CARACTERÍSTICAS BÁSICAS DO ESPÍRITA: PACIÊNCIA, INDULGENCIA, FÉ, HUMILDADE, DIGNIDADE E CARIDADE.

quinta-feira, 17 de março de 2022

2ª AULA PARTE B - CURSO BASICO DE ESPIRITISMO 1º ANO - FEESP

PROVAS E ATRIBUTOS DA DIVINDADE – PANTEÍSMO

PROVAS:

A) NÃO HÁ EFEITO SEM CAUSA (LE, perg. 4)

A Doutrina Espírita fundamenta a concepção de Deus a partir do axioma: Não há efeito inteligente sem causa inteligente, e à grandeza do efeito corresponde a grandeza da causa (LE, Prolegômenos). O universo mostra-se organizado inteligentemente em todas as suas dimensões. Seria absurdo supor que a inteligência da estrutura universal fosse resultado de um simples acaso.

B) UNIVERSALIDADE DO SENTIMENTO INTUITIVO DE DEUS

Poder-se-ia pensar que o conceito de Deus fosse uma questão relativa à cultura dos homens, ou seja, o efeito da educação ou produto de ideias adquiridas. No entanto, se o sentimento da existência de um ser supremo não fosse mais que o produto de um ensinamento, não será universal, nem existiria, como as noções científicas, senão entre os que tivessem podido receber esse ensinamento (LE, perg. 6).

C) A ORDEM DO UNIVERSO:

A Inteligência de Deus revela-se como uma tendência à ordem e harmonia no universo material, e a uma tendência moralizante no universo espiritual. A harmonia que regula as forças do Universo revela combinações e fins determinados, e por isso um poder inteligente.

Atribuir a formação primária ao acaso, seria uma falta de senso, porque o acaso é cego e não pode produzir efeitos inteligentes. Um acaso inteligente já não seria acaso (LE, perg.8).

B) Provas e Atributos da Divindade

ATRIBUTOS:

1) DEUS É ETERNO: Por eterno entende-se aquilo que não tem começo nem fim. Se Deus tivesse tido um princípio, teria saído do nada; ora, o nada não existe. Por outro lado, se tivesse sido criado por outro ser, então este último é que seria Deus.

2) É IMUTÁVEL: Se estivesse sujeito a mudanças, as leis que regem o Universo não teriam nenhuma estabilidade (LE, perg. 13).

3) É IMATERIAL: Sua natureza difere de tudo o que chamamos matéria, pois de outra forma Ele não seria imutável, estando sujeito às transformações da matéria (LE, perg. 13).

4) É ÚNICO: Se houvesse muitos Deuses, não haveria unidade de vistas nem de poder na organização do Universo (LE, perg. 13)

5) É TODO-PODEROSO: Se não tivesse o poder soberano, haveria alguma coisa mais poderosa ou tão poderosa quanto Ele, que assim não teria feito todas as coisas. E aquelas que Ele não tivesse feito, seriam obra de um outro Deus. E então não seria único (LE, perg. 13).

6) É SOBERANAMENTE JUSTO E BOM: Sua sabedoria revela-se pela natureza de suas leis de amor, que regem a justiça por todo o Universo (LE, perg. 13).

PANTEÍSMO:

Deus define-se, portanto, especificamente pelas suas qualificações, e a prova de sua existência está no princípio da causalidade, segundo o qual Deus é o fundamento primário que torna possível o Universo e os seres. No entanto, não se deve por isso compartilhar da opinião de que todos os seres e corpos do Universo seriam partes da divindade, tal qual afirma o Panteísmo.

O Panteísmo (Pan=tudo, teo=Deus), entende-se o sistema filosófico que identifica a divindade com o mundo, e segundo o qual Deus é o conjunto de tudo quanto existe. Mas, ao confundir o Criador com as criaturas ter-se-ia uma concepção materialista, onde Deus e matéria identificar-se-iam. Ora, a matéria se transformando sem cessar, Deus nesse caso, não teria nenhuma estabilidade e estaria sujeito a todas as vicissitudes e mesmo a todas as necessidades da humanidade; faltar-lhe-ia um dos atributos essenciais da Divindade: a imutabilidade (LE, perg. 16). Deus não é o Universo, mas nele permanece em suas leis imutáveis que lhe conferem ordem e harmonia.

A inteligência de Deus se revela nas suas obras, como a de um pintor no seu quadro; mas as obras de Deus não são o próprio Deus, como o quadro não é o pintor que o concebeu e executa (LE, perg. 16).

Consequentemente, o pintor e o quadro não se confundem, mas permanece a ideia do autor enquanto sendo a essência do quadro; da mesma forma Deus e a criação não se confundem, mas permanece a inteligência como sendo a própria essência geradora e mantenedora da obra.

QUESTIONÁRIO:

B) Provas e Atributos da Divindade

1 – Em que axioma fundamenta-se o conceito espírita de Deus?

2 – Quais os atributos de Deus?

3 – Sob que aspecto o Panteísmo pode ser considerado uma concepção materialista de Deus?
 

terça-feira, 15 de março de 2022

2ª AULA PARTE A - CURSO BASICO DE ESPIRITISMO 1º ANO - FEESP

DEUS E O INFINITO

A questão Deus sempre empolgou o homem na história do pensamento, tornando-se o centro natural de todo o processo de conhecimento. É assim que O Livro dos Espíritos inicia-se o conceito de Deus. Tal tema é de suma importância, pois da compreensão clara da existência de Deus depende da nossa apreensão da realidade, assim como a forma de pautar nossa existência.

Que é Deus? (LE, perg. 1) Ao que respondem os Espíritos: Deus é a Inteligência Suprema, causa primária de todas as coisas. Vê-se assim que a Doutrina Espírita define Deus a partir do princípio da causalidade, segundo o qual Deus constitui o fundamento que torna possível o mundo e os seres. A partir desse conceito, Deus deixa de ser tão somente uma questão de fé, para revelar-se de forma racional, na Inteligência que rege as formas da natureza.

Ao buscar definir Deus, porém, é muito comum ao entendimento humano associá-lo à visão de algo que lhe permanece desconhecido, e, portanto, à noção de infinito. No entanto, esclarecem os Espíritos que Deus não é o infinito, pois, definir Deus como sendo o infinito, é tomar o atributo de uma coisa por ela mesma, definir uma coisa ainda não conhecida, por outra que também não o é (LE, perg.3).

QUESTIONÁRIO:

A) Deus e o Infinito

1 – A formação primária das coisas é obra do acaso? Comente.

2 – Conhecer a Deus é tão somente uma questão de fé? Desenvolva.

3 – Podemos definir Deus como sendo o infinito? Justifique.
 

quinta-feira, 10 de março de 2022

1ª AULA PARTE C - CURSO BASICO DE ESPIRITISMO 1º ANO - FEESP

ESPIRITISMO: FILOSOFIA – CIÊNCIA – RELIGIÃO

Embora represente uma face do Espiritualismo, cumpre esclarecer que o Espiritismo difere de toda e qualquer ramificação espiritualista religiosa, na medida em que não possui “dogmas” propriamente ditos, mas antes fundamenta-se na razão e nos fatos. Sob esse aspecto o Espiritismo é considerado uma Doutrina Tríplice, pois sua estrutura consiste em Ciência, Filosofia e Religião.

Ciência, pois possui como fundamento a parte experimental, ou seja, ideias organizadas sistematicamente a partir dos fatos, dos fenômenos mediúnicos, das manifestações em geral.

Para tanto, emprega, efetivamente, o método experimental.

Consciência Prática: O Livro dos Médiuns.

Filosofia, pois sua temática abrange essencialmente objetos de conhecimento que estão além da experiência sensível, qual: a existência de Deus, os Princípios constitutivos do Universo (Causas Primárias), as Leis Morais e outros. Para tanto, possui como instrumento seguro o método racional.

