CARACTERÍSTICAS BÁSICAS DO ESPÍRITA: PACIÊNCIA, INDULGENCIA, FÉ, HUMILDADE, DIGNIDADE E CARIDADE.

quinta-feira, 4 de abril de 2024

3ª Aula Parte A – CURSO APRENDIZES DO EVANGELHO 1º ANO – FEESP

Gênese Mosaica e Kardequiana – Gênese Espiritual

Deus, Gênese Mosaica e Kardequiana

DEUS

Esta aula contém a análise do processo de formação do Universo, sob as óticas da Bíblia, da Ciência e da Doutrina dos Espíritos.

Atualmente, a teoria científica mais aceita para explicar a origem do Universo é a do “Big Bang”, desenvolvida a partir do inicio do século XX. Segundo esta teoria, ha cerca de 15 bilhões de anos, houve uma grande explosão que originou todo o Universo. O planeta Terra, por sua vez, formou-se por volta de 4,5 bilhões de anos atrás.

“A Gênese” de Kardec, eminentemente científica, refere-se a Deus como “a causa primária de todas as coisas, o ponto de partida de tudo, o eixo sobre o qual repousa o edifício da criação...” (GE, cap.II, item 1), sendo assim, é de suma importância que estudemos Deus antes de tudo.

Para tanto, uma vez que “Deus não se mostra, mas se afirma pelas Suas obras” (GE, cap.II, item 6), podemos estudá-lo a partir do principio de que “todo efeito inteligente deve ter uma causa inteligente” (GE, cap.II, item 3).

A Natureza nos mostra inúmeros exemplos de processos materiais e mecânicos que têm como aplicação um efeito inteligente, denotando então, uma causa inteligente. Conforme exemplo de Kardec, “A existência do relógio atesta a existência do relojoeiro; a engenhosidade do mecanismo atesta a inteligência e o saber do relojoeiro“ (GE, cap. II, item 6). O Universo, entendido em toda a sua complexidade, engenhosidade e intencionalidade, dá-nos mostras então da existência de um Ser divino responsável pela sua criação.

Aceitando-se a existência de Deus, ainda que não se possa compreendê-Lo em Sua essência, pode-se conhecer-Lhe os atributos, pois, segundo Kardec (GE, cap. II, item 8), “sem o conhecimento dos atributos de Deus, seria impossível compreender a obra da Criação;...”. Pode se afirmar que Deus é “a suprema e soberana inteligência; Ele é único, eterno, imutável, imaterial, todo poderoso, soberanamente justo e bom, infinito em todas as Suas perfeições.” (GE, cap. II, item 19).

Assim, poderíamos perguntar-nos: Se Deus esta em toda a parte, por que não O vemos?

Uma imagem muito interessante que nos permite compreender melhor a esta questão se encontra em “A Gênese“, cap.II, item 33: “Aquele que está no fundo de um vale, mergulhado numa bruma espessa, não vê o Sol; contudo, na luz difusa, ele imagina a presença do Sol (...). Somente após elevar-se completamente acima da camada brumosa, encontrando-se num ar perfeitamente puro, ele o vê em todo o seu esplendor.“ O mesmo se dá com o Espírito que, de acordo com o seu grau de evolução, tem uma percepção cada vez mais apurada de Deus. Assim, podemos senti-Lo cada vez mais, à medida que vivenciamos os ensinamentos de Jesus.

Remontando a história da origem de quase todos os povos, percebemos que os seus primeiros livros foram religiosos. Dentre todas Gêneses antigas, a que mais se aproxima dos dados científicos é a Moisés. A Gênese Mosaica, no entanto, apresenta-nos a formação do mundo em seis dias, de vinte e quatro horas. Fato que a Ciência atual afirma como inconcebível, a não ser que sejam negadas as leis físicas existentes. Em “O Livro dos Espíritos“, Cap. III, item 6, subitem 59, encontramos: “A formação do globo está gravada em caracteres indeléveis no mundo fóssil, e está provado que os seis dias da Criação representam outros tantos períodos, cada um deles, talvez, de muitas centenas de milhares de anos.”

A partir destas ideias, analisemos a seguir os quadros comparativos entre os dias da criação da Gênese de Moisés e as eras geológicas. 

Deve-se notar uma concordância notável com relação à sucessão dos seres orgânicos, inclusive com a aparição do ser humano no último “dia”. Percebe-se também, no “terceiro dia” e no “terceiro período” que os continentes apareceram e a partir daí puderam surgir os animais terrestres.

Observação: nos quadros o termo “era” foi substituído por “período”, termo utilizado por Kardec no livro “A Gênese”.

CIÊNCIA e GÊNESE MOSAICA

CIÊNCIA: I. PERÍODO ASTRONÔMICO. A aglomeração da matéria cósmica universal num ponto do espaço. Condensação da matéria - origem das estrelas, Terra, Lua e os planetas.

Estado primitivo, fluídico e incandescente da Terra. Atmosfera imensa carregada de toda a água em vapor e de todas as matérias volatilizáveis.

GÊNESE MOSAICA: 1º DIA. No começo criou Deus o Céu e a Terra. Terra uniforme e nua; trevas e o Espírito de Deus pairava sobre as águas. Ora, Deus disse: Faça-se a luz e a luz foi feita.

Deus viu que a luz era boa e separou a luz das trevas. Luz - dia e trevas - noite e da tarde e da manhã se fez o primeiro dia.

CIÊNCIA: II. PERÍODO PRIMÁRIO. Endurecimento da superfície da
Terra, pelo resfriamento; formação das camadas graníticas. Atmosfera espessa e ardente, impenetrável aos raios solares.

Precipitação gradual da água e das matérias solidas volatilizadas no ar. - Ausência completa de vida orgânica.

GÊNESE MOSAICA: 2º DIA. Disse Deus: Faça-se o Firmamento no meio das águas e que ele separe das águas as águas. E Deus fez o Firmamento e separou as águas que estavam debaixo do Firmamento das que estavam acima do Firmamento. E Deus deu ao Firmamento o nome de céu; da tarde e da manhã se fez o segundo dia.

CIÊNCIA: III. PERÍODO DE TRANSIÇÃO. As águas cobrem toda a superfície do globo. Calor úmido. O Sol começa a atravessar a atmosfera brumosa. Primeiros seres organizados da constituição rudimentar - Liquens, musgos, fetos, licopódios, plantas herbáceas. Vegetação colossal. Primeiros animais marinhos.

GÊNESE MOSAICA: 3º DIA. Deus disse ainda: Que as águas que estão sob o céu se reúnam em um só lugar (mar) e que o elemento árido apareça (terra). Produza a terra a erva verde que traz a semente e árvores frutíferas que deem frutos cada um de uma espécie, e que contenham em si mesmas as suas sementes. E da tarde e da manhã se fez o terceiro dia.

CIÊNCIA: IV PERÍODO SECUNDÁRIO. Superfície da Terra pouco acidentada; águas pouco profundas. Temperatura menos ardente; atmosfera mais depurada. Vegetação menos colossal; novas espécies; primeiras árvores. Peixes; cetáceos; animais aquáticos e anfíbios.

GÊNESE MOSAICA: 4º DIA. Deus disse também: Façam-se corpos de luz no firmamento do céu, a fim de que separem o dia da noite e sirvam de sinais para marcar o tempo e as estações, os dias e os anos. Deus então fez dois grandes corpos luminosos, um, maior, para presidir ao dia, o outro, menor, para presidir a noite; fez também as estrelas. E da tarde e da manhã se fez o quarto dia.

CIÊNCIA: V PERÍODO TERCIÁRIO. Crosta sólida; formação dos continentes. Retirada das águas para os lugares baixos; formação dos mares. Atmosfera depurada; temperatura atual produzida pelo calor solar. Gigantescos animais terrestres. Vegetais e animais da atualidade. Pássaros.

GÊNESE MOSAICA: 5º DIA. Disse Deus ainda: Produzam as águas animais vivos que nadem nas águas e pássaros que voem sobre a Terra.

Deus então criou os grandes peixes e todos os animais que têm vida e movimento e criou também todos os pássaros, cada um de uma espécie. E os abençoou, dizendo: Crescei e multiplicai-vos...

CIÊNCIA: VI. DILÚVIO UNIVERSAL. PÓS DILUVIANO. Terrenos de aluvião. Vegetais e animais atuais. O homem.

GÊNESE MOSAICA: 6º. DIA. Disse Deus: Produza a Terra animais vivos, os animais domésticos e os animais selvagens... Deus então criou o homem a sua imagem e o criou a imagem de Deus e o criou macho e fêmea. Deus os abençoou e lhes disse:

Crescei e multiplicai-vos...

Kardec finaliza o estudo da Gênese Mosaica, com a seguinte afirmação: “Não rejeitemos, pois, a Gênese Bíblica; estudemo-la ao contrário, como se estuda a infância dos povos. É uma epopeia rica de alegorias, das quais é preciso procurar o sentido oculto; que é necessário comentar e explicar com as luzes da razão e da ciência“ (GE cap. XII, item 12).

