CARACTERÍSTICAS BÁSICAS DO ESPÍRITA: PACIÊNCIA, INDULGENCIA, FÉ, HUMILDADE, DIGNIDADE E CARIDADE.

segunda-feira, 31 de março de 2014

4ª AULA - CURSO BASICO DE ESPIRITISMO 1º ANO - FEESP

PARTE A: CRIAÇÃO DOS MUNDOS E DOS SERES VIVOS

FORMAÇÃO DOS MUNDOS

Entende-se por Universo os astros e os mundos visíveis ou não, que se movem no espaço e tudo o que eles contêm: seres animados e inanimados, assim como os espaços e os fluidos que os cercam.

Conceber-se que o Universo tenha sido obra do acaso, é o mesmo que aceitar o relógio sem o relojoeiro.

Obviamente o Universo não pode ter gerado a si mesmo. Se assim fosse, confundir-se-ia com o próprio Deus. Por outro lado, se existisse por toda a eternidade sem ter sido criado, não poderia ser obra de Deus e também confundir-se-ia com Ele. Não resta outra opção de bom senso, senão a de que o Universo é obra de Deus.

Ninho gerador de toda massa incomensurável, o Fluido Universal era energia a princípio difusa, que após concentrar-se, foi-se fragmentando aos poucos em miríades de núcleos menores a agigantar-se e expandir-se em nuvens de partículas, que através dos milênios foram se transformando progressivamente em matéria, processo esse que se mantém até nossos dias a revelar a grandeza de Deus. A condensação dessa matéria espalhada no espaço infinito é que pontilhou-o de sóis, mundos, estrelas, astros, asteroides e cometas, com infinita variedade de massas, luminosidade e propriedades.

As forças de atração entre os corpos celestes mantém o equilíbrio de modo à posição de cada um deles permanecer estável em relação aos demais. Os cometas em suas órbitas aparentemente conflitantes com a clássica disciplina cósmica são um começo de condensação da matéria, mundos em via de formação. Cada corpo celeste tem a sua parte de influência, mas ela é restrita a certos aspectos físicos de equilíbrio de forças, como a Lua, por exemplo, que funciona como âncora da Terra. Mundos já completamente formados desaparecem, desintegram-se e sua matéria espalha-se novamente no espaço: Deus renova os mundos como renova os seres vivos (LE, perg. 41)

FORMAÇÃO DOS SERES VIVOS

No começo tudo era o caos; temperatura elevadíssima mantinha fundidos os elementos de sua constituição. As substâncias que hoje são líquidas eram gasosas enquanto que os sólidos eram líquidos. Só pouco a pouco tudo foi se acomodando até organizar-se o clima adequado ao aparecimento dos seres vivos.

Os gérmens responsáveis pela formação dos seres vivos estavam contidos na Terra em estado latente, aguardando o momento favorável para seu desenvolvimento. Os elementos orgânicos, antes da formação da Terra, estavam no espaço em estado fluídico, entre os Espíritos ou em outros planetas, aguardando a maturação do novo mundo para iniciarem uma nova existência em um novo mundo. Nos momentos propícios à eclosão, foram surgindo sucessivamente cada uma das espécies. Os seres de cada linhagem, por sua vez, foram se reunindo pela lei de afinidade e se multiplicaram.

Os homens já não se enquadram mais entre as espécies que se formaram espontaneamente como na sua origem, mas pode-se dizer que uma vez dispersos sobre a Terra, absorveram em si mesmos os elementos necessários à sua formação, para transmiti-los segundo as leis da reprodução. O mesmo aconteceu com as demais espécies de seres vivos ( LE, perg, 49)

Bibliografia:

LE- Cap.III - perg. 37 a 49

QUESTIONÁRIO:

A - FORMAÇÃO DOS MUNDOS E DOS SERES VIVOS:

1 - O que se pode entender por universo?

2 - Como se formam os mundos, segundo a Doutrina Espírita?


3 - Como surgiram os seres vivos na Terra?

sexta-feira, 28 de março de 2014

3ª AULA - CURSO BASICO DE ESPIRITISMO 1º ANO - FEESP

PARTE C: SERVIR A DEUS E A MAMON

"Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou odiará a um e amará ao outro, ou se afeiçoará a um e desprezará o outro. Não podeis servir, ao mesmo tempo, a Deus e a Mamon". (Lucas, Cap. XVI, v. 13).

Não se pode servir ao mesmo tempo a Deus e à riqueza foi o sentido das palavras de Jesus nesta passagem evangélica, pois Mamon era a divindade pagã que simbolizava a riqueza. Ao colocá-lo frente a Deus conclamando os homens a escolherem entre eles, o Mestre fez uma clara advertência àqueles que se deixam escravizar pela posse dos bens materiais, esquecendo-se do verdadeiro tesouro do Espírito imortal; muito embora Espírito e Matéria seja os princípios constitutivos do Universo, importa colimar sempre os valores reais e eternos do Espírito.

A afirmativa de Jesus diz respeito ao fato de que o homem não pode viver exclusivamente pelas coisas materiais e comprometer sua evolução espiritual, pois é impossível conciliar dois princípios opostos entre si: uma mesma fonte não pode jorrar água pura, cristalina, e ao mesmo tempo jorrar água contaminada. Contudo, é necessário ressaltar que Deus não condena a riqueza e ninguém será condenado por ser rico. O alerta de Jesus é para o mau uso; é uma advertência para os que não sabem aplicar os bens que possuem, pois os riscos dessa perigosa prova terrena são justamente sua carga negativa de tentações e fascinação que o poder decorrente de seus efeitos exerce sobre os homens, é a algema mais poderosa que o prende às origens grosseiras da matéria.

