CARACTERÍSTICAS BÁSICAS DO ESPÍRITA: PACIÊNCIA, INDULGENCIA, FÉ, HUMILDADE, DIGNIDADE E CARIDADE.

quinta-feira, 24 de setembro de 2020

17ª Aula Parte A - CURSO O QUE É O ESPIRITISMO FEESP


CREMAÇÃO - DOAÇÃO DE ÓRGÃOS E TRANSPLANTES

Uma vez ocorrida a morte, que destino dar ao corpo que já não pode entreter a vida? Enterrá-lo ou cremá-lo, são as alternativas mais comuns.

Hoje está em evidência a questão da doação e transplantes de órgãos, que ajudam a prolongar a vida daqueles que dependem desse gesto para sua sobrevivência. Pode-se, até mesmo, pensar na doação de todo o corpo para estudos científicos, mais comumente nos cursos de Medicina.

Remontando aos fatos históricos, percebemos diversas formas de tratar os mortos. Diz-se que os gauleses abandonavam os corpos de seus soldados mortos no campo de batalha, para espanto dos povos com que travavam confrontos, visto que só se importavam com a alma. O costume no Ocidente, porém, é de sepultar o corpo, no processo também chamado de inumação (do latim in- em e húmus - terra, chão). Trata-se, na verdade, de um hábito muito antigo que remonta a pré-história, há cerca de 30.000 anos, quando criou-se todo um ritual de sepultamento, o que demonstra que o homem daquele período, de alguma forma, já pensava na vida de além-túmulo.

A cremação é um costume antigo do homem. Segundo estudos arqueológicos, foi no Período Neolítico (a Idade da Pedra Polida), por volta 12.000 a 4.000 a.C, que o homem começou a incinerar os corpos de seus mortos, em uma ou outra comunidade. Na Idade dos Metais (de 6,5 mil anos a 5,5 mil anos atrás), passou-se a disseminação mais ampla desse costume.

Habito mais comum em povos do Oriente, principalmente na Índia e no Japão, no Ocidente, porém, a cremação é adotada mais como uma opção, por falta de espaço nos cemitérios ou pela crescente conscientização ecológica.

Segundo o posicionamento da doutrina espírita, a cremação nada tem de prejudicial ao Espírito, visto que apenas o corpo é consumido pelo fogo, depois de observados todos os tramites legais para o ato e o tempo de espera, que varia de 24 a 72 horas, em média. O processo de desligamento do Espírito, em relação ao corpo biológico, tem início, como revelam os Espíritos a Kardec, algum tempo antes do suspiro final e se faz gradualmente. Nunca é uma separação brusca, pois acontece como na ocasião da união do Espírito ao corpo, no momento da encarnação, se operando célula a célula.

O que pesa na escolha da cremação é levar o apego do indivíduo a matéria, sua formação cultural e religiosa, isto é, a maneira como encara a morte. Na verdade, o corpo sem vida orgânica não transmite nenhuma sensação física ao Espírito e qualquer reflexo que esse sinta, em razão da cremação, será de ordem moral e não material. É certo que alguns Espíritos ficam mais tempo “ligados” ao corpo que deixaram, muitas vezes acompanhando até mesmo o processo de sua decomposição. Contudo, essa ligação é apenas mental.

Se o indivíduo valoriza mais a vida material que a espiritual, mesmo que for enterrado, muitas vezes, se acreditará ainda encamado, experimentando as sensações do esgotamento das forças vitais. Assim, toma-se fundamental a preparação para a morte, como faziam os antigos egípcios, desde o nascimento do ser. É necessário um esforço de auto renovação, assim como a prática desinteressada do bem. Além disso, o decidido desapego, ainda em vida, das ligações materiais, será essencial para a opção da cremação, não deixando dúvidas quanto ao que se deve fazer do corpo após a morte.

Os relatos a respeito dos transplantes também são antigos apesar de serem creditados a lendas e tradições sem registro científico. Na Bíblia (Gênesis, 2:21-22) Adão aparece como o primeiro doador. Outro relato conhecido é o dos irmãos gêmeos Cosme e Damião. Conta-se que por volta de 300 d.C, transplantaram a perna de um soldado negro recém morto em um idoso branco que havia perdido a perna no mesmo dia. Passaram a história como mártires e posteriormente foram considerados santos pela Igreja por nada cobrarem de seus pacientes além de combaterem os deuses pagãos foram perseguidos julgados e executados pelo Imperador romano Diocleciano.

Na atual legislação brasileira é a Lei n 9.434 de 04.02.97, que dispõe sobre a doação de órgãos e transplantes.

Foi posteriormente alterada pela Lei no 10.211 que determinava que a manifestação do desejo de doação constasse na Carteira de Identidade Civil e na Carteira Nacional de Habilitação tal modificação perdeu sua validade em 22.12.2000 – portanto, hoje, a doação pós-morte só pode ser realizada com a autorização familiar.

Os transplantes começaram a ganhar importância, nos tempos atuais com o primeiro transplante de coração realizado pelo Dr. Cristian Barnard, na Cidade do Cabo (África do Sul) em dezembro de 1967 surgindo daí a discussão dos aspectos científico, ético e moral que envolve a questão. Enfrentou-se em primeiro lugar o problema da rejeição do organismo do receptor em relação ao órgão transplantado A ciência desde então desenvolveu novas técnicas e drogas anti rejeição bem sucedidas na maioria dos casos.

Hoje, porém as preocupações da sociedade concentram-se mais nos aspectos éticos da questão principalmente no que diz respeito ao diagnóstico de morte. Do ponto de vista científico é a morte encefálica que define o quadro de irreversibilidade de uma enfermidade levando o indivíduo em pouco tempo a falência múltipla dos órgãos. Nesse caso não há qualquer esperança de retorno a vida. E a possibilidade de erro de diagnóstico e remotíssima, em face do progresso da ciência médica que tem por meta aplicar todos os meios ao seu alcance para dilatar a vida.