Após a análise comparada dos enunciados da Ciência e da Gênese Mosaica, vemos que o ponto culminante da criação foi o surgimento do Homem. Nós somos, assim, herdeiros da criação e responsáveis pela conservação planetária, cabendo a cada um de nós a execução de nossas tarefas para o alcance do bem estar comum e do progresso da humanidade.

QUESTÃO REFLEXIVA:

Comente a nossa responsabilidade como filhos de Deus e herdeiros da Sua criação.

A imagem acima é meramente ilustrativa. Fonte: Internet Google.
 

terça-feira, 2 de abril de 2024

2ª Aula Parte B – CURSO APRENDIZES DO EVANGELHO 1º ANO – FEESP

O Novo Testamento

O Novo Testamento (NT) é o conjunto dos textos escritos após a vida publica e a morte de Jesus. Expõe a história da Nova Aliança, feita entre Jesus e os homens e as principais condições e leis dessa aliança.

Esses livros assim se dividem:

- Livros históricos (5): Mateus (Mt), Marcos (Mc), Lucas (Lc), João (Jo), Atos dos Apóstolos; “

- Livros doutrinais (21): Epístolas (cartas) de Paulo: Romanos, I e II Coríntios, Gálatas, e Efésios, Filipenses, Colossenses, I e II, Tessalonicenses, I e II Timóteo, Tito, Filemon e Hebreus; Epístola de Tiago; I e II Epístolas de Pedro; I,II,III Epístolas de João; Epístola de Judas.

- Livro profético (1): Apocalipse de João.

Os manuscritos originais desses textos, assim como suas cópias feitas nos três primeiros séculos, desapareceram totalmente, não somente porque o material usado (papiro, cerâmica) se deteriorava facilmente, mas também porque os perseguidores dos cristãos destruíam sistematicamente todos os escritos sagrados que lhes caiam nas mãos.

Os cristãos, por sua vez, os escondiam para não serem destruídos. Muitos desses textos foram enterrados e jamais recuperados; outros foram encontrados nas buscas arqueológicas mais recentes, como os riquíssimos manuscritos do Mar Morto, deixados nas cavernas de Qumran pelos Essênios, após a destruição de Jerusalém, e encontrados em 1947.

Apos essa descoberta, na Escola Bíblica de Jerusalém, teólogos e religiosos, de vários segmentos cristãos reunidos, compilaram uma bíblia atualizada com as novas informações, cuja tradução foi denominada A Bíblia de Jerusalém.

Os Evangelhos (Evangelho significa Boa Nova, livro portador da mensagem) nasceram do desejo dos fiéis de possuírem, por escrito, a pregação dos Apóstolos, narrando a vida e a mensagem de amor de Jesus. A Igreja Católica rejeitou inúmeros textos, por considerá-los de autenticidade duvidosa e aceitou como canônicos, isto é, divinamente inspirados, apenas quatro Evangelhos: Mateus, Lucas, Marcos e João.

Todos começaram a ser escritos muitos anos após a morte de Jesus, embora não se conheça as datas com exatidão.

É interessante notar que os Evangelhos são sempre intitulados da seguinte forma: “Evangelho segundo Mateus“, “Evangelho segundo João”, etc. É provável que nem todos os textos tenham sido escritos diretamente pelos evangelistas, mas sim por outras pessoas que se baseavam em seus depoimentos e anotações, pois, a exceção de Mateus e Lucas, os discípulos eram pessoas bastante simples do ponto de vista intelectual.

Por serem muito semelhantes entre si, os Evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas são conhecidos como sinópticos. O Evangelho de João é considerado o mais espiritual de todos.

A influência dos ensinamentos evangélicos é sentida em todo o mundo, através de todos os tempos, trazendo o código moral que permite a criatura sua renovação interior, pensando nosso caminho evolutivo com maior serenidade, confiança, esperança, até a perfeição relativa e a felicidade para a qual fomos criados.

OS AUTORES DOS EVANGELHOS

EVANGELHO SEGUNDO MATEUS

Mateus - Também chamado Levi, era cobrador de impostos (publicano) em Cafarnaum. Seu Evangelho (O primeiro do NT) foi escrito em aramaico, narra principalmente as pregações na Palestina e era destinado aos judeus, para convencê-los de que Jesus era o Messias prometido ao povo hebreu. No seu Evangelho ha muitas citações do Antigo Testamento.

EVANGELHO SEGUNDO MARCOS

Marcos - João Marcos, primo de Barnabé, discípulo de Pedro e seu companheiro nas pregações. Pedro falava aramaico, e era traduzido para o grego, por Marcos. Considerado o “eco da voz de Pedro“. Esse aprendizado deve ter influenciado os seus escritos. Ele também fez parte da primeira viagem de Paulo. Seu Evangelho (O segundo do NT) foi escrito em grego e procura demonstrar com clareza que Jesus era, verdadeiramente, Filho de Deus. Não era dirigido essencialmente aos judeus, mas aos cristãos da Igreja Romana convertidos do paganismo.

EVANGELHO SEGUNDO LUCAS

Lucas - Era médico, pagão, natural de Antióquia, bastante culto. Não conheceu Jesus em vida, mas converteu-se ao Cristianismo graças à pregação de Paulo, seguindo-o em quase todas as suas viagens missionárias. Seus textos foram elaborados a partir de sua convivência e de seu acesso pessoal aos apóstolos e a Maria, mãe de Jesus.

Foi Lucas quem deu aos seguidores de Jesus o nome de cristãos. Além do seu Evangelho (O terceiro do NT), atribui-se também a ele a autoria dos “Atos dos Apóstolos“. Seu Evangelho também foi escrito em grego e é dirigido aos pagãos convertidos.

EVANGELHO SEGUNDO JOÃO

João - O quarto Evangelho do NT foi escrito por um discípulo direto de Jesus, um dos doze apóstolos: João, conhecido como o Evangelista, testemunha da vida e da morte de Jesus. Ele foi o único apostolo a estar com Jesus na sua crucificação e foi a ele que o Mestre entregou Maria, sua mãe, para que ficasse sobre seus cuidados. João tornou-se, posteriormente, líder da comunidade crista de Jerusalém, ao lado de Tiago e Pedro.

Além do quarto Evangelho, é o autor do Apocalipse e de três Epistolas do NT.

ATOS DOS APÓSTOLOS

“Atos“ é o quinto livro do NT, escrito em grego. Lucas foi o autor de “Atos“, provavelmente entre 80 e 90 d.C., e se apresenta como a continuação de seu Evangelho. Ele descreve a igreja nascente, as primeiras comunidades cristas, seus triunfos e dificuldades, o esforço para seguir o ensino do Cristo e para divulgar a sua doutrina de amor e paz.

Embora o relato se refira aos atos dos Apóstolos, seus principais protagonistas são Pedro (12 primeiros capítulos) e Paulo (os 16 capítulos restantes) - dois personagens fundamentais no Cristianismo.

Lucas escreveu uma obra histórica: Seu Evangelho abrange os atos e ensinamentos de Jesus até sua ascensão aos céus; e “Atos“ é a comprovação de que Jesus, lá do Plano Espiritual, continua sua missão através de seus discípulos. Por isso, “Atos“ é chamado também de “Evangelho do Espírito Santo“ ou “Evangelho do Espírito de Jesus“. Para os espíritas é o “Evangelho da Mediunidade“.

AS EPÍSTOLAS

CARTAS DE PAULO

Paulo de Tarso é provavelmente o personagem mais conhecido e mais admirado do NT, depois de Jesus. A sua personalidade apaixonada, a sua vida dedicada a um ideal religioso, primeiro defendendo o Judaísmo e perseguindo os cristãos, posteriormente pregando com zelo e abnegação incansáveis a doutrina ensinada por Jesus, impressiona-nos profundamente.

Suas catorze cartas ou epistolas consistem em respostas a situações concretas do dia-a-dia difícil que viviam os cristãos da época; são explicações e orientações, conselhos, advertências, cuidados, dirigidos a pessoas ou comunidades cristãs e para além delas, a todos os que se decidiram seguir os ensinos do Mestre.

EPÍSTOLAS UNIVERSAIS OU CATÓLICAS

As outras sete Epístolas do NT foram escritas por diversos autores: uma de Tiago, três de João, duas de Pedro e uma de Judas. Foram reunidas e denominadas de “católicas ou universais“, porque a maioria delas não é direcionada a pessoas ou comunidades em particular, mas aos cristãos em geral.

O APOCALIPSE

Depois de perseguido, João, o quarto Evangelista, foi exilado na ilha de Patmos, na Grécia, onde escreveu também o Apocalipse, um livro considerado profético. O Apocalipse (Revelação) é considerado o livro profético do NT e tem até hoje as mais diversificadas interpretações dentro das várias religiões. Seu objetivo principal é sustentar a fé e a esperança nos momentos de testemunho e renovação da humanidade, alertando-nos para a nossa responsabilidade frente às escolhas evolutivas que fazemos.

OS EVANGELHOS APÓCRIFOS

O TERMO APÓCRIFO

Essa palavra tem origem no grego “apokrypha“, que significa “escondido“. Costuma ser usada por escritores e/ou autoridades religiosas para indicar temas, textos ou obras de origem ignorada ou duvidosa, falsa ou sem autenticidade comprovada.