A riqueza é uma ferramenta que a Providência Divina coloca à disposição do homem para o seu aprimoramento espiritual, que tanto pode ser útil a serviço do bem como a serviço do mal, na medida em que o apego a ela exacerba o orgulho, o egoísmo, a indiferença com o sofrimento alheio. Com ela pode-se devolver a esperança para os que desfaleceram na luta, pode-se devolver a fé para aqueles que choram no seu infortúnio, mas principalmente pode ser a força divina de transformação social no advento do Terceiro Milênio.

Disse Jesus a um moço que lhe perguntava o que fazer para conseguir a vida eterna, além de se seguir os mandamentos: "Se quereis ser perfeito, ide, vendei tudo o que tendes e dai-aos pobres e tereis um tesouro no céu" (ESE, cap. xvi, ítem 2).

Diante dessa recomendação, o jovem abaixou a cabeça e afastou-se, pois não tinha a intenção de se desfazer de seus bens.

Dirigindo-se aos apóstolos, o Mestre continuou seu ensinamento: Quão difícil é a salvação dos ricos. “É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha, do que entrar um rico no Reino dos Céus” (ESE, cap. xvi, ítem 2) ( A palavra "camelo" em hebreu serve tanto para designar o animal propriamente dito, como uma corda feita do pelo do animal. Na tradução, deram-lhe o primeiro desses significados, mas é provável que Jesus a tenha empregado com a segunda significação).

O objetivo de Jesus ao dizer ao jovem que se desfizesse de sua fortuna para segui-lo não foi o de estabelecer uma condição necessária a renúncia da fortuna para alcançar o progresso espiritual, mas ensinar a colocar essas riquezas sob o manto da caridade e do amor universal.

Mais adiante Jesus narrou a parábola do avarento que, preocupado em acumular cada vez mais suas fartas colheitas, construiu enormes celeiros para a estocagem de seus bens; feito isso disse este homem: "Minha alma tu tens muitos bens reservados para vários anos; repousa, come, bebe, ostenta. Mas Deus ao mesmo tempo disse a esse homem: "Insensato que és! Vai ser retomada tua alma esta noite mesmo; e para quem será o que amontoaste?” (ESE, cap. XVI, ítem 3).

Cabe ao homem trabalhar para a evolução espiritual e material do mundo físico, em decorrência da Lei de Reencarnação como etapa indispensável para a aprendizagem do Espírito. O trabalho cumulativo do ser humano desde o seu ingresso no reino hominal, modificando a face do planeta através dos milênios, criando, desenvolvendo, acumulando conhecimentos e bens materiais não significa pontos negativos aos olhos de Deus, mas é o caminho por Ele traçado para o desenvolvimento do planeta, enquanto mundo de provas e expiações.

É na prova reencarnatória da riqueza que o homem burila seus sentimentos, corrige suas imperfeições, resolve os conflitos de vidas passadas em luta pela posse insaciável dos bens terrenos, em detrimento da caridade e do amor ao próximo.

A sabedoria divina utiliza nas provas terrenas de seus filhos a pobreza para uns, como prova de paciência e resignação; para outros proporciona a riqueza como prova de caridade, humildade, renúncia e desprendimento. Os tesouros acumulados no mundo pertencem a Deus; o homem é apenas seu administrador, e serão cobradas contas do bom ou mau uso; infeliz daquele que os empregou apenas para sua satisfação pessoal.

Ensinam os Espíritos sobre o desapego aos bens materiais: “Sabei contentar-vos com pouco”.

Se sois pobres, não invejais os ricos, porque a fortuna não é necessária à felicidade. Se sois ricos, não esqueçais de que esses bens vos são confiados e que devereis justificar seu emprego, como sendo tutores"(ESE - Cap. XVI, item 14).

Aqueles que servem a Deus colocam suas riquezas a serviço dos mais necessitados. Este servir não é apenas desenvolver a caridade fria e egoísta que consiste em dar o supérfluo, mas a caridade que ampara a pobreza, que ergue sem humilhar, que gera trabalhos e ordem social, que oferece recursos para o desenvolvimento científico, que distribui entre os infortunados o pão do trigo e o pão do amor. Para esses, nada há de faltar.

QUESTIONÁRIO:

C) SERVIR A DEUS E A MAMON

1) O que simbolizava Mamon?

2) Jesus condenou a riqueza?


3) Qual a mensagem implícita na parábola do avarento?

quarta-feira, 26 de março de 2014

3ª AULA - CURSO BASICO DE ESPIRITISMO 1º ANO - FEESP

PARTE B: PROPRIEDADES DA MATÉRIA

A matéria existe em estados que não conheceis - dizem os Espíritos. Ela pode ser, por exemplo, tão etérea e sutil que não produzem nenhuma impressão em vossos sentidos; entretanto, será sempre matéria, embora não a seja para vós (LE, perg. 22).

