CARACTERÍSTICAS BÁSICAS DO ESPÍRITA: PACIÊNCIA, INDULGENCIA, FÉ, HUMILDADE, DIGNIDADE E CARIDADE.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

21ª AULA - CURSO PREPARATÓRIO DE ESPIRITISMO - FEESP

PARTE B: OS TRABALHADORES DA ÚLTIMA HORA

“O Reino dos Céus é semelhante a um homem, pai de família, que ao romper da manhã saiu a assalariar trabalhadores para a sua vinha”. E tendo feito com eles o ajuste de um denário por dia, mandou-os para a sua vinha. Saiu, ainda, pela terceira hora, e viu estarem outros na praça, ociosos. E disse-lhes: ide vós também para a minha vinha e dar-vos-ei o que for justo. E eles foram. Saiu, porém, outras vezes, pela sexta e pela nona hora do dia; e fez o mesmo. E tendo ainda saído à undécima hora achou outros que lá estavam, também desocupados e lhes disse: por que estais vós aqui o dia todo, ociosos? Responderam-lhe eles: porque ninguém nos assalariou. Ide então vós também para a minha vinha. Porém, lá no fim da tarde, disse o senhor da vinha ao seu mordomo: chama os trabalhadores e paga-lhes o jornal, começando pelos últimos e acabando nos primeiros. Tendo chegado, pois, os que foram ajustados na hora undécima, recebeu cada um o seu denário. E chegados também os que tinham ido primeiro, o seu denário. E chegados também os que tinham ido primeiro julgaram que haviam de receber mais; porém também estes não receberam mais do que um denário cada um. E ao recebê-lo, murmuravam contra o pai de família, dizendo: Estes, que vieram por último, não trabalharam senão uma hora e tu os igualastes conosco, que aturamos o peso do dia e do calor. Porém ele, respondendo a um deles, lhe disse: Amigo, eu não te faço agravo; não concordaste comigo no preço de um denário pelo teu dia? Toma o que te pertence e vai-te, que eu de mim quero dar também este último tanto como a ti. Não é licito fazer o que quero? Acaso teu olho é mau porque eu sou bom? “Assim, os últimos, serão os primeiros e os primeiros serão os últimos, pois muitos são os chamados, mas poucos os escolhidos”. (Mateus, 20:1-16. Ver também Mt, 22:1-14).

”Parábola da festa de Núpcias”. Consideramos que nesta parábola, entre outras coisas, o Mestre aproveita para mais uma vez admoestar os homens sobre o seu inveterado costume de reparar sempre demais nas coisas que dizem respeito aos outros do que cuidar das que lhes são próprias. Estamos sempre prontos para superavaliar o nosso próprio mérito e subestimar o merecimento alheio e parece-nos injustiça que os outros recebam mais ou tanto quanto nós por um serviço que, na nossa opinião, executamos tão bem ou melhor do que eles.

Avaliando o nosso próprio valor, somos invariavelmente levados a exagerá-los perante o mundo, em detrimento do valor real que muitas vezes possui o nosso semelhante. Por isso, Jesus, conhecedor profundo de nossas fraquezas, ministra-nos lições que nos alertam e nos obrigam a considerar melhor o nosso procedimento, ajudando-nos a aceitar sem revoltas e sem murmurações tudo o que nos couber na vida, pois recebemos sempre o que melhor nos serve e de acordo com o nosso merecimento.

As reiteradas vezes que o pai de família, durante as várias horas do dia, desde o amanhecer até a última hora, sai, para convidar e assalariar novos trabalhadores, devem significar para nós a constância com que somos chamados a realizar a nossa tarefa, e o pagamento, sempre de acordo com o nosso esforço, perseverança e dedicação, nem sempre proporcional ao tempo gasto para executá-la, simboliza as conquistas definitivas que vamos fazendo, em busca de nosso aperfeiçoamento no caminho da evolução.

As referências que notamos no texto evangélico, sobre a hora terceira, hora sexta e hora nona, correspondem, respectivamente, de acordo com a divisão do dia usada naquele tempo, às nossas atuais 9 horas, 12 horas e 15 horas do dia, sendo ainda, a undécima hora deles igual às 17 horas de hoje.

Em face do orgulho que caracterizava as classes elevadas dos judeus daquela época, objetivava o Mestre com a sua Doutrina, abater aquele sentimento mau, ao mesmo tempo que animava os esforços das classes menos favorecidas, enchendo de esperanças e de coragem os pecadores que se arrependiam, mostrando-lhes, ainda, que a questão não era de classe, nem de culto ou de nacionalidade, mas sim de trabalho para obter merecimento recompensado e encorajado, igualmente, os trabalhadores que tardiamente adquiriam o conhecimento das verdades evangélicas.

Com muito mais propriedade, ainda, pode a parábola ser explicada através da Lei da Reencarnação, sendo então fácil aceitarmos a aparente desproporção da paga, visto tratar-se no caso, de caminheiros da eternidade em diferentes estágios evolutivos, uns mais e outros com menos realizações trazidas do passado e portadores, portanto, de necessidades diferentes.