Apócrifos (dicionário Aurélio): “Entre os católicos, Apócrifos eram os escritos de assuntos sagrados que não foram incluídos pela Igreja no Canon das Escrituras autêntica e divinamente inspiradas”.

O TERMO CANÔNICO

A palavra deriva de “Cânon“, que é o catálogo de Livros Sagrados admitidos pela Igreja Católica, livros divinamente inspirados. A maior parte dos textos considerados apócrifos surgiu entre os séculos II e IV d.C., na mesma época dos denominados canônicos.

A escolha dos Evangelhos canônicos e a rejeição dos apócrifos não foram pacíficas: houve inúmeros problemas e controvérsias, perseguições e exílios de bispos discordantes, jogos políticos, uso e abuso de poder, imposições pela forca e até lutas corporais, para que se definisse o que deveria ou não fazer parte da Bíblia.

O termo canônico surgiu a partir de 385 d.C., quando foi solicitado a São Jerônimo que avaliasse os evangelhos existentes. Foram aprovados como canônicos os Evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João.

Em 1945, em Nag Hammadi, no Egito, foram encontrados diversos textos, entre os quais alguns que passaram a ser denominados Evangelhos apócrifos. Existem mais de 60 Evangelhos apócrifos, mas esse é um número que provavelmente esta longe de ser exato. Exemplos: Evangelho de Tomé, de Pedro, de Felipe, de Tiago, dos Hebreus, Judas, dos Nazarenos, dos Doze, dos Setenta, dos Judeus, dos Egípcios, de Madalena, entre outros.

O importante é que saibamos analisar cada obra pelo seu conteúdo, isto é, pela sua essência moral, que é a marca do Cristo. O conhecimento traz a responsabilidade da prática que se traduz pela vivência diária dos ensinamentos do Mestre.

QUESTÃO REFLEXIVA:

Os textos canônicos e os apócrifos fazem parte da história religiosa do ser humano. Qual deve ser a atitude do espírita em relação a esses testos?

Bibliografia

A Bíblia de Jerusalém.
Kardec, Allan - A Gênese - Ed. FEESP.
Kardec, Allan - O Livro dos Espíritos - Ed. F EESP.
Lippelt, Waldyr C. - A Bíblia, um Estudo Sinóptico - Ed. F EESP.
Kardec, Allan - O Evangelho Segundo o Espiritismo - Ed. F EESP.
Martins, Sebastião P. - História da Formação do Novo Testamento.

A imagem acima é meramente ilustrativa. Fonte: Internet Google.
 

quinta-feira, 28 de março de 2024

2ª Aula Parte A – CURSO APRENDIZES DO EVANGELHO 1º ANO – FEESP

Noções Gerais Sobre A Bíblia

O Velho Testamento

A Bíblia é o livro considerado o mais importante dentre todos os que já foram escritos em todos os tempos e lugares, o mais editado e já traduzido em mais de mil línguas e dialetos humanos, não havendo termos de comparação entre ela e todos os outros livros.

O termo Bíblia tem origem no grego “Biblos“, plural de “Biblion“, que significa livros.

Em “Visão Espírita da Bíblia”, Herculano Pires escreve: “A Bíblia (que o nome quer dizer simplesmente: O Livro) é na verdade uma biblioteca, reunindo os livros diversos da religião hebraica”.

Representa a codificação da primeira revelação do ciclo do Cristianismo. Livros escritos por vários autores estão nela colecionados, em numero de 42. Foram todos escritos em hebraico e aramaico e traduzidos mais tarde para o latim, por São Jerônimo, na conhecida Vulgata Latina, no século quinto da nossa era. As igrejas católicas e protestantes reuniram a esse livro Os Evangelhos de Jesus, dando a estes o nome geral de “Novo Testamento”.

Até o alemão Johann Gutenberg inventar a tipografia (processo de impressão com caracteres móveis) – no século XV - a Bíblia era um livro raro e extremamente caro, pois todas as cópias eram feitas artesanalmente, manuscritas em material muitas vezes difícil de obter e manipular.

Os textos bíblicos foram escritos nos mais diversos materiais. Encontramos inscrições em pedra no Egito e na Babilônia, datadas de 850 a.C., em argila e cerâmica, em madeira (utilizada durante muitos séculos pelos gregos, em couro, em papiro, em velino (preparado a partir da pele de bezerros), em pergaminho (pele de ovelhas ou cabras) e, mais recentemente, em papel, desde o comum até os extremamente delicados e finos, com bordas douradas. Hoje já podemos ouvi-la em CD e ler seus belos textos em livros virtuais na Internet.

Foi somente no século 16 que o padre católico Martinho Lutero, fundador do Protestantismo, traduziu a Bíblia para o alemão, deixando-a ao alcance das classes menos cultas. Posteriormente, as traduções para outras línguas se popularizaram, o que universalizou seu conteúdo, permitindo a todos o acesso aos seus ensinamentos.

Por causa das inúmeras traduções, da grande quantidade de símbolos, alegorias e sentidos ocultos, das interpretações diferentes dos textos e ate mesmo das alterações propositais de palavras e trechos inteiros, há, em muitos casos, distorções dos textos primitivos. Isso, no entanto, absolutamente, não invalida a Bíblia.

Em “A Gênese“, Cap. IV, item 6, Kardec escreve: “A Bíblia contém evidentemente fatos que a razão, desenvolvida pela ciência, não poderia aceitar hoje, e outros que parecem estranhos e inspiram aversão, porque se prendem a costumes que não são mais os nossos. Mas, ao lado disso, haveria parcialidade em não se reconhecer que ela contém grandes e belas coisas. A alegoria, nela, tem lugar considerável, e sob esse véu ela esconde verdades sublimes que aparecem se se buscar a essência do pensamento, pois nesse caso o absurdo desaparece

Em “O Livro dos Espíritos“, item 59, Kardec discorre sobre alguns pontos divergentes entre as afirmações bíblicas e a Ciência, como as questões da Criação em seis dias, a existência de Adão como o primeiro homem, o dilúvio universal, etc., e considera que as contradições entre ambas são mais aparentes do que verdadeiras, pois decorrem da interpretação dada a elas por homens que tomam ao pé da letra o que tem sentido simbólico ou alegórico. E Kardec questiona: “Devemos concluir, então, que a Bíblia é erro? Não; mas que os homens se enganaram na sua interpretação.”

Kardec mostra um enorme respeito e uma profunda compreensão quanto à importância e a beleza da Bíblia e essa deve ser também a atitude dos espíritas perante ela: devemos conhecê-la e estudá-la como um valioso patrimônio da Humanidade, um instrumento fundamental para trilharmos os caminhos espirituais a que estamos destinados.

COMPOSIÇÃO DA BIBLIA

Em sua forma inicial, a Bíblia não tinha a disposição atual e para facilitar sua leitura e entendimento, em 1227 d.C., convencionou-se dividi-la em capítulos. A subdivisão em versículos se aconteceria em 1551 d.C.

Foi também nesse período, durante o Concilio Ecumênico de Trento (1545-1563), na Itália, que se determinou que a Bíblia, para os católicos, seria composta de 73 livros, divididos em duas partes: Antigo Testamento (46 livros) e Novo Testamento (27 livros).

Esse número varia um pouco, dependendo da religião cristã que a adota, pois algumas rejeitam alguns textos e algumas os acrescentam ou os substituem.

Testamento significa “pacto“, “convênio“ ou “aliança“, e assim temos a Antiga Aliança ou Velho Testamento (Deus e os Hebreus) e a Nova Aliança ou Novo Testamento (Jesus, os Hebreus e toda a Humanidade).

Quanto ao assunto e a forma, seus textos podem ser divididos em três classes:

- Livros históricos;

- Livros doutrinais;

- Livros proféticos.

O Antigo Testamento (AT) é o conjunto dos livros escritos por inúmeros autores na Antiguidade: profetas, escribas, sacerdotes, reis, que relataram os acontecimentos, os costumes, as leis, as regras de convivência social e moral que regiam a vida dos povos da época.

Conta a história do povo de Israel, descrevendo a aliança feita por Deus com Abraão e seu povo, bem como as condições e as leis dessa aliança.

Os livros que o compõem estão assim divididos:

- Livros históricos (21): Gênesis, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio, Josué, Juízes, Rute, I Samuel, II Samuel, I Reis, II Reis, I Crônicas, II Crônicas, Esdras, Neemias, Tobias, Judite, Ester, I Macabeus, II Macabeus. Cada um destes textos narra uma parte da história do povo hebreu;

- Livros doutrinais (7): Jó, Salmos, Provérbios, Eclesiastes, Cântico dos Cânticos, Sabedoria, Eclesiástico.

São escritos voltados a indicar a correta conduta moral para o Homem de bem;

- Livros proféticos - Muitos séculos antes de Jesus vir ao planeta, para aqui vieram profetas que anunciaram grandes acontecimentos futuros; entre eles, alguns se destacaram pela importância e abrangência de suas profecias:

- Profetas Maiores (6): Isaías (8 a.C.), Jeremias (7 a.C.), Lamentações de Jeremias (6 a.C.), Baruc, Ezequiel, Daniel;

- Profetas Menores (12): Oséias, Joel, Amos, Abdias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuc, Sofonias, Ageu, Zacarias, Malaquias.