O Fluido Universal, ou Fluido Cósmico é imponderável para nós (isto é, sem peso), pois é formado de matéria etérea e sutil. Há, pois regiões em que a matéria encontra-se ainda em estado muito sutil e rarefeita. Em assim sendo, a ponderabilidade é uma propriedade relativa.

Fora das esferas de atração dos mundos, não há peso, da mesma maneira que não há alto nem baixo (LE, perg. 29).

Nesse estado encontra-se assim, o Fluido Cósmico, princípio gerador de todas as coisas, o qual é impossível de ser aprendido pela percepção sensível, ou seja, pelos parcos cinco sentidos de que dispõe o organismo humano. As múltiplas formas da matéria surgem a partir desse Fluido Cósmico ou matéria primitiva, de cuja transformação originam-se os elementos químicos que compõem a Natureza. Convém aqui esclarecer o processo das formas materiais, até atingirem o estado de solidez:

1 - ÁTOMOS: São agrupamentos de partículas: elétrons, prótons e nêutrons.

2 - MOLÉCULAS: São agrupamentos de átomos unidos por ligações químicas.

3 - ELEMENTOS: São conjunto ou aglomerados de átomos da mesma natureza. Exemplo: hidrogênio, ferro, etc.. São as formas mais simples da matéria.

4 - SUBSTÂNCIAS OU COMPOSTOS: São compostas por um número limitado de moléculas.

Exemplo: água, ácido clorídrico, etc..

5 - CORPOS: São porções limitadas da matéria.

Assim, as diferentes propriedades da matéria passam a existir das modificações que as moléculas elementares sofrem, ao se unirem em determinadas circunstâncias (LE, perg. 31).

Quando passa a assumir a variedade das formas, a matéria passa a ser apreendida pela percepção sensorial. Em assim sendo, do ponto de vista do ser humano, define-se a matéria como aquilo que tem extensão, que pode impressionar os sentidos e é impenetrável (LE, perg. 22). Pode-se assim resumir as propriedades da matéria:

IMPENETRABILIDADE: é a propriedade pela qual dois ou mais corpos não podem ocupar o mesmo lugar no espaço ao mesmo tempo.

EXTENSÃO: todo corpo material ocupa um lugar no espaço, passando a ter as três dimensões (comprimento, largura e altura).

DIVISIBILIDADE: é a propriedade que tem a matéria de ser dividida, e que lhe confere a condição de poder ser pesada.

Além dessas propriedades primárias, a matéria primitiva ao transformar-se adquire outras qualidades secundárias: o sabor, o odor, as cores, as qualidades venenosas ou salutares dos corpos que não seriam mais do que modificações de uma única e mesma substância primitiva (LE, perg. 32). No entanto, estas qualidades são apenas subjetivas, ou seja, elas não existem em si mesmas, mas só existem pela disposição dos órgãos destinados a percebê-las (LE, perg. 32).

Espaço Universal: O conceito de espaço gira sempre em torno das complexas definições da Física, e por isso torna-se extremamente variado. Temos, por exemplo, o conceito newtoniano de espaço absoluto, assim como a Teoria da Relatividade de Einstein que estabelece que os fenômenos físicos não ocorrem apenas no espaço, mas também se desenvolvem simultaneamente no tempo, ou seja: os fenômenos físicos ocorrem no contínuo espaço-tempo.

Define-se também o espaço ora como sendo a extensão que separa dois corpos, ora o lugar circunscrito onde se movem os mundos, o vazio no qual atua a matéria.

Na impossibilidade de um acordo unânime sobre tal conceito, do ponto de vista da Ciência, a Doutrina Espírita vem ampliar o conhecimento humano: O espaço universal é infinito.

Supondo-se um limite para o espaço, qualquer que seja a distância a que o pensamento possa concebê-lo, a razão diz que, além, desse limite, há alguma coisa. E assim, pouco a pouco, até o infinito, porque essa alguma coisa, mesmo que fosse o vazio absoluto, ainda seria espaço (LE, perg. 35).

Afirmam assim os benfeitores espirituais que não há espaço vazio, porque o vazio, enquanto sinônimo de nada, não existe. E se o espaço fosse nada, não poderia existir. O espaço é vazio apenas em relação às percepções humanas, insuficientes para compreender a matéria sutil e etérea que nele existe.

Bibliografia: LE, perg. 29 a 36.

QUESTIONÁRIO:

B) PROPRIEDADES DA MATÉRIA

1) Em que estados encontram-se a matéria?

2) Qual o processo de constituição das formas materiais?


3) Quais as propriedades primárias da matéria?

segunda-feira, 24 de março de 2014

3ª AULA - CURSO BASICO DE ESPIRITISMO 1º ANO - FEESP

PARTE A: Elementos Gerais do Universo

DEUS, Espírito e Matéria

Há séculos que a chamada Trindade Universal tem sido o fundamento do Cristianismo, assim como de outras religiões. Historicamente, o dogma da Santíssima Trindade foi aprovado pelo Concílio de Nicéia no ano de 325. A partir desse momento, a Teologia Cristã influenciada pela filosofia judaica criou o mito antropológico de Deus, o qual tomou a forma de três pessoas distintas.

Nesta concepção mística de Deus, a Trindade erigiu-se no mais profundo mistério da Teologia Cristã.

A Doutrina Espírita, por sua vez, na busca de uma compreensão racional dessa realidade, substitui as três pessoas da Trindade pelas três realidades essenciais do Universo:

Deus, Espírito e Matéria - a trilogia fundamental ou causas primárias do Universo.

