CARACTERÍSTICAS BÁSICAS DO ESPÍRITA: PACIÊNCIA, INDULGENCIA, FÉ, HUMILDADE, DIGNIDADE E CARIDADE.

quinta-feira, 30 de março de 2017

2ª Aula Parte A – CURSO APRENDIZES DO EVANGELHO 2º ANO – FEESP

Parábolas e Ensinamentos de Jesus Sobre o Desapego às Riquezas Terrenas

Parábola do Rico Insensato, Parábola do Administrador Infiel, Zaqueu, o Publicano

PARÁBOLA DO RICO INSENSATO (OU DO AVARENTO)

“A terra de um rico produziu muito. Ele, então, refletia: ‘Que hei de fazer? Não tenho onde guardar minha colheita. Depois pensou: ‘Eis o que farei: demolirei meus celeiros, construirei maiores, e lá recolherei todo o meu trigo e os meus bens. E direi a minha alma: Minha alma, tens uma quantidade de bens em reserva para muitos anos; repousa, come, bebe, regala-te’. Mas Deus lhe disse: ‘Insensato, nesta mesma noite ser-te-á reclamada a alma. E as coisas que acumulaste, de quem serão?’ Assim acontece àquele que ajunta tesouros para si mesmo, e não é rico para Deus.” (Lc 12:16-21).

Esta parábola foi narrada por Jesus quando lhe foi pedido para interferir na divisão de uma herança entre irmãos (Lc 12: 13-15) e o Mestre respondeu: “Homem, quem me estabeleceu juiz ou árbitro da vossa partilha?”, ou seja, que não competia a ele esse julgamento.

Aproveitou, então, a oportunidade para nos alertar dos perigos que nos oferece qualquer tipo de ganância ou avareza, e a inutilidade desse comportamento, mostrando claramente a transitoriedade dos bens materiais.

Em “O Livro dos Espíritos”, cap. V, “Lei de Conservação”, Kardec questiona os Espíritos a respeito do que é realmente necessário e do que é supérfluo para o homem:

P. 716: “A Natureza não traçou o limite do necessário em nossa própria organização?”

R. “Sim, mas o homem é insaciável. A Natureza lhe traçou o limite de suas necessidades na sua organização, mas os vícios lhes alteraram a constituição e criaram para ele necessidades artificiais”.

P. 717: “Que pensar dos que açambarcam os bens da terra para se proporcionar o supérfluo, em prejuízo dos que não tem sequer o necessário?”

R: “Desconhecem a lei de Deus e terão de responder pelas privações que ocasionarem”.

O rico da parábola simboliza a pessoa que cuida apenas de acumular bens materiais, conseguir fama e poder, nunca estando disposto a dividir o que julga ser seu por direito. As aflições daqueles que lhe estão próximos ou que dele dependem não o sensibiliza nem o preocupa. Para uma pessoa assim estão em segundo plano às necessidades do próximo.

A riqueza bem aplicada é um “talento” (um valor, um bem recebido), que se toma um caminho efetivo para a evolução do Espírito humano rumo à perfectibilidade.

A riqueza mal aplicada corresponde a enterrar o “talento” e se toma uma rota arriscada que conduz o Ser ao sofrimento e a dolorosas reparações, podendo prolongar-se por varias encarnações.

É através das vidas sucessivas que os Espíritos experimentam a riqueza e a pobreza, a beleza e a imperfeição física, a intelectualidade e a falta de cultura, para aprenderem a utilizar “seus talentos” em cada uma das situações vividas.

A posse das coisas do mundo é pura ilusão; nós as perdemos facilmente para a doença, para o ladrão, para a morte, para as catástrofes naturais. Por isso, é fundamental movimentar os “talentos” recebidos e através dos bens da Terra, enriquecer o Espírito, pela prática constante da caridade e amor ao próximo, e pelo esforço em nos libertarmos daquilo que nos algema as coisas materiais: a ganância, a avareza, o apego inútil ao que é transitório.

Em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, cap. XVI, item 9, o Espírito Pascal , numa de suas comunicações, diz: “O homem não possui de seu, senão aquilo que pode levar deste mundo. O que ele encontra ao chegar e o que deixa ao partir goza durante sua permanência na terra; mas, desde que é forçado a deixá-los, é claro que só tem o usufruto, e não a posse real. O que é, então, que ele possui? Nada do que se destina ao uso do corpo, e tudo o que se refere ao uso da alma: a inteligência, os conhecimentos, as qualidades morais. Eis o que ele traz e leva consigo, o que ninguém tem o poder de tirar-lhe, e o que ainda mais lhe servirá no outro mundo do que neste.”

E ainda no mesmo capítulo, item 11, o Espírito Cheverus discorre, em sua mensagem, a respeito do melhor emprego da fortuna: “Procurai nestas palavras: ‘Amai-vos uns aos outros’, a solução desse problema, pois nelas está o segredo da boa aplicação das riquezas. O que ama o seu próximo já tem a sua conduta inteiramente traçada, pois a aplicação que agrada a Deus é a da caridade”.

PARÁBOLA DO ADMINISTRADOR INFIEL

“Um homem rico tinha um administrador que foi denunciado por dissipar os seus bens. Mandou chamá-lo e disse-lhe: 'Que é isso que ouço dizer de ti? Presta contas da tua administração, pois já não podes ser administrador!’ O administrador então refletiu: ‘Que farei, uma vez que meu senhor me retire à administração? Cavar? Não tenho força. Mendigar? Tenho vergonha... Já sei o que farei para que, uma vez afastado da administração, tenha quem me receba na própria casa.”

“Convocou então os devedores do seu senhor um a um, e disse ao primeiro: ‘Quantas deves ao meu senhor’? ‘Cem barris de óleo’, respondeu ele. Disse então: ‘Toma tua conta, senta e escreve depressa cinquenta. Depois disse a outro: ‘E tu, quanto deves’? 'Cem medidas de trigo’, respondeu. Ele disse: ‘Toma tua conta e escreve oitenta. E o senhor louvou o administrador desonesto por ter agido com prudência.” (Lc 16:1-8).

Muitas parábolas de Jesus possuem um significado bem diverso da literalidade do texto.

Para a compreensão de algumas dessas parábolas, basta apenas entender qual é o valor simbólico de certa palavra, como a parábola do semeador, que, por exemplo, quando compreendemos que a semente significa “o ensinamento contido no Evangelho”, entendemos o valor simbólico do termo e assimilamos a mensagem.

Outras parábolas, no entanto, além do significado simbólico dos termos trazem uma lógica bem diversa. Estas, para serem compreendidas, exigem uma abstração, um desprendimento da primeira impressão, para se encontrar o real significado. Exigem uma indagação:

Se todos os ensinamentos de Jesus pregam a honestidade, a sinceridade, o trabalho... Qual é a mensagem aqui contida?

Analisando esta parábola do administrador infiel, podemos de imediato, questionar: Ora, quem é o senhor, patrão, ou empregador que ao surpreender sou empregado fraudando-o vai elogiá-lo?

Logo, a parábola ressalta, exatamente, a diferença extrema entre a conduta dos “proprietários” da Terra e o verdadeiro proprietário (Deus).

Vejamos o significado simbólico dos termos:

- O Senhor - representa Deus, o Legítimo Proprietário de todas as coisas;

- O Administrador - representa cada um de nós, administrando qualquer bem material que esteja em nossas mãos;

- Os Devedores - representam todos os nossos semelhantes, todos aqueles que encontramos em nossa vida.

Revendo a parábola, agora poderemos entender seu significado:

O Senhor (Deus) louvou seu administrador (qualquer um de nós) por atenuar os débitos daqueles devedores (nossos semelhantes), pois essa é uma Lei de Deus, ou seja, que todos nós administremos nossos bens (bens temporários) de forma que favoreça todos nossos semelhantes.

Eis a lógica inversa: enquanto os proprietários que são deste mundo punem seus administradores que não preservam seus bens e não cobram centavo por centavo, o Verdadeiro Proprietário felicita todos seus administradores que são clementes com seus devedores. A lição é valorosa! Há no mundo dois tipos de bens:

- Os bens materiais - estes não nos pertencem de fato, pois somos meros administradores. Eles podem ser-nos retirados em um instante. Nem por lei, nem por decreto, nem pelos mais altos editos da mais alta justiça do mundo eles permanecerão conosco, se assim for a Vontade Divina.

- Os bens espirituais - estes são nossos por direito, pois os adquirimos, através dos tempos, pelo trabalho, pelo estudo, pelo esforço, pela perseverança... Nem paus, nem pedras; nem vento, nem tempestade; nem traça, nem ferrugem; nem bandoleiro algum poderá levá-los. São os verdadeiros tesouros do Espírito, inalienávelmente nossos.

A grande lição desta parábola é o desapego aos bens materiais. Inúmeras vezes acumulamos bens, usamos os recursos egoisticamente ou os destruímos, visando exclusivamente proveitos pessoais, sem levar em conta os legítimos direitos do Legítimo Proprietário: Deus. Jesus mostra-nos, com muita clareza, um caminho para corrigirmos nossa má administração: o desapego e a prática da caridade para com o próximo, e o uso desses bens para multiplicar o progresso e o bem estar coletivo.

Sejamos bons administradores: compartilhemos com abundancia todos os bens que estiverem sob nossa administração, para nos tornarmos verdadeiros discípulos de Jesus!

ZAQUEU, O PUBLICANO

“E, tendo entrado em Jericó, ele atravessava a cidade. Havia lá um homem chamado Zaqueu, que era rico e chefe dos publicanos. Procurava ver quem era Jesus, mas não o conseguia por causa da multidão, pois era de baixa estatura. Correu então à frente e subiu num sicômoro para ver Jesus que passaria por ali. Quando Jesus chegou ao lugar; levantou os olhos e disse-lhe: ‘Zaqueu, desce depressa, pois hoje devo ficar em tua casa’. Ele desceu imediatamente e recebeu-o com alegria. A vista do acontecido, todos murmuravam, dizendo.' ‘Foi hospedar-se na casa de pecador!’ Zaqueu, de pé, disse ao Senhor: ‘Senhor eis que dou a metade dos meus bens aos pobres, e se defraudei a alguém, restituo-lhe o quádruplo’. Jesus lhe disse: ‘Hoje a salvação entrou nesta casa, porque ele também é um filho de Abraão. Com efeito, o Filho do Homem veio procurar e salvar o que estava perdido’.” (Lc 19:1-10).

Na época de Jesus, o Império Romano dominava uma imensa extensão de terras e inúmeros povos, inclusive os judeus, de quem exigiam pesados impostos.

Em Jericó existia um posto de fiscalização e, portanto, havia ali uma grande concentração de publicanos - funcionários encarregados da cobrança desses impostos. Muitos desses publicanos, além do imposto devido, obtinham lucros ilícitos e enriqueciam, fazendo cobranças extorsivas. Caso esses funcionários fossem judeus, além de detestados, eram também considerados traidores da própria raça.

Embora entre eles houvesse pessoas honestas, eram marginalizados e tinham péssima reputação. Eram impedidos, por exemplo, de servir de testemunhas ou ocupar a função de juízes, eram excluídos dos cultos nas sinagogas e até sua família era repudiada pela sociedade.

Zaqueu era um judeu muito rico, chefe dos coletores de impostos; conhecia a Lei de Moisés e os princípios morais que deveria seguir; mas seu modo de vida o havia comprometido perante a Lei de Deus e a Lei humana. Sua atitude, tentando aproximar-se desesperadamente de Jesus, demonstra que interiormente ele estava infeliz, que já ansiava por uma mudança, mas precisava de um estimulo vigoroso, o suficiente para lhe dar esse impulso.

Seu encontro com Jesus, e o acolhimento isento de preconceito que dele recebeu, transformou-o completamente, e ele pode pacificar sua consciência e corrigir os erros de sua vida, decidindo, espontaneamente, repartir com os pobres a metade de sua fortuna acumulada e restituir quatro vezes mais as pessoas a quem havia espoliado. E Jesus lhe disse: “Zaqueu, hoje entrou a salvação em tua casa!”

A que salvação se refere o Mestre?

Com certeza, não é a salvação segundo as doutrinas dogmáticas, mas, sim, aquela decorrente da transformação interior, por vontade e esforço próprio.

No livro “Na Hora do Testemunho”, de Herculano Pires, Emmanuel, ao final de sua mensagem “Auto Renovação, diz”: “Usa os bens que a vida te empresta atendendo ao bem dos outros, sem permitir que os bens dos quais te fizeste usufrutuário te acorrentem ao poste das aflições inúteis. Serve sem apego. Ama sem escravizar o próximo ou a ti mesmo. E ilumina-te, seguindo adiante. É da Lei Divina que o mundo se transforme independentemente da nossa vontade, mas é igualmente da Lei do Senhor que a nossa renovação, sejam quais forem as influências exteriores, dependa sempre e exclusivamente de nós.

QUESTÃO REFLEXIVA:

Como cultivamos o desapego?


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quinta-feira, 23 de março de 2017

1ª Aula Parte B – CURSO APRENDIZES DO EVANGELHO 2º ANO – FEESP

Parábola do Joio e do Trigo, Parábola do Festim das Bodas, A Porta Estreita

PARÁBOLA DO JOIO E DO TRIGO (OU DA CIZANIA)

“O Reino dos Céus é semelhante ao homem que semeou boa semente no seu campo. Enquanto todos dormiam, veio seu inimigo e semeou o joio no meio do trigo e foi-se embora. Quando o trigo cresceu e começou a granar apareceu também o joio. Os servos do proprietário foram procurá-lo e lhe disseram: ‘Senhor; não semeaste boa semente no teu campo? Como então está cheio de joio? Ao que este respondeu: ‘Um inimigo é que fez isso’. Os servos perguntaram-lhe: ‘Queres, então, que vamos arrancá-lo? ’ Ele respondeu: ‘Não, para não acontecer que, ao arrancar o joio, com ele arranqueis também o trigo. Deixai-os crescer juntos até a colheita. No tempo da colheita, direi aos ceifeiros: Arrancai primeiro o joio e atai-o em feixes para ser queimado; quanto ao trigo, recolhei-o ao meu celeiro.’.” (Mt 13:24-30).

Nesta parábola, o homem que semeou a boa semente é Jesus; o campo é o mundo; o trigo simboliza os bons, os que se esforçam para seguir a Lei Divina e praticá-la, e o joio são as pessoas que ainda se comprazem na prática do mal, que infringem a Lei de Deus, mas, no entanto, têm a aparência de bons.

Jesus utiliza a figura do joio e do trigo, pois, numa plantação de trigo, muitas vezes encontram-se sementes de joio. E, curiosamente, enquanto a plantação cresce, o joio cresce ao lado do trigo, mas não é reconhecido como tal, pois se assemelham. Somente na hora da colheita é que vemos quais sãos “os frutos” de cada um deles. Por isso, o Mestre alerta sobre a necessidade de vigilância.

Essa “semente de joio” pode inserir-se em todos os setores da atividade humana, ou seja, pode ser encontrado em um grupo de pessoas, em uma comunidade, ou mesmo em uma filosofia ou doutrina. Quando essa semente de joio representa um individuo, a Doutrina Espírita esclarece-nos, em “O Livro dos Espíritos”, na questão 115:

P. “Uns Espíritos foram criados bons e outros maus?”

R. “Deus criou todos os Espíritos simples e ignorantes, ou seja, sem conhecimento. Deu a cada um deles uma missão, com o fim de os esclarecer e progressivamente conduzir à perfeição, pelo conhecimento da verdade, e para os aproximar Dele.”

Sabemos que todos os Espíritos foram criados iguais. As diferenças que existem refletem apenas o grau evolutivo de cada um.

Deus, na sua infinita Bondade, oferece a oportunidade de aprendizado a todos. Para que ocorra esse processo de crescimento espiritual, a diversidade é necessária, para que uns aprendam com os outros.

Constitui, a propósito, um dever cristão o ato de partilhar o conhecimento e exemplificar as virtudes.

Quando, porém, persiste a indiferença ao Bem, a resistência as mudanças, ao joio restará renascer em outras searas, compatíveis com sua fase evolutiva, até que aprenda a renovar-se (o joio atirado ao fogo).

Em “A Gênese”, cap. XVII, item 63, Allan Kardec escreve: “O Bem devendo reinar na Terra, é necessário que dela sejam excluídos os Espíritos endurecidos no mal, e que poderiam ai levar a perturbação. Deus os deixou nela o tempo necessário ao seu melhoramento; mas terão chegado o momento em que o globo deve elevar-se na hierarquia dos mundos, pelo progresso moral de seus habitantes, a permanência nele, como Espíritos e como encarnados, será interdita aqueles que não tiverem aproveitado as instruções; que estiveram em condição de receber serão exilados para mundos inferiores, como o foram outrora para a Terra os da raça adâmica, sendo substituídos por Espíritos melhores“.

PARÁBOLA DO FESTIM DAS BODAS (OU DA FESTA DE NÚPCIAS)

“O Reino dos Céus é semelhante a um rei que celebrou as núpcias do seu filho. Enviou seus servos para chamar os convidados as núpcias, mas estes não quiseram vir. Tornou a enviar outros servos, recomendando: ‘Dizei aos convidados: eis que preparei meu banquete, meus touros e cevados já foram abatidos e tudo está pronto. Vinde as núpcias’. Eles, porém, sem darem a menor atenção, foram-se, um para o seu campo, outro para o seu negócio, e os restantes, agarrando os servos, os maltrataram e os mataram. Diante disso, o rei ficou com muita raiva e, mandando as suas tropas, destruiu aqueles homicidas e incendiou lhes a cidade. Em seguida, disse aos servos: As núpcias estão prontas, mas os convidados não eram dignos. Ide, pois, às encruzilhadas e convidai para as núpcias todos os que encontrardes’. E esses servos, saindo pelos caminhos, reuniram todos os que encontraram, maus e bons, de modo que a sala nupcial ficou cheia de convivas. Quando o rei entrou para examinar os convivas, viu ali um homem sem a veste nupcial e disse-lhe: Amigo, como entraste aqui sem a veste nupcial? ’Ele, porém, ficou calado. Então disse o rei aos que o serviam: ‘Amarrai-lhe os pés e as mãos e lançai-o fora, nas trevas exteriores. Ali haverá choro e ranger de dentes’. Com efeito, muitos são chamados, mas poucos escolhidos.” (Mt 22:2-14).

Se considerarmos o texto desta parábola ao pé da letra, ficaremos surpresos com a dificuldade encontrada para se aceitar um convite para uma festa de casamento.

Em verdade, Jesus utiliza um banquete nupcial como alegoria ao “banquete espiritual”, ao qual todos somos convidados, através de seu Evangelho, como elucida Kardec em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, cap. XVIII, item 2: “(...) Jesus compara o Reino dos Céus, onde tudo é felicidade e alegria, a uma festa nupcial. Os primeiros convidados são os judeus, que Deus havia chamado em primeiro lugar para o conhecimento de sua lei. Os enviados do rei são os profetas, que convidaram os judeus a seguir o caminho da verdadeira felicidade, mas cujas palavras foram pouco ouvidas, cujas advertências foram desprezadas, e muitos deles foram mesmo massacrados, como os servos da parábola. Os convidados que deixam de comparecer alegando que tinham de cuidar de seus campos e de seus negócios, representam as pessoas mundanas, que, absorvidas pelas coisas terrenas, mostram-se indiferentes para as coisas celestes. (...) e acrescenta que o rei, vendo isso, mandou convidar a todos os que fossem encontrados nas ruas, bons e maus. Fazia entender assim, que a palavra seria pregada a todos os outros povos...”

Como sabemos, os judeus compunham um povo que era reconhecido pela crença monoteísta. Sua história é marcada pelos grandes profetas que, de tempos em tempos, surgiam para trazer as verdades espirituais.

No entanto, muitos deles foram desprezados e, até mesmo, mortos, sacrificados. Kardec, por isso, elucida-nos que os convidados que não quiseram comparecer ao banquete eram os judeus. Vemos, dessa forma, nesta parábola, que o rei (Deus) estende seu convite a todos os que queiram participar do banquete (todos nós), assim como Jesus o faz, não distinguindo as pessoas por etnia, religião, classe social ou nível cultural.

Kardec continua: “Mas não basta ser convidado; não basta dizer-se cristão, tampouco sentar-se a mesa para participar do banquete celeste. E necessário, antes de tudo, e como condição expressa, vestir a túnica nupcial, ou seja, purificar o coração e praticar a lei segundo o espírito, pois essa lei se encontra inteira nestas palavras: Fora da caridade não há salvação”. Quão poucos se tornam dignos de entrar no Reino dos Céus! Foi por isso que Jesus disse: “Muitos serão os chamados e poucos os escolhidos”.

Assim como no banquete nupcial é necessário estar adequadamente vestido, para fazer parte do banquete espiritual, é preciso aceitar, compreender e colocar em pratica os princípios morais ensinados por Jesus.

A parábola mostra que todos são chamados a participar do banquete espiritual, mas depende da vontade de cada um fazer parte dele. Os que escolherem não participar permanecerão na ignorância espiritual, e no sofrimento que essa condição acarreta, até que acordem para trilhar novos e mais felizes caminhos.

Em todas essas parábolas, Jesus mostra que o Reino dos Céus já está dentro de nos, desde sempre; só depende de nós descobri-lo, exteriorizá-lo e vive-lo, transformando a nós mesmos e, por consequência, o mundo a nossa volta.

A PORTA ESTREITA

“Entrai pela porta estreita, porque largo e espaçoso é o caminho que conduz a perdição. E muitos são os que entram por ele. Estreita, porém, é a porta e apertado o caminho que conduz a vida. E poucos são os que o encontram”. (Mt 7:13-14).

Nessa passagem, Jesus aponta-nos o melhor caminho a seguir para a nossa evolução. Mas o que essas “portas” significam?

Em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, cap. XVIII, item 5, Kardec comenta: “A porta da perdição é larga, porque as más paixões são numerosas e o caminho do mal é o mais frequentado. A da salvação é estreita, porque o homem que deseja transpô-la deve fazer grandes esforços para vencer as suas más tendências, e poucos se resignam a isso”.

A porta larga representa as ilusões do mundo, as convicções erradas, os maus hábitos, todos resultantes da ignorância, do orgulho, da vaidade, do egoísmo...

Qual aquele que esta totalmente isento dessas más tendências? A vida terrena oferece muitos atrativos: a riqueza, a fama, o poder, o status... Muitos de nós ficamos atraídos pelas coisas da vida material, deixamo-nos envolver pelas sensações exteriores.

Quem escolhe a porta larga enxerga com os olhos do mundo; o caminho é fácil, sedutor e não exige esforço, mas ao fim dele encontramos enganos, desilusões e dor, e só então compreendemos que perdemos um tempo precioso na vida.

Este é realmente o caminho mais trilhado, pois a Humanidade ainda não se deu conta da importância da vida futura, preferindo permanecer no apego as coisas materiais, esquecendo-se dos valores espirituais.

Quem escolhe a porta estreita despertou para a verdade, e compreende que esse caminho exige conhecimento, renúncia, vigilância, prudência, humildade e responsabilidade. É o caminho da vida, da felicidade e da luz.

Muitas vezes, não o percebemos com clareza, pois, para optar pelo melhor caminho, é preciso que nos conheçamos, para que possamos transformar-nos.

Em “O Livro dos Espíritos”, questão 919, Santo Agostinho ensina-nos um meio eficaz para nos tomarmos melhores e resistirmos ao mal, aconselhando-nos a recordar todas as noites como foi o nosso dia, o que fizemos o que dissemos; se cumprimos nossos deveres, se alguém poderia ter uma queixa de nós ou se guardamos emoções menos nobres no coração.

A Lei de Deus ensina a Doutrina Espírita, esta escrita em nossa consciência. Podemos, portanto, através da reflexão diária, consulta-la.

No caminho da porta estreita estão todos os desafios da nossa vida. O esforço pessoal para a conquista dos bens espirituais constitui a porta estreita, e não depende de cultura ou crença religiosa, mas, de abrir o coração ao amor e deixá-lo fluir em nossa vida.

Este é o caminho que nos aproxima de Deus e, embora esteja cheio de obstáculos, todos nós somos capazes de superá-los. Ao final da caminhada está a recompensa, porque a escolha foi acertada: a felicidade da vida futura, as bem-aventuranças prometidas por Jesus no Sermão da Montanha.

Podemos viver plenamente nossa vida material e afetiva, dando o justo valor às coisas da Terra, sem apegos e sentimentos de posse.

Nossa vida na Terra é uma dádiva preciosa, uma oportunidade abençoada de crescimento espiritual. Não podemos deixar-nos levar pelas ilusões mundanas.

Sabemos que no estágio atual da Humanidade ainda predomina o mal em seus diversos aspectos. Porém, não estamos obrigados a aderir a esse estado de coisas.

Ainda que não percebamos, muitas pessoas abrem-nos portas, a cada dia, através da palavra falada ou escrita, da ação ou do exemplo. Examinemos por quais portas estamos adentrando, para que não percamos grandes oportunidades de crescimento espiritual.

Devemos vigiar e orar sempre, como nos ensinou o Mestre, para não nos deixarmos levar pela sedução da porta larga. Devemos valorizar cada oportunidade de renovação, vendo em Jesus o Caminho, a Verdade e a Vida.

É da renovação moral de todos nós que virá a renovação moral do planeta e o fim dos males que afligem a Humanidade.

QUESTÃO REFLEXIVA:

Comente o principal ensinamento que nos traz a “Parábola do Joio e do Trigo”.

Bibliografia
- A Bíblia de Jerusalém.
- Kardec, Allan - O Evangelho Segundo o Espiritismo - Ed. FEESP.
- Kardec, Allan - O Livro dos Espíritos Ed. FEESP.
- Godoy, Paulo A. - Casos Controvertidos do Evangelho - Ed. FEESP.
- Schutel, Cairbar - Parábolas e Ensinos de Jesus.
- Almeida, José de Sousa - As Parábolas - Ed. FEESP.


Fonte da imagem: Internet Google.

quinta-feira, 16 de março de 2017

1ª Aula Parte A – CURSO APRENDIZES DO EVANGELHO 2º ANO – FEESP

Parábolas e Ensinamentos de Jesus Sobre o Reino dos Céus

O que é Parábola? - Parábola do Semeador

INTRODUÇÃO

O processo de conhecimento humano é algo admirável. Os Homens, passo a passo, caminham da ignorância em direção à Luz. É uma longa jornada. Quando a analisamos, podemos contemplar uma série infindável de matizes.

Numa mesma civilização, por exemplo, vemos que cada nova geração beneficia-se com o legado da geração anterior, e, alicerçando-se naquilo que já foi fundamentado, coloca novos tijolos nesse grande edifício.

De tempos em tempos, no entanto, a Humanidade é contemplada com a vinda de grandes missionários que, pelo reconhecido conhecimento superior que possuem, pela notável ascendência espiritual que denotam, conduzem os Homens a um verdadeiro salto em direção ao progresso.

Todos os povos tiveram seus missionários, seus profetas, seus patriarcas - Homens que trouxeram ensinamentos sobre a Lei Divina, sobre a vida espiritual. Eram verdadeiros desbravadores, eis que se inseriam em um meio social muito inferior a condição espiritual que possuíam.

A transmissão de novos ensinamentos é um processo em que podemos assinalar diversas pontes mareantes. Entre as principais, estão: a resistência ao novo, que é uma tendência natural do Ser Humano; a oposição, eis que grupos dominantes sempre temem a disseminação de conhecimento; e a capacidade de aprendizado dos indivíduos, que varia ao infinito.

Por isso, os grandes missionários, quando se dirigiam as pessoas simples, com limitada capacidade de compreensão, usavam, muitas vezes, o método de contar histórias, baseadas nos assuntos da época, usando situações do cotidiano, pois assim deixava, de forma indelével, um grande ensinamento.

Dentre todos os missionários que visitaram a Terra, resplandecera pela eternidade a figura incomparável do Rabi da Galiléia.

Jesus, em sua missão única e insuperável, legou-nos os mais preciosos ensinamentos, as mais valiosas lições, os mais sublimes exemplos!

A multidão - homens, mulheres, crianças, idosos, necessitados e excluídos, famintos de consolo, de amparo e de auxílio - ouviam-no encantados e diziam: “Nunca alguém falou assim antes!”

PARÁBOLA DO SEMEADOR

“Eis que O semeador saiu para semear E ao semear uma parte da semente caiu à beira do caminho e as aves vieram e a comeram. Outra parte caiu em lugares pedregosos, onde não havia muita terra. Logo brotou, porque a terra era pouco profunda. Mas, ao surgir o sol, queimou-se e, por não ter raiz, secou. Outra ainda caiu entre os espinhos. Os espinhos cresceram e a abafaram. Outra parte, finalmente, caiu em terra boa e produziu fruto, umas cem, outra sessenta e outra trinta. Quem tem ouvidos, ouça!” (Mt 13:3-9).

É uma historia comum, mas de imensa beleza e significado: um presente amoroso que Jesus deixou para toda a Humanidade.

Primeiramente, vejamos o significado dos principais simbolismos aqui apresentados:

O Semeador representa Jesus, que semeia sem cessar os corações humanos, sem fazer distinções. A figura do semeador pode também representar todo aquele que semeia o Bem por onde passa. Mas o que simboliza a semente?

A semente simboliza o ensinamento espiritual contido no Evangelho de Jesus. É a Lei de Deus trazida aos Homens.

O terreno simboliza os diferentes estágios evolutivos da alma humana que, no caso, são:

- À beira do caminho: terreno que representa as pessoas indiferentes aos ensinamentos espirituais. Elas não são nem boas nem más, mas são como solo estéril; não se comprometem com nada que lhes exija responsabilidade ou esforço para mudar a si mesmas ou o mundo em que vivem. Essas pessoas ainda dormem e precisam despertar para a vida espiritual.

- O pedregal: simboliza aqueles que inicialmente se entusiasmam quando ouvem o ensinamento espiritual, mas nas primeiras dificuldades perdem a motivação e desistem, pois não têm ainda perseverança e vontade suficientes. Esse terreno ainda contém mais pedras do que terra: a semente começa a se desenvolver, mas não tem raiz e definha.

- O espinheiro: São as pessoas que recebem a semente, deixam-na germinar e gerar uma plantinha, mas, antes que ela se fortaleça e se enraíze, permitem que o orgulho e o egoísmo sufoquem-na. “Abafam” a semente, e deixam passar a oportunidade de se transformar e dar belos frutos. Para estas pessoas, os cuidados do mundo e as suas riquezas têm maior importância do que o ensinamento espiritual.

- A boa terra: Solo fértil são as pessoas que estão receptivas aos ensinamentos espirituais, e estão à procura da verdade libertadora. Quando, então, recebem a preciosa semente, protegem-na, cercam-na de cuidados, para que ela tenha condição de germinar e frutificar.

Essa postura de acolher a semente, ou seja, o ensinamento espiritual, e, ainda, cuidar para que ela germine e se desenvolva, requer persistência, esforço, devotamento, boa vontade.

Podemos lembrar, entretanto, que solos férteis podem apresentar diferentes capacidades de produção, e, dessa forma, produzir a trinta, sessenta, cem. Assim também, nós, quando nos tornamos solos férteis, produziremos de acordo com a nossa capacidade: a trinta, a sessenta, a cem.

O importante é que nos esforcemos a fim de produzir tudo àquilo que já somos capazes, gerando os bons frutos que são esperados da boa semente, e, além disso, que nos tomemos pequenos semeadores, seguindo o exemplo do grande semeador: Jesus. Isto é o que se espera de nós, os espíritas.

Esta observação oferece-nos a oportunidade de fazer uma reflexão, no silêncio de nossas almas, para o autoconhecimento; oportunidade de despertar para o desejo de renovação e de produzir os bons frutos.

Em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, cap. XVII, item 4, no tema “Os Bons Espíritas”, Kardec assevera:

“Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral, e pelos esforços que faz para dominar suas más inclinações.”

Nenhuma semente perde-se jamais. Cada uma tem o seu tempo de germinar, como tudo na Natureza: há um tempo de nascer, um tempo de crescer, um tempo de amadurecer, um tempo de dar frutos e recomeçar o ciclo bendito da vida, cada vez com mais vigor e beleza.

QUESTÃO REFLEXIVA:

Como tornamo-nos solo fértil para os ensinamentos de Jesus.


Fonte da imagem: Internet Google.

terça-feira, 14 de março de 2017

Prezados amigos e amigas

Informo com alegria que vou iniciar as aulas do 2º ano do curso Aprendizes do Evangelho da FEESP no próximo dia 16/03/17.

São 24 aulas para o primeiro semestre de 2017 e serão postadas nas datas abaixo, sempre às 9:00 horas do horário de Brasília:

MARÇO: dias: 16, 23 e 30

ABRIL: dias: 4, 6, 11, 18, 25 e 27

MAIO: dias: 4, 9, 11, 16, 18, 23, 25 e 30

JUNHO: dias: 1, 6, 8, 13, 20, 22 e 27

Farei uma pausa no mês de Julho, retornando em Agosto para as outras 24 aulas finais deste 2º ano.