CARACTERÍSTICAS BÁSICAS DO ESPÍRITA: PACIÊNCIA, INDULGENCIA, FÉ, HUMILDADE, DIGNIDADE E CARIDADE.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

24ª AULA - CURSO BÁSICO DE ESPIRITISMO 1º ANO - FEESP

PARTE A: HOMENAGENS

DR. BEZERRA DE MENEZES:

1 - BIOGRAFIA RESUMIDA: É muito importante conhecer a biografia de Bezerra de Menezes, não só como justa homenagem ao patrono da Federação Espírita do Estado de São Paulo, mas principalmente porque é parte integrante e importante da História do Espiritismo no Brasil.

Foi um grande missionário que não mediu esforços para unir os vários grupos espíritas que viviam esparsos no século passado.

O HOMEM: Adolfo Bezerra de Menezes nasceu na antiga Freguesia do Riacho do Sangue, hoje, Solonópole, no Estado do Ceará, no dia 29 de agosto de 1831. Em 1838 entrou para a escola pública da Vila do Frade, onde em dez meses apenas preparou-se suficientemente, até onde davam os conhecimentos do professor que dirigia a primeira fase de sua educação. Muito cedo revelou a sua capacidade intelectual, pois aos onze anos de idade iniciava o curso de Humanidades, e aos treze anos conhecia tão bem o latim que passou a ministrá-lo a seus companheiros, nos impedimentos do professor.

Seu progenitor, o velho Antônio Bezerra de Menezes, era um homem relativamente abastado, porém, por efeito de seu bom coração e o de sua esposa, Fabiana de Jesus Maria Bezerra, comprometeu seus recursos ao atender amigos que o procuravam e exploravam seus sentimentos. Ao perceber que seus débitos igualavam-se aos seus haveres propôs entregar suas fazendas aos seus credores, os quais não só recusaram como ainda, numa verdadeira homenagem ao caráter e à condução irrepreensível do velho fazendeiro, assinaram um memorial onde declaravam que os seus bens continuariam sempre seus e “... que gozasse deles como e quando quisesse, que eles, credores, se sujeitariam aos prejuízos que pudessem ter”.

O honrado cidadão insistiu, mas não conseguindo demovê-los, decidiu tornar-se mero administrador do que fora sua fortuna, retirando apenas o necessário para a manutenção da família, que passou da abundância para as privações. Foi nessa fase que Adolfo Bezerra de Menezes formulou os mais veementes votos de orientar-se pelo caráter íntegro de seu pai, e com minguada quantia partiu para a Província do Rio de Janeiro, a 5 de fevereiro de 1851, a fim de abraçar sua vocação, a Medicina. Sendo um dos estudantes mais pobres do seu tempo, viu-se na necessidade de lecionar desde o 2°. ano, a fim de manter-se na Faculdade.

Em certa ocasião, as taxas na Faculdade estavam atrasadas e havia o risco de se perder o ano; além disso, o senhorio ameaçava pô-lo na rua, subitamente batem-lhe à porta: era um moço simpático e de atitudes polidas que vinha contratar aulas de matemática. Bezerra recusou, confessando ser esta a matéria que ele mais detestava. O visitante insistiu e diante de sua situação financeira, Bezerra de Menezes resolveu aceitar. O moço inclusive efetuou o pagamento antecipadamente, como não tivesse livro algum sobre o assunto, correu à Biblioteca Pública e preparou a aula, esta, porém, não se realizou, pelo simples motivo de que o discípulo não mais apareceu.

O MÉDICO: Em novembro de 1852 ingressou como praticante interno no Hospital da Santa Casa de Misericórdia; doutorou-se em 1856, pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro.

Em 1858, concorreu a uma vaga de substituto da Seção de Cirurgia da Faculdade de Medicina, nesse mesmo ano, o mestre Manuel Feliciano Pereira de Carvalho, então cirurgião Mor do Exército, fê-lo seu assistente, com o posto de Cirurgião-Tenente.

Em parceria com um colega, abre um consultório no Centro Comercial do Rio de Janeiro, mas que apresenta pouco movimento, contudo, consultório particular que mantém em sua modesta casa no bairro apresenta um intenso movimento, porque eram consultas gratuitas, de clientes geralmente pobres que não podiam pagar seus serviços. Graças a este seu envolvimento com a dor alheia passou a ser conhecido como o "médico dos pobres".

Em novembro de 1858 casa-se com Maria Cândida de Lacerda, que desencarnou no outono de 1863, após rápida e imprevisível enfermidade, deixando-lhe dois filhos. Decorridos dois anos, casa-se com sua cunhada, Cândida Augusta de Lacerda Machado. Bezerra de Menezes encarava a medicina como um verdadeiro sacerdócio, chegando mesmo a dizer: "Um médico não tem o direito de terminar uma refeição, nem de escolher hora, nem de perguntar se é longe ou perto, quando um aflito qualquer lhe bate à porta".

O POLÍTICO: A população do bairro de São Cristovão, onde ele residia e clinicava quis que ele a representasse na Câmara Municipal, sendo então eleito vereador pelo Partido Liberal. No ano seguinte teve sua eleição impugnada por Haddock Lobo, chefe do Partido Conservador, contrário ao Partido Liberal sob a alegação de ser médico militar. Para não prejudicar seus pares que dele necessitavam para ter a maioria na Câmara, resolveu afastar-se do Exército. Foi reeleito vereador à Câmara Municipal do Rio de Janeiro, e mais tarde Presidente da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, cargo que à época correspondia ao de Prefeito Municipal.

Quando político, levantaram-se contra ele rudes campanhas de injúria, cobrindo o seu nome de impropérios; entretanto, a prova da pureza de sua alma, deu-a, quando deliberou abandonar a vida pública e dedicar-se aos pobres, repartindo com os necessitados o pouco que possuía.

Corria sempre ao casebre do pobre, onde houvesse um mal a combater, levando ao aflito o conforto de sua palavra de bondade, o recurso da sua profissão de médico e o auxílio da sua bolsa minguada, porém generosa. Sobre a política, dizia o Dr. Bezerra de Menezes: "Para nós, a política é a ciência de criar o bem de todos e nesse princípio nos firmaremos".

O ESPÍRITA: Desde 1818, no Brasil, começou-se falar de homeopatia e no Rio de Janeiro surgiu um grupo espírita, do qual faziam parte alguns médiuns receitistas; ali, com grande interesse espiritual estudavam-se os ensinamentos veiculados por Allan Kardec, sob o lema "Fora da caridade não há salvação". Joaquim Travassos, membro fundador desse grupo, tão logo viu publicada a tradução portuguesa de "O Livro dos Espíritos", apressou-se em levar um exemplar ao seu conhecido, o deputado Bezerra de Menezes.

Encontrou o "médico dos pobres" em um fim de tarde, no momento em que se encaminhava para tomar o bonde de volta ao lar, sem distração alguma que lhe amenizasse a longa viagem, abriu casualmente o livro e pensou: "Ora, com certeza não irei para o inferno só por ler isto".

Perplexo, não encontrava nada que fosse novo para seu espírito, no entanto, tudo aquilo era novo para ele. Achava que já houvera lido ou ouvido tudo o que se encontrava no "O Livro dos Espíritos".

Preocupou-se seriamente com isso e dizia: "Parece que era espírita inconscientemente, ou como se diz vulgarmente, de nascença".

Em 1876 nasce a "Sociedade de Estudos Espíritas Deus, Cristo e Caridade", primeira sociedade kardecista do Rio de Janeiro, com Bittencourt Sampaio à frente como médium receitista. Aqueles que dirigiam os núcleos do Espiritismo no Rio de Janeiro, sentiram a necessidade de uma união mais forte, mais consolidada. Urgia um sistema de disciplina e de ordem que congregasse em torno de um centro único, os elementos dispersos.

Assim, em 1883 surgiu a Federação Espírita Brasileira, dada a mentalidade e o prestígio de Bezerra de Menezes, na época já cognominado "Kardec Brasileiro", foi ele um dos primeiros convidados para dirigi-la.

Ele, porém, julgando-se ainda insuficientemente preparado, não só rejeitou qualquer proposta como também não consentiu que o seu nome sequer figurasse entre os fundadores. À noite desse dia, dirigiu-se para o Centro "Grupo Ismael", do qual era dirigente, comentando com os colegas o convite recebido. Durante o desenrolar dos trabalhos recebe uma mensagem do Espírito Agostinho, concitando-o a aceitar o cargo de direção da FEB, pois que os Espíritos iriam ajudá-lo; mas Dr. Bezerra de Menezes retruca humildemente: “Ajudar como”? Por acaso irei cobrar as receitas dos amigos espirituais? E o Espírito responde: "Trazendo até você, quando precisar, mais alunos de matemática".

No dia 16 de agosto de 1886, um auditório com cerca de duas mil pessoas da melhor sociedade, que enchia o salão de honra da Guarda Velha, ouviu em silêncio, emocionado, atônito, a palavra do eminente homem público, do eminente cidadão, do eminente católico que tornava pública sua adesão ao Espiritismo. Nessa época, já existiam muitas sociedades espíritas, porém as únicas que mantinham a hegemonia eram quatro: "Acadêmica", a "Fraternidade", a "União Espírita do Brasil" e a "Federação Espírita Brasileira". Entretanto, logo surgiram entre elas rivalidades e discórdias, sob os auspícios de Bezerra de Menezes, e acatando as importantes instruções dadas por Allan Kardec, através do médium Frederico Júnior, foi fundado o famoso "Centro Espírita"; porém, nem por isso deixava Bezerra de Menezes de dar a sua cooperação a todas as outras instituições.

O entusiasmo dos espíritas logo se arrefeceu, e Bezerra de Menezes se viu desamparado pelos seus companheiros, chegando a ser o único frequentador do Centro, a cisão era profunda entre os espíritas que se dividiam em "místicos" e "científicos". Em 1894, o ambiente demonstrou tendências de melhora e o nome de Bezerra de Menezes foi lembrado como o único capaz de unificar a família espírita. O infatigável batalhador, com 63 anos de idade, assumiu a presidência da Federação Espírita Brasileira, cargo que ocupou até o dia 11 de abril de 1900, quando desencarnou.

É assim que Dr. Bezerra de Menezes legou-nos tão rica mensagem de amor, trabalho e desprendimento, sendo para nós o exemplo da caridade personificada. Tão nobre Espírito missionário continua ainda a atuar, liderando uma falange de Espíritos dedicados a minorar a dor dos seus semelhantes, e em todos os Centros Espíritas, onde houver dois ou mais trabalhadores reunidos em seu nome, onde houver um coração que soluça, uma alma querida necessitada, a sua equipe se fará presente.


AS OBRAS: Dentre suas obras podemos destacar: - Estudos Filosóficos - contendo a maioria dos seus artigos publicados no jornal "O PAIZ", sob o pseudônimo de Max; - A Loucura sob novo prisma - obra descritiva sobre o conceito espírita de obsessão; - Uma carta de Bezerra de Menezes.

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