É assim que o surgimento da Doutrina Espírita marca a passagem do mito antropológico para uma filosofia cristã racional; a Trindade Universal não é regida por pessoas, mas formada por substâncias regidas por uma Inteligência Suprema.

DEUS: A causa primária de todas, não teve princípio, mas todas as coisas subsistem pelo influxo de seu poder criador. Em assim sendo, espírito e matéria são os princípios ou causas de Segunda Ordem, essências constituintes do Universo, que marcam os primórdios da criação. Por mais distante que se possa colocar o início dessa obra, é inaceitável compreender Deus ocioso por um segundo sequer, conforme a pergunta 21 de L.E.

ESPÍRITO: É o princípio inteligente do universo (LE, perg. 23). Por princípio entende-se aqui o fundamento que dá origem ao Universo, e nele permanece como essência universal. Portanto, por espírito entende-se, aqui o princípio da inteligência, abstração feita das individualidades designadas por esse nome (LE, perg. 25a).

MATÉRIA: Em sua origem consiste no princípio material, ou seja, no Fluido Cósmico, matéria geratriz que passa por várias modificações até formar as coisas e seres materiais. É a partir dessas metamorfoses que surgem os elementos fundamentais da natureza, as aglomerações de átomos, que por sua vez darão origem às formas materiais.

De Deus originam-se assim esses dois princípios universais, de natureza diferentes e distintos um do outro, mas é fundamental a união do espírito com a matéria - em seu estado essencial - para dar inteligência a esta (LE, perg. 25), e portanto dar origem à multiplicidade de seres da criação.

BIBLIOGRAFIA: LE, Cap. II - ítens I e II - perg. 17 a 28.

QUESTIONÁRIO:

A) DEUS, ESPÍRITO E MATÉRIA

1) Como o Espiritismo compreende a Trindade Universal racionalmente?

2) O que é espírito?


3) De onde se origina a matéria? Dê exemplos de suas modificações.

sexta-feira, 21 de março de 2014

2ª AULA - CURSO BASICO DE ESPIRITISMO 1º ANO - FEESP

PARTE C: O MAIOR MANDAMENTO

Certa feita reuniram-se os fariseus, e um deles, doutor da lei, fez a Jesus a seguinte pergunta para prová-lo: Mestre, qual é o maior mandamento da lei? Respondeu Jesus: “Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu espírito”.

Este é o maior e primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este é : ”Amarás teu próximo como a ti mesmo”. Nesses dois mandamentos se reúnem toda a lei e os profetas (MT 22:34-40).

Quando Jesus exorta-nos a esse imperativo moral, ele propõe aos homens a vivência do amor, pois este consiste na expressão da natureza divina, assim como a natureza originária que caracteriza a alma humana. O amor permanece, assim, como sendo a essência divina, ou seja, o liame que liga os homens entre si e com Deus.

Efetivamente, esse primeiro mandamento está necessariamente vinculado ao segundo, visto que não se pode amar a Deus sem amar aos homens, nem amar aos homens sem amar a Deus.

Toda busca do ser humano consiste em chegar a Deus, o qual converte-se em objeto de conhecimento e de adoração. Amar a Deus é uma lei natural haja vista a universalidade do sentimento divino, inerente a todo ser humano.

Essa ligação, porém, dá-se em pensamento, em sentimento, através da prece, da adoração e da doação de si.

O amor a Deus, porém, não se restringe a um determinado templo ou altar, mas antes consiste em uma vivência interior, que se dá na intimidade de cada indivíduo. É assim que, certa feita, uma samaritana interpela Jesus: Nossos pais adoravam neste monte, mas vós dizeis que é em Jerusalém que se deve orar. Ao que Jesus respondeu: Não adorareis o Pai neste monte, nem em Jerusalém. Vós adorais quem não conheceis, nós adoramos o que conhecemos (...). Mas, vem a hora, e já chegou, quando os verdadeiros adoradores hão de adorar o Pai em espírito e verdade (Jô 4:20-25).

Adorar em espírito consiste em uma ligação interior com Deus a partir de uma consciência espiritualizada. No entanto, a adoração sem conhecimento acaba por ser uma relação abstrata, algo misterioso e, portanto, não vivenciado plenamente. A verdadeira adoração é aquela que busca a identificação com Deus em essência, pela consciência dessa essência divina em si mesmo – e no próximo.

“Amar ao próximo como a si mesmo significa fazer aos outros o que quereríamos que nos fizessem”, eis a expressão mais completa da caridade, porque ela resume todos os deveres para com o próximo.

Não se pode ter, neste caso, guia mais seguro do que tomando como medida do que se deve fazer aos outros, o que se deseja para si mesmo (ESE-Cap. XI, item 4).

Com esta máxima, Jesus ensina-nos a virtual fusão dos seres entre si em um sentimento universal, induzindo os homens, assim, à superação do egoísmo, do personalismo, os maiores entraves ao progresso do Espírito.

Amar a Deus consiste em submeter-se às Suas leis, atendendo, ao mesmo tempo, ao imperativo da prática do bem sincero para com os semelhantes.

QUESTIONÁRIO:

C) O Maior Mandamento

1 – O que significa amara a Deus na visão espírita?

2 – Como devemos compreender o mandamento: “amar ao próximo como a si mesmo”?


