CARACTERÍSTICAS BÁSICAS DO ESPÍRITA: PACIÊNCIA, INDULGENCIA, FÉ, HUMILDADE, DIGNIDADE E CARIDADE.

quinta-feira, 26 de novembro de 2020

22ª Aula Parte ÚNICA - CURSO O QUE É O ESPIRITISMO FEESP


A VIDA DE FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER

Francisco Cândido Xavier, mais conhecido por Chico Xavier, considerado o médium mais importante do século XX e o maior psicógrafo de todos os tempos, nasceu em Pedro Leopoldo, Minas Gerais, no dia 02 de abril de 1910.

Foi o oitavo filho de João Cândido Xavier, operário, e de Maria João de Deus, lavadeira, que faleceu quando Chico tinha apenas cinco anos de idade. Todos os nove filhos do casal foram distribuídos para vários familiares e amigos, como era o costume.

Chico, órfão de mãe em tenra idade, sofreu na casa de pessoas de precária sensibilidade, sobretudo com sua madrinha, que o maltratava frequentemente por qualquer razão.

Nos momentos mais penosos de angustia era assistido por Maria João de Deus, que fora sua mãe na Terra e que lhe rogava paciência. O menino, então, aprendeu a sofrer com resignação.

Com sete anos o seu martírio terminou; seu pai casou novamente e sua madrasta, boa e caridosa, recolheu todos os irmãos.

Aos nove anos começou a trabalhar. Pela manhã frequentava a escola primária pública, depois ia para a fábrica onde trabalhava e lá permanecia até as 2h da madrugada. Mal pode aprender a ler e escrever.

Em 1927, uma de suas irmãs adoeceu e um casal de espíritas vizinhos reunia-se com seus familiares. Com eles teve o primeiro contato com o Espiritismo.

Atividades mediúnicas em Pedro Leopoldo:

Em maio de 1927, foi realizada a primeira sessão espírita na casa de Chico, em Pedro Leopoldo e, em julho, Chico realizou a sua primeira atuação publica no serviço mediúnico. No fim do mesmo ano, nascia o Centro Espírita Luiz Gonzaga. O Centro era bem frequentado, com reuniões as 2ªs e 6ªs feiras. Depois a sede passou para a antiga casa da mãe de Chico.

A mediunidade de Chico manifestou-se de maneira extraordinária. Ele era clarividente, clariaudiente e psicógrafo mecânico. Via e ouvia os Espíritos como se fossem homens normais do plano físico. Também apresentava outras formas de mediunidade, porém, dedicou-se mais a psicografia como missão.

Seu primeiro livro psicografado foi “Parnaso de Além Tumulo”, lançado em julho de 1932.

Em 1950, Chico Xavier havia recebido mais de 50 obras e já era conhecido no Brasil e no mundo inteiro.

Psicografias mais conhecidas:

Chico Xavier psicografou 412 livros e jamais admitiu ser o autor de nenhuma dessas obras; reproduzia mecanicamente, sem conhecer o conteúdo, o que os vários Espíritos lhe ditavam. Não aceitou qualquer verba arrecadada com a venda dessas obras.

Os direitos autorais dos mais de 20 milhões de exemplares dos livros por ele psicografados, foram cedidos para organizações espíritas e instituições de caridade.

O livro “Nosso Lar”, pelo Espírito André Luiz, é o de maior tiragem, ultrapassando 1.500.000 cópias vendidas.

Os Espíritos Emmanuel e André Luiz:

Falar de Chico é falar de Emmanuel. Esse venerando Espírito foi o seu protetor espiritual e manifestou-se pela primeira vez, de forma ostensiva, em 1931. Desde então acompanhou-o sempre.

Emmanuel propôs ao jovem Chico, então com 21 anos, três condições obrigatórias para com ele trabalhar: disciplina, disciplina e disciplina.

Dentre as obras de autoria de Emmanuel, destacam-se cinco de teor histórico do Cristianismo. São eles os romances mediúnicos baseados em fatos reais: “Ha 2000 Anos”, autobiografia de Emmanuel, na época encamado como o senador romano Publio Lentulus; “50 Anos Depois”; “Ave Cristo”; “Renúncia” e “Paulo e Estevão”, a história de Paulo de Tarso.

André Luiz apresentou-se a Chico em 1943. Autor da série “Nosso Lar”, foi médico em sua última encarnação no Rio de Janeiro, no início da década de 1930.

Movimento Espírita:

O mais conhecido e famoso dos espíritas brasileiros contribuiu para expandir o movimento espírita brasileiro e encorajar os espíritas a revelarem a sua adesão ao Espiritismo.

Chico destacou-se também nos trabalhos de assistência espiritual. Consolou incontáveis mães e pais de filhos que haviam desencarnado, além de pessoas que sofriam pelo desencarne de entes queridos, através de mensagens espirituais psicografadas recebidas no Grupo Espírita da Prece, em Uberaba.

Além do intenso trabalho mediúnico, promoveu intensamente obras sociais, auxiliando pessoas carentes com a verba de seus livros psicografados.

Desencarne:

Chico Xavier desencarnou no dia 30 de junho de 2002, com 92 anos de idade, vítima de parada cardíaca.

Conforme relato de parentes próximos, Chico teria solicitado aos benfeitores espirituais para deixar este plano num dia em que os brasileiros estivessem felizes, para que ninguém ficasse triste com o seu desencarne. E assim aconteceu: nesse dia o Brasil festejava a conquista de seu quinto título da Copa Mundial de Futebol.

Foi eleito o Mineiro do Século XX, seguido por Santos Dumont e Juscelino Kubitscheck.

FIXAÇÃO DO APRENDIZADO:

1) Quem foi Francisco Cândido Xavier?

2) O que significou o trabalho de Chico Xavier para a doutrina espírita?

3) Por que Chico é um exemplo de dedicação e amor ao próximo?

BIBLIOGRAFIA
- Barbosa, Elias - No Mundo de Chico Xavier - Ed. Ide
- Souto Maior, Marcel - As Vidas de Chico Xavier - Ed. Planeta do Brasil
- Tavares, Clovis - Trinta Anos com Chico Xavier - Ed. Ide
- XAVIER, F.C. Fonte Viva. 19.ed., Brasília - FEB, 1994, Cap. 81, p. 190.

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quinta-feira, 19 de novembro de 2020

21ª Aula Parte B - CURSO O QUE É O ESPIRITISMO FEESP


NÃO COLOQUEIS A CANDEIA DEBAIXO DO ALQUEIRE

“Ninguém, pois, acende uma luzerna e a cobre com alguma vasilha, ou põe-na debaixo da cama; põe-na sim, sobre um Candeeiro, para que vejam à luz os que entram. Porque não há coisa encoberta, que não haja de saber-se e fazer-se pública.” (Lucas, VIII: 16-17).

