CARACTERÍSTICAS BÁSICAS DO ESPÍRITA: PACIÊNCIA, INDULGENCIA, FÉ, HUMILDADE, DIGNIDADE E CARIDADE.

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

17ª AULA - CURSO PREPARATÓRIO DE ESPIRITISMO - FEESP

PARTE B: CONCEITO SOBRE MILAGRE

O milagre, entendido como “um ato do poder divino contrário às leis conhecidas da natureza”, implica na ideia de um fato sobrenatural, maravilhoso, impossível de ser explicado pela Ciência dos homens.

A ignorância, a superstição, os dogmas inibem a muitos de se dedicarem ao estudo dos ensinamentos dos Espíritos, com receio de pecarem, de irem para o inferno ou de serem envolvidos pelos demônios.

Diga-se, de início, deixando bem claro, que o Espiritismo não faz milagres, pois muitas pessoas desiludidas com as crenças dogmáticas, com as Ciências do homem ou com as dificuldades da vida material, se voltam para o mundo espiritual, buscando através de fenômenos medianímicos, a salvação ou eliminação de seus problemas econômicos, de saúde, sentimentais, etc.. E, muitas vezes, deixam-se envolver por charlatões e embusteiros ou se prendem a um fanatismo exacerbado. O ensinamento do Cristo, todavia, em relação às curas, é uniforme e se resume nestas afirmações:

a) a tua fé te curou

b) vai e não peques mais

Estas afirmações deixam claro que a imposição de mãos por Jesus, a dos médiuns, ou a intervenção dos Espíritos são lenitivos oferecidos ao aflito por razões muito diversas, cabendo a cada um examinar e compreender; segundo o discernimento que alcançou.

Não se deve esperar, pois, por milagres dos médiuns e do Espiritismo.

O conhecimento da Doutrina não se dá de um momento para outro, participando de algumas reuniões ou de algumas palestras, mas através da meditação, da reflexão e da vivência dos seus ensinamentos no aprendizado espírita-cristão. Somente assim o homem pode tornar-se médico de si mesmo, produzindo em si a Reforma Intima, buscando em si o homem novo, através do bom combate. Assim, conhecendo a verdade, ele se libertará da multidão de suas faltas. No decorrer do estudo, descobre-se:

A - “Que durante sua encarnação, o Espírito age sobre a matéria por intermédio de seu corpo fluídico ou Perispírito; o mesmo sucede fora da encarnação. Como Espírito, e na medida de suas capacidades, ele faz o que fazia como homem; somente, como não tem mais o seu corpo carnal como instrumento, serve-se, quando tal é necessário, dos órgãos materiais de um encarnado, que é chamado médium”.

B - “A intervenção de inteligências ocultas nos fenômenos espíritas não os torna mais miraculosos que todos os demais fenômenos devidos a agentes invisíveis, pois esses seres ocultos que povoam os espaços são uma das potências da natureza, potência essa, cuja ação é incessante sobre o mundo material, como sobre o mundo moral”.

C – “Que o Espiritismo, esclarecendo-nos acerca desse poder, nos dá a chave de uma multidão de coisas inexplicadas, e inexplicáveis por quaisquer outros meios, e que, em tempos recuados, puderam passar por prodígios; de modo semelhante ao magnetismo, ele revela uma lei, senão desconhecida, pelo menos mal compreendida; ou, dizendo melhor, conhecem-se os efeitos, pois são produzidos em todos os tempos, mas não se conhecia a lei; e a ignorância dessa lei é que engendrou a superstição. Conhecida essa lei, o maravilhoso desaparece, e os fenômenos voltam à ordem das coisas naturais... Aquele que pretendesse, com o auxílio dessa Ciência, fazer milagres, ou seria um ignorante do assunto ou um charlatão”.

D – “Que os Espíritos agem sobre os fluidos espirituais com o auxílio do pensamento e da vontade. (Gênese, cap. XIV, item 14) Os pensamentos imprimem a esses fluidos esta ou aquela direção; eles os aglomeram, os combinam ou os dispersam; formam, com esses materiais, conjunto que tenham aparência, forma ou cor determinadas; mudam suas propriedades como o químico altera as propriedades dos gases ou de outros corpos, combinando-os segundo determinadas leis. É a grande oficina ou laboratório da vida espiritual.

E – “Que o Espiritismo não faz milagres, mas o homem pode fazê-lo em si mesmo, vivenciando o aprendizado espírita-cristão, não em um dia ou um ano, mas minuto a minuto, durante séculos, corrigindo tendências, superando as influências da natureza animal e acrisolando a supremacia do Espírito sobre a matéria. Por isso, a cada um, segundo suas obras, conforme sua fé, seu discernimento e sua conduta devotada e abnegada à causa do bem”.

F – “Que existem leis naturais ou divinas reguladoras da ordem universal, às quais tudo é submetido, inclusive o Princípio Inteligente; mas a este, enquanto homem, por seu livre-arbítrio, sob pena de assumir, por sua responsabilidade, a expiação e o resgate posteriores”.

Foi isto o que disseram os Espíritos em O Livro dos Espíritos, na questão 123: “A sabedoria de Deus se encontra na liberdade de escolha que concede a cada um, porque assim cada um tem o mérito de suas obras”, confirmando Jesus “A cada um segundo suas obras”.

