CARACTERÍSTICAS BÁSICAS DO ESPÍRITA: PACIÊNCIA, INDULGENCIA, FÉ, HUMILDADE, DIGNIDADE E CARIDADE.

quinta-feira, 14 de novembro de 2019

24a Aula Parte A - CURSO DE EDUCAÇÃO MEDIÚNICA 2º ANO FEESP


PARANORMALIDADE OU MEDIUNIDADE?

“Parapsicologia é o processo cientifico de investigação dos fenômenos inabituais, de ordem psíquica e psicofisiológica, e tem como objeto, os fenômenos psíquicos não habituais, mas apesar disso naturais, comuns a toda espécie humana. Esses fenômenos considerados parapsicológicos são de ordem vital, psíquica e física”. (J.H.Pires)

O Prof. Ernesto Bozzano, em sua obra “Animismo ou Espiritismo?”, publicada em 1944, sustenta a tese, cuja discussão fundamental e de indiscutível importância é a de que “as faculdades supranormais subconscientes não são e não podem ser fruto da evolução biológica da espécie”. Além disso, refuta a hipótese de que estas faculdades se destinem a emergir e fixar-se na espécie, no porvir. (Pag. 16 e 21)

A tese foi apresentada em 1937, a convite do Conselho Diretor do Congresso Espírita Internacional, de Glasgow, que propôs ao nobre pesquisador o tema “Animismo ou Espiritismo? Qual dos dois explica o conjunto dos fatos?”, ao que respondeu logo no prefácio de sua obra: “Nem um nem outro logra, separadamente, explicar o conjunto dos fenômenos supranormais. Ambos são indispensáveis a tal fim e não podem separar-se, pois que são efeitos de uma causa única e esta causa é o Espírito humano que, quando se manifesta, em momentos fugazes, durante a encarnação, determina os fenômenos anímicos e, quando se manifesta mediunicamente, durante a existência “desencarnada”, determina os fenômenos espiríticos.”

Em suas pesquisas, Ernesto Bozzano observou inúmeros casos ou “episódios de fenômenos anímicos” como “leitura do pensamento”, “telepatia”, “visão de corpos opacos”, “clarividência no presente, no passado e no futuro”, fenomenologia que para o nobre pesquisador foi suficiente para fazê-lo chegar às conclusões a que se propunha: a demonstração de que “o animismo prova o Espiritismo”

Baseado em sua pesquisa psíquica desenvolvida ao longo de quarenta anos, afirma que “as condições requeridas para que as faculdades sensoriais normais cheguem a despontar e evolver são diametral e irredutivelmente contrarias as que se exigem para que as faculdades supranormais subconscientes cheguem a surgir e exteriorizar-se...”

Explica o nobre cientista que a Gênese e a evolução dos órgãos dos sentidos e das faculdades psíquicas normais se executam necessária e exclusivamente no plano da vida de relação, sob a forma de uma reação continua e complexa, contra os estímulos exteriores. O que equivale a dizer que se executa no plano da consciência normal, que é aquele no qual se desenvolve, para o ser vivo, a luta pela vida. E toda a atividade organizadora da evolução biológica se exercita por meio de uma lei que é a da “seleção natural”.

Quanto as faculdades supranormais subconscientes, em vez de se exercitarem no plano da consciência normal, somente surgem sob a condição de que as funções da vida de relação se achem temporariamente abolidas ou apagadas, dependendo do grau, mais ou menos profundo, de inconsciência em que esteja o sensitivo (médium), o grau de maior ou menor perfeição com que elas se exteriorizam.

As faculdades supranormais como patrimônios do Espírito, aguardam para emergir e exercitar-se plenamente, no ambiente espiritual que sucede a vida material.

Mencionando as palavras do Dr. Gustavo Geley, cientista francês, autor da obra “Do Inconsciente ao Consciente”, o ilustre pesquisador demonstra a inconciliabilidade das faculdades supranormais da telepatia, da telestesia, da clarividência no passado, no presente e no futuro, com o desenvolvimento regular e natural da existência terrena.

Os poderes das faculdades supranormais subconscientes se circunscrevem dentro de limites definidos estabelecidos pela “lei de afinidade”, que governa o universo físico e o psíquico, que se expressa sob a “lei de relação psíquica”. Todo semelhante atrai semelhante, esta é a lei de afinidade universal a qual temos que nos harmonizar.

Assim, fazendo-se uma analogia ao mecanismo do rádio que deve ser regulado com o “comprimento de onda” que se pretenda captar, para que as subconsciências humanas recebam e registrem as vibrações psíquicas, necessário estarem reguladas pelo “comprimento de onda” correspondente a “tonalidade vibratória” que diferencia de outra qualquer a pessoa ausente que se procura.

Ernesto Bozzano tece também em seu minucioso trabalho da seguinte questão: se ainda se discute a autenticidade de algumas categorias de fenômenos físicos de mediunismo, já se não discute a existência de faculdades supranormais subconscientes, existência que todos reconhecem, graças, sobretudo, a obra de dois pesquisadores, considerados pelo mestre, geniais: o professor Charles Richet e o Doutor Eugene Osty.

Contudo, conforme ressalta o ilustre pesquisador, as comunicações mediúnicas entre vivos provam a realidade das comunicações mediúnicas com os mortos.

Diz ele: “Não esqueçamos que a denominação de fenômenos mediúnicos propriamente ditos designa um conjunto de manifestações supranormais, de ordem física e psíquica, que se produzem por meio de um sensitivo a quem é dado o nome de médium, por se revelar qual instrumento a serviço de uma vontade que não é a sua. Ora, essa vontade tanto pode ser a de um defunto, como a de um vivo. Quando a de um vivo atua desse modo, a distância, somente o pode fazer em virtude das mesmas faculdades espirituais que um defunto põe em jogo. Segue-se que as duas classes de manifestações resultam de naturezas idênticas, com a diferença, puramente formal, de que, quando elas se dão por obra de um vivo, entram na órbita dos fenômenos anímicos propriamente ditos, e quando se verificam por obra de um defunto, entram na categoria, verdadeira e própria, dos fenômenos espíritas. Evidencia-se, portanto, que as duas classes de manifestações são complementares uma da outra, a tal ponto que o Espiritismo careceria de base, dado não existisse o Animismo”.