3 – Qual a relação do primeiro com o segundo mandamento?

quarta-feira, 19 de março de 2014

2ª AULA - CURSO BASICO DE ESPIRITISMO 1º ANO - FEESP

PARTE B: PROVAS E ATRIBUTOS DA DIVINDADE – PANTEÍSMO

PROVAS:

A) NÃO HÁ EFEITO SEM CAUSA (LE, perg. 4)

A Doutrina Espírita fundamenta a concepção de Deus a partir do axioma: Não há efeito inteligente sem causa inteligente, e à grandeza do efeito corresponde a grandeza da causa (LE, Prolegômenos). O universo mostra-se organizado inteligentemente em todas as suas dimensões. Seria absurdo supor que a inteligência da estrutura universal fosse resultado de um simples acaso.

B) UNIVERSALIDADE DO SENTIMENTO INTUITIVO DE DEUS

Poder-se-ia pensar que o conceito de Deus fosse uma questão relativa à cultura dos homens, ou seja, o efeito da educação ou produto de ideias adquiridas. No entanto, se o sentimento da existência de um ser supremo não fosse mais que o produto de um ensinamento, não será universal, nem existiria, como as noções científicas, senão entre os que tivessem podido receber esse ensinamento (LE, perg. 6).

C) A ORDEM DO UNIVERSO:

A Inteligência de Deus revela-se como uma tendência à ordem e harmonia no universo material, e a uma tendência moralizante no universo espiritual. A harmonia que regula as forças do Universo revela combinações e fins determinados, e por isso um poder inteligente.

Atribuir a formação primária ao acaso, seria uma falta de senso, porque o acaso é cego e não pode produzir efeitos inteligentes. Um acaso inteligente já não seria acaso (LE, perg.8).

B) Provas e Atributos da Divindade

ATRIBUTOS:

1) DEUS É ETERNO: Por eterno entende-se aquilo que não tem começo nem fim. Se Deus tivesse tido um princípio, teria saído do nada; ora, o nada não existe. Por outro lado, se tivesse sido criado por outro ser, então este último é que seria Deus.

2) É IMUTÁVEL: Se estivesse sujeito a mudanças, as leis que regem o Universo não teriam nenhuma estabilidade (LE, perg. 13).

3) É IMATERIAL: Sua natureza difere de tudo o que chamamos matéria, pois de outra forma Ele não seria imutável, estando sujeito às transformações da matéria (LE, perg. 13).

4) É ÚNICO: Se houvesse muitos Deuses, não haveria unidade de vistas nem de poder na organização do Universo (LE, perg. 13)

5) É TODO-PODEROSO: Se não tivesse o poder soberano, haveria alguma coisa mais poderosa ou tão poderosa quanto Ele, que assim não teria feito todas as coisas. E aquelas que Ele não tivesse feito, seriam obra de um outro Deus. E então não seria único (LE, perg. 13).

6) É SOBERANAMENTE JUSTO E BOM: Sua sabedoria revela-se pela natureza de suas leis de amor, que regem a justiça por todo o Universo (LE, perg. 13).

PANTEÍSMO:

Deus define-se, portanto, especificamente pelas suas qualificações, e a prova de sua existência está no princípio da causalidade, segundo o qual Deus é o fundamento primário que torna possível o Universo e os seres. No entanto, não se deve por isso compartilhar da opinião de que todos os seres e corpos do Universo seriam partes da divindade, tal qual afirma o Panteísmo.

O Panteísmo (Pan=tudo, teo=Deus), entende-se o sistema filosófico que identifica a divindade com o mundo, e segundo o qual Deus é o conjunto de tudo quanto existe. Mas, ao confundir o Criador com as criaturas ter-se-ia uma concepção materialista, onde Deus e matéria identificar-se-iam. Ora, a matéria se transformando sem cessar, Deus nesse caso, não teria nenhuma estabilidade e estaria sujeito a todas as vicissitudes e mesmo a todas as necessidades da humanidade; faltar-lhe-ia um dos atributos essenciais da Divindade: a imutabilidade (LE, perg. 16). Deus não é o Universo, mas nele permanece em suas leis imutáveis que lhe conferem ordem e harmonia.

A inteligência de Deus se revela nas suas obras, como a de um pintor no seu quadro; mas as obras de Deus não são o próprio Deus, como o quadro não é o pintor que o concebeu e executa (LE, perg. 16).

Consequentemente, o pintor e o quadro não se confundem, mas permanece a ideia do autor enquanto sendo a essência do quadro; da mesma forma Deus e a criação não se confundem, mas permanece a inteligência como sendo a própria essência geradora e mantenedora da obra.

QUESTIONÁRIO:

B) Provas e Atributos da Divindade

1 – Em que axioma fundamenta-se o conceito espírita de Deus?

2 – Quais os atributos de Deus?


3 – Sob que aspecto o Panteísmo pode ser considerado uma concepção materialista de Deus?

segunda-feira, 17 de março de 2014

2ª AULA - CURSO BASICO DE ESPIRITISMO 1º ANO - FEESP

PARTE A: DEUS E O INFINITO

A questão Deus sempre empolgou o homem na história do pensamento, tornando-se o centro natural de todo o processo de conhecimento. É assim que O Livro dos Espíritos inicia-se o conceito de Deus. Tal tema é de suma importância, pois da compreensão clara da existência de Deus depende da nossa apreensão da realidade, assim como a forma de pautar nossa existência.