Os Cinco primeiros livros do Antigo Testamento (Genesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio) formam o que se denomina Pentateuco. Desde os antigos judeus e também entre os cristãos, considera-se que eles são de autoria de Moisés, mas pode haver ali trechos e textos não escritos por ele, como a narração de sua própria morte ou a continuação de certas genealogias envolvendo personagens que viveram depois dele.

O estudo do Antigo e do Novo Testamentos, considerando-se os contextos histórico e cultural do momento da elaboração de cada um dos textos, permite-nos perceber a evolução histórica e moral da Humanidade, as razoes dos acontecimentos e transformações que, progressivamente, conduzem-nos a caminhos espirituais cada vez mais elevados.

Percebemos que homens primitivos, rudes, muito mais ligados as sensações materiais, que necessitavam de um Deus agressivo e vingativo, com a vinda de Jesus, passam a conhecer um Deus amoroso e compassivo, e que o Mestre não tinha vindo “destruir a Lei“, mas fazê-la cumprir, dando-lhe o seu verdadeiro sentido e preparando a Humanidade para a plena vigência interior da Lei Divina.

QUESTÃO REFLEXIVA:

Qual a importância do conhecimento do Antigo Testamento para nós, espírita?

A imagem acima é meramente ilustrativa. Fonte: Internet Google.
 

terça-feira, 26 de março de 2024

1ª Aula Parte B – CURSO APRENDIZES DO EVANGELHO 1º ANO – FEESP

A Religião Na Atualidade

Após termos visto, em rápida análise a evolução da espiritualidade através dos tempos, podemos perguntar:

E hoje? Por todo o mundo, como são as manifestações religiosas que podemos encontrar? Alcançaram elas um patamar de transcendência, de abolição de exterioridades excessivas, e se voltaram à verdadeira espiritualização? Bem sabemos que não.

Há que se ressaltar aqui, a propósito, que a classificação por fases (os horizontes) inicialmente apresentada, não obedece a uma uniformidade se analisarmos a humanidade como um todo. Ou seja, são fases, estados de consciência de um dado grupo social que não tem, necessariamente, relação com o período histórico.

Com efeito, vemos que em nosso mundo atual, em pleno século XXI, ainda existem grupamentos humanos em “estados tribais“, cultuando deuses antropomórficos, adorando animais, fazendo votos a seres mitológicos, etc.

Então, não existe uniformidade, e esses grupos diversos em nosso planeta convivem mais ou menos pacificamente.

É da Lei Divina, devemos lembrar que haja essa diversidade, pois é justamente quando ocorre o encontro entre os diferentes que acontece a transferência de conhecimento daquele que sabe mais para aquele que sabe menos. Ou seja, se não houvesse elementos diversos em sabedoria e moralidade, o avanço seria, de certa forma, impossível, eis que não haveria os precursores, os renovadores, os missionários.

Este é, em essência, o papel dos missionários: inserir-se num meio que lhe é inferior em cultura, e injetar, espalhar, difundir o conhecimento.

Nossa história é rica em missionários. Uns; verdadeiros gênios que dominavam as ciências; legaram-nos os mais variados conhecimentos da matemática, da engenharia, da química, da medicina, da física, mais recentemente da física quântica, etc.; outros, verdadeiros “gigantes“ espirituais, conduziram multidões a um novo caminho de espiritualidade.

Em Jesus, o Cristo, o Mestre inesquecível, visualizamos o ápice, o cume, a excelsa Verdade, a Moral perfeita, irretorquível, insofismável. 

Jesus, segundo palavras que encontramos em “O Evangelho Segundo o Espiritismo“, “é o justo por excelência“.

Inconfundivelmente, sim, a Doutrina do Cristo, segundo ensinamento dos Espíritos Superiores, contém o mais perfeito ensinamento moral que já houve na Terra.

Mas, ainda assim, o que muitos não fizeram com os ensinamentos de Jesus? Quantos não corromperam suas lições para satisfazer interesses próprios? Quantos não rejeitaram suas sublimes palavras e, ainda hoje, parecem querer cultuar “o Bezerro de Ouro”? Quantos não se dizem cristãos, mas quase não dão um passo para exemplificar o Bem?

A lição de Jesus que ficou bem clara é que para a verdadeira adoração a Deus não ha a real necessidade de um templo para se fazerem rituais, sacrifícios e oferendas.

O verdadeiro culto a Deus não depende de rituais externos, mas de renovação intima, de seguir uma vida com retidão e observância as Suas Leis.

Assim, Jesus sempre ia às sinagogas para ensinar, não porque elas fossem sagradas, mas porque eram o local em que as pessoas, pela tradição e costumes, iam para falar ou ouvir sobre a lei de Deus.

Mas Jesus não se limitava as sinagogas; muito pelo contrário, Jesus ensinava o tempo todo, em todos os lugares, nas montanhas, nos campos, nas margens dos rios, nas casas em que visitava... Em todos os lugares.

Esse é o grande exemplo para aqueles que transmitem o Evangelho: que não se limitem a local algum, mas ensinem em todos os lugares em que se encontrem, não só pela palavra, mas principalmente pela conduta correta, irrepreensível.

Vemos, assim, que Jesus transcendeu a todo o conceito pequeno, limitado, de templo e de local sagrado.

Transcendeu a todo conceito de dias especiais, e se empenhou em ensinar e demonstrar que para fazer o bem não há dia certo: todos os dias são dias para fazer o bem! E, exatamente por isso, encontramos muitos relatos bíblicos das curas que Jesus realizava aos sábados.

Mas, podemos perguntar uma vez mais, o que então impede o Ser de caminhar diretamente para alcançar sua plenitude?

São os apegos a costumes e tradições antigas; às vezes, é o medo de dar “voos” mais altos, “voos de consciência” e abandonar a suposta “segurança” da antiga crença. Em uma palavra: por atavismos.

Atavismo, figuradamente falando, são manifestações baseadas em convicções que pertenciam aos homens primitivos; já superadas há muito tempo; são “retornos” a crenças, que não sobreviveriam a luz da razão, não sobreviveriam, especialmente, a luz do Cristo.

Mas, por esses atavismos, continuamos presos aos arcabouços religiosos de outros tempos. Quanto tempo precisa o Ser na evolução, para chegar a esta constatação, compreendendo e aceitando estes enunciados?

Quanto tempo ainda será necessário para se romper com o culto exterior de adoração a Deus?

Apesar da evolução no campo do conhecimento, ainda muitos são vitimas de atavismo milenar. Uma força irresistível ainda mantém muitos cativos ao passado, as lendas, as crendices, as superstições e aos mitos.

Inteligência x Moralidade

Em “O Livro dos Espíritos“, no capítulo que trata da Lei do Progresso, encontramos ensinamentos preciosos sobre o progresso intelectual e moral do Espírito.

Vemos, ali, que é necessário haver progresso intelectual do Ser para ele se aperfeiçoar. Esse progresso de inteligência é que lhe vai permitir a compreensão do Bem e do Mal, e, então, poder fazer escolhas, usar seu livre-arbítrio.

Não vemos as crianças, por exemplo, apresentarem as mais ingênuas dificuldades em distinguir o certo do errado? Isso demonstra claramente que temos que aprender; ganhar experiência, para podermos fazer boas escolhas. Eis por que o Espiritismo convida-nos, constantemente, ao estudo.

E para que tenhamos novas percepções da realidade, para que possamos ver além do horizonte, possamos compreender nossa realidade, a realidade do Espírito e de sua imortalidade. Precisamos então sempre continuar estudando. Sempre! Quando, por exemplo, nosso estudo dirige-se as lições de Jesus, para bem compreender suas mensagens precisamos fazer uma imersão nos fatos históricos em que está inserido o advento do Messias.

Nos ensinamentos de Jesus encontramos uma riqueza impar, única, de sabedoria e moralidade. Muitas vezes, no entanto, deparamo-nos com algumas passagens do Evangelho em que o sentido nem sempre está muito claro.

Então, precisamos ler novamente, refletir, para chegar a uma conclusão.

Para isso, muitas vezes, é necessário um conhecimento dos costumes da época, das tradições, da organização social daquele período, etc. Essa “jornada no conhecimento humano” é muita rica, é muito bela, é fascinante, e pode nos levar a outros níveis de entendimento, nunca antes concebidos.

Conhecimento é felicidade! Aos espíritas, o convite de Kardec: “Amai-vos e instruí-vos“. Teremos, então, no decorrer deste curso, a oportunidade única de adentrar a esse universo, ter a felicidade de poder estudar a história do povo hebreu, estudar o cenário por qual percorreu Jesus, o Rabi da Galiléia, estudar o “palco” onde suas palavras foram sublimemente pronunciadas para se imortalizarem no tempo.

Essa trilha despertara em nós o prazer pelo estudo e a verdadeira compreensão das lições inesquecíveis de nosso Mestre, e nos impulsionará em direção ao Bem. Somos viajantes da eternidade, e dentro de nós reside a consciência de que somos Seres Espirituais em ascensão, no roteiro da paz, da harmonia e da perfeição.

Sabemos que o progresso não vem pelo simples crer, mas acima de tudo pelo viver a nossa essência espiritual.

