CARACTERÍSTICAS BÁSICAS DO ESPÍRITA: PACIÊNCIA, INDULGENCIA, FÉ, HUMILDADE, DIGNIDADE E CARIDADE.

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Informo aos amigos e amigas seguidores das aulas deste blog que faremos uma pausa como de costume, após esta aula; retornando em agosto com a segunda e conclusiva parte deste curso. Muita luz e paz a todos. Carlos Varoli

12ª Aula Parte B – CURSO BÁSICO DE ESPIRITISMO 2º ANO – FEESP

MISSÃO DO HOMEM INTELIGENTE

A cada um dos Espíritos Deus dá determinada missão; tarefa; prova ou ainda expiação. Todos têm um trabalho a realizar, seja encarnado ou desencarnado.

Se Deus permite que, dentre o patrimônio intelectual e moral adquirido nas vidas anteriores, a criatura possa manifestar na vida presente a inteligência, é porque dela deve fazer uso para cultivar e realizar o bem, fruto da aplicação dessa mesma inteligência.

Assim se vê em toda a natureza. A abelha poliniza as flores e fabrica o mel. No solo saudável existem vermes a revolver as entranhas da terra para fazê-la respirar. A mesma terra que o agricultor cultiva a leguminosa, a fruta e a verdura. Até mesmo o excremento do ruminante aduba o solo. A natureza cumpre o seu papel de colaboradora com o Criador.

Com o Homem não é diferente. Toda a potencialidade dirigida e exercida na senda do bem há de frutificar.

Espíritos imperfeitos quais todos que habitamos este orbe nos reunimos em famílias; comunidades, grupos sociais, sempre com o objetivo maior de aprimoramento mútuo. É de fundamental importância que aquele que possui maior cabedal de conhecimento, forca moral, ampare, apoie, incentive e oriente aqueles que fazem parte da sua vida seja em que segmento for. Deus não nos concederia ferramentas que não tivessem objetivo de uso.

A Doutrina Espírita é como um sol a iluminar a escuridão da ignorância em que os Homens, em sua grande maioria, ainda se encontram. Aqueles que já possuem uma parcela de conhecimento devem moralmente ao Cristo, fazer com que o seu verbo seja vivo e eloquente, e, acima de tudo, vivenciar o Cristianismo Redivivo, em fraternidade, solidariedade e amor ao próximo. Relembrar da orientação do Espírito de Verdade: “Espíritas: amai-vos, espíritas, instruí-vos”.

BIBLIOGRAFIA:
KARDEC, Allan - O Evangelho Segundo o Espiritismo - cap. VII, item 13
KARDEC, Allan - Obras Póstumas - 1ª parte - questões e problemas (ESE cap. XXIII, item 15, cap. XXVIII, item 51)


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terça-feira, 16 de junho de 2015

12ª Aula Parte A – CURSO BÁSICO DE ESPIRITISMO 2º ANO – FEESP

LEI DE LIBERDADE

LIBERDADE NATURAL – ESCRAVIDÃO - A LIBERDADE DE PENSAMENTO E DECONSCIÊNCIA - LIVRE ARBÍTRIO E FATALIDADE CONHECIMENTO DO FUTURO

LIBERDADE NATURAL

Ao pensar em liberdade, diversos aspectos afloram: de ser, agir, crer, fazer, e assim por diante.

O filhote da águia possui em si todo o potencial para voar bem alto, mas somente o fará quando o seu corpo estiver apto.

O ser humano possui em si toda a potencialidade que somente exercera com plenitude e sabedoria na relação direta do seu aprimoramento moral e espiritual.

A convivência em sociedade obriga o homem a respeitar os limites dos direitos do seu semelhante e desde que haja dois seres juntos há direitos a respeitar e não terão eles, portanto, liberdade absoluta.

Se tomarmos como base o ensinamento de Jesus no qual nos orienta a “Não façais aos outros o que não quereis que os outros vos façam”, o limite estará delineado. E, por essa delimitação, nossos limites de liberdade estarão definidos.