BIBLIOGRAFIA:

Kardec, Allan - O Evangelho Segundo o Espiritismo

Kardec, Allan - O Livro dos Espíritos

Kardec, Allan - A Gênese

QUESTIONÁRIO:

1 - Por que o Espiritismo não faz milagres?

2 - Deus não faz milagres. Explique o porquê.

3 - Qual o ensinamento de Jesus relacionado às curas que aconteciam?

terça-feira, 29 de outubro de 2013

17ª AULA - CURSO PREPARATÓRIO DE ESPIRITISMO - FEESP

PARTE A: OS FLUIDOS

“Na natureza parece que se encontra uma substância sutilíssima, tenuíssima e volicísssima que, depreendendo-se pelo universo, penetra por toda a parte sem oposição, aquece, vivifica e torna fecunda todas as criaturas vivas”.

Esse é um trecho da carta que Galileu Galilei (1564/1642) escreveu ao monsenhor Piero Dini em 23 de março de 1615, referindo-se ao fluido universal.

Galileu, nome que lembra Jesus, o sublime Galileu. O Galileu Galilei de que falamos, nasceu em Pisa e foi um gênio que estudou leis físicas, construiu o termômetro e o telescópio; astrônomo adotou a tese de Copérnico, do Heliocentrismo, o que lhe valeu um processo inquisitório em Roma, e, para não ser condenado, renega sua proposição. Após três séculos de equívocos, em 31 de outubro de 1992, o Vaticano pretendendo reabilitar Galileu, reabilita-se.

Século depois, em 1862 e 1863, o Espírito Galileu Galilei comunica-se pela psicografia de Camile Flammarion e temos o capítulo VI, de A Gênese, que trata da “Uranografia” (descrição do céu), dando-nos a magnífica concepção da Gênese dos Mundos, com a visão do Espírito, já liberto do corpo carnal.

Fluido Universal

Sabemos hoje, existir um fluido etéreo que enche o espaço e penetra os corpos – fluido gerador de mundos e de seres, que é a matéria cósmica primitiva. O FLUIDO UNIVERSAL é uma criação da divindade e o princípio elementar de todas as coisas.

O fluido cósmico (ou fluido universal), sendo matéria elementar básica, primitiva, suas transformações e modificações constituem a inumerável variedade de corpos da natureza.

Essas transformações e modificações do princípio elementar do universo assumem estados que variam desde o estado fluídico ou etéreo (no plano espiritual), até a condensação ou materialização (no plano físico).

Princípio Vital

Vimos, que “esse fluido penetra os corpos, como um oceano imenso”. É nele que reside o princípio vital que dá origem à vida dos seres e a perpetua em cada globo, conforme a condição deste princípio que, em estado latente, se conserva adormecido, onde a voz de um ser não o chama. (GE., Cap. VI, ítem 18).

Assim, é exato dizer-se que, “Deus há criado sempre, cria  incessantemente e nunca deixará de criar”.

Ação dos Espíritos sobre os fluidos

Os Espíritos, por meio do pensamento e da vontade, agem sobre os fluidos determinando esta ou aquela direção, combinação ou dispersão. Atuando sobre os fluidos, dão-lhe formas, cores, mudam suas propriedades químicas, etc... Produzem, assim, aparências, roupas, objetos que desejam.

Com a desencarnação, o Espírito que continuar com o seu pensamento concentrado na vida material que tivera, sente-se ainda “vivo”, criando para si um ambiente fluídico denso, fazendo-o sofrer; daí a necessidade da renovação constante pelo estudo e prática do Bem.

Qualidade dos Fluidos – Efeitos

Agindo os Espíritos sobre os “fluidos espirituais” (matéria quintessenciada), suas consequências sobre os encarnados são diversas, podendo estar impregnadas de qualidades boas ou más, que podem ser modificadas em função da pureza ou impureza de seus sentimentos. Os maus pensamentos corrompem os fluidos espirituais, como os miasmas deletérios corrompem o ar respirável.

Se estivermos em uma reunião onde as pessoas procuram emitir bons sentimentos, os seus pensamentos purificados formam uma corrente fluídica benéfica. Se os pensamentos forem fúteis ou vulgares do ponto de vista moral, as emanações fluídicas serão de baixo teor.

Do ponto de vista físico, esses fluídos podem ser, entre outros: excitantes ou calmantes, irritantes ou dulcificantes, repulsivos ou reparadores, trazendo, do ponto de vista moral, expressões de ódio, ciúme, orgulho, egoísmo; ou ainda, de bondade, caridade, benevolência, amor.

Perispírito – Ação dos Fluidos

O Perispírito é um dos produtos mais importantes do Fluido Universal.

O Espírito extrai o seu envoltório semi-material do fluido ambiente do planeta em que vai habitar. Daí resulta que esses elementos devem variar segundo os mundos e o adiantamento moral do Espírito reencarnante. (GE. Cap. XIV, itens 7 e 8).

Foi chamado corpo fluídico ou corpo espiritual por Paulo de Tarso, de mediador plástico por Emmanuel, e recebeu muitos outros nomes; Kardec o chamou de Perispírito.

Serve de ligação entre a Alma e o corpo; é o intermediário, que transmite ao Espírito as sensações recolhidas pelo corpo físico; e é por ele que o Espírito manifesta a sua vontade ao exterior.