A Doutrina Espírita define a causa da morte como “a exaustão dos órgãos” (L.E. questão 68). É a morte, propriamente dita, bem definida por Allan Kardec “é apenas a destruição do corpo” (L.E. questão 155-a). Contudo enquanto o corpo puder servir aos fins para os quais foi criado são sempre louváveis a doação e o transplante, até porque não acarreta nenhum dano ao perispírito do doador, que passa para o mundo espiritual íntegro.

Aliás, a doação só traz benefícios ao doador pela alegria e gratidão do receptor e de seus familiares, em relação ao prolongamento de sua vida e pelo fim de seus sofrimentos orgânicos. Trata se de um ato de caridade: um gesto de amor ao próximo acima de tudo.

Kardec lembra que “as descobertas da ciência glorificam Deus, em lugar de rebaixá-Lo; elas não destroem senão o que os homens construíram sobre as falsas ideias que eles fizeram de Deus” (A Gênese Cap. I, Item 55)

A ciência busca continuamente a melhoria da vida do homem na Terra e os transplantes de órgãos são um exemplo disso. Ademais, sabemos que nada é obra do acaso, e em tudo temos as Leis Naturais que regulam o funcionamento do Universo. Assim é que nos cabe fazer a nossa parte no auxílio ao próximo, à luz do Evangelho de nosso Divino Mestre Jesus.

FIXAÇÃO DO APRENDIZADO

1) A cremação pode trazer algum prejuízo ao Espírito? Quais cuidados devemos ter para realizá-la?

2) Como preparar-nos bem para a morte física?

3) Por que a doação de órgãos é um ato de amor?

BIBLIOGRAFIA

PEREIRA, W.A. História dos Transplantes. 3 ed.

Fonte da imagem: Internet Google.

quinta-feira, 17 de setembro de 2020

16ª Aula Parte B - CURSO O QUE É O ESPIRITISMO FEESP


BEM SOFRER E MAL SOFRER

“Quando o Cristo disse ‘Bem-aventurados os aflitos, porque deles é o Reino dos Céus’, não se referia aos sofredores em geral, porque todos os que estão neste mundo sofrem, quer estejam num trono ou na miséria extrema, mas, ah! poucos sofrem bem, poucos compreendem que somente as provas bem suportadas podem conduzir ao Reino de Deus. O desânimo é uma falta; Deus vos nega consolações, se não tiverdes coragem. A prece é um sustentáculo da alma, mas não é suficiente por si só; é necessário que se apoie numa fé ardente e na bondade de Deus. Tendes ouvido frequentemente que Ele não põe um fardo pesado em ombros frágeis. O fardo é proporcional as forças, como a recompensa será proporcional a resignação e a coragem. A recompensa será tanto mais esplendente, quanto mais penosa tiver sido a aflição. Mas essa recompensa deve ser merecida, e é por isso que a vida está cheia de tribulações.

O militar que não é enviado à frente de batalha não fica satisfeito porque o repouso no acampamento não lhe proporciona nenhuma promoção. Sede como o militar e não aspireis a um repouso que enfraqueceria o vosso corpo e entorpeceria a vossa alma. Ficai satisfeitos quando Deus vos envia a luta. Essa luta não é o fogo das batalhas, mas as amarguras da vida, onde muitas vezes necessitamos de mais coragem que num combate sangrento, pois aquele que enfrenta firmemente o inimigo poderá cair sob o impacto de um sofrimento moral. O homem não recebe nenhuma recompensa por essa espécie de coragem, mas Deus lhe reserva os seus louros e um lugar glorioso. Quando vos atingir um motivo de dor ou de contrariedade, tratai de elevar-vos acima das circunstâncias. E quando chegardes a dominar os impulsos da impaciência, da cólera ou do desespero, dizei, com justa satisfação: ‘Eu fui o mais forte!’”

“‘Bem-aventurados os aflitos’, pode, portanto, ser assim traduzido: Bem-aventurados os que tem a oportunidade de provar a sua fé, a sua firmeza, a sua perseverança e a sua submissão à vontade de Deus, porque eles terão centuplicadas as alegrias que lhes faltam na Terra, e após o trabalho virá o repouso”. (E.S.E. Cap. V - Item 18).

A mensagem do Espírito Lacordaire, acima reproduzida, traz à tona o problema do sofrimento, que vemos atingir praticamente a todos, das mais variadas formas. A maioria dos seres humanos ainda não é capaz de enfrentar a dor com resignação. Antes, o que se vê é o inconformismo, a queixa, o abatimento sem limites.

É necessário habituar-se a oração, como um canal de comunicação direta com Deus. Mas, também é indispensável uma fé ardente no Criador, pois, sem ela, a prece não virá do coração.

E preciso entender que, muitas vezes, o mal, a dor, o sofrimento, são os remédios de que necessitamos para a cura dos nossos males, cuja origem encontra-se na alma. Todavia, não devemos provocar a dor, para não sofrer-lhe as consequências, nem ter motivos para queixas, pois esse é um ato de insubmissão as leis Divinas.

FIXAÇÃO DO APRENDIZADO:

1) Todo aquele que sofre é “bem-aventurado’?

2) Por que não devemos temer os embates da vida?

3) Como a prece pode nos auxiliar no momento de aflições?

BIBLIOGRAFIA
- Kardec, Allan - O Livro dos Espíritos - Ed. FEESP.
- Kardec, Allan - O Evangelho Segundo o Espiritismo - Ed. FEESP.

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quinta-feira, 10 de setembro de 2020

16ª Aula Parte A - CURSO O QUE É O ESPIRITISMO FEESP


VALORIZAÇÃO DA VIDA – ABORTO E SUICÍDIO

Muitas vezes, quando somos abatidos pelo desespero ou o desalento, não sabemos agradecer a Deus pelo verdadeiro presente que nos foi ofertado: a vida.

O aborto e o suicídio são duas graves faltas que são cometidas pela não valorização da vida e, multas vezes, pela não aceitação das provas pelas quais se deve passar.