Em seu livro “Metapsíquica Humana”, cap. IV assevera que o “Animismo e Espiritismo” representam o duplo aspecto pelo qual se apresenta a mesma fenomenologia, que provém de uma causa única, constituída pelo Espírito humano, na sua dupla fase de existência: a “encarnada” e a “desencarnada”.

Seus estudos lograram ainda demonstrar a preexistência da alma, propondo, portanto, a partir da vasta gama de experiências realizadas, sérias reflexões de ordem moral e filosófica a respeito das comunicações mediúnicas e a origem e o destino do ser. O Espiritismo, como asseverou o nobre Codificador, tem por fim demonstrar e estudar a manifestação dos Espíritos, suas faculdades, sua situação feliz ou infeliz, seu futuro; em suma o conhecimento do mundo espiritual.

“O Espiritismo é a ciência nova que vem revelar aos homens, por meio de provas irrecusáveis, a existência e a natureza do mundo espiritual e as suas relações com o mundo corpóreo”.

O Prof. Joseph Banks Rhine, da Duke University, Estados Unidos: O Novo Mundo da Mente apresenta-nos essa área na forma de um mapa bem delineado. Esse mundo, como diz o autor, só é novo para as Ciências. Porque, na realidade, é conhecido do homem há muitos milénios. Talvez desde que o homem existe. (...) Quando, pois, um pretenso parapsicólogo se propõe a “ensinar” que a parapsicologia nega a existência de Espíritos, de comunicações espirituais, de princípios religiosos e filosóficos, como o da reencarnação e da existência de Deus, os seus diplomas e certificados não tem sequer o valor de atestado de informação sobre o assunto.

Alguns parapsicólogos de renome mundial, com base em suas ilações que tiraram de suas investigações, reconheceram a supervivência da mente após a morte física. O Prof. Rhine, em seu livro “O Novo Mundo da Mente”, reconhece que nas experiências realizadas pela sua esposa na Duke University, há casos que sugerem a participação de uma entidade extracorpórea. O conjunto dessas experiências, acabou demonstrando de maneira irrefutável que possuímos a capacidade de percepção extra-sensorial. O homem pode perceber por outra via que não a dos sentidos Físicos. E o mais importante é que pode “adquirir conhecimentos verdadeiros sobre a matéria por vias não materiais.” (José Herculano Pires).

Continua Herculano Pires: “O homem não é apenas uma estrutura mental. É um ser espiritual, um organismo psíquico. A mente é a sua cabine de comando”.

A Parapsicologia e o Espiritismo

As relações entre o Espiritismo e a parapsicologia não são, portanto, amistosas, como pensam geralmente os espíritas e não espíritas. O enclave científico, orgulhoso, retém ciosamente o que conseguiu conquistar do vasto império que o rodeia, e ameaça desmantela-lo por completo, no futuro, se os Espíritos puderem ser eliminados.

Tanto a Parapsicologia, quanto o Espiritismo objetivam exclusivamente a descoberta da verdade sobre a natureza humana.

Diante desse impasse, Kardec afirma que o Espiritismo é uma Ciência que trata do elemento inteligente do Universo, ou seja, uma ciência espiritual. Não se pode confundi-lo com as ciências chamadas positivas, que tratam do elemento material do Universo. Mas é evidente que as duas formas de Ciência devem conjugar-se, para abrangerem todos os aspectos do Universo. (J.H.Pires)

Bibliografia:

KARDE, Allan. Obras Póstumas: Primeira Parte - Causa e natureza da Clarividência Sonambúlica;

BOZZANO, Ernesto. Animismo ou Espiritismo?: caps. I, II e III;

BOZZANO, Ernesto. Metapsíquica Humana: cap. IV;

PIRES, J. Herculano. Parapsicologia Hoje e Amanhã: primeira e segunda parte

KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo: Cap. I, item 5

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quinta-feira, 7 de novembro de 2019

23a Aula Parte B - CURSO DE EDUCAÇÃO MEDIÚNICA 2º ANO FEESP


A PIEDADE

“A piedade é a virtude que mais nos aproxima dos anjos. É a irmã da caridade que vos conduz para Deus”, nas sábias palavras do Espirito de Michel. (ESE, cap. XIII, item 17)

Piedade é aquele sentimento íntimo, profundo, que faz uma pessoa solidarizar-se com a dor do semelhante, restituindo-lhe a confiança, a esperança e a resignação.

Surgindo ao lado da desgraça, a piedade transmite uma penetrante suavidade, que encanta a alma: quando profundamente sentida, é amor; o amor é devotamento; e devotamento é o esquecimento que o homem sente de si mesmo para solidarizar-se com a dor do semelhante e esse devotamento, essa abnegação pelos infelizes é a virtude por excelência, aquela que Jesus praticou em toda a vida, ensinando-a com toda a sublimidade.

O progresso do Espírito passa pela constatação e pela erradicação do orgulho e do egoísmo, dispondo a alma à humildade, à beneficência e ao amor ao próximo. É a piedade o sentimento mais apropriado para colocar o Espírito nessas condições, comovendo-lhe as fibras mais intimas, diante do sofrimento dos seus irmãos, levando-o a estender-lhes a mão caridosa e arrancando-lhes lágrimas de simpatia.

E se o aperfeiçoamento, a purificação do Espírito implica na vivência de todos os problemas que lhe dizem respeito e no armazenamento de todo os conhecimentos possíveis, não se deve jamais sufocar este sentimento sublime, essa emoção celeste, que faz o Espírito experienciar, no corpo e na alma, o sofrimento por que ele precisaria passar, para elevar-se.

A alma experimenta uma angústia ao contato da desgraça alheia, sentindo um estremecimento natural e profundo, que faz vibrar todo o seu ser, afetando-a profundamente. Mas há aí uma grande compensação, posto que os benefícios não tardam para o Espírito piedoso que consegue devolver a coragem e a esperança a um irmão infeliz, que se comove ao aperto da mão amiga. Seu olhar umedecido de emoção e de reconhecimento, volta-se com doçura, para o benfeitor, antes de elevar-se ao céu, em agradecimento pelo envio do consolador, do amparo tão desejado. “Mas é grande ganho a piedade com contentamento” (Paulo, 1ª Epístola a Timóteo, cap. 6:6).