Causa estranheza ouvir Jesus dizer que não se deve pôr a luz debaixo do alqueire, ao mesmo tempo que esconde o sentido das suas palavras sob o véu da alegoria, o que nem todos podem compreender. Ele se explica, entretanto, dizendo aos apóstolos: “Eu lhes falo em parábolas, porque eles não estão em condições de compreender certas coisas; eles veem, olham, ouvem e não compreendem certas coisas; assim dizer-lhes tudo, ao menos agora, seria inútil; mas a vós o digo, porque já vos é dado compreender esses mistérios”.

E procedia com o povo como se faz com as crianças, cujas ideias ainda não se encontram desenvolvidas. Dessa maneira, indica-nos o verdadeiro sentido da máxima: Não se deve pôr a candeia debaixo do alqueire, mas sobre o candeeiro, afim de que todos os que entram possam vê-la. Ele não diz que tenhamos de revelar inconsideradamente todas as coisas, pois todo o ensinamento deve ser proporcional a inteligência de quem o recebe, e porque há pessoas que uma luz muito viva pode ofuscar sem esclarecer.

Pergunta-se que proveito o povo poderia tirar dessa infinidade de parábolas, cujo sentido estava oculto para ele.

Deve-se notar que Jesus só se exprimiu em parábolas sobre as questões de alguma maneira abstratas da sua doutrina. Mas, tendo feito da caridade e da humildade a condição expressa da salvação, tudo o que disse a esse respeito é perfeitamente claro, explicito e sem nenhuma ambiguidade. Assim devia ser porque se tratava de regra de conduta, regra que todos deviam compreender, para poderem observar. Era isso o essencial para a multidão ignorante, a qual se limitava a dizer: Eis o que é necessário para ganhar o Reino dos Céus.

Sobre outras questões, só desenvolvia os seus pensamentos para os discípulos. Estando eles mais adiantados intelectual e moralmente, Jesus podia iniciá-los nos princípios mais abstratos. Foi por isso que disse: “Porque ao que já tem, dar-se-lhe-á, e ao que não tem, ainda o que tem se lhe tirará”. (Marcos, 4:24-25).

Não obstante, mesmo com os apóstolos, tratou de modo vago sobre muitos pontos, cujo entendimento completo estava reservado aos tempos futuros. Foram esses pontos que deram lugar a diversas interpretações, até que a ciência de um lado, e o Espiritismo de outro, vieram revelar as novas leis da natureza que tornaram compreensíveis o seu verdadeiro sentido.

“Ninguém acende a candeia e a coloca debaixo do alqueire, mas no velador, e assim alumia a todos os que estão na casa." (Mateus 5:15).

Muitos aprendizes interpretaram semelhantes palavras do Mestre como apelo a pregação sistemática e desvelaram-se através de veementes discursos em toda parte. Outros admitiram que o Senhor lhes impunha a obrigação de violentar os vizinhos, através de propaganda compulsória da crença, segundo o ponto de vista que lhes é particular.

Na verdade, o sermão edificante e o auxílio fraterno são indispensáveis na extensão dos benefícios divinos da fé.

Nossa existência é a candeia viva.

É um erro lamentável despender nossas forças sem proveito para ninguém, sob a medida de nosso egoísmo, de nossa vaidade ou de nossa limitação pessoal.

Como nos diz o Espírito Emmanuel: “Prega, pois, as revelações do Alto, fazendo-as mais formosas e brilhantes em teus lábios; insta com parentes e amigos para que aceitem as verdades imperecíveis; mas, não olvides que a candeia viva da iluminação espiritual é a perfeita imagem de ti mesmo".

FIXAÇÃO DO APRENDIZADO:

1) O que significa colocar a candeia debaixo do alqueire?

2) Por que devemos procurar ser criaturas que buscam o aperfeiçoamento para se tomar mais uma luz no mundo?

3) Na sua opinião, como devemos proceder para fazer “brilhar a nossa luz”?

BIBLIOGRAFIA
- Kardec, Allan - A Gênese - Ed. FEESP.
- Kardec, Allan - O Evangelho Segundo o Espiritismo - Ed. FEESP

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quinta-feira, 12 de novembro de 2020

21ª Aula Parte A - CURSO O QUE É O ESPIRITISMO FEESP


O ESPIRITISMO COMO CONSOLADOR PROMETIDO

Próximo de partir para a espiritualidade, Jesus promete a seus discípulos que lhes enviaria um outro Consolador, o Espírito da Verdade, o Paráclito, que haveria de ensinar todas as coisas e lembrar o que ele dissera. (Jo, 14:15-17 e 26; 16:7-14)

No tempo determinado, o Espiritismo veio cumprir a promessa do Divino Mestre, revelando ao homem as leis que regem os fenômenos antes tidos como sobrenaturais ou milagrosos.

O Espiritismo, ou o Consolador Prometido, surge no horizonte terrestre em meados do sec. XIX como a Terceira Revelação. No século 12 a.C. Moises trouxe para a Humanidade a Primeira Revelação, materializando a ideia do Deus único; após Moisés veio o Cristo, encarnando a Segunda Revelação.

A Doutrina dos Espíritos, como a Terceira Revelação, é o Cristianismo Redivivo.

Em comunicação em O Evangelho Segundo o Espiritismo, O Espírito da Verdade, que apresentou-se a Kardec como seu guia espiritual e que o orientou na confecção das obras da codificação (Obras Póstumas, 2ª parte, Meu guia espiritual), diz: “O Espiritismo deve lembrar aos incrédulos que acima deles reina a verdade imutável o Deus bom, o Deus grande, que faz germinar as plantas e que levanta as ondas”.

A revelação espírita possui um duplo caráter, visto que participa, ao mesmo tempo, da revelação divina e da revelação cientifica, as duas vias que levam o homem ao verdadeiro conhecimento. Nas palavras de Allan Kardec, “o que caracteriza a revelação espírita é que a fonte dela é divina, a iniciativa pertence aos Espíritos, e a sua elaboração é a ação do trabalho do homem”.

O Espiritismo, então, parte das próprias palavras do Cristo (da mesma forma que o Mestre muitas vezes remeteu seus discípulos as palavras de Moisés), sendo uma consequência direta da doutrina cristã. A ideia vaga da vida futura, acrescenta a revelação da existência do mundo invisível que nos cerca e que povoa o espaço infinito.

Define os laços que unem o Espírito ao corpo. Fundamenta-se no princípio da reencarnação. Estabelece as consequências morais da conduta humana frente às Leis Divinas.

Como uma doutrina de conhecimento, o Espiritismo chega no momento em que a humanidade está melhor preparada e a ciência encontra-se organizada, pronta para dar sustentação ao fenômeno espírita pois, sem ela, a doutrina espírita ficaria sem apoio e exame. Se tivesse surgido antes das descobertas cientificas dos séculos XVII e XVIII, a ação da espiritualidade fatalmente estaria condenada ao fracasso.

A doutrina consoladora mostra ao homem que a causa dos seus sofrimentos, muitas vezes, está em existências anteriores; que a Terra, no seu atual estágio, é um mundo de expiação e provas; que Deus, soberanamente Justo e Bom, a ninguém castiga, de sorte que as aflições vividas pela criatura humana conduzem a cura dos seus males, assegurando-lhe a felicidade nas existências futuras.

Por essa razão o Espiritismo, em seu tríplice aspecto de Ciência, Filosofia e Religião, responde aos mais diversos questionamentos humanos, fazendo o homem compreender de onde vem, para onde vai e o que está fazendo na Terra. Enfim, revela a sua natureza, a sua origem e a sua destinação, preparando-o para viver melhor.

Finalmente, tira de sob o véu o conceito mais avançado de Deus: Inteligência suprema e causa primária de todas as coisas. Esclarece que não podemos conhecer a natureza intima de Deus, mas aponta alguns de seus principais atributos que nos mostram sua justiça e sua bondade presentes em toda a Criação.

FIXAÇÃO DO APRENDIZADO:

1) Por que o Espiritismo é o Consolador Prometido?

2) O que caracteriza a revelação espírita?

3) O Espiritismo surgiu na época certa? Por que?

BIBLIOGRAFIA
- KARDEC, A. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 9. ed., São Paulo: FEESP. 1993. Cap. XIX, Item 7, p.242.

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quinta-feira, 5 de novembro de 2020

20ª Aula Parte ÚNICA - CURSO O QUE É O ESPIRITISMO FEESP


A GÊNESE

“A Gênese”, quinta obra da codificação, foi colocada à venda a partir de 06/01/1868 em Paris, França, pela Librarie Nationale.

Na obra Allan Kardec, fundamentado em informações dos Espíritos superiores e com base nos conhecimentos científicos da época, faz um estudo de pontos diversamente interpretados e comentados, como o processo da Criação e os milagres e as predições do Evangelho, relacionando-os às novas leis que decorrem da observação dos fenômenos espíritas.

“Esta obra vem a ponto, no sentido que a Doutrina está hoje bem estabelecida do ponto de vista moral e religioso. O que importava antes de tudo, eram as aspirações da alma. O Espiritismo entra numa nova fase." - São Luiz.

Assim, os ensinamentos de Jesus ganham um complemento, entretanto, Kardec nos adverte na obra: “Não rejeitemos a Gênese bíblica; estudemo-la, ao contrário, como se estuda a história da infância dos povos com a ajuda das luzes da razão e da Ciência”. (Cap. XII, item 12).

Os seus 18 capítulos tratam de temas doutrinários da maior importância, como: caracteres da revelação espírita, Deus e a sua natureza Divina, a origem do bem e do mal, a diferença entre instinto e inteligência, a criação do Universo e da Terra, os milagres do Evangelho, etc.

Allan Kardec disserta sobre o papel da ciência, auxiliando o entendimento dos fenômenos espirituais e da criação Divina, tema que ainda é hoje é alvo de muita discussão, entre religiosos e cientistas.

“O Espiritismo e a Ciência se completam um pelo outro; a Ciência sem o Espiritismo se acha impossibilitada de explicar certos fenômenos apenas pelas leis da matéria; o Espiritismo, sem a Ciência, teria falta de apoio e de controle.” (Cap. I, item 16).

E, sobre o papel da ciência na Gênese, esclarece-nos: “a ciência é chamada a constituir a verdadeira Gênese, segundo as leis da Natureza.” (Cap. IV, item 3).

Outro importante estudo que A Gênese expõe é a noção científica sobre tempo, espaço, leis e forças, abordando assuntos relativos ao Universo e a diversidade dos mundos. Kardec complementa essa parte com a teoria sobre a formação dos seres vivos, o principio vital, a escala dos seres orgânicos e o homem, mostrando que, sem a união de um princípio inteligente e perfectível agindo recíproca e ininterruptamente sobre a matéria, não se pode explicar a evolução moral e intelectual do princípio espiritual, assim como o papel da própria matéria.

Os milagres do Evangelho são analisados no sentido teológico e a sua interpretação espírita, mostrando-nos que os considerados milagres encaixam-se perfeitamente dentro das leis naturais.

Sobre o fato de Jesus ter realizado tantas curas consideradas milagrosas e sobre sua superioridade, diz Kardec: “A superioridade de Jesus sobre os homens não se prendia às qualidades particulares de seu corpo, mas as de seu Espírito, que dominava a matéria de maneira absoluta, e as de seu perispírito tirado da parte mais quintessênciada dos fluidos terrestres.” (Cap. XV item 2).

A obra aborda ainda o conhecimento do futuro que, por vezes, nos é facultado. A respeito disso, Allan Kardec esclarece que a percepção das realidades que escapam ao controle dos sentidos materiais é uma faculdade inerente do Espírito e que “Deus permite, às vezes, que uma ponta do véu seja levantada; mas é sempre com um fim útil, e nunca para satisfazer uma vã curiosidade.” (Cap. XVI, item 4).

“A faculdade de pressentir as coisas futuras é um dos atributos da alma.” (Cap. XVII - Item 20).

No capítulo final, denominado Sinais dos Tempos - A Nova Geração, Kardec fala-nos sobre a marcha progressiva da Terra no plano físico e moral, impulsionada pela Lei do Progresso e estudada em O Livro dos Espíritos: “Este duplo progresso se realiza de duas maneiras: uma, lenta, gradual e insensível; outra, por mudanças mais bruscas”. (Cap. XVIII, item 2).

Allan Kardec fechava assim o Pentateuco Espírita, o que representaria para o gênero humano, no correr dos tempos, a fé inabalável, aquela que segundo suas próprias palavras era a única capaz de “enfrentar a razão face a face, em todas as épocas da Humanidade."

FIXAÇÃO DO APRENDIZADO

1) O que é “A Gênese”?

2) De que forma Allan Kardec relaciona na obra a ciência e o Espiritismo?

3) Como “A Gênese” explica a superioridade de Jesus?

BIBLIOGRAFIA
- Kardec, Allan - A Gênese - Ed. FEESP.
- KARDEC, A. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 9.ed., São Paulo - FEESP, 1993, Cap. V, Item 23, p.83.
- KARDEC, A. Revista Espírita. São Paulo: Ed., 1966, Fevereiro/1868, p.54.

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quinta-feira, 29 de outubro de 2020

19ª Aula Parte B - CURSO O QUE É O ESPIRITISMO FEESP


PROVAS E TORMENTOS VOLUNTÁRIOS

Uma das maiores conquistas do Espírito, em sua trajetória rumo a perfeição relativa, é a liberdade de escolher e de decidir seus próprios caminhos. Muitas vezes, entretanto, em virtude da nossa imprudência, intemperança, ganância, orgulho, vaidade, valorização e apego excessivo aos bens materiais, impomos a nós mesmos sofrimentos pelos quais, na grande maioria das vezes, não teríamos que passar: os chamados tormentos voluntários.

Quando sofremos as graves e funestas consequências de nossas escolhas, colocamos a culpa em Deus, no próximo, na incompreensão do mundo e, se cremos na reencarnação, debitamos nossos infortúnios a possíveis resgates de um passado delituoso. Se nos dispuséssemos a analisar friamente os fatos, veríamos que grande porcentagem dos males que nos afligem, verdadeiros tormentos, decorre de atos do presente, pela inversão de Valores que vivenciamos.

Pela busca de uma felicidade equivocadamente centrada na aquisição de bens materiais, assim como a de sensações ligadas aos prazeres que o mundo tem a nos oferecer, cometemos excessos de toda natureza.

Somos, sem que percebamos, vítimas de nós mesmos a partir do instante em que decidimos utilizar o nosso livre-arbítrio indo de encontro às Leis Naturais, criadas por Deus com a finalidade de manter o nosso equilíbrio físico, mental e espiritual, tornando-nos criaturas infelizes. Entretanto “O homem é insaciável. A natureza traçou o limite de suas necessidades na sua organização, mas os vícios alteraram a sua constituição e criaram para ele necessidades artificiais." (L.E, questão 716).

A grande finalidade da criação do Universo e de todos os seres que dele fazem parte é a evolução, que deverá nos conduzir a conquista da felicidade. Porém, esse é um estado que se alcança com a conquista das virtudes. É condição natural, decorrente do despeitar da responsabilidade em relação às escolhas efetuadas, aos valores que abrigamos em nossos corações, assim como do conhecimento das consequências que teremos forçosamente que enfrentar em futuro próximo ou mais distante, se agimos mal.

Diz-nos o Espírito Fénelon que poderíamos gozar de uma felicidade relativa, porém a procuramos “nas coisas perecíveis, sujeitas as mesmas vicissitudes, ou seja, nos gozos materiais, em vez de buscá-la nos gozos da alma, que constituem uma antecipação das imperecíveis alegrias celestes”.

Devemos buscar a vivência fundamentada na moral do Cristo, para que não soframos desnecessariamente por nossas escolhas insensatas.

O único mérito em agravarmos nossas provas, buscando sofrimentos voluntários, é quando o fazemos com o objetivo de beneficiar o nosso próximo, através do exercício sincero da caridade. Temos o direito e o dever de tentarmos amenizar as nossas provas, buscando sempre uma solução favorável aos problemas ou suportando com resignação as consequências dos males que não podemos evitar. (E.S.E, cap. V item 26).

Fomos criados para sermos felizes e não há nenhum demérito em usufruirmos as coisas materiais, desde que o façamos sem excessos e apego excessivo.

Como alcançarmos, então, a felicidade relativa? Allan Kardec, na questão 922 do L.E., pergunta aos Espíritos: “Há, entretanto uma medida comum de felicidade para todos os homens?” E eles lhes respondem: “Para a vida material, a posse do necessário; para a vida moral a consciência pura e a fé no futuro.”

FIXAÇÃO DO APRENDIZADO:

l) O que podemos entender por tormentos voluntários?

2) Como podemos evitá-los?

3) E possível sermos felizes no mundo em que vivemos? Comente.

BIBILIOGRAFIA
- Kardec, Allan - O Livro dos Espíritos - Ed. FEESP.
- Kardec, Allan - O Evangelho Segundo o Espiritismo - Ed. FEESP.
- XAVIER, F.C/VIEIRA, W. Evolução em dois mundos. 12.ed., Brasília - FEB, 1991, Cap. XX, p.217.
- FRANCO, D.P. Vitória sobre a depressão. 1.ed., Salvador - Livr. Espírita Alvorada Editora, 2010, Cap.30, p.158-159.

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quinta-feira, 22 de outubro de 2020

19ª Aula Parte A - CURSO O QUE É O ESPIRITISMO FEESP


A TERAPÊUTICA ESPÍRITA

Pergunta Allan Kardec aos Espíritos se o homem pode gozar na Terra de uma felicidade completa e eles respondem: “Não, pois a vida lhe foi dada como prova ou expiação, mas dele depende abrandar os seus males e ser tão feliz quanto se pode ser na Terra” (L.E, questão 920). Podemos concluir assim, que a reencarnação funciona como meio de cura de nossos males e reparação de danos passados, além de nos dar condições para o fortalecimento moral, necessário para o enfrentamento das inevitáveis provas que temos de sofrer.

A doutrina espírita explica-nos que todas as infrações que cometemos contra as Leis Divinas são a causa de muitas doenças, desequilíbrios e sofrimentos: crimes, vícios, uso de tóxicos, tabagismo, alcoolismo, sexo desvirtuado, além da fixação em pensamentos, sentimentos e imagens mentais inferiores e negativos, geradores de danos em nosso perispírito.

Quando o corpo adoece é sinal de que o Espírito já estava doente. A cura para tantos males depende do bom uso do livre arbítrio e da consciência de que antes de termos um corpo, somos Espíritos imortais e que, portanto, continuaremos vivendo após a morte física.

Dentre as tantas doenças que a humanidade enfrenta atualmente, podemos destacar, além das viciações pelos tóxicos, a AIDS. Doença moderna, causada pela contaminação pelo vírus HIV, é consequência dos desequilíbrios do pensamento, que causam sérios prejuízos à saúde. “As depressões criadas em nós por nós mesmos, nos domínios do abuso de nossas forças plasmam, nos tecidos que nos constituem o veículo de expressão, determinados campos de ruptura na harmonia celular”.

Verificada a disfunção, toda a zona atingida pelo desajustamento se torna passível de invasão microbiana, qual “praça desguarnecida”, explica-nos o Espírito André Luiz.

Outro grave problema atual é a depressão. Apesar de ser tão antiga quanto o homem, ganhou hoje panorama de epidemia mundial, atingindo todas as faixas etárias e classes sociais. Caracterizada por uma tristeza profunda e prolongada, desde os primórdios é conhecida como melancolia. “Sabeis por que uma vaga tristeza se apodera por vezes de vossos corações, e vos faz sentir a vida tão amarga? É o vosso Espírito que aspira a felicidade e a liberdade. Essas aspirações de uma vida melhor são inatas no Espírito de todos os homens, mas não a busqueis neste mundo”, diz-nos o Espírito François de Genève, em comunicação no E.S.E.