Da mesma forma se esclarece porque haverá primeiros que serão últimos e últimos que serão primeiros, pois o que decidirá será a maneira como caminharmos, isto é, se nos esforçamos para frente, em linha reta, seremos dos primeiros e, no caso contrário, se tomarmos atalhos tortuosos, seremos dos últimos, não obstante pudéssemos ter sido dos primeiros, a iniciar a marcha e a adquirir conhecimentos.

Igualmente, muitos serão chamados de cada vez e todos serão chamados no curso dos tempos, mas, como é sempre muito grande o número de recalcitrantes e retardatários em relação aos obedientes e diligentes, acontece que poucos são os escolhidos de cada vez.

BIBLIOGRAFIA:

Xavier, F. C - Roteiro

QUESTIONÁRIO:

1 - Quem são os trabalhadores da última hora?

2 - O que significa "os últimos serão os primeiros e os primeiros serão os últimos"?

3 - Na sua opinião, qual o principal ensinamento da parábola?

terça-feira, 26 de novembro de 2013

21ª AULA - CURSO PREPARATÓRIO DE ESPIRITISMO - FEESP

PARTE A: O ESPIRITISMO NA ATUALIDADE

Depois de séculos de obscurantismo religioso e do dogmatismo imposto, consciências amadurecidas começam a despertar em busca de solução para os seus problemas transcendentes. Nos dias de hoje, vê-se um surto desenfreado de seitas e doutrinas que procuram atender aos Espíritos inquietos, sedentos de novas luzes.

Há um inegável interesse pelo fenômeno, como resposta a velhas questões filosóficas, sem qualquer consequência de ordem moral.

Nesse diapasão, vê-se um crescimento do espiritualismo no mundo, redescobrindo velhas práticas, com roupagem moderna. Presas ao imediatismo da vida material, as criaturas especulam em todos os campos possíveis, no encalço de fórmulas mágicas ou de revelações fantásticas que lhes atendam os anseios da curiosidade vã.

Quando se trata do comportamento humano e das suas consequências morais, o homem ainda se reserva o direito de não esmiuçá-lo, conservando-se como era (e como pretende continuar sendo), protegido pelos mecanismos de defesa da sua personalidade.

A nova ordem de coisas custa a penetrar nos corações mais endurecidos.

O Espiritismo, porém, como o Consolador Prometido pelo Cristo, surge no horizonte humano como um oásis em meio ao universo da desinformação e da desesperança, oferecendo ao homem o conhecimento da verdade que liberta e eleva o Espírito.

Enquanto muitos ainda permanecem presos aos modismos, buscando soluções imediatistas para problemas enraizados na personalidade desde longa data, e aderindo a práticas místicas do passado, com roupagem moderna, “o Espiritismo, nos tempos modernos, é, sem dúvida, a revivescência do Cristianismo em seus fundamentos mais simples”, como enfatiza Emmanuel.

Mostrando ao homem que ele é o interexistente, isto é, aquele que vive entre os dois mundos, oferece-lhe novas oportunidades de realização, por alterar-lhe o panorama das cogitações mentais.

A sobrevivência além da morte já não encerra a criatura nos círculos intransponíveis do céu, inferno e purgatório. A pluralidade dos mundos habitados, da mesma forma, não prende o Espírito nas teias incompreensíveis da mesquinha problemática planetária.

O Diálogo entre vivos e mortos alarga o universo do conhecimento e preserva os laços afetivos bem formados. Os sofrimentos não são senão nódulos temporários na cadeia da evolução, dissolvidos pelo trabalho digno e pelo conhecimento de si mesmo, que levam o indivíduo a harmonizar-se definitivamente com os imperativos da lei divina. O princípio da reencarnação passa a ser entendido como a chave que abre as portas da existência a todos quantos desejem ardentemente atingir a perfeição a que todos estamos destinados pela Justiça e o Amor Divinos.

Hoje, encontramos na literatura espírita toda sorte de recursos para a renovação necessária, a começar pelas obras da Codificação. No Evangelho, o roteiro para a solidificação do comportamento fraterno cristão. Em O Livro dos Espíritos, os princípios filosóficos para a fortificação do pensamento bem formado. Em O Livro dos Médiuns, a prática mediúnica à luz da fenomenologia perispíritica.

Além disso, a obra de Francisco Cândido Xavier, com mais de 400 títulos, surge com um indispensável complemento para o conhecimento do Espírito imortal, mormente com as mensagens dos Espíritos André Luiz e Emmanuel. Da pena mediúnica ainda, cumpre ressaltar a obra de Divaldo Pereira Franco, composta de muitos títulos e ditada por Joanna de Angelis, Bezerra de Menezes, Victor Hugo e muitos outros Espíritos.

Não bastasse todo esse manancial de bênçãos, há ainda o trabalho dos clássicos como Léon Denis, Gabriel Delanne, Camille Flammarion e Ernesto Bozzano, entre os mais notáveis.

Autores contemporâneos devem ser lembrados também: Hernani Guimarães Andrade, Jorge Andréa, Hermínio C. Miranda, Richard Simonetti, Paulo Alves Godoy, José Herculano Pires, Manoel Pelicas São Marcos e outros.

Nos dias atuais, vê-se ainda o surgimento de novas práticas que se colocam dentro do vasto círculo da fenomenologia do espírito, entre as quais destacamos a TRVP (Terapia Regressiva a Vidas Passadas) e a TCI (Transcomunicação Instrumental), que auxiliam na elucidação de algumas questões da competência da Doutrina Consoladora.

