CARACTERÍSTICAS BÁSICAS DO ESPÍRITA: PACIÊNCIA, INDULGENCIA, FÉ, HUMILDADE, DIGNIDADE E CARIDADE.

quinta-feira, 3 de abril de 2025

3ª Aula Parte B – CURSO APRENDIZES DO EVANGELHO 2º ANO – FEESP

Parábola da Figueira Estéril, Parábola dos Trabalhadores da Última Hora, Os Últimos Serão os Primeiros

PARÁBOLA DA FIGUEIRA ESTÉRIL (OU DA FIGUEIRA QUE NÃO DAVA FRUTOS)

“Um homem tinha uma figueira plantada em sua vinha. Veio a ela procurar frutos, mas não encontrou. Então disse ao vinhateiro: ‘Ha três anos que venho buscar frutos nesta figueira e não encontro. Corta-a; por que há de tornar a terra infrutífera?’
Ele, porém, respondeu: ‘Senhor deixa-a ainda este ano para que cave ao redor e coloque adubo. Depois, talvez, dê frutos... Caso contrário, tu a cortarás'.” (Lc 13:6-9).

Quando contou esta parábola, Jesus estava indo para Jerusalém, que, na época, era a sede do poder econômico, político e religioso do povo judeu, e iria ali se confrontar com uma sociedade onde a injustiça era comum, a força militar era dominante e a religião servia para assegurar os privilégios aos sacerdotes e Doutores da Lei.

O dono da propriedade é Deus e a vinha, a Humanidade, de quem o Pai espera pacientemente os frutos.

A figueira estéril pode simbolizar, a princípio, a sociedade que Jesus encontrou em Jerusalém: uma árvore que tinha folhas, mas não dava frutos e nem alimentava o povo faminto.

Ampliando seu simbolismo, a figueira estéril representa todo aquele que é improdutivo; representa as pessoas que aparentam ser boas, mas, na realidade, nada produzem de bom; representa aqueles que têm a possibilidade de serem uteis, mas são inertes na prática do Bem.

Elas não acolhem o ensino moral de Jesus, assim tomam-se infrutíferas, e por serem inúteis poderiam ser “cortadas”. No entanto, ainda assim, o dono da vinha conceder-lhes-á a oportunidade de receberem cuidados e “adubo”, para que tenham a chance de produzir frutos no futuro.

Estes frutos podem ser representados por todo bom emprego das faculdades humanas que tragam beneficio ao semelhante. Entre essas faculdades, destaca-se a mediunidade, que é um instrumento precioso para gerar bons frutos através da caridade.

Nesse sentido, em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, cap. XIX, item 10, Kardec faz um alerta aos médiuns, que, em verdade, serve a todos nós: “Os médiuns são os intérpretes dos Espíritos. (...) Nestes tempos de renovação social, desempenham uma missão especial: São como árvores que devem dispensar o alimento espiritual aos seus irmãos. Por isso, multiplicam-se, de maneira que o alimento seja abundante. (...) Mas se eles desviam de seu fim providencial a faculdade preciosa que lhes foi concedida, se a colocam a serviço de coisas fúteis e prejudiciais, ou dos interesses mundanos; se, em vez de frutos salutares, dão maus frutos; se, recusam-se a torná-la proveitosa para os outros; se nem mesmo para si tiram os proveitos da melhoria própria, então, assemelham-se a figueira estéril”.

Aproveitemos, enquanto é dia, para produzir bons frutos!

PARÁBOLA DOS TRABALHADORES DA ÚLTIMA HORA (OU DOS TRABALHADORES DA VINHA)

“Porque o Reino dos Céus é semelhante ao pai de família que saiu de manhã cedo para contratar trabalhadores para a sua vinha. Depois de combinar com os trabalhadores um denário por dia, mandou-os para a vinha. Tornando a sair pela hora terceira, viu outros que estavam na praça, desocupados, e disse-lhes: ‘Ide também vós para a vinha, e eu vos darei o que for justo' Eles foram. Tornando a sair pela hora sexta e pela hora nona, fez a mesma coisa. Saindo pela hora undécima, encontrou outros que lá estavam e disse-lhes: ‘Por que ficais ai o dia inteiro sem trabalhar?’ Responderam: ‘Porque ninguém nos contratou ’. Disse-lhes: Ide, também vós, para a vinha. Chegada a tarde, disse o dono da vinha ao seu administrador.' ‘Chama os trabalhadores e paga-lhes o salário começando pelos últimos até os primeiros’. Vindo os da hora undécima, receberam um denário cada um. E vindo os primeiros, pensaram que receberiam mais, mas receberam um denário cada um também eles. Ao receber murmuravam contra o pai de família, dizendo.' ‘Estes últimos fizeram uma hora só e tu os igualaste a nós, que suportamos o peso do dia e o calor do sol'. Ele, então, disse a um deles: Amigo, não fui injusto contigo. Não combinamos um denário? Toma o que é teu e vai. Eu quero dar a este ultimo o mesmo que a ti. Não tenho o direito de fazer o que quero com o que é meu? Ou estás com ciúme porque sou bom? Eis como os últimos serão primeiros, e os primeiros serão últimos.” (Mt 20:1-16).

Nesta parábola, Jesus estará incentivando a injustiça, a discórdia e valorizando a inação? Não seria injustiça pagar o mesmo salário, tanto aos que trabalharam doze horas, como aos que trabalharam nove, seis, três ou uma hora?

Transportando esta parábola para o campo da espiritualidade, teremos: a vinha é um campo de trabalho; o proprietário é Deus, o Pai Criador; os trabalhadores somos nós, a Humanidade, que, nas mais variadas horas de nossa existência, somos convidados ao cultivo das virtudes e a cuidar com dedicação do que nos cabe realizar.

Esta é uma parábola que por seu rico simbolismo traz-nos diversos ensinamentos. Encontramos, assim, na bibliografia espírita, mais de uma forma de interpretá-la.

Atendo-nos ao “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, no cap. XX, encontraremos duas interpretações. Vejamos: “O trabalhador da ultima hora tem direito ao salário. Mas, para isso, é necessário que se tenha conservado com boa vontade à disposição do Senhor que o devia empregar; e que o atraso não seja fruto da sua preguiça ou da sua má vontade.”

Como vemos nesta passagem, é ressaltada a condição de disponibilidade, de boa vontade para o trabalho. Refletindo sobre as oportunidades de trabalho que chegam a todos os Homens, notaremos que são muitas as pessoas que desperdiçam inúmeras ocasiões de realizar suas tarefas.

Grande desperdício, repetimos, porque, como nos ensina Doutrina Espírita, a Lei do Trabalho é uma das Leis de Deus. Pelo trabalho alcançamos o progresso intelectual e moral.

O ponto essencial é, repisamos, estarmos disponíveis e de boa vontade, e então a oportunidade aparece, pois, quando nos dispomos a servir, seremos auxiliados pela Espiritualidade Superior a realizar a tarefa que nos compete.

Portanto, não importa qual é a hora que o chamado é feito, mas, sim, a prontidão em atendê-lo. Nesse caso, mereceremos o salário integralmente.

No mesmo capitulo de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, no item 3, encontramos outra instrução acerca desta parábola: “Últimos a chegar os Espíritas aproveitam o trabalho intelectual dos seus antecessores, porque o homem deve herdar do homem, e porque os trabalhos e seus resultados são coletivos: Deus abençoa a solidariedade.”

Segundo a Lei de Progresso, que também é uma Lei Divina, a Humanidade avança, passo a passo, sempre adiante. E, figuradamente falando, como se fosse à construção de um grande edifício que vai se elevando as alturas.

Em relação ao avanço do progresso intelectual é surpreendente o estado a que chegamos em tão pouco tempo. Os avanços científicos e tecnológicos são admiráveis.

Especialmente em relação à condição moral, vemos também que a Humanidade dia a dia vai se aprimorando, e costumes bárbaros, que outrora eram comuns, vão sendo deixados de lado, e vão sendo substituídos por outros mais moderados, elevados.

Os homens, hoje, estão mais receptivos para o conhecimento espiritual. Existe, compilado, um verdadeiro acervo de obras que tratam das verdades espirituais. Mas, lembremos, nem sempre foi assim.

Na antiguidade, era grande a dificuldade para obter esses ensinamentos: os livros eram raros, os professores escassos, o analfabetismo era regra, e o conhecimento superior era fechado, pertencia a alguns iniciados.

Embora existissem essas dificuldades apontadas, sempre existiram os trabalhadores da seara do Mestre.

Mas, os trabalhadores daquela primeira hora precisavam de muito esforço, muitas horas de trabalho, para a propagação das verdades espirituais e, assim, obter o seu salário.

Hoje, os trabalhadores da ultima hora - os Espíritas - recebem, como “herança”, todo o resultado desse trabalho, mas tem o compromisso de levar adiante esse processo, de continuar construindo para que, também, deixem um legado as futuras gerações, sendo assim colaboradores diretos de Jesus nesta fase de transição planetária para um Mundo de Regeneração.

No item 5, do mesmo capítulo já citado, há uma mensagem do Espírito de Verdade, incentivando-nos ao trabalho: “Chegastes no tempo em que se cumprirão as profecias referentes a transformação da Humanidade. Felizes serão os que tiverem trabalhado o campo do Senhor com desinteresse, e movidos apenas pela caridade! Suas jornadas de trabalho serão pagas ao cêntuplo do que tenham esperado. Felizes serão os que houverem dito a seus irmãos: ‘Trabalhemos juntos, e unamos nossos esforços, a fim de que o Senhor; na sua vinda, encontre a obra acabada...”

OS ÚLTIMOS SERÃO OS PRIMEIROS

Em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. XX, item 2 o Espírito Constantino faz uma reflexão sobre as diferentes posturas que um trabalhador poderia adotar.

Em primeiro, há aquele que, com disposição, espera apenas ser chamado para aceitar imediatamente a tarefa. O segundo é preguiçoso e não quer trabalho, mas aceita o salário. E há um terceiro que, além de não se interessar por trabalho algum, usa o seu tempo para fazer o mal, esperando ainda assim ser empregado, propositalmente ao final do dia; a este o Senhor lhe diria: “Não tenho agora nenhum trabalho para ti. Desperdiçaste o teu tempo, esqueceste o que havias aprendido, não sabes mais trabalhar na minha vinha. Cuida, pois, de aprender de novo, e quando te sentires mais bem disposto, vem procurar-me e te franquearei as minhas terras, onde poderás trabalhar a qualquer hora do dia.”

“Aprender de novo” é refazer o caminho, pois em cada nova existência o Espírito retoma com novas oportunidades para fazer a tarefa não cumprida.

Na mesma mensagem, Constantino aconselha os espíritas: “Bons espíritas, meus bem-amados, todos vós sois trabalhadores da última hora. (...) Todos viestes quando chamados, uns mais cedo, outros mais tarde, para a encarnação cujos grilhões carregais. Mas há quantos e quantos séculos o Senhor vos chamava para a sua vinha, sem que aceitásseis o convite? Eis chegado, agora, o momento de receber o salário. Empregai bem esta hora que vos resta. Não vos esqueçais de que a vossa existência por mais longa que vos pareça, não é mais do que um momento muito breve, na imensidade dos tempos que constituem para vos a eternidade”.

Os Espíritos possuem relativa liberdade para decidirem seus rumos. Não há, ensina-nos a Doutrina Espírita, determinismo absoluto, pois podemos exercer o livre arbítrio e optarmos pelo caminho que nos agrade.

Assim, segundo suas opções, os Espíritos avançam mais ou menos. Muitos, por livre escolha, permanecem, então, estacionários por anos infindáveis, por vários séculos.

Poderá haver, no entanto, um momento em que aquele que desperdiçou quase todo o seu tempo procurará trabalho e não o encontrará. Isso lhe servira de lição para que aprenda a valorizar as horas. Necessitará, então, de uma nova encarnação para que “aprenda de novo”.

Esse panorama, qual seja: de haver a possibilidade de avançar mais rápido segundo nossas decisões, é, para nós, um estimulo para aproveitamos as horas para o trabalho dignificante.

Há, ainda, um outro aspecto para se interpretar esse ensinamento. O Espírito Henri Heine, no item 3 do mesmo capítulo, diz que os trabalhadores da primeira hora são os profetas, Moisés e tantos outros Espíritos que reencarnaram ao longo dos séculos, auxiliando o progresso espiritual da Humanidade, nas mais diversas atividades terrenas.

Os espíritas, nessa interpretação, são os últimos a chegar, usufruindo do resultado do trabalho dos que vieram antes, e então: “... já não trabalham mais nos fundamentos, mas na cúpula do edifício. Seu salário será, portanto, proporcional ao mérito da obra“.

Essa orientação encerra-se assim: “Este é um dos verdadeiros sentidos desta parábola, que encerra, como todas as que Jesus dirigiu ao povo, as linhas do futuro, e também, através de suas formas e imagens, a revelação dessa magnífica unidade que harmoniza todas as coisas no universo, dessa solidariedade que liga todos os seres atuais ao passado e ao futuro”.

QUESTÃO REFLEXIVA:

Como podemos contribuir na seara do Mestre, como “trabalhadores da última hora”?

Bibliografia:
- A Bíblia de Jerusalém.
- Kardec, Allan - O Evangelho Segundo o Espiritismo - Ed. FEESP
- Kardec, Allan - A Gênese - Ed. FEESP
- Godoy, Paulo Alves - As Maravilhosas Parábolas de Jesus - Ed. FEESP
- Almeida, José de Sousa e - As Parábolas - Ed. FEESP
- Schutel, Cairbar - Parábolas e Ensinos de Jesus.

A imagem acima é meramente ilustrativa. Fonte: Internet Google.
 

terça-feira, 1 de abril de 2025

3ª Aula Parte A – CURSO APRENDIZES DO EVANGELHO 2º ANO – FEESP

Parábolas e Ensinamentos de Jesus Sobre a Valorização Do Trabalho

Parábola dos Talentos, Parábola dos Vinhateiros Homicidas, Reconhece-se o Cristão pelas Suas Obras

PARÁBOLA DOS TALENTOS

“Pois será como um homem que, viajando para o estrangeiro, chamou seus servos e entregou-lhes seus bens. A um deu cinco talentos, a outro dois, a outro um. A cada um de acordo com sua capacidade. E partiu. Imediatamente, o que recebera cinco talentos saiu a trabalhar com eles e ganhou outros cinco. Da mesma maneira, o que recebera dois ganhou outros dois. Mas aquele que recebera um só, tomou-o e foi abrir uma cova no chão. E enterrou o dinheiro do seu senhor. Depois de muito tempo, o senhor daqueles servos voltou e pôs-se a ajustar contas com eles. Chegando aquele que recebera cinco talentos, entregou-lhe outros cinco, dizendo: ‘Senhor tu me confiaste cinco talentos. Aqui estão outros cinco que ganhei!’ Disse-lhe o senhor: ‘Muito bem, servo bom e fiel sobre o pouco foste fiel, sobre o muito te colocarei. Vem alegrar-te com o teu senhor!’ Chegando também o dos dois talentos, disse: ‘Senhor tu me confiaste dois talentos. Aqui estão outros dois talentos que ganhei!’. Disse-lhe o senhor: ‘Muito bem, servo bom e fiel! Sobre o pouco foste fiel, sobre o muito te colocarei. Vem alegrar-te com o teu senhor! 'Por fim, chegando o que recebera um talento, disse: ‘Senhor eu sabia que és homem severo, que colhes onde não semeaste e ajuntas onde não espalhaste. Assim, amedrontado, fui enterrar o teu talento no chão. Aqui tens o que é teu’. A isso respondeu-lhe o senhor: ‘Servo mau e preguiçoso, sabias que colho onde não semeei e que ajunto onde não espalhei? Pois então devias ter depositado o meu dinheiro com os banqueiros e, ao voltar receberia com juros o que é meu. Tirai-lhe o talento que tem e dai-o aquele que tem dez, porque a todo aquele que tem será dado e terá em abundância, mas daquele que não tem, até o que tem lhe será tirado. Quanto ao servo inútil, lançai-o fora, nas trevas. Ali haverá choro e ranger de dentes!’.” (Mt 25: 14-30).

Esta parábola mostra-nos o trabalho que deve ser exercido pelo Homem para que os bens que estão sob sua guarda frutifiquem.

“Talento” era uma moeda de prata da época de Jesus e ele utilizou seu simbolismo para representar os valores morais. Os “talentos” são, portanto, todos os recursos que recebemos para serem empregados na transformação de nós mesmos e na prática contínua da fraternidade.

Nesta parábola, encontramos a figura do homem que viaja o senhor (Deus) e três servos (a Humanidade), que recebem uma incumbência importante, segundo a capacidade de cada um, que era a de cuidar e multiplicar os talentos que seu senhor deixou em suas mãos.

Os dois primeiros Servos sabiam o que o senhor esperava deles e foram previdentes, executando com presteza sua tarefa e foram recompensados por isso: “Sobre o pouco foste fiel, sobre o muito te colocarei. Vem alegrar-te com o teu senhor”; mas o terceiro servo, por preguiça, omissão, avareza ou ignorância, nada fez para multiplicar o valor que lhe foi confiado e sofreu as amargas consequências de sua negligência.

Quando reencarnamos, podemos vivenciar extremos opostos: riqueza e pobreza, inteligência ou ausência do conhecimento, etc. Cada uma dessas experiências são oportunidades de crescimento.

Assim, cada um de nós, ao reencarnar, recebe inúmeros “talentos”, podendo ser materiais, como a riqueza, a saúde, a beleza, a posição social; ou espirituais, como a inteligência, a mediunidade, etc.

Pelo livre arbítrio, podemos, entretanto, usá-los de acordo com a nossa vontade, aplicando para o bem ou para o mal. Mas a consequência do emprego que dermos a esses bens, determinara nosso estado futuro.

Quando não empregamos esses recursos ou potencialidades em benefício de nosso semelhante é como que se os enterrássemos.

Dons preciosos que poderiam vir a beneficiar a muitos, mas ficam, neste caso, “embaixo da terra”.

O resultado futuro está contido na parábola: “Tirai-lhe o talento... Quanto ao servo inútil, lançai-o fora, nas trevas. Ali haverá choro e ranger de dentes!”

O ensinamento não podia ser mais claro. Segundo nossas decisões, se não multiplicarmos nossos talentos, eles nos serão tomados... E, como ensina-nos a Doutrina Espírita, sentiremos todas as aflições daqueles que “perderam o seu dia”, ou seja, desperdiçaram a sua existência.

Vale, por fim, lembrar que a “Parábola das Dez Minas”, relatada em Lucas (19:11-27), pode ser interpretada do mesmo modo que esta.

PARÁBOLA DOS VINHATEIROS HOMICIDAS (OU DOS LAVRADORES MAUS)

“Havia um proprietário que plantou uma vinha, cercou-a com uma sebe, abriu nela um lagar e construiu uma torre, Depois disso, arrendou-a a vinhateiros e partiu para o estrangeiro. Chegada á época da colheita, enviou seus servos aos vinhateiros, para receberem os seus frutos. Os vinhateiros, porém, agarraram os servos, espancaram um, mataram outro e apedrejaram o terceiro. Enviou de novo outros servos, em maior número do que os primeiros, mas eles os trataram da mesma forma. Por fim, enviou-lhes o seu filho, imaginando: ‘Respeitarão meu filho’. Os vinhateiros, porém, vendo o filho, confabularam: ‘Este é o herdeiro: vamos! matemo-lo e apoderemo-nos da sua herança ’. Agarrando-o, lançaram-no para fora da vinha e o mataram. Pois bem, quando vier o dono da vinha, que fará com estes vinhateiros?’ Responderam-lhe: ‘Certamente destruirá de maneira horrível esses infames e arrendará a vinha a outros vinhateiros, que lhe entregarão os frutos no tempo devido ’. Disse-lhes então Jesus.' ’Nunca lestes nas Escrituras: ‘A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular; pelo Senhor foi feito isso e é maravilha aos nossos olhos?’

Por isso vos afirmo que o Reino de Deus vos será tirado e confiado a um povo que o fará produzir seus frutos. Aquele que cair sobre esta pedra ficará em pedaços, e aquele sobre quem ela cair ficara esmagado. “Os chefes dos sacerdotes e os fariseus, ouvindo estas parábolas, perceberam que Jesus se referia a eles.” (Mt 21:33-45).

A vinha desta parábola foi bem descrita por Jesus. Seu dono não se limitou a plantá-la, mas a cercou, colocou ali um lagar (local usado para a fabricação do vinho), que simboliza os meios de purificação espiritual acessíveis aos homens, e ainda construiu uma torre, onde ficavam guardas para protegê-la. Era uma propriedade muito bem equipada, completa.

Deus é o proprietário desta vinha (a fazenda equipada), que significa todos os bens que Ele oferece aos homens (os lavradores arrendatários), para fazê-la produzir, dando a eles os meios (o conhecimento de Sua Lei) de vigiarem e protegerem a propriedade.

Esses vinhateiros simbolizam aqueles que têm como tarefa ensinar e praticar essa Lei: são os sacerdotes e condutores das inúmeras religiões antigas ou atuais. Os frutos são as ações praticadas durante o arrendamento.

Os primeiros servos, feridos, apedrejados e mortos representam os profetas da Antiguidade como Moises, Daniel, Elias e muitos outros; os outros servos, que vieram depois e eram em maior número, são os que vieram na época de Jesus e que sofreram e foram exterminados por seguirem os ensinamentos do Mestre.

E o filho do dono da vinha é o próprio Jesus! Os sacerdotes e os fariseus compreenderam que Jesus falava deles, pois sabiam que seu comportamento perante a Lei era hipócrita; cultivavam as práticas exteriores e as cerimônias faustosas, e sob um aspecto de severidade moral, tinham uma vida desregrada.

O povo judeu havia sido escolhido e preparado para receber o Messias, por serem monoteístas. E o Mestre avisou-os que o Reino de Deus, que eles não haviam respeitado e compreendido, seria, por isso, entregue a outro povo para que produzisse frutos; a palavra de Deus foi então pregada a outros povos.

Através dos tempos, muitos tiveram a oportunidade de propagar a mensagem de Jesus, ajudando a fazer germinar o Reino dos Céus nos corações humanos; mas não são poucos os que se perderam no orgulho, na vaidade, no apego as ilusões terrenas e não vivenciaram a moral do Evangelho.

O Espiritismo veio então, a seu tempo, recordar e reviver os ensinamentos de Jesus, reascendendo o desejo de cultivar o sentimento de igualdade entre irmãos e a fraternidade entre os povos.

RECONHECE-SE O CRISTÃO PELAS SUAS OBRAS

“Nem todo aquele que me diz ‘Senhor; Senhor ’ entrará no Reino dos Céus, mas sim aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos Céus.” (Mt 7:21).

Esta passagem ressalta a essência do verdadeiro Cristianismo, que implica em constante disposição para o aprendizado e também em ação constante para empregar em nossa vida todos esses ensinamentos preciosos que nos foram deixados por Jesus.

Assim, de nada adiantaria, apenas, dizer-se cristão; de nada adiantaria frequentar todos os eventos religiosos se não houvesse renovação, de nada adiantaria esses atos exteriores se a mensagem do Cristo não nos transformasse profundamente, fazendo-nos enxergar novas possibilidades, novas perspectivas de vida, todas elas baseadas nos preceitos ensinados pelo Mestre. Ensinamentos esses que nos conduzem as ações virtuosas, aos atos de compreensão e generosidade.

Os verdadeiros cristãos são, dessa forma, reconhecidos por suas obras. Como nas seguintes frases pronunciadas por Jesus:

“Pelo fruto reconhece-se a árvore”, e ainda: “Toda árvore que não der bons frutos será cortada e lançada ao fogo.” Eis as palavras do Mestre!

Mas, a História mostra-nos o que muitos homens fizeram com o Cristianismo, desvirtuando a mensagem de Jesus, adequando-a a seus interesses, monopolizando o conhecimento, distorcendo a verdade e corrompendo muitas mentes.

Esta mensagem convida-nos para cultivarmos a árvore da vida, da forma que o Cristo deixou-nos, cuidando dela com amor, e assim ela florescerá.

Nas grandes lições de Jesus, veremos que em todas elas haverá sempre uma ação positiva que somos convocados a empreender. Fazer o bem, a propósito, não é apenas não fazer o mal, mas é agir positivamente: “A fé sem obras é morta”.

Jesus, por isso, não apenas ensinava verbalmente, mas agia sempre com virtude, com generosidade, com a máxima caridade, demonstrando, em todos os momentos, a aplicação da Lei Maior.

É isso que confere a mais absoluta credibilidade as lições do Mestre, pois não houve uma virtude sequer que ele tenha ensinado e não exemplificado. Todas elas foram demonstradas. Ser cristão é bem mais do que ter apenas a crença em Deus, mas é buscar, constantemente, fazer com que essa crença impulsione-nos a grandes passos, a grandes atos de amor, de benevolência, de caridade...

Ser cristão é praticar o bem e se esforçar para propagar a mensagem do Cristo por todos os lugares em que estivermos.

Em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. XVIII, item 16, o Espírito Simeão afirma: “Procurai os verdadeiros cristãos e os reconhecereis pelas suas obras”.

E nos ensina: “Quais os frutos que a árvore do Cristianismo deve dar; árvore possante, cujos ramos frondosos cobrem com a sua sombra uma parte do mundo, mas ainda não abrigaram a todos os que devem reunir-se em seu redor? Os frutos da árvore da vida são frutos de vida, de esperança e de fé”.

“(...) Abri, pois, vossos ouvidos e vossos corações, meus bem- amados! Cultivai esta árvore da vida, cujos frutos proporcionam a vida eterna. (...) Ide, pois, procurar os necessitados; conduzi-os sob as ramagens da árvore e partilhai com eles o abrigo que ela vos oferece. (...) Meus irmãos, afastai-vos, pois, dos que vos chamam para apontar os tropeços do caminho, e segui as que vos conduzem a sombra da árvore da vida."

QUESTÃO REFLEXIVA:

Na vida diária, como você está administrando os “Talentos” que recebeu?

A imagem acima é meramente ilustrativa. Fonte: Internet Google.