova das perguntas feitas com cerrada lógica por meio das quais o interrogante os leva aos seus últimos redutos. Os Espíritos superiores, como nada tem que temer de semelhante questionário, são os primeiros a provocar explicações, sobre os pontos obscuros. Os outros, ao contrário, receando ter que se haver com antagonistas mais fortes, cuidadosamente as evitam.

Bibliografia:

KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns: Cap. XXVI- no 286 a 291

KARDEC, Allan. Revista Espírita: Abril de 1864

KARDEC, Allan. O Céu e o Inferno: 1ª parte - Cap. XI - itens 10 e 15

XAVIER, Francisco Candido (Espírito Emmanuel). Religião dos Espíritos: Ante os falsos profetas

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quinta-feira, 13 de junho de 2019

12a Aula Parte B - CURSO DE EDUCAÇÃO MEDIÚNICA 2º ANO FEESP


DENTRE OS OBREIROS - IMPERFEITOS, MAS ÚTEIS

“... e aquele que a si mesmo se humilhar será exaltado.” – Jesus (Lucas, 14:11)

Em O Evangelho Segundo o Espiritismo - Cap. VII, 6, temos o ensinamento que será maior no reino dos céus aquele que se humilhar e se fizer pequeno como uma criança, isto é, que nenhuma pretensão alimentar à superioridade ou à infalibilidade.

O Espírito Emmanuel, através da psicografia de Francisco Candido Xavier esclarece-nos de que não podemos desejar aparente grandeza para sermos úteis - Ninguém existe por acaso. Buscando entender os mandatos de trabalho que nos competem, orienta-nos o mentor espiritual a estudarmos algumas lições da natureza, dentre elas citamos alguns itens:

A usina poderosa ilumina qualquer lugar, à longa distância, contudo, para isso, não age por si só. Usa transformadores de um circuito a outro, alterando, em geral, a tensão e a intensidade das correntes. Os transformadores requisitam fios de condução. Os fios recorrem a tomada de força. Para que a luz se faça, é indispensável à presença da lâmpada, que se forma de componentes diversos.

O rio de muito longe, fornece água limpa a atividade caseira, mas não se projeta, desordenado, a serviço das criaturas. Cede os próprios recursos a rede de encanamento. A rede pede tubos de formação variada. Os tubos exigem a torneira de controle. Para que o líquido se mostre purificado, requere-se o concurso do filtro.

No dicionário das Leis Divinas, as nossas tarefas tem sinônimo de dever. Por isso, precisamos atender à obrigação para que fomos chamados no clima do bem. Não podemos dizer que somos inúteis, nem achar que somos incompetentes, porque ninguém é inútil.

“Busca e acharás” - prometeu nosso divino Mestre. Entretanto, em todos os lugares encontramos pessoas que se dizem inúteis ou que são demasiadas inferiores, e que, por isso, se declaram inabilitadas a servir. A construção do bem comum é obra de todos. Todos necessitamos trabalhar no sentido de aprender e construir, auxiliando os companheiros esclarecidos para que se tomem cada vez mais fiéis a execução dos compromissos nobilitantes que abraçaram. Todos nós, Espíritos em evolução no planeta, somos ainda imperfeitos, porém, isso não quer dizer que não podemos ser úteis. Somos chamados a contribuir no bem geral, embora não possamos alardear virtudes que não temos e nem fantasiar talentos que estamos longe de conquistar.

Podemos ser: imperfeitos, mas úteis.

Muitos colaboradores no campo do bem se diferenciam uns dos outros por estarem em faixas diversas da evolução humana. Encontramos aqueles que começam uma tarefa com grande entusiasmo, porém, logo em seguida a abandonam no início, com receio do sacrifício. Outros se afastam diante do esforço que devem fazer na semeadura da semente ou pelo peso das obrigações que exige uma determinada obrigação.

O obreiro digno do salário da felicidade e da paz, nos erários da vida imortal, será sempre aquele que caminha para frente com a obra no pensamento e no coração, em pleno esquecimento de si mesmo, trabalhando e servindo, compreendendo e auxiliando, amando e construindo, a serviço do bem de todos, até o fim.