Todavia “urge o estabelecimento de recursos para a ordenação justa das manifestações que dizem respeito à nova ordem de princípios que se instalam vitoriosos na mente de cada um”, adverte Emmanuel.

Hoje, sente-se a necessidade da unificação do Espiritismo, em torno do ideal do ensino espírita, do aprendizado da Doutrina, principalmente no que diz respeito ao Evangelho de Jesus, com a prática da caridade e do amor ao semelhante. Congressos mundiais ou internacionais vêm sendo organizados com essa finalidade, no Brasil e na Europa.

É um fato histórico, de grande significado.

Se o Espiritismo começou com a curiosidade (causada pela estranheza dos fenômenos) e passou para a fase do raciocínio e da filosofia, é chegado o terceiro momento: da aplicação e das consequências. Já superamos a etapa da fé cega e chegamos ao porto seguro da fé raciocinada, sob as claridades inegáveis de um novo tempo.

Não basta conhecer o Evangelho; é preciso praticá-lo.

Não é suficiente ter os exemplos de Jesus na memória; é imprescindível inscrevê-los no coração e segui-Lo, além dos limites do tempo...

BIBLIOGRAFIA:

Kardec, Allan - O Evangelho Segundo o Espiritismo

Xavier, F. C. - Roteiro

QUESTIONÁRIO:

1 - Qual a missão do Espiritismo?

2 - Qual a importância da literatura espírita?

3 - Na sua opinião, como está o Espiritismo na atualidade?

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

20ª AULA - CURSO PREPARATÓRIO DE ESPIRITISMO - FEESP

PARTE B: NÃO PONHAIS A CANDEIA DEBAIXO DO ALQUEIRE

“Ninguém acende uma lâmpada, e a esconde com alguma vasilha, ou põe debaixo da cama; põe-na sim, sobre um candeeiro, para que vejam a luz aqueles que entram. Porque não há nada de secreto que não venha a ser descoberto, nem nada oculto que não venha a ser conhecido e tornado público.” (Lucas, 8:16-17).

Causa estranheza ouvir Jesus dizer que não se deve pôr a luz debaixo do alqueire, ao mesmo tempo que se esconde a toda hora o sentido das suas palavras sob o véu de alegoria, que nem todos podem compreender. Ele se explica, entretanto, dizendo aos apóstolos: Eu lhes falo em parábolas, porque eles não estão em condições de compreender certas coisas; eles veem, olham, ouvem e não compreendem certas coisas; assim dizer-lhes tudo, ao menos agora, seria inútil; mas a vós o digo, porque já vos é dado compreender esses mistérios.

E procedia, portanto, para com o povo, como se faz com as crianças, cujas ideias ainda não se encontram desenvolvidas. Dessa maneira, indica-nos o verdadeiro sentido da máxima: “Não se deve pôr a candeia debaixo do alqueire, mas sobre o candeeiro, a fim de que todos os que entram possam vê-la”. Ele não diz que tenhamos de revelar inconsideradamente todas as coisas, pois, todo o ensinamento deve ser proporcional à inteligência de quem o recebe, e porque há pessoas que uma luz muito viva pode ofuscar sem esclarecer.

Pergunta-se que proveito o povo poderia tirar dessa infinidade de parábolas, cujo sentido estava oculto para ele. Deve notar-se que Jesus só se exprimiu em parábolas sobre as questões, de alguma maneira abstratas da sua Doutrina. Mas, tendo feito da caridade e da humildade a condição expressa de salvação, tudo o que disse a esse respeito é perfeitamente claro, explícito e sem nenhuma ambiguidade.

Assim devia ser, porque se tratava de regra de conduta, regra que todos deviam compreender, para poderem observar. Era isso o essencial para a multidão ignorante, à qual se limitava a dizer: Eis o que é necessário para ganhar o Reino dos Céus. Sobre outras questões, só desenvolvia os seus pensamentos para os discípulos.

Estando eles mais adiantados moral e intelectualmente, Jesus podia iniciá-los nos princípios mais abstratos. Foi por isso que disse: Ao que já tem, ainda mais se dará, e terá em abundância. (E.S.E., Cap. XVII, item 15).

Não obstante, mesmo com os apóstolos, tratou de modo vago sobre muitos pontos, cuja inteligência completa estava reservada aos tempos futuros. Foram esses os pontos que deram lugar a diversas interpretações, até que a Ciência, de um lado, e o Espiritismo, de outro, vieram revelar as novas leis da natureza, que tornaram compreensível o seu verdadeiro sentido.

“Ninguém acende a candeia e a coloca debaixo de um móvel, mas no velador, e assim alumia a todos os que estão na casa”. – Jesus (Mateus 5:15).

Muitos aprendizes interpretam semelhantes palavras do Mestre como apelo à pregação sistemática e desvelaram-se através de veementes discursos em toda parte. Outros admitiram que o Senhor lhes impunha a obrigação de violentar os vizinhos, através de propaganda compulsória da crença, segundo o ponto de vista que lhes é particular.

Em verdade, o sermão edificante e o auxílio fraterno são indispensáveis na extensão dos benefícios divinos da fé. Nossa existência é a candeia viva. É um erro lamentável despender nossas forças, sem proveito para ninguém, sob a medida de nosso egoísmo, de nossa vaidade ou de nossa limitação pessoal.