Que é Deus? (LE, perg. 1) Ao que respondem os Espíritos: Deus é a Inteligência Suprema, causa primária de todas as coisas. Vê-se assim que a Doutrina Espírita define Deus a partir do princípio da causalidade, segundo o qual Deus constitui o fundamento que torna possível o mundo e os seres. A partir desse conceito, Deus deixa de ser tão somente uma questão de fé, para revelar-se de forma racional, na Inteligência que rege as formas da natureza.

Ao buscar definir Deus, porém, é muito comum ao entendimento humano associá-lo à visão de algo que lhe permanece desconhecido, e, portanto, à noção de infinito. No entanto, esclarecem os Espíritos que Deus não é o infinito, pois, definir Deus como sendo o infinito, é tomar o atributo de uma coisa por ela mesma, definir uma coisa ainda não conhecida, por outra que também não o é (LE, perg.3).

QUESTIONÁRIO:

A) Deus e o Infinito

1 – A formação primária das coisas é obra do acaso? Comente.

2 – Conhecer a Deus é tão somente uma questão de fé? Desenvolva.


3 – Podemos definir Deus como sendo o infinito? Justifique.

sexta-feira, 14 de março de 2014

1ª AULA - CURSO BASICO DE ESPIRITISMO 1º ANO - FEESP

PARTE C: ESPIRITISMO: FILOSOFIA – CIÊNCIA – RELIGIÃO

Embora represente uma face do Espiritualismo, cumpre esclarecer que o Espiritismo difere de toda e qualquer ramificação espiritualista religiosa, na medida em que não possui “dogmas” propriamente ditos, mas antes fundamenta-se na razão e nos fatos. Sob esse aspecto o Espiritismo é considerado uma Doutrina Tríplice, pois sua estrutura consiste em Ciência, Filosofia e Religião.

Ciência, pois possui como fundamento a parte experimental, ou seja, ideias organizadas sistematicamente a partir dos fatos, dos fenômenos mediúnicos, das manifestações em geral.

Para tanto, emprega, efetivamente, o método experimental.

Consciência Prática: O Livro dos Médiuns.

Filosofia, pois sua temática abrange essencialmente objetos de conhecimento que estão além da experiência sensível, qual: a existência de Deus, os Princípios constitutivos do Universo (Causas Primárias), as Leis Morais e outros. Para tanto, possui como instrumento seguro o método racional.

Consciência teórica: O Livro dos Espíritos.

Religião, na medida em que seu fim último consiste na restauração do Evangelho e na prática dos princípios cristãos. Importa, porém considerar que, embora de essência religiosa, o Espiritismo não se vale de formalismos exteriores, de práticas sagradas, rituais ou técnicas coletivas, mas a busca de religiosidade dá-se na intimidade afetiva de cada um, a partir de uma atitude interior consciente.

Consciência moral, religiosa, étnica: O Evangelho Segundo o Espiritismo.

Esses três aspectos encontram-se bem definidos na Codificação de Allan Kardec, respectivamente: O Livro dos Médiuns, O Livro dos Espíritos e O Evangelho Segundo o Espiritismo.

Em seus aspectos científicos e filosóficos, a Doutrina será sempre um campo de investigações humanas. No aspecto religioso, todavia, repousa a sua grandeza divina, por constituir a restauração do Evangelho de Jesus Cristo, estabelecendo a renovação definitiva do homem para a grandeza de seu imenso futuro espiritual.

QUESTIONÁRIO:

c) Espiritismo: Ciência, Filosofia e Religião

1 – Sob que aspecto a Doutrina Espírita é uma Ciência?

2 – Em quais obras da Codificação encontram-se a parte científica?


3 – Por que o Espiritismo é uma religião?

quarta-feira, 12 de março de 2014

1ª AULA - CURSO BASICO DE ESPIRITISMO 1º ANO - FEESP

PARTE B: ESPIRITISMO E ESPIRITUALISMO

O Livro dos Espíritos, obra essencial da Doutrina Espírita – e conteúdo fundamental deste Curso – apresenta-se inicialmente sob o título “Filosofia Espiritualista”. Importa, assim inicialmente, questionar qual a relação entre o Espiritismo e o Espiritualismo, e por que apresenta-se como filosofia.

Allan Kardec, ao codificar a Doutrina Espírita, houve por bem criar os vocábulos Espiritismo e espírita, distintos de Espiritualismo e espiritual, para maior clareza e precisão de conceitos.

Por Espiritualismo entende-se a doutrina filosófica, segundo a qual o Espírito constitui a substância de toda a realidade, e que tem por base a existência de Deus e da alma. Efetivamente, o Espiritualismo opõe-se ao Materialismo, para o qual a única substância existente é a matéria.

Sob este aspecto, a Doutrina Espírita está plenamente identificada ao Espiritualismo, enquanto gênero a que pertence, mas quanto à especificidade vai mais além, na medida em que acrescenta-lhe os seguintes princípios básicos:

1 – Possibilidade de comunicação entre o mundo espiritual e o mundo material;

2 – Pluralidade das existências;

3 – Pré-existência e imortalidade da alma;

4 – Justiça natural: as penas e recompensas nada mais são que consequência natural de ações praticadas;

5 – Progresso infinito do Espírito.

