CARACTERÍSTICAS BÁSICAS DO ESPÍRITA: PACIÊNCIA, INDULGENCIA, FÉ, HUMILDADE, DIGNIDADE E CARIDADE.

sexta-feira, 28 de março de 2014

3ª AULA - CURSO BASICO DE ESPIRITISMO 1º ANO - FEESP

PARTE C: SERVIR A DEUS E A MAMON

"Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou odiará a um e amará ao outro, ou se afeiçoará a um e desprezará o outro. Não podeis servir, ao mesmo tempo, a Deus e a Mamon". (Lucas, Cap. XVI, v. 13).

Não se pode servir ao mesmo tempo a Deus e à riqueza foi o sentido das palavras de Jesus nesta passagem evangélica, pois Mamon era a divindade pagã que simbolizava a riqueza. Ao colocá-lo frente a Deus conclamando os homens a escolherem entre eles, o Mestre fez uma clara advertência àqueles que se deixam escravizar pela posse dos bens materiais, esquecendo-se do verdadeiro tesouro do Espírito imortal; muito embora Espírito e Matéria seja os princípios constitutivos do Universo, importa colimar sempre os valores reais e eternos do Espírito.

A afirmativa de Jesus diz respeito ao fato de que o homem não pode viver exclusivamente pelas coisas materiais e comprometer sua evolução espiritual, pois é impossível conciliar dois princípios opostos entre si: uma mesma fonte não pode jorrar água pura, cristalina, e ao mesmo tempo jorrar água contaminada. Contudo, é necessário ressaltar que Deus não condena a riqueza e ninguém será condenado por ser rico. O alerta de Jesus é para o mau uso; é uma advertência para os que não sabem aplicar os bens que possuem, pois os riscos dessa perigosa prova terrena são justamente sua carga negativa de tentações e fascinação que o poder decorrente de seus efeitos exerce sobre os homens, é a algema mais poderosa que o prende às origens grosseiras da matéria.

A riqueza é uma ferramenta que a Providência Divina coloca à disposição do homem para o seu aprimoramento espiritual, que tanto pode ser útil a serviço do bem como a serviço do mal, na medida em que o apego a ela exacerba o orgulho, o egoísmo, a indiferença com o sofrimento alheio. Com ela pode-se devolver a esperança para os que desfaleceram na luta, pode-se devolver a fé para aqueles que choram no seu infortúnio, mas principalmente pode ser a força divina de transformação social no advento do Terceiro Milênio.

Disse Jesus a um moço que lhe perguntava o que fazer para conseguir a vida eterna, além de se seguir os mandamentos: "Se quereis ser perfeito, ide, vendei tudo o que tendes e dai-aos pobres e tereis um tesouro no céu" (ESE, cap. xvi, ítem 2).

Diante dessa recomendação, o jovem abaixou a cabeça e afastou-se, pois não tinha a intenção de se desfazer de seus bens.

Dirigindo-se aos apóstolos, o Mestre continuou seu ensinamento: Quão difícil é a salvação dos ricos. “É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha, do que entrar um rico no Reino dos Céus” (ESE, cap. xvi, ítem 2) ( A palavra "camelo" em hebreu serve tanto para designar o animal propriamente dito, como uma corda feita do pelo do animal. Na tradução, deram-lhe o primeiro desses significados, mas é provável que Jesus a tenha empregado com a segunda significação).

O objetivo de Jesus ao dizer ao jovem que se desfizesse de sua fortuna para segui-lo não foi o de estabelecer uma condição necessária a renúncia da fortuna para alcançar o progresso espiritual, mas ensinar a colocar essas riquezas sob o manto da caridade e do amor universal.

Mais adiante Jesus narrou a parábola do avarento que, preocupado em acumular cada vez mais suas fartas colheitas, construiu enormes celeiros para a estocagem de seus bens; feito isso disse este homem: "Minha alma tu tens muitos bens reservados para vários anos; repousa, come, bebe, ostenta. Mas Deus ao mesmo tempo disse a esse homem: "Insensato que és! Vai ser retomada tua alma esta noite mesmo; e para quem será o que amontoaste?” (ESE, cap. XVI, ítem 3).

Cabe ao homem trabalhar para a evolução espiritual e material do mundo físico, em decorrência da Lei de Reencarnação como etapa indispensável para a aprendizagem do Espírito. O trabalho cumulativo do ser humano desde o seu ingresso no reino hominal, modificando a face do planeta através dos milênios, criando, desenvolvendo, acumulando conhecimentos e bens materiais não significa pontos negativos aos olhos de Deus, mas é o caminho por Ele traçado para o desenvolvimento do planeta, enquanto mundo de provas e expiações.

É na prova reencarnatória da riqueza que o homem burila seus sentimentos, corrige suas imperfeições, resolve os conflitos de vidas passadas em luta pela posse insaciável dos bens terrenos, em detrimento da caridade e do amor ao próximo.

A sabedoria divina utiliza nas provas terrenas de seus filhos a pobreza para uns, como prova de paciência e resignação; para outros proporciona a riqueza como prova de caridade, humildade, renúncia e desprendimento. Os tesouros acumulados no mundo pertencem a Deus; o homem é apenas seu administrador, e serão cobradas contas do bom ou mau uso; infeliz daquele que os empregou apenas para sua satisfação pessoal.

Ensinam os Espíritos sobre o desapego aos bens materiais: “Sabei contentar-vos com pouco”.

Se sois pobres, não invejais os ricos, porque a fortuna não é necessária à felicidade. Se sois ricos, não esqueçais de que esses bens vos são confiados e que devereis justificar seu emprego, como sendo tutores"(ESE - Cap. XVI, item 14).

Aqueles que servem a Deus colocam suas riquezas a serviço dos mais necessitados. Este servir não é apenas desenvolver a caridade fria e egoísta que consiste em dar o supérfluo, mas a caridade que ampara a pobreza, que ergue sem humilhar, que gera trabalhos e ordem social, que oferece recursos para o desenvolvimento científico, que distribui entre os infortunados o pão do trigo e o pão do amor. Para esses, nada há de faltar.

QUESTIONÁRIO:

C) SERVIR A DEUS E A MAMON

1) O que simbolizava Mamon?

2) Jesus condenou a riqueza?


3) Qual a mensagem implícita na parábola do avarento?

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