O aborto

O aborto ou a interrupção da gravidez, pode ser natural ou provocado, não dando ao feto condições de sobrevivência fora do útero. Explica Kardec em A Gênese: “Quando o Espírito deve encarnar num corpo humano em via de formação, um laço fluídico, que não é outra coisa senão uma expansão de seu perispírito, liga-o ao germe para o qual ele se encontra atraído, por uma força irresistível desde o momento da concepção.” (Cap. XI, item 18)

Desde o momento da fecundação do ovulo, o Espírito já começa a sua união ao corpo que se desenvolve - é o começo de uma nova encarnação e de uma nova oportunidade para o ser imortal, que já haviam sido planejadas, assim como a família onde renasce.

Como nos diz o Espírito Emmanuel: “Comumente chamamos a nós antigos companheiros de aventuras infelizes, programando lhes a volta a nosso convívio, a prometer-lhes socorro e oportunidade, em que se lhes reedifique a esperança de elevação e resgate, burilamento e melhoria”.

Qualquer que seja a época da concepção, o aborto significa a interrupção de uma nova vida orgânica e, quando provocado, é um crime perante a justiça Divina.

“Há sempre crime, quando se transgride a lei de Deus. A mãe, ou qualquer pessoa, cometerá sempre um crime ao tirar a vida a criança antes do seu nascimento, porque isso é impedir a alma de passar pelas provas de que seu corpo devia ser o instrumento.” (L.E questão 358).

Recordemos que a obra de Deus sempre deve ser respeitada, mesmo que ainda incompleta. “Isso pertence aos seus desígnios, que ninguém é chamado a julgar.” (L.E questão 360)

E toda oportunidade que desperdiçamos hoje, certamente, poderá retomar amanhã a custa de muitas lutas.

“Todo filho é empréstimo sagrado que deve ser valorizado e melhorado pelo cinzel do amor dos pais, para oportuna devolução ao Genitor Celeste. Não adies a tua elevação espiritual através da criminosa ação do aborto, mesmo que as dificuldades e aflições sejam o piso por onde seguem os teus pés. Toda ascensão impõe o encargo do sacrifício. O topo da subida, porém, responde com paz e beleza aos empecilhos que se sucedem na jornada”, completa o Espírito Joanna de Angelis.

Mas sempre há tempo de repararmos os males que causamos anteriormente. Lembremo-nos da assertiva de Pedro: “O amor cobre multidão de pecados”. (I Pedro, 4:8)

O Suicídio

O suicídio pode ser definido como a destruição direta da vida por impulso próprio. O suicídio voluntário é uma transgressão da Lei Divina (L.E, questão 944). Sua causa geral é o descontentamento. Muitos, porém, são os motivos que podem levar o indivíduo ao suicídio: a ociosidade, a falta de fé, a descrença na imortalidade, o pensamento de que tudo acaba com a vida ou a simples dúvida quanto ao futuro.

As ideias materialistas também tem grande contribuição, pois não oferecem ao homem nenhuma alternativa como solução para os seus problemas mais prementes. Segundo Kardec em O Evangelho Segundo o Espiritismo, elas são “os maiores incentivadores do suicídio: elas produzem a frouxidão moral”. (Cap. V item 16)

São diversas as consequências do suicídio, porém, a mais comum, “a que o suicida não pode escapar é o desapontamento” (L.E., questão 957), ou seja, o indivíduo chega a um resultado muito diverso daquele que imaginava. Mas “a sorte não é a mesma para todos, dependendo das circunstâncias. Alguns expiam sua falta imediatamente, outros numa nova existência, que será pior do que aquela cujo curso interromperam”.

O efeito mais grave do suicídio é o lesionamento do perispírito, dificultando o desligamento do laço que liga o Espírito ao corpo. Esse fato prolonga também a perturbação espiritual, provocando no suicida a ilusão de que ainda se encontra no mundo dos “vivos”. Assim, alguns podem ressentir-se dos efeitos da decomposição de seu corpo devido a sua falta de coragem e pelo apego a matéria.

Allan Kardec, em O Evangelho Segundo o Espiritismo, explica porque o espírita tem razões para evitar este terrível escape à vida: “a certeza de uma vida futura, na qual ele sabe que será tanto mais feliz quanto mais infeliz e mais resignado tiver sido na Terra; a certeza de que, abreviando sua vida, chega a um resultado inteiramente contrário ao que esperava; que foge de um mal para cair noutro ainda pior mais demorado e mais terrível; que se engana ao pensar que, ao se matar; ira mais depressa para o céu; que o suicídio é um obstáculo a reunião, no outro mundo, com as pessoas de sua afeição, que lá espera encontrar. De tudo isso resulta que o suicídio, só lhe oferecendo decepções, é contrário aos seus próprios interesses." (Cap. V, item 17)

Há todavia, alguns antídotos para não se chegar ao suicídio. Em primeiro lugar, está a prece, que restaura o bom ânimo e a vontade de superação, e que devemos fazer também pelo Espírito suicida, para que ele se reerga e se prepare para encarnações regenerativas. O trabalho, em Segundo lugar, que ajuda a vida a escoar-se rapidamente, ajudando o homem a suportar suas vicissitudes com mais paciência e resignação, sem queixas.

Deve-se observar ainda os benefícios da consciência tranquila, através de uma vida honesta, justa e, acima de tudo evangelizada, pautada na luz dos ensinamentos de Jesus que é “o Caminho, a Verdade e a Vida “.

FIXAÇÃO DO APRENDIZADO:

1) Por que o aborto constitui grave infração a Lei Divina?

2) Por que o suicida, pensando escapar de um mal, sofre mais ainda?

3) Por que a certeza da vida futura nos traz a valorização da vida?

BIBLIOGRAFIA
XAVIER, F.C. Vida e Sexo. 16.ed. Brasília: FEB, 1996, Cap. 17.
FRANCO, D.P. Após a tempestade. 8.ed. Salvador: Liv. Espírita Alvorada, 1985, Cap.12.