Por isso, o homem deve afastar de si a indiferença, a insensibilidade, assim como a compaixão aparente, o fingimento, a antipatia gratuita, a piedade mentirosa, repleta de ilusões e exigências, pois na realidade aí temos os sentimentos de orgulho e de egoísmo, nossos defeitos morais mais difíceis de erradicar, antepondo-lhes a simpatia espontânea e desinteressada. Ensina Cairbar Schutel que “a piedade é a simpatia espontânea e desinteressada, que se antepõe a antipatia gratuita ou desrespeitosa”, que “só a piedade consoladora traz alegria ao Espírito, criando elevação e valor”.

A piedade sincera jamais expressa covardia a destruir o Bem, nem ridículo a excitar o riso alheio, porque é força de renovadas almas e luz interior.

Emmanuel escreve: “Fala-se muito em piedade na Terra; todavia quando assinalamos referências a semelhantes virtudes, dificilmente discernimos entre compaixão e humilhação.

Ajudo, mas este homem é um viciado.

Atenderei, entretanto esta mulher é ignorante e má.

Penalizo-me; contudo este irmão é ingrato e cruel”.

Complementa Emmanuel que, de maneira geral, “só encontramos na Terra essa compaixão de voz macia e mãos espinhosas”, deitando mel e veneno, socorrendo e espancando, ao mesmo tempo. Mas, “a verdadeira piedade, no entanto é filha legitima do AMOR. Não perde tempo na identificação do mal”.

E, além do mais, devemos considerar a PIEDADE sempre como um instrumento ativo, ou seja ela nos induz a pratica do socorro material ou espiritual, junto daqueles que os despertaram para este sentimento divino, sem o que ela é infrutífera, nos ensina Emmanuel na Lição 96 - Espírito da Verdade.

O dia em que o homem praticar a piedade pura e verdadeira ensinada por Jesus, reinará na face da Terra a concórdia, a paz e o amor.

Bibliografia:

KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo Espiritismo: Cap. XIII- item 17

XAVIER, Francisco Candido (Espírito Emmanuel). O Espírito da Verdade: Lição 96

XAVIER, Francisco Candido (Espírito Emmanuel). Pão Nosso: Lição 107

Questões para reflexão:

1) Explique a interferência do Plano Espiritual no processo de cura.

2) Comente o pensamento de José Herculano Pires sobre a participação da Medicina Espírita nos tratamentos das doenças dos homens.

3) Explique o sentimento de piedade e o porquê do Espírito necessitar da erradicação do orgulho e do egoísmo.

4) Analise a expressão de Emmanuel: “só encontramos na Terra essa compaixão de voz macia e mãos espinhosas”.

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quinta-feira, 31 de outubro de 2019

23a Aula Parte A - CURSO DE EDUCAÇÃO MEDIÚNICA 2º ANO FEESP


SOCORRO ESPIRITUAL

De que maneira se processa o Socorro Espiritual?

Porque, muitos são os Espíritos infelizes que se demoram nas cercanias das regiões a que estão ligados, em processos de revolta, desespero, rebeldia, violência, vampirismo, sofrimento profundo, zombaria, formam legiões de Espíritos emaranhados no próprio orgulho e atrelados a doloroso desequilíbrio.

Outros continuam jungidos às limitações físicas impostas pelas mais variadas enfermidades, inconscientes de si mesmo, pois, ainda não despertaram que já vivem a vida espiritual, sentindo ainda as dores físicas e mentais.

Alguns são desertores dos mais sagrados compromissos assumidos na Espiritualidade. Outros ainda, Espíritos chegados ao fim de sua jornada, reclamando preparo para o retorno a Pátria Espiritual. Infinito é o número de Espíritos necessitados de assistência espiritual.

Como se caracterizam: os grupos (ou equipes) espirituais de socorro?

Como esse auxílio pode ser prestado?

Quem pode prestar tal assistência? Em que condições pode ela ser ministrada?

As equipes espirituais de socorro: tem sempre o seu dirigente, que é um Espírito mais evoluído, portador de grandes conhecimentos, com grande elevação moral, que orienta os trabalhos e dele participa ativamente.

Ressalte-se que todos os demais componentes das equipes tem, também, as suas funções, havendo, inclusive, aqueles Espíritos que participam dos trabalhos visando o seu próprio aprendizado.

Os trabalhos de socorro, em algumas oportunidades, não prescindem da colaboração dos Espíritos encarnados que, na qualidade de médiuns, doam seus fluidos para as tarefas em que estes são necessários.

A prece é valioso instrumento de colaboração magnética nas ações curativas praticadas pelas equipes espirituais.

Também, o necessitado de socorro é chamado a colaborar, espiritualmente em favor de si mesmo, colocando-se em posição favorável para receber o auxílio.

Convém ressaltar aqui o estudo das “Curas”, onde na “Mediunidade Curadora”, se verifica a comunhão do trabalho entre as duas esferas da vida para a aplicação dos respectivos fluidos: humano e espiritual, ou combinados igualmente. André Luiz, nos mostra em Missionários da Luz, cap. 7, a necessidade de participação dos encarnados junto aos desencarnados, para os trabalhos socorristas, em razão da diferença da qualidade nos fluidos.

Há inumeráveis turmas de socorro que colaboram nos círculos da crosta, voltadas para a necessidade e grau evolutivo de cada Espírito encarnado ou grupo. Essas turmas são dedicadas a caridade evangélica. Aliás, “todas as escolas religiosas dispõem de grandes valores na vida espiritual”, como nos ensina André Luiz, para atender os Espíritos que desencarnam nos mais variados degraus evolutivos e nas mais diversas condições de crença.

Os milhares de servidores espirituais que participam desses grupos socorristas estão ligados a diversas regiões espirituais mais elevadas, onde há Espíritos Benfeitores que velam pelos trabalhadores inspirando-os em suas tarefas de amparo fraternal. O auxilio é desinteressado, e os trabalhos são os mais eficientes e dignos.