Romper com os atavismos milenares é a meta! Um futuro glorioso nos espera!...

QUESTÃO REFLEXIVA:

De que maneira a busca de um caminho de religiosidade, de espiritualização, pode conduzir-nos à felicidade verdadeira?

Bibliografia

- A Bíblia de Jerusalém.
- Kardec, Allan - A Gênese - Ed. FEESP.
- Kardec, Allan - O Livro dos Espíritos Ed. FEESP.
- Kardec, Allan - O Evangelho Segundo o Espiritismo - Ed. FEESP.
- Pires, José Herculano - O Espírito e o Tempo.
- Pires, José Herculano - Agonia das Religiões.

A imagem acima é meramente ilustrativa. Fonte: Internet Google.
 

quinta-feira, 21 de março de 2024

1ª Aula Parte A – CURSO APRENDIZES DO EVANGELHO 1º ANO – FEESP

A Evolução Da Religiosidade Através Dos Tempos

O Início

Quando observamos nosso mundo, ficamos admirados com toda a diversidade cultural e religiosa que encontramos. Há uma multiplicidade de manifestações que estampam uma infinidade de tons e matizes, e ressaltam a beleza do processo de evolução da religiosidade humana.

Sinos ainda podem ser ouvidos em Jerusalém, essa grande cidade que abrigou e ainda abriga diversas religiões.

No extremo oriente, as vozes dos antigos sábios da China, da Índia, do Tibet ainda ecoam por aquelas nações. As mensagens indeléveis do Buda, de Krishna, de Lao Tse, de Confúcio, compõem um verdadeiro acervo de religiosidade e sabedoria.

As mensagens redentoras do Cristo dividiram a História, transformaram o mundo e originaram a maior religião de nosso planeta. Compuseram, no entanto, por ora, não uma plena unidade, mas, diante da capacidade humana de diversificar, de interpretar segundo seu grau de entendimento, deram origem a um sem número de seitas, correntes, escolas, etc.

Naturalmente, tudo isso faz parte da evolução do Ser. Mas como tudo isso começou? Como e por que se formaram as primeiras religiões? Que impulso é esse que faz com que todos os povos, todos os homens busquem esse algo além de suas vidas materiais?

Façamos uma viagem no tempo e regressemos em momento anterior aos grandes profetas, anterior a todos os sábios da antiguidade, anterior a todos os sinos e trombetas, anterior a todas as seitas, escolas, sistemas, anterior a todas as civilizações que conhecemos.

Essa conquista - eis que o sentimento de religiosidade é uma aquisição do Espírito - iniciou-se nos primórdios da evolução. Foi um longo trabalho no tempo para o despertar da consciência espiritual.

Somos o resultado do acumulo de experiências! Cada ser vive, vê o mundo e suas facetas de modo diverso, segundo seu grau de evolução.

A diversidade das religiões obedece ao fato de que na evolução, cada um de nos desenvolveu sua espiritualidade, também de modo diverso. Cada qual busca em si forças para viver, saúde, proteção; enfim, busca a felicidade.

Na antiguidade mais remota, para os hominídeos, o céu era um ponto de interrogação, um mistério total. A princípio o termo DEUS não significava o “Senhor da Natureza“, mas todo ser existente fora das condições de humanidade.

Desprovido da capacidade de abstração, ou seja, de pensar sobre a vida teoricamente, conceitualmente, simples e ignorante das leis que regiam o mundo, observa os fenômenos naturais com admiração, perplexidade e certa idolatria.

O que representava para ele a ação furiosa de um vulcão em erupção, o ataque feroz de um animal selvagem?

Que força e poder detinha um raio, um trovão? Quais os mistérios encontrados nos rios e mares, de onde tirava os meios de sobrevivência?

Estas e muitas outras questões instigavam este Ser, estimulando-o a observação dos motivos e meios pelos quais estes fenômenos aconteciam. Adorou desde o principio, tudo o que transcendia e mostrava força e poder.

Na sua trajetória evolutiva, desenvolveu primeiro a sensibilidade e a imaginação, depois a razão. Buscando o significado essencial de adoração, podemos remeter-nos a questão 649 de “O Livro dos Espíritos”:

P. Em que consiste a adoração? 

R. É a elevação do pensamento a Deus. Pela adoração o homem aproxima d'Ele a sua alma.

E a seguir, na questão 650:

P. A adoração é o resultado de um sentimento inato ou produto de um ensinamento?

R. Sentimento inato, como o da Divindade. A consciência de sua fraqueza leva o homem a se curvar diante daquele que o pode proteger.

Desse capitulo de “O Livro dos Espíritos“ - Lei de Adoração - podemos sintetizar que:

- A adoração e a elevação do pensamento a Deus; é um sentimento inato, uma Lei Natural;

- Essa veneração leva o Homem a curvar-se diante d’Aquele que o pode proteger;

- O Homem primitivo venerava e idolatrava as forças da natureza, vistas como sobrenaturais e, portanto, Divinas;

- Projetava no ser divinizado sua imagem e semelhança, dando-lhe atributos humanos;

- Em sua concepção primária, e por medo e imaginação, busca agradar a Divindade, para submetê-la aos seus interesses, ofertando lhe tudo o que concebe ser bom. É a barganha com o Divino. Nesse universo, surgem os primeiros rudimentos do antropomorfismo. Antro: homem + morfhe: forma de = forma de homem.

Imaginemos os homens pré-históricos, imaginemos a sua admiração e tentativa de compreender as forças manifestas de um vulcão em erupção. Pensaria, talvez: “O Divino se movimenta... demonstra força e poderes, sobrenaturais e implacáveis...”

O medo o leva a esconder-se. De longe observava e talvez pensasse: “Como acalmar esta fúria? Como fazê-la minha aliada? Como aliciá-la a meu favor?”

Observando e analisando, deve ter concluído no simplismo de sua interpretação: “A força manifesta-se através de sons, cores, cheiros característicos, tem movimentos, ora calmos, ora rudes, demonstrando vontade e outros atributos que denotam personalidade e individualização.”

Tudo muito semelhante ao que ele sabe de si mesmo. Como atrair essa força a favor dele mesmo? Deve ter pensado: “Talvez se agradá-la, repetindo o modo como se manifesta, pintando-se com as cores que a caracteriza; tudo em busca da intimidade e da amizade das forças destruidoras.”

Se uma parte da erupção, como uma rocha incandescente, ficava próxima de sua moradia, passava a divinizá-la como parte do Deus maior ou filho deste. Tratava-o com mimo e proteção, porque fazia o mesmo com os seus, projetava, enfim, sua personalidade e valores emocionais para a divindade e assim acreditava que com ela estabelecia uma intimidade e parceria na vida.

Na busca de uma forma metódica de vislumbrar, de ver e abordar toda essa realidade acima exposta, podemos encontrar vários sistemas.

Um deles é o “método cultural“ dos antropólogos ingleses. Este método, a propósito, foi abordado por Herculano Pires em sua obra “O Espírito e o Tempo“. Lá, cita o autor:

“Para maior clareza do nosso estudo, servimo-nos do esquema que nos fornece o chamado método cultural dos antropólogos ingleses, aplicados por John Murphy, com pleno êxito, em seus estudos sobre as origens e a história das religiões”.

A antropologia, como sabemos, é a ciência que analisa física e culturalmente o Homem em seu avanço através dos tempos. E um estudo que assinala as variações, evoluções e o encadeamento entre cada uma das etapas que se sucedem umas as outras. Aqui, por ora, importa-nos apenas o panorama do avanço espiritual do Ser.

O esquema apresentado por Herculano Pires na obra a pouco referida, segue a seguinte sequência:

- Horizonte Tribal;

- Horizonte Agrícola;

- Horizonte Civilizado;

- Horizonte Profético, e

- Horizonte Espiritual (este último exigido agora pelo Espiritismo).

Vejamos, então, em rápida síntese, esses horizontes culturais:

1ª FASE: HORIZONTE TRIBAL

Esta fase caracteriza-se pelo mediunismo primitivo.

MEDIUNISMO - Palavra criada por EMMANUEL para designar a mediunidade natural. Engloba as práticas mágicas ou religiosas baseadas nas manifestações dos Espíritos. São práticas empíricas da mediunidade. Possui as seguintes fases sucessivas: primitivo, oracular e bíblico. Com o Espiritismo, transcende-se, e alcança-se a fase positiva da mediunidade.

Interpretavam-se, então, pela limitação intelectual, todas as coisas em termos exclusivamente humanos. Ao exterior eram aplicadas as noções básicas que se possuía da natureza humana, dando esta forma aos elementos naturais (Antropomorfismo).

Na questão 668 de “O Livros dos Espíritos” temos:

P. Os fenômenos espíritas, sendo produzidos desde todos os tempos e conhecidos desde as primeiras eras do mundo, não podem ter contribuído para a crença na pluralidade dos deuses?

R. Sem dúvida, porque os homens que chamavam Deus a tudo que era sobre-humano, os Espíritos pareciam deuses.

Assim o Politeísmo se desenvolve em diferentes graus; simultâneos, mas não necessariamente sucessivos.