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quinta-feira, 3 de setembro de 2020

15ª Aula Parte ÚNICA - CURSO O QUE É O ESPIRITISMO FEESP


O CÉU E O INFERNO

O Céu e o Inferno publicado em 1865 é o quarto livro da Codificação Espírita e tem como subtítulo a frase a Justiça Divina Segundo o Espiritismo, o que resume o objetivo da obra: explicar a Justiça de Deus à luz da doutrina Espírita. Segundo análise de José Herculano Pires, Allan Kardec apresenta a verdadeira face do desejado Céu, do temido Inferno como também do chamado Purgatório. Põe fim as penas eternas demonstrando que tudo no Universo evolui.

A obra está estrutura em duas partes em um total de 19 capítulos.

Em sua primeira parte, O Céu e o Inferno nos apresenta, entre outros assuntos como o homem encara o futuro e o nada; explica que o homem instintivamente sempre teve a convicção do futuro; as causas da preocupação com a morte e como não temê-la.

Fala-nos sobre a visão do céu e do inferno nas várias doutrinas, e como podemos interpretar o purgatório acabando com a ideia de que são regiões delimitadas no Universo.

“Há portanto o mundo corpóreo constituído pelos Espíritos encarnados e o mundo espiritual constituído dos Espíritos desencarnados. O mundo espiritual estende-se por toda a parte, ao redor de nós e através do espaço. Nenhum limite podemos assinalar para ele.” (Cap. III, item 5)

Allan Kardec mostra-nos a impossibilidade material das penas eternas: se a alma progride, a eternidade das penas é inadmissível e tal crença não tem razão de ser, pois já passou o seu tempo.

Racional sim é a classificação espírita das penas futuras. Quanto aos sofrimentos que podem nos esperar além-túmulo, Kardec resume-os em três princípios, no Código Penal da Vida Futura: “1º O sofrimento é inerente a imperfeição; 2º Toda imperfeição, e toda falta que dela decorre, trazem o seu próprio castigo nas suas consequências naturais e inevitáveis; 3º Todo homem podendo corrigir as suas imperfeições pela sua própria vontade, pode poupar-se os males que delas decorrem e assegurar a sua felicidade futura.” (Cap. VII, item 33).

Com a obra, entendemos que os anjos não são seres puramente espirituais, privilegiados, mas “são, pois, as almas dos homens que atingiram o grau de perfeição acessível à criatura e gozam da felicidade prometida”. (Cap. VIII, item 13)

Da mesma forma, os chamados demônios são desmistificados, pois nada mais são que Espíritos ainda devotados ao mal. “Existem Espíritos em todos os graus de adiantamento moral e intelectual. Nas camadas inferiores há os que são ainda profundamente inclinados ao mal e nele se comprazem”. (Cap. IX, item 20)

Na segunda parte do livro temos oito capítulos.

O primeiro descreve em detalhes como se dá a transição, após a morte do corpo físico. “Muitas pessoas não temem propriamente a morte, o que temem é o momento da transição. Sofremos ou não ao fazer essa passagem?”. “A extinção da vida orgânica produz a separação da alma e do corpo pelo rompimento da ligação fluídica, mas essa separação nunca se verifica de maneira brusca”.

Os sete capítulos restantes são compostos por 66 comunicações mediúnicas, depoimentos de Espíritos nas diferentes fases evolutivas na vida espiritual, sejam eles felizes, medianos ou infelizes, mostrando-nos a diversidade de situações de acordo com o bem ou o mal praticado durante a encarnação.

Com a publicação de O Céu e o Inferno, Kardec deu um golpe fatal nas superstições, ao apresentar a realidade da continuidade da vida após a morte, de forma racional, embasado em pesquisas rigorosas e realizadas segundo a metodologia da ciência moderna.

E Kardec explica porque o Espiritismo traz importante esclarecimento a respeito da vida futura: “O Espiritismo não tem a pretensão de ser o único a assegurar a salvação da alma. Mas a facilita, pelos conhecimentos que proporciona, pelos sentimentos que inspira e pelas disposições que dá ao espírito, fazendo-o compreender a necessidade de melhorar-se”.

FIXAÇÃO DO APRENDIZADO:

1) Qual o principal objetivo da obra O Céu e o Inferno?

2) Como a obra está estruturada?

3) Como devemos nos preparar para a morte e para a vida espiritual?

BIBLIOGRAFIA
- Kardec, Allan - O Céu e o Inferno
- Kardec, Allan - O Evangelho Segundo o Espiritismo - 9.ed. - FEESP

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quinta-feira, 27 de agosto de 2020

14ª Aula Parte B - CURSO O QUE É O ESPIRITISMO FEESP


JUSTIÇA DAS AFLIÇÕES

“Bem aventurados os que choram, porque serão consolados. Bem aventurados os que tem fome e sede de justiça porque serão fartos. Bem aventurados os que padecem por perseguidos por amor da justiça, porque deles é o Reino dos Céus." (Mateus, V:5 6 e 10)

Toda a felicidade prometida por Jesus aos aflitos e necessitados do planeta Terra certamente virá na vida futura; mas é tremendamente difícil aceitar hoje o sofrimento, para desfrutarmos os dias venturosos no que para nós ainda é um futuro incerto e desconhecido.

Comumente o que acontece são os questionamentos: porque uns sofrem mais que outros; porque uns nascem na miséria e outros na opulência, sem que fizessem coisa alguma para justificar esse posicionamento; porque uns nascem perfeitos fisicamente e outros não?

Destacamos, sobretudo, a falta de compreensão no aspecto da visão global do bem e do mal, tão desigualmente distribuídos entre o vício e a virtude; enxergar homens de bem entre maus e viciosos que prosperam, em detrimento dos bons.

A fé no futuro pode consolar e propiciar a paciência necessária, mas não elucida estas aparentes irregularidades, que podem sugerir um abandono por parte de Deus e a inexistência da Justiça Divina.

Entretanto, a partir do momento que aceitamos a existência de Deus e que é “soberanamente justo e bom” (L.E, questão 13), que ama em igualdade a todos os seus filhos, sem nenhuma preferência e que, portanto, trata seus filhos da mesma maneira, não dando a uns privilégios e a outros recusando esses benefícios.

Deus é a suprema perfeição, é Todo Poderoso, Todo Justiça e Bondade, pois, sem isso não seria Deus. Desse modo não poderia agir com capricho ou parcimônia diante de Seus amantíssimos filhos. “As vicissitudes da vida tem, pois, uma causa, e como Deus é justo, essa causa deve ser justa.”