Prega, pois, as revelações do Alto, fazendo-as mais formosas e brilhantes em teus lábios; insta com parentes e amigos para que aceitem as verdades imperecíveis; mas não olvides que a candeia viva da iluminação espiritual é a perfeita imagem de ti mesmo.

BIBLIOGRAFIA:

Kardec, Allan - O Evangelho Segundo o Espiritismo

Xavier, F. C - Fonte Viva

QUESTIONÁRIO:

1 - O que significa colocar a candeia debaixo do alqueire?

2 - Por que devemos procurar ser criaturas que buscam o aperfeiçoamento para se tornar mais uma luz no mundo?

3 - Na sua opinião, como devemos proceder para fazer "brilhar a nossa luz"?

terça-feira, 19 de novembro de 2013

20ª AULA - CURSO PREPARATÓRIO DE ESPIRITISMO - FEESP

PARTE A: O ESPIRITISMO COMO CONSOLADOR PROMETIDO

Próximo de partir para a Espiritualidade, Jesus promete aos seus discípulos que lhes enviará um outro Consolador, o Espírito da Verdade, o Parácleto, que haveria de ensinar todas as coisas e lembrar o que ele dissera (Jô, 14:15-17 e 26; 16:7-14). No tempo determinado, o Espiritismo veio cumprir aquela promessa do Divino Mestre, revelando ao homem as leis que regem os fenômenos, antes tidos como sobrenaturais ou milagrosos.

O Espiritismo, ou o Consolador Prometido, surge no horizonte terrestre, em meados do séc. XIX, como a Terceira Revelação. No século XIII ª C., Moisés trouxe para a Humanidade a Primeira Revelação, materializando a ideia do Deus Único (já ensinada por Abrão, o grande patriarca hebreu, cerca de 600 anos antes). Moisés promulgou a lei do Monte Sinai, lançando os fundamentos da verdadeira fé, como grande médium que era. Como homem, foi o legislador eficiente, que organizou a sociedade da época, procurando livrá-la dos erros do politeísmo.

Após Moisés, veio o Cristo, encarnando a Segunda Revelação, e acrescentou à essência dos ensinamentos mosaicos a ideia da vida futura, estranha ao contexto do Pentateuco, bem como as penas e recompensas que esperam o homem depois da morte. Jesus faz encarar a divindade de um ponto de vista totalmente novo: “não é mais o Deus que quer ser temido, mas o Deus que quer ser amado”. (A Gênese, Cap. I, item 23) Jesus, então, resume o Decálogo num mandamento maior – o amor a Deus, acima de todas as coisas – e num menor, semelhante àquele – o amor ao próximo – e estabelece assim as bases da Religião Cósmica (Universal).

A Doutrina dos Espíritos, como Terceira Revelação, é o Cristianismo Redivivo. A revelação espírita possui um duplo caráter, visto que participa, ao mesmo tempo, da revelação divina e da revelação científica, as duas vias que levam o homem ao verdadeiro conhecimento. Nas palavras de Kardec, “o que caracteriza a revelação espírita é que sua origem é divina, que a iniciativa pertence aos Espíritos e que sua elaboração é o resultado do trabalho do homem”.

O Espiritismo, então, parte das próprias palavras de Cristo (da mesma forma que este muitas vezes remeteu seus discípulos às palavras de Moisés), sendo uma consequência direta de sua doutrina.

À ideia vaga da vida futura, acrescenta a revelação da existência do mundo invisível que nos cerca e povoa o espaço. Define os laços que unem o espírito ao corpo.

Fundamenta-se no princípio da reencarnação. E estabelece as consequências morais da conduta humana frente às leis divinas.

O Espiritismo, assim, como uma doutrina de conhecimento, chega no momento em que a Humanidade está melhor preparada e a Ciência encontra-se organizada e pronta para dar sustentação ao fenômeno espírita, que, sem ela, ficaria sem apoio e exame. Se tivesse surgido antes das descobertas científicas dos séculos XVII e XVIII, a ação da Espiritualidade fatalmente estaria condenada ao fracasso.

A Doutrina Consoladora mostra ao homem que a causa dos seus sofrimentos, muitas vezes, está em existências anteriores; que a Terra, no seu atual estágio, é um mundo de expiação e provas; que Deus, soberanamente justo e bom, a ninguém castiga, de sorte que as aflições vividas pela criatura humana conduzem à cura dos seus males, assegurando-lhe a felicidade nas existências futuras.

O Espiritismo, por isso, no seu tríplice aspecto (de Ciência, Filosofia e Religião), responde aos mais diversos questionamentos humanos, fazendo o homem compreender de onde vem, para onde vai e o que está fazendo na Terra; enfim, desvela lhe sua natureza, sua origem e sua destinação, preparando-o para viver melhor suas próximas encarnações.

Finalmente, revela o conceito mais avançado de Deus: Inteligência Suprema e causa primária de todas as coisas. Esclarece que não podemos conhecer a natureza íntima do Criador, mas aponta alguns de seus atributos, que nos mostram sua justiça e sua bondade, presentes em toda a Criação.

BIBLIOGRAFIA:

Kardec, Allan - A Gênese.

QUESTIONÁRIO:

1 - Sinteticamente, quais são as três grandes revelações?

2 - Por que o Espiritismo é o Consolador Prometido?

3 - O que caracteriza a revelação espírita?

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

19ª AULA - CURSO PREPARATÓRIO DE ESPIRITISMO - FEESP

PARTE B: SEDE PERFEITOS

“Tendes ouvido o que foi dito: amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: amai vossos inimigos, fazei bem aos que vos perseguem e caluniam, para serdes filhos de vosso Pai que está nos céus; que faz nascer o sol sobre os bons e maus, e vir chuva sobre os justos e os injustos. Porque se só amardes aos que vos amam, que recompensa tereis? Não fazem o mesmo os publicanos? Se somente saudardes os vossos irmãos, que é o que com isto fazeis mais do que os outros? Não fazem o mesmo os gentios? Sede, pois, perfeitos, como é perfeito vosso Pai Celestial”. (Mateus, 5:43-48).

Passagem semelhante é narrada pelo evangelista Lucas (6:27-28 e 32-36), aparecendo o último versículo assim: “Sede, pois, misericordiosos como também vosso Pai é misericordioso”.

Jesus disse: “Não vim destruir a lei, mas sim cumpri-la” (Mateus, 5:17).

Como já vimos anteriormente, o Mestre referia-se à lei divina e não à lei humana, que mandava amar ao próximo e odiar aos inimigos. Entretanto, não nos enganemos com o sentido que devemos dar às palavras de Jesus, quando nos manda amar nossos inimigos, pois com isso não quis, por certo, dizer que devemos amar o inimigo com o enternecimento e carinho, a ternura e confiança que dedicamos a um irmão ou a um amigo. Não poderemos ter para com quem nos persegue as mesmas expansões de amizade ou arroubos de simpatia, que manifestamos por aqueles com os quais estamos em comunhão de pensamento e em sintonia.

Amar os inimigos, então, é não lhes ter ódio, nem rancor, nem desejo de vingança; é perdoar-lhe o mal que nos fazem, sem obstar à reconciliação; é desejar-lhes o bem e não o mal; alegrarmo-nos com a sua felicidade, estendendo-lhes a mão caridosa em caso de necessidade, abstendo-nos, por palavras e atos, de tudo quanto possa prejudicá-los; é, enfim, pagar sempre o mal com o bem, sem ideia de humilhá-los, e quem isso fizer, estará, sem dúvida, amando aos seus inimigos.

Deus é a perfeição infinita em todas as coisas e daí não devemos tomar ao pé da letra a máxima: “Sede perfeitos”, pois isso suporia a possibilidade de alcançarmos a perfeição absoluta, tornando a criatura igual ao Criador, o que é inadmissível.

Assim, Jesus apresentava aos homens um modelo, o mais perfeito, para que se esforçassem por imitá-lo, a fim de alcançarem a perfeição relativa de que são capazes. O grau de perfeição que podemos atingir está na razão da extensão do amor ao próximo, que podemos realizar, dilatando até o amor aos inimigos.

Moisés teve de ensinar a seus tutelados a amarem pelo menos de sua grei ou família. Jesus, porém, dilata o ensinamento, fazendo-nos compreender que todos os homens são irmãos, filhos de um único Pai, seja qual for a raça a que pertençam, até mesmo o nosso próprio inimigo.

Desde que começamos a esclarecer as nossas mentes e vamos libertando nossas consciências dos preconceitos e cristalizações, procurando lutar, para vencermos as nossas inferioridades, compreendemos a dificuldade imensa que encontramos, para atravessarmos a muralha de nossas imperfeições e escalarmos a montanha de nossos vícios e defeitos.

A grande esperança e nosso maior estímulo residem, então, na lei da reencarnação, que nos concede sempre renovadas oportunidades para alcançarmos, pela evolução, a perfeição relativa que nos compete. É pela reencarnação que os Espíritos que se odeiam têm oportunidade de se reconciliar, através dos laços consanguíneos, lutando e sofrendo juntos para se entenderem, vencerem a aversões recíprocas e, finalmente, se amarem!

Em Lucas, 6:40: “O discípulo não está acima do seu mestre; mas todo o discípulo será perfeito, se for como seu mestre”. Palavras de estímulo estas, pronunciadas por Jesus, modelo de perfeição, que nos diz poderem os discípulos igualar-se ao Mestre. Nossa compreensão nos diz, porém, que, somente percorrendo toda a estrada que nos foi aberta pelo modelo e guia, poderemos realizar esse magnífico objetivo e, isso, através das existências sucessivas na carne, dada a nossa ainda endividada posição atual.

Poderemos acelerar a nossa marcha e ganhar terreno no extenso caminho a percorrer, em busca de nosso aperfeiçoamento, se desde já nos compenetrarmos do nosso papel e da necessidade urgente de vivê-lo intensamente, buscando fazê-lo através de nosso sentimento de caridade e do amor ao próximo, fazendo o bem pelo bem, sem esperar recompensa, pagando o mal com o bem, defendendo o fraco contra o forte e sacrificando sempre nossos interesses em face da justiça; sendo indulgentes para com as fraquezas alheias e severos para com as próprias, não nos comprazendo em evidenciar os defeitos dos outros, mas estudando nossas próprias imperfeições e trabalhando, incansavelmente, para as combater e vencer.

O Espiritismo bem compreendido, mas, sobretudo, bem sentido e vivido, acelera a evolução e conduz, inevitavelmente, o seu adepto à perfeição, porquanto o progresso moral e espiritual é a característica do verdadeiro espírita, ou verdadeiro cristão.

O verdadeiro e sincero espírita tem o coração enternecido e a fé a toda prova, podendo ser reconhecido por sua transformação moral e pelo esforço que faz para dominar as más inclinações.

BIBLIOGRAFIA:

Kardec, Allan - O Evangelho Segundo o Espiritismo

QUESTIONÁRIO:

1 - O que significa para o Espírito "ser perfeito"?

2 - O que significa "amar os inimigos"?

3 - Na sua opinião, como devemos proceder para que sejamos cada vez melhores, rumando à perfeição?

terça-feira, 12 de novembro de 2013

19ª AULA - CURSO PREPARATÓRIO DE ESPIRITISMO - FEESP

PARTE A: A PORTA ESTREITA

Entre os extraordinários ensinamentos do Divino Mestre Jesus, delineados no Sublime Sermão do Monte, cap. 7 do Evangelho Segundo Mateus, vers. 13-14, encontramos a passagem das Duas Portas, em que o Cristo nos aponta o melhor caminho a seguir, nas sendas da evolução do Espírito.

A ideia das portas, porém, já era encontrada nas antigas tradições religiosas, como locais de passagem entre dois estados, entre dois mundos distintos um do outro (entre o conhecido e o desconhecido, entre a luz e as trevas), e levando a resultados inteiramente diversos. O iniciado era preparado, através de duras provas, para a travessia, cabendo-lhe, todavia escolher a forma como realizá-las.

Tratava-se dos rituais de passagem, em que a travessia era uma viagem rumo a uma situação diversa daquela em que o candidato vivera até aquele momento. Nas tradições judaicas e cristãs, essa passagem transformou-se num acesso à Revelação.

Ainda hoje essa tradição é mantida e pode ser sentida em diversos rituais modernos, como, por exemplo, nos “trotes” universitários, em que os calouros são submetidos, frequentemente, a humilhações e violências extremas.

No Evangelho Segundo o Espiritismo, encontramos a lição da porta assim colocada por Allan Kardec: “A porta da perdição é larga, porque as más paixões são numerosas e o caminho do mal é o mais frequentado”.

A da salvação é estreita, porque o homem que deseja transpô-la deve fazer grandes esforços para vencer as suas más tendências, e poucos se resignam a isso. Completa-se a máxima: São muitos os chamados e poucos os escolhidos.

“Esse é o estado atual da Humanidade terrena, porque sendo a Terra um mundo de expiações, nela predomina o mal.” Quando estiver transformada; o caminho do bem será o mais frequentado.

Devemos entender estas palavras, portanto, em sentido relativo e não absoluto.

“Se esse tivesse de ser o estado normal da Humanidade, Deus teria voluntariamente condenado à perdição a imensa maioria das crianças, suposição inadmissível, desde que se reconheça que Deus é todo justiça e todo bondade”. (Cap. XVIII, item 5).

Ao analisar a questão posta por Jesus, Emmanuel situa as portas na “muralha do tempo”, delimitando as dimensões passado e presente, aquém e futuro, além da muralha, para mostrar-nos que podemos permanecer na comodidade dos desacertos do mundo ou optarmos pela renovação dos nossos valores.

De fato, a porta larga (a da perdição), aponta para as ilusões do mundo: as más paixões, os vícios, os maus hábitos, as frustrações, os desequilíbrios, as más tendências, as concepções errôneas. É o caminho mais trilhado, visto que a Humanidade ainda não se deu conta da importância da vida futura, preferindo permanecer nas cogitações do imediatismo e das sensações, degradando-se nos atrativos que essa porta oferece.

Entorpecido pelas vivências exteriores e periféricas, o Espírito mergulha cada vez mais nas diversões materialistas, acreditando que tem em mãos as rédeas do destino e que poderá a qualquer momento, num “passe de mágica”, alterar os resultados das suas ações. Equivocado, ignora os meandros da Lei de Causa e Efeito, que mais cedo ou mais tarde o chamará a complexos reajustes.

O que elegeu a porta estreita, ao contrário, é um Espírito amadurecido e consciente, enxergando com os olhos da alma, que alça voos mais seguros e reais. Já compreendeu que o caminho apertado exige conhecimento, critério, vigilância, prudência, humildade e renúncia, para nele permanecer. É o caminho da vida da felicidade, da luz.

O indivíduo desperto não se forra a esforços; cuida primeiramente do seu campo mental, educa os seus pensamentos, policia as suas palavras, fala menos e ouve mais; procura viver em sintonia com o Alto através da prece sincera, simples, constante; não mede forças para auxiliar o seu próximo, vivenciando a lei de solidariedade na sua verdadeira expressão; procura compreender e perdoar aqueles que lhe estão à volta, principalmente no ninho doméstico.

Enfim, sabe que a confiança em Deus, acima de tudo é a forma mais sublime de manutenção das forças anímicas para a travessia escolhida. Assim é que renuncia às facilidades do mundo, à opinião dos homens, para sentir a presença de Deus, no recôndito de sua alma, imunizando-se, assim, contra os acidentes de percurso (pois os obstáculos se apresentam mais palpáveis nesse caminho). Sobretudo, está consciente de que a vitória ao final da jornada será conquistada por seus méritos e com inenarrável alegria íntima.

Não podemos nos esquecer das lições imorredouras do nosso Mestre Jesus, que dizia: “Eu sou a porta; se alguém entrar por mim, salvar-se-á...” (Jô, 10:9), mostrando assim a importância de vivermos dentro dos padrões evangélicos, qualquer que seja a dimensão em que estamos situados. É necessário adquirir esse bom hábito!

No estágio atual da Humanidade terrena, predomina o mal, em diversos aspectos: o orgulho, o egoísmo, o materialismo, a sensualidade, a agressividade, a ambição desmedida, a mentira, a maldade. Porém, não estamos obrigados a aderir a esse estado de coisas: devemos orar permanentemente, para não cairmos em tentação, reformulando nossas concepções errôneas; e valorizar cada oportunidade de renovação, vendo no Cristo “o Caminho, a Verdade e a Vida”.

BIBLIOGRAFIA:

Kardec, Allan - O Evangelho Segundo o Espiritismo

QUESTIONÁRIO:

1 - Como Kardec caracteriza as duas portas?

2 - Qual é, para o Espírito, a porta larga?

3 - É fácil passar pela porta estreita? Como fazer?

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

18ª AULA - CURSO PREPARATÓRIO DE ESPIRITISMO - FEESP

PARTE B: NÃO JULGUE, COMPREENDA

Dizia o filósofo Pitágoras que “o homem é a medida de todas as coisas”. Pode sê-lo, de fato, do ponto de vista filosófico e científico.

Porém, quando o que se tem para medir é o comportamento alheio, recomenda-se em primeiro lugar, cautela, bom senso, prudência, já que, como ensinava o Divino Mestre Jesus: “Aquele dentre vós que estiver sem pecado, atire-lhe a primeira pedra”. (Jô, 8:1-11). E qual de nós pode, realmente, sequer pensar em atirar a primeira pedra?...

Além, disso, o Excelso Amigo nos alertava, no Sermão do Monte, para a responsabilidade de julgar o próximo: “Não julgueis, para que não sejais julgados. Porque como o juízo com que julgardes sereis julgados, e com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós.” (Mt. 7:1-2). Na verdade, nenhum de nós gosta de ser julgado pelo outro; esta é mais uma razão para que não nos disponhamos a julgar ninguém (nem mesmo em pensamento).

Emmanuel também nos orienta para a necessidade de benevolência nos julgamentos, mormente quando se tratar de assuntos do coração, em que ainda somos extremamente deficientes. Diz o notável mentor espiritual: “Se alguém vos parece cair, sob enganos do sentimento, silenciai e esperai”! Se alguém se vos afigura tombar em delinquência, por desvarios do coração, esperai e silenciai!...

Sobretudo, compadeçamo-nos uns dos outros, por que, por enquanto, nenhum de nós consegue conhecer-se tão exatamente, a ponto de saber hoje qual o tamanho da experiência afetiva que nos aguarda amanhã.

Calai os vossos possíveis libelos, ante as supostas culpas alheias, porquanto nenhum de nós por agora, é capaz de medir a parte de responsabilidade que nos compete a cada um nas irreflexões e desequilíbrios dos outros...

Em tudo, devemos nos inspirar em Jesus, “o tipo mais perfeito que Deus ofereceu ao homem, para lhe servir de guia e modelo” (L.E., 625), e que nos apontava sempre para a necessidade de humildade, paciência, compreensão, perdão, benevolência, indulgência. Ele tinha a fórmula exata para a solução de todas as modalidades de problemas derivados das relações humanas, que sintetizava num pensamento profundo: “Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei”.

O Mestre falava do amor incondicional, do amor sublime, irrestrito, perene, que deveria estender-se ao parente difícil, ao companheiro rebelde, ao ofensor, ao adversário, ao inimigo... Nada pode substituir esse sentimento, nada é capaz de fazer cicatrizar uma ferida com tanta eficácia, nada se lhe pode opor com o fim de neutralizá-lo.

O amor, enfim, cobre a multidão dos pecados, como enfatiza o evangelista, e tudo devemos fazer para agir em seu nome, com pureza de alma.

BIBLIOGRAFIA:

Kardec, Allan - O Evangelho Segundo o Espiritismo

Xavier, F. C. - Vida e Sexo

QUESTIONÁRIO:

1 - O que Jesus nos orienta acerca dos julgamentos?

2 - Sintetize o pensamento de Emmanuel acercada compreensão dos problemas alheios.

3 - Como entender o amor, conforme a mensagem do Cristo?

terça-feira, 5 de novembro de 2013

18ª AULA - CURSO PREPARATÓRIO DE ESPIRITISMO - FEESP

PARTE A: A JUSTIÇA DIVINA

Entre os atributos de Deus, encontra-se o de sua soberana justiça e bondade (qualidades indubitáveis da divindade), em seu mais alto grau: “o infinito de uma qualidade exclui a possibilidade da existência de uma qualidade contrária que a diminuísse ou anulasse”. (A Gênese, Cap. II, item 14). Portanto, não se pode duvidar da justiça e da bondade divinas, medida precisa da sabedoria providencial, que se revela tanto nas menores quanto nas maiores coisas.

Mas, ainda vemos muitas criaturas, cristalizadas nas ilusões do mundo, que, ao menor sopro das adversidades, são capazes de questionar a justiça divina. Para estes, “Deus castiga, Deus pune, Deus não é justo”. Em outros momentos, por uma alegria fugaz, “Deus é maravilhoso, Deus é bom, Deus é justo”. Tal contradição encontra-se na criatura e não no Criador.

“Deus não poderia ser ao mesmo tempo bom e mau, pois então, não possuindo nenhuma de tais qualidades no grau máximo, não seria Deus; todas as coisas seriam submetidas ao seu capricho, e não haveria estabilidade para nada”. Ele não poderia ser senão infinitamente bom, ou infinitamente mau; ora, como suas obras testemunham sua sabedoria, sua bondade e sua solicitude, necessariamente se conclui que, não podendo ao mesmo tempo ser bom e mau, sem cessar de ser Deus, deve ser infinitamente bom.

“A soberana bondade implica na soberana justiça, pois se ele agisse injustamente ou com parcialidade numa só circunstância, ou em relação a uma só de suas criaturas, não seria soberanamente justo e, por consequência, não seria soberanamente bom”. (A Gênese, cap. II, ítem14).

A lição é muito significativa. Não podemos continuar tendo uma ideia contraditória de Deus, porque Ele “não se mistura à cadeia das suas criaturas”, como bem o definiu Léon Denis. Não podemos pensar num Deus caprichoso, mudando de humor a cada instante; devemos, antes, abandonar a ideia do Deus humanizado, descrito à nossa imagem e semelhança, já que desconhecemos completamente sua natureza íntima.

“O Pai a ninguém julga, mas deu ao filho todo o poder de julgar” (Jô, 5:22), disse Jesus, com toda a propriedade. O filho da frase não era, evidentemente, o próprio Cristo: “Vós julgai segundo a carne, eu a ninguém julgo” (Jô, 8:15), como ele mesmo afirma e confirma: “Se alguém ouvir as minhas palavras e não as guardar, eu não o julgo, porque não vim para julgar o mundo, mas para salvar o mundo”. (Jô, 12:47). Esse filho é cada um de nós, que tem o poder de julgar a si mesmo.

Na verdade, não se trata de uma aberração da Providência Divina, mas de um processo natural. Afinal, onde se encontra escrita a lei de Deus? “Na consciência” (L.E., 621), responderam os Espíritos a Kardec. Isto significa que, ao chegar à Espiritualidade, finda a romagem terrena, o Espírito não encontrará um Tribunal formado, Juízes togados ou Promotores de Justiça prontos para sentencia-lo. Contudo, haverá um outro julgamento, uma avaliação da existência ora terminada, naquilo que houve de mais importante.

Esse julgamento se dará no “Tribunal da Consciência”, onde cada um é seu próprio juiz e julgará de acordo com a verdade, sem procurar atenuar suas falhas, mas sendo o mais justo quanto possível. As leis imperantes nesse tribunal não são as humanas (falhas, lacunosas, obscuras), mas as Leis Divinas (sábias, harmonizadoras, perfeitas).

A sentença é equilibrada, isto é, abrange todo o campo das necessidades de aperfeiçoamento do Espírito, mais voltada para o futuro até do que para o passado, traçando os próximos passos do indivíduo no sentido de sua reformulação moral. Em posse dela, o Espírito começa a preparar-se para o retorno à vida corporal, com novas expectativas, ciente das probabilidades de reincidência no erro, motivo que o leva a fazer um esforço maior para corrigir-se.

Em tudo e por tudo, apresenta-se a Providência Divina, que “é a solicitude de Deus pelas suas criaturas”. (A Gênese, cap. II, item 20). Os perigos a que estamos expostos não são mais do que advertências para nos desviar do mal e nos tornar melhores a cada passo. “Se examinarmos a causa e a natureza do perigo, veremos que, na maioria das vezes, as consequências foram a punição de uma falta cometida ou de um dever negligenciado. Deus vos adverte para refletirdes sobre vós mesmos e vos emendardes”. (L.E. 855).

A necessidade de reflexão é permanente para cada um de nós. É o melhor meio de nos melhorarmos já nesta vida e resistirmos ao arrastamento do mal. Sócrates, imortalizando o “conhece-te a ti mesmo”, enfatizou também que “a vida sem exame é indigna do homem”.

Santo Agostinho reforçou esse pensamento: “o conhecimento de si mesmo é, portanto a chave do melhoramento individual”. (L.E., 919a). Estejamos, pois, atentos a nós mesmos, a todo momento, para que a Justiça Divina possa vir mais em abono das nossas virtudes e menos em corrigenda de nossas imperfeições.

BIBLIOGRAFIA:

Kardec, Allan - A Gênese.

Kardec, Allan - O Livro dos Espíritos

QUESTIONÁRIO:

1 - Como podemos conceituar Deus, em face de sua Justiça?

2 - Como somos julgados, por nossos acertos e erros?

3 - O que devemos fazer para nos melhorarmos?