Vejamos algumas modalidades:

- Litolatria - adoração de pedras, mares, rios, montanhas e relevos;

- Fitolatria - adoração de plantas, árvore, flores e bosques;

- Zoolatria - adoração de animais;

- Mitologia - adoração de seres como características humanas mescladas com animais...

Deste modo, do mineral ao humano, os elementos de adoração se misturam.

2ª FASE: HORIZONTE AGRÍCOLA

Vislumbrando o horizonte agrícola, ou seja, o mundo das primeiras formas sedentárias de vida social – diz Herculano Pires - vemos o animismo tribal desenvolver-se no plano da racionalização.

Outras características são: a domesticação de animais, a invenção e empregos de instrumentos, o aumento demográfico. Nesta fase, funde-se a imaginação com a experiência, dando origem a Mitologia popular, impregnada de magia. É o inicio das primeiras grandes civilizações.

3ª FASE: HORIZONTE CIVILIZADO

Nesta fase ocorre a formação dos estados Teológicos e do Mediunismo Oracular. Há o surgimento das classes sacerdotais. E o período do “Homem-Divino“, do “Monarca-Deus“. Surgem também as primeiras filosofias secretas. Na índia: a Vedanta, na Judéia: a Cabala, etc. Em muitos lugares, Religião e Estado apoiam-se na manipulação do poder.

4ª FASE: HORIZONTE PROFÉTICO

É caracterizada pelo Mediunismo Bíblico dos Profetas (especialmente entre o povo hebreu). Surge nesta época o que se denomina de “espírito civilizado“, caracterizado por três novas funções mentais:

a) a capacidade de formular conceitos abstratos;

b) a capacidade de formular juízos éticos, jurídicos e religiosos;

c) o poder de racionalização.

A individualização da ideia de Deus decorre da individualização humana.

5ª FASE: HORIZONTE ESPIRITUAL

Implantado por Jesus, é caracterizado pela mediunidade positiva. Aqui, ha a prevalência do mundo espiritual sobre o mundo físico, pela comunicação dos Espíritos com os homens, pelas muitas moradas, pela pluralidade das existências, pela Lei de Amor como a Lei Divina por excelência. Com Jesus, temos a libertação do dogmatismo!

QUESTÃO REFLEXIVA:

Comente sobre os primeiros passos do ser humano em sua busca por Deus.

A imagem acima é meramente ilustrativa. Fonte: Internet Google.
 

terça-feira, 19 de março de 2024

Curso de Aprendizes do Evangelho 1º Ano FEESP CONTEÚDO

1ª Aula - A Evolução Da Religiosidade Através Dos Tempos

Parte A – O Início

Parte B - A Religião Na Atualidade

2ª Aula - Noções Gerais Sobre A Bíblia

Parte A - O Velho Testamento

Parte B - O Novo Testamento

3ª Aula - Gênese Mosaica e Kardequiana – Gênese Espiritual

Parte A - Deus, Gênese Mosaica e Kardequiana

Parte B - A Gênese Espiritual

4ª. Aula - A Formação Do Povo Hebreu e o Decálogo

Parte A - A Raça Adâmica e a História Do Povo Hebreu

Parte B – Moisés e o Decálogo

5ª. Aula - As Profecias Sobre a Vinda do Messias - Os Domínios Estrangeiros e o Mundo Romano

Parte A - As Profecias Sobre a Vinda do Messias

Parte B - Domínios Estrangeiros e o Mundo Romano

6ª Aula - O Povo Judeu, Sua Organização Social, Política E Religiosa

Parte A - Organização Social e Política

Parte B - Organização Religiosa do Povo Judeu

7ª Aula – João Batista - Nascimento e Família, a Prática do Batismo, Pregação e Morte

Parte A - Um Profeta Chamado Elias

Parte B - Desmistificando o Batismo

8ª. Aula - Jesus; Anunciação, Nascimento, Família, Vida Dos 12 Aos 30, Formação Religiosa e Espiritual

Parte A - Anunciação e Nascimento

Parte B - Jesus: Infância à Vida Pública

9ª Aula – O Colegiado Apostólico

Parte A – A Formação do Colegiado Apostólico

Parte B – A Missão dos Apóstolos

10ª Aula - Os Sermões do Novo Testamento

Parte A - Sermões do Monte, Profético, do Cenáculo, dos Oito “Ais”

Parte B - O Sermão do Monte: As Bem-Aventuranças - (Mt 5: 1-12)

11ª Aula - Bem-Aventurados os Mansos - Bem-Aventurados os Misericordiosos

Parte A - Bem-Aventurados Os Mansos

Parte B - Bem-Aventurados os Misericordiosos

12ª Aula – Bem-Aventurados os Pacíficos

Parte A – Os Pacíficos

Parte B– Quando Vos Insultarem

13ª Aula – A Missão Cristã no Mundo e a Perfeição da Lei

Parte A – Vós Sois o Sal da terra e a Luz do Mundo

Parte B – Não Vim Destruir a Lei

14ª Aula – Casamento, Família e Divórcio

Parte A – Casamento e Família

Parte B – Divórcio

15ª Aula – Amai os Vossos Inimigos

Parte A – Olho por Olho, Dente por Dente – Se Alguém te Ferir na Face Direita

Parte B – Amor aos Inimigos – Julgamento

16ª Aula – Esmola e Oração

Parte A – Esmola

Parte B – O Modelo de Oração – A Confiança na Oração

17ª Aula – A Sinceridade do Jejum

Parte A – O Jejum

Parte B – A Verdadeira Riqueza

18ª Aula – Os Falsos Profetas e os Verdadeiros Discípulos

Parte A – Conhece-se a Árvore Pelos Frutos

Parte B – Os Verdadeiros Discípulos

19ª Aula – Magnetismo e Fluidos

Parte A – Magnetismo e Fluido

Parte B – Fluido Universal

20ª Aula – Milagres e Curas na Visão Espírita

Parte A – O Sobrenatural e as Religiões

Parte B – As Curas na Visão Espírita – A Assistência Espiritual

21ª Aula – Superioridade da Natureza do Cristo

Parte A – A Natureza do Cristo

Parte B – A Transfiguração no Tabor

22ª Aula – A Ressurreição no Evangelho e os Milagres de Jesus Relacionados aos fenômenos da natureza

Parte A – A Ressurreição no Evangelho

Parte B – Fenômenos da Natureza

23ª Aula – As Curas do Evangelho

Parte A – Curas: Perda de Sangue, Cego de Betsaida, Paralítico de Cafarnaum, os Dez Leprosos

Parte B – Curas: O homem da Mão Ressequida, O Paralítico da Piscina, Cego de Nascença, O Servo do Centurião, Outras Curas Operadas por Jesus

24ª Aula – Desobsessões Realizadas por Jesus

Parte A – Obsessão na Visão Espírita

Parte B – Desobsessões e Curas
 

quinta-feira, 14 de março de 2024

CRONOGRAMA DO CURSO APRENDIZES DO EVANGELHO 1º ANO - FEESP EM 2024

As aulas serão postadas sempre às 9 horas do horário de Brasília

Março – Dias: 21, 26 e 28

Abril – Dias: 2, 4, 9, 11, 16, 18, 23, 25 e 30

Maio – Dias: 2, 7, 9, 14, 16, 21, 23, 28 e 30

Junho – Dias: 4, 6, 11, 13, 18, 20, 25 e 27

Julho: Não haverá postagens

Agosto – Dias: 8, 13, 15, 20, 22, 27 e 29

Setembro – Dias: 5, 12, 19 e 26

Outubro – Dias: 3, 10, 17, 24 e 31

Novembro – Dias: 7, 14 e 21
 

quinta-feira, 30 de novembro de 2023

Prezados amigos, amigas e seguidores deste blog

Com esta aula de HOMENAGEM A ALLAN KARDEC sobre o LIVRO “O CÉU E O INFERNO OU A JUSTIÇA DIVINA SEGUNDO O ESPIRITISMO”, concluímos o CURSO BÁSICO DE ESPIRITISMO 2º ANO.


Com as bênçãos de Jesus eu voltarei em março de 2024 com o CURSO APRENDIZES DO EVANGELHO 1º ANO - FEESP.

terça-feira, 28 de novembro de 2023

24ª Aula Parte B – CURSO BÁSICO DE ESPIRITISMO 2º ANO – FEESP

HOMENAGEM A ALLAN KARDEC

LIVRO “O CÉU E O INFERNO OU A JUSTIÇA DIVINA SEGUNDO O ESPIRITISMO”

“Dizei a aquele que sabe que vai morrer que ele vivera ainda, que sua hora será retardada, dizei-lhe, sobretudo, que será mais feliz do que nunca fora, e seu coração vai palpitar de alegria” (O Céu e o Inferno, 1ª parte, Cap. I, item 1).

A 30 de Setembro de 1863, como se pode ver em Obras Póstumas; Kardec recebeu dos Espíritos Superiores este aviso: “Chegou a hora de a Igreja prestar contas do depósito que lhe foi confiado, da maneira como praticou os ensinamentos do Cristo, do uso que fez de sua autoridade, enfim, do estado de incredulidade a que conduziu os espíritos”. Esse julgamento começava com a preliminar constituída pelo Evangelho Segundo o Espiritismo e devia continuar com O Céu e o Inferno. Dentro de dois anos, em seu número de Setembro de 1865, a Revista Espírita publicaria em sua seção bibliográfica a notícia do lançamento do quarto livro de Codificação Espírita: O Céu e o Inferno. Faltava apenas A Gênese para completar a obra da Codificação da III Revelação.