Atuando sobre os órgãos da matéria, o Perispírito é o órgão sensitivo do Espírito. (GE. Cap. XIV, item 22).

O Espírito nunca se desliga do seu Perispírito, mas a natureza deste se eteriza, na razão de sua elevação moral.

BIBLIOGRAFIA:

Kardec, Allan - A Gênese

QUESTIONÁRIO:

1 - Que é fluído universal?

2 - Que é princípio vital?

3 - Como agem os Espíritos sobre os fluídos?

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

16ª AULA - CURSO PREPARATÓRIO DE ESPIRITISMO - FEESP

PARTE B: OS FALSOS CRISTOS E OS FALSOS PROFETAS

Entre as advertências do Cristo para a nossa necessidade de oração e vigilância, está a questão dos falsos Cristos e dos falsos profetas.

Estes são os que “exploram, em proveito de sua ambição, de seus interesses e de seu desejo de dominação, certos conhecimentos que possuíam, para conseguirem o prestígio de um poder supostamente sobre-humano ou de uma pretensa missão divina”. (E.S.E,. Cap. XXI, item 5).

Portanto, é necessário manter-se atento, vigilante, nos dias de hoje, para não nos deixarmos levar pelo erro, pela mentira, pela hipocrisia.

Há muitas criaturas que se utilizam de pretensos “prodígios” para captar a confiança e a simpatia dos que deles se aproximam e auferir vantagens pessoais. Indivíduos que têm mel nos lábios e fel no coração, propagam deliberadamente ideias fantásticas, miraculosas, como se fossem verdadeiros milagres, fato que se repete há muito tempo.

“São esses os falsos cristos e os falsos profetas. A difusão dos conhecimentos vem desacredita-los, de maneira que o seu número diminui, à medida que os homens se esclarecem. O fato de operarem aquilo que, aos olhos de algumas pessoas, parece prodígio não é, portanto, nenhum sinal de missão divina. Esses prodígios podem resultar de conhecimentos que qualquer um pode adquirir, ou de faculdades orgânicas especiais, que tanto o mais indigno como o mais digno podem possuir. O verdadeiro profeta se reconhece por características mais sérias, exclusivamente de ordem moral”. (E.S.E., Cap. XXI, item 5).

Embora as palavras “cristos e profetas” sejam tradicionalmente do âmbito religioso, não se pode negar que nas mais diversas atividades humanas, como a Ciência, o comércio, a literatura, podemos encontrar criaturas caracterizadas dessa mesma forma: indivíduos revestidos dos mais nobres títulos do saber humano, que inescrupulosamente semeiam o desespero, a descrença, a desilusão.

As palavras de Jesus aplicam-se a todos aqueles que, podendo conduzir seus semelhantes para a glória do bem e da felicidade, preferem os falsos caminhos, jamais percorridos pelos verdadeiros cristãos. Não podemos nos enganar, pois “cada criatura traz na fronte, mas, sobretudo nos atos, a marca de sua grandeza ou de sua decadência”.

Deve-se, portanto, analisar as obras de cada um, para identificar as virtudes que as embasam: é importante que ali haja “a caridade, o amor, a indulgência, a bondade que concilia todos os corações; e, se confirmando as palavras, lhes juntam os atos, então podereis dizer: Estes são realmente os enviados de Deus”. (E.S.E., cap. XXI, item 8).

O Espiritismo, revelando uma outra categoria de falsos cristos e de falsos profetas - que são justamente os Espíritos enganadores, hipócritas, orgulhosos ou pseudo-sábios, que passaram da Terra para a erraticidade e se disfarçam com nomes veneráveis-, confirma a advertência do apóstolo João, em sua primeira epístola: “Caríssimos, não acrediteis em todos os Espíritos, mas provai se os Espíritos são de Deus, porque são muitos os falsos profetas que se levantarão no mundo”.(4.1).

Se a morte não santifica ninguém, como aprendemos na Doutrina, é certo que no Plano Espiritual vamos encontrar Espíritos nas mais diversas condições evolutivas morais e intelectuais (bons e maus, amigos e inimigos do bem, sábios e ignorantes, sinceros e hipócritas). É preciso adotar um critério seguro para avaliar a comunicação e saber se provém de um bom ou de um mau Espírito.

Como dizia Jesus, pelo fruto se conhece a árvore; toda árvore boa dá bons frutos e toda má árvore dá maus frutos. É pela obra, então, que se conhece seu autor; mas o Cristo ia além, enfatizando: “Conhecereis a verdade e a verdade vos tornará livres” (Jô, 8:32).

Daí a sempre atual exortação do Espírito da Verdade: “amai-vos e instruí-vos”, pois através do estudo sério e metódico, estaremos melhores preparados para evitarmos o engano e a fraude. A Doutrina Espírita é uma doutrina de conhecimento e através dela, se bem estudada e bem vivenciada, nos imunizamos contra inúmeros males, inclusive os perpetrados pelos falsos cristos e falsos profetas.

BIBLIOGRAFIA:

Kardec, Allan - O Evangelho Segundo o Espiritismo

QUESTIONÁRIO:

1 - Quem são os falsos cristos e falsos profetas?

2 - Em que campo das atividades humanas se pode encontrá-los naturalmente?