Como generalidade, portanto, O Livro dos Espíritos representa uma das fases do Espiritualismo, mas como especificidade contém a Doutrina Espírita. Essa a razão por que traz sobre o título as palavras: Filosofia Espiritualista.

QUESTIONÁRIO:

b) Espiritismo e Espiritualismo

1 – Qual a relação que existe entre Espiritismo e Espiritualismo?

2 – Sob que aspectos o Espiritismo acrescenta-se ao Espiritualismo?


3 – Em que o Espiritualismo opõe-se ao materialismo? Por que o Espiritismo oferece mais condições de consolo?

segunda-feira, 10 de março de 2014

1ª AULA - CURSO BASICO DE ESPIRITISMO 1º ANO - FEESP

 PARTE A: ESPIRITISMO - ANTECEDENTES DA CODIFICAÇÃO

Os fenômenos espíritas datam desde as mais remotas épocas da Antiguidade e estão disseminados no tempo e no espaço. Estão presentes tanto entre os povos mais selvagens, quanto aos homens civilizados, muito embora em algumas épocas tais fenômenos tivessem uma presença mais acentuada, assumindo inclusive um caráter mais definido, como que prenunciando a eclosão de um novo ciclo para a Humanidade.

Os traços de interferência dos Espíritos ocorridos desde as origens do Homem diferem dos antecedentes do Espiritismo, porque enquanto aqueles se apresentaram como casos esporádicos, estes últimos têm as características de “uma invasão espiritual organizada”, na França com um determinado objetivo: preparar ambiente para o advento da Terceira Revelação.

A época que costuma-se fixar como marco inicial da História do Espiritismo é o fenômeno das “mesas girantes”, na França, paralelamente aos fenômenos produzidos a partir de 31 de março de 1848 no vilarejo de Hydesville, em Rochester, nos Estados Unidos, por intermédio das irmãs Fox.

Precursores do Espiritismo

Swedenborg: Emmanuel Swedenborg é considerado um dos pioneiros a anteceder a invasão dos Espíritos no mundo físico, não só por ter sido um médium vidente de grande potencialidade, mas também pela verdadeira antevisão dos princípios básicos da Doutrina Espírita em que se constituiu sua teologia. Era dotado da chamada “vidência à distância” na qual a alma emancipa-se do corpo e vai buscar informações à distância, voltando com notícias do que se passou nesses lugares.

Swedenborg afirmou a pluralidade dos mundos habitados e a inexistência de penas eternas, bem como outros postulados semelhantes aos da Doutrina Espírita; para ele, anjos e demônios eram seres humanos que haviam vivido na Terra, respectivamente Espíritos altamente evoluídos e Espíritos retardatários. Embora os acontecimentos mediúnicos vividos por Emmanuel Swdenborg fossem fatos isolados dentro de sua época, eram, contudo indício de forças latentes que estavam por eclodir em futuro bem próximo.

IRVING: Entre 1830 e 1833 nova experiência psíquica ocorre desta vez com Edward Irving e com membros de sua Igreja Escocesa.

Pastor protestante, grande estudioso bíblico, desenvolveu num grupo fechado estudos que levaram a manifestações internas. Em 1831 ocorreu o boato que membros da congregação tinham sido tomados de maneira estranha em suas próprias residências, e durante uma própria celebração o culto foi interrompido por gritos de um possesso.

Nestes fenômenos há sinais de verdadeira força psíquica atuando no mundo material.

OS SHAKERS: Além desses incidentes isolados da igreja de Irving, houve uma outra manifestação psíquica naqueles dias; foi o desabrochar de fenômenos espíritas nas comunidades “Shakers”, nos Estados Unidos.

Os fenômenos se iniciaram com costumeiros sinais de aviso seguidos pela obsessão de quando em vez de quase toda a comunidade. Os principais visitantes eram Espíritos de índios Peles Vermelhas que vinham em grupo como uma tribo. Os Shakers contavam com um homem de notável inteligência chamado F.W. Evans que juntamente com seus companheiros, depois da primeira perturbação física e mental causada pela irrupção daqueles Espíritos, puseram-se a estudar o que aquilo realmente significava; chegaram então à conclusão inesperada de que os índios não tinham vindo ensinar, mas sim aprender.

Durante sete anos as visitas continuaram. Quando os Espíritos os deixaram, disseram que iam, mas voltariam, e que quando voltassem invadiriam o mundo tanto nas choupanas quanto nos palácios. Foi justamente quatro anos após que começaram as batidas de Hydesville.

O episódio da manifestação dos Shakers é um elo distinto entre o trabalho pioneiro de Swedenborg e o período de Davis e das irmãs Fox.

ANDREW JACKSON DAVIS: Nascido em 1826, tinha somente a escola primária, mas naquela criatura mirrada dormiam estranhas forças espirituais. Era portador de clarividência, mas também ouvia vozes que lhe davam bons conselhos. Antes dos 20 anos já tinha escrito um dos livros mais profundos e originais de filosofia produzidos até então. Isto era uma prova clara que nada tinha vindo dele mesmo e de que não passava de um canal, através do qual fluía o conhecimento daquele vasto reservatório espiritual.

As observações de Davis não se limitavam aos que estavam em sua presença, pois sua alma podia emancipar-se pela ação magnética.