Consciência teórica: O Livro dos Espíritos.

Religião, na medida em que seu fim último consiste na restauração do Evangelho e na prática dos princípios cristãos. Importa, porém considerar que, embora de essência religiosa, o Espiritismo não se vale de formalismos exteriores, de práticas sagradas, rituais ou técnicas coletivas, mas a busca de religiosidade dá-se na intimidade afetiva de cada um, a partir de uma atitude interior consciente.

Consciência moral, religiosa, étnica: O Evangelho Segundo o Espiritismo.

Esses três aspectos encontram-se bem definidos na Codificação de Allan Kardec, respectivamente: O Livro dos Médiuns, O Livro dos Espíritos e O Evangelho Segundo o Espiritismo.

Em seus aspectos científicos e filosóficos, a Doutrina será sempre um campo de investigações humanas. No aspecto religioso, todavia, repousa a sua grandeza divina, por constituir a restauração do Evangelho de Jesus Cristo, estabelecendo a renovação definitiva do homem para a grandeza de seu imenso futuro espiritual.

QUESTIONÁRIO:

c) Espiritismo: Ciência, Filosofia e Religião

1 – Sob que aspecto a Doutrina Espírita é uma Ciência?

2 – Em quais obras da Codificação encontram-se a parte científica?

3 – Por que o Espiritismo é uma religião?
 

terça-feira, 8 de março de 2022

1ª AULA PARTE B - CURSO BASICO DE ESPIRITISMO 1º ANO - FEESP

ESPIRITISMO E ESPIRITUALISMO

O Livro dos Espíritos, obra essencial da Doutrina Espírita – e conteúdo fundamental deste Curso – apresenta-se inicialmente sob o título “Filosofia Espiritualista”. Importa, assim inicialmente, questionar qual a relação entre o Espiritismo e o Espiritualismo, e por que apresenta-se como filosofia.

Allan Kardec, ao codificar a Doutrina Espírita, houve por bem criar os vocábulos Espiritismo e espírita, distintos de Espiritualismo e espiritual, para maior clareza e precisão de conceitos. 

Por Espiritualismo entende-se a doutrina filosófica, segundo a qual o Espírito constitui a substância de toda a realidade, e que tem por base a existência de Deus e da alma. Efetivamente, o Espiritualismo opõe-se ao Materialismo, para o qual a única substância existente é a matéria.

Sob este aspecto, a Doutrina Espírita está plenamente identificada ao Espiritualismo, enquanto gênero a que pertence, mas quanto à especificidade vai mais além, na medida em que acrescenta-lhe os seguintes princípios básicos:

1 – Possibilidade de comunicação entre o mundo espiritual e o mundo material;

2 – Pluralidade das existências;

3 – Pré-existência e imortalidade da alma;

4 – Justiça natural: as penas e recompensas nada mais são que consequência natural de ações praticadas;

5 – Progresso infinito do Espírito.

Como generalidade, portanto, O Livro dos Espíritos representa uma das fases do Espiritualismo, mas como especificidade contém a Doutrina Espírita. Essa a razão por que traz sobre o título as palavras: Filosofia Espiritualista.

QUESTIONÁRIO:

b) Espiritismo e Espiritualismo

1 – Qual a relação que existe entre Espiritismo e Espiritualismo?

2 – Sob que aspectos o Espiritismo acrescenta-se ao Espiritualismo?

3 – Em que o Espiritualismo opõe-se ao materialismo? Por que o Espiritismo oferece mais condições de consolo?
 

quinta-feira, 3 de março de 2022

1ª AULA PARTE A - CURSO BASICO DE ESPIRITISMO 1º ANO - FEESP

ESPIRITISMO - ANTECEDENTES DA CODIFICAÇÃO

Os fenômenos espíritas datam desde as mais remotas épocas da Antiguidade e estão disseminados no tempo e no espaço. Estão presentes tanto entre os povos mais selvagens, quanto aos homens civilizados, muito embora em algumas épocas tais fenômenos tivessem uma presença mais acentuada, assumindo inclusive um caráter mais definido, como que prenunciando a eclosão de um novo ciclo para a Humanidade.

Os traços de interferência dos Espíritos ocorridos desde as origens do Homem diferem dos antecedentes do Espiritismo, porque enquanto aqueles se apresentaram como casos esporádicos, estes últimos têm as características de “uma invasão espiritual organizada”, na França com um determinado objetivo: preparar ambiente para o advento da Terceira Revelação.

A época que costuma-se fixar como marco inicial da História do Espiritismo é o fenômeno das “mesas girantes”, na França, paralelamente aos fenômenos produzidos a partir de 31 de março de 1848 no vilarejo de Hydesville, em Rochester, nos Estados Unidos, por intermédio das irmãs Fox.

Precursores do Espiritismo

Swedenborg: Emmanuel Swedenborg é considerado um dos pioneiros a anteceder a invasão dos Espíritos no mundo físico, não só por ter sido um médium vidente de grande potencialidade, mas também pela verdadeira antevisão dos princípios básicos da Doutrina Espírita em que se constituiu sua teologia. Era dotado da chamada “vidência à distância” na qual a alma emancipa-se do corpo e vai buscar informações à distância, voltando com notícias do que se passou nesses lugares.

Swedenborg afirmou a pluralidade dos mundos habitados e a inexistência de penas eternas, bem como outros postulados semelhantes aos da Doutrina Espírita; para ele, anjos e demônios eram seres humanos que haviam vivido na Terra, respectivamente Espíritos altamente evoluídos e Espíritos retardatários. Embora os acontecimentos mediúnicos vividos por Emmanuel Swdenborg fossem fatos isolados dentro de sua época, eram, contudo indício de forças latentes que estavam por eclodir em futuro bem próximo.

IRVING: Entre 1830 e 1833 nova experiência psíquica ocorre desta vez com Edward Irving e com membros de sua Igreja Escocesa.

Pastor protestante, grande estudioso bíblico, desenvolveu num grupo fechado estudos que levaram a manifestações internas. Em 1831 ocorreu o boato que membros da congregação tinham sido tomados de maneira estranha em suas próprias residências, e durante uma própria celebração o culto foi interrompido por gritos de um possesso. 

Nestes fenômenos há sinais de verdadeira força psíquica atuando no mundo material.

OS SHAKERS: Além desses incidentes isolados da igreja de Irving, houve uma outra manifestação psíquica naqueles dias; foi o desabrochar de fenômenos espíritas nas comunidades “Shakers”, nos Estados Unidos. 

Os fenômenos se iniciaram com costumeiros sinais de aviso seguidos pela obsessão de quando em vez de quase toda a comunidade. Os principais visitantes eram Espíritos de índios Peles Vermelhas que vinham em grupo como uma tribo. Os Shakers contavam com um homem de notável inteligência chamado F.W. Evans que juntamente com seus companheiros, depois da primeira perturbação física e mental causada pela irrupção daqueles Espíritos, puseram-se a estudar o que aquilo realmente significava; chegaram então à conclusão inesperada de que os índios não tinham vindo ensinar, mas sim aprender.

Durante sete anos as visitas continuaram. Quando os Espíritos os deixaram, disseram que iam, mas voltariam, e que quando voltassem invadiriam o mundo tanto nas choupanas quanto nos palácios. Foi justamente quatro anos após que começaram as batidas de Hydesville.

O episódio da manifestação dos Shakers é um elo distinto entre o trabalho pioneiro de Swedenborg e o período de Davis e das irmãs Fox.