Jesus no Evangelho de João, 6:27, recomenda-nos trabalhar não pela comida que perece, mas pela comida que permanece para a vida eterna, e Joana De Angelis, através da psicografia de Divaldo Pereira Franco, diz que apesar do apelo de Jesus ser claro e objetivo, na hora do desespero, exclamamos: “É demais”. Diante do sofrimento, dizemos: “Não suporto mais”. Vitimados pela incompreensão deduzimos que ninguém nos compreende. Dominados pelo cansaço proferimos: “Irei parar por aqui”. Na hora da ingratidão, desabafamos: “Nunca mais”. Entretanto, o trabalho é sempre veículo de renovação, processo dignificante, em cujo exercício a criatura se eleva, elevando a humanidade com ela. Por isso, sejam quais forem as nossas possibilidades sociais ou econômicas, trabalhemos! Trabalhando estaremos menos vulneráveis a agressão dos males ou a leviandade dos maus. O trabalho é mensagem de vida, colocando-nos na direção da construção da felicidade que tanto perseguimos. Portanto, sem desfalecimentos! Imperfeitos mas úteis.

Bibliografia:

KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo: Cap. XX – itens 4 e 5

FRANCO, Divaldo Pereira (Espírito Joana de Angelis). Convites da Vida: item 5 7

XAVIER, Francisco Candido (Espírito Emmanuel). Roteiro: itens 28 e 33

XAVIER, Francisco Candido (Espírito Emmanuel). Segue-me: Lição - Na Seara Mediúnica

XAVIER, Francisco Candido (Espírito Emmanuel). Livro da Esperança: item 16

XAVIER, Francisco Candido (Espírito Emmanuel). Rumo Certo: Lições 33 e 28

Questões para Reflexão:

1) Explique a seu modo o processo das comunicações.

2) Descreva o mecanismo da psicometria

3) Explique os ensinamentos de Emmanuel contidos no 2° parágrafo dessa Lição.

4) Analise a recomendação de Jesus em João 6:27, e compare com os ensinamentos da Doutrina Espírita com relação ao progresso da humanidade.

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terça-feira, 11 de junho de 2019

12a Aula Parte A - CURSO DE EDUCAÇÃO MEDIÚNICA 2º ANO FEESP


DO “MODUS OPERANDI” DOS ESPÍRITOS

- O Processo das Comunicações

- Os Aparelhos Mediúnicos

- A ldeoplasticidade do Pensamento

- A Psicometria

O “modus operandi” das entidades que se comunicam nos ambientes terrestres, tem a sua base no magnetismo universal dentro do qual todos os seres e mundos gravitam para a perfeição suprema; e incalculável é a extensão do papel que a sugestão e a telepatia representam nos fenômenos mediúnicos.

O processo das comunicações entre os planos visível e invisível verifica-se que invariavelmente, dentro de teledinamismo poderoso que estamos longe ainda de apreciar nas nossas condições de Espíritos encarnados.

Entidades sábias e benevolentes, que já se desvencilharam totalmente dos envoltórios terrenos, assim o desejando, vencem distâncias imensas, a fim de que os seus elevados ensinamentos sejam ministrados, desde que hajam cérebros possuídos de capacidade receptiva e que não lhes ofereça obstáculos insuperáveis.

As pesquisas de Allan Kardec e de outros experimentadores partiram da observação do fenômeno das mesas girantes, que constituía, como já sabemos, manifestação de ordem física. E, como raciocina o próprio Kardec, se os fenômenos então observados tivessem ficado restritos ao movimento dos objetos, teriam permanecido no domínio das ciências físicas. Até aí, tudo poderia parecer fruto do acaso. Mas em seguida, passaram a ser dadas respostas mais desenvolvidas, com o auxílio das letras do alfabeto. Esse fato, repetido a vontade por milhares de pessoas e em todos os países não podia deixar dúvida sobre a natureza inteligente das manifestações. O processo de comunicação com os Espíritos então era muito lento e incômodo. Foram os próprios Espíritos que sugeriram outros meios, que deram origem as comunicações escritas.

O Espírito que se quer comunicar compreende, sem dúvida, todas as línguas, pois, que as línguas são a expressão do pensamento e é pelo pensamento que o Espírito tem a compreensão de tudo; mas, para exprimir esse pensamento, torna-se necessário um instrumento, que é o médium (do latim médium).

Há alguns pontos importantes para a comunicação dada espontaneamente por um Espírito superior, que definem a questão do papel do médium nas comunicações. Qualquer que seja a natureza do médium, não varia essencialmente o processo de comunicação. Para que uma comunicação se torne mais fácil, os Espíritos dão preferência ao médium que tenha o cérebro povoado de conhecimentos adquiridos na sua encarnação atual e o seu Espírito rico de conhecimentos latentes, obtidos em encarnações anteriores. O Espírito comunicante deve encontrar no cérebro do médium os elementos adequados a dar vestidura às palavras que deseja transmitir. Com médiuns poucos adiantados, a comunicação se torna mais longa e penosa, porque os Espíritos se veem forçados a lançar mão de recursos mais complexos.