ESCRAVIDÃO

A questão 829 de O Livro dos Espíritos esclarece que toda sujeição absoluta de um homem a outro é contrária à lei de Deus.

Muito embora a escravidão física tenha sido abolida legalmente no mundo, a escravidão moral ainda faz um numero incalculável de vítimas.

Assim como a escravidão física desapareceu, a sujeição moral terá igual destino quando o homem compreender a sua condição de filho de Deus e reger a sua vida pelas leis de amor trazidas por Jesus.

Aquele que escraviza se opõe a lei da fraternidade e solidariedade.

Quando determinada sociedade possuiu em suas leis o direito de subjugar o semelhante pela forca bruta, ao trabalho; punindo-o severamente pela transgressão de leis que a regiam a época, aquele homem se submeterá as consequências de seus atos perante a justiça divina.

O fato de vivermos em sociedade nos coloca, a todos, na dependência de nossos semelhantes em virtude das diferenças de aptidões. Depender não é ser escravo de uma relação social (LE 831).

LIBERDADE DE PENSAMENTO E DE CONSCIÊNCIA

O Pensamento continuo é atributo do Espírito e, enquanto encarnados não temos acesso ao pensamento do outro.

O homem possui plena liberdade de pensar e por meio do seu pensamento se desloca para o futuro, para o passado, para enlevar-se recordando momentos felizes ou deprimir-se em sentimentos menos felizes.

O que quer que se lhe aflore a mente forjando pensamento, portanto, criando imagens fluídicas, será, sob esse aspecto, responsável perante as leis de Deus.

A qualidade da atmosfera psíquica do planeta é de responsabilidade de cada um de seus moradores.

Diante disso não se atreverá o homem a impor a outro, ou a violar a sua consciência - que é o foro íntimo de cada um na sua capacidade de discernir entre o certo e o errado; a sua voz interior que o aprova ou reprova (LE 835).

A liberdade de consciência é uma das características da verdadeira civilização e do progresso (LE 837).

Ainda que a crença do outro seja reprovável, o respeito à consciência e a liberdade de crer é fundamental. O contrário é faltar com a caridade. A Doutrina Espírita é doutrina de aperfeiçoamento moral.

O Mestre ensinou pelo exemplo de doçura e mansidão, devemos seguir-lhe o exemplo.

LIVRE-ARBÍTRIO E FATALIDADE

O livre-arbítrio é a faculdade que tem o individuo de determinar a sua própria conduta - autodeterminação; e crer na existência da fatalidade é negar a existência do livre-arbítrio.

O Espírito gozara sempre do direito de exercer o seu livre-arbítrio e, quanto mais esclarecido, mais ampla a sua capacidade. Enquanto no mundo espiritual escolhera livremente ou, se for o caso, orientado por Espíritos Superiores, as provas e as experiências as quais se vê necessitado para o seu aprimoramento; e encarnado, optando por tal ou qual caminho. E sempre será o responsável por suas escolhas, não podendo atribuir a sua boa ou má estrela o resultado das suas escolhas.

O discípulo de Jesus, Paulo de Tarso, já alertava aos companheiros, através das epistolas, que estávamos todos cercados por uma “nuvem de testemunhas”. Esta observação vai ao encontro de Kardec quando esclarece sobre a interferência dos Espíritos no Mundo Corpóreo.

Ainda que exista a nuvem de testemunhas e a interferência dos Espíritos no mundo corpóreo, o livre-arbítrio é pleno e a criatura pode acolher ou não as sugestões desses Espíritos, assim como aceita ou rejeita as sugestões de seus pares.

A fatalidade não existe sendo para a escolha feita pelo Espírita, ao encarnar-se, de sofrer esta ou aquela prova: ao escolhê-la, ele traça para si mesmo uma espécie de destino, que é a própria consequência da posição em que se encontra (L;E. 851).