E, inclusive unem-se Espíritos com ideais comuns de socorro aos irmãos sofredores encarnados ou desencarnados formando diferentes grupos de trabalho das Fraternidades do mundo extra físico. Na esfera de ação da Federação Espírita do Estado de são Paulo, por exemplo, há a Fraternidade dirigida pelo Espírito Dr. Bezerra de Menezes, com atividades médicas e investigações científicas para curas físicas; a Fraternidade dos Cruzados, dirigida por Ismael, para proteção da Federação e dos lares dos trabalhadores no campo mediúnico.

Admite-se a existência de tantas Fraternidades do mundo espiritual quantas são as diferentes atividades, incluindo vigilância, assistência, pesquisas, socorristas, estudos, etc.

André Luiz e outros amigos espirituais tem trazido aos homens informações preciosas das atividades dos trabalhadores do Bem na erraticidade, vide Livro Liberação. Os Espíritos do Bem, compreendendo melhor que os homens o ensinamento de Jesus “que ninguém se eleva senão através do amor ao próximo”, suas atividades socorristas em busca do aprendizado são certamente mais intensas que a dos homens, porquanto sabem mais que eles que a vida continua, donde sentir a necessidade de refazer o caminho percorrido, reequilibrando almas, restabelecendo direitos, ou reajustando as próprias responsabilidades.

O socorro espiritual é um trabalho constante para os Espíritos mais esclarecidos, mais do que os homens possam imaginar, seja em favor dos Espíritos desencarnados, ainda envolvidos em fluidos espessos, sofrendo a atração da matéria e sob a influência de apetites grosseiros, seja em favor daqueles que estão desencarnando e necessitam de Socorro imediato para a própria libertação perispiritual do invólucro físico, ou ainda, no socorro dos próprios desencarnados em suas fainas, sempre pedintes da misericórdia divina, que conforta os tristes, acalma os desesperados, socorre os ignorantes e abençoa os infelizes.

Dia virá em que a Medicina Espírita, que “é um processo em desenvolvimento”, como fala J. Herculano Pires (Mediunidade, cap.12), terá a participação mais direta e objetiva dos Espíritos no tratamento da doença dos homens.

Os médicos, paulatinamente, começam a olhar o homem integral, ou seja, corpo, mente e Espírito, no tratamento dos doentes. O Espiritismo contribui com a Mediunidade, e a Medicina com o saber e as experiências dos médicos, de tal modo que “os médiuns representam os médicos espirituais que, através deles dão a contribuição das observações do outro lado da vida. Os médicos representam a medicina da atualidade e procuram estabelecer as ligações necessárias para um esforço comum em benefício da Humanidade”.

“Pedi e dar-se-vos-á; buscai e achareis; batei e abrir-se-vos-á, disse Jesus (Mt 7:7 a 9), e sua promessa se cumpre através da ação dos Espíritos cooperadores com a obra do Bem, em atenção ao mérito de cada um e segundo a vontade do Senhor.

Não há aquisição sem trabalho, ou mérito sem esforço próprio, na senda de cada alma encarnada ou desencarnada.

Bibliografia:

XAVIER, Francisco Candido (Espírito André Luiz). Missionários da Luz: Cap. 7

XAVIER, Francisco Candido (Espírito André Luiz). Entre a Terra e o Céu: Cap. XXXIV

XAVIER, Francisco Candido (Espírito Emmanuel). Seara dos Médiuns: Lição 34

XAVIER, Francisco Candido (Espírito André Luiz). Nos Domínios da Mediunidade: Cap. 7

PIRES - José Herculano. Mediunidade: Cap. 12

THOMAZ - Martha Gallego. O Instituto de Confraternização Universal e as Fraternidades do Espaço

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quinta-feira, 24 de outubro de 2019

22a Aula Parte B - CURSO DE EDUCAÇÃO MEDIÚNICA 2º ANO FEESP


O DEVER - A VIRTUDE

Define-nos Lázaro, no capítulo XVII, item 7, de O Evangelho Segundo o Espiritismo, que “dever é a obrigação moral, primeiro para consigo mesmo e depois para com os outros”, esclarecendo que se refere somente ao dever moral.

Toda criatura de DEUS, em qualquer reino da Criação, está sujeito à lei do progresso, lei natural que a todos liga e congrega para a consecução final deste desígnio divino: a perfectibilidade.

E o ser humano deve perlustrar o caminho do progresso, no uso do seu livre arbítrio, monitorado pela consciência, na qual DEUS inscreveu suas Leis, imperando soberana a Lei de Amor.

Assim, para realizar a Lei de Amor devemos cumprir nossos deveres, na concretização do progresso moral e intelectual, como perfeitamente acentuou o Espírito Verdade, no Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo VI, item 5, recomendando: “Espíritas, amai-vos, eis o primeiro ensinamento; instruí-vos, eis o segundo”, e continua: “todas as verdades se encontram no Cristianismo”.

Logo, todos os nossos deveres se consubstanciam na aquisição da instrução intelectual e no exercício do Amor; este, por sua vez, luarizando a intelectualidade e transformando-a em sabedoria, eis que o conhecimento intelectual, somente quando empregado conforme os ditames da ética e da moral, ou seja, seguindo os ensinamentos e exemplos de JESUS, completa o que denominamos reforma íntima, tomando-nos um homem novo, como preconizado por Paulo de Tarso: “E assim, se alguém está em CRISTO é nova criatura: as coisas antigas já passaram, eis que se fizeram novas” ( II Coríntios, 5:17).

Entretanto, há de se perguntar: o dever, onde ele começa, onde acaba?

E Lázaro esclarece judiciosa e cristalinamente: “O dever começa precisamente no ponto em que ameaçais a felicidade ou a tranquilidade do próximo e termina no limite que não desejaríeis ver transposto em relação a vós mesmos”, todos temos deveres e direitos e, cumprindo nossos deveres com fidelidade em relação ao próximo, nascem nossos direitos.