Ignoramos, na Terra, a maravilhosa ideoplasticidade do pensamento. Conhecendo a plenitude de suas faculdades, após haver triunfado em muitas experiências que lhes asseguram elevada posição espiritual, senhores de grandes poderes psíquicos, conquistados com a fé e com a virtude incorruptíveis, os Espíritos superiores possuem uma vontade potente e criadora de todas as formas e beleza. Às vezes, apresentam ao vidente grandiosas cenas da história do planeta, multidões luminosas, legiões de almas, quadros esses que, na maioria das vezes, constituem os pensamentos materializados das mentes envolvidas que os arquitetam, e que atuam sobre os centros visuais dos sensitivos, objetivando o progresso geral. A evolução, sob todos os seus aspectos, deve ser procurada com afinco, pois é dentro dessa aspiração que vemos a verdade da afirmação de Jesus - “A quem mais tiver, mais será dado”. A medida que progredimos moralmente, mais se aperfeiçoara o processo da nossa comunhão com os planos invisíveis superiores.

A comunicação dos Espíritos também tem acompanhado o desenvolvimento do homem, e vem se aperfeiçoando através do tempo, à medida que vamos nos desenvolvendo e nos tornando aptos a usar a ciência e a tecnologia que, no plano espiritual, já existem, sempre lembrando que o “modus operandi” tem a sua base no Fluido Universal.

No princípio os Espíritos utilizaram às pranchetas, as mesas girantes, a tiptologia. Depois chegou a vez das comunicações mais aprimoradas, utilizando-se como intermediário uma pessoa encarnada, o médium, ponte de ligação entre o mundo espiritual e o mundo material. A comunicação pelo pensamento é o próximo passo.

O pensamento é força, capaz até de ser fotografado, e a telepatia já é usada com sucesso por algumas pessoas. No plano espiritual o pensamento é a linguagem comum entre os Espíritos. O Espírito André Luiz nos mostra que, em Nosso lar, os Espíritos utilizam a ideoplastia para mentalizar e criar suas moradas lá. É a força do pensamento que molda, que idealiza, que realiza. Assim como o homem encarnado progrediu e alcançou níveis tecnológicos maravilhosos, permitindo o uso da eletrônica e dos modernos aparelhos na solução de seus problemas, na cura, nas modernas cirurgias etc., os Espíritos, por estarem no plano espiritual, tem condições que ainda não conhecemos de fazer o intercâmbio com o mundo material.

Assim como os homens nos dias de hoje não podem deixar de acompanhar os vestígios do progresso e a comunicação instantânea entre todos os povos pela internet sob pena de ficar à margem e perder o bonde da história, também os Espíritos agora podem utilizar os imensos recursos de que são possuidores e que não utilizavam antes por nos faltar estrutura para acompanha-los. Dia virá que não haverá necessidade de aparelho algum para que os Espíritos, encarnados ou desencarnados se comuniquem. Todos se comunicarão de modo direto, pelo pensamento, através do Fluido Universal, como o som se propaga através do ar.

A psicometria é uma faculdade anímica, mas também mediúnica. Faculdade pela qual o médium, tocando determinados objetos, entra em relação com pessoas e fatos aos mesmos ligados. Essa percepção se verifica em vista de tais objetos se acharem impregnados da influência pessoal do seu possuidor.

O Espírito André Luiz oferece-nos um conceito bem simples. “Faculdade de perceber o lado oculto do ambiente e de ler impressões e lembranças ao contato de objetos e documentos, nos domínios da sensação a distância.” (Nos Domínios da Mediunidade - Cap. 26).

“Toda pessoa, ao penetrar num recinto, deixa aí um pouco de si mesma, da sua personalidade, dos seus sentimentos, das suas virtudes, dos seus defeitos. Quando tocamos um objeto, imantamo-lo com um fluido que nos é peculiar” nos diz Hermínio C. Miranda, em “Estudando a Mediunidade” cap. 39. O volume de energias fluídicas que sobre o mesmo projetamos é de tal maneira acentuado que a nossa própria mente ali ficará impressa. Em qualquer tempo e lugar, a nossa vida, com méritos e deméritos, fica gravada no fluido universal, que é à base do modus operandi das comunicações e assim podem ser desvendadas através da psicometria, revelando o passado, conhecendo o presente e desvendando o futuro.

Bibliografia:

XAVIER, Francisco Candido (Espírito Emmanuel). Emmanuel - XXIX

KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns: Cap. XIX - n° 225

XAVIER, Francisco Candido (Espírito André Luiz). Nos Domínios da Mediunidade: Cap. 5 e 26

PERALVA, Martins. Estudando a Mediunidade: Cap. XXXIX

XAVIER, Francisco Candido (Espírito Emmanuel). Emmanuel – Cap. XXIX

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