Assim, considerar a fatalidade como uma realidade é crer que o Homem possa ser uma maquina programada para cumprir determinada trajetória. Isso seria negar a misericórdia divina, e a reencarnação perderia o sentido e o objetivo como meta de evolução, pois que o Homem não teria mérito ou demérito como resultado se suas ações.

A fatalidade existe considerando-se tão somente no que respeita ao resultado de suas escolhas enquanto no mundo espiritual.

CONHECIMENTO DO FUTURO

Desde os primórdios das civilizações que o Homem recorre aos mais variados meios na tentativa de descobrir o que lhe reserva o futuro.

Os oráculos, as pitonisas, sonhos de faraó e, porque não incluir Moisés com a advertência para não consultar os mortos.

Dessa maneira, alguns fatos marcantes da História da humanidade foram preditos. E é somente visando o bem e o cumprimento das coisas é que Deus permite a sua revelação (LE 870).

Ao homem comum não é dado saber o seu futuro, pois este o negligenciaria, não iria cumprir o que deve ser feito para o seu adiantamento moral.

Tanto o passado como o futuro é da Lei de Deus que permaneça oculto. De outra forma o homem veria tolhida a liberdade de ser ele mesmo.

Se o homem conhecesse seu passado ver-se-ia tentado a ir procurar por aqueles que, de uma forma ou outra, a ele se vincularam, seja por afeto ou desafeto. No caso das provas ou expiações temeria a chegada do momento que pode ser crucial. Deste modo, Deus que é pleno de sabedoria e amor, deseja que lhe fique oculto para não haver embaraços no desenrolar das vidas por Ele criadas com capacidade de livre-arbítrio.

BIBLIOGRAFIA:
KARDEC, Allan - O Livro dos Espíritos, Livro 3°, cap. X, questões 825 a 871; item 8 - Resumo Teórico do Móvel das Ações Humanas;
KARDEC, Allan - Livro dos Médiuns - cap. XXVI, questão 289;
KARDEC, Allan - A Gênese, cap. XVI, nº 3;
KARDEC, Allan - Obras Póstumas;
KARDEC, Allan - O Evangelho Segundo o Espiritismo - cap. VIII, item 18; cap. XXVIII, item 51;
KARDEC, Allan - O Que é Espiritismo - cap. I, pag. 123 questões 123, 124, 126 e 141; cap. V item 21; cap. 27, item 6;
KARDEC, Allan - O Céu e O Inferno – 2ª Parte, cap. 5;
Revista Espírita, de janeiro;
Revista Espírita, de marco de 1858;
Revista Espírita, de fevereiro de 1862;
Revista Espírita, de maio de 1866;
Revista Espírita, de fevereiro de 1867;
Revista Espírita, de julho de 1868;
Bibliografia Complementar:
EMMANUEL, Francisco Cândido Xavier - Estude e Viva - nº 9 e 14;
EMMANUEL, Francisco Cândido Xavier - Religião dos Espíritos;
CALLIGARIS, Rodolfo - Leis Morais;
PERALVA, Martins - O Pensamento de Emmanuel- n° 31 e 32;
EMMANUEL, Francisco Cândido Xavier - Emmanuel - item 33;
EMMANUEL, André Luiz - Opinião Espírita - nº7 e 27;
EMMANUEL, Francisco Cândido Xavier - O Consolador- itens 132 a 139;
KARDEC, Allan - A Gênese - cap. XVI;
DENIS, Léon - O Problema do Ser do Destino e da Dor – 3ª Parte - item 22;


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terça-feira, 9 de junho de 2015

11ª Aula Parte B – CURSO BÁSICO DE ESPIRITISMO 2º ANO – FEESP

SERVIR A DEUS E A MAMON

Nenhum servo pode servir a dois senhores, porque ou há de aborrecer a um e amar o outro, ou há de entregar-se a um e não fazer caso do outro; vós não podeis servir a Deus e as riquezas. (Lucas 16-13)

Para se compreender corretamente os ensinos de Jesus, é necessário interpretar suas palavras levando-se em consideração a linguagem figurada que o Mestre empregava para se fazer entender.