ANDREW JACKSON DAVIS: Nascido em 1826, tinha somente a escola primária, mas naquela criatura mirrada dormiam estranhas forças espirituais. Era portador de clarividência, mas também ouvia vozes que lhe davam bons conselhos. Antes dos 20 anos já tinha escrito um dos livros mais profundos e originais de filosofia produzidos até então. Isto era uma prova clara que nada tinha vindo dele mesmo e de que não passava de um canal, através do qual fluía o conhecimento daquele vasto reservatório espiritual.

As observações de Davis não se limitavam aos que estavam em sua presença, pois sua alma podia emancipar-se pela ação magnética. 

Nesta fase inicial, Davis não se recordava do que via em transe, mas tudo ficava registrado em seu subconsciente e mais tarde recuperava com clareza. No seu livro “Princípio da Natureza”, prevê o aparecimento do Espiritismo como doutrina e prática mediúnica; a sua importância reside no fato de que com ele começou-se a preparar o terreno para a eclosão da Doutrina Espírita.

FAMÍLIA FOX: Hydesville é um vilarejo próximo a cidade de Rochester no condado de Wayne; no Estado de Nova Iorque, Estados Unidos; é considerado como o berço do Novo Espiritualismo, ou seja, o Espiritismo dos povos de língua inglesa. Numa casa humilde, alugada em 11 de dezembro de 1847, vivia a família protestante composta de John Fox, sua mulher Margareth e suas filhas menores, Margareth de 14 anos e Caterine (Kate) 11 anos. Em 1848 foram surpreendidos por barulhos de arranhaduras e estes se intensificaram à medida que o tempo se passava, as crianças se assustavam de tal maneira que não queriam mais dormir sozinhas.

Finalmente a 31 de março de 1848 houve grande invasão de sons e Kate resolve desafiar o mistério, travando um diálogo através de palmas. A cada palma de Kate era dada a resposta com pancada correspondente. A menina então perguntou se as pancadas estavam vindas de um Espírito; se fosse deveriam ser dadas duas batidas. A resposta foi afirmativa.

Estabeleceu-se assim neste dia a telegrafia espiritual. Um vizinho dos Fox, de nome Duesler, usando o alfabeto para obter respostas mais rápidas consegue saber que ali houvera um crime.

Entretanto, este episódio não teve como finalidade a punição do culpado, pois a finalidade destes fenômenos era convencer a todos da imortalidade da alma.

Grande número de adeptos da nova crença fizeram realizar em Rochester a 1ª. Reunião Pública para investigar a veracidade dos fenômenos. Mas é preciso admitir a envergadura moral do casal Fox que, embora renegados pela igreja a que pertenciam, preferiram renunciar a negar os fenômenos espíritas, ou a abdicar da verdade de que foram testemunhas.

AS MESAS GIRANTES: A publicidade que se formou em torno das irmãs Fox teve também o mérito de chamar a atenção para o grande número de médiuns que começaram a sair do anonimato e a revelar suas faculdades, estimulados pelos acontecimentos de Hydesville.

Ocorreu assim, paulatinamente, a anunciada invasão dos Espíritos que se manifestavam em toda parte, pelos mais diferentes médiuns. 

Foi em fins de 1850 que os próprios Espíritos sugeriram a nova maneira de se comunicarem, em substituição ao processo moroso das pancadas. Esses fatos apresentados aos olhos de pesquisadores honestos sugeriam de forma drástica e inquestionável a existência do Espírito. Mas, as respostas dos Espíritos às perguntas frívolas dos participantes movidos mais pela curiosidade do desconhecido, passaram a constituir motivo de grande interesse, mesmo porque as mesas moviam-se em todos os sentidos, giravam vertiginosamente ou se elevavam no ar alcançando o teto, produzindo os mais variados movimentos. Daí em diante as mesas girantes passaram a constituir a grande atração nos salões da sociedade parisiense, como se tais fenômenos fosse meros passatempos.

Na verdade era uma determinação do Alto, despertando consciências para a imortalidade da alma e para o recebimento do Consolador, prometido por Jesus há muitos séculos e consubstanciado no Espiritismo que logo seria codificado, pois os tempos eram chegados.

ADVENTO DA DOUTRINA ESPÍRITA: Hippolyte Leon Denizard Rivail aos 50 anos era um nome respeitado na França, portador de inúmeras qualidades morais e intelectuais. Era grande estudioso dos fenômenos psíquicos, interessando-se de modo especial pelo estudo do magnetismo. Ouvira falar das mesas girantes e atribuiu estes fenômenos ao magnetismo impregnando nas mesas, daí seus movimentos; tendo conhecimento da existência de algo inteligente por detrás, admite a hipótese da atuação do mundo espiritual. 

Resolve então verificar a procedência dos fatos. E, assim, ano após ano o Prof. Rivail trabalha metodicamente na elaboração da Doutrina Espírita. Allan Kardec é o nome que adotou como Codificador da Doutrina Espírita.

Com a expansão da Codificação Espírita os fenômenos mediúnicos já não despertam a mesma curiosidade de outrora, pelo menos com o mesmo ímpeto; a atenção volta-se atualmente para outro objetivo transcendental: a necessidade de elevação moral. 

Assim, ultrapassada a fase inicial da fenomenologia, abertos os caminhos deixados pelos precursores, pode o homem atual iniciar um novo capítulo de cunho moralizante, guiado pelos Espíritos que o assistem através das possibilidades tecnológicas: das batidas e das mesas girantes à transcomunicação instrumental. Assim, dos estudos sistemáticos desses fenômenos surgiu toda uma filosofia fundamentada nos princípios cristãos.

QUESTIONÁRIO:

a) Espiritismo – Antecedentes da Codificação:

1 – Resuma o papel de Emmanuel Swedenborg, Edward Irving e Andrew Jakson Davis, enquanto precursores do Espiritismo.

2 – Descreva os fenômenos dos Shakers e o ocorrido com a família Fox.

3 – Qual a relação dos fenômenos das mesas girantes com o advento da Doutrina Espírita:
 

terça-feira, 1 de março de 2022

CONTEÚDO CURSO BÁSICO DE ESPIRITISMO 1º Ano FEESP EM 2022

1ª AULA

PARTE A: ESPIRITISMO - ANTECEDENTES DA CODIFICAÇÃO

PARTE B: ESPIRITISMO E ESPIRITUALISMO

PARTE C: ESPIRITISMO: FILOSOFIA – CIÊNCIA – RELIGIÃO

2ª AULA

PARTE A: DEUS E O INFINITO

PARTE B: PROVAS E ATRIBUTOS DA DIVINDADE – PANTEÍSMO

PARTE C: O MAIOR MANDAMENTO

3ª AULA

PARTE A: ELEMENTOS GERAIS DO UNIVERSO

PARTE B: PROPRIEDADES DA MATÉRIA

PARTE C: SERVIR A DEUS E A MAMON

4ª AULA

PARTE A: CRIAÇÃO DOS MUNDOS E DOS SERES VIVOS

PARTE B: PLURALIDADE DOS MUNDOS

PARTE C: HÁ MUITAS MORADAS NA CASA DO PAI

5ª AULA

PARTE A: PRINCÍPIO VITAL

PARTE B: INSTINTO E INTELIGÊNCIA

PARTE C: CONDIÇÕES E EFICÁCIA DA PRECE

6ª AULA

PARTE A: ORIGEM E NATUREZA DOS ESPÍRITOS

PARTE B: MUNDO NORMAL PRIMITIVO - FORMA E UBIQUIDADE DOS ESPIRITOS

PARTE C: MEU REINO NÃO É DESTE MUNDO

7ª AULA

PARTE A: PERISPÍRITO

PARTE B: CENTROS DE FORÇA

PARTE C: CAUSAS ANTERIORES DAS AFLIÇÕES

8ª AULA

PARTE A: DIFERENTES ORDENS DE ESPÍRITOS

PARTE B: PROGRESSÃO DOS ESPÍRITOS - ANJOS E DEMÔNIOS

PARTE C: O CRISTO CONSOLADOR - O JUGO LEVE

9ª AULA

PARTE A: FINALIDADES DA ENCARNAÇÃO

PARTE B: DA ALMA – MATERIALISMO

PARTE C: RESSURREIÇÃO E REENCARNAÇÃO

10ª AULA

PARTE A: ALMA APÓS A MORTE - SEPARAÇÃO DA ALMA E DO CORPO

PARTE B: PERTURBAÇÃO ESPÍRITA

PARTE C: DEIXA QUE OS MORTOS ENTERREM SEUS MORTOS

11ª AULA

PARTE A: CONSIDERAÇÕES SOBRE A PLURALIDADE DAS EXISTÊNCIAS I

PARTE B: DA REENCARNAÇÃO - JUSTIÇA DA REENCARNAÇÃO

PARTE C: OS LAÇOS DE FAMÍLIA SÃO FORTALECIDOS PELA REENCARNAÇÃO E QUEBRADOS PELA UNICIDADE DA EXISTÊNCIA

12ª AULA

PARTE A: SORTE DAS CRIANÇAS APÓS A MORTE - SEXO NOS ESPÍRITOS

PARTE B: IDÉIAS INATAS

PARTE C: LIMITES DA ENCARNAÇÃO - NECESSIDADE DA ENCARNAÇÃO

13ª AULA

PARTE A: ESPÍRITOS ERRANTES - MUNDOS TRANSITÓRIOS

PARTE B: PERCEPÇÕES, SENSAÇÕES E SOFRIMENTOS DOS ESPÍRITOS

PARTE C: DIFERENTES ESTADOS DA ALMA NA ERRATICIDADE

14ª AULA

PARTE A: A ESCOLHA DAS PROVAS

PARTE B: RELAÇÕES DE ALÉM-TÚMULO - RELAÇÕES SIMPÁTICAS E ANTIPÁTICAS

PARTE C: RECONCILIAR-SE COM SEUS ADVERSÁRIOS

15ª AULA

PARTE A: LEMBRANÇA DA EXISTÊNCIA CORPÓREA

PARTE B: COMEMORAÇÃO DOS MORTOS – FUNERAIS

PARTE C: PERDA DE PESSOAS AMADAS - MORTES PREMATURAS

16ª AULA

PARTE A: PRELÚDIO DO RETORNO - UNIÃO DA ALMA AO CORPO

PARTE B: FACULDADES MORAIS E INTELECTUAIS

PARTE C: PECADO POR PENSAMENTO E ADULTÉRIO

17ª AULA

PARTE A: INFLUÊNCIA DO ORGANISMO

PARTE B: IDIOTISMO E LOUCURA

PARTE C: SUICÍDIO E LOUCURA

18ª AULA

PARTE A: DA INFÂNCIA

PARTE B: SIMPATIAS E ANTIPATIAS TERRENAS - ESQUECIMENTO DO PASSADO

PARTE C: DEIXAI VIR A MIM OS PEQUENINOS

19ª AULA

PARTE A: SONO E OS SONHOS

PARTE B: VISITAS ESPÍRITAS ENTRE VIVOS - TRANSMISSÃO OCULTA DO PENSAMENTO

PARTE C: OS INIMIGOS DESENCARNADOS

20ª AULA

PARTE A: PENETRAÇÃO DO NOSSO PENSAMENTO PELOS ESPÍRITOS

PARTE B: INFLUÊNCIA OCULTA DOS ESPÍRITOS SOBRE NOSSOS PENSAMENTOS E NOSSAS AÇÕES

PARTE C: PAGAR O MAL COM O BEM

21ª AULA

PARTE A: AFEIÇÃO DOS ESPÍRITOS POR CERTAS PESSOAS - ANJOS DA GUARDA - ESPÍRITOS PROTETORES, FAMILIARES E SIMPÁTICOS

PARTE B: PRESSENTIMENTOS

PARTE C: MISSÃO DOS ESPÍRITAS

22ª AULA

PARTE A: OS ESPÍRITOS DURANTE OS COMBATES - PACTOS - PODER OCULTO - TALISMÃS - FEITICEIROS - BÊNÇÃOS E MALDIÇÃO

PARTE B: OCUPAÇÕES E MISSÕES DOS ESPÍRITOS

PARTE C: RECONHECE-SE O CRISTÃO PELAS SUAS OBRAS

23ª AULA

PARTE UNICA: OS TRÊS REINOS

24ª AULA

PARTE A: HOMENAGEM A DR. BEZERRA DE MENEZES

24ª AULA

PARTE B: BIOGRAFIA DE ALLAN KARDEC
 

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2022

CRONOGRAMA DO CURSO BÁSICO DE ESPIRITISMO 1º ANO - FEESP EM 2022

As aulas serão postadas sempre às 9 horas do horário de Brasília
  
Março – Dias: 1, 3, 8, 10, 15, 17, 22, 24, 29 e 31

Abril – Dias: 5, 7, 12, 14, 19, 26 e 28

Maio – Dias: 3, 5, 10, 12, 17, 19, 24, 26 e 31

Junho – Dias: 2, 7, 9, 14, 21, 23, 28 e 30

Julho: Não haverá postagens

Agosto – Dias: 2, 4, 9, 11, 16, 18, 23, 25 e 30

Setembro – Dias: 1, 6, 8, 13, 15, 20, 22, 27 e 29

Outubro – Dias: 4, 6, 11, 13, 18, 20, 25 e 27

Novembro – Dias: 1, 3, 8, 10, 17, 22, 24 e 29

Dezembro – Dias: 1 e 6
 

terça-feira, 7 de dezembro de 2021

24ª AULA - CURSO PREPARATÓRIO DE ESPIRITISMO - FEESP

BIOGRAFIA DO DR. ADOLFO BEZERRA DE MENEZES

CONSOLIDADOR DA DOUTRINA ESPÍRITA NO BRASIL

Adolfo Bezerra de Menezes Cavalcanti nasceu em uma cidade do Ceará, hoje município de Jaguaretama, antiga Freguesia de Riacho de Sangue, em 29 de agosto de 1831. Seu pai, Antônio Bezerra Cavalcanti, era Tenente-Coronel da Guarda Nacional. Fabiana de Jesus Maria Bezerra, sua mãe – ela o encaminhou aos estudos.

Em 1838, frequentou por dez meses, a Escola Pública da Vila do Frade, onde aprendeu a ler, escrever e também aritmética. Em 1842, transferindo-se sua família para o Rio Grande do Norte, foi matriculado na Escola Pública da Serra dos Martins, em Vila da Maioridade (hoje, cidade de Imperatriz). Dois anos depois, substituía em seus impedimentos, o professor de Latim.

Em 1846, a família retorna ao Ceará, quando passou a frequentar o Liceu existente, sob a direção do seu irmão Manoel Soares da Silva Bezerra, completando os estudos preparatórios à faculdade. Seu pai, nessa época, atravessava dificuldades financeiras por haver dado aceite em duplicatas de terceiros. Cumpriu sua palavra e passou a ser, apenas, o administrador de seus antigos bens. E segue uma vida honrada que servia de exemplo ao então adolescente Bezerra de Menezes.

Desejando ser médico, vai morar no Rio de Janeiro, onde se tornará o Médico dos Pobres.

Parte, em 5 de fevereiro, para o Rio de Janeiro, com 400 mil réis que seus parentes lhe deram para custear a viagem, chegando com 18 mil réis no bolso e sonhos no coração.

Ingressou como praticante interno no Hospital da Santa Casa de Misericórdia, em novembro de 1852. Estudava nas Bibliotecas Públicas e dava aulas para manter-se.

Doutorou-se em Medicina aos 25 anos de idade, pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Eleito membro da Academia Imperial de Medicina e nomeado Cirurgião-Tenente do Corpo de Saúde do Exército em 1858, quando passou a assinar o seu nome sem o Cavalcanti.

Na Academia Nacional de Medicina, foi durante quatro anos, o redator dos Anais da Entidade.

Casou-se, em 6 de novembro de 1861, com Maria Cândida de Lacerda com quem teve um casal de filhos. Dois anos depois do desencarne de sua esposa (aos 34 anos de idade), casou-se em segundas núpcias com a senhora Cândida Augusta de Lacerda, irmã materna de sua mulher. Tiveram cinco filhos.

Indicado por moradores da Freguesia de São Cristóvão; elegeu-se em 1861, pelo Partido Liberal, vereador à Câmara Municipal. Exonerou-se do cargo de assistente de cirurgião.

Reeleito Vereador em 1864, foi Deputado Federal em 1867 e Membro da Comissão de Obras Públicas e figurou em listra tríplice para uma cadeira no Senado.

Dissolvida a Câmara dos Deputados em 1868, assumiu a Criação da Companhia Estrada de Ferro Macaé a Campos, concluída em 1873. 

Foi diretor da Companhia Arquitetônica, em 1872, que abriu o Boulevard 28 de setembro, em Vila Isabel. Em 1875 fora Presidente da Companhia Carril de São Cristóvão e Membro de diversas entidades e sociedades beneficentes.

Vereador no Rio de Janeiro (no período de 1879 a 1880) foi Presidente da Câmara Municipal, cargo equivalente ao de Prefeito; e Deputado Federal em 1880. 

Trabalhos publicados. O escritor J. F. Velho Sobrinho, no seu Dicionário Biobibliográfico Brasileiro, relata a existência de mais de quarenta livros e outras publicações do Dr. Bezerra de Menezes.

Obra extensa consta de Biografias de homens célebres, Trabalhos sobre a escravidão no Brasil, sobre a seca no Nordeste, romances, como A Pérola Negra, História de um Sonho, Lázaro o Leproso, O Bandido, Viagem através dos Séculos, A Casa Assombrada, Os Carneiros de Panúrgio e Casamento e Mortalha (inacabado).

Ao desencarnar, continua sua obra, por intermédio do médium Francisco Cândido Xavier com os livros: Apelos Cristãos e Bezerra, Chico e você. Com Yvonne Pereira, compõe os romances: Tragédia de Santa Maria e Nas telas do Infinito. Pela médium Ayesha Spitzer, Os Comentários Evangélicos, publicados por Edgard Armond, em 1968. Consolidador em sua época; encontravam-se dispersos os espíritas brasileiros.

Recebeu um dia O Livro dos Espíritos de presente do tradutor, seu amigo, o médico Dr. Joaquim Carlos Travassos. Dez anos depois, proclamava sua adesão solene ao Espiritismo, perante 2.000 pessoas, no Solar da Guarda Velha, em 16 de agosto de 1886.

No início de 1895, Bezerra de Menezes dirigia o Grupo Ismael e, numa noite de junho de 1895, é convidado a presidir a Federação Espírita Brasileira. É eleito de 1895 a 1900.

Fora profundo conhecedor do Evangelho de Jesus, que leu, interpretou e praticou; antigo redator de A Reforma de Sentinelas da Liberdade; escreveu sob o pseudônimo de Max no jornal O Paiz, entre 1886 e 1890 – republicado como Estudos Filosóficos, em três volumes.

Servir era o seu lema. Médico; amou a profissão. Doou até o anel de formatura a paciente que não possuía dinheiro para pagar o enterro da esposa e o alimento para os filhos. Em seu consultório médico, nos altos da Farmácia Homeopática Cordeiro, receitava para os pobres.

Lindos são os casos a respeito de sua conduta como médico (reunidos por Ramiro Gama, numa bela obra literária).

Tratava dos pobres do corpo e do espírito, nas reuniões de desobsessão, na Federação Espírita Brasileira. Em 11 de abril de 1900, às 11 horas e 30 minutos, houve o seu desencarne.

Minutos antes, elevava seu pensamento a Maria, Mãe de Jesus, pedindo por aqueles que ficavam. Assim viveu aquele que, em vida, unificou os espíritas brasileiros, em torno da Doutrina dos Espíritos.

BIBLIOGRAFIA:

Gama, Ramiro – Lindos Casos de Bezerra de Menezes

Xavier, Francisco Cândido – Bezerra, Chico e você.

QUESTIONÁRIO:

1 - Onde e quando nasceu o Dr. Bezerra de Menezes?

2 - Qual a atividade literária do Dr. Bezerra de Menezes?

3 - Enuncie sua atividade como espírita?
 

quinta-feira, 2 de dezembro de 2021

23ª AULA - CURSO PREPARATÓRIO DE ESPIRITISMO - FEESP

BIOGRAFIA DE ALLAN KARDEC

CODIFICADOR DA DOUTRINA ESPÍRITA

Hippolyte Leon Denizard Rivail, nasceu em Lyon, França, às 19 horas do dia 3 de outubro de 1804, de família católica; mãe prendada e afável, e pai juiz. Realizou seus primeiros estudos em Lyon, e, aos dez anos é enviado a Yverdun, Suíça, para a escola modelo da Europa: o Instituto de Educação fundado em 1805 pelo grande educador Johan Heinrich Pestalozzi (1746-1827).

A dimensão do educador Pestalozzi, fora estabelecida em seu epitáfio: “O educador da humanidade”. Pelo seu educandário, passaram personalidades, ensinando e aprendendo.

Aprendendo como o aluno Rivail, que o amor é o eterno fundamento da educação. As portas do Castelo onde funcionava o Instituto Pestalozzi, eram abertas durante o dia.

Pestalozzi tinha por princípio: “A intuição é a fonte de todos os conhecimentos”. E, convivendo com professores calvinistas e luteranos, Rivail aprendia com o Professor, que a verdadeira religião não é outra senão a moralidade. Assim, Denizard Rivail iniciava a concepção da ideia de uma reforma religiosa, com o propósito de unificar crenças.

Denizard Rivail retorna a Paris, em 1822. Em 1823, inicia-se em conhecimentos das teorias de Mesmer, Doutor da Universidade de Viena. Em 6 de fevereiro de 1832, assina contrato de casamento com Amelie-Gabrielle Boudet.

Aos 50 anos de idade, já escritor de livros didáticos (22 obras), membro de Instituições Científicas, da Academia de Ciências de Arras, professor de cursos técnicos, era o discípulo de Pestalozzi. 

Poliglota, conhecia bem o alemão, inglês, holandês, tinha sólidos conhecimentos do latim, grego, gaulês e algumas línguas neolatinas.

Em 1854 encontra-se com um amigo mesmerista, Fortier, que o convida a verificar o fenômeno das “mesas girantes”. Como homem de ciências, foi disposto a observar e analisar os fenômenos. 

Escreveu em suas anotações, que era um fato que não havia possibilidade de descrer, havia uma força desconhecida ainda, mas inteligente que o movia. Entreviu as leis que regem as relações entre o mundo visível e o mundo invisível.

Em maio de 1855, conheceu as filhas do Sr. Boudin, que tinham 14 e 16 anos. Eram crianças, despidas de preconceitos e vaidades. Teve Rivail conhecimentos com Espíritos que se comunicavam. De início, com Zéfiro. Certo dia, constatou presença do Espírito da Verdade,
dirigente de uma falange de Espíritos que vinham cumprir a promessa de Jesus: O Consolador Prometido, a Terceira Revelação.

As comunicações recebidas foram escritas, analisadas e codificadas pelo professor Hippolyte Leon Denizard Rivail. Aos 18 de abril de 1857, sob o pseudônimo de Allan Kardec (nome que teve em uma reencarnação como sacerdote druida), publica a primeira obra da Doutrina Espírita, O Livro dos Espíritos.

Esta obra traz lições importantes sobre: “As causas primárias”, “Mundo Espírita ou dos Espíritos”, “As leis morais”, “Esperanças e consolações”. Contém os princípios da Doutrina Espírita sobre a imortalidade da alma, a natureza dos Espíritos e suas relações com os homens, as leis morais, a vida presente e a vida futura e o porvir da humanidade.

Inicia em 1º de janeiro de 1858 a publicação da Revista Espírita e outras obras vieram em seguida.

Em janeiro de 1861, publica O Livro dos Médiuns, relativo à parte experimental e científica. Em abril de 1864, surge O Evangelho Segundo o Espiritismo, contendo a explicação das máximas do Cristo, sua concordância com o Espiritismo e sua aplicação às diversas situações da vida.

Em 1º de agosto de 1865, é publicado O Céu e o Inferno ou A Justiça Divina Segundo o Espiritismo. Em 6 de janeiro de 1868, A Gênese, os Milagres e a Predições.

A Revelação Espírita, mostra-nos o destino do homem depois da morte. Esclarece aos homens questões como a utilização do livre-arbítrio, e suas consequências. 

Daí, a autoridade da Doutrina Espírita: é um conjunto de princípios que se fundamenta como sistema filosófico, científico e religioso.

Allan Kardec desencarnou em 31 de março de 1869, vítima de um aneurisma cerebral. Estava na preparação de mudança de local – imposta pela extensão considerável de suas múltiplas ocupações – e a terminar diversas obras. Morreu conforme viveu: trabalhando.

Camile Flammarion em discurso pronunciado por ocasião do enterro, no Cemitério de Montmartre, traça um esboço de sua carreira literária, sua atuação na Revista Espírita e diz: Ele, porém era o que eu denominarei simplesmente de “o bom senso encarnado”.

No ano seguinte, seu corpo foi transferido para o Cemitério de Pére Lachaise, Paris, e no dólmen está escrito: “Nascer, morrer, renascer sempre, e progredir sem cessar, tal é a lei”.

BIBLIOGRAFIA:

Kardec, Allan - Obras Póstumas

QUESTIONÁRIO:

1 - Onde e quando nasceu Hippolyte Léon Denizard Rivail? E com quem realizou seus estudos?

2 - Sintetize a atuação do professor Rivail na área educacional?

3 - Quais as obras da Doutrina Espírita codificada por Allan Kardec?
 

quinta-feira, 25 de novembro de 2021

22ª AULA PARTE B - CURSO PREPARATÓRIO DE ESPIRITISMO - FEESP

A REFORMA ÍNTIMA

Deus criou todos os Espíritos simples e ignorantes, ou seja, sem conhecimento. Deu a cada um deles uma missão, com o fim de os esclarecer e progressivamente conduzir à perfeição, pelo conhecimento da verdade e para aproximar-se d’Ele. A felicidade eterna e sem perturbações eles encontrarão nesta perfeição.

Pelo seu livre-arbítrio, cada um segue o caminho do bem ou do mal, instruindo-se através das lutas e tribulações da vida corporal. Em suas muitas existências, tem a oportunidade de melhoria progressiva.

Ao seguir a lei natural – a lei de Deus – o homem torna-se feliz. E os homens desejando pesquisar a Lei de Deus, verificam que ele se encontra na consciência. Aprendem depois que Deus ofereceu ao homem o modelo mais perfeito que lhe servir de guia: Jesus.

Jesus trouxe-nos ensinamentos pelo seu exemplo e também em forma de parábolas. Hoje, temos os ensinamentos dos Espíritos que vieram esclarecer aquelas questões necessárias ao nosso aprimoramento espiritual.

O Espírito Verdade, em comunicação no ano de 1860, em Paris, nos diz: “Espíritas, amai-vos, eis o primeiro mandamento; instruí-vos, eis o segundo. Todas as verdades se encontram no Cristianismo”.

Para tanto, é preciso educar o Espírito, para que possa, à luz dos ensinamentos de Jesus, transformar-se no “homem novo”, substituindo o “homem velho” do passado. Como?

Transformando seus defeitos e vícios em qualidades e virtudes. E, aos poucos, seus efeitos irão se manifestar, nos sentimentos, nos pensamentos e nos atos exteriores. São as transformações morais, na modificação da sua conceituação de vida, afinando-se bem com os ensinamentos do Divino Mestre.

Jesus nos deu inúmeras lições. No Sermão do Monte, dá-nos uma lição de amor em que cita as bem-aventuranças que nos aproximam de Deus e que nos servem de consolação.

Aprendemos que necessitamos conquistar virtudes: mansuetude, caridade, benevolência, pacifismo. E buscar a paz interior, que é uma conquista íntima do Espírito, orando, e vigiando nossos pensamentos.

É assim que crescemos para Deus, com o coração sem máculas, sem manchas, sem nódoas: não colocando um “remendo em roupa velha”, mas tecendo um tecido novo, em trama mais resistente, para que perdure. A roupa velha é o homem velho; e o homem novo é aquele que recebe o tecido novo (compreensão, preparação, purificação, serviços), tudo resumido na Reforma Íntima que é o principal fundamento e finalidade dos estudos que realizamos da doutrina de Jesus.

Não se pode usar o termo Reforma Íntima separada de sua verdadeira e irrecorrível significação: a de transformações morais.

O que acima de tudo deve interessar aos homens encarnados é a progressão espiritual, pois esta é a única finalidade dos seres em todos os escalões e em todos os mundos.

Espiritualização é a exteriorização, é o “vir à tona” da centelha, isto é, do Eu interior, no esforço de sintonizar-se à vibração universal divina, que é harmonia, luz e amor; é sobrepor-se ao homem material purificando-se para conquistar o direito de viver em mundos mais perfeitos.

É fácil distinguir aquele que se espiritualiza: basta ver como se manifesta na vida comum os seus sentimentos, pensamentos e atos, porque, por mais que o intelecto venha em seu auxílio (com artifícios ou subterfúgios), não poderá esconder o que nele predomina: a densidade material do corpo físico, ou a lenta exteriorização da centelha, no campo moral.

É um esforço de milênios, inúmeros dos quais se passaram sem que o homem atingisse tais alturas; mas o Evangelho sempre oferece ao homem encarnado neste orbe, um poderoso auxílio para a realização imediata da espiritualização, desde que seja compreendido, interpretado e vivido na essência de sua significação e do seu poder redentor.

BIBLIOGRAFIA:

Armond, Edgard - Verdades e Conceitos

Kardec, Allan - O Livro dos Espíritos

Kardec, Allan - O Evangelho Segundo o Espiritismo

QUESTIONÁRIO:

1 - Que é Reforma Íntima?

2 - Qual o significado da transformação do "homem velho" em "homem novo"?

3 - Como distinguir o indivíduo que se espiritualiza?
 

quinta-feira, 18 de novembro de 2021

22ª AULA PARTE A - CURSO PREPARATÓRIO DE ESPIRITISMO - FEESP

A HISTÓRIA DE BELARMINO BICAS

“Depois da festa beneficente, em que servíramos juntos, Belarmino Bicas, prezado companheiro a que nos afeiçoamos, no Plano Espiritual, chamou-me à parte e falou decidido”:
 
- Bem, já que estivemos hoje em tarefa de solidariedade, estimaria solicitar um favor...

Ante a surpresa que nos assaltou, Belarmino prosseguiu:

- Soube que você ainda dispõe de alguma facilidade para escrever aos companheiros encarnados na Terra e gostaria de confiar-lhe um assunto...

- Que assunto?

- Acontece que descarnei com cinquenta e oito anos de idade, após vinte de convicção espírita.

Abracei os princípios codificados por Allan Kardec, aos trinta e oito e, como sempre fora irascível por temperamento, organizei, desde os meus primeiros contatos com a Doutrina Consoladora, uma relação diária de todas as minhas exasperações, apontando-lhes as causas para estudos posteriores...

Os meus desconchavos, porém, foram tantos que, apesar dos nobres conhecimentos assimilados, suprimi inconscientemente vinte e dois anos da quota de oitenta que me cabia desfrutar no corpo físico, regressando à Pátria Espiritual na condição de suicida indireto...

Somente aqui, pude examinar os meus problemas e acomodar-me às desilusões... Quantos tesouros perdidos por bagatelas! Quanta asneira em nome do sentimento!...

E, exibindo curioso papel, Belarmino acrescentava:

- Conte o meu caso para quem esteja ainda carregando a bobagem do azedume! Fale do perigo das zangas sistemáticas, insista na necessidade da tolerância, da paciência, da serenidade, do perdão! 

Rogue aos nossos companheiros, para que não percam a riqueza das horas com suscetibilidades e amuos, explique ao pessoal na Terra que mau humor também mata!...

- Foi, então, que passei à leitura da interessante estatística de irritações, que não me furto à satisfação de transcrever: Belarmino Bicas,
 
– Número de cóleras e mágoas desnecessárias com a especificação das causas respectivas, de l936 a l956:
- 1811 em razão de contrariedades em família;
- 906 por indispor-se, dentro de casa, em questões de alimentação e higiene;
- 1614 por alterações, com a esposa, em divergências na conduta doméstica e social;
- 1801 por motivo de desgostos com filhos, genros e noras;
- 11 por descontentamento com os netos;
- 1015 por entrar em choque com chefes de serviço;
- 1333 por incompatibilidade no trato com os colegas;
- 1012 em virtude de reclamações a fornecedores e lojistas em casos de pouca monta;
- 614 por mal-entendidos com vizinhos;
- 315 por ressentimentos com amigos íntimos;
- 1089 por melindres ante o descaso de funcionários e empregados de instituições diversas;
- 615 por aborrecimentos com barbeiros e alfaiates;
- 777 por desacordos com motoristas e passageiros desconhecidos, em viagem de ônibus, automóveis particulares, bondes e lotações;
- 419 por desavenças com leiteiros e padeiros;
- 820 por malquistar-se com garçons em restaurantes e cafés;
- 211 por ofender-se com dificuldade em serviços de telefones;
- 815 por abespinhar-se com opiniões alheias em matéria religiosa;
- 217 por incompreensões com irmãos de fé, no templo espírita;
- 901 por engano ou inquietação, diante de pesares imaginários ou da perspectiva de acontecimentos desagradáveis que nunca sucederam.

- Total: 16.386 exasperações inúteis.

- Esse o apanhado das irritações do prestimoso amigo Bicas:16.386 dissabores dispensáveis em 7.300 dias de existência, e, isso, nos quatro lustros mais belos de sua passagem no mundo, porque iluminados pelos clarões do Evangelho Redivivo. 

Cumpro-lhe o desejo de tornar conhecida a sua experiência que, a nosso ver, é tão importante quanto as observações que previnem desequilíbrios e enfermidades, embora estejamos certos de que muita gente julgará o balanço de Belarmino por mera invencionice de Espírito loroteiro.”

BIBLIOGRAFIA:

Xavier, F. C. - Cartas e Crônicas

QUESTIONÁRIO:

1 - Quem foi Belarmino Bicas?

2 - O que se deve fazer para não repetir a história de Belarmino Bicas?

3 - Na sua opinião, que ensinamento deve ser extraído desta narrativa?
 

quinta-feira, 11 de novembro de 2021

21ª AULA PARTE B - CURSO PREPARATÓRIO DE ESPIRITISMO - FEESP

OS TRABALHADORES DA ÚLTIMA HORA

“O Reino dos Céus é semelhante a um homem, pai de família, que ao romper da manhã saiu a assalariar trabalhadores para a sua vinha”. E tendo feito com eles o ajuste de um denário por dia, mandou-os para a sua vinha. Saiu, ainda, pela terceira hora, e viu estarem outros na praça, ociosos. E disse-lhes: ide vós também para a minha vinha e dar-vos-ei o que for justo. E eles foram. Saiu, porém, outras vezes, pela sexta e pela nona hora do dia; e fez o mesmo. E tendo ainda saído à undécima hora achou outros que lá estavam, também desocupados e lhes disse: por que estais vós aqui o dia todo, ociosos? Responderam-lhe eles: porque ninguém nos assalariou. Ide então vós também para a minha vinha. Porém, lá no fim da tarde, disse o senhor da vinha ao seu mordomo: chama os trabalhadores e paga-lhes o jornal, começando pelos últimos e acabando nos primeiros. Tendo chegado, pois, os que foram ajustados na hora undécima, recebeu cada um o seu denário. E chegados também os que tinham ido primeiro, o seu denário. E chegados também os que tinham ido primeiro julgaram que haviam de receber mais; porém também estes não receberam mais do que um denário cada um. E ao recebê-lo, murmuravam contra o pai de família, dizendo: Estes, que vieram por último, não trabalharam senão uma hora e tu os igualastes conosco, que aturamos o peso do dia e do calor. Porém ele, respondendo a um deles, lhe disse: Amigo, eu não te faço agravo; não concordaste comigo no preço de um denário pelo teu dia? Toma o que te pertence e vai-te, que eu de mim quero dar também este último tanto como a ti. Não é licito fazer o que quero? Acaso teu olho é mau porque eu sou bom? “Assim, os últimos, serão os primeiros e os primeiros serão os últimos, pois muitos são os chamados, mas poucos os escolhidos”. (Mateus, 20:1-16. Ver também Mt, 22:1-14).

”Parábola da festa de Núpcias”. Consideramos que nesta parábola, entre outras coisas, o Mestre aproveita para mais uma vez admoestar os homens sobre o seu inveterado costume de reparar sempre demais nas coisas que dizem respeito aos outros do que cuidar das que lhes são próprias. Estamos sempre prontos para superavaliar o nosso próprio mérito e subestimar o merecimento alheio e parece-nos injustiça que os outros recebam mais ou tanto quanto nós por um serviço que, na nossa opinião, executamos tão bem ou melhor do que eles.

Avaliando o nosso próprio valor, somos invariavelmente levados a exagerá-los perante o mundo, em detrimento do valor real que muitas vezes possui o nosso semelhante. Por isso, Jesus, conhecedor profundo de nossas fraquezas, ministra-nos lições que nos alertam e nos obrigam a considerar melhor o nosso procedimento, ajudando-nos a aceitar sem revoltas e sem murmurações tudo o que nos couber na vida, pois recebemos sempre o que melhor nos serve e de acordo com o nosso merecimento.

As reiteradas vezes que o pai de família, durante as várias horas do dia, desde o amanhecer até a última hora, sai, para convidar e assalariar novos trabalhadores, devem significar para nós a constância com que somos chamados a realizar a nossa tarefa, e o pagamento, sempre de acordo com o nosso esforço, perseverança e dedicação, nem sempre proporcional ao tempo gasto para executá-la, simboliza as conquistas definitivas que vamos fazendo, em busca de nosso aperfeiçoamento no caminho da evolução.

As referências que notamos no texto evangélico, sobre a hora terceira, hora sexta e hora nona, correspondem, respectivamente, de acordo com a divisão do dia usada naquele tempo, às nossas atuais 9 horas, 12 horas e 15 horas do dia, sendo ainda, a undécima hora deles igual às 17 horas de hoje.

