CARACTERÍSTICAS BÁSICAS DO ESPÍRITA: PACIÊNCIA, INDULGENCIA, FÉ, HUMILDADE, DIGNIDADE E CARIDADE.

quinta-feira, 27 de março de 2025

2ª Aula Parte B – CURSO APRENDIZES DO EVANGELHO 2º ANO – FEESP

Parábola do Rico e Lázaro, O Moço Rico e o Perigo das Riquezas, Recompensa Prometida ao Desprendimento.

PARÁBOLA DO RICO E LAZARO (OU DO MAU RICO)

“Havia um homem rico que se vestia de púrpura e linho fino e cada dia se banqueteava com requinte. Um pobre, chamado Lázaro, jazia a sua porta, coberto de úlceras. Desejava saciar-se do que caía da mesa do rico... E até os cães vinham lamber-lhe as úlceras. Aconteceu que o pobre morreu e foi levado pelos anjos ao seio de Abraão. Morreu também o rico e foi sepultado.“

“Na mansão dos mortos, em meio a tormentos, levantou os olhos e viu ao longe Abraão e Lázaro em seu seio. Então, exclamou: ‘Pai Abraão, tem piedade de mim e manda que Lázaro molhe a ponta do dedo para me refrescar a língua, pois estou atormentado nesta chama. Abraão respondeu: ‘Filho, lembra-te de que recebeste teus bens durante tua vida, e Lázaro por sua vez os males; agora, porém, ele encontra aqui consolo e tu és atormentado. E além do mais, entre nós e vós existe um grande abismo, a fim de que aqueles que quiserem passar daqui para junto de vós não o possam; nem tampouco atravessem de lá até nos’.”

“Ele replicou: ‘Pai, eu te suplico, envia então Lázaro até a casa de meu pai, pois tenho cinco irmãos; que leve a eles seu testemunho, para que não venham eles também para este lugar de tormento’. Abraão, porém, respondeu: ‘Eles têm Moisés e os Profetas; ouçam-nos’. Disse ele: ‘Não, Pai Abraão, mas se alguém dentre os mortos for procurá-los, eles se arrependerão’. Mas Abraão lhe disse: ‘Se não escutam nem a Moisés nem aos Profetas, mesmo que alguém ressuscite dos mortos, não se convencerão. ’.” (Le 16:19-31).

Esta parábola chama a atenção para a nossa condição espiritual quando não utilizamos corretamente os bens que recebemos para administrar durante a nossa existência.

Em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, cap. XVI, item 7, diz Kardec: “A riqueza é, sem dúvida, uma prova mais arriscada, mais perigosa que a miséria, em virtude das excitações e das tentações que oferece, da fascinação que exerce. É o supremo excitante do orgulho, do egoísmo e da vida sensual. (...) Mas, por tornar o caminho mais difícil, não se segue que o torne inviável, e não possa vir a ser um meio de salvação nas mãos do que a sabe utilizar como certos venenos que restabelecem a saúde, quando empregados a propósito e com discernimento.”

Os dois personagens centrais da parábola representam a Humanidade em suas diferentes atitudes perante a vida e as situações de provações.

O rico representa as pessoas que se extasiam diante das possibilidades materiais, no comer, beber, vestir-se com apuro e luxo, no poder que o dinheiro proporciona, no deslumbramento das posições sociais de destaque.

Essas pessoas vivem voltadas para si mesmas, fechadas no egoísmo, insensíveis a miséria e ao sofrimento alheio. Fecham os olhos a qualquer chamado para a vida espiritual; embora materialmente ricas, são pobres em virtudes.

Lázaro personifica os excluídos, os necessitados, os abandonados, mas que, mesmo assim, não se deixam levar pela revolta, permanecem resignados, mantendo a esperança de uma vida melhor. São ricos em virtudes.

Assim, Lázaro foi para “o seio de Abraão”. Abraão foi o Patriarca dos Hebreus, personagem extremamente respeitado por todo o povo. Ir para o “seio de Abraão”, nesta parábola, significa o melhor lugar que alguém poderia desejar e alcançar depois da morte. Lázaro merecera-o, pois mesmo numa vida com tantos sofrimentos e privações, conseguiu superá-los com resignação e humildade.

Outro aspecto desta parábola que nos chama a atenção é o apelo do rico para que Abraão enviasse a seus irmãos um dos “mortos” para que lhes falasse sobre a aflição destinada aos sovinas, ou seja, falasse-lhes sobre o destino daqueles que agiam com avareza.

A resposta não podia ser mais apropriada: “Se não escutam nem a Moisés nem aos Profetas, mesmo que alguém ressuscite dos mortos, não se convencerão”.

Temos nestas palavras uma grande verdade contida. Focando, como no caso, especialmente em relação às Escrituras judaicas vemos que o povo judeu possuía um verdadeiro acervo de verdades espirituais, deixadas por Moisés e os demais profetas, que já advertiram acerca da vida futura e da responsabilidade que temos em relação a ela. Isso, no entanto, como mostra a história, não foi suficiente para transformar a maioria dos que, pelo menos em teoria, veneravam seus profetas.

Jesus, apesar de todos os seus ensinamentos e exemplificações, não foi pela maioria daquele povo, ouvido, e muito menos, aceito como o Messias esperado. Dariam eles, então, ouvidos aos “mortos”‘? Esta lição é valiosa! Meditemos sobre este ensinamento.

O MOÇO RICO E O PERIGO DAS RIQUEZAS

“Ai alguém se aproximou dele e disse: ‘Mestre, que farei de bom para ter a vida eterna?’ Respondeu:  ‘Por que me pergunta sobre o que é bom? O Bom é um só. Mas se queres entrar para a vida, guarda os mandamentos’. Ele perguntou-lhe: 'Quais?' Jesus respondeu. Estes: Não matarás, não adulterarás, não roubarás, não levantarás falso testemunho; honra teu pai e tua mãe e amarás ao próximo como a ti mesmo’. Disse-lhe então o moço: ‘Tudo isso tenho guardado. Que me falta ainda?’. Jesus lhe respondeu: ‘Se queres ser perfeito, vai, vende o que possuis e dá aos pobres, e terás um tesouro nos céus. Depois, vem e segue-me’. O moço ouvindo essa palavra, saiu pesaroso, pois era possuidor de muitos bens.” (Mt 19:16-22).

Recordando a atitude de Zaqueu, vemos que o moço rico agiu de forma oposta: o jovem, cumpridor da Lei de Deus e de seus deveres na sociedade, não foi capaz de se desapegar dos seus bens materiais; enquanto Zaqueu, quando conheceu Jesus e seus ensinamentos, percebeu que os valores espirituais eram imensamente maiores do que os terrenos, e se dispôs, de imediato, a se despojar de grande parte de sua fortuna em benefício dos necessitados e daqueles que ele havia lesado.

O apego aos bens materiais é um dos mais fortes vínculos que nos acorrentam e atrasam nosso despertamento e desenvolvimento moral. É plenamente compreensível que o Homem fique feliz por ter uma boa situação financeira, conquistada através do trabalho honesto; mas a riqueza é uma prova difícil, pela sedução a que conduz.

Em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, cap. XVI, item 14, o Espírito Lacordaire ensina: “É em vão que procurais iludir-vos na vida terrena, colorindo com o nome de virtude o que frequentemente é apenas egoísmo. É em vão que chamais economia e previdência aquilo que é simples cupidez e avareza, ou generosidade o que não passa de prodigalidade a vosso proveito”.

Quando Jesus diz ao moço rico: “Se queres ser perfeito, vai, vende o que possuis e dá aos pobres, e terás um tesouro nos céus“, ele não está sugerindo que nos despojemos de tudo o que temos e que devamos viver miseravelmente ou a custa da caridade alheia, atitude que nos transformaria em irresponsáveis perante nossos deveres para com a sociedade em que vivemos, mas, apenas, que estejamos atentos para que não nos tomemos escravos dos nossos bens materiais.

Lacordaire; na mesma mensagem, explica o que é desapego: “O desapego dos bens terrenos consiste em considerar a fortuna no seu justo valor; em saber servir-se dela para os outros e não apenas para si mesmo, a não sacrificar por ela os interesses da vida futura, em perdê-la sem reclamar se aprouver a Deus retirá-la”.

RECOMPENSA PROMETIDA AO DESPRENDIMENTO

“Pedro, tomando então a palavra, disse: ‘Eis que negamos tudo e te seguimos. Que receberemos?’ Disse-lhe Jesus: Em verdade eu vos digo a vós que me seguistes: quando as coisas forem renovadas, e o Filho do Homem se assentar no seu trono de glória, vos assentareis, vós também, em doze tronos para julgar às doze tribos de Israel. E quem quer que tiver deixado casas, irmãos, irmãs, pai, mãe, filhos, ou terras por causa do meu nome, receberá muito mais; e terá em herança a vida eterna Muitos dos primeiros serão os últimos e muitos dos últimos, primeiros”. (Mt 19:27-30).

Os discípulos haviam deixado tudo para seguir Jesus e se questionavam qual seria então a sua recompensa, que, tesouro seria esse que Jesus prometera ao moço rico caso se decidisse a fazer o mesmo.

Quando analisamos algumas afirmações de Jesus, podemos, num primeiro momento, achar que há alguma contradição. Neste trecho, por exemplo, o Mestre afirma que: “E quem quer que tiver deixado casas, irmãos, irmãs, pai mãe, filhos, ou terras por causa do meu nome, receberá muito mais...”

Logo, pode surgir a indagação: Devemos então abandonar nossa família? Em primeiro lugar, como afirma constantemente Kardec, os ensinamentos de Jesus compõem um todo harmônico, onde não há, pois, contradições, mas, sim, uma perfeita harmonia. Há, pois, que se encontrar o significado contido no ensinamento.

Em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, cap. XXIII, item 6, Kardec mesmo nos questiona? “Não temos, aliás, sob os olhos, a aplicação dessas máximas nos sacrifícios dos interesses e das afeições da família pela pátria? Condena-se um filho que deixa o pai, a mãe, os irmãos, a mulher e os próprios filhos, para marchar em defesa de seu país? Não lhe reconhecemos, pelo contrário, o mérito de deixar as doçuras do lar e o calor das amizades para cumprir um dever? Há, pois, deveres que sobrepõe a outros.”

Vemos, pois, que esse chamamento do Mestre não é para simplesmente deixar a família, mas, para seguir em missão para beneficiar toda uma coletividade. E, não se pode negar um ato único, quando o individuo, imbuído de valores maiores, renuncia ao conforto, as comodidades, ao aconchego da família e dos amigos, por um causa muito maior.

A lição do Mestre é preciosa. Representa o mais puro amor, pois se dirige não a algumas pessoas, mas a todos os semelhantes. No mesmo item acima citado de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Kardec sintetiza: “Os interesses da vida futura estão acima de todos os interesses e todas as considerações de ordem humana, porque isto concorda com a essência da doutrina de Jesus...”

Sejamos nós capazes de exercitar tamanho amor!

QUESTÃO REFLEXIVA:

Comente a atitude de Zaqueu ao encontrar Jesus e se dispor a doar parte de sua riqueza.

Bibliografia:
- A Bíblia de Jerusalém.
- Kardec, Allan - O Livro dos Espíritos - Ed. FEESP.
3ª Aula - Parábolas e Ensinamentos de Jesus Sobre a Valorização Do Trabalho 15
- Kardec, Allan - O Evangelho Segundo o Espiritismo - Ed. FEESP
- Almeida, José de Sousa - As Parábolas - Ed. F EESP.
- Calligaris, Rodolfo - Parábolas Evangélicas a Luz do Espiritismo.
- Schutel, Cairbar - Parábolas e Ensinos de Jesus.
- Cerqueira Filho, Alírio de - Parábolas Terapêuticas.
- Pires, J. Herculano - Na Hora do Testemunho.

A imagem acima é meramente ilustrativa. Fonte: Internet Google.
 

terça-feira, 25 de março de 2025

2ª Aula Parte A – CURSO APRENDIZES DO EVANGELHO 2º ANO – FEESP

Parábolas e Ensinamentos de Jesus Sobre o Desapego às Riquezas Terrenas

Parábola do Rico Insensato, Parábola do Administrador Infiel, Zaqueu, o Publicano

PARÁBOLA DO RICO INSENSATO (OU DO AVARENTO)

“A terra de um rico produziu muito. Ele, então, refletia: ‘Que hei de fazer? Não tenho onde guardar minha colheita. Depois pensou: ‘Eis o que farei: demolirei meus celeiros, construirei maiores, e lá recolherei todo o meu trigo e os meus bens. E direi a minha alma: Minha alma, tens uma quantidade de bens em reserva para muitos anos; repousa, come, bebe, regala-te’. Mas Deus lhe disse: ‘Insensato, nesta mesma noite ser-te-á reclamada a alma. E as coisas que acumulaste, de quem serão?’ Assim acontece àquele que ajunta tesouros para si mesmo, e não é rico para Deus.” (Lc 12:16-21).

Esta parábola foi narrada por Jesus quando lhe foi pedido para interferir na divisão de uma herança entre irmãos (Lc 12: 13-15) e o Mestre respondeu: “Homem, quem me estabeleceu juiz ou árbitro da vossa partilha?”, ou seja, que não competia a ele esse julgamento.

Aproveitou, então, a oportunidade para nos alertar dos perigos que nos oferece qualquer tipo de ganância ou avareza, e a inutilidade desse comportamento, mostrando claramente a transitoriedade dos bens materiais.

Em “O Livro dos Espíritos”, cap. V, “Lei de Conservação”, Kardec questiona os Espíritos a respeito do que é realmente necessário e do que é supérfluo para o homem:

P. 716: “A Natureza não traçou o limite do necessário em nossa própria organização?”

R. “Sim, mas o homem é insaciável. A Natureza lhe traçou o limite de suas necessidades na sua organização, mas os vícios lhes alteraram a constituição e criaram para ele necessidades artificiais”.

P. 717: “Que pensar dos que açambarcam os bens da terra para se proporcionar o supérfluo, em prejuízo dos que não tem sequer o necessário?”

R: “Desconhecem a lei de Deus e terão de responder pelas privações que ocasionarem”.

O rico da parábola simboliza a pessoa que cuida apenas de acumular bens materiais, conseguir fama e poder, nunca estando disposto a dividir o que julga ser seu por direito. As aflições daqueles que lhe estão próximos ou que dele dependem não o sensibiliza nem o preocupa. Para uma pessoa assim estão em segundo plano às necessidades do próximo.

A riqueza bem aplicada é um “talento” (um valor, um bem recebido), que se toma um caminho efetivo para a evolução do Espírito humano rumo à perfectibilidade.

A riqueza mal aplicada corresponde a enterrar o “talento” e se toma uma rota arriscada que conduz o Ser ao sofrimento e a dolorosas reparações, podendo prolongar-se por varias encarnações.

É através das vidas sucessivas que os Espíritos experimentam a riqueza e a pobreza, a beleza e a imperfeição física, a intelectualidade e a falta de cultura, para aprenderem a utilizar “seus talentos” em cada uma das situações vividas.

A posse das coisas do mundo é pura ilusão; nós as perdemos facilmente para a doença, para o ladrão, para a morte, para as catástrofes naturais. Por isso, é fundamental movimentar os “talentos” recebidos e através dos bens da Terra, enriquecer o Espírito, pela prática constante da caridade e amor ao próximo, e pelo esforço em nos libertarmos daquilo que nos algema as coisas materiais: a ganância, a avareza, o apego inútil ao que é transitório.

Em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, cap. XVI, item 9, o Espírito Pascal , numa de suas comunicações, diz: “O homem não possui de seu, senão aquilo que pode levar deste mundo. O que ele encontra ao chegar e o que deixa ao partir goza durante sua permanência na terra; mas, desde que é forçado a deixá-los, é claro que só tem o usufruto, e não a posse real. O que é, então, que ele possui? Nada do que se destina ao uso do corpo, e tudo o que se refere ao uso da alma: a inteligência, os conhecimentos, as qualidades morais. Eis o que ele traz e leva consigo, o que ninguém tem o poder de tirar-lhe, e o que ainda mais lhe servirá no outro mundo do que neste.”

E ainda no mesmo capítulo, item 11, o Espírito Cheverus discorre, em sua mensagem, a respeito do melhor emprego da fortuna: “Procurai nestas palavras: ‘Amai-vos uns aos outros’, a solução desse problema, pois nelas está o segredo da boa aplicação das riquezas. O que ama o seu próximo já tem a sua conduta inteiramente traçada, pois a aplicação que agrada a Deus é a da caridade”.

PARÁBOLA DO ADMINISTRADOR INFIEL

“Um homem rico tinha um administrador que foi denunciado por dissipar os seus bens. Mandou chamá-lo e disse-lhe: 'Que é isso que ouço dizer de ti? Presta contas da tua administração, pois já não podes ser administrador!’ O administrador então refletiu: ‘Que farei, uma vez que meu senhor me retire à administração? Cavar? Não tenho força. Mendigar? Tenho vergonha... Já sei o que farei para que, uma vez afastado da administração, tenha quem me receba na própria casa.”

“Convocou então os devedores do seu senhor um a um, e disse ao primeiro: ‘Quantas deves ao meu senhor’? ‘Cem barris de óleo’, respondeu ele. Disse então: ‘Toma tua conta, senta e escreve depressa cinquenta. Depois disse a outro: ‘E tu, quanto deves’? 'Cem medidas de trigo’, respondeu. Ele disse: ‘Toma tua conta e escreve oitenta. E o senhor louvou o administrador desonesto por ter agido com prudência.” (Lc 16:1-8).

Muitas parábolas de Jesus possuem um significado bem diverso da literalidade do texto.

Para a compreensão de algumas dessas parábolas, basta apenas entender qual é o valor simbólico de certa palavra, como a parábola do semeador, que, por exemplo, quando compreendemos que a semente significa “o ensinamento contido no Evangelho”, entendemos o valor simbólico do termo e assimilamos a mensagem.

Outras parábolas, no entanto, além do significado simbólico dos termos trazem uma lógica bem diversa. Estas, para serem compreendidas, exigem uma abstração, um desprendimento da primeira impressão, para se encontrar o real significado. Exigem uma indagação:

Se todos os ensinamentos de Jesus pregam a honestidade, a sinceridade, o trabalho... Qual é a mensagem aqui contida?

Analisando esta parábola do administrador infiel, podemos de imediato, questionar: Ora, quem é o senhor, patrão, ou empregador que ao surpreender sou empregado fraudando-o vai elogiá-lo?

Logo, a parábola ressalta, exatamente, a diferença extrema entre a conduta dos “proprietários” da Terra e o verdadeiro proprietário (Deus).

Vejamos o significado simbólico dos termos:

- O Senhor - representa Deus, o Legítimo Proprietário de todas as coisas;

- O Administrador - representa cada um de nós, administrando qualquer bem material que esteja em nossas mãos;

- Os Devedores - representam todos os nossos semelhantes, todos aqueles que encontramos em nossa vida.

Revendo a parábola, agora poderemos entender seu significado:

O Senhor (Deus) louvou seu administrador (qualquer um de nós) por atenuar os débitos daqueles devedores (nossos semelhantes), pois essa é uma Lei de Deus, ou seja, que todos nós administremos nossos bens (bens temporários) de forma que favoreça todos nossos semelhantes.

Eis a lógica inversa: enquanto os proprietários que são deste mundo punem seus administradores que não preservam seus bens e não cobram centavo por centavo, o Verdadeiro Proprietário felicita todos seus administradores que são clementes com seus devedores. A lição é valorosa! Há no mundo dois tipos de bens:

- Os bens materiais - estes não nos pertencem de fato, pois somos meros administradores. Eles podem ser-nos retirados em um instante. Nem por lei, nem por decreto, nem pelos mais altos editos da mais alta justiça do mundo eles permanecerão conosco, se assim for a Vontade Divina.

- Os bens espirituais - estes são nossos por direito, pois os adquirimos, através dos tempos, pelo trabalho, pelo estudo, pelo esforço, pela perseverança... Nem paus, nem pedras; nem vento, nem tempestade; nem traça, nem ferrugem; nem bandoleiro algum poderá levá-los. São os verdadeiros tesouros do Espírito, inalienávelmente nossos.

A grande lição desta parábola é o desapego aos bens materiais. Inúmeras vezes acumulamos bens, usamos os recursos egoisticamente ou os destruímos, visando exclusivamente proveitos pessoais, sem levar em conta os legítimos direitos do Legítimo Proprietário: Deus. Jesus mostra-nos, com muita clareza, um caminho para corrigirmos nossa má administração: o desapego e a prática da caridade para com o próximo, e o uso desses bens para multiplicar o progresso e o bem estar coletivo.

Sejamos bons administradores: compartilhemos com abundancia todos os bens que estiverem sob nossa administração, para nos tornarmos verdadeiros discípulos de Jesus!

ZAQUEU, O PUBLICANO

“E, tendo entrado em Jericó, ele atravessava a cidade. Havia lá um homem chamado Zaqueu, que era rico e chefe dos publicanos. Procurava ver quem era Jesus, mas não o conseguia por causa da multidão, pois era de baixa estatura. Correu então à frente e subiu num sicômoro para ver Jesus que passaria por ali. Quando Jesus chegou ao lugar; levantou os olhos e disse-lhe: ‘Zaqueu, desce depressa, pois hoje devo ficar em tua casa’. Ele desceu imediatamente e recebeu-o com alegria. A vista do acontecido, todos murmuravam, dizendo.' ‘Foi hospedar-se na casa de pecador!’ Zaqueu, de pé, disse ao Senhor: ‘Senhor eis que dou a metade dos meus bens aos pobres, e se defraudei a alguém, restituo-lhe o quádruplo’. Jesus lhe disse: ‘Hoje a salvação entrou nesta casa, porque ele também é um filho de Abraão. Com efeito, o Filho do Homem veio procurar e salvar o que estava perdido’.” (Lc 19:1-10).

Na época de Jesus, o Império Romano dominava uma imensa extensão de terras e inúmeros povos, inclusive os judeus, de quem exigiam pesados impostos.

Em Jericó existia um posto de fiscalização e, portanto, havia ali uma grande concentração de publicanos - funcionários encarregados da cobrança desses impostos. Muitos desses publicanos, além do imposto devido, obtinham lucros ilícitos e enriqueciam, fazendo cobranças extorsivas. Caso esses funcionários fossem judeus, além de detestados, eram também considerados traidores da própria raça.

Embora entre eles houvesse pessoas honestas, eram marginalizados e tinham péssima reputação. Eram impedidos, por exemplo, de servir de testemunhas ou ocupar a função de juízes, eram excluídos dos cultos nas sinagogas e até sua família era repudiada pela sociedade.

Zaqueu era um judeu muito rico, chefe dos coletores de impostos; conhecia a Lei de Moisés e os princípios morais que deveria seguir; mas seu modo de vida o havia comprometido perante a Lei de Deus e a Lei humana. Sua atitude, tentando aproximar-se desesperadamente de Jesus, demonstra que interiormente ele estava infeliz, que já ansiava por uma mudança, mas precisava de um estimulo vigoroso, o suficiente para lhe dar esse impulso.

Seu encontro com Jesus, e o acolhimento isento de preconceito que dele recebeu, transformou-o completamente, e ele pode pacificar sua consciência e corrigir os erros de sua vida, decidindo, espontaneamente, repartir com os pobres a metade de sua fortuna acumulada e restituir quatro vezes mais as pessoas a quem havia espoliado. E Jesus lhe disse: “Zaqueu, hoje entrou a salvação em tua casa!”

A que salvação se refere o Mestre?

Com certeza, não é a salvação segundo as doutrinas dogmáticas, mas, sim, aquela decorrente da transformação interior, por vontade e esforço próprio.

No livro “Na Hora do Testemunho”, de Herculano Pires, Emmanuel, ao final de sua mensagem “Auto Renovação, diz”: “Usa os bens que a vida te empresta atendendo ao bem dos outros, sem permitir que os bens dos quais te fizeste usufrutuário te acorrentem ao poste das aflições inúteis. Serve sem apego. Ama sem escravizar o próximo ou a ti mesmo. E ilumina-te, seguindo adiante. É da Lei Divina que o mundo se transforme independentemente da nossa vontade, mas é igualmente da Lei do Senhor que a nossa renovação, sejam quais forem as influências exteriores, dependa sempre e exclusivamente de nós.

QUESTÃO REFLEXIVA:

Como cultivamos o desapego?

A imagem acima é meramente ilustrativa. Fonte: Internet Google.
 

quinta-feira, 20 de março de 2025

1ª Aula Parte B – CURSO APRENDIZES DO EVANGELHO 2º ANO – FEESP

Parábola do Joio e do Trigo, Parábola do Festim das Bodas, A Porta Estreita

PARÁBOLA DO JOIO E DO TRIGO (OU DA CIZANIA)

“O Reino dos Céus é semelhante ao homem que semeou boa semente no seu campo. Enquanto todos dormiam, veio seu inimigo e semeou o joio no meio do trigo e foi-se embora. Quando o trigo cresceu e começou a granar apareceu também o joio. Os servos do proprietário foram procurá-lo e lhe disseram: ‘Senhor; não semeaste boa semente no teu campo? Como então está cheio de joio? Ao que este respondeu: ‘Um inimigo é que fez isso’. Os servos perguntaram-lhe: ‘Queres, então, que vamos arrancá-lo? ’ Ele respondeu: ‘Não, para não acontecer que, ao arrancar o joio, com ele arranqueis também o trigo. Deixai-os crescer juntos até a colheita. No tempo da colheita, direi aos ceifeiros: Arrancai primeiro o joio e atai-o em feixes para ser queimado; quanto ao trigo, recolhei-o ao meu celeiro.’.” (Mt 13:24-30).

Nesta parábola, o homem que semeou a boa semente é Jesus; o campo é o mundo; o trigo simboliza os bons, os que se esforçam para seguir a Lei Divina e praticá-la, e o joio são as pessoas que ainda se comprazem na prática do mal, que infringem a Lei de Deus, mas, no entanto, têm a aparência de bons.

Jesus utiliza a figura do joio e do trigo, pois, numa plantação de trigo, muitas vezes encontram-se sementes de joio. E, curiosamente, enquanto a plantação cresce, o joio cresce ao lado do trigo, mas não é reconhecido como tal, pois se assemelham. Somente na hora da colheita é que vemos quais sãos “os frutos” de cada um deles. Por isso, o Mestre alerta sobre a necessidade de vigilância.

Essa “semente de joio” pode inserir-se em todos os setores da atividade humana, ou seja, pode ser encontrado em um grupo de pessoas, em uma comunidade, ou mesmo em uma filosofia ou doutrina. Quando essa semente de joio representa um individuo, a Doutrina Espírita esclarece-nos, em “O Livro dos Espíritos”, na questão 115:

P. “Uns Espíritos foram criados bons e outros maus?”

R. “Deus criou todos os Espíritos simples e ignorantes, ou seja, sem conhecimento. Deu a cada um deles uma missão, com o fim de os esclarecer e progressivamente conduzir à perfeição, pelo conhecimento da verdade, e para os aproximar Dele.”

Sabemos que todos os Espíritos foram criados iguais. As diferenças que existem refletem apenas o grau evolutivo de cada um.

Deus, na sua infinita Bondade, oferece a oportunidade de aprendizado a todos. Para que ocorra esse processo de crescimento espiritual, a diversidade é necessária, para que uns aprendam com os outros.

Constitui, a propósito, um dever cristão o ato de partilhar o conhecimento e exemplificar as virtudes.

Quando, porém, persiste a indiferença ao Bem, a resistência as mudanças, ao joio restará renascer em outras searas, compatíveis com sua fase evolutiva, até que aprenda a renovar-se (o joio atirado ao fogo).

Em “A Gênese”, cap. XVII, item 63, Allan Kardec escreve: “O Bem devendo reinar na Terra, é necessário que dela sejam excluídos os Espíritos endurecidos no mal, e que poderiam ai levar a perturbação. Deus os deixou nela o tempo necessário ao seu melhoramento; mas terão chegado o momento em que o globo deve elevar-se na hierarquia dos mundos, pelo progresso moral de seus habitantes, a permanência nele, como Espíritos e como encarnados, será interdita aqueles que não tiverem aproveitado as instruções; que estiveram em condição de receber serão exilados para mundos inferiores, como o foram outrora para a Terra os da raça adâmica, sendo substituídos por Espíritos melhores“.

PARÁBOLA DO FESTIM DAS BODAS (OU DA FESTA DE NÚPCIAS)

“O Reino dos Céus é semelhante a um rei que celebrou as núpcias do seu filho. Enviou seus servos para chamar os convidados as núpcias, mas estes não quiseram vir. Tornou a enviar outros servos, recomendando: ‘Dizei aos convidados: eis que preparei meu banquete, meus touros e cevados já foram abatidos e tudo está pronto. Vinde as núpcias’. Eles, porém, sem darem a menor atenção, foram-se, um para o seu campo, outro para o seu negócio, e os restantes, agarrando os servos, os maltrataram e os mataram. Diante disso, o rei ficou com muita raiva e, mandando as suas tropas, destruiu aqueles homicidas e incendiou lhes a cidade. Em seguida, disse aos servos: As núpcias estão prontas, mas os convidados não eram dignos. Ide, pois, às encruzilhadas e convidai para as núpcias todos os que encontrardes’. E esses servos, saindo pelos caminhos, reuniram todos os que encontraram, maus e bons, de modo que a sala nupcial ficou cheia de convivas. Quando o rei entrou para examinar os convivas, viu ali um homem sem a veste nupcial e disse-lhe: Amigo, como entraste aqui sem a veste nupcial? ’Ele, porém, ficou calado. Então disse o rei aos que o serviam: ‘Amarrai-lhe os pés e as mãos e lançai-o fora, nas trevas exteriores. Ali haverá choro e ranger de dentes’. Com efeito, muitos são chamados, mas poucos escolhidos.” (Mt 22:2-14).

Se considerarmos o texto desta parábola ao pé da letra, ficaremos surpresos com a dificuldade encontrada para se aceitar um convite para uma festa de casamento.

Em verdade, Jesus utiliza um banquete nupcial como alegoria ao “banquete espiritual”, ao qual todos somos convidados, através de seu Evangelho, como elucida Kardec em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, cap. XVIII, item 2: “(...) Jesus compara o Reino dos Céus, onde tudo é felicidade e alegria, a uma festa nupcial. Os primeiros convidados são os judeus, que Deus havia chamado em primeiro lugar para o conhecimento de sua lei. Os enviados do rei são os profetas, que convidaram os judeus a seguir o caminho da verdadeira felicidade, mas cujas palavras foram pouco ouvidas, cujas advertências foram desprezadas, e muitos deles foram mesmo massacrados, como os servos da parábola. Os convidados que deixam de comparecer alegando que tinham de cuidar de seus campos e de seus negócios, representam as pessoas mundanas, que, absorvidas pelas coisas terrenas, mostram-se indiferentes para as coisas celestes. (...) e acrescenta que o rei, vendo isso, mandou convidar a todos os que fossem encontrados nas ruas, bons e maus. Fazia entender assim, que a palavra seria pregada a todos os outros povos...”

Como sabemos, os judeus compunham um povo que era reconhecido pela crença monoteísta. Sua história é marcada pelos grandes profetas que, de tempos em tempos, surgiam para trazer as verdades espirituais.

No entanto, muitos deles foram desprezados e, até mesmo, mortos, sacrificados. Kardec, por isso, elucida-nos que os convidados que não quiseram comparecer ao banquete eram os judeus. Vemos, dessa forma, nesta parábola, que o rei (Deus) estende seu convite a todos os que queiram participar do banquete (todos nós), assim como Jesus o faz, não distinguindo as pessoas por etnia, religião, classe social ou nível cultural.

Kardec continua: “Mas não basta ser convidado; não basta dizer-se cristão, tampouco sentar-se a mesa para participar do banquete celeste. E necessário, antes de tudo, e como condição expressa, vestir a túnica nupcial, ou seja, purificar o coração e praticar a lei segundo o espírito, pois essa lei se encontra inteira nestas palavras: Fora da caridade não há salvação”. Quão poucos se tornam dignos de entrar no Reino dos Céus! Foi por isso que Jesus disse: “Muitos serão os chamados e poucos os escolhidos”.

Assim como no banquete nupcial é necessário estar adequadamente vestido, para fazer parte do banquete espiritual, é preciso aceitar, compreender e colocar em pratica os princípios morais ensinados por Jesus.

A parábola mostra que todos são chamados a participar do banquete espiritual, mas depende da vontade de cada um fazer parte dele. Os que escolherem não participar permanecerão na ignorância espiritual, e no sofrimento que essa condição acarreta, até que acordem para trilhar novos e mais felizes caminhos.

Em todas essas parábolas, Jesus mostra que o Reino dos Céus já está dentro de nos, desde sempre; só depende de nós descobri-lo, exteriorizá-lo e vive-lo, transformando a nós mesmos e, por consequência, o mundo a nossa volta.

A PORTA ESTREITA

“Entrai pela porta estreita, porque largo e espaçoso é o caminho que conduz a perdição. E muitos são os que entram por ele. Estreita, porém, é a porta e apertado o caminho que conduz a vida. E poucos são os que o encontram”. (Mt 7:13-14).

Nessa passagem, Jesus aponta-nos o melhor caminho a seguir para a nossa evolução. Mas o que essas “portas” significam?

Em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, cap. XVIII, item 5, Kardec comenta: “A porta da perdição é larga, porque as más paixões são numerosas e o caminho do mal é o mais frequentado. A da salvação é estreita, porque o homem que deseja transpô-la deve fazer grandes esforços para vencer as suas más tendências, e poucos se resignam a isso”.

A porta larga representa as ilusões do mundo, as convicções erradas, os maus hábitos, todos resultantes da ignorância, do orgulho, da vaidade, do egoísmo...

Qual aquele que esta totalmente isento dessas más tendências? A vida terrena oferece muitos atrativos: a riqueza, a fama, o poder, o status... Muitos de nós ficamos atraídos pelas coisas da vida material, deixamo-nos envolver pelas sensações exteriores.

Quem escolhe a porta larga enxerga com os olhos do mundo; o caminho é fácil, sedutor e não exige esforço, mas ao fim dele encontramos enganos, desilusões e dor, e só então compreendemos que perdemos um tempo precioso na vida.

Este é realmente o caminho mais trilhado, pois a Humanidade ainda não se deu conta da importância da vida futura, preferindo permanecer no apego as coisas materiais, esquecendo-se dos valores espirituais.

Quem escolhe a porta estreita despertou para a verdade, e compreende que esse caminho exige conhecimento, renúncia, vigilância, prudência, humildade e responsabilidade. É o caminho da vida, da felicidade e da luz.

Muitas vezes, não o percebemos com clareza, pois, para optar pelo melhor caminho, é preciso que nos conheçamos, para que possamos transformar-nos.

Em “O Livro dos Espíritos”, questão 919, Santo Agostinho ensina-nos um meio eficaz para nos tomarmos melhores e resistirmos ao mal, aconselhando-nos a recordar todas as noites como foi o nosso dia, o que fizemos o que dissemos; se cumprimos nossos deveres, se alguém poderia ter uma queixa de nós ou se guardamos emoções menos nobres no coração.

A Lei de Deus ensina a Doutrina Espírita, esta escrita em nossa consciência. Podemos, portanto, através da reflexão diária, consulta-la.

No caminho da porta estreita estão todos os desafios da nossa vida. O esforço pessoal para a conquista dos bens espirituais constitui a porta estreita, e não depende de cultura ou crença religiosa, mas, de abrir o coração ao amor e deixá-lo fluir em nossa vida.

Este é o caminho que nos aproxima de Deus e, embora esteja cheio de obstáculos, todos nós somos capazes de superá-los. Ao final da caminhada está a recompensa, porque a escolha foi acertada: a felicidade da vida futura, as bem-aventuranças prometidas por Jesus no Sermão da Montanha.

Podemos viver plenamente nossa vida material e afetiva, dando o justo valor às coisas da Terra, sem apegos e sentimentos de posse.

Nossa vida na Terra é uma dádiva preciosa, uma oportunidade abençoada de crescimento espiritual. Não podemos deixar-nos levar pelas ilusões mundanas.

Sabemos que no estágio atual da Humanidade ainda predomina o mal em seus diversos aspectos. Porém, não estamos obrigados a aderir a esse estado de coisas.

Ainda que não percebamos, muitas pessoas abrem-nos portas, a cada dia, através da palavra falada ou escrita, da ação ou do exemplo. Examinemos por quais portas estamos adentrando, para que não percamos grandes oportunidades de crescimento espiritual.

Devemos vigiar e orar sempre, como nos ensinou o Mestre, para não nos deixarmos levar pela sedução da porta larga. Devemos valorizar cada oportunidade de renovação, vendo em Jesus o Caminho, a Verdade e a Vida.

É da renovação moral de todos nós que virá a renovação moral do planeta e o fim dos males que afligem a Humanidade.

QUESTÃO REFLEXIVA:

Comente o principal ensinamento que nos traz a “Parábola do Joio e do Trigo”.

Bibliografia
- A Bíblia de Jerusalém.
- Kardec, Allan - O Evangelho Segundo o Espiritismo - Ed. FEESP.
- Kardec, Allan - O Livro dos Espíritos Ed. FEESP.
- Godoy, Paulo A. - Casos Controvertidos do Evangelho - Ed. FEESP.
- Schutel, Cairbar - Parábolas e Ensinos de Jesus.
- Almeida, José de Sousa - As Parábolas - Ed. FEESP.

A imagem acima é meramente ilustrativa. Fonte: Internet Google.
 

terça-feira, 18 de março de 2025

1ª Aula Parte A – CURSO APRENDIZES DO EVANGELHO 2º ANO – FEESP

Parábolas e Ensinamentos de Jesus Sobre o Reino dos Céus

O que é Parábola? - Parábola do Semeador

INTRODUÇÃO

O processo de conhecimento humano é algo admirável. Os Homens, passo a passo, caminham da ignorância em direção à Luz. É uma longa jornada. Quando a analisamos, podemos contemplar uma série infindável de matizes.

Numa mesma civilização, por exemplo, vemos que cada nova geração beneficia-se com o legado da geração anterior, e, alicerçando-se naquilo que já foi fundamentado, coloca novos tijolos nesse grande edifício.

De tempos em tempos, no entanto, a Humanidade é contemplada com a vinda de grandes missionários que, pelo reconhecido conhecimento superior que possuem, pela notável ascendência espiritual que denotam, conduzem os Homens a um verdadeiro salto em direção ao progresso.

Todos os povos tiveram seus missionários, seus profetas, seus patriarcas - Homens que trouxeram ensinamentos sobre a Lei Divina, sobre a vida espiritual. Eram verdadeiros desbravadores, eis que se inseriam em um meio social muito inferior a condição espiritual que possuíam.

A transmissão de novos ensinamentos é um processo em que podemos assinalar diversas pontes mareantes. Entre as principais, estão: a resistência ao novo, que é uma tendência natural do Ser Humano; a oposição, eis que grupos dominantes sempre temem a disseminação de conhecimento; e a capacidade de aprendizado dos indivíduos, que varia ao infinito.

Por isso, os grandes missionários, quando se dirigiam as pessoas simples, com limitada capacidade de compreensão, usavam, muitas vezes, o método de contar histórias, baseadas nos assuntos da época, usando situações do cotidiano, pois assim deixava, de forma indelével, um grande ensinamento.

Dentre todos os missionários que visitaram a Terra, resplandecera pela eternidade a figura incomparável do Rabi da Galiléia.

Jesus, em sua missão única e insuperável, legou-nos os mais preciosos ensinamentos, as mais valiosas lições, os mais sublimes exemplos!

A multidão - homens, mulheres, crianças, idosos, necessitados e excluídos, famintos de consolo, de amparo e de auxílio - ouviam-no encantados e diziam: “Nunca alguém falou assim antes!”

PARÁBOLA DO SEMEADOR

“Eis que O semeador saiu para semear E ao semear uma parte da semente caiu à beira do caminho e as aves vieram e a comeram. Outra parte caiu em lugares pedregosos, onde não havia muita terra. Logo brotou, porque a terra era pouco profunda. Mas, ao surgir o sol, queimou-se e, por não ter raiz, secou. Outra ainda caiu entre os espinhos. Os espinhos cresceram e a abafaram. Outra parte, finalmente, caiu em terra boa e produziu fruto, umas cem, outra sessenta e outra trinta. Quem tem ouvidos, ouça!” (Mt 13:3-9).

É uma historia comum, mas de imensa beleza e significado: um presente amoroso que Jesus deixou para toda a Humanidade.

Primeiramente, vejamos o significado dos principais simbolismos aqui apresentados:

O Semeador representa Jesus, que semeia sem cessar os corações humanos, sem fazer distinções. A figura do semeador pode também representar todo aquele que semeia o Bem por onde passa. Mas o que simboliza a semente?

A semente simboliza o ensinamento espiritual contido no Evangelho de Jesus. É a Lei de Deus trazida aos Homens.

O terreno simboliza os diferentes estágios evolutivos da alma humana que, no caso, são:

- À beira do caminho: terreno que representa as pessoas indiferentes aos ensinamentos espirituais. Elas não são nem boas nem más, mas são como solo estéril; não se comprometem com nada que lhes exija responsabilidade ou esforço para mudar a si mesmas ou o mundo em que vivem. Essas pessoas ainda dormem e precisam despertar para a vida espiritual.

- O pedregal: simboliza aqueles que inicialmente se entusiasmam quando ouvem o ensinamento espiritual, mas nas primeiras dificuldades perdem a motivação e desistem, pois não têm ainda perseverança e vontade suficientes. Esse terreno ainda contém mais pedras do que terra: a semente começa a se desenvolver, mas não tem raiz e definha.

- O espinheiro: São as pessoas que recebem a semente, deixam-na germinar e gerar uma plantinha, mas, antes que ela se fortaleça e se enraíze, permitem que o orgulho e o egoísmo sufoquem-na. “Abafam” a semente, e deixam passar a oportunidade de se transformar e dar belos frutos. Para estas pessoas, os cuidados do mundo e as suas riquezas têm maior importância do que o ensinamento espiritual.

- A boa terra: Solo fértil são as pessoas que estão receptivas aos ensinamentos espirituais, e estão à procura da verdade libertadora. Quando, então, recebem a preciosa semente, protegem-na, cercam-na de cuidados, para que ela tenha condição de germinar e frutificar.

Essa postura de acolher a semente, ou seja, o ensinamento espiritual, e, ainda, cuidar para que ela germine e se desenvolva, requer persistência, esforço, devotamento, boa vontade.

Podemos lembrar, entretanto, que solos férteis podem apresentar diferentes capacidades de produção, e, dessa forma, produzir a trinta, sessenta, cem. Assim também, nós, quando nos tornamos solos férteis, produziremos de acordo com a nossa capacidade: a trinta, a sessenta, a cem.

O importante é que nos esforcemos a fim de produzir tudo àquilo que já somos capazes, gerando os bons frutos que são esperados da boa semente, e, além disso, que nos tomemos pequenos semeadores, seguindo o exemplo do grande semeador: Jesus. Isto é o que se espera de nós, os espíritas.

Esta observação oferece-nos a oportunidade de fazer uma reflexão, no silêncio de nossas almas, para o autoconhecimento; oportunidade de despertar para o desejo de renovação e de produzir os bons frutos.

Em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, cap. XVII, item 4, no tema “Os Bons Espíritas”, Kardec assevera:

“Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral, e pelos esforços que faz para dominar suas más inclinações.”

Nenhuma semente perde-se jamais. Cada uma tem o seu tempo de germinar, como tudo na Natureza: há um tempo de nascer, um tempo de crescer, um tempo de amadurecer, um tempo de dar frutos e recomeçar o ciclo bendito da vida, cada vez com mais vigor e beleza.

QUESTÃO REFLEXIVA:

Como tornamo-nos solo fértil para os ensinamentos de Jesus.

A imagem acima é meramente ilustrativa. Fonte: Internet Google.
 

quinta-feira, 13 de março de 2025

Curso de Aprendizes do Evangelho 2º Ano FEESP

CONTEÚDO

1ª Aula - Parábolas e Ensinamentos de Jesus Sobre o Reino dos Céus

Parte A – O que é Parábola? - Parábola do Semeador

Parte B - Parábola do Joio e do Trigo, Parábola do Festim das Bodas, A Porta Estreita

2ª Aula - Parábolas e Ensinamentos de Jesus Sobre o Desapego às Riquezas Terrenas

Parte A - Parábola do Rico Insensato, Parábola do Administrador Infiel, Zaqueu, o Publicano

Parte B - Parábola do Rico e Lázaro, O Moço Rico e o Perigo das Riquezas, Recompensa Prometida ao Desprendimento

3ª Aula - Parábolas e Ensinamentos de Jesus Sobre a Valorização Do Trabalho

Parte A - Parábola dos Talentos, Parábola dos Vinhateiros Homicidas, Reconhece-se o Cristão pelas Suas Obras

Parte B - Parábola da Figueira Estéril, Parábola dos Trabalhadores da Última Hora, Os Últimos Serão os Primeiros

4ª Aula - Parábolas e Ensinamentos de Jesus Sobre As Falsas Aparências

Parte A - A Parábola do Bom Samaritano, O Maior Mandamento, Fora da Caridade Não Há Salvação

Parte B - Parábola do Fariseu e do Publicano, Parábola dos Primeiros Lugares, Quem se Elevar Será Rebaixado

5ª Aula - Parábolas e Ensinamentos de Jesus Sobre a Misericórdia Divina e a Necessidade da Vigilância

Parte A - A Parábola do Filho Pródigo, A Parábola da Ovelha Perdida, Ajuda-te que o Céu te Ajudará

Parte B - Parábola das Dez Virgens, Parábola do Mordomo, Orai e Vigiai

6ª Aula - Jesus, A Lei e os Profetas

Parte A - Jesus e a Tradição dos Antigos

Parte B - Não Se Pode Servir a Dois Senhores

7ª Aula - Ensinamentos de Jesus Sobre a Fraternidade

Parte A - Discurso Sobre a Fraternidade

Parte B - Perdão Das Ofensas

8ª Aula - Ninguém Pode Ver o Reino de Deus se Não Nascer de Novo E a Missão de Jesus

Parte A – Reencarnação

Parte B - A Missão de Jesus

9ª Aula – A Autoridade de Jesus e o Sermão Dos “Ais

Parte A - Jesus e Os Doutores Da Lei

Parte B - Sermão Dos “Ais” (Mt 23:13-39)

10ª Aula - As Predições do Evangelho e o Sermão Profético

Parte A - Predições Do Evangelho

Parte B - O Sermão Profético (ou Discurso Escatológico) (Mt 24:1-44; Mt 25:31-46)

11ª Aula - O Sermão Do Cenáculo E o Consolador Prometido

Parte A - O Sermão Do Cenáculo

Parte B - O Consolador Prometido

12ª Aula - Desfecho Da Missão Planetária De Jesus

Parte A – A Prisão E A Crucificação De Jesus

Parte B - Aparições De Jesus Após a Morte

13ª Aula - Atos Dos Apóstolos

Parte A - Os Apóstolos Em Jerusalém E o Dia de Pentecostes

Parte B - A Atuação Dos Apóstolos e A Primeira Comunidade Cristã

14ª Aula - Atos Dos Apóstolos

Parte A - Atividade Missionária De Pedro – 1ª Parte

Parte B - Atividade Missionária De Pedro - 2ª Parte

15ª Aula - Ato Dos Apóstolos

Parte A - Saulo e Estevão

Parte B - Paulo, O Apóstolo Dos Gentios

16ª Aula - As Epístolas Do Novo Testamento

Parte A – Introdução

Parte B - Epístola De Paulo Aos Filipenses

17ª Aula - Epístolas Paulinas

Parte A – 1ª Epístola Aos Coríntios

Parte B – 2ª Epístola Aos Coríntios

18ª Aula - Epístolas Paulinas

Parte A - Epístola Aos Romanos

Parte B - Epístola Aos Efésios

19ª Aula - Epístolas Paulinas

Parte A – Epístolas Pastorais

Parte B - Epístola Aos Hebreus

20ª Aula - Epístolas Universais

Parte A – Introdução

Parte B - Epístolas De Pedro

21ª Aula - Epístolas Universais

Parte A - Epístolas De João

Parte B – Epístola De Tiago

22ª Aula – O Apocalipse De João

Parte A - O Apocalipse

Parte B - O Apocalipse À Luz Da Doutrina Espírita

23ª Aula - Nova Era

Parte A - Sinais Dos Tempos

Parte B - Regeneração Da Humanidade

24ª Aula - O Espiritismo

Parte A - Do Cristianismo Ao Espiritismo

Parte B - Missão Do Espiritismo
 

terça-feira, 11 de março de 2025

CRONOGRAMA DO CURSO APRENDIZES DO EVANGELHO 2º ANO - FEESP EM 2025

As aulas serão postadas sempre às 9 horas do horário de Brasília

Março – Dias: 11, 13, 18, 20, 25 e 27

Abril – Dias: 1, 3, 8, 10, 15, 16, 17, 22, 24 e 29

Maio – Dias: 6, 8, 13, 15, 20, 22, 27 e 29 

Junho – Dias: 3, 5, 10, 12, 17, 24 e 26

Julho: Não haverá postagens

Agosto – Dias: 5, 7, 12, 14, 21 e 28

Setembro – Dias: 4, 11, 18 e 25

Outubro – Dias: 2, 9, 16, 23 e 30

Novembro – Dias: 6, 13, 19, 27 e 28
 

sexta-feira, 22 de novembro de 2024

Prezados amigos, amigas e seguidores deste blog

Com esta aula: Desobsessões e Curas, concluímos o CURSO APRENDIZES DO EVANGELHO 1º ANO.

 

Com as bênçãos de Jesus eu voltarei em março de 2025 com o CURSO APRENDIZES DO EVANGELHO 2º ANO - FEESP.

quinta-feira, 21 de novembro de 2024

24ª Aula Parte B – CURSO APRENDIZES DO EVANGELHO 1º ANO – FEESP

Desobsessões e Curas

O Espiritismo nos ensina que as obsessões são muito frequentes e se apresentam sob aspectos variados, trazendo como consequência distúrbios de ordem física, desarticuladores da estrutura perispiritual do obsedado, proporcionais a gravidade do comprometimento.

Martins Peralva, na obra “Estudando a Mediunidade”, auxilia-nos a compreender o processo, comentando que o encarnado faculta o acesso do Espírito ao seu psiquismo. A infiltração se dá lentamente, realizando um trabalho subterrâneo de hipnose mental. Sem se dar conta, a penetração vai se fazendo tão profunda que o afastamento se torna muito difícil. “No princípio são simplesmente atitudes excêntricas, o fanatismo e a singularidade. Depois a ação magnética se estenderá até os centros nervosos, e o domínio psíquico e corporal se acentua de tal modo que a pessoa não dispõe mais da vontade para comandar a própria vida.” Não são poucos os casos de se chegar a um completo comprometimento do estado físico do encarnado.

Obsessão e loucura

Neste mesmo sentido, vemos no capitulo XIV de A Gênese que “... a obsessão é sempre o resultado de uma imperfeição moral que dá ocasião a preponderância de um mau Espírito. A uma causa física opõe-se uma força física; a uma causa moral, é necessário opor uma força moral. Para se preservar das doenças, fortifica-se o corpo; para garantir-se contra a obsessão, é necessário fortificar a alma. (...)

Nos casos de obsessão grave, o obsedado está como que envolvido e impregnado de um fluido pernicioso, que neutraliza a ação dos fluidos salutares e os repele. É desse fluido que é necessário desembaraçá-lo... É necessário expulsar o fluido mau com a ajuda de um fluido melhor.

Isto é a ação mecânica, mas que nem sempre basta; é necessário também e, sobretudo, agir sobre o ser inteligente ao qual é necessário possuir o direito de falar com autoridade, e essa autoridade, não é dada senão à superioridade moral; “quanto maior esta for tanto maior aquela será”.

Há casos mais graves onde a subjugação num grau mais elevado pode ter como consequência a loucura. É o que vemos disposto em “O Livro dos Médiuns”, no item 254, questão 6: “Sim, há uma espécie de loucura cuja causa é desconhecida do mundo, mas que não tem relação com a loucura ordinária. Entre os que são tratados como loucos ha muitos que são apenas subjugados. Necessitariam de um tratamento moral, enquanto os tornam loucos verdadeiros com os tratamentos corporais. Quando os médicos conhecerem bem o Espiritismo, saberão fazer essa distinção e curarão maior número de doentes do que o fazem com as duchas.”

Em “A Gênese”, capitulo XV item 33, vemos que: “As libertações de possessos figuram, com as curas, entre os atos mais numerosos de Jesus (...) É provável que naquela época, como acontece ainda em nossos dias, atribuísse à influência dos demônios todas as doenças cuja causa era desconhecida, principalmente o mutismo, a epilepsia e a catalepsia. Mas outros fatos há em que a ação dos maus Espíritos não é duvidosa...” Kardec cita ainda que a prova da participação de uma inteligência oculta são as numerosas curas obtidas em alguns Centros Espíritas, unicamente pela evocação e moralização dos Espíritos obsessores.

Os processos obsessivos, assim como as doenças e outros males que afligem a humanidade, fazem parte das aflições e das misérias inerentes aos mundos de provas e expiações, onde nossas imperfeições impelem-nos a viver. Espíritos que, quando encamados, eram vingativos, muitas vezes, quando desencarnados, tomam-se obsessores ainda mais perigosos, eis que agem sem ser vistos. Não há como afastá-los pela força. O único meio é a moralização do obsedado e o esclarecimento dos Espíritos inferiores, fazendo-os renunciar voluntariamente ao mal.

Em síntese, o tratamento da obsessão consiste numa tríplice ação: “a ação fluídica, que liberta o perispírito do doente da pressão do Espírito malévolo; o ascendente exercido sobre este último pela autoridade que sobre ele se dá a superioridade moral e a influência moralizadora dos conselhos que se lhes dá”.
 
A primeira é acessória das outras duas, pois se momentaneamente se afasta o obsessor nada o impede de voltar. É fazendo-o renunciar, voluntariamente, a seus maus propósitos, moralizando-o, que se obterá êxito.

Para que este processo de convencimento seja alcançado, requer-se tato, paciência, devotamento e, acima de tudo, fé sincera. É nesse sentido que a superioridade moral é indispensável à obtenção do respeito do Espírito malévolo.

No capitulo XV de “A Gênese”, item 33, Kardec comenta que “A imensa superioridade do Cristo Lhe dava tal autoridade sobre os Espíritos imperfeitos, então chamados demônios, que bastava recomendar-lhes se retirarem, para que eles não pudessem resistir a essa exigência”. A passagem de Mateus 17:14-21 - O jovem lunático, ilustra bem esse fato, conforme transcrito a seguir.

O jovem lunático

“Ao chegarem junto da multidão, aproximou-se dele um homem que, de joelhos, lhe pedia: ‘Senhor tem compaixão de meu filho, porque é lunático e sofre muito com isso. Muitas vezes cai no fogo e outras muitas na água. Eu o trouxe aos teus discípulos, mas eles não foram capazes de curá-lo’. Ao que Jesus replicou ‘O geração incrédula e perversa, até quando estarei convosco’? Até quando vos suportarei? Trazei-o aqui. ’Jesus o conjurou severamente e o demônio saiu dele. E o menino ficou são a partir desse momento’. Então os discípulos, procurando Jesus a sós, disseram: ‘Por que razão não pudemos expulsa-lo?’ Jesus respondeu-lhes: ‘Por causa da fraqueza da vossa fé,. pois em verdade vos digo: se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a esta montanha: Transporta-te daqui para lá, e ela se transportará, e nada vos será impossível’.”

O Mestre, certamente, não podia interferir nas Leis que determinam a cada Ser que faça a sua colheita, conforme tenha sido sua própria semeadura, ou que a cada criatura será dado receber o que ela própria semeou. Ações como a exercida no caso da Mulher Curvada (Lc 13: 10-17), transcrita a seguir foram muitas.

A mulher curvada

“Ora, ele estava ensinando numa das sinagogas aos sábados. E eis que se encontrava lá, uma mulher possuída havia dezoito anos por um espírito que a tornava enferma; estava inteiramente recurva, e não podia de modo algum endireitar-se. Vendo-a, Jesus chamou-a e disse.' 'Mulher estás livre de tua doença’, e lhe impôs as mão. No mesmo instante, ela se endireitou e glorificava Deus.” “O chefe da sinagoga, porém, ficou indignado por Jesus ter feito uma cura no sábado e, tomando a palavra, disse a multidão: ‘Ha seis dias nos quais se deve trabalhar; portando, vinde nesses dias para serdes curados, e não no dia de sábado! O Senhor; porém, replicou: ‘Hipócritas’! Cada um de vos, no sábado, não solta seu boi ou seu asno do estábulo para levá-lo a beber? E esta filha de Abraão que Satanás prendeu há dezoito anos, não convinha soltá-la no dia de sábado? Ao falar assim, todos os adversários ficaram envergonhados, enquanto a multidão inteira se alegrava com todas as maravilhas que ele realizava.”

Eliminada a causa o efeito desaparece. Por isso Jesus sempre recomendava após suas curas: “A tua fé te curou; vai e não peques mais”. Daí a necessidade de se trabalhar para a própria melhoria. 

Conforme citado na resposta a questão 479 do Livro dos Espíritos: “A prece é um poderoso socorro para todos os casos, mas, sabei que não é suficiente murmurar algumas palavras para obter o que se deseja. Deus assiste aos que agem, e não aos que se limitam a pedir. Cumpre, portanto, que o obsedado faça, de seu lado, o que for necessário para destruir em si mesmo a causa que atrai os maus Espíritos.”

Seguir os ensinamentos de Jesus em plenitude! Esta é a única maneira de se evitar a obsessão. Vivenciando os preceitos contidos nos Evangelhos, verdadeiro manual de normas de conduta, colocando- os em prática no dia-a-dia, conquista-se assim a tão almejada reforma interior.

QUESTÃO REFLEXIVA:

Reflita e comente: O Evangelho é o maior medicamento para os processos de obsessão.

Bibliografia

- A Bíblia de Jerusalém.
- Kardec, Allan - O Livro dos Espíritos - Ed. FEESP.
- Kardec, Allan - O Livro dos Médiuns - Ed. FEESP.
- Kardec, Allan – A Gênese - Ed. FEESP.
- Kardec, Allan – Obras Póstumas.
- Kardec, Allan – Obsessão – Origens, Sintomas e Curas
- Peralva, Martins – Estudando a Mediunidade.

A imagem acima é meramente ilustrativa. Fonte: Internet Google.
 

quinta-feira, 14 de novembro de 2024

24ª Aula Parte A – CURSO APRENDIZES DO EVANGELHO 1º ANO – FEESP

Desobsessões Realizadas por Jesus

Obsessão na Visão Espírita

Para compreendermos os processos da desobsessão, antes de mais nada, é necessário entendermos o que Kardec considera como sendo um dos piores flagelos da Humanidade: a obsessão. Precisamos considerar também que o objetivo desse estudo sumário, mais profundamente analisado no Curso de Educação Mediúnica, faz-se importante nesse momento para que possamos compreender a ação de Jesus junto aos obsedados apresentados nos Evangelhos.

Em “O Livro dos Médiuns”, segunda parte, cap. XXIII, define-se obsessão como sendo o “domínio que alguns Espíritos podem adquirir sobre certas pessoas. São sempre os Espíritos inferiores que procuram dominam, pois os bons não exercem nenhum constrangimento.” Não somente os médiuns são sujeitos a ela, mas todo aquele que imprudentemente se deixa influenciar por sentimentos, emoções, paixões, pensamentos e atitudes negativas ou inferiores.

No mesmo capitulo, no item 245, encontramos que: “Os motivos da obsessão variam segundo o caráter do Espírito. Às vezes, é a prática de uma vingança contra a pessoa que o magoou na sua vida ou numa existência anterior. Frequentemente é apenas o desejo de fazer o mal, pois como sofre, deseja fazer os outros sofrerem, sentindo uma espécie de prazer em atormentá-los e humilhá-los (...) agem, às vezes, pelo ódio que lhes desperta a inveja do bem...”.

“Há Espíritos obsessores sem maldade, que são até mesmo bons, mas dominados pelo orgulho do falso saber...”.

Prosseguindo no cap. XXIII, encontramos que a palavra obsessão é um termo genérico pelo qual se designa o conjunto desses fenômenos cujas modalidades são classificadas por Kardec em:

- Obsessão simples

- Fascinação

- Subjugação

- Possessão

Obsessão simples

A obsessão simples verifica-se quando um Espírito inferior em moral “se impõe a um médium, intromete-se contra a sua vontade nas comunicações que ele recebe, o impede de se comunicar com outros Espíritos e substitui os que são evocados”.(cap. XXIII, item 238).

Fascinação

No caso da fascinação, as consequências são mais graves. Caracteriza-se como uma ilusão projetada diretamente no psiquismo do médium, paralisando sua capacidade de discernimento, pois “o médium fascinado não se considera enganado”. O Espírito obsessor atua de forma sutil, inspirando confiança e agindo sobre o obsedado hipnoticamente, condicionando-o a aceitar teorias e posturas de forma irrefletida e cega.

Mesmo os homens mais instruídos não escapam a este tipo de influência, levando-os a considerar as mais absurdas das afirmações como verídicas. (cap. XXIII, item 239).

Subjugação

A terceira variedade, a subjugação, é caracterizada por Kardec como o envolvimento psíquico que traz como consequência a total paralisação da vontade da vitima fazendo-a agir malgrado seu livre-arbítrio. Ele aponta-nos ainda que a subjugação pode ser moral ou corpórea. “No primeiro caso, o subjugado é levado a tomar decisões frequentemente absurdas e comprometedoras que, por uma espécie de ilusão, considera sensatas: é uma espécie de fascinação. No segundo caso, o Espírito age sobre os órgãos materiais, provocando movimentos involuntários.” (cap. XXIII, item 240).

Possessão

Por uma questão de nomenclatura, melhor explicada em “O Livro dos Médiuns”, item 241, Kardec prefere inicialmente não utilizar o termo possessão. Na questão 474 de “O Livro dos Espíritos” esclarece que “A palavra possessão, na sua acepção vulgar supõe a existência de demônios, ou seja, de uma categoria de seres de natureza má, e a coabitação de um desses seres com a alma, no corpo de um individuo. Mas, como não há demônios nesse sentido, e como dois Espíritos não podem habitar simultaneamente o mesmo corpo, também não há possessos, Segundo as ideias ligadas a essa palavra. Pela expressão possessão não se deve entender senão a dependência absoluta da alma em relação a Espíritos imperfeitos que a subjuguem”.

Anos mais tarde, Kardec se aprofunda no tema e faz uma distinção, conforme citado no livro “A Gênese”, capitulo XIV item 47, que:

 “Na obsessão, o Espírito age exteriormente com a ajuda de seu perispírito, que ele identifica com o do encarnado; este último se encontra então enlaçado como numa teia e constrangido a agir contra sua vontade”.

Na possessão, em vez de agir exteriormente, o Espírito livre toma o lugar por assim dizer do Espírito encarnado.

Ele faz domicilio em seu corpo, sem que, todavia, este o deixe definitivamente, o que pode ocorrer apenas na morte. “A possessão é, portanto, sempre temporária...”.

Vai nesse mesmo sentido ao comentar em “A Obsessão - Origens, Sintomas e Curas” - capitulo “Um caso de possessão, Senhorita Julie” - que pode haver a possessão, isto é, substituição de um Espírito errante a um encarnado, porém, de forma parcial. Não significa que ele passou a aceitar, integralmente, esse termo. A possessão da forma que é considerada por várias religiões, onde o corpo seria “possuído pelo demônio”, seres de natureza perversa e eternamente voltados ao mal, de fato não existe. O Espírito sempre permanecerá ligado ao seu corpo mesmo nas mais acirradas investidas. São casos de subjugação em seu mais alto grau. As diversas citações nos Evangelhos sobre possessão devem ser compreendidas a luz dessa explicação.

Expulsão de demônios, existe?

Uma outra questão importante a ser esclarecida refere-se à expulsão de demônios citada nos Evangelhos.

Vemos na questão 480 do Livro dos Espíritos que “Isso depende da interpretação. Se chamais demônio a um mau Espírito que subjuga um indivíduo, quando a sua influência for destruída ele será verdadeiramente expulso. Se atribuis uma doença ao demônio, quando a tiverdes curado direis também que expulsastes o demônio. Uma coisa pode ser verdadeira ou falsa, Segundo o sentido que se der as palavras. As maiores verdades podem parecer absurdas, quando não se olha sendo para a forma e quando se toma a alegoria pela realidade. Compreendei bem isto e procurai retê-lo, que é de aplicação geral”.

Complementando a explicação, em “obras P6stumas”, Kardec defende que “O exorcismo consiste em cerimônias e fórmulas de que zombam os maus Espíritos que, entretanto, cedem à autoridade moral que se lhes impõe. Eles veem que os querem dominar por meios impotentes, que pensam intimidá-los por um vão aparato e, então, se empenham em mostrarem-se mais fortes e para isso redobram de esforços. São quais cavalos espantadiços que dão em terra com o cavaleiro inábil e que obedecem quando topam com um que os governa. Ora, aqui, quem realmente manda é o homem de coração mais puro, porque é a ele que os bons Espíritos de preferência atendem”.

O Remédio ou meios de combatê-la

Vemos assim que em qualquer caso de obsessão o remédio não reside em fórmulas milagrosas. Como estamos falando de um problema de mente a mente, a obsessão é uma questão de atitudes mutuamente assumidas, tanto do obsessor como do obsedado. Dai o imperativo de grande vigilância para que a nossa consciência não se contamine pelo mal e acabemos por abrir as portas a essa terrível doença moral tão presente na Humanidade.

Assim, cabe a cada um procurar substituir os vícios por virtudes num programa intenso e constante de reforma interior. Práticas como o Evangelho no Lar, preces ao deitar e ao acordar, procurar manter-se sempre ligado com o Alto e encarando a todos como irmãos queridos, são pequenos exemplos que nos mantém sintonizados com as esferas superiores e longe do assédio de obsessores.

O Possesso de Cafarnaum

Na Judéia, o numero de obsedados era muito grande e Jesus teve oportunidade de curar a muitos. Há vários casos relatados nos Evangelhos. Não se tratavam de milagres, mas sim do resultado da grande ascendência moral que Ele tinha sobre qualquer criatura. Vemos isto exemplificado na passagem de Lucas 4:31-37 – O possesso de Cafarnaum, transcrita abaixo.

“Desceu então a Cafarnaum, cidade da Galiléia, e ensinava-os aos sábados. Eles ficavam pasmados com seu ensinamento, porque falava com autoridade. Encontrava-se na sinagoga um homem possesso de um Espírito de demônio impuro, que se pôs a gritar fortemente: ‘Ah! Que queres de nós, Jesus Nazareno? Viestes para arruinar-nos? Sei quem tu és: o Santo de Deus.’ Mas Jesus o conjurou severamente: ‘Cala-te, e sai dele!’ E o demônio, lançando-o no meio de todos, saiu sem lhe fazer mal algum. O espanto apossou-se de todos, e falavam entre si: ‘Que significa isso? Ele dá ordens com autoridade e poder aos espíritos impuros, e eles saem!’ E sua fama se propagava por todo lugar da redondeza.”

Naquele tempo, os fariseus entendiam que os obsedados eram possuídos pelo demônio e como também não aceitavam o poder moral superior de Jesus, argumentavam que “É pelo príncipe dos demônios que ele expulsa os demônios” (Mt 9:34 e 12:24). Vemos ainda este mesmo raciocínio de muitos teólogos e religiosos de outras religiões contra a Doutrina Espírita. Em resposta àquele argumento, Jesus questionava: “Ora, se Satanás expulsa a Satanás, esta dividido contra si mesmo. Como, então, poderá subsistir seu reinado?"

Os Possessos Gadarenos

Outro exemplo é o famoso caso dos Possessos Gadarenos (refere-se à Gadara, uma das cidades da Decápole) também atiça a imaginação, e a falta de conhecimento categoriza nas galerias do “milagre”.

“Ao chegar ao outro lado, ao país dos gadarenos, vieram ao seu encontro dois endemoniados, saindo dos túmulos. Eram tão ferozes que ninguém podia passar por aquele caminho. E eis que puseram-se a gritar: ‘Que queres de nos, Filho de Deus? Vieste aqui para nos atormentar antes do tempo?’ Ora, a certa distância deles, havia uma manada de porcos que pastavam. Os demônios lhe imploram, dizendo: ‘Se nos expulsa, manda-nos para a manada de porcos’. Jesus lhes disse: Ide'. Eles, saindo, foram para os porcos e logo toda a manada se precipitou no mal; do alto de um precipício, e pereceu nas águas.”

Em “A Gênese”, capitulo XV, item 34, Kardec aponta que: “O fato de maus Espíritos enviados aos corpos de porcos é contrário a toda probabilidade.” Contesta inclusive a presença de um rebanho tão numeroso num país em que tinham horror a esse animal e não o utilizavam para alimentação. Kardec esclarece que um Espírito mal não deixa de ser um Espírito humano mesmo que continue a praticar o mal após a sua morte, mas é contra a lei da natureza que ele possa animar o corpo de um animal. “Portanto, é preciso ver nisso uma destas amplificações comuns aos tempos de ignorâncias e de superstições, ou talvez uma alegoria para caracterizar as inclinações imundas de certos Espíritos”.

Certamente sempre poderemos contar com a assistência espiritual. A intercessão do Plano Espiritual é sempre dada a todos que os chamarem ao auxilio com pureza de coração e fé verdadeira. No entanto, cabe a nos o principal papel. Quanto mais elevados moralmente estivermos, mais condições teremos de lidar com as adversidades que nos surgem no caminho. Não há Dúvidas que os processos obsessivos estão presentes ao nosso redor. Entretanto, conforme cita Kardec A Obsessão - Origem, Sintomas e Curas - capitulo V - “Os Estudos sobre os Possessos de Morzine”, “Os maus Espíritos só se dirigem a aqueles a quem sabem poder dominar e não a aqueles a quem a superioridade moral - não dizemos intelectual - encouraça contra os ataques.” Por tudo isso, Jesus propõe tão seriamente o “orai e vigiai” constantemente.

QUESTÃO REFLEXIVA:

Os Espíritos interferem no mundo corpóreo a todo momento. Já dizia Kardec que a obsessão é um dos piores flagelos da humanidade. Como combatê-la.

A imagem acima é meramente ilustrativa. Fonte: Internet Google.