Mamon era tido, na época, como o Deus do dinheiro, da riqueza, dentro da concepção politeísta de que para tudo havia um deus, ainda em voga no seio do povo. Mamon, portanto, simboliza a riqueza, os bens terrenos.

Quando Jesus ensina que não se pode servir a Deus e a Mamon, quer dizer que o homem não pode se apegar aos bens materiais terrenos e atender a Lei de Deus ao mesmo tempo. São coisas incompatíveis.

Aquele que serve a Mamon, ou seja, a riqueza, esquece-se do cumprimento das leis divinas. Isso não significa, contudo, que não podemos usufruir dos bens materiais, por serem estes um mal. Os bens terrenos não são maus nem bons. São neutros. O que vai caracterizar o mal ou o bem é o destino que a ele daremos e a maneira de adquiri-los.

Jesus não recomendou que nos desfizéssemos dos bens terrenos para poder ingressar em seu reino de amor.

Quando ele disse ao jovem rico que o procurou para saber o que fazer para adquirir a vida eterna; que ele deveria vender tudo o que tinha e doá-los aos pobres; é porque sabia que aquele homem era ainda muito apegado às coisas materiais. Falou isso para mostrar-lhe que ele ainda não estava preparado para ingressar no reino de Deus.

Ensinou-lhe o caminho a seguir, que era desapegar-se dos bens terrenos e praticar a caridade. Não significa, portanto, que um homem rico jamais poderá atingir a vida eterna.

Quis demonstrar, Jesus, porém, que isso é ainda muito difícil, face a nossa evolução moral ainda muito atrasada. Tanto que ele afirmou que é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha, do que entrar um rico no reino dos céus. Se o homem for rico, mas não tiver apego aos bens materiais e praticar a lei de caridade, não há por que não ingressar no reino de Deus, que é para todos. Se a riqueza fosse um mal incontornável, Deus não a colocaria nas mãos do homem sem ferir o seu atributo de bondade infinita.

Podemos compreender também essa advertência de Jesus: “Servir a Deus a Mamon”, quando em Lucas; XIX, 1o nos fala: “Estando Jesus em Jericó, passava pela cidade onde havia um homem chamado Zaqueu - chefe dos Publicanos e muito rico - que, tendo vontade de ver a Jesus para conhecê-lo, não o podia conseguir, pois era pequeno de estatura e a multidão o impedia. Por isso correu adiante, e subiu a uma árvore para vê-lo, pois ele passaria por ali. Tendo Jesus vindo a este lugar, levantou os olhos e o viu, chamando-O: Zaqueu, desça pois é preciso que eu me abrigue, hoje, na sua casa. Zaqueu desceu rapidamente e recebeu-o com alegria. Todos viram a cena e comentaram: Ele foi se abrigar na casa de um homem de má vida.
Entretanto, se apresentando diante do Senhor, Zaqueu lhe diz: Senhor, eu dou a metade dos meus bens aos pobres, e se defraudei alguém, pagá-lo-ei quadruplicado. Jesus lhe disse: Essa casa, hoje, recebeu a salvação, pois este também é filho de Abraão. Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o que estava perdido”.

Não podemos servir a Deus, em seus princípios de espiritualismo, e a Mamon, cultuando ao mesmo tempo o materialismo. Os bens materiais são provisórios e usados somente nesta vida, enquanto os bens espirituais (inteligência e moral) são eternos.