Dois capítulos de O Céu e o Inferno foram publicados antecipadamente na Revista: o capitulo intitulado: Da apreensão da morte, no numero de Janeiro de 1865, e o capitulo: Onde é o Céu, no numero de Março do mesmo ano. 

Apareceram ambos como se fossem simples artigos para a Revista, mas o ultimo trazia uma nota final anunciando que ambos pertenciam a uma “nova obra que o Sr. Allan Kardec publicará proximamente”. 

Em Setembro a obra já aparece anunciada como à venda. Kardec declara que, não podendo elogiá-la nem criticá-la, a Revista se limitava a publicar um resumo do seu prefacio, revelando o seu conteúdo. Os capítulos antecipadamente publicados aparecem; o primeiro com o mesmo titulo com que saíra e o Segundo com o titulo reduzido para O Céu. (José Herculano Pires, na introdução de O Céu e o Inferno, edições Lake).

O Céu e o Inferno A Justiça Divina Segundo o Espiritismo é uma das Cinco obras básicas que compõem a Codificação Espírita.

Foi publicada em 1865, portanto a penúltima obra editada.

O objetivo dela é demonstrar a imortalidade do Espírito e a condição que este usufruirá no Plano Espiritual, como consequência de seus próprios atos.

Este livro coloca ao alcance de todos os conhecimentos do mecanismo pelo qual se processa a Justiça Divina, em concordância com o principio evangélico: “A cada um segundo suas obras”.

Compõe-se de duas partes:

Primeira: (DOUTRINA), com XI capítulos, Kardec realiza um exame crítico da doutrina católica sobre a transcendência, procurando apontar contradições filosóficas e incoerências com o conhecimento científico, superáveis, segundo ele, mediante o paradigma espírita da fé raciocinada.

Na primeira parte, são expostos vários assuntos: causas do temor da morte, porque os espíritas não temem a morte, o céu, o inferno, o inferno cristão imitado do pagão, os limbos, quadro do inferno pagão, esboço do inferno cristão, purgatório, doutrina das penas eternas, código penal da vida futura, os anjos segundo a Igreja e o Espiritismo.

Também aborda vários pontos relacionados com a origem da crença dos demônios, segundo a igreja e o Espiritismo, intervenção dos demônios nas modernas manifestações, a proibição de evocar os mortos.

Estabelece um exame teórico das doutrinas religiosas sobre o após morte. Mostra fatos como á morte de crianças, seres nascidos com deformações, acidentes coletivos, e uma gama de problemas que só a imortalidade da alma e a reencarnação oferecem condições de entendimento.

Segunda parte: (EXEMPLOS), com 66 comunicações, em 8 capítulos; são diálogos que foram estabelecidos entre Kardec e diversos Espíritos, nos quais estes narram as impressões que trazem do além-túmulo.

É dedicada ao Pensamento; Kardec reuniu várias dissertações de casos reais, a fim de demonstrar a situação da alma, durante e após a morte física, proporcionando ao leitor amplas condições para que possa compreender a ação da Lei de Causa e Efeito, em perfeito equilíbrio com as Leis Divinas; assim, constam desta parte, narrações de diversas classes de Espíritos. Mostra a situação do Espírito em consequência do que ele foi quando encarnado. São depoimentos de criminosos arrependidos, Espíritos endurecidos, felizes, medianos, sofredores, suicidas e Espíritos em expiação terrestre.

Evidentemente, tem-se aqui apenas o esboço deste trabalho que compõe o todo da Codificação Espírita; seu estudo pormenorizado permitira desmistificar o simbolismo bíblico acerca dos supostos lugares, após a morte, de venturas ou sofrimentos.

Portanto, este livro oferece uma excelente base para a ética e a moral no relacionamento humano.

Podemos verificar que há 48 Comunicações de Espíritos bem parecidos conosco e 18 de Espíritos Felizes.

São verdadeiras entrevistas com o outro mundo apresentadas por Allan Kardec; podemos classificá-las como:

Autênticas, Variadas, Inéditas e Instrutivas.

AUTÊNTICAS: pelo critério e escrúpulo do Codificador na sua escolha.

VARIADAS: pelo cuidado em apresentar as mais diversas situações dos desencarnados, a fim de que nos pudéssemos mirar em tamanha variedade.

INÉDITAS: pois, pela primeira vez, uma Doutrina se atrevia em mostrar aos homens a realidade Espiritual, após a desencarnação.

INSTRUTIVAS: porque de todas elas Allan Kardec extrai preciosos ensinamentos para nossa edificação Moral.

A cada uma das 66 comunicações, Allan Kardec aduz suas judiciosas conotações Doutrinarias de par com as dos Espíritos colaboradores, o que significa um rico repositório de ensinamentos que é o Espiritismo.

BREVE RESUMO

PRIMEIRA PARTE

CAPÍTULO I - O FUTURO E O NADA

Porque pensamos, agimos, tendo todos os sentidos em plena ação, temos certeza que estamos vivos, mas temos também a certeza que morreremos. Para onde vamos?

Podemos sugerir três hipóteses:

1ª) Para o nada; morreu o corpo, tudo acabou.

2ª) Absorção ao Todo Universal.

Temos uma parcela desse princípio, e isso nos dá uma alma, ou seja, nos dá a vida, a inteligência, os sentimentos; já somos alguma coisa.

Por essa hipótese quando morremos somo absorvidos ao Todo Universal. E por isso perdemos a nossa individualidade.

É muito melhor que a primeira hipótese, mas ainda irracional.

3ª) Individualidade da alma antes e depois da morte do corpo físico.

Isso é extremamente lógico e racional; Nesse princípio, todas as religiões têm seu ponto de apoio.

O nosso futuro depende exclusivamente de nossas qualidades, se forem boas, seremos felizes; se más, infelizes, ou seja, teremos gozos ou penas futuras.

É nesse ponto que as religiões diferem, porque muitas pararam no tempo.

“A dúvida sobre a vida espírita não sendo mais permitida; o temor da morte não tem mais razão de ser; encarasse a sua chegada a sangue frio, como uma libertação, como a porta da vida e não como a porta do nada”. (Cap. II, nº 10).

CAPÍTULO II - TEMOR DA MORTE

“O temor da morte é um efeito da sabedoria da Providência e uma consequência do instinto de conservação comum a todos os seres vivos. Ele é necessário enquanto o homem não estiver bastante esclarecido sobre as condições da vida futura, como contrapeso ao arrebatamento que, sem esse freio, levá-lo-ia a deixar prematuramente a vida terrestre, e negligenciar o trabalho, neste mundo, que deve servir ao seu próprio adiantamento”. (O Céu e o Inferno, Allan Kardec, cap. II)

“Quando se compreende melhor a vida futura, o temor da morte diminui.” (Cap. II, n° 3).

CAPÍTULO III - O CÉU

A palavra céu geralmente é definida como o espaço indefinido que circunda Terra; a parte acima do horizonte. (Cap. III, item l)

Antigamente se acreditava em sete céus superpostos e que eram formados de matéria solida, onde o nosso Planeta era o centro. Quem habitava o sétimo céu já tinha alcançado a suprema felicidade.

Os Mulçumanos acreditavam em nove céus; Ptolomeu em onze e a teologia cristã reconhece três.

Kardec diz no Cap. II, item 3: “... a Terra não aparece senão como um ponto imperceptível, e um dos menos favorecidos para a habitabilidade... A vida está por toda parte, que a humanidade é infinita como Universo”.

No item 18 da mesma referência, o codificador nos diz: “... Onde esta o céu? Está por toda parte; nada o cerca nem lhe serve de limites; os mundos felizes são as últimas estações que a ele conduzem; as virtudes lhe franqueiam o caminho, os vícios lhe interditam o acesso”.

CAPÍTULO IV - O INFERNO

O modelo atual de inferno aceito pelo Cristianismo foi imitado dos Pagãos. Tem o fogo material como base de todos os sofrimentos. O fogo eterno é somente uma figura de que o homem se utilizou para materializar a ideia do inferno, de modo a ressaltar sua crueldade, por considerar o fogo como o suplício mais atroz e que produz o tormento mais efetivo. Tal sorte de conceitos serviu, em certo período da historia da Humanidade, para controlar as paixões da infância da razão. Porém, não serve ao homem do século da inteligência, que nela não pode ver sentido lógico.

O Céu é localizado no alto e o inferno nas profundezas. Com essas localizações, os Cristãos têm duas opções: Felicidade perfeita ou sofrimento absoluto. Quem resolveria isso: Jesus: “Há muitas moradas na casa de meu pai” Jesus também nos disse: “a cada um segundo as suas obras”

Onde se situa o inferno?