Aí está, a luz da razão, a justificativa para efetivamente termos a compreensão da justiça das aflições de acordo com os ensinamentos de Jesus; o que, atualmente, vem a ser devidamente corroborado e justificado pelo Espiritismo, o Consolador Prometido, o que nos dá a possibilidade de compreendermos a causa de nossas dores.

Com a fé raciocinada teremos a paciência consubstanciada e fortalecida abraçando os ideais da Justiça Divina, sempre trabalhando no momento atual para obtermos um amanhã mais venturoso, com humildade e caridade.

FIXAÇÃO DO APRENDIZADO

1) Qual a causa maior das nossas aflições e sofrimentos na nossa atual encarnação?

2) Por que Deus ama a todos de maneira igual?

3) Como devemos trabalhar para a melhora efetiva de nossa existência?

BIBLIOGRAFIA
- Kardec, Allan – O Evangelho Segundo o Espiritismo - Ed. FEESP.
- Kardec, Allan – O Livro dos Espíritos – Ed. FEESP.

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quinta-feira, 20 de agosto de 2020

14ª Aula Parte A - CURSO O QUE É O ESPIRITISMO FEESP


ESQUECIMENTO DO PASSADO

O início de uma encarnação para o homem é sempre cercado de expectativas e dúvidas. É uma nova experiência que se inicia; o ser apresenta-se como “um livro em branco”, em que deverá escrever a história de sua existência.

Espírito imortal, tendo vivido muitas outras encarnações, o homem é uma obra em andamento, um livro que se encontra preenchido em boa parte de suas páginas. Por que não conseguimos lê-lo? Porque faz parte do processo reencarnatório o esquecimento do passado. Em razão dele, somos mais autênticos.

De fato, se hoje somos imperfeitos, no passado o fomos ainda mais; se hoje cometemos tantos erros e enganos, se ainda nos envolvemos com as ilusões do mundo, se revelamos constantemente traços de animalidade (violência, ódio, indiferença, personalismo, egocentrismo), podemos imaginar como teremos sido no pretérito mais distante.

Se o passado estivesse vivo em nossa consciência, tornar-se-ia, certamente, um empecilho para novas experiências. Se nos lembrássemos dos erros cometidos (ou dos que contra nós foram cometidos), viveríamos torturados pela culpa, pelo remorso, pelo desejo de vingança etc. Se tivéssemos tido existências venturosas e confortáveis no poder, no luxo e na riqueza, o orgulho, o egoísmo e a vaidade seriam um entrave para o nosso livre arbítrio. De qualquer forma, as perturbações às nossas relações sociais seriam inevitáveis pelas lembranças do que fizemos ou sofremos de nosso próximo, muitas vezes daquele que convive, dia a dia, conosco.

Por esse motivo, a misericórdia Divina concedeu-nos o que é necessário e suficiente para o sucesso da nova existência a cumprir, isto é, a voz da consciência e as tendências instintivas, que nos permitem identificar aquilo que precisamos fazer para nos corrigir e progredir no presente. Devemos superar as montanhas dos nossos erros e imperfeições, prosseguir no processo evolutivo com maior liberdade e a certeza de que se Deus lançou um véu sobre o nosso passado, isso será mais conveniente e adequado, pois Deus é a Sabedoria Universal.

Em O Evangelho Segundo o Espiritismo, Kardec assim escreveu sobre o esquecimento do passado: “O Espírito renasce frequentemente no mesmo meio em que viveu, e se encontra em relação com as mesmas pessoas, a fim de reparar o mal que lhes tenha feito. Se nelas reconhecesse as mesmas que havia odiado, talvez o ódio reaparecesse. De qualquer modo, ficaria humilhado perante aquelas pessoas que tivesse ofendido”.

“O homem traz, ao nascer aquilo que adquiriu. Ele nasce exatamente como se fez. Cada existência é para ele um novo ponto de partida. Pouco lhe importa saber o que foi: se está sendo punido, é porque fez o mal, e suas más tendências atuais indicam o que lhe resta corrigir em si mesmo. É sobre isso que ele deve concentrar toda a sua atenção, pois, naquilo que foi completamente corrigido já não restam sinais. As boas resoluções que tomou são a voz da consciência, que o adverte do bem e do mal e lhe dá a força de resistir às más tentações.”

Ora, a lembrança do passado jamais se perde. Muitas vezes, os sinais do passado transparecem sutilmente em nossos gestos, atos e palavras. Em nossos relacionamentos, as lembranças ficam apagadas, veladas; todavia, elas continuam vivas nos registros profundos da consciência.

As questões que ficaram em aberto, os problemas não resolvidos no passado, mantém-se presentes na consciência, embora latentes, aguardando novas resoluções. O que já foi superado funde-se a personalidade, permitindo um caminhar mais liberto e sereno. O esquecimento do passado jamais será um obstáculo à melhoria do Espírito; antes, é um benefício inestimável concedido à criatura humana.

E, após o desencarne, o Espírito recobra a lembrança do passado, para que possa tomar boas resoluções em relação as suas próximas e promissoras encarnações.

FIXAÇÃO DO APRENDIZADO:

1) O que é necessário ao Espírito para iniciar uma nova existência em relação as lembranças do passado?

2) O que o homem traz, ao nascer, para a nova existência?

3) As lembranças do passado ficam perdidas completamente para o homem encarnado? Como elas se manifestam?

Fonte da imagem: Internet Google.

quinta-feira, 13 de agosto de 2020

13ª Aula Parte ÚNICA - CURSO O QUE É O ESPIRITISMO FEESP


O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO

“Esse livro de doutrina terá considerável influência, pois que explana questões capitais, e não só o mundo religioso encontrara nele as máximas que lhe são necessárias, como também a vida pratica das nações haurirá dele instruções excelentes. Fizeste bem enfrentando as questões de alta moral prática, do ponto de vista dos interesses gerais, dos interesses sociais e dos interesses religiosos”.

“A dúvida tem que ser destruída; a terra e suas populações civilizadas estão prontas. Já de há muito os teus amigos de além-túmulo as arrotearam; lança, pois, a semente que te confiamos, porque é tempo de que a Terra gravite na ordem irradiante das esferas e que saia, afinal, da penumbra e dos nevoeiros intelectuais”.

Essa explicação, em comunicação de um dos Espíritos que orientavam Kardec, responde a sua pergunta: “Que pensas da nova obra que trabalho neste momento?” (Obras Póstumas, 2ª parte, 9 de agosto de 1863).

Surge o Evangelho Segundo o Espiritismo, inicialmente publicado com o nome de Imitação do Evangelho, em abril de 1864. Logo em sua Introdução são explicitados os objetivos e planos de elaboração.

“Podemos dividir as matérias contidas nos Evangelhos em Cinco partes: 1) Os atos comuns da vida do Cristo, 2) Os milagres, 3) As profecias; 4) As palavras que serviram para o estabelecimento dos dogmas da Igreja, 5) O ensino moral. Se as quatro primeiras partes tem sido objeto de discussões, a última permanece inatacável.

Diante desse código divino, a própria incredulidade se curva. É o terreno em que todos os cultos podem encontrar-se, a bandeira sob a qual todos podem abrigar-se, por mais diferentes que sejam as suas crenças.

Porque nunca foi objeto de disputas religiosas, sempre e por toda a parte provocada pelos dogmas”.

E Kardec prossegue: “reunimos nesta obra os trechos que podem constituir propriamente falando, um código de moral universal, sem distinção de cultos. Nas citações, conservamos tudo o que era de utilidade ao desenvolvimento do pensamento, suprimindo apenas as coisas estranhas ao assunto”.

“As máximas foram agrupadas e distribuídas metodicamente segundo a sua natureza, de maneira a que umas se deduzem das outras, tanto quanto possível”.

O Evangelho Segundo o Espiritismo constituiu-se de um prefácio, vinte e oito capítulos, sendo o último o de uma coletânea de preces. Tem sete conexões com o Antigo Testamento e cento e trinta e quatro com o Novo Testamento.

Segundo a natureza dos assuntos, os três primeiros se encadeiam: “Não vim destruir a lei”; “Meu reino não é deste mundo”; “Há muitas moradas na casa se meu Pai”.

A obra está disposta numa ordem lógica, aborda aspectos filosóficos e científicos e trata dos ensinamentos de Jesus, em seu aspecto moral.

Podem ser citados os ensinamentos:

“O Espiritismo é a ciência nova que vem revelar aos homens por meio de provas irrecusáveis, a existência e a natureza do mundo espiritual e suas relações com o mundo material.”

“Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral, e pelos esforços que faz para domar suas más inclinações.” (Cap. XVII, item 4)

“Fé inabalável é só a que pode enfrentar a razão face a face em todas as épocas da humanidade” (Cap. XIX, item 7)

“Fora da caridade não há salvação” (Cap. XV, item 10)

Edgard Armond, em seu livro o Redentor, escreve no Prólogo: “O Espiritismo arrancou o evangelho das sombras místicas das concepções dogmáticas e o apresentou ao povo, indistintamente, aberto e refulgente, expressivo e edificante, como a força que mais poderosamente realiza transformações morais, no mais íntimo das almas e impulsiona os homens para a luz da redenção”.

FIXAÇÃO DO APRENDIZADO:

1) O que é O Evangelho Segundo o Espiritismo?

2) Por que Kardec priorizou os ensinamentos morais de Jesus neste livro?

3) Na sua opinião, qual a importância de O Evangelho Segundo o Espiritismo?

BIBLIOGRAFIA
- Armond, Edgard - O Redentor - Ed. Aliança.
- Kardec, Allan - O Evangelho Segundo o Espiritismo -Ed. FEESP.
- Kardec, Allan - Obras Póstumas - Ed. FEB.

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quinta-feira, 6 de agosto de 2020

12ª Aula Parte B - CURSO O QUE É O ESPIRITISMO FEESP


FÉ QUE TRANSPORTA MONTANHAS

“Quando voltou para onde estava o povo, chegou-se a ele um homem que, ajoelhando-se a seus pés, disse-lhe: Senhor tem piedade de meu filho, que é lunático e sofre cruelmente; muitas vezes cai, ora no fogo, ora na água.
Já o apresentei aos teus discípulos, mas eles não o puderam curar Jesus respondeu: Ó geração incrédula e perversa, até quando estarei entre vós? Até quando vos sofrerei? Trazei-me aqui o menino. E tendo Jesus ameaçado o demônio, este saiu do menino que ficou no mesmo instante curado. Então os discípulos vieram ter com Jesus em particular e lhe perguntaram: Por que não pudemos nós expulsar esse demônio? Jesus lhes disse: Por causa da vossa pouca fé; pois, em verdade vos digo que, se tivésseis a fé do tamanho de um grão de mostarda, diríeis aquela montanha: Passa daqui para ali, e ela passaria; nada vos seria impossível. Não se expulsam os demônios desta espécie senão por meio da prece e do jejum”. (Mateus, 17:14-21)

Com pequenas variantes, essa passagem também é narrada por outros dois evangelistas: Marcos, no capítulo 9, versículos 14 a 28, e Lucas, no capitulo 9, versículos 37 a 42. Da narrativa de Marcos consta o diálogo entre Jesus e o pai do menino: “Há quanto tempo isso lhe sucede? O pai respondeu: desde a infância; e o Espírito o tem muitas vezes lançado (ora a água, ora ao fogo) para fazê-lo perecer. Se puderdes alguma coisa, tem piedade de nós e socorre-nos. Jesus lhe disse: Se puderes crer tudo é possível àquele que crê. Logo o pai do menino exclamou, banhado de lágrimas: ‘Senhor eu creio, ajuda a minha pouca fé”.

Muitas vezes, podemos encontrar nos Evangelhos referências claras e precisas de Jesus ao poder da fé, sendo comum depararmos com expressões semelhantes a essa: “A tua fé te curou”.

Parece-nos que o Mestre ensina, dessa maneira, lições que deveriam ficar gravadas na memória de todos os que presenciavam os fatos, além de séria advertência aos seus futuros seguidores. Recordemos ainda que Jesus afirmou aos apóstolos: “Quem crer em mim, fará o que eu faço e ainda fará mais” (João, 14:12). Da mesma forma, guardemos a observação feita por Jesus aos 70 discípulos que, regressando de uma missão, diziam: “Senhor; até os demônios se nos submetiam em teu nome”; recomendou-lhe então o Mestre que “não se regozijassem por lhes estarem os Espíritos submetidos, mas antes por estarem os seus nomes escritos nos céus.” (Lucas, 10:20).

De tudo se depreende o amoroso cuidado do Mestre para com os seus seguidores, alertando-os sempre contra as tentações do orgulho, para que não se envaidecessem diante dos resultados obtidos no desempenho de suas missões, na cura e alivio dos sofrimentos.

Invariavelmente, todas as vezes que realizava as curas, Jesus salientava a fé e a confiança daquele que recebia o benefício e, a respeito das poucas curas levadas a efeito em sua terra, onde “apenas curou alguns poucos doentes”, Jesus admirou-se da incredulidade deles. (Marcos, 6:5-6)

Assim, para ser obtida a cura, torna-se evidente a necessidade da colaboração do doente, o seu desejo sincero de ser curado, conjugado com a fé, confiança e vontade potente de quem vai operar em nome do Senhor, tudo isso aliado ainda à possibilidade da lei de ação e reação. Todas as doenças podem ser aliviadas, mas nem todas podem ser curadas.

A confiança nas próprias forças nos torna capazes de executarmos grandes coisas, mesmo materiais, que não obteríamos se não confiássemos em nós mesmos. As montanhas a serem removidas pela fé referidas no Evangelho devem ser, antes de mais nada, as montanhas de nossas imperfeições e inferioridade, constituídas de má vontade, resistência, preconceitos, interesses materiais, egoísmo, fanatismo, paixões orgulhosas, etc.

A fé sincera e verdadeira é sempre calma, paciente e humilde. Deve ser cultivada pela moralização de nossos costumes, pela pureza de pensamentos, palavras e atos; pela crescente confiança na ilimitada bondade Divina, para desenvolver dentro de nós a força magnética que nos possibilitará agir sobre o fluido universal. A fé que, usada convenientemente pela nossa vontade, é capaz de operar prodígios sempre que for utilizada em benefício do nosso próximo.

Jesus disse aos discípulos que aquele Espírito obsessor só seria afastado através da oração e do jejum. Devemos entender, então, que somente através de uma fé fervorosa, traduzida em sentida prece, poderemos afastá-lo; e isso desde que estejamos em jejum, isto é, em condições morais satisfatórias de abstinência de pensamentos culposos, de sobriedade na satisfação de nossas necessidades e austeridade no proceder.

Nas palavras repassadas de sentimento daquele pai, que banhado em lagrimas, diz: “Eu creio, Senhor; ajuda a minha pouca fé”, podemos sentir a expressão de simplicidade e de humildade, pois certo do poder de Jesus para lhe atender a suplica, não se sentia ele próprio bastante forte na sua fé para merecer tal graça.

FIXAÇÃO DO APRENDIZADO:

1) Qual o poder da fé?

2) Qual o sentido da palavra “montanha” no ensinamento de Jesus?

3) Como desenvolvermos a verdadeira fé?

BIBLIOGRAFIA
- Kardec, Allan - A Gênese - Ed. FEESP.
- Kardec, Allan - O Evangelho Segundo o Espiritismo - Ed. FEESP.
- XAVIER, F.C. Ação e Reação. 14.ed., Brasília: FEB. 1991, Cap. 19

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quinta-feira, 25 de junho de 2020

12ª Aula Parte A - CURSO O QUE É O ESPIRITISMO FEESP


OS MILAGRES SEGUNDO O ESPIRITISMO

O milagre, entendido como “um ato do poder divino” contrário as leis conhecidas da natureza, implica na crença em um fato sobrenatural, maravilhoso, impossível de ser explicado pela ciência dos homens, algo que foge a explicação das leis comuns.

Geralmente, o milagre está associado ao sentido teológico, acontecendo pela Vontade Divina ou pela intercessão de seres angélicos em nosso favor.

Os Espíritos, porém, revelaram a Allan Kardec princípios da lei natural, que antes não eram compreendidos e tidos como milagres. “Esses fenômenos ligam-se a existência dos Espíritos e à sua intervenção no mundo material”. Kardec ainda complementa: “Os fenômenos espíritas, estando na Natureza, produziram-se em todos os tempos, mas, precisamente porque seu estudo não se podia fazer pelos meios materiais de que dispõe a ciência comum, eles permaneceram por mais tempo que outros no domínio do sobrenatural, de onde o Espiritismo os faz sair hoje”.

Portanto, o Espiritismo não faz milagres.

A codificação espírita nos dá explicações claras e objetivas sobre o assunto, dizendo que os ditos milagres podem ser explicados pelo estudo dos fluidos e do perispírito, do pensamento e da vontade. Eles nada mais são do que fenômenos regidos pelas leis do mundo espiritual e, portanto, naturais.

Primeiramente, para que possamos entendê-los devemos nos reportar ao Fluido Cósmico Universal, matéria elementar primitiva, cujas transformações e modificações originam todos os corpos da natureza. Em seu estado fluídico ou etéreo, encontramos a explicação para os fenômenos espirituais; no material ou ponderável, temos os fenômenos materiais.

“No estado de eterização, o fluído cósmico não é uniforme; sem deixar de ser etéreo, ele sofre modificações tão variadas em seu gênero, e mais numerosas talvez que no estado de matéria tangível. Essas modificações constituem fluidos distintos, ainda que procedentes do mesmo princípio, são dotados de propriedades especiais, e produzem os fenômenos particulares do mundo invisível”.