Nesta fase inicial, Davis não se recordava do que via em transe, mas tudo ficava registrado em seu subconsciente e mais tarde recuperava com clareza. No seu livro “Princípio da Natureza”, prevê o aparecimento do Espiritismo como doutrina e prática mediúnica; a sua importância reside no fato de que com ele começou-se a preparar o terreno para a eclosão da Doutrina Espírita.

FAMÍLIA FOX: Hydesville é um vilarejo próximo a cidade de Rochester no condado de Wayne; no Estado de Nova Iorque, Estados Unidos; é considerado como o berço do Novo Espiritualismo, ou seja, o Espiritismo dos povos de língua inglesa. Numa casa humilde, alugada em 11 de dezembro de 1847, vivia a família protestante composta de John Fox, sua mulher Margareth e suas filhas menores, Margareth de 14 anos e Caterine (Kate) 11 anos. Em 1848 foram surpreendidos por barulhos de arranhaduras e estes se intensificaram à medida que o tempo se passava, as crianças se assustavam de tal maneira que não queriam mais dormir sozinhas.

Finalmente a 31 de março de 1848 houve grande invasão de sons e Kate resolve desafiar o mistério, travando um diálogo através de palmas. A cada palma de Kate era dada a resposta com pancada correspondente. A menina então perguntou se as pancadas estavam vindas de um Espírito; se fosse deveriam ser dadas duas batidas. A resposta foi afirmativa.

Estabeleceu-se assim neste dia a telegrafia espiritual. Um vizinho dos Fox, de nome Duesler, usando o alfabeto para obter respostas mais rápidas consegue saber que ali houvera um crime.

Entretanto, este episódio não teve como finalidade a punição do culpado, pois a finalidade destes fenômenos era convencer a todos da imortalidade da alma.

Grande número de adeptos da nova crença fizeram realizar em Rochester a 1ª. Reunião Pública para investigar a veracidade dos fenômenos. Mas é preciso admitir a envergadura moral do casal Fox que, embora renegados pela igreja a que pertenciam, preferiram renunciar a negar os fenômenos espíritas, ou a abdicar da verdade de que foram testemunhas.

AS MESAS GIRANTES: A publicidade que se formou em torno das irmãs Fox teve também o mérito de chamar a atenção para o grande número de médiuns que começaram a sair do anonimato e a revelar suas faculdades, estimulados pelos acontecimentos de Hydesville.

Ocorreu assim, paulatinamente, a anunciada invasão dos Espíritos que se manifestavam em toda parte, pelos mais diferentes médiuns.

Foi em fins de 1850 que os próprios Espíritos sugeriram a nova maneira de se comunicarem, em substituição ao processo moroso das pancadas. Esses fatos apresentados aos olhos de pesquisadores honestos sugeriam de forma drástica e inquestionável a existência do Espírito. Mas, as respostas dos Espíritos às perguntas frívolas dos participantes movidos mais pela curiosidade do desconhecido, passaram a constituir motivo de grande interesse, mesmo porque as mesas moviam-se em todos os sentidos, giravam vertiginosamente ou se elevavam no ar alcançando o teto, produzindo os mais variados movimentos. Daí em diante as mesas girantes passaram a constituir a grande atração nos salões da sociedade parisiense, como se tais fenômenos fosse meros passatempos.

Na verdade era uma determinação do Alto, despertando consciências para a imortalidade da alma e para o recebimento do Consolador, prometido por Jesus há muitos séculos e consubstanciado no Espiritismo que logo seria codificado, pois os tempos eram chegados.

ADVENTO DA DOUTRINA ESPÍRITA: Hippolyte Leon Denizard Rivail aos 50 anos era um nome respeitado na França, portador de inúmeras qualidades morais e intelectuais. Era grande estudioso dos fenômenos psíquicos, interessando-se de modo especial pelo estudo do magnetismo. Ouvira falar das mesas girantes e atribuiu estes fenômenos ao magnetismo impregnando nas mesas, daí seus movimentos; tendo conhecimento da existência de algo inteligente por detrás, admite a hipótese da atuação do mundo espiritual.

Resolve então verificar a procedência dos fatos. E, assim, ano após ano o Prof. Rivail trabalha metodicamente na elaboração da Doutrina Espírita. Allan Kardec é o nome que adotou como Codificador da Doutrina Espírita.

Com a expansão da Codificação Espírita os fenômenos mediúnicos já não despertam a mesma curiosidade de outrora, pelo menos com o mesmo ímpeto; a atenção volta-se atualmente para outro objetivo transcendental: a necessidade de elevação moral.

Assim, ultrapassada a fase inicial da fenomenologia, abertos os caminhos deixados pelos precursores, pode o homem atual iniciar um novo capítulo de cunho moralizante, guiado pelos Espíritos que o assistem através das possibilidades tecnológicas: das batidas e das mesas girantes à transcomunicação instrumental. Assim, dos estudos sistemáticos desses fenômenos surgiu toda uma filosofia fundamentada nos princípios cristãos.

QUESTIONÁRIO:

a) Espiritismo – Antecedentes da Codificação:

1 – Resuma o papel de Emmanuel Swedenborg, Edward Irving e Andrew Jakson Davis, enquanto precursores do Espiritismo.

2 – Descreva os fenômenos dos Shakers e o ocorrido com a família Fox.


3 – Qual a relação dos fenômenos das mesas girantes com o advento da Doutrina Espírita: