CARACTERÍSTICAS BÁSICAS DO ESPÍRITA: PACIÊNCIA, INDULGENCIA, FÉ, HUMILDADE, DIGNIDADE E CARIDADE.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Caros amigos e amigas seguidores deste blog; informo que com esta aula fica encerrado o 1º ano do CURSO APRENDIZES DO EVANGELHO criado pela Federação Espírita do Estado de São Paulo – FEESP - Em Março de 2017, se Deus permitir, iniciarei o 2º ano do Curso de Aprendizes do Evangelho FEESP. Que Jesus abençoe a todos. Carlos Varoli

24ª Aula Parte B – CURSO APRENDIZES DO EVANGELHO 1º ANO – FEESP

Desobsessões e Curas

O Espiritismo nos ensina que as obsessões são muito frequentes e se apresentam sob aspectos variados, trazendo como consequência distúrbios de ordem física, desarticuladores da estrutura perispiritual do obsedado, proporcionais a gravidade do comprometimento.

Martins Peralva, na obra “Estudando a Mediunidade”, auxilia-nos a compreender o processo, comentando que o encarnado faculta o acesso do Espírito ao seu psiquismo. A infiltração se dá lentamente, realizando um trabalho subterrâneo de hipnose mental. Sem se dar conta, a penetração vai se fazendo tão profunda que o afastamento se torna muito difícil. “No princípio são simplesmente atitudes excêntricas, o fanatismo e a singularidade. Depois a ação magnética se estenderá até os centros nervosos, e o domínio psíquico e corporal se acentua de tal modo que a pessoa não dispõe mais da vontade para comandar a própria vida.” Não são poucos os casos de se chegar a um completo comprometimento do estado físico do encarnado.

Obsessão e loucura

Neste mesmo sentido, vemos no capitulo XIV de A Gênese que “... a obsessão é sempre o resultado de uma imperfeição moral que dá ocasião a preponderância de um mau Espírito. A uma causa física opõe-se uma força física; a uma causa moral, é necessário opor uma força moral. Para se preservar das doenças, fortifica-se o corpo; para garantir-se contra a obsessão, é necessário fortificar a alma. (...)

Nos casos de obsessão grave, o obsedado está como que envolvido e impregnado de um fluido pernicioso, que neutraliza a ação dos fluidos salutares e os repele. É desse fluido que é necessário desembaraçá-lo... É necessário expulsar o fluido mau com a ajuda de um fluido melhor.

Isto é a ação mecânica, mas que nem sempre basta; é necessário também e, sobretudo, agir sobre o ser inteligente ao qual é necessário possuir o direito de falar com autoridade, e essa autoridade, não é dada senão à superioridade moral; “quanto maior esta for tanto maior aquela será”.

Há casos mais graves onde a subjugação num grau mais elevado pode ter como consequência a loucura. É o que vemos disposto em “O Livro dos Médiuns”, no item 254, questão 6: “Sim, há uma espécie de loucura cuja causa é desconhecida do mundo, mas que não tem relação com a loucura ordinária. Entre os que são tratados como loucos ha muitos que são apenas subjugados. Necessitariam de um tratamento moral, enquanto os tornam loucos verdadeiros com os tratamentos corporais. Quando os médicos conhecerem bem o Espiritismo, saberão fazer essa distinção e curarão maior número de doentes do que o fazem com as duchas.”

Em “A Gênese”, capitulo XV item 33, vemos que: “As libertações de possessos figuram, com as curas, entre os atos mais numerosos de Jesus (...) É provável que naquela época, como acontece ainda em nossos dias, atribuísse à influência dos demônios todas as doenças cuja causa era desconhecida, principalmente o mutismo, a epilepsia e a catalepsia. Mas outros fatos há em que a ação dos maus Espíritos não é duvidosa...” Kardec cita ainda que a prova da participação de uma inteligência oculta são as numerosas curas obtidas em alguns Centros Espíritas, unicamente pela evocação e moralização dos Espíritos obsessores.

Os processos obsessivos, assim como as doenças e outros males que afligem a humanidade, fazem parte das aflições e das misérias inerentes aos mundos de provas e expiações, onde nossas imperfeições impelem-nos a viver. Espíritos que, quando encamados, eram vingativos, muitas vezes, quando desencarnados, tomam-se obsessores ainda mais perigosos, eis que agem sem ser vistos. Não há como afastá-los pela força. O único meio é a moralização do obsedado e o esclarecimento dos Espíritos inferiores, fazendo-os renunciar voluntariamente ao mal.

Em síntese, o tratamento da obsessão consiste numa tríplice ação: “a ação fluídica, que liberta o perispírito do doente da pressão do Espírito malévolo; o ascendente exercido sobre este último pela autoridade que sobre ele se dá a superioridade moral e a influência moralizadora dos conselhos que se lhes dá”.

A primeira é acessória das outras duas, pois se momentaneamente se afasta o obsessor nada o impede de voltar. É fazendo-o renunciar, voluntariamente, a seus maus propósitos, moralizando-o, que se obterá êxito.

Para que este processo de convencimento seja alcançado, requer-se tato, paciência, devotamento e, acima de tudo, fé sincera. É nesse sentido que a superioridade moral é indispensável à obtenção do respeito do Espírito malévolo.

No capitulo XV de “A Gênese”, item 33, Kardec comenta que “A imensa superioridade do Cristo Lhe dava tal autoridade sobre os Espíritos imperfeitos, então chamados demônios, que bastava recomendar-lhes se retirarem, para que eles não pudessem resistir a essa exigência”. A passagem de Mateus 17:14-21 - O jovem lunático, ilustra bem esse fato, conforme transcrito a seguir.

O jovem lunático

“Ao chegarem junto da multidão, aproximou-se dele um homem que, de joelhos, lhe pedia: ‘Senhor tem compaixão de meu filho, porque é lunático e sofre muito com isso. Muitas vezes cai no fogo e outras muitas na água. Eu o trouxe aos teus discípulos, mas eles não foram capazes de curá-lo’. Ao que Jesus replicou ‘O geração incrédula e perversa, até quando estarei convosco’? Até quando vos suportarei? Trazei-o aqui. ’Jesus o conjurou severamente e o demônio saiu dele. E o menino ficou são a partir desse momento’. Então os discípulos, procurando Jesus a sós, disseram: ‘Por que razão não pudemos expulsa-lo?’ Jesus respondeu-lhes: ‘Por causa da fraqueza da vossa fé,. pois em verdade vos digo: se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a esta montanha: Transporta-te daqui para lá, e ela se transportará, e nada vos será impossível’.”

O Mestre, certamente, não podia interferir nas Leis que determinam a cada Ser que faça a sua colheita, conforme tenha sido sua própria semeadura, ou que a cada criatura será dado receber o que ela própria semeou. Ações como a exercida no caso da Mulher Curvada (Lc 13: 10-17), transcrita a seguir foram muitas.

A mulher curvada

“Ora, ele estava ensinando numa das sinagogas aos sábados. E eis que se encontrava lá, uma mulher possuída havia dezoito anos por um espírito que a tornava enferma; estava inteiramente recurva, e não podia de modo algum endireitar-se. Vendo-a, Jesus chamou-a e disse.' 'Mulher estás livre de tua doença’, e lhe impôs as mão. No mesmo instante, ela se endireitou e glorificava Deus.” “O chefe da sinagoga, porém, ficou indignado por Jesus ter feito uma cura no sábado e, tomando a palavra, disse a multidão: ‘Ha seis dias nos quais se deve trabalhar; portando, vinde nesses dias para serdes curados, e não no dia de sábado! O Senhor; porém, replicou: ‘Hipócritas’! Cada um de vos, no sábado, não solta seu boi ou seu asno do estábulo para levá-lo a beber? E esta filha de Abraão que Satanás prendeu há dezoito anos, não convinha soltá-la no dia de sábado? Ao falar assim, todos os adversários ficaram envergonhados, enquanto a multidão inteira se alegrava com todas as maravilhas que ele realizava.”

Eliminada a causa o efeito desaparece. Por isso Jesus sempre recomendava após suas curas: “A tua fé te curou; vai e não peques mais”. Daí a necessidade de se trabalhar para a própria melhoria.

Conforme citado na resposta a questão 479 do Livro dos Espíritos: “A prece é um poderoso socorro para todos os casos, mas, sabei que não é suficiente murmurar algumas palavras para obter o que se deseja. Deus assiste aos que agem, e não aos que se limitam a pedir. Cumpre, portanto, que o obsedado faça, de seu lado, o que for necessário para destruir em si mesmo a causa que atrai os maus Espíritos.”

Seguir os ensinamentos de Jesus em plenitude! Esta é a única maneira de se evitar a obsessão. Vivenciando os preceitos contidos nos Evangelhos, verdadeiro manual de normas de conduta, colocando- os em prática no dia-a-dia, conquista-se assim a tão almejada reforma interior.

QUESTÃO REFLEXIVA:

Reflita e comente: O Evangelho é o maior medicamento para os processos de obsessão.

Bibliografia

- A Bíblia de Jerusalém.
- Kardec, Allan - O Livro dos Espíritos - Ed. FEESP.
- Kardec, Allan - O Livro dos Médiuns - Ed. FEESP.
- Kardec, Allan – A Gênese - Ed. FEESP.
- Kardec, Allan – Obras Póstumas.
- Kardec, Allan – Obsessão – Origens, Sintomas e Curas
- Peralva, Martins – Estudando a Mediunidade.


Fonte da imagem: Internet Google.