Como vencermos tais mazelas? Desde que sabemos distinguir o bem do mal e temos a Lei de Deus escrita em nossa consciência (L.E, questão 621), devemos assumir o controle de nossas vidas.

Analisando a causa de todos os nossos vícios e defeitos, os Espíritos disseram que encontramos no egoísmo a fonte de nossos males: “Dele se deriva todo o mal. Estudai todos os vícios e vereis que no fundo de todos existe egoísmo.” (L.E questão 913).

Jesus, explicando a lei de causa e efeito, ensinou-nos: “A semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória”.

Contrariando a Lei de Amor, continuaremos a sofrer por tantas causas que nós mesmos geramos.

O caminho para a cura passa pela força de vontade, pela paciência, pela resignação e pela confiança no Amor e Justiça Divinos, pela maneira como enfrentamos as nossas dificuldades, provas e expiações.

O Espírito Joanna de Angelis nos aconselha: “Se pretendes bem estar, saúde e alegria, envolve-te na luz do amor edificando-te através do cultivo dos pensamentos superiores, não te permitindo angústias desnecessárias, ansiedades injustificáveis, medos sem lógica, solidão egoísta... Entrega-te a Deus, e n’Ele confia integralmente, certo de que nunca estarás a sós, nem mesmo quando dele te apartes.”

Certifiquemo-nos: “Que diremos depois disso? Se Deus é por nós, quem será contra nós?” (Romanos, 8:31).

FIXAÇÃO DO APRENDIZADO:

1) Por que o corpo adoece quando o Espírito está doente?

2) Qual a contribuição do Espiritismo para a cura dos vícios e doenças?

3) Por que o egoísmo causa nossos maiores sofrimentos?

BIBLIOGRAFIA
- XAVIER, F.C. Vida e Sexo. 16.ed., Brasília - FEB,1996, Cap. 26,p.110.

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quinta-feira, 15 de outubro de 2020

18ª Aula Parte B - CURSO O QUE É O ESPIRITISMO FEESP


NÃO JULGUE, COMPREENDA

Dizia o filosofo grego Protágoras que “o homem é a medida de todas as coisas”. Pode sê-lo, de fato, do ponto de vista filosófico e científico, porém, quando a questão é analisar o comportamento alheio, recomenda-se, em primeiro lugar, cautela, bom senso, prudência, já que como ensinava o Mestre Jesus: “Aquele dentre vós que estiver sem pecado, atire-lhe a primeira pedra.” (Jo, 8:1-11). E qual de nós pode, realmente, sequer pensar em atirar a primeira pedra?

Além, disso, o Excelso Amigo nos alerta, no Sermão do Monte, para a responsabilidade de julgar o próximo: “Não julgueis, para que não sejais julgados. Porque com o juízo com que julgardes sereis julgados, e com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós.” (Mt, 7:1-2)

Na verdade, nenhum de nós gosta de ser julgado pelo outro; essa é mais uma razão para que não nos disponhamos a julgar ninguém, nem mesmo em pensamento.

O Espírito Emmanuel também nos orienta para a necessidade de benevolência nos julgamentos, principalmente quando se trata de assuntos do coração, em que ainda somos extremamente deficientes.

Diz o notável mentor espiritual: “Se alguém vos parece cair sob enganos do sentimento, silenciai e esperai! Se alguém se vos afigura tombar em delinquência, por desvarios do coração, esperai e silenciai!”

“Sobretudo, compadeçamo-nos uns dos outros, porque, por enquanto, nenhum de nós consegue conhecer-se tão exatamente, a ponto de saber hoje qual o tamanho da experiência afetiva que nos aguarda amanhã.”

“Calai os vossos possíveis libelos, ante as supostas culpas alheias, porquanto nenhum de nós, é capaz de medir a parte de responsabilidade que nos compete a cada um nas irreflexões e desequilíbrios dos outros."

Em tudo devemos nos inspirar em Jesus que, como diz Allan Kardec na questão 625 de O Livro dos Espíritos, é “para o homem o tipo de perfeição moral a que pode aspirar a Humanidade na Terra”, e que nos apontava sempre para a necessidade da humildade, paciência, perdão, compreensão, benevolência e indulgência. Ele tinha a fórmula exata para a solução de todas as modalidades de problemas derivados das relações humanas que sintetiza num pensamento profundo: “Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei”.

O Mestre falava do amor incondicional, do amor sublime, irrestrito, perene, que deveria estender-se ao parente difícil, ao companheiro rebelde, ao ofensor, ao adversário, ao inimigo... Nada pode substituir esse sentimento, nada é capaz de fazer cicatrizar uma ferida com tanta eficácia, nada pode opor-se a ele com o fim de neutralizá-lo. O amor, enfim, cobre a multidão dos pecados, como enfatiza o evangelista, e tudo devemos fazer para agir em seu nome com pureza de alma.

FIXAÇÃO DO APRENDIZADO:

l) Por que não devemos julgar os outros?

2) O que diz Emmanuel a respeito da compreensão dos sentimentos alheios?

3) Por que o amor “cobre a multidão de pecados"?

BIBLIOGRAFIA
- Kardec, Allan - O Livro dos Espíritos - Ed. FEESP.
- Kardec, Allan - O Evangelho Segundo o Espiritismo - Ed. FEESP.
- Xavier, Francisco Candido - Vida e Sexo – FEB
- XAVIER, F.C. Evolução em dois mundos. 12.ed. Brasília - FEB, 1991, 1ª parte, Cap. XVIII, p.146.
- XAVIER, F.C. Vida e Sexo. 16.ed., Brasília:FEB,1996 16.ed. Brasília - FEB, 1996, Cap. l, p.10
- FRANCO, D.P. Amor Imbatível Amor. 1.ed. Salvador - Liv. Espírita Alvorada Nova, Cap. l, p.17.

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quinta-feira, 8 de outubro de 2020

18ª Aula Parte A - CURSO O QUE É O ESPIRITISMO FEESP


ESPIRITISMO E SEXUALIDADE

O Espírito é criado simples e ignorante para evoluir através do próprio esforço e precisa renascer para aprimorar-se e despertar para as emoções superiores, buscando a liberação de suas tendências mais nobres. Assim modifica gradativamente a cultura e as civilizações, num processo ainda penoso que se prolonga através dos milênios e que culmina na conquista do amor em sua plenitude.

E para que sintamos esse amor pleno, primeiro temos que saber exercer bem a nossa sexualidade, o que tem sido, para muitos, verdadeiro entrave ao progresso espiritual. Para uma melhor compreensão do assunto, faz-se necessária a conceituação dos termos amor, sexo e sexualidade. O amor é o ponto de partida de todas as aspirações humanas e seu ponto alto é o amor que Jesus ofereceu a humanidade; o sexo, não sendo patrimônio da humanidade é benção Divina decorrente do instinto sexual como força poderosa na busca dos valores íntimos e que, muitas vezes, é erroneamente confundido com amor; a sexualidade é definida pelas preferências e predisposições ou experiências sexuais de um ser, que definem sua identidade e que determinam cada período de encarnação.

Em algumas partes do mundo, a sexualidade ainda é considerada uma ameaça aos valores morais e religiosos.

Quando vivenciada de maneira exacerbada, aproxima mais intensamente o homem de sua natureza animal, por ele valorizar mais as sensações do que o afeto verdadeiro.

Em O Livro dos Espíritos, questão n° 100, que trata sobre a escala espírita, observa-se que a terceira ordem, ou dos Espíritos imperfeitos, é caracterizada pela natureza corrompida do ser; na segunda ordem ou dos Espíritos bons, há a predominância da natureza espiritual sobre a material; e na primeira ordem, a dos Espíritos puros, podemos dizer que o ser não busca mais a satisfação de seus instintos sexuais, nem a banalização da necessidade fisiológica, mas sim a exteriorização de sentimentos elevados e que o conduzem a felicidade.

O sexo, na Criação Divina, é força atrativa e criadora, presente em todo o Universo e, como tal, encontra-se em todos os estágios de evolução dos seres - é muito mais que sensação, é energia que deve ser direcionada para o bem.

O Espírito André Luiz nos diz: “o sexo reside na mente, a expressar-se no corpo espiritual, e consequentemente, no corpo físico, por santuário criativo de nosso amor perante a vida e, em razão disso, ninguém escarnecerá dele, desarmonizando lhe as forças sem escarnecer e desarmonizar a si mesmo.”

Com isso compreendemos que, enquanto não aprendermos a cultivar valores, emoções e sentimentos elevados, acarretaremos desvios em nosso psiquismo, o que se traduz, muitas vezes, em desequilíbrios geradores de muito sofrimento.

Geralmente, a sociedade denomina o que é “normal” e “anormal”, e o ser é classificado segundo a sua orientação sexual: heterossexual ou homossexual. A primeira palavra, vem do vocábulo grego heteros, que significa “diferente” e refere-se à atração sexual entre indivíduos de sexos opostos; a segunda, do termo grego homos, = mesmo e sexus = sexo, e define-se por atração física, emocional e estética entre seres do mesmo sexo.

No século XIX, a homossexualidade foi definida como desvio sexual, tomando-se assim, dentro da sexologia, uma forma degenerada de relacionamento. Em meados do século XX a Organização Mundial de Saúde retirou a homossexualidade da sua lista de doenças mentais do Código Internacional de Doenças (CID). O fato indica-nos que, ao longo da história, a sexualidade humana foi classificada segundo os padrões culturais e sociais de cada época, em períodos que intercalam a liberalidade ao recato e privações sexuais.

O Espírito constrói sua identidade sexual de acordo com suas tendências e vivências, já o sexo biológico é escolhido segundo sua necessidade de evolução. Na questão n° 202 de O Livro dos Espíritos, Allan Kardec pergunta aos Espíritos: “Quando somos Espíritos, preferimos encarnar num corpo de homem ou de mulher?” E a resposta é bem direta: “Isso pouco importa ao Espírito; depende das provas que ele tiver de sofrer”.

O Espiritismo derruba a antiga ideia de que os instintos e sensações do físico é que geram o uso abusivo do sexo, quando esclarece que pertencem ao Espírito imortal os vícios e tendências difíceis de vencer. “Há tendências viciosas que são evidentemente inerentes ao Espírito, pois que se ligam mais ao moral do que ao físico” (O Céu e o Inferno, Parte I, Cap. VII, A carne é fraca). Ou seja, o Espírito é que é fraco e não é a carne, ou corpo físico, a responsável pelo mau uso do sexo. “O Espírito é assim o artífice do seu próprio corpo que ele modela, apropriando-o as suas necessidades e a manifestação das suas tendências”.

A questão do sexo deve ser trabalhada pelos pais na educação de seus filhos, formando indivíduos responsáveis, responsabilidade essa que lhes evitará muitos dissabores futuros, principalmente na adolescência, evitando uma gravidez precoce.

Como diz-nos o Espírito Emmanuel: “Sexo é espírito e vida, a serviço da felicidade e da harmonia do Universo.

Conseguintemente, reclama responsabilidade e discernimento, onde e quando se expresse."

E complementa o Espírito Joanna de Angelis: “O amor se expressa como sentimento que se expande, irradiando harmonia e paz, terminando por gerar plenitude e renovação íntima. Igualmente se manifesta através das necessidades de intercambio afetivo, no qual os indivíduos se completam, permutando hormônios que relaxam o corpo e dinamizam as fontes de inspiração da alma, impulsionando-a para o progresso”.

FIXAÇÃO DO APRENDIZADO:

l) O que é o sexo para o Espírito?

2) Por que a escolha do sexo biológico é importante para as provas que o Espírito deve passar?

3) Como devemos exercer nossa sexualidade? Como a energia criadora do sexo auxilia em nossa evolução?

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quinta-feira, 1 de outubro de 2020

17ª Aula Parte B - CURSO O QUE É O ESPIRITISMO FEESP


A LEI DE AMOR

O Espírito Lázaro diz-nos em comunicação em O Evangelho Segundo o Espiritismo: “O amor resume toda a Doutrina de Jesus, porque é o sentimento por excelência, e os sentimentos são os instintos elevados à altura do progresso realizado. No seu ponto de partida, o homem só tem instintos; mais avançado e corrompido, só tem sensações; mais instruído e purificado, tem sentimentos; e o amor é o requinte do sentimento.” (Cap. XI, item 8)

Mais adiante, na mesma mensagem, Lázaro esclarece que esse amor não é aquele que conhecemos na nossa atual fase de evolução, mas sim aquele “sol interior que reúne e condensa em seu foco ardente todas as aspirações e todas revelações sobre-humanas”. Ou seja, não é o amor apego, que muitas vezes vem em forma de egoísmo e que, equivocado, cega-nos e nos dirige mal.

Dizem os Espíritos a Allan Kardec em O Livro dos Espíritos: “As paixões são como um cavalo que é útil quando governado e perigoso quando governa. Reconhecei, pois, que uma paixão se torna perniciosa no momento em que a deixais de governar e quando resulta num prejuízo qualquer para vós ou para outro.” (Questão 908).

Para que possamos ter uma ideia de como o amor é representado em sua maior expressão é só observarmos a Criação Divina, que abrange todos os seres.

Os germens desse amor Divino encontram-se dentro de todos nós, como filhos que somos de Deus, mesmo que ainda distanciados desse amor verdadeiro, ainda repletos de sensações.