Na sua origem, esses fluidos são neutros e adquirem suas qualidades no meio onde são elaborados. Sob o ponto de vista moral, trazem a impressão do sentimento de ódio, inveja, orgulho, bondade, benevolência, doçura etc.

Sob o ponto de vista físico, são excitantes, irritantes, calmantes, reparadores, adstringentes etc.

Os Espíritos agem sobre a matéria por intermédio de seu corpo fluídico ou perispírito. Desencarnados, e na medida de suas capacidades, como não tem mais o seu corpo carnal como instrumento, servem-se dos órgãos materiais de um encamado, que é chamado médium.

“Os Espíritos agem sobre os fluidos espirituais com a ajuda do pensamento e da vontade. O pensamento e a vontade são para os Espíritos o que a mão é para o homem. Pelo pensamento, eles imprimem a esses fluidos tal ou tal direção; eles os aglomeram, combinam ou dispersam, formam conjuntos que tem aparência, forma e cor determinadas; mudam as propriedades delas como um químico muda as dos gases, ou de outros corpos, combinando-os segundo certas leis. Trata-se da grande oficina ou laboratório da vida espiritual”.

Contudo, tais fenômenos nunca podem fugir as leis Divinas ou naturais, reguladoras da ordem universal, as quais tudo é submetido.

O Espiritismo, explicando estes fenômenos, lhes dá uma razão de ser. Ele demonstra a possibilidade de certos fatos que, por não terem mais o caráter miraculoso, não são menos extraordinários, por atestarem a grandiosidade da Criação Divina.

“Se se tomar a palavra milagre em sua acepção etimológica, no sentido de coisa admirável teremos sem cessar milagres sob nossos olhos; nós os aspiraremos no ar e os pisamos com nossos passos, porque tudo é milagre na Natureza."

O grande “milagre” que podemos fazer por nós mesmos é a renovação no amor, contribuindo para a manutenção da harmonia universal pelas boas ações. Como dizem-nos os Espíritos, na questão 123 de O Livro dos Espíritos: “A sabedoria de Deus se encontra na liberdade de escolha que concede a cada um, porque assim cada um tem o mérito de suas obras.”

FIXAÇÃO DO APRENDIZADO:

1) Por que o Espiritismo não faz milagres?

2) Como os fluidos podem ser manipulados?

3) O que é “o grande laboratório do mundo invisível”?

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quinta-feira, 18 de junho de 2020

11ª Aula Parte B - CURSO O QUE É O ESPIRITISMO FEESP


O MAL E O REMÉDIO

O Espírito Santo Agostinho, em comunicação em O Evangelho Segundo o Espiritismo, faz um alerta a respeito da dor: “Vossa terra é por acaso um lugar de alegrias, um paraíso de delícias? A voz do profeta não soa ainda aos vossos ouvidos? Não clamou ele que haveria choro e ranger de dentes para os que nascessem neste vale de dores? Vós que nele viestes viver esperais portanto lágrimas ardentes e penas amargas, e quanto mais agudas e profundas forem as vossas dores, voltai os olhos ao céu e bendizei ao Senhor por vos ter querido provar! Mas ainda que tivésseis de sofrer uma vida inteira, que seria isso, ao lado da eternidade de glória reservada à aquele que houver suportado a prova com fé, amor e resignação?"

Quando vemos tantos males no mundo, por vezes, o sofrimento nos causam revolta ou incompreensão. Porém, como Deus é todo Amor, Justiça e Misericórdia, certamente, o mal não pode originar-se Dele.

Compreendendo a Sabedoria Divina, que nunca quer o mal de Seus filhos, podemos concluir que, além do ressarcimento de antigas dívidas, a dor nos serve para que possamos, além de desenvolvermos virtudes, como a paciência, a mansuetude e o perdão, progredirmos também em inteligência.

“O homem devendo progredir, os males aos quais ele está exposto são um estimulante para o exercício de sua inteligência, de todas as suas faculdades físicas e morais, incitando-o a busca dos meios de livrar-se deles. A dor é o estímulo que impulsiona o homem para a frente na via do progresso”, diz Kardec em A Gênese (Cap.III - Item 5). E completa mais adiante: “Mas Deus, pleno de bondade, colocou o remédio ao lado do mal, isto é, do próprio mal faz sair o bem." (Idem, item 7)

O Espírito André Luiz, na obra “Ação e Reação”, relata a explicação do Instrutor Druso sobre a dor-auxílio, a dor que acontece para que possamos aprender com ela. “O enfarte, a trombose, a hemiplegia, o câncer penosamente suportado, a senilidade prematura e outras calamidades da vida orgânica constituem dores-auxílio, para que a alma se recupere de certos enganos em que haja incorrido na existência do corpo denso, habilitando-se, através de longas reflexões e benéficas disciplinas, para o ingresso respeitável na Vida Espiritual.”

De qualquer forma, quando somos visitados pela dor, devemos refletir sobre ela, procurando meios de aliviá-la e de aceitá-la com resignação e coragem, quando ela ultrapassa os limites da nossa ação. O que devemos compreender é que a dor não é castigo, mas sim um processo de aprendizado, fruto da nossa imperfeição, porém útil a nossa evolução.

E qual o remédio para o mal? “A fé é o remédio certo para o sofrimento. Ela aponta sempre os horizontes do infinito, ante os quais se esvaem os poucos dias de sombras do presente.”, ensina o Espírito Santo Agostinho.

FIXAÇÃO DO APRENDIZADO:

1) Para que servem os males pelos quais passamos?

2) Como devemos encarar a dor que nos atinge?

3) Por que a fé é o melhor remédio para nossos males?

Bibliografia
- Cajazeiras, Francisco - Eutanásia - Enfoque Espírita - Ed. EME.
- Kardec, Allan - A Gênese - Ed. FEESP.
- Kardec, Allan - O Livro dos Espíritos - Ed. FEESP.
- Kardec, Allan - O Evangelho Segundo o Espiritismo - Ed. FEESP.
- Xavier, Francisco Cândido - Religião dos Espíritos - Ed. FEB
- XAVIER, F.C. Diálogo dos Vivos. São Bernardo do Campo: Grupo Espírita Emmanuel.

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