CARACTERÍSTICAS BÁSICAS DO ESPÍRITA: PACIÊNCIA, INDULGENCIA, FÉ, HUMILDADE, DIGNIDADE E CARIDADE.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

15ª AULA - CURSO PREPARATÓRIO DE ESPIRITISMO - FEESP

PARTE B: ESQUECIMENTO DO PASSADO

O início de uma encarnação para o homem é sempre cercado de expectativas e dúvidas. É uma nova experiência que se inicia e a ela o ser apresenta-se como um “livro em branco”, em que deverá escrever a história de sua existência.

Espírito milenar, tendo vivido muitas outras encarnações, o homem é uma obra em andamento, um livro que já se encontra preenchido em boa parte de suas páginas. Por que não conseguimos lê-lo? Porque faz parte do processo encarnatório o esquecimento do passado.

Em razão dele, somos mais autênticos.

De fato, se hoje somos imperfeitos, no passado o fomos ainda mais; se hoje cometemos tantos erros, se ainda nos envolvemos com as ilusões do mundo, se revelamos constantemente traços de animalidade (violência, ódio, indiferença), podemos imaginar como teremos sido no passado mais distante.

Se ele estivesse vivo em nossa consciência, tornar-se-ia, certamente, um empecilho para as novas experiências. Se nos lembrássemos dos erros cometidos (ou daqueles que cometeram contra nós), viveríamos torturados pela culpa, pelo remorso, pelo desejo de vingança etc...

Se tivéssemos tido existências venturosas e confortáveis, no poder, no luxo e na riqueza, o orgulho, o egoísmo e a vaidade seriam um entrave para o nosso livre-arbítrio.

De qualquer forma, as perturbações às nossas relações sociais seriam inevitáveis, visto nos lembrarmos do que fizéramos ou sofrêramos de nosso próximo, mormente naquele que convive conosco.

Por este motivo, a misericórdia divina concedeu-nos o que é necessário e suficiente para o sucesso da nova existência a cumprir, isto é, a voz da consciência e as tendências instintivas, que nos permitem identificar aquilo que precisamos fazer para nos corrigir e progredir no presente, superando as montanhas dos nossos erros e imperfeições e prosseguindo no processo evolutivo com maior liberdade e a certeza de que se Deus lançou um véu sobre o nosso passado, isto ser-nos-á o mais adequado.

Em O Evangelho Segundo o Espiritismo, Kardec assim interpretou o esquecimento do passado: “O Espírito renasce frequentemente no mesmo meio em que viveu, e se encontra em relação com as mesmas pessoas, a fim de reparar o mal que lhes tenha feito”.

Se nelas reconhecesse as mesmas que havia odiado, talvez o ódio reaparecesse. De qualquer modo, ficaria humilhado perante aquelas pessoas que tivesse ofendido.

“Deus nos deu, para nos melhorarmos, justamente o que necessitamos e nos é suficiente: a voz da consciência e as tendências instintivas; e nos tira o que poderia prejudicar-nos”.

“O homem traz, ao nascer, aquilo que adquiriu”. Ele nasce exatamente como se fez. Cada existência é para ele um novo ponto de partida. Pouco lhe importa saber o que foi: se está sendo punido, é porque fez o mal, e suas más tendências atuais indicam o que lhe resta corrigir em si mesmo. É sobre isso que ele deve concentrar toda a sua atenção, pois daquilo que foi completamente corrigido já não restam sinais. “As boas resoluções que tomou são a voz da consciência, que o adverte do bem e do mal e lhe dá a força de resistir às más tentações”. (Cap. V, item 11).

Ora, a lembrança do passado jamais se perde. Muitas vezes, sinais do passado transparecem sutilmente em nossos gestos, em nossos atos, em nossas palavras.

Em nossos relacionamentos, as lembranças ficam apagadas, veladas; todavia, elas continuam vivas nos registros profundos da consciência.

As questões que ficaram em aberto, os problemas não resolvidos no passado, mantêm-se presentes na consciência, embora latentes, aguardando novas resoluções. O que já foi superado funde-se à personalidade, permitindo um caminhar mais liberto e sereno.

O esquecimento do passado jamais será um obstáculo à melhoria do Espírito; antes, é um benefício inestimável concedido á criatura humana.

E, após a morte, o Espírito recobra a lembrança do passado, para que possa tomar boas resoluções em relação às suas próximas reencarnações.

BIBLIOGRAFIA:

Kardec, Allan - O Evangelho Segundo o Espiritismo

Kardec, Allan - O Livro dos Espíritos

QUESTIONÁRIO:

1 - O que é necessário ao Espírito para iniciar uma nova existência, em relação às lembranças do passado?

2 - O que o homem traz, ao nascer, para a nova existência?

3 - As lembranças do passado ficam perdidas para o homem? Como elas se manifestam?

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