Em face do orgulho que caracterizava as classes elevadas dos judeus daquela época, objetivava o Mestre com a sua Doutrina, abater aquele sentimento mau, ao mesmo tempo que animava os esforços das classes menos favorecidas, enchendo de esperanças e de coragem os pecadores que se arrependiam, mostrando-lhes, ainda, que a questão não era de classe, nem de culto ou de nacionalidade, mas sim de trabalho para obter merecimento recompensado e encorajado, igualmente, os trabalhadores que tardiamente adquiriam o conhecimento das verdades evangélicas.

Com muito mais propriedade, ainda, pode a parábola ser explicada através da Lei da Reencarnação, sendo então fácil aceitarmos a aparente desproporção da paga, visto tratar-se no caso, de caminheiros da eternidade em diferentes estágios evolutivos, uns mais e outros com menos realizações trazidas do passado e portadores, portanto, de necessidades diferentes.

Da mesma forma se esclarece porque haverá primeiros que serão últimos e últimos que serão primeiros, pois o que decidirá será a maneira como caminharmos, isto é, se nos esforçamos para frente, em linha reta, seremos dos primeiros e, no caso contrário, se tomarmos atalhos tortuosos, seremos dos últimos, não obstante pudéssemos ter sido dos primeiros, a iniciar a marcha e a adquirir conhecimentos.

Igualmente, muitos serão chamados de cada vez e todos serão chamados no curso dos tempos, mas, como é sempre muito grande o número de recalcitrantes e retardatários em relação aos obedientes e diligentes, acontece que poucos são os escolhidos de cada vez.

BIBLIOGRAFIA:

Xavier, F. C - Roteiro

QUESTIONÁRIO:

1 - Quem são os trabalhadores da última hora?

2 - O que significa "os últimos serão os primeiros e os primeiros serão os últimos"?

3 - Na sua opinião, qual o principal ensinamento da parábola?
 

quinta-feira, 4 de novembro de 2021

21ª AULA PARTE A - CURSO PREPARATÓRIO DE ESPIRITISMO - FEESP

 O ESPIRITISMO NA ATUALIDADE

Depois de séculos de obscurantismo religioso e do dogmatismo imposto, consciências amadurecidas começam a despertar em busca de solução para os seus problemas transcendentes. Nos dias de hoje, vê-se um surto desenfreado de seitas e doutrinas que procuram atender aos Espíritos inquietos, sedentos de novas luzes. 

Há um inegável interesse pelo fenômeno, como resposta a velhas questões filosóficas, sem qualquer consequência de ordem moral.

Nesse diapasão, vê-se um crescimento do espiritualismo no mundo, redescobrindo velhas práticas, com roupagem moderna. Presas ao imediatismo da vida material, as criaturas especulam em todos os campos possíveis, no encalço de fórmulas mágicas ou de revelações fantásticas que lhes atendam os anseios da curiosidade vã.

Quando se trata do comportamento humano e das suas consequências morais, o homem ainda se reserva o direito de não esmiuçá-lo, conservando-se como era (e como pretende continuar sendo), protegido pelos mecanismos de defesa da sua personalidade. 

A nova ordem de coisas custa a penetrar nos corações mais endurecidos.

O Espiritismo, porém, como o Consolador Prometido pelo Cristo, surge no horizonte humano como um oásis em meio ao universo da desinformação e da desesperança, oferecendo ao homem o conhecimento da verdade que liberta e eleva o Espírito.

Enquanto muitos ainda permanecem presos aos modismos, buscando soluções imediatistas para problemas enraizados na personalidade desde longa data, e aderindo a práticas místicas do passado, com roupagem moderna, “o Espiritismo, nos tempos modernos, é, sem dúvida, a revivescência do Cristianismo em seus fundamentos mais simples”, como enfatiza Emmanuel.

Mostrando ao homem que ele é o interexistente, isto é, aquele que vive entre os dois mundos, oferece-lhe novas oportunidades de realização, por alterar-lhe o panorama das cogitações mentais. 

A sobrevivência além da morte já não encerra a criatura nos círculos intransponíveis do céu, inferno e purgatório. A pluralidade dos mundos habitados, da mesma forma, não prende o Espírito nas teias incompreensíveis da mesquinha problemática planetária.

O Diálogo entre vivos e mortos alarga o universo do conhecimento e preserva os laços afetivos bem formados. Os sofrimentos não são senão nódulos temporários na cadeia da evolução, dissolvidos pelo trabalho digno e pelo conhecimento de si mesmo, que levam o indivíduo a harmonizar-se definitivamente com os imperativos da lei divina. O princípio da reencarnação passa a ser entendido como a chave que abre as portas da existência a todos quantos desejem ardentemente atingir a perfeição a que todos estamos destinados pela Justiça e o Amor Divinos.

Hoje, encontramos na literatura espírita toda sorte de recursos para a renovação necessária, a começar pelas obras da Codificação. No Evangelho, o roteiro para a solidificação do comportamento fraterno cristão. Em O Livro dos Espíritos, os princípios filosóficos para a fortificação do pensamento bem formado. Em O Livro dos Médiuns, a prática mediúnica à luz da fenomenologia perispíritica.

Além disso, a obra de Francisco Cândido Xavier, com mais de 400 títulos, surge com um indispensável complemento para o conhecimento do Espírito imortal, mormente com as mensagens dos Espíritos André Luiz e Emmanuel. Da pena mediúnica ainda, cumpre ressaltar a obra de Divaldo Pereira Franco, composta de muitos títulos e ditada por Joanna de Angelis, Bezerra de Menezes, Victor Hugo e muitos outros Espíritos.

Não bastasse todo esse manancial de bênçãos, há ainda o trabalho dos clássicos como Léon Denis, Gabriel Delanne, Camille Flammarion e Ernesto Bozzano, entre os mais notáveis.

Autores contemporâneos devem ser lembrados também: Hernani Guimarães Andrade, Jorge Andréa, Hermínio C. Miranda, Richard Simonetti, Paulo Alves Godoy, José Herculano Pires, Manoel Pelicas São Marcos e outros.

Nos dias atuais, vê-se ainda o surgimento de novas práticas que se colocam dentro do vasto círculo da fenomenologia do espírito, entre as quais destacamos a TRVP (Terapia Regressiva a Vidas Passadas) e a TCI (Transcomunicação Instrumental), que auxiliam na elucidação de algumas questões da competência da Doutrina Consoladora. 

Todavia “urge o estabelecimento de recursos para a ordenação justa das manifestações que dizem respeito à nova ordem de princípios que se instalam vitoriosos na mente de cada um”, adverte Emmanuel.

Hoje, sente-se a necessidade da unificação do Espiritismo, em torno do ideal do ensino espírita, do aprendizado da Doutrina, principalmente no que diz respeito ao Evangelho de Jesus, com a prática da caridade e do amor ao semelhante. Congressos mundiais ou internacionais vêm sendo organizados com essa finalidade, no Brasil e na Europa. 

É um fato histórico, de grande significado.

Se o Espiritismo começou com a curiosidade (causada pela estranheza dos fenômenos) e passou para a fase do raciocínio e da filosofia, é chegado o terceiro momento: da aplicação e das consequências. Já superamos a etapa da fé cega e chegamos ao porto seguro da fé raciocinada, sob as claridades inegáveis de um novo tempo. 

Não basta conhecer o Evangelho; é preciso praticá-lo. 

Não é suficiente ter os exemplos de Jesus na memória; é imprescindível inscrevê-los no coração e segui-Lo, além dos limites do tempo...

BIBLIOGRAFIA:

Kardec, Allan - O Evangelho Segundo o Espiritismo

Xavier, F. C. - Roteiro

QUESTIONÁRIO:

1 - Qual a missão do Espiritismo?

2 - Qual a importância da literatura espírita?

3 - Na sua opinião, como está o Espiritismo na atualidade?