Apêndice

Deus: Inteligência suprema causa primaria de todas as coisas (LE 1)

Mamon: Palavra grega; mamona = dinheiro, posses, bens terrenos, vinda do aramaico mamom ou mamona, que significa riqueza; Em Mateus 6:24; Lucas 16:9, 11 e 13, foi empregada para personificar a riqueza, não necessariamente um deus mitológico. (Dicionário de Filosofia Espírita)

BIBLIOGRAFIA:
Kardec, Allan, “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. XVI, itens 1 a 4
Peralva, Martins, “O Pensamento de Emmanuel”, n° 2o
Schutel, Cairbar - Ensinamentos de Jesus
Dicionário de Filosofia Espírita - L. Palhano Jr


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terça-feira, 2 de junho de 2015

11ª Aula Parte A – CURSO BÁSICO DE ESPIRITISMO 2º ANO – FEESP

LEI DE IGUALDADE

IGUALDADE NATURAL – DESIGUALDADE DAS APTIDÕES - DESIGUALDADES SOCIAIS - DESIGUALDADE DAS RIQUEZAS - PROVAS DA RIQUEZA E DA MISÉRIA - IGUALDADE DOS DIREITOS DO HOMEM E DA MULHER - IGUALDADE PERANTE O TÚMULO

IGUALDADE NATURAL

Todos os homens são iguais perante Deus. Todos tendem para o mesmo fim e Deus fez as suas leis para todos (LE, 8o3).

“Todos tendem para o mesmo fim” entendemos com a resposta dos espíritos a Kardec, que a igualdade natural é a essência que caracteriza toda a humanidade sendo, pois que todos temos um mesmo principio e uma mesma destinação.

Essa igualdade natural toma-se difícil de entender se não tivermos uma “inteligência espiritual” que nos remeta ao sentido da existência de Deus como criador de tudo e de todos, tendo em vista que convivemos em uma sociedade marcada pela desigualdade nos mais diversos setores de nossa vivência social e individual.

Se incorporássemos realmente o significado da igualdade natural em nossa vivência, ficaria mais consciente o entendimento das palavras de Jesus “Vos julgais Segundo a carne, e eu a ninguém julgo”, pois conseguiríamos usufruir da paz sem julgar, perseguir ou condenar a ninguém. (Leis Morais da Vida – Cap. IX)

DESIGUALDADE DE APTIDÕES

Deus criou todos os espíritos iguais, mas cada um deles viveu mais ou menos tempo e, por conseguinte realizou mais ou menos aquisições. A diferença esta no grau de experiência e na vontade que e o livre arbítrio, dai decorre que uns se aperfeiçoam mais rapidamente o que lhes dá aptidões diversas (LE 8o4). Portanto as diferenças que os homens apresentam entre si quer em inteligência quer em desenvolvimento moral não derivam da sua natureza íntima, resultam antes de dois fatores:

a) No maior ou menor desempenho de suas potencialidades no desenvolvimento ou não das aptidões e virtudes enfim no bom ou mau uso do livre arbítrio por parte de cada um. Disto decorre que uns se aperfeiçoam mais rapidamente o que lhes confere aptidões mais diversificadas;

b) Sendo os mundos solidários entre si, os habitantes dos mundos superiores reencarnam em mundos mais atrasados como espíritos missionários para aprimorar o progresso intelectual e moral através de seus exemplos.

Partindo da premissa de que os espíritos não regridem no seu progresso tem-se que ao passar de um mundo superior para um inferior conservarão integralmente as faculdades e aptidões adquiridas, consequentemente tal fato acentua ainda mais as desigualdades de aptidões que existem entre os homens.

Deus não criou, portanto, espíritos com faculdades desiguais, mas permitiu que espíritos com os mais diversos graus de desenvolvimento estivessem em contato entre si para auxiliar a evolução dos mais atrasados e, necessitando uns dos outros, cumprissem a lei do amor. Tal fato explica porque o misto de aptidões é necessário para que cada um possa concorrer para a execução dos desígnios da providência, respeitando-se, evidentemente, os limites físicos e intelectuais. Deste contexto, percebemos que cada um desempenhará um papel útil dentro da criação, pois o que um não tem condições de fazer, o outro certamente terá.

DESIGUALDADES SOCIAIS

As desigualdades sociais não se enquadram nas leis naturais porque não são obras de Deus, e sim, consequência do orgulho e do egoísmo do próprio homem. Contudo, à medida que a humanidade avançar ética e moralmente, essas desigualdades tenderão a desaparecer, restando somente a desigualdade fruto do mérito e das virtudes adquiridas pelo homem.