O Espírito Emmanuel elucida que o nosso trabalho de iluminação interior “deve começar com o autodomínio, com a disciplina dos sentimentos egoísticos e inferiores, com o trabalho silencioso da criatura por exterminar as próprias paixões”.

Jesus, há tanto tempo, ensinando-nos a regra mestra do amor, aconselhou: “E assim, tudo o que quereis que os homens vos façam, fazei-o também vós a eles. Porque esta é a lei e os profetas.” (Mateus, 7:12) (E.S.E, Cap. XI, Item 2)

Vencendo a nossa própria inferioridade, no auxílio ao próximo, no estudo edificante, no dever bem cumprido, certamente, estaremos caminhando em direção ao amor a que Lázaro se refere.

Certamente que muitos pessimistas não acreditam na verdadeira destinação do homem rumo à perfeição.

Contra esse pensamento, esclarece-nos o Espírito Fénelon em um hino à esperança: “Não acrediteis na esterilidade e no endurecimento do coração humano, que cederá, mesmo de malgrado, ao verdadeiro amor. Este é um imã a que ele não poderá resistir e o seu contato vivifica e fecunda os germens dessa virtude, que estão latentes em vossos corações.” (E.S.E, Cap. XI, Item 9)

Caminhando em busca da transformação do nosso eu interior, encontramos dificuldades, mas que, com boa vontade, serão vencidas.

E somente amando é que conseguiremos superar os nossos erros. Lembremos da bela passagem do Evangelho em que Jesus, estando na casa do fariseu Simão, teve seus pés lavados pelas lágrimas e enxugados pelos cabelos de Maria de Magdala, mulher considerada pecadora. Ao ver a devoção dela, que beijava-lhe ainda os pés, o Mestre disse: “Perdoados lhe são os seus muitos pecados, porque ela muito amou.” (Lucas, 7:47)

FIXAÇÃO DO APRENDIZADO

1) O que é o verdadeiro amor?

2) Como superarmos as paixões e sensações que ainda carregamos?

3) Como poderemos sentir esse amor verdadeiro a que a lição se refere?

BIBLIOGRAFIA
- Kardec, Allan - A Gênese – Ed. F EESP.
- Kardec, Allan - O Livro dos Espíritos – Ed. FEESP.
- Kardec, Allan - O Evangelho Segundo o Espiritismo – Ed. FEESP.
- LISSO, Wlademir - Doação de Órgãos e Transplantes – Ed. FEESP.
- XAVIER, F.C. O Consolador. 15.ed. Brasília - FEB, 1991, Questão 230, p. 138.

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quinta-feira, 24 de setembro de 2020

17ª Aula Parte A - CURSO O QUE É O ESPIRITISMO FEESP


CREMAÇÃO - DOAÇÃO DE ÓRGÃOS E TRANSPLANTES

Uma vez ocorrida a morte, que destino dar ao corpo que já não pode entreter a vida? Enterrá-lo ou cremá-lo, são as alternativas mais comuns.

Hoje está em evidência a questão da doação e transplantes de órgãos, que ajudam a prolongar a vida daqueles que dependem desse gesto para sua sobrevivência. Pode-se, até mesmo, pensar na doação de todo o corpo para estudos científicos, mais comumente nos cursos de Medicina.

Remontando aos fatos históricos, percebemos diversas formas de tratar os mortos. Diz-se que os gauleses abandonavam os corpos de seus soldados mortos no campo de batalha, para espanto dos povos com que travavam confrontos, visto que só se importavam com a alma. O costume no Ocidente, porém, é de sepultar o corpo, no processo também chamado de inumação (do latim in- em e húmus - terra, chão). Trata-se, na verdade, de um hábito muito antigo que remonta a pré-história, há cerca de 30.000 anos, quando criou-se todo um ritual de sepultamento, o que demonstra que o homem daquele período, de alguma forma, já pensava na vida de além-túmulo.

A cremação é um costume antigo do homem. Segundo estudos arqueológicos, foi no Período Neolítico (a Idade da Pedra Polida), por volta 12.000 a 4.000 a.C, que o homem começou a incinerar os corpos de seus mortos, em uma ou outra comunidade. Na Idade dos Metais (de 6,5 mil anos a 5,5 mil anos atrás), passou-se a disseminação mais ampla desse costume.

Habito mais comum em povos do Oriente, principalmente na Índia e no Japão, no Ocidente, porém, a cremação é adotada mais como uma opção, por falta de espaço nos cemitérios ou pela crescente conscientização ecológica.

Segundo o posicionamento da doutrina espírita, a cremação nada tem de prejudicial ao Espírito, visto que apenas o corpo é consumido pelo fogo, depois de observados todos os tramites legais para o ato e o tempo de espera, que varia de 24 a 72 horas, em média. O processo de desligamento do Espírito, em relação ao corpo biológico, tem início, como revelam os Espíritos a Kardec, algum tempo antes do suspiro final e se faz gradualmente. Nunca é uma separação brusca, pois acontece como na ocasião da união do Espírito ao corpo, no momento da encarnação, se operando célula a célula.

O que pesa na escolha da cremação é levar o apego do indivíduo a matéria, sua formação cultural e religiosa, isto é, a maneira como encara a morte. Na verdade, o corpo sem vida orgânica não transmite nenhuma sensação física ao Espírito e qualquer reflexo que esse sinta, em razão da cremação, será de ordem moral e não material. É certo que alguns Espíritos ficam mais tempo “ligados” ao corpo que deixaram, muitas vezes acompanhando até mesmo o processo de sua decomposição. Contudo, essa ligação é apenas mental.

Se o indivíduo valoriza mais a vida material que a espiritual, mesmo que for enterrado, muitas vezes, se acreditará ainda encamado, experimentando as sensações do esgotamento das forças vitais. Assim, toma-se fundamental a preparação para a morte, como faziam os antigos egípcios, desde o nascimento do ser. É necessário um esforço de auto renovação, assim como a prática desinteressada do bem. Além disso, o decidido desapego, ainda em vida, das ligações materiais, será essencial para a opção da cremação, não deixando dúvidas quanto ao que se deve fazer do corpo após a morte.

Os relatos a respeito dos transplantes também são antigos apesar de serem creditados a lendas e tradições sem registro científico. Na Bíblia (Gênesis, 2:21-22) Adão aparece como o primeiro doador. Outro relato conhecido é o dos irmãos gêmeos Cosme e Damião. Conta-se que por volta de 300 d.C, transplantaram a perna de um soldado negro recém morto em um idoso branco que havia perdido a perna no mesmo dia. Passaram a história como mártires e posteriormente foram considerados santos pela Igreja por nada cobrarem de seus pacientes além de combaterem os deuses pagãos foram perseguidos julgados e executados pelo Imperador romano Diocleciano.

Na atual legislação brasileira é a Lei n 9.434 de 04.02.97, que dispõe sobre a doação de órgãos e transplantes.

Foi posteriormente alterada pela Lei no 10.211 que determinava que a manifestação do desejo de doação constasse na Carteira de Identidade Civil e na Carteira Nacional de Habilitação tal modificação perdeu sua validade em 22.12.2000 – portanto, hoje, a doação pós-morte só pode ser realizada com a autorização familiar.

Os transplantes começaram a ganhar importância, nos tempos atuais com o primeiro transplante de coração realizado pelo Dr. Cristian Barnard, na Cidade do Cabo (África do Sul) em dezembro de 1967 surgindo daí a discussão dos aspectos científico, ético e moral que envolve a questão. Enfrentou-se em primeiro lugar o problema da rejeição do organismo do receptor em relação ao órgão transplantado A ciência desde então desenvolveu novas técnicas e drogas anti rejeição bem sucedidas na maioria dos casos.

Hoje, porém as preocupações da sociedade concentram-se mais nos aspectos éticos da questão principalmente no que diz respeito ao diagnóstico de morte. Do ponto de vista científico é a morte encefálica que define o quadro de irreversibilidade de uma enfermidade levando o indivíduo em pouco tempo a falência múltipla dos órgãos. Nesse caso não há qualquer esperança de retorno a vida. E a possibilidade de erro de diagnóstico e remotíssima, em face do progresso da ciência médica que tem por meta aplicar todos os meios ao seu alcance para dilatar a vida.

A Doutrina Espírita define a causa da morte como “a exaustão dos órgãos” (L.E. questão 68). É a morte, propriamente dita, bem definida por Allan Kardec “é apenas a destruição do corpo” (L.E. questão 155-a). Contudo enquanto o corpo puder servir aos fins para os quais foi criado são sempre louváveis a doação e o transplante, até porque não acarreta nenhum dano ao perispírito do doador, que passa para o mundo espiritual íntegro.

Aliás, a doação só traz benefícios ao doador pela alegria e gratidão do receptor e de seus familiares, em relação ao prolongamento de sua vida e pelo fim de seus sofrimentos orgânicos. Trata se de um ato de caridade: um gesto de amor ao próximo acima de tudo.

Kardec lembra que “as descobertas da ciência glorificam Deus, em lugar de rebaixá-Lo; elas não destroem senão o que os homens construíram sobre as falsas ideias que eles fizeram de Deus” (A Gênese Cap. I, Item 55)

A ciência busca continuamente a melhoria da vida do homem na Terra e os transplantes de órgãos são um exemplo disso. Ademais, sabemos que nada é obra do acaso, e em tudo temos as Leis Naturais que regulam o funcionamento do Universo. Assim é que nos cabe fazer a nossa parte no auxílio ao próximo, à luz do Evangelho de nosso Divino Mestre Jesus.

FIXAÇÃO DO APRENDIZADO

1) A cremação pode trazer algum prejuízo ao Espírito? Quais cuidados devemos ter para realizá-la?

2) Como preparar-nos bem para a morte física?

3) Por que a doação de órgãos é um ato de amor?

BIBLIOGRAFIA

PEREIRA, W.A. História dos Transplantes. 3 ed.

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quinta-feira, 17 de setembro de 2020

16ª Aula Parte B - CURSO O QUE É O ESPIRITISMO FEESP


BEM SOFRER E MAL SOFRER

“Quando o Cristo disse ‘Bem-aventurados os aflitos, porque deles é o Reino dos Céus’, não se referia aos sofredores em geral, porque todos os que estão neste mundo sofrem, quer estejam num trono ou na miséria extrema, mas, ah! poucos sofrem bem, poucos compreendem que somente as provas bem suportadas podem conduzir ao Reino de Deus. O desânimo é uma falta; Deus vos nega consolações, se não tiverdes coragem. A prece é um sustentáculo da alma, mas não é suficiente por si só; é necessário que se apoie numa fé ardente e na bondade de Deus. Tendes ouvido frequentemente que Ele não põe um fardo pesado em ombros frágeis. O fardo é proporcional as forças, como a recompensa será proporcional a resignação e a coragem. A recompensa será tanto mais esplendente, quanto mais penosa tiver sido a aflição. Mas essa recompensa deve ser merecida, e é por isso que a vida está cheia de tribulações.

O militar que não é enviado à frente de batalha não fica satisfeito porque o repouso no acampamento não lhe proporciona nenhuma promoção. Sede como o militar e não aspireis a um repouso que enfraqueceria o vosso corpo e entorpeceria a vossa alma. Ficai satisfeitos quando Deus vos envia a luta. Essa luta não é o fogo das batalhas, mas as amarguras da vida, onde muitas vezes necessitamos de mais coragem que num combate sangrento, pois aquele que enfrenta firmemente o inimigo poderá cair sob o impacto de um sofrimento moral. O homem não recebe nenhuma recompensa por essa espécie de coragem, mas Deus lhe reserva os seus louros e um lugar glorioso. Quando vos atingir um motivo de dor ou de contrariedade, tratai de elevar-vos acima das circunstâncias. E quando chegardes a dominar os impulsos da impaciência, da cólera ou do desespero, dizei, com justa satisfação: ‘Eu fui o mais forte!’”

“‘Bem-aventurados os aflitos’, pode, portanto, ser assim traduzido: Bem-aventurados os que tem a oportunidade de provar a sua fé, a sua firmeza, a sua perseverança e a sua submissão à vontade de Deus, porque eles terão centuplicadas as alegrias que lhes faltam na Terra, e após o trabalho virá o repouso”. (E.S.E. Cap. V - Item 18).

A mensagem do Espírito Lacordaire, acima reproduzida, traz à tona o problema do sofrimento, que vemos atingir praticamente a todos, das mais variadas formas. A maioria dos seres humanos ainda não é capaz de enfrentar a dor com resignação. Antes, o que se vê é o inconformismo, a queixa, o abatimento sem limites.

É necessário habituar-se a oração, como um canal de comunicação direta com Deus. Mas, também é indispensável uma fé ardente no Criador, pois, sem ela, a prece não virá do coração.

E preciso entender que, muitas vezes, o mal, a dor, o sofrimento, são os remédios de que necessitamos para a cura dos nossos males, cuja origem encontra-se na alma. Todavia, não devemos provocar a dor, para não sofrer-lhe as consequências, nem ter motivos para queixas, pois esse é um ato de insubmissão as leis Divinas.

FIXAÇÃO DO APRENDIZADO:

1) Todo aquele que sofre é “bem-aventurado’?

2) Por que não devemos temer os embates da vida?

3) Como a prece pode nos auxiliar no momento de aflições?

BIBLIOGRAFIA
- Kardec, Allan - O Livro dos Espíritos - Ed. FEESP.
- Kardec, Allan - O Evangelho Segundo o Espiritismo - Ed. FEESP.

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