“É inútil procurar o inferno em regiões desconhecidas e longínquas, pois ele está em nós: se oculta nos recessos ignorados da alma culpada, e somente a expiação pode fazer cessar as dores. Não há penas eternas” (Leon Denis, O Porquê da Vida. 1ª parte, cap. VI)

O Limbo foi admitido pela Igreja até há pouco tempo, mas o Papa Bento XVI o eliminou. Era destinado as crianças desencarnadas em tenra idade e que por essa situação não tinha feito o mal, assim como os selvagens não batizados. A permanência naquele lugar também não tinha fim, assim como no inferno e sem uma situação definida.

CAPÍTULO IV - O PURGATÓRIO

“O Evangelho não faz nenhuma menção ao purgatório, que não foi admitido pela Igreja senão no ano 593. E seguramente, um dogma mais racional e mais conforme a justiça de Deus do que o do Inferno, uma vez que estabelece penas menos rigorosas e resgatáveis, por faltas de uma menor gravidade” (Cap. IV, item l)

O fogo no Purgatório é mais brando que o do Inferno e a permanência nesse local funciona como alternativa, ou seja, se a pessoa não é tão boa para merecer o Céu e não tão má para ir para o Inferno, vai para Purgatório.

A Igreja nunca determinou o local exato do purgatório e muito menos a natureza das penas, daqueles que lá se encontram. Ficou reservado ao Espiritismo o preenchimento do vazio, nos dando as explicações das causas das misérias humanas, com as diversas reencarnações.

Kardec nos diz no item 4 do referido capitulo, que “o purgatório não é pois uma ideia vaga e incerta, é uma realidade que vemos, tocamos e experimentamos; está nos mundos de expiação, e a Terra é um desses mundos; os homens nela expiam seu passado e seu presente em proveito de seu futuro. Mas contrariamente, a ideia que deles se faz, depende de cada um abreviar ou prolongar a sua estada, segundo o grau de adiantamento e de depuração, que tenha alcançado pelo seu trabalho sobre si mesmo; deles se sai, não porque se terminou seu tempo, ou por méritos de outrem, mas pelo fato de seu próprio mérito, segundo estas palavras do Cristo: “A cada um Segundo as suas obras”. Palavras que resumem toda a justiça de Deus”.

CAPÍTULO VI - DOUTRINA DAS PENAS ETERNAS

As tradições de diversos povos registram a crença, muitas vezes intuitiva, de castigos para os maus e recompensas para os bons, na vida de além-túmulo. Diante da imortalidade da alma, com efeito, a razão e o sentimento de justiça levam a compreensão de que tratamento diferenciado deve ser dado aos homens pelas leis divinas, de conformidade com a natureza das obras que executaram durante a vida no colpo físico. Todavia, a tese da eternidade das penas reservadas a aqueles que infringem as leis do bem e do amor, e, em consequência, a existência do inferno, não resistem à análise objetiva.

Cumpre considerar também que a condenação perpétua não se coaduna com a ideia Cristã da sublimidade, da justiça e da misericórdia divina O sofrimento não é eterno, pois o mal também não o é, de vez que todos foram criados para o aperfeiçoamento maior.

CAPÍTULO VII - AS PENAS FUTURAS SEGUNDO O ESPIRITISMO

“A Doutrina Espírita muda inteiramente a maneira de se encarar o futuro. A vida futura não é mais uma hipótese, mas uma realidade.” (CEI, cap. II).

As explicações do Espiritismo sobre a crença na vida futura, não se fundamentam em teorias nem em sistemas preconcebidos, mas nas constantes observações oferecidas pelas almas que deixaram a matéria e gravitam na erraticidade nos diferentes planos evolutivos.

Há quase século e meio, essas informações são cuidadosamente anotadas, comparadas e selecionadas e formam um compêndio que esclarece devidamente o estado das almas no mundo espiritual.

A advertência dos espíritos nessa nossa escalada é objetiva e segura. Dizem que “o bem e o mal que fazemos decorrem das qualidades que possuímos. Não fazer o bem quando podemos, é, portanto, o resultado de uma imperfeição.” Observem que não basta não fazer o mal. É preciso fazer o bem.

Os espíritos advertem, também, que não é suficiente que o homem se arrependa do mal que fez, embora seja o primeiro e importante passo; são necessárias a expiação e a reparação. O sofrimento, em resumo, é inerente a imperfeição. Livre-se o homem da imperfeição pela sua própria vontade e anulara os males dela decorrentes; conquistara nesse momento a sonhada felicidade.

CAPÍTULO VIII - OS ANJOS

Os anjos segundo a Igreja:

Todas as religiões têm tido anjos sob vários nomes, isto é, seres superiores à Humanidade, intermediários entre Deus e os homens.

“O principio geral resultante dessa doutrina é que os anjos são seres puramente espirituais, anteriores e superiores a Humanidade, criaturas privilegiadas e votadas à felicidade suprema e eterna desde a sua formação, dotadas, por sua própria natureza, de todas as virtudes e conhecimentos, nada tendo feito, alias, para adquiri-los. Estão, por assim dizer, no primeiro plano da Criação, contrastando com o último onde a vida é puramente material; e, entre os dois, medianamente existe a Humanidade, isto é, as almas, seres inferiores aos anjos e ligados a corpos materiais” (cap. VIII, item 3).

Os anjos segundo o Espiritismo:

“As almas ou Espíritos são criados simples e ignorantes, isto é, sem conhecimentos nem consciência do bem e do mal, porém, aptos para adquirir o que lhes falta. O trabalho é o meio de aquisição, e o fim - que é a perfeição - é para todos o mesmo. Conseguem-no mais ou menos prontamente em virtude do livre-arbítrio e na razão direta dos seus esforços; todos têm os mesmos degraus a franquear, o mesmo trabalho a concluir. Deus não aquinhoa melhor a uns do que a outros, porquanto é justo, e, visto serem todos seus filhos, não tem predileções.

Ele lhes diz: Eis a lei que deve constituir a vossa norma de conduta; ela só pode levar-vos ao fim; tudo que lhe for conforme é o bem; tudo que lhe for contrário é o mal. Tendes inteira liberdade de observar ou esta lei, e assim sereis os árbitros da vossa própria sorte”. (cap. VIII, item 12)

CAPÍTULO IX - OS DEMÔNIOS

Os demônios segundo a Igreja:

Satanás, o chefe ou o rei dos demônios, não é, segundo a Igreja, uma personificação alegórica do mal, mas uma entidade real, praticando exclusivamente o mal, enquanto que Deus pratica exclusivamente o bem.

Os demônios Segundo o Espiritismo:

“Segundo o Espiritismo, nem anjos nem demônios são entidades distintas, por isso que a criação de seres inteligentes é uma só. Unidos a corpos materiais, esses seres constituem a Humanidade que povoa a Terra e as outras esferas habitadas”. (Cap. IX, item 20)

CAPÍTULO X - INTERVENÇÃO DOS DEMÔNIOS NAS MODERNAS MANIFESTAÇÕES

As críticas levantadas pela Igreja Católica às manifestações espíritas são objeto de análise de Allan Kardec nestes itens. Eis como esta explica a intervenção exclusiva dos demônios nas manifestações Espíritas: “Ora Se apresentam como divindades e bons gênios, ora assimilam nomes e mesmo traços de memorados mortos. Com o auxilio de tais fraudes dignas da antiga serpente, falam e são ouvidos; dogmatizam e são acreditados; misturam com suas mentiras algumas verdades e inculcam o erro debaixo de todas as formas”. (Cap. X. item 4)

CAPÍTULO XI - DA PROIBIÇÃO DE EVOCAR OS MORTOS

“Alguns membros da Igreja apoiam-se na proibição de Moisés para proscrever as comunicações com os Espíritos. Mas se sua lei deve ser rigorosamente observada neste ponto, deve sê-lo igualmente em todos os outros. Porque seria boa em relação às evocações e má em outras partes? Há que ser consequente: Se reconhece que sua lei não mais esta em harmonia com os nossos costumes e a nossa época. Aliás, é necessário nos reportarmos aos motivos que os levaram a fazer tal proibição, motivos que, então, tinham uma razão de ser, mas que, seguramente, não mais existem”. (Allan Kardec, Revista Espírita, outubro de 1863)

2ª Parte - EXEMPLOS - A PASSAGEM

ESPÍRITOS E TIPO DE EXPIAÇÃO

1 - Marcel (menino de 8 anos) - doente incurável;

2 - Szymel Slizgol - Mendigo - Distribuía tudo;

3 - Julienne Marie - Mendiga;

4 - Max - Mendigo;

5 - Um criado;

6 - Antônio B. - Enterrado vivo;

7 - Letil - Um industrial;

8 - Senhor B - Um sábio ambicioso;

9 - Charles de Saint G. - Idiota;

10 - Adelaide Marguerite Gosse - Criada;

11 - Carla Rivier (de 10 anos) - Doente;

12 - Françoise Vernhes - Cega de Nascença;

13 - Anna Bitter - Sofredora;

14 - Joseph Maitre - Cego aos 20 anos.

BIBLIOGRAFIA

Kardec, Allan, “O Céu e o Inferno”
Kardec, Allan, “Revista Espírita, de outubro de 1863
Pires, José Herculano, na introdução de O Céu e o Inferno, edições Lake.
Denis, Leon , “O Porquê da Vida”. 1ª parte, cap. VI

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