As desigualdades de riquezas nem sempre se originam das diferentes faculdades, ou dos mais variados recursos que alguns dispõem para adquirir mais bens do que outros, muitas vezes são também fruto de meios ilícitos.

Observamos que as desigualdades sociais levam as desigualdades financeiras, e vice-versa. E preciso considerar que não é incomum uma fortuna chegar providencialmente às mãos de alguém, por meios lícitos, para reparar uma injustiça cometida.

A igualdade social ou financeira jamais existiu, pois entre os homens a diversidade das faculdades e aptidões impedirá que assim seja.

O ser humano se encontra na Terra envolto em batalhas iluminativas cada vez mais severas. À medida que se robustece emocionalmente, mais desafiador se tornam os combates, porque se transferem para o campo intimo onde permanecem as heranças do processo de evolução já conquistada. “Combate o egoísmo, pois esta e a vossa chaga social, e não corrais atrás de quimeras” (LE 811 a)

DESIGUALDADE DAS RIQUEZAS

O homem tem por missão trabalhar pela melhoria material do planeta. Cabe-lhe desobstruí-lo, saneá-lo, dispô-lo para receber um dia toda a população que a sua extensão comporta. Para realizar esses trabalhos, precisa de recursos e a necessidade fez que Deus criasse a riqueza, como o fez descobrir a Ciência. Sem a riqueza, não haveria maiores trabalhos, nem atividade, nem estimulante para a ação, nem pesquisas.

A atividade que esses mesmos trabalhos impõem ao homem lhe amplia e desenvolve a inteligência. A inteligência que ele concentra primeiro, na satisfação das necessidades materiais, o ajudará mais tarde a compreender as grandes verdades morais.

A riqueza, pois, não é um mal em si mesma; bem utilizada, ela leva a Humanidade não só ao progresso material e intelectual, mas, também, ao progresso moral.

Se a riqueza é causa de muitos males, se exacerba tanto as más paixões, se provoca mesmo tantos crimes, não é a ela que devemos inculpar, mas ao homem, que dela abusa, como de todos os dons de Deus. Pelo abuso, ele toma pernicioso o que mais útil lhe poderia ser; é a consequência do estado de inferioridade do mundo terrestre.

Se a riqueza somente males houvesse de produzir, Deus não a teria posto na Terra, portanto, compete ao homem fazê-la produzir bem.

Que aconteceria se, acaso, se pudesse repartir toda a riqueza da Terra com igualdade entre todos os seus habitantes? A cada um caberia apenas uma parcela mínima e insuficiente. Não haveria recursos para nenhum dos grandes trabalhos que concorrem para progresso e o bem- estar da Humanidade. Tendo o necessário para sobreviver, o homem não sentiria o aguilhão da necessidade para o impelir as descobertas e aos empreendimentos uteis. Ainda que fosse possível efetuar essa repartição entre todos os homens, em pouco tempo o equilíbrio estaria desfeito, pela diversidade dos caracteres e das aptidões.

Por que não são igualmente ricos todos os homens? Não o são por uma razão muito simples: por não serem igualmente inteligentes, ativos e laboriosos para adquirir, nem sóbrios e previdentes para conservar.

A desigualdade das riquezas, como vemos, é um dos problemas que inutilmente se procura resolver, desde que se considere apenas a vida atual.

A luz do Espiritismo, porém, entendemos que: nós seres humanos, somos espíritos imortais reencarnados; para progredir, precisamos das experiências que a vida corpórea enseja; uma dessas experiências é aprender a produzir a riqueza e com ela trabalhar, acertadamente; através das reencarnações, vamos tendo oportunidade para isso.