Assim, se queremos evitar, para o futuro, a dor, os sofrimentos e os resgates aos quais estamos jungidos, cumpramos hoje as obrigações que nos são próprias, com obediência e resignação nesta época de transição que atravessamos, continuando aptos a habitar a Terra, que tanto amamos e a qual tanto devemos, quando guindada em planeta de regeneração.

“Encerra a virtude, em seu grau mais elevado, o conjunto de qualidades essenciais que caracterizam o homem de bem. Virtuosa é a criatura boa, caritativa, laboriosa, sóbria, modesta. No entanto, alguns atos reveladores de fraquezas morais, muitas vezes, empanam o brilho dessas qualidades intrínsecas. A pessoa que faz alarde de suas qualidades não é virtuosa, pois lhe falta a principal qualidade: a modéstia, e lhe sobeja o vício mais oposto: orgulho.”

A pessoa, portadora de virtudes verdadeiramente dignas desse nome, evita a ostentação e faz com que ela se oculte, fugindo, assim, as homenagens de seus semelhantes. Jesus Cristo é o modelo excelso da virtude; no entanto, podem-se também mencionar alguns expoentes de virtudes santificantes, tais como: Francisco de Assis, Vicente de Paulo, Anália Franco, Bezerra de Menezes e muitos outros, que passaram pela Terra como um rasgo de luz, disseminando o Bem em sua expressão mais elevada.

Aquele que se exalta, que levanta monumento às próprias virtudes, com essa atitude anula o mérito real que possa ter. Que dizer, então, daquele que apenas aparenta virtudes que não possui? Este procura enganar-se a si próprio e também a Deus. Aquele que pratica o Bem sente em sua alma uma satisfação íntima; entretanto, desde que esta seja exteriorizada com o fito de receber elogios, receber aplausos, degenera em amor-próprio e vaidade.

Por isso, quando deres esmola, não te ponhas a trombetear em público, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, com o propósito de serem glorificados pelos homens. “Em verdade vos digo: já receberam a sua recompensa. Tu porém, quando deres esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a tua direita para que a tua esmola fique em segredo; e o teu Pai, que vê no segredo, te recompensará”. (Mt 6:2-4)

Ou ainda: “Aquele que se exaltar será humilhado, e aquele que se humilhar será exaltado”.

Bibliografia:

KARDEC, Allan. Evangelho Segundo Espiritismo: Cap. VI, item 5 e cap. XVII - itens 7 e 8

BÍBLIA DE JERUSALÉM. Novo Testamento II Coríntios -5; 17

BÍBLIA DE JERUSALÉM. Novo Testamento: Mateus - 6:2-4

Questões para reflexão:

1) Descreva sucintamente o que é mandato mediúnico.

2) Explique a relação do Médium, no mandato mediúnico com o seu mentor espiritual.

3) Explique a finalidade do conhecimento e pratica do Evangelho de Jesus no cumprimento do Dever.

4) Faça um breve relato sobre a virtude e como se comporta uma pessoa virtuosa.

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quinta-feira, 17 de outubro de 2019

22a Aula Parte A - CURSO DE EDUCAÇÃO MEDIÚNICA 2º ANO FEESP


MANDATO MEDIÚNICO

O termo mandato não é de uso comum em nossa convivência diária.

Assim sendo, urge dar lhe sentido e melhor conhecimento, familiarizando-nos com o mesmo, a fim de que, conhecendo sua origem e conteúdo, nossa compreensão do que seja e significa mandato mediúnico, seja completa, haja vista que ambos guardam semelhanças em suas essências.

Mandato, Segundo definição formal, e autorização que alguém confere a outrem, para em seu nome praticar certos atos; delegação; confiança; missão. Na verdade, exprime um contrato, que é um ajuste de vontades entre pessoas.

Deriva-se do latim mandatum, de mandare, composto de manus dare (dar a mão), que tecnicamente significa dar poder ou autorizar e se alinhava com um aperto de mãos pelos contratantes, que se davam a mão direita, pois os antigos romanos acreditavam que o dedo anular era atravessado por um nervo que ia ao coração, sede da fidelidade.

Vale dizer que, entre os antigos romanos, as mãos simbolizavam a amizade, a lealdade e a fidelidade entre amigos e, sendo o mandato outorga de poder, consequentemente carrega consigo o ônus de honrar a amizade e os sentimentos nela fundados.

E, se no plano material, o mandato implica tanta responsabilidade moral para quem o recebe, no campo da mediunidade e no seu exercício, a outorga de mandato mediúnico não é menos severa, exigindo do medianeiro qualidades intelectuais e morais superiores, como nos narra André Luiz no capítulo; 16 de “Nos Domínios da Mediunidade”, conforme ensinamentos e esclarecimentos do Instrutor Áulus a respeito de Ambrosina.

Assim revela Áulus que, Ambrosina após trabalhar por mais de vinte (20) anos consecutivos no exercício da mediunidade com JESUS, ou seja, com absoluto desinteresse, fidelidade, perseverança, obediência, disciplina, renúncia de si mesma, paciência evangélica e acendrado amor recebeu do Plano Superior o mandato mediúnico.

Igualmente, Áulus nos define que mandato de serviço mediúnico é uma delegação de poder obtido pelo crédito moral do medianeiro, no exercício da mediunidade cristã por largo período de tempo.

Por via de consequência, mandato mediúnico, por ser uma delegação de poder, acarreta para o medianeiro uma carga maior de trabalho e responsabilidade.

Entretanto, em contrapartida, o médium contará com uma associação mais estreita com o mentor que supervisiona e lhe preside a tarefa, passando a guiar-lhe a peregrinação na Terra, governando lhe as forças e dando-lhe mais imediato apoio, sustentação e proteção, somente estabelecendo o médium o contato com o plano espiritual de acordo com a supervisão dele, o que significa uma garantia para o desempenho fiel e seguro do mandato mediúnico.

Esclarece-nos Áulus:

- que o mandato mediúnico está vinculado a compromissos assumidos pelo médium, antes da reencarnação, no Plano Espiritual;

- que, não sendo um atestado de santidade, o médium pode recuar diante da responsabilidade que encerra o seu cumprimento;

- isto porque, o livre arbítrio do médium é sempre respeitado, haja vista que suas vitorias devem ser fruto do trabalho e esforço próprio, daí advindo seu mérito.

Enfim, a quem muito foi dado, muito será pedido, valendo igualmente: quem muito deu, no cumprimento fiel de seus deveres e obrigações, muito receberá. É da Lei.

Ensina Martins Peralva que é necessária “a bondade para atender, com o mesmo carinho, e a mesma boa vontade todos os tipos de necessitados, sem nenhuma expressão de particularismo; a discrição, para conhecer e sentir, guardando-os para si, dramas inconfessáveis e lacunas morais lastimáveis; é necessário o discernimento, para opinar com segurança, segundo as necessidades do consulente, a fim de ajudar os outros, para que os outros se ajudem”.

Diz Emmanuel que “o mandato pede excessiva renúncia; no entanto, sem o sacrifício dos operários do progresso, as maquinas poderosas que assinalam a civilização da atualidade, não existiriam no mundo”.

Bibliografia:

PERALVA, Martins. Estudando a Mediunidade: Cap. 24 e 25

XAVIER, Francisco Candido (Espírito Emmanuel). Seara dos Médiuns: Lição 88

XAVIER, Francisco Candido (Espírito André Luiz). Nos Domínios da Mediunidade: Cap. XVI

PERALVA, Martins. Estudando a Mediunidade: Cap. XXIV e XXV

XAVIER, Francisco Candido (Espírito Emmanuel). Seara dos Médiuns Lição 88

SILVA, Plácido e. Vocabulário Jurídico: Tomo III - Págs. 981/982

ACQUAVIVA, Marcus Claudio. Diário Enciclopédico de Direito: Vol. 4 Pag. 4

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quinta-feira, 10 de outubro de 2019

21a Aula Parte B - CURSO DE EDUCAÇÃO MEDIÚNICA 2º ANO FEESP


MEDIUNIDADE GRATUITA

A mediunidade não é uma profissão, mas um dom a ser exercido desinteressadamente, gratuitamente, servindo como meio de divulgação, a toda a Humanidade, das verdades espirituais, da fé raciocinada, do destino do homem, do seu objetivo na Terra, da importância da prática da caridade e da humildade constantemente. Por isso, o médium não tem direito de comercializa-la, porque seu trabalho é em conjunto com os Espíritos.

“Restitui a saúde aos doentes, ressuscitai os mortos, curai os leprosos, expulsai os demônios; dai de graça o que de graça recebestes” (Mt, 10:8).

Quando Jesus fez esta recomendação aos seus discípulos, estabelece que não se deve cobrar por aquilo que nada se pagou. Intentava transmitir ao povo que se deve preservar toda ação mental, dirigida a Deus, do comércio, das especulações, das ligações menos dignas, a que os encarnados pudessem sintonizar através da mediunidade.

O povo que vivia na Terra, quando Jesus aqui encarnou, era ainda muito ignorante quanto as verdades espirituais, com exceção dos discípulos, que tinham evoluído espiritualmente de forma mais acentuada.

Deste modo, Jesus sempre tentou atingir-lhes o pensamento, transmitindo-lhes suas lições por meio de historietas ou Parábolas, a fim de que lhes impressionassem aos sentidos, e os discípulos pudessem perceber, ao menos, uma parte da nova moral que Ele vinha trazer à Humanidade. Cita-se, como exemplo, a Parábola do Joio e do Trigo (Mt, 13:24-30)

O excessivo apego as coisas suscitava muitas preces pagas, além do comércio nos próprios templos de oração.

Disse ainda Jesus: não façais que as vossas preces sejam pagas; não façais como os escribas, que “a pretexto de longas preces, devoram as casas das viúvas”. Ao condenar estas práticas, Jesus transmite aos homens a ideia de que não devem comercializar as “Coisas de Deus”.

Desta forma, é totalmente incoerente pagar a alguém para orar por outrem. O amor e o desinteresse estão muito longe daqueles que comercializam as coisas divinas, e o bom senso mostra que tal prática não é agradável a Deus, que considera, numa prece, a sinceridade e o desinteresse de quem profere.

Não é a quantidade ou a beleza das palavras que selecionam as preces verdadeiras, mas o sentimento de amor e fé daquele que esta orando, muitas vezes através de um simples pensamento ou gesto, em qualquer lugar onde se encontre.

A mediunidade é a faculdade que permite o intercâmbio entre o Plano Físico e o Plano Espiritual, através do médium, e é uma oportunidade de trabalho a favor do próximo, e uma condição para a própria evolução espiritual.

Assim, o bom médium é aquele que usa suas faculdades para o bem do próximo.

É sua ferramenta de trabalho e como tal precisa ser bem conservada, a fim de ser realmente util.

O homem deve buscar na matéria e não nas atividades espirituais, o que venha trazer-lhe os elementos necessários para seu sustento material.

Diz Kardec a mediunidade “só existe graças ao concurso dos Espíritos, se estes faltarem não há mediunidade, pois embora a aptidão possa subsistir, o exercício se torna impossível. Não há, portanto, um único médium no mundo que possa garantir a obtenção de um fenômeno espírita em determinado momento”.

O simples bom senso conduz ao raciocínio de que se os Espíritos não estão disponíveis a toda hora, e o médium, mesmo assim, da comunicação, ou está ocorrendo um fenômeno anímico (emanado da própria alma do médium), ou uma mistificação (o médium age com intenção de enganar).

Importante considerarmos ainda a Lei de Sintonia Vibratória. Um Espírito com maior evolução não irá perder seu tempo em fornecer mensagens aos encarnados, a fim de atender a interesses materiais, quais sejam, conhecimento dos acontecimentos futuros, palpites em situações cotidianas, leitura da “sorte”, promessas fúteis etc., de maneira que, afastando-se, permite que os Espíritos de menor grau evolutivo, ainda muito ligados as coisas materiais, sintonizem-se, mentalmente, com o médium, e cedem com prazer aos seus interesses materiais, incentivando-o mais e mais para praticas censuráveis. Estes comportamentos geram uma “cadeia vibratória”, em que Espírito, médium e encarnado (que esteja “consultando”) acabam ligando-se uns aos outros. Nenhum poderá escapar da Lei de Causa e Efeito. Todos terão que responder pelo desrespeito às Leis Divinas, de acordo com o conhecimento que possuam das “coisas espirituais” e de sua intenção, pois “a quem muito foi dado, muito lhe será pedido” (Lc, 12:48).

Para que ocorram a “Mediunidade com Jesus” e o intercâmbio com os Espíritos mais elevados, é necessário que o médium os leve a sério e os coloque acima dos seus interesses materiais. Todo bom médium deve desenvolver suas qualidades morais com humildade, amor, devotamento, bondade, fraternidade, com muita fé.

“Quanto mais espiritualizado o médium e mais cônscio de sua responsabilidade ante a tarefa sagrada que o Pai Celestial lhe concede, mais rico em possibilidades de engrandecimento da própria alma e de benefício aos desalentados do caminho evolutivo” (Martins Peralva, Estudando a Mediunidade, cap. XXIX).

Bibliografia:

KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo Espiritismo: Cap. XXVI, itens 7 a 10

PERALVA, Martins. Estudando a Mediunidade: Cap. XXIX

Questões para Reflexão:

1. Descreva o que você entendeu por fluido vital e como ele pode ser renovado.

2. Faça a diferença entre o magnetizador e o médium curador.

3. Explique o processo de cura da mulher hemorrágica.

4. Interprete a frase de Jesus: “Dar de graça o que de graça recebestes”.

Fonte da imagem: Internet Google.

quinta-feira, 3 de outubro de 2019

21a Aula Parte A - CURSO DE EDUCAÇÃO MEDIÚNICA 2º ANO FEESP


MEDIUNIDADE CURADORA - AÇÃO MAGNÉTICA

Imposição das mãos - Passes - Operações Espirituais (com ou sem instrumentos)

A mediunidade curadora é exercida pela ação direta do médium sobre o doente, com o auxílio de uma espécie de magnetização de fato, ou pelo pensamento. (R.E. 1865 - setembro -Allan Kardec)

Afirmam os Espíritos que “a vida é um efeito produzido pela ação de um agente sobre a matéria. Esse agente, sem a matéria, não é vida, da mesma forma que a matéria não pode ser vida sem ele. É ele que dá vida a todos os seres, que o absorvem e assimilam” (LE, questão 63). Esse agente é o fluido vital, também chamado de princípio vital, que é uma forma modificada do fluido cósmico universal, matéria elementar primitiva de todas as coisas.

Bem por isso, o ser, ao nascer, traz em seu corpo físico, o fluido vital, que precisa ser continuamente suprido, em razão de sua constante utilização. A quantidade de fluido vital, entretanto, não é a mesma para todos os seres orgânicos, nem é constante nos vários indivíduos da mesma espécie.

Diz Kardec que “a quantidade de fluido vital se esgota; pode vir a ser insuficiente para manter a vida, se não se renova pela absorção e assimilação das substancias que o contém. O fluido vital se transmite de um indivíduo a outro. Aquele que tem em maior quantidade, pode dá-lo ao que tem menos, e, em certos casos, fazer voltar uma vida prestes a extinguir-se” (LE, nota a questão 70).

O Magnetismo é, nesses casos, “um poderoso meio, porque restitui ao corpo o fluido vital que lhe faltava e que era insuficiente para manter o funcionamento dos órgãos” (LE, questão 424). Com esta transfusão de energias fluídicas, através do magnetismo, pode-se obter o restabelecimento da saúde, isto é, “A cura que se opera pela substituição de uma molécula malsã por uma molécula sã” (GE, cap. XIV item 31).

Esta ação magnética pode produzir-se de diferentes maneiras (GE, cap. XIV item 33):

a) “Pelo próprio fluido do magnetizador; é o magnetismo propriamente dito, ou magnetismo humano, isto é, decorre da ação humana.

Na magnetização pela simples ação humana, o paciente deixa-se conduzir pelo agente; o magnetizador leva o assistido até certo grau de apassivação e, ao fazer-lhe sugestões benéficas, transmite-lhe o fluxo energético próprio e revitalizador das suas energias.

b) “Pelo fluido dos Espíritos que atua diretamente, sem intermediário sobre um encarnado. É o magnetismo espiritual cuja qualidade está na razão das qualidades morais do Espírito”.

c) “Pelo fluido que os Espíritos derramam sobre o magnetizador, e para o qual este serve de condutor; decorre da ação conjugada entre o Espírito e o homem, ou magnetismo misto.

Se se considerar que somente neste último caso, existe uma ação conjugada em que o homem, magnetizador, atua como intermediário da ação espiritual, tem-se então um fenômeno mediúnico, posto que “a intervenção de uma potência oculta é que constitui a mediunidade” (LM, 2ª Parte, cap. XIV item 175).

Kardec afirma também que são extremamente variados os efeitos da ação fluídica sobre os doentes porque estão subordinados a qualidades e a circunstancias especiais; a cura depende, portanto, de algumas condições fundamentais:

Primeira: Do Poder curativo do fluido magnético animalizado do próprio médium. O Codificador diz que “há pessoas dotadas de tal poder que operam sobre certos doentes curas instantâneas, por uma só imposição das mãos, ou mesmo por um só ato da vontade” (GE, cap. XIV item 32). A mesma informação está em “O Livro dos Médiuns, 2ª Parte, cap. XIV, item 175.

Segunda: Da vontade do médium na doação de sua força. Em “O Livro dos Médiuns”, 2ª Parte, cap. VIII, item 131, lê-se que “a vontade é atributo essencial do Espírito, isto é, do ser pensante. Tanto quanto do Espírito errante, a vontade é igualmente atributo do Espírito encarnado; daí, o poder do magnetizador, poder que se sabe estar na razão direta da força de vontade”.

André Luiz, em “Nos Domínios da Mediunidade”, cap. 17, diz que “o pensamento influi de maneira decisiva, na doação de princípios curadores. Sem a ideia iluminada pela fé e pela boa vontade, o médium não conseguiria ligação com os Espíritos que atuam sobre essas bases”.

Terceira: Da influenciação dos Espíritos, dirigindo e aumentando a força do homem. Fala Kardec (GE, cap. XIV tem 33) que “o fluido espiritual combinado com o fluido humano, dá a este último as qualidades que lhe faltam. O auxílio dos Espíritos, em tais circunstancias, é por vezes, espontâneo, porém, com mais frequência, é provocado devido ao apelo do magnetizador”. Em “O Livro dos Médiuns”, 2ª Parte, cap. XIV item 176, dizem os Amigos Espirituais: “A força magnética reside, sem dúvida, no homem, mas é aumentada pela ação dos Espíritos que ele chama em seu auxílio”.

Quarta: Das intenções daquele que se quer curar. Depende de sua fé e de seus méritos.

Kardec (GE, cap. XV, itens 10 e 11), citando o caso da mulher que havia doze anos sofria de uma hemorragia, e tendo tocado em Jesus, Sentiu-se curada (Mt, IX:20 a 22 e Mc, V:25 a 34) analisa o fato “como uma irradiação fluídica normal, em que não houve magnetização, nem imposição de mãos”. Explica que o fluido, considerado como matéria terapêutica, “tem que atingir a matéria orgânica, a fim de repará-la; pode, então ser dirigido sobre o mal, pela vontade do curador, ou atraído pelo desejo ardente, pela confiança, numa palavra: pela fé do doente”. Foi por isso que Jesus, conhecendo em si mesmo a virtude (força) que dele saíra, disse: “A tua fé te salvou”. Kardec concluiu, em sua análise, que “a fé a que ele se referia não é uma virtude mística, qual a entendem muitas pessoas, mas uma verdadeira força atrativa, de sorte que aquele que não a possui opõe a corrente fluídica uma força repulsiva, ou, pelo menos, uma força de inércia, que paralisa a ação”. Termina Kardec que isto explica por que “apresentando-se ao curador dois doentes da mesma enfermidade, possa um ser curado e o outro não” (GE, cap. XV, item 11). Adiciona-se que, além da fé, deve-se contar com os méritos de cada um, e com as condições da Lei de Causa e efeito a serem cumpridas.

Diz o abnegado instrutor Áulus, que “o passe é uma transfusão de energias, alterando o campo celular. (...) Na assistência magnética, os recursos espirituais se entrosam entre a emissão e a recepção, ajudando a criatura necessitada para que ela ajude a si mesma. A mente reanimada reergue as vidas microscópicas que a servem, no templo do corpo, edificando valiosas reconstruções. O passe, como reconhecemos, é importante contribuição para quem saiba recebê-lo, com o respeito e a confiança que o valorizam” (Em Domínios da Mediunidade, cap. 17).

Diz Martins Peralva que “a prece (...) representa elemento indispensável para que a alma do passista estabeleça comunhão direta com as forças do Bem, favorecendo, assim, a canalização, através da mente, dos recursos magnéticos das esferas elevadas” (Estudando a Mediunidade, cap. 26).

O passe pode ser dispensado a distância, através de irradiações magnéticas, “desde que haja sintonia entre aquele que o administra e aquele que o recebe. Nesse caso, diversos companheiros espirituais se ajustam no trabalho do auxílio, favorecendo a realização”, esclarece Áulus. Diz-se que o serviço de passe é conduzido pelos Espíritos com o apoio dos homens, porque são eles que:

a) Preparam o ambiente, a higienização e a ionização da atmosfera, bem antes de os médiuns chegarem a seus postos de trabalho;

b) Protegem o ambiente, isolando o recinto, para impedir a entrada de sofredores e obsessores;

c) Possuem os instrumentos, fluidos adequados e radiações necessárias para os processos de cura, para os quais os médiuns colaboram;

d) Preparam os médiuns para o trabalho, isolando, inclusive, aqueles inabilitados para o serviço;

e) Isolam assistentes ou colaboradores alcoolizados, para que as toxinas não prejudiquem os demais e o ambiente.

Enfim, nessa comunhão entre homens e Espíritos, para o socorro através de passes, se não houver amor, pouco se fará.

Operações espirituais com ou sem instrumentos

Nas operações espirituais os Espíritos desencarnados operam através das mãos do médium ou de instrumentos cirúrgicos. Os Espíritos mobilizam recursos fluídicos diretamente junto ao corpo físico e espiritual do doente.

Nas operações espirituais, há necessidade do diagnóstico preciso por parte dos médiuns. E, posteriormente, o acompanhamento do doente.

Quanto ao uso de instrumental, vários médiuns os utilizaram, exemplos tivemos com os médiuns Arigó, Edson Queiroz e muitos outros.

Nas curas espirituais não há preocupação em se fazer um diagnóstico prévio, com exames complementares.

O socorro da Providência Divina é recurso que não nos falta, contudo, o restabelecimento da saúde está relacionada ao merecimento ou não do assistido, da sua fé e da sua necessidade.

A descrença, a desarmonia do ambiente, a falta de equilíbrio, de disciplina e de moral do doente também comprometem o bom resultado do socorro espiritual.

O trabalho de cura depende também do preparo físico e moral do médium. Afirma Martins Peralva, que: “além da humildade, deve o passista cultivar boa vontade e fé; prece e mente pura; e elevação de sentimentos e amor” (Estudando a Mediunidade, cap. XXVI).

As curas espirituais também poderão estar ligadas por parte dos encarnados às fraudes, chantagens, ciladas e aos interesses monetários.

A cobrança em dinheiro ou outros valores materiais compromete o médium que não segue os ensinamentos de Jesus, que recomendou aos seus discípulos: “Dai de graça o que de graça recebestes” (S. Mateus, cap. X, V. 8).

Bibliografia:

KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns: Cap. XIV itens 175 e 176

KARDEC, Allan. A Gênese: Cap. XIV itens 31 a 34 e XV item 11

XAVIER, Francisco Candido (Espírito André Luiz). Nos Domínios da Mediunidade: Cap. XVII

XAVIER, Francisco Candido (Espírito André Luiz). Mecanismos da Mediunidade: Cap. XXII

PERALVA, Martins. Estudando a Mediunidade: Cap. XXVI e XXVII

MICHAELUS. Magnetismo Espiritual

Fonte da imagem: Internet Google.