3 - Por que não se pode crer em todos os Espíritos?

terça-feira, 22 de outubro de 2013

16ª AULA - CURSO PREPARATÓRIO DE ESPIRITISMO - FEESP

PARTE A: OS SONHOS

O sonho define-se como a lembrança do que o Espírito viu durante o sono (L.E., 402), Kardec, analisando essa mesma resposta dos Espíritos, complementa dizendo que os sonhos são o produto da emancipação da alma, que se torna mais independente pela suspensão da vida ativa e de relação.

O Espírito, jamais ficando inativo, experimenta durante o sono o afrouxamento dos laços que o unem ao corpo, permitindo-lhe o contato direto com outros Espíritos. Por essa razão é que o sono influi, muito mais do que pensamos, em nossa vida. O período de sono, portanto, é de vital importância para os Espíritos, representando a porta que Deus lhes abriu para o contato com os seus amigos do céu. Além disso, é o recreio após o trabalho, após as tribulações da vida diária.

Para a Humanidade de um modo geral, os sonhos sempre tiveram grande importância.

Na Bíblia, temos os episódios de José e o Rei do Egito; o de Daniel e Nabucodonosor; e o de Jacó, entre outros.

Na História Geral, temos a revelação de Dante Alighieri acerca de sua obra, a Comédia, e os três sonhos de René Descartes, em que o Espírito da Verdade o aponta como autor de uma Ciência Admirável.

Na História do Espiritismo. Andrew Jackson, num sonho, tem uma ampla visão do mundo invisível.

Na Psicanálise, Freud utilizou os sonhos como elementos de análise do psiquismo humano.

Na História da Religião, são conhecidos os episódios envolvendo Santo Afonso de Liguori, Santo Antonio de Pádua, Santo Ambrósio e São Francisco Xavier, com seus famosos desdobramentos.

Na Doutrina Espírita, são dignos de lembrança os casos de desdobramento de Eurípedes Barsanulfo, quando professor em sua cidade natal (Sacramento, no estado de Minas Gerais).

Em sonhos, também, podem acontecer casos de premonição, como o da mulher de César, que toma conhecimento da conjuração de Brutus, ou como o de Abraham Lincoln, presidente dos Estados Unidos da América, que vislumbrou sua própria morte e funeral.

Podemos dizer então, que há dois tipos de sonhos: os sonhos reais, em que nós fazemos contatos com seres ou coisas do mundo espiritual, indo a lugares que nos são permitidos devido à nossa condição evolutiva. Já os sonhos do subconsciente não são mais do que reproduções de pensamentos, imagens e impressões que afetaram nossa mente no estado de vigília.

É comum, em sonhos, ter-se pressentimentos que jamais se cumprem. Da mesma forma, podemos receber sugestões ou encontrar respostas para a nossa problemática mais aguda.

Ocorrem visitas a seres conhecidos ou a lugares distantes, que algumas vezes nem conseguimos identificar. E isso ocorre quase todas as noites, pois, quando dormimos, prevalece a vida da alma. As visitas entre vivos podem ser provocadas, desde que o homem deseje e lhe sejam permitido.

Todavia, na Doutrina Espírita não há a prática de interpretação dos sonhos, porque, a rigor, não se conhece o mundo íntimo e os problemas encarnatórios das criaturas. Ademais, no Espiritismo aprendemos a nos libertar da simbologia, geralmente usada de maneira indevida para desvendar os conteúdos éticos e morais do psiquismo.

Não nos lembramos sempre dos sonhos, em grande parte, devido à influência da matéria pesada e grosseira, que limita as possibilidades de manifestação da alma. Contudo, deve-se considerar também a falta de desenvolvimento do Espírito e seu mediano grau de evolução, que o impedem de lembrar-se das coisas corriqueiras do dia-a-dia, como de seus próprios sonhos.

Ao despertar, por vezes, conservamos uma lembrança fugaz dos nossos sonhos e logo depois já não nos lembramos mais deles. Mas, outras vezes, os sonhos permanecem vivos em nossa memória, sugerindo-nos pensamentos novos e novos caminhos a percorrer.

BIBLIOGRAFIA:

Kardec, Allan - O Livro dos Espíritos

QUESTIONÁRIO:

1 - O que são os sonhos?

2 - O que representa o sono para o ser humano?

3 - Por que não nos lembramos sempre de nossos sonhos?

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

15ª AULA - CURSO PREPARATÓRIO DE ESPIRITISMO - FEESP

PARTE B: ESQUECIMENTO DO PASSADO

O início de uma encarnação para o homem é sempre cercado de expectativas e dúvidas. É uma nova experiência que se inicia e a ela o ser apresenta-se como um “livro em branco”, em que deverá escrever a história de sua existência.

Espírito milenar, tendo vivido muitas outras encarnações, o homem é uma obra em andamento, um livro que já se encontra preenchido em boa parte de suas páginas. Por que não conseguimos lê-lo? Porque faz parte do processo encarnatório o esquecimento do passado.

Em razão dele, somos mais autênticos.

De fato, se hoje somos imperfeitos, no passado o fomos ainda mais; se hoje cometemos tantos erros, se ainda nos envolvemos com as ilusões do mundo, se revelamos constantemente traços de animalidade (violência, ódio, indiferença), podemos imaginar como teremos sido no passado mais distante.

Se ele estivesse vivo em nossa consciência, tornar-se-ia, certamente, um empecilho para as novas experiências. Se nos lembrássemos dos erros cometidos (ou daqueles que cometeram contra nós), viveríamos torturados pela culpa, pelo remorso, pelo desejo de vingança etc...

Se tivéssemos tido existências venturosas e confortáveis, no poder, no luxo e na riqueza, o orgulho, o egoísmo e a vaidade seriam um entrave para o nosso livre-arbítrio.

De qualquer forma, as perturbações às nossas relações sociais seriam inevitáveis, visto nos lembrarmos do que fizéramos ou sofrêramos de nosso próximo, mormente naquele que convive conosco.

Por este motivo, a misericórdia divina concedeu-nos o que é necessário e suficiente para o sucesso da nova existência a cumprir, isto é, a voz da consciência e as tendências instintivas, que nos permitem identificar aquilo que precisamos fazer para nos corrigir e progredir no presente, superando as montanhas dos nossos erros e imperfeições e prosseguindo no processo evolutivo com maior liberdade e a certeza de que se Deus lançou um véu sobre o nosso passado, isto ser-nos-á o mais adequado.

Em O Evangelho Segundo o Espiritismo, Kardec assim interpretou o esquecimento do passado: “O Espírito renasce frequentemente no mesmo meio em que viveu, e se encontra em relação com as mesmas pessoas, a fim de reparar o mal que lhes tenha feito”.

Se nelas reconhecesse as mesmas que havia odiado, talvez o ódio reaparecesse. De qualquer modo, ficaria humilhado perante aquelas pessoas que tivesse ofendido.

“Deus nos deu, para nos melhorarmos, justamente o que necessitamos e nos é suficiente: a voz da consciência e as tendências instintivas; e nos tira o que poderia prejudicar-nos”.

“O homem traz, ao nascer, aquilo que adquiriu”. Ele nasce exatamente como se fez. Cada existência é para ele um novo ponto de partida. Pouco lhe importa saber o que foi: se está sendo punido, é porque fez o mal, e suas más tendências atuais indicam o que lhe resta corrigir em si mesmo. É sobre isso que ele deve concentrar toda a sua atenção, pois daquilo que foi completamente corrigido já não restam sinais. “As boas resoluções que tomou são a voz da consciência, que o adverte do bem e do mal e lhe dá a força de resistir às más tentações”. (Cap. V, item 11).

Ora, a lembrança do passado jamais se perde. Muitas vezes, sinais do passado transparecem sutilmente em nossos gestos, em nossos atos, em nossas palavras.

Em nossos relacionamentos, as lembranças ficam apagadas, veladas; todavia, elas continuam vivas nos registros profundos da consciência.

As questões que ficaram em aberto, os problemas não resolvidos no passado, mantêm-se presentes na consciência, embora latentes, aguardando novas resoluções. O que já foi superado funde-se à personalidade, permitindo um caminhar mais liberto e sereno.

O esquecimento do passado jamais será um obstáculo à melhoria do Espírito; antes, é um benefício inestimável concedido á criatura humana.

E, após a morte, o Espírito recobra a lembrança do passado, para que possa tomar boas resoluções em relação às suas próximas reencarnações.

BIBLIOGRAFIA:

Kardec, Allan - O Evangelho Segundo o Espiritismo

Kardec, Allan - O Livro dos Espíritos

QUESTIONÁRIO:

1 - O que é necessário ao Espírito para iniciar uma nova existência, em relação às lembranças do passado?

2 - O que o homem traz, ao nascer, para a nova existência?

3 - As lembranças do passado ficam perdidas para o homem? Como elas se manifestam?

terça-feira, 15 de outubro de 2013

15ª AULA - CURSO PREPARATÓRIO DE ESPIRITISMO - FEESP

PARTE A: LIVRE-ARBÍTRIO e FATALIDADE

Ao tratar da criação dos Espíritos, Galileu Galilei (Espírito), assim se expressa: “O Espírito não chega a receber a iluminação divina, que lhe dá, ao mesmo tempo, o livre-arbítrio e a consciência, a noção de seus altos destinos, sem haver passado pela série divinamente fatal dos seres inferiores, entre os quais se elabora lentamente a obra de sua individualidade; é somente a partir do dia em que o Senhor imprime sobre sua fronte seu augusto sinal, que o Espírito toma lugar entre as humanidades” (A Gênese, Cap. VI, item 19).

O homem goza do livre-arbítrio a partir do momento em que manifesta a vontade de agir livremente; porém, “nas primeiras fases da vida a liberdade é quase nula; ela se desenvolve e muda de objeto com as faculdades”. (L.E. 844).

A liberdade de agir, portanto, é relativa, pois depende, primeiramente, da vontade de realizar algo.

No princípio de seu desenvolvimento, o Espírito ainda não sabe direcionar sua vontade, senão para a satisfação de suas necessidades básicas. Neste caso, prevalece o instinto.

Uma vez ampliada a sua consciência, novos interesses surgem. À medida que sua vida vai se tornando complexa, o livre-arbítrio é limitado pela atuação da lei de causa e efeito, até que o ser consiga libertar-se do círculo das reencarnações e aí seu exercício torna-se pleno.

De maneira geral, contudo, somos livres para agir e somos responsáveis pelos esforços que fazemos para superar os obstáculos, para realizar nosso programa de vida e para progredir.

Nenhuma oportunidade nos é negada; mas não podemos pensar em fazer as coisas de qualquer jeito, burlando as leis divinas, como burlamos as leis humanas.

Isso não quer dizer que haja um fatalismo nos acontecimentos da vida, como se tudo já estivesse escrito previamente; pois, “fatal, no verdadeiro sentido da palavra, só o instante da morte” (no conceito do Espírito da Verdade a Kardec – L.E., 853). Todavia, só morremos quando nossa hora é chegada.

Essa hora é aquela prevista em nosso programa encarnatório ou aquela que assinalamos pela nossa imprevidência (excessos que comemos, perigos desnecessários a que nos expomos, vícios que abreviam nossa existência, etc...).

Não sabemos de antemão que gênero de morte devemos sofrer, mas sim a que tipos de perigos estamos expostos pelo gênero de vida que escolhemos.

Além disso, na nossa condição evolutiva, estamos sujeitos, irresistivelmente, à lei das reencarnações, pois se o Espírito permanecesse no mundo espiritual, “ficar-se-ia estacionário, e o que se quer é avançar para Deus” (L.E., 175a).

Portanto, o momento da encarnação, como o da reencarnação, é fatal: “a fatalidade só consiste nestas duas horas: aquelas em que deveis aparecer e desaparecer neste mundo” (L.E. 859).

Mas, há um outro tipo de fatalidade, referente à escolha que o Espírito faz de suas provas, no momento da encarnação. Ciente de suas necessidades, “traça para si mesmo uma espécie de destino, que é a própria consequência da posição em que se encontra” (L.E. 851).

É o caso das provas físicas, que vão delimitar as manifestações do próprio Espírito.

Quanto às provas morais e ás tentações, poderá ceder ou resistir a elas, pois conserva o livre-arbítrio para o bem e o mal. Neste caso, conscientiza-se da necessidade do autoconhecimento e da reforma íntima e faz tudo por melhorar-se, superando suas imperfeições.

BIBLIOGRAFIA:

Kardec, Allan - O Livro dos Espíritos

Kardec, Allan - A Gênese.

QUESTIONÁRIO:

1 - O homem goza de livre-arbítrio pleno?

2 - O que a liberdade de agir impõe ao Espírito?

3 - Em que consiste a fatalidade para o Espírito?

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

14ª AULA - CURSO PREPARATÓRIO DE ESPIRITISMO - FEESP

Parte B: AS BEM-AVENTURANÇAS

Jesus, quando aqui esteve, trouxe-nos inúmeras lições. Lições de bondade, humildade, pacifismo, abnegação, renúncia e amor.

Para que tivéssemos gravados até hoje em nossa memória, Lucas e Mateus em seus Evangelhos relatam-nos que Jesus, na cidade de Cafarnaum, no alto de um monte, deu-nos talvez, a mais bela explanação sobre a forma de nos elevarmos até Deus nosso Pai.

É uma lição de Amor, que nos traz sob a forma de um sermão.

Conhecido como Sermão do Monte, dá-nos as bem-aventuranças necessárias para que possamos crescer para Deus. Para melhor entendermos o seu significado, vamos encontrar no capítulo 5 do Evangelho segundo Mateus. “Vendo Jesus aquela multidão, subiu a um monte e tendo-se sentado, aproximaram-se dele os seus discípulos”. E ele abrindo a sua boca os ensinara dizendo:

Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o Reino dos Céus.

Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a Terra.

Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados.

Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados.

Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia.

Bem-aventurados os limpos de coração, porque verão a Deus.

Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus.

Bem-aventurados os que sofrem perseguição por amor da justiça, porque deles é o Reino dos Céus.

Bem-aventurados sois, quando vos injuriarem e vos perseguirem, e mentindo disserem todo o mal contra vós, por causa de mim.

“Alegrai-vos e exultai, porque é grande a vossa recompensa nos céus, pois assim perseguiram os profetas que existiram antes de vós”.

Bem-aventurados os aflitos, por quê?

Quais as causas das nossas aflições?

São atuais essas aflições ou são anteriores a essa nossa passagem pelo planeta Terra como espíritos encarnados?

Será que, no passado longínquo ou num passado tão remoto assim, não afligimos a outros, em nossas intemperanças?

Será que Deus é que nos aflige?

Ora, hoje todos nós sabemos que tivemos muitas existências aqui ou em outros orbes. Que causamos males, até mesmo a nós. Daí o motivo por que, muitas vezes, sentimo-nos solitários.

Nossos amigos espirituais, nunca nos abandonam, entretanto, nós devemos passar por certas situações e compreendendo o porquê delas, saberemos então, comportar-nos com mais humildade.

Humildade necessária, para que possamos alcançar o Reino de Deus.

Bem-aventurados os humildes. Bem-aventurados os mansos.

E o que é mansuetude? Será que todos nós temos já em nossos corações implantado esse desejo de nos modificarmos assim, ao passarmos por situações, por circunstâncias concretas, quando achamos que fomos agredidos?

Mansuetude é conquista. Nosso espírito, aos poucos, vai conquistando algumas virtudes. Não só o ser manso, mas também ser caridoso. Ser amoroso, ser benevolente, ser pacífico...

Bem-aventurados os pacíficos. Por quê? Porque é um dos atributos que devemos buscar.

Em um planeta tão conturbado com guerras, violências e vícios, devemos olhar os outros com olhos de paz. Paz que é uma conquista íntima do Espírito. Paz que devemos buscar, orando e vigiando nossos pensamentos. Paz que buscamos quando desejamos servir a Jesus, nosso divino Mestre e Salvador.

Paz que temos quando cumprimos as nossas tarefas do dia-a-dia, quando cumprimos nossas tarefas de educadores dos nossos semelhantes, pelo exemplo que possamos e devemos dar em todas as circunstâncias que nos envolvem. Paz de espírito é uma conquista que devemos buscar. Aos poucos e sempre.

Ao nos perguntarmos: “E quando nos ofendem no mais íntimo do nosso ser?”  Devemos orar por aqueles que nos caluniam. Devemos orar por aqueles que, com esses atos e gestos, só ofendem a si mesmos. Devemos orar a Deus, nosso Pai, a oração que Jesus nos deixou, compreendendo cada frase, cada palavra.

Deus concede-nos a cada dia, a cada hora, a oportunidade de nos modificarmos para o bem, Concede-nos a oportunidade de compreendermos as belíssimas lições que Jesus nos deixou.

E bem-aventurados aqueles que desejam se modificar. Bem-aventurados os que desejam evoluir para Deus. Bem-aventurados os mansos, os pacíficos, os pacificadores. E muito mais, ainda, aqueles que são injuriados por servirem a Jesus.

Esses têm reservado seu lugar ao lado do Mestre. São os seus discípulos. Discípulos são alunos bem-amados, que desejam seguir, ouvir e praticar as lições do Mestre. E quando seguirem sem queixas, quando sofrerem resignadamente terão o galardão do puro, do justo, do bom, do humilde, do discípulo de Jesus.

Nós todos, hoje, sabemos que os bem-aventurados puros de coração são aqueles que seguem a vontade de Deus.

Deus deseja que subamos para Ele, com o coração sem mácula, sem nódoa, sem manchas.

Manchas, marcas, nódoas que adquirimos no passado, em que éramos ignorantes do conhecimento do Evangelho de Jesus. Marcas ficam e manchas apagamos. Apagamos manchas e marcas quando desejamos nos modificar para o bem. Apagamos manchas e nódoas quando amamos a nós mesmos; quando passamos a compreender melhor o nosso próximo.

E se, por enquanto, só sabemos ou só podemos amar aos nossos filhos, nossos familiares, nossos amigos mais próximos, já teremos alcançado um progresso.

Quem sabe se, já nessa encarnação, não ampliamos nosso círculo de amor?...

Tenhamos todos nós, como um roteiro de vida, como uma página a ser lida e relida muitas vezes, o Sermão da Montanha.

BIBLIOGRAFIA:

Almeida, João Ferreira - Evangelho segundo Mateus

QUESTIONÁRIO:

1 - Como conquistar as virtudes preconizadas por Jesus?

2 - Quem são os bem-aventurados, a que Jesus se refere?

3 - Por que o Sermão da Montanha dever ser entendido como um roteiro de vida?

terça-feira, 8 de outubro de 2013

14ª AULA - CURSO PREPARATÓRIO DE ESPIRITISMO - FEESP

PARTE A: CREMAÇÃO E TRANSPLANTES

Uma vez ocorrida à morte, que destino dar ao corpo, que já não pode entreter a vida?

Enterra-lo ou cremá-lo são as alternativas mais comuns. Agora, está em evidência a questão da doação e transplantes de órgãos, que ajudam a prolongar a vida daqueles que dependem desse gesto para sua sobrevivência. Pode-se, até mesmo, pensar na doação de todo o corpo para estudos científicos, mormente nos cursos de Medicina, como uma terceira hipótese.

Analisemos, porém, as duas primeiras alternativas, à luz da Doutrina Espírita.

Pois bem, diz-se que os gauleses abandonavam os corpos de seus soldados mortos no campo de batalha, para espanto dos outros povos que com eles combatiam, visto que só se importavam com a alma.

O costume, no Ocidente, porém, é de sepultar o corpo, no processo também chamado de inumação (do latim in-em húmus-a terra, o chão). Trata-se na verdade de um hábito muito antigo que remonta à era pré-histórica, do último período quando, há cerca de 30.000 anos, criou-se todo um ritual de sepultamento, que demonstra até mesmo que o homem daquele período, de alguma forma, já pensava na vida d’além-túmulo.

Mas, segundo estudos arqueológicos, foi no período neolítico (a idade da pedra polida), por volta de 7.000 a 5.000 anos atrás, que o homem começou a incinerar os corpos de seus mortos, em um ou outro agrupamento.

E, mais recentemente, na idade do bronze e do ferro, passou-se à disseminação mais ampla desse costume. Assim surgiu a cremação, costume presente em muitos povos do Oriente, principalmente Índia e Japão.

No Ocidente, porém, ela ainda é praticada como uma opção, por falta de espaço nos cemitérios existentes e pelo nosso apego ao corpo material.

A cremação, todavia, nada tem de prejudicial ao Espírito, visto que apenas o corpo é consumido pelo fogo, depois de observados todos os trâmites legais para o ato e o tempo de espera, que varia de 24 a 72 horas, em média. O processo de desligamento do Espírito, em relação ao corpo biológico, tem início, como revelaram os Espíritos a Kardec, algum tempo antes do suspiro final e se faz gradualmente.

Nunca é uma separação brusca, pois se assemelha à união do Espírito ao corpo, no momento da encarnação, que se opera célula a célula.

O que é preciso ter em mente para a cremação, em linhas gerais, é o apego do indivíduo á matéria, sua formação cultural e religiosa, isto é, a maneira como encara a morte.

Na verdade, o corpo sem vida orgânica não transmite nenhuma sensação física ao Espírito e qualquer reflexo que o Espírito sinta, em razão da cremação, será de ordem moral e não material. É certo que alguns Espíritos ficam mais tempo “ligados” ao corpo que deixaram, muitas vezes acompanhando até mesmo o processo de sua decomposição. Contudo, o liame é apenas mental e não físico, de sorte que qualquer sensação que lhes advenha daí, só pode ser moral ou psíquica.

Diante disso, torna-se fundamental a preparação para a morte, como faziam os antigos egípcios, desde o nascimento do ser. É necessário um esforço de auto renovação, assim como a prática desinteressada do bem.

Além disso, um certo arrebatamento psíquico e um decidido desapego antecipado dos laços materiais serão essenciais no momento da opção pela cremação, não deixando dúvidas quanto ao que se deve fazer do corpo após a morte.

No que diz respeito ao transplante, também há registros muito antigos dessa prática. Na Índia, há mais de 2.000 anos, praticavam-se transplantes autógenos, isto é, com partes do corpo do próprio indivíduo, em relação a nariz, orelhas e lábios. Em Alexandria, no Egito, lesões na face e outras partes do corpo eram corrigidas com transplantes de pele.

A atual legislação brasileira, ou seja, a Lei nº. 9.434, de 04.02.97, regulamentada pelo Decreto nº. 2.268, de 30.0.97, dispõe acerca da doação de órgãos e transplantes, permitindo a retirada de órgãos de doadores presumidos, que seriam aqueles que não declararam expressamente seu desejo de não os doar. Já se pensa, porém, em modificar tal previsão legal, para que a retirada de órgãos se faça apenas com a autorização prévia da família do morto, se este não se dispôs a fazê-lo em vida.

A questão começou a ganhar importância, nos tempos atuais, com o primeiro transplante de coração realizado pelo Dr. Cristian Barnard, na cidade do Cabo, na África do Sul, nos idos de 1967, surgindo daí a discussão dos aspectos científicos, ético e moral que envolvem a questão.

Enfrentou-se, em primeiro lugar, a questão da rejeição do organismo do receptor em relação ao órgão transplantado.

A Ciência então, desenvolveu-se novas técnicas e drogas anti-rejeição bem sucedidas na maioria dos casos.

Hoje, porém, as preocupações da sociedade localizam-se mais nos aspectos éticos da questão, principalmente no que diz respeito ao diagnóstico de morte.

Do ponto de vista científico, é a morte encefálica que define o quadro de irreversibilidade de uma enfermidade, levando em pouco tempo à falência múltipla dos órgãos do indivíduo. Nesse caso, não há qualquer esperança de retorno à vida. E a possibilidade de erro de diagnóstico é remotíssima, em face do progresso da Ciência Médica, que tem por meta aplicar todos os meios ao seu alcance para dilatar a vida.

No momento em que é diagnosticada a morte encefálica, faz-se necessária a retirada dos órgãos passíveis de aproveitamento no processo de transplante, pois, “no estágio atual da Ciência, a cessação irreversível de todas as funções vitais torna inviável o aproveitamento de órgãos para transplante, principalmente no que diz respeito a órgãos vitais”, até porque é o encéfalo quem comanda as demais funções do organismo.

A Doutrina Espírita define a causa da morte como “a exaustão dos órgãos”(L.E. 68). E a morte, propriamente dita, bem definida por Kardec, “é apenas a destruição do corpo” (L.E.. 155a).

Contudo, enquanto o corpo puder servir aos fins para os quais foi criado, é sempre louvável a doação e o transplante, até porque não acarreta nenhum dano ao perispírito do doador, que passa para o mundo espiritual íntegro. Aliás, só benefícios lhe traz o ato, mormente pela alegria e pela gratidão do receptor e de seus familiares, em relação ao prolongamento de sua vida. Trata-se de um ato de caridade: um gesto de amor ao próximo, acima de tudo.

Kardec lembra que “as descobertas da ciência glorificam Deus, em lugar de O rebaixar”; elas não destroem senão o que os homens edificam sobre ideias falsas que eles fizeram de Deus” (A Gênese, cap I, item 55). A Ciência busca continuamente a melhoria da vida do homem na Terra. E os transplantes de órgãos são um exemplo disso.

Ademais, não cai uma folha de uma árvore sem que se cumpra a vontade de Deus. Assim é que nos cabe fazer a nossa parte no auxílio ao próximo, à luz do Evangelho de nosso Divino Mestre Jesus.

BIBLIOGRAFIA:

Xavier, F. C. - Escultores da Alma

Lisso, Wlademir - Doação de Órgãos e Transplantes

QUESTIONÁRIO:

1 - Que prejuízos pode trazer a cremação para o Espírito?

2 - O que significa a morte encefálica para a Ciência?

3 - Como a Doutrina Espírita avalia a questão da doação e transplantes de órgãos?
 
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