Entendemos, também, que: Deus concentra a riqueza em certos pontos, para que dai se expanda em quantidade suficiente, de acordo com as necessidades; e a desloca constantemente, para que não fique longo tempo improdutiva nas mãos dos que não a estão sabendo utilizar; e para que cada um, por sua vez, tenha a oportunidade de lidar com ela. Alguns estão dispondo da riqueza no momento, outros já a tiveram, outros ainda virão a usufruí-la e mesmo quem já a teve poderá, se necessário, voltar a possuí-la.

Por enquanto, na Terra a riqueza é para poucos, a maioria luta por sobreviver, dispondo apenas de posses medianas ou mesmo enfrentando a miséria. Isto se da não apenas pela má distribuição da riqueza, feita pelo materialismo e o egoísmo, dominantes no planeta.

E, também, porque não sabemos todos produzir riquezas ou não queremos nos esforçar para isso. Se a riqueza na Terra fosse fácil para todos, em nosso grau de evolução, a maioria não trabalharia, não estudaria, quereria somente gozar, e isto não traz progresso para o Espírito.

Se há os que abusam da riqueza, não será com decretos ou leis dispendiosas que se remediara o mal. As leis podem de momento, mudar o exterior, mas não conseguem mudar o coração; dai vêm serem elas de duração efêmera e quase sempre seguida de uma reação mais desenfreada. A origem do mal reside no egoísmo e no orgulho; os abusos de toda espécie cessarão quando os homens se regerem pela lei da caridade.

Com a evolução intelecto-moral da Terra, os extremos da miséria ou da riqueza excessiva serão corrigidos, pela melhor produção e distribuição dos recursos. Entretanto, “os pobres sempre os tereis convosco”. 12:8) Sempre haverá na Terra pessoas com menos aptidões e recursos do que outras, por estarem em diferentes graus de evolução.

PROVAS DA RIQUEZA E DA MISÉRIA

A diversidade de riquezas e de misérias tem uma finalidade útil: a de provar as almas no excesso e na submissão.

Assim, os que sofrem com resignação, sem murmurações e com trabalho constante, conseguem superar suas provas. Pelo arrastamento ao mal a que se dá causa, pelas tentações que gera e pela fascinação que exerce, a riqueza constitui uma prova arriscada, mais perigosa que a pobreza; é o supremo excitante do orgulho do egoísmo e da vida sensual. É o mais estreito laço que prende o homem a Terra.

Ambas as provas apresentam facetas diferentes, mas tanto o rico quanto o pobre podem fracassar. O primeiro por não fazer o bem, e o segundo pelas queixas contra a Providência. O rico esta mais sujeito as tentações, mas dispõem de meios de praticar o bem; mas isso é justamente o que nem sempre faz, pois se torna egoísta, orgulhoso e insaciável.

A riqueza também pode ser um fator para a redenção do Espírito, quando dela sabe servir-se, empregando-a com critério e discernimento. Enquanto para uns a pobreza é a prova da paciência e da resignação, a riqueza é para outros o exercício da caridade e da abnegação.

Êxitos e desditas à luz do evangelho se apresentam comumente em sentido oposto a interpretação imediatista dos conceitos humanos.

Na manjedoura, entre pecadores, no trabalho humilde, convivendo com os deserdados, raptado e largado numa cruz. Jesus é o símbolo do triunfo real sobre tudo e todos, em imperecível lição, que ninguém pode deslustrar ou desconhecer. “Toma-o por modelo e não te perturbes nunca nas glórias ou nos insucessos; guarda-te na paz interior e persevera no amor, seguindo a rota do bem inalterável.”

Cada espírito é um ser com programação própria fruto das realizações passadas e presentes.

Conquistas materiais e espirituais marcam as etapas evolutivas da humanidade, independentemente da encarnação, ora como homem, ora como mulher, rico ou pobre...

A lei de igualdade faz-nos sentir que as sábias palavras do Mestre, Sede perfeitos, só se concretizarão quando entendermos que todos somos iguais perante o Pai da vida.

IGUALDADE DOS DIREITOS DO HOMEM E DA MULHER

Deus não concedeu superioridade natural a nenhum homem ou mulher, nem pelo nascimento e nem pela morte, pois todos estão submetidos às mesmas leis naturais (divinas).

Deus (pai), como ser antropomórfico foi nos colocado por meios político-religiosos para temermos, sabemos que na antiguidade cultuavam a Deusa (mãe). Hoje entendemos muito pouco sobre o que é Deus, 1ª pergunta do LE, mas compreendemos que ele nos criou como espíritos iguais com compromissos assumidos conforme o uso do nosso livre arbítrio das várias encarnações, ora como homem ora como mulher.

Desde o ano 313 D.C., no Concilio de Nicéia, onde sob as ordens do imperador Constantino, através de debates, os bispos chegam à conclusão que Jesus trazendo a substância de Deus, era portanto, também um ser trino: pai, filho e espírito santo.

Vários relatos do Mestre provam o contrário como, por exemplo, “A doutrina que vos ensino não é minha, mas sim daquele que me enviou” (João 7: 16).

Sabemos, isto sim, que Jesus encarnou como homem, pois como mulher ele mal seria ouvido, mas suas energias eram totalmente equilibradas, viril como um homem e doce como uma mulher (ex. vendilhões do templo/ mulher adúltera).

Esse equilíbrio que devemos conquistar como espíritos, que por isso mesmo, ora reencarnamos como homens, ora como mulheres. Pessoa alguma se encontra em clima de privilégio enquanto na vilegiatura material.

Todas as lágrimas procedem de razoes justas, embora não alcances prontamente as suas nascentes.

Reconforta-te na decisão das atitudes sãs, faze tua parte.

Cada ser responde pelos próprios atos, ontem, hoje e sempre.

IGUALDADE PERANTE O TÚMULO

Segundo os Espíritos Superiores, o desejo de perpetuar a própria memória nos monumentos fúnebres, ou honrar o falecido é originado pelo orgulho. Os familiares também fazem por ostentação e exibição de riqueza perante aqueles menos afortunados.

“TODO AQUELE, POIS QUE SE HUMILHAR E SE FIZER PEQUENO COMO ESSE MENINO SERÁ O MAIOR NO REINO DOS CÉUS” (Mateus cap. XVIII; 1-5)

Se o Cristo prometeu aos pobres o Reino dos Céus, foi porque os grandes da Terra imaginavam que os títulos e as riquezas terrenas eram a recompensa de seus méritos, e sua essência era mais pura que a do pobre.

Deus estabeleceu alguma distinção entre o invólucro do pobre e do rico?

- O Criador não criou duas espécies de homens. Tudo o que Deus faz é grande e sábio. (ESE cap. VII item II)

“PORQUE QUEM SE EXALTAR SERÁ HUMILHADO E QUEM SE HUMILHAR SERÁ EXALTADO” (Lucas cap. XIV; 1, 7 - 11)

“A tumba é o lugar de encontro de todos os homens, nela se findam impiedosamente todas as distinções humanas...” (LE, 824).

A evidenciar que as lembranças das boas ações farão parte da nossa bagagem espiritual não tendo relevância as pompas do funeral, pois não nos acrescenta nenhum mérito na escala evolutiva.

BIBLIOGRAFIA:
KARDEC, Allan - O Livro dos Espíritos, Livro 3º, cap. IX, questões 8o3 a 824;
KARDEC, Allan - O Evangelho Segundo o Espiritismo - cap. XVI, itens 7 e 8;
Bibliografia Complementar:
EMMANUEL, Francisco Cândido Xavier - Estude e Viva – nº 10;
FEESP – CURSO BÁSICO DE ESPIRITISMO – 2º ANO
EMMANUEL, Francisco Cândido Xavier - Religião dos Espíritos;
CALLIGARIS, Rodolfo - Leis Morais, “Lei de Igualdade”;
PIRES, José Herculano - O Homem no Mundo - Heloisa Pires;
PERALVA, Martins - O Pensamento de Emmanuel - n° 30;
EMMANUEL, Francisco Cândido Xavier- O Livro